domingo, 29 de setembro de 2013

Pelo Haroldo! - Luis Fernando Verissimo

O Estado de S.Paulo - 29/09/2013

Homem e mulher na cama.

– Foi bom? – Foi. – Muito bom ou só bom?

– Francamente, eu...– Está bem, está bem. Me dá uma nota. De zero a 10, que nota você me dá?

– Sete. – Sete?!

–Você quer que eu minta, Haroldo? Estou sendo franca. Você me pediu uma...

– Peraí. Que foi que você disse?

– Eu disse que estava sendo franca.

–Não, antes. Você disse: “Você quer que eu minta, Haroldo”.

– É. – O meu nome não é Haroldo!

–Não é? – Grande. Você me confundiu com outro. –Se você não é o Haroldo, então quem é?

– E eu vou dizer? Com nota sete, eu vou dizer quem eu sou?

– Mas...–Vamos de novo. Apaga a luz. Pelo Haroldo!

Disfarça, Disfarça

Dois homens tramando um assalto.

– Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá.

– Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.

– Tá com a máquina aí? – Tá na mão.

Aparece um guarda.

– Ih, sujou. Disfarça, disfarça... O guarda se aproxima deles.

– Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach.

– Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século dezoito...

O guarda se afasta. – O berro, tá recheado? – Tá. – Então vamlá!

Para o maridinho

– Meu bem...Você está deslumbrante!

– Tudo para você, querido.

– Esse penteado...

– Fui a cabelereiro e pedi um corte novo para o meu maridinho me achar desejável. Fui ao maquiador e pedi que me deixasse sexy para atrair meu maridinho. Comprei esta camisola provocante para enlouquecer você.

– E conseguiu, meu amor. Você está...

– Não me toca senão estraga tudo!

Cada coisa

Rubenval tinha um lema: confidência em salão de beleza é sagrado. Segredos ditos a um cabeleireiro eram mais invioláveis do que os segredos do confessionário. Os ouvidos de um padre eram apenas os receptores de Deus, para quem os fiéis se confessavam diretamente. Trair uma confidência de confessionário seria como grampear o telefone de Deus. Rubenval não sabia exatamente com que entidade superior a pessoa falava quando falava com seu cabeleireiro, só sabia que merecia o mesmo respeito. E olha que ele ouvia cada coisa...

– Que coisas, Ru? Conta. – Jamais!

Mas Rubenval começou a ficar nervoso depois que seu salão virou, como ele diz, unisexi. Rubenval não sabia o que era confidência escandalosa até começar a fazer cabelo de homem também. Eram inimagináveis, as coisas que ouvia fazendo “boufands” em políticos e mechas em líderes empresariais. Os homens, muito mais do que as mulheres, pareciam perder toda a discrição depois de um xampu. Rubenval não se sente a vontade, com tanta informação acumulada e está até com um problema na pele, de tanta tensão.

– O que eles dizem, Ru? Dá uma amostra.

– O quê? Eu, derrubar a República?

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » Onde estavas em 1973?‏

Estado de Minas: 29/09/2013 



As pessoas se divertem perguntando: “Onde estava você em 1964, quando ocorreu a derrubada de Jango?”. (Estava em Belo Horizonte, atônito, na redação do Correio de Minas, dirigido por Fernando Gabeira.)

Outros, em reuniões sociais, se põem a lembrar: “O que você fazia quando os terroristas derrubaram o World Trade Center em 2001?”. (Estava num avião indo fazer uma palestra para jovens vestibulandos no Mato Grosso.)

Pessoas mais velhas se indagam: “Onde estava você quando mataram John Kennedy ou John Lennon? Uma vez, no romance A maçã no escuro, de Clarice, encontrei uma declaração surpreendente: um personagem diz que o dia mais importante de sua vida foi quando as tropas de Napoleão entraram em Paris. Como o personagem não havia nascido naquela época, é de se crer que a gente não precisa estar vivo para determinada data ter importância ou ter modificado a vida da gente. Por exemplo: eu não estava lá quando alguém inventou a roda ou Gutenberg a imprensa. E no entanto…

Vinha pensando nisso e no fato de que 1973 foi um ano muito significativo para mim e algumas pessoas. Vejam só: havia a guerrilha no Araguaia, Allende foi derrubado no Chile, a famigerada guerra do Vietnã chegou ao fim com a derrota americana, o World Trade Center foi erguido, fizeram conexão por um celular e foi aí que inventaram a ethernet (que eu nem sei o que é).

