terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sacudindo a poeira - Ana Clara Brant

Vanusa volta aos palcos depois de tratamento para se recuperar de dependência por medicamentos. Convidada do projeto Salve rainhas, ela se prepara para lançar disco


Ana Clara Brant

Estado de MInas: 01/10/2013 


            
A voz está um pouco cansada e meio rouca no telefone. Resultado de uma maratona de entrevistas. “Tenho que dar uma respirada, mas é muito gostoso também estar de volta, divulgar o meu trabalho. Tudo isso faz parte”, avisa Vanusa, que retoma a carreira depois de um período internada em uma clínica de reabilitação.

E Belo Horizonte vai marcar esse retorno. Hoje e amanhã, a artista é a convidada do projeto Salve rainhas, na Funarte. Com formato de descontraído talk-show, em cada apresentação, a cantora convidada, ao lado de um ou dois músicos, fala sobre sua trajetória artística, além de cantar algumas canções que marcaram sua carreira. “É uma honra participar dessa iniciativa, que, por si só, já é um elogio. Não poderia estar mais satisfeita com tudo o que está ocorrendo”, destaca.

Vanusa mostrará músicas de seu novo disco, que deve ser lançado neste mês, Vanusa Santos Flores, nome de batismo da cantora, título dado ao CD por sugestão do produtor e diretor musical, o cantor e compositor Zeca Baleiro. Depois de 15 anos sem entrar num estúdio, ela voltou a ter prazer em soltar a voz. “Sempre adorei gravar, porque você participa da feitura de todo o processo. E quando fica pronto, vêm os ajustes. É como se fosse um filho. E o bacana é que esse trabalho foi feito com muito cuidado, com calma. Zeca foi maravilhoso, porque teve esse carinho comigo, de esperar o meu tempo. Gostei de todo esse caminhar do processo”, revela.

Além de músicas do próprio Zeca Baleiro, o álbum tem composições autorais e inéditas de Zé Ramalho, Zé Geraldo e ainda uma faixa de Vander Lee, Esperando aviões, que a cantora vai, inclusive, interpretar na apresentação na Funarte. “Nasci em Cruzeiro, interior paulista, mas fui com 4 anos para Uberaba e, em seguida, para Frutal. Passei muito tempo da minha criação em Minas e, por isso, tenho muito da mineirice. Então, vou fazer uma homenagem aos mineiros cantando Vander Lee, que é uma pessoa que adoro e admiro”, avisa a Vanusa, que estará acompanhada do pianista Sérgio Sá.

E foi justamente no interior mineiro que ela começou sua trajetória artística, aos 16 anos. Depois de quase meio século na estrada e com 24 discos no currículo, a cantora confessa que chegou a achar que não voltaria mais aos palcos após o período de internação. “Não tinha expectativa nenhuma de sair da clínica e voltar a fazer alguma coisa. Mas tudo caminhou. Escolhi ser feliz. É isso que importa”, filosofa.

Salve Rainhas
Show com Vanusa
Hoje e amanhã, às 19h, na Funarte MG,
Rua Januária, 68, Floresta. Ingressos:
R$ 5 e R$ 2,50 (meia), à venda uma hora
antes da abertura da casa. Lotação:
140 lugares. Informações: (31) 3213-3084.

Três perguntas para... Vanusa cantora

Publicação: 01/10/2013 04:00
Como surgiu a ideia de fazer um disco com produção de Zeca Baleiro? Você o procurou?
Na verdade, eu o conheci quando fiz uma apresentação no Sesc em São Paulo, no começo do ano passado. Ele foi o diretor e adorei o trabalho dele. Quando fui internada na clínica de reabilitação, Zeca entrou em contato com minha filha, Aretha, me procurou e me disse: ‘Quando você sair daqui, tiver legal e quiser cantar de novo, vamos gravar um disco’. E estamos aí finalizando o CD, com o nome que ele sugeriu, que é meu nome completo. É a minha cara, a minha identidade e reflete o meu momento, o meu sentimento.