Para mim, foi o ano em que trouxe Michel Foucault para conferências na PUC, o ano das Expoesias (em várias cidades) e da publicação do Jornal de Poesia no Jornal do Brasil. Mas volta e meia, conversando com motoristas que me levam daqui para ali, me dou conta que eles nem existiam em 1973 ou quando coisas importantes aconteceram na história do Brasil. Por exemplo, me divirto contando aos motoristas de Brasília que eu estava ali em 1960, em Brasília, participando da festa da inauguração da cidade. O chofer, de cabelos brancos, me olha desconfiado…

Outro dia, porque havia visto esse filme sobre a vida de Elizabeth Bishop e Lota Macedo (Flores raras ), comecei a conversar com um motorista sobre a construção do Aterro do Flamengo (coisa da Lota) e sobre Carlos Lacerda. Ele não tinha a menor noção de quem era Carlos Lacerda. E, no entanto, Lacerda infernizou a nossa juventude e o país.

O fato é que num dia qualquer dos anos 1960 ia subindo a Rua Tupis, em Belo Horizonte, e vi estampado e aberto um exemplar da revista Life em espanhol. Havia uma reportagem sobre a Ilíada e a Odisseia de Homero. Uma espécie de súmula do que ocorria na epopeia e uma frase ficou cravada em mim para sempre. E era em espanhol: “Al pie de las hogueras acesas, mientras comiamos pan dulce y bebiamos vino no preguntávamos: que edad tenías tu mi querido amigo cuando vinieram los persas?”.

Outro dia (não sei por que, ou será que sei?), comecei uma conferência comemorativa dos 50 anos do histórico Congresso de Crítica e História Literária em Assis, São Paulo, com essa pergunta de Homero. E juntei outras questões pertinentes, como aquela canção dos anos 60 que indagava: “Where have all the flowers gone?”(Para onde foram aquelas flores ?). E, claro, a frase daquela canção dos negros americanos: “Onde estava você quando crucificaram my Lord?”.

Vocês estão vendo que uma pergunta leva à outra. E isto é uma sucessão de abismos. E, a propósito, dessa crucificação de Cristo, lembro-me que um pregador contava algo patético: um missionário, depois de ter convertido ao cristianismo o chefe de uma tribo africana, ouviu esta reprimenda: “Então esse Cristo morreu há 2 mil anos e só agora o senhor vem me contar?”.

Falei de 1973. Mas poderia falar de 1963 ou antes. Outro dia, disse a uns adolescentes que tinha 110 anos e eles acreditaram. E, para finalizar, lhes digo: me encontrei com as escritoras Vilma Areas e Elvira Vigna num seminário em Curitiba. E como elas falassem de suas idades, lembrei um fato verdadeiro: um amigo de 86 anos encontrou-se com outro de 96 e conversaram longamente. Ao final, o que tinha 96 disse: “Ah, que bom foi te encontrar! Até que enfim pude conversar com alguém sobre a década de 30…”.

Tereza Cruvinel - Água corrente‏

Dilma recupera popularidade e intenção de votos, ajudada por iniciativas como o Mais Médicos e a reação à espionagem



Tereza Cruvinel

Estado de Minas: 29/09/2013 



A virada setembro-outubro, com o fim do prazo de filiações partidárias, vem trazendo definições importantes para a disputa eleitoral do ano que vem, especialmente para a sucessão presidencial. Depois da ruptura de Eduardo Campos e seu PSB com o governo e o PT, saberemos esta semana se Marina Silva viabilizará a Rede, e, em caso negativo, se será ou não candidata por outra sigla. Mas foi para a presidente Dilma que vieram mudanças alvissareiras, tanto na economia quanto na aprovação do seu governo e no desempenho eleitoral. E para completar, conforme se pode ler na entrevista que o Estado de Minas publica hoje, ela terá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no papel de "grande eleitor", engajado em sua campanha, em plena forma física e política. Se não estivesse com a autoconfiança elevada, Dilma não teria voltado a tuitar nem estaria abrindo página no Facebook.

Segundo a pesquisa Ibope/Estadão, Dilma teve um crescimento eleitoral de 30% em julho para 38%, ao passo que sua principal concorrente, Marina Silva, caiu de 22% para 16% no mesmo intervalo de tempo. Talvez a queda de Marina seja reflexo dos problemas que vem enfrentando para viabilizar a Rede. Seja qual for a causa da queda, ela ainda é dona do segundo maior quinhão de votos, o que aumenta a importância da decisão que tomará se, para concorrer, tiver que rever o que disse e adotar um plano B, filiando-se a outra legenda. Se não for candidata, para onde vão seus votos? Ainda segundo a pesquisa, Aécio Neves, do PSDB, oscilou negativamente de 13% para 11%, assim como Eduardo Campos, de 5% para 4%. Dilma cresceu oito pontos enquanto os outros, juntos, perderam nove, o que sugere ter havido movimentações dentro do campo de eleitores que mudaram de posição no auge das manifestações de junho. Se for assim, Dilma estará recuperando eleitores perdidos, restando ainda a mesma massa de indefinidos, que só pensará em eleição mais adiante. Em todos os cenários, haveria segundo turno e ela ganharia.

O vento soprou a favor dela também na aprovação a seu governo, segundo a pesquisa CNI/Ibope. Num claro paralelismo com a pesquisa eleitoral, esta outra mostrou um crescimento de seis pontos na aprovação ao governo, que passou de 31% em julho para 37% agora. Nas avaliações do Planalto, o índice já estaria na casa dos 40% e a expectativa é de que Dilma vire o ano mais próxima dos 50%. Ela tinha 55% de aprovação quando eclodiram os protestos de junho, que derrubaram o indicador para 31%. No quesito confiança, ela ultrapassou a barreira dos 50%. Entretanto, o governo tem alta reprovação nas áreas de educação (65%), saúde (77%) e segurança (74%), exatamente as que foram criticadas pelos manifestantes de junho.

Tuitando na sexta-feira, Dilma rebateu a revista The Economist, dizendo que a inflação recuou, o dólar se estabilizou e o Brasil vive rara situação de pleno emprego. De fato, os sinais melhoram também na economia, embora na pesquisa CNI/Ibope a avaliação das política econômica tenha sido baixa: 68% desaprovam o combate à inflação. A Pnad 2012, divulgada na sexta-feira, trouxe notícias boas, como o crescimento da renda do trabalho em 5,8%, e outras ruins, como uma freada na redução da desigualdade e na queda do analfabetismo. Mas o nível de emprego é o que mais segura ou derruba o prestígio de um governo, e segue estável, com aumento em alguns setores, como a construção civil.

No mais, Dilma faturou com a reação madura mas enérgica à espionagem americana e com o Programa Mais Médicos. Segue, entretanto, deixando a política eleitoral e, especialmente, a costura das alianças em segundo plano. E, daqui para a frente, depois dos alinhamentos partidários definitivos agora ocorridos, o assunto entra para valer na pauta pré-eleitoral. Eduardo Campos teve perdas com sua decisão e agora correrá atrás de aliados. Como já faz Aécio, reatando o noivado com o DEM.


O grande eleitor

Lula diz que vai "ajudar como puder" na campanha de Dilma, mas o que ela, ou pelo menos seus auxiliares, espera dele é muito mais que uma "mãozinha". A presidente, lembra um de seus ministros, vai ter que governar. Por força da lei, só poderá fazer campanha fora do expediente. Ou seja, à noite ou nos fins de semana. E quem cruzará o país, fazendo comícios em série, às vezes mais de um por dia? Ora, o Lula, diz ele.