E por que você decidiu se internar?
Desde que comecei minha carreira, entrei no piloto automático. Só trabalhava, não tinha tempo de fazer nada por mim, não tirava férias. E quando você trabalha demais e só vive para isso, você se esvazia. Percebi que não tinha mais nada para doar, porque eu não estava me preenchendo com nada para mim. Na clínica, onde fui por vontade própria e fiquei seis meses, as coisas se assentaram.

Aquele episódio do Hino nacional (em março de 2009, ao participar de evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, Vanusa errou a letra e desafinou ao cantar o hino brasileiro) está superado?
Justamente por causa dessa minha rotina de só trabalhar, acabei me viciando em remédio tarja preta, porque passei a ter períodos de depressão. Chegou ao ponto de eu não conseguir acordar. Tinha que tomar guaraná em pó para me manter em pé. Esse episódio do hino foi a gota d’água e um sinal pra mim. Já não estava bem, tinha tomado remédio, mas como sempre fui caxias e muito profissional, fui cantar. E eu quase desisti de tudo depois desse ocorrido. Claro que não justifica o que fizeram comigo. Tenho uma trajetória tão bonita e as pessoas ficam lembrando só disso. Mas não tenho nenhuma mágoa. A gente tem que tocar a vida. Quando algo me incomoda, procuro sempre ver o lado bom da coisa. Os problemas são para nos ensinar. A gente está aqui para aprender e procurar sempre melhorar.

Tv Paga

Estado de Minas: 01/10/2013 



 (Bárbara Raso/Divulgação )
RECORDAR É VIVER

A escritora Thalita Rebouças (foto) é a entrevistada de hoje de Serginho Groisman no programa Tempos de escola, às 22h30, no canal Futura. Autora de uma série de livros para adolescentes, a convidada fala sobre o Colégio Sagrado Coração de Maria, em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde estudou de 1977 a 1988. Segundo ela, o colégio despertou sua paixão pela leitura. As histórias dos colegas e dos professores daquela época são fontes de inspiração para suas obras até hoje, revela Thalita.

Wilker conversa com
a amiga Lilia Cabral


No Canal Brasil, outro programa de entrevistas bacana é o Palco e plateia, às 21h30, com José Wilker recebendo hoje a atriz Lilia Cabral, que comenta o realismo fantástico da novela Saramandaia, que terminou sexta-feira, na Globo, e o sucesso das personagens Amorzinho, de Tieta, e Griselda, de Fina estampa, ambas também da Globo. Já às 23h30, na Cultura, vai ao ar mais uma edição de Provocações, com Antônio Abujamra numa conversa animada com o artista plástico e professor universitário Márcio Casarotti.

Tecnologia na pauta
do Alternativa saúde


No GNT, a grande notícia é a estreia das novas temporadas de três programas. Às 21h, Boas- vindas continua acompanhando toda a preparação de quem espera um novo membro na família, além de mostrar a chegada dos bebês ao mundo, começando a nova fase com os casais Pamela e Liesio e Gisele e Leo. Em seguida, às 21h30, em Socorro! Meu filho come mal, a nutricionista Gabriela Kapim tenta ajudar os pais de crianças que têm dificuldades para se alimentar, no caso a menina Maria Fernanda, de 7 anos.
E às 22h, o Alternativa saúde abre a temporada falando sobre tecnologia.

Artes plásticas em
alta na programação

O canal Arte 1 sempre tem uma atração de alto nível para o assinante que busca algo diferenciado. Para hoje, a pedida é o documentário A tela em branco, às 21h30, traçando o perfil do artista plástico norte-americano Edward Hopper (1882–1967). No +Globosat, o episódio de Mundo museu, às 21h, vai até a França para mostrar o Museu D’Orsay, que abriga obras de Monet, Degas, Manet, Cezanne, Toulouse-Lautrec e Rodin e salas inteiras de Van Gogh e Gauguin.

Nat Geo aposta em
séries sobre carros


No Nat Geo, o panorama é bem outro, dedicado aos automóveis: A noite super máquinas estreia às 22h15, com os programas SOS carros e Fanáticos por carros. No Discovery, a novidade é Febre do ouro: América do Sul, às 21h40, com os mesmos aventureiros da série original Febre do ouro, agora explorando jazidas em regiões do Chile, Guiana e Peru.