Para os adversários, que dele esperavam atuação mais discreta, a notícia não é boa. Dilma precisará menos de Lula em 2014 do que precisou em 2010, quando era completamente verde em matéria de campanha e absolutamente desconhecida do Brasil grande e profundo. Mas, por isso mesmo, o jogo será pesado, reunindo o que ela tem de capital eleitoral próprio com toda a força mítica do ex-presidente.


Arrumar o governo

Este ano, salvo imprevistos, a presidente Dilma só mudará o ministro Fernando Bezerra, por conta do desembarque do governador Eduardo Campos e seu PSB. Fará média com o PMDB, entregando a pasta ao senador Vital do Rêgo. Mas, para começar o ano, ela antecipará a saída dos ministros que vão disputar mandatos e teriam de sair em abril. Poderá trocar de 13 a 15 ministros.

Um caso especial, o do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que tem hoje dois destinos à sua espera. Ou vai para a Casa Civil, substituir Gleisi Hoffmann, que será candidata a governadora do Paraná, ou coordenará a campanha de Dilma. Deve ser substituído pelo dinâmico secretário executivo Henrique Paim.

Tv Paga

Estado de Minas: 29/09/2013 



 (Nat Geo/Divulgação%u2018)


Além da imaginação Um grupo de cientistas está decidido a empreender uma aventura a 780 milhões de quilômetros da Terra. É o que mostra o documentário Viagem à lua de Júpiter (foto), que o Nat Geo apresenta esta noite, às 18h30.        O destino é Europa, um satélite do planeta gigante, onde acredita-se haver vida em um oceano sob a crosta de gelo da superfície.

Genocídio no Camboja Outro documentário programado para hoje é S21 – A máquina de morte do Khmer Vermelho, às 23h30, na Cultura. Entre 1975 e 1979, o Khmer Vermelho promoveu um genocídio no Camboja, causando a  morte de 1,7 milhões de homens, mulheres e crianças por fome    ou assassinados quando a população urbana foi obrigada a ir para  o campo para realizar o sonho de uma utopia agrária. 


Enlatados
Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br
Publicação: 29/09/2013 04:00
Entre a cruz e a espada

Hostages entra no ar amanhã, às 22h25, no Warner Channel, uma semana depois de estrear nos Estados Unidos. Toni Collette e Dylan McDermott estrelam a trama ambientada em Washignton. Ela é uma cirurgiã incumbida de operar o presidente norte-americano. Com um detalhe: depois da cirurgia, deve matá-lo. Logicamente ela é forçada a isso depois de ser sequestrada com o marido e filhos. A primeira temporada terá 15 episódios. Se a recepção continuar boa, como ocorreu com o episódio piloto, a série tem fôlego para mais dois anos.

Lista negra – Terça-feira, às 21h, estreia no Sony The blacklist. A série policial estrelada por James Spader acompanha os passos do ex-agente do governo norte-americano Raymond “Red” Reddington , que figura na lista dos fugitivos mais procurados pelo FBI. Red intermediava transações suspeitas para criminosos, mas misteriosamente se entrega ao FBI e faz uma proposta bombástica: ajudará a agência a capturar um terrorista que muitos imaginavam estar morto há tempos. A única condição é se remeter a Elizabeth Keen (Megan Boone), uma inexperiente elaboradora de perfis criminais.

Microfone –Enquanto o The voice Brasil retorna à grade da Globo quinta-feira, o Sony estreia hoje, às 23h, a quinta temporada da edição original
do reality show. Adam Levine e Blake Shelton continuam como treinadores dos cantores. Completando o time, Christina Aguilera e Cee Lo Green.

Duelo – Para os que acompanham
as séries pelo calendário dos Estados Unidos, a noite deste domingo será imperdível, com a final de Breaking bad e a estreia da terceira temporada de Homeland.

Ponte – No ar aos domingos, às 23h, no FX, a série The bridge teve confirmada sua segunda temporada, para 2014. A trama conta a história de dois detetives que investigam os rastros de um serial killer que aterroriza a fronteira dos EUA com o México.