Canal Brasil reprisa
o suspense Inversão


No pacote de filmes, uma dica interessante é o suspense Inversão, com Marisol Ribeiro, Alexandre Barillari, Giselle Itié e Rubens Caribé, às 22h, no Canal Brasil. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Cinco anos de noivado, no Telecine Pipoca; Apenas uma noite, no Telecine Touch; A vida é bela, no Telecine Cult; Fúria de titãs 2, na HBO; Capitão Sky e o mundo de amanhã, na HBO 2; Esposa de mentirinha, na HBO HD; A face oculta da lei, na MGM; e Entre dois amores, no TCM. Outras atrações da programação: Distrito 9, às 20h, no Universal Channel; Uma noite no museu 2, às 20h30, no Megapix; Rosas da sedução, às 21h40, no Glitz; e O rei da baixaria, à 0h30, no Comedy Central.

Qual o segredo de Voynich?‏ - Celina Aquino

Manuscrito resgatado em 1912 intriga cientistas, que buscam decifrar seu significado. Doutorando de física da USP tenta desvendar o mistério usando redes complexas para entender sua lógica


Celina Aquino

Estado de Minas: 01/10/2013 




 
Há séculos um texto intriga o mundo. Escrito em uma língua enigmática, o Manuscrito de Voynich é conhecido como o livro que ninguém consegue ler. De fato, não há quem entenda o seu significado, mas três pesquisadores brasileiros, usando sistemas de computador, atestam que o documento não é uma sequência aleatória de palavras. “Vimos que existe nele um padrão encontrado em línguas naturais”, revela o engenheiro de computação Diego Raphael Amancio, de 26 anos, doutorando em física computacional na Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. “Agora ficam duas hipóteses em aberto: a linguagem pode ser nova ou ter sido criptografada.” Com a pesquisa, que deve ser concluída no mês que vem, o jovem espera ajudar outros estudiosos a desvendar o mistério.


Interessado em investigar textos, Amancio resolveu aplicar o conceito de redes complexas para entender a lógica do Manuscrito de Voynich. Depois de analisar um gráfico em que cada palavra é representada por um ponto, o pesquisador da USP chegou a um padrão de escrita do documento, levando em conta a forma como os termos se conectam. Em nenhum momento, considerou-se o significado. “Uma pessoa pode escrever sobre vários assuntos, mas sempre vai seguir o mesmo estilo de texto”, esclarece.


O grupo comparou, de diferentes maneiras, o padrão de escrita do Manuscrito de Voynich com trechos do Novo Testamento da Bíblia em 15 idiomas. Considerando a hipótese de que o documento misterioso é uma brincadeira, os pesquisadores embaralharam as palavras contidas nos livros religiosos para que fosse possível compará-lo com textos sem significado. Amancio, no entanto, não detectou nenhum padrão de texto aleatório no Manuscrito de Voynich. Pode até ser que o autor desconhecido tenha tentado pregar uma peça nos leitores, mas a estratégia parece não ter sido a elaboração de um livro sem sentido.


A conclusão se mostrou ainda mais plausível diante do resultado das análises da Bíblia na ordem correta. “Não há nada de diferente do que encontramos em línguas naturais, pois o jeito de escrever é compatível com os estilos já existentes. Só não sabemos o que ele significa”, acrescenta.


 Publicada há dois meses na revista online Plos One, a pesquisa também considerou a possibilidade de o Manuscrito de Voynich ter sido elaborado em um idioma inventado. A hipótese ganha força com a descoberta de que o padrão de escrita do documento é bem parecido com o do texto bíblico em esperanto, única língua até agora conhecida que foi criada pelo homem. O indício está na quantidade de palavras repetidas que aparecem seguidas no documento. “Há muito mais repetições no Voynich – às vezes aparecem três vezes seguidas a mesma palavra – que nas outras línguas analisadas. Pode ser que isso seja uma característica particular desse novo idioma novo”, esclarece o aluno da USP.
 
MAPEAMENTO  AUTOMÁTICO Há dois anos como pesquisador no Instituto Max Planck para Física de Sistemas Complexos, em Dresden, na Alemanha, o físico Eduardo Goldani Altmann, de 33, ficou interessado em adaptar a técnica de análises estatísticas para estudar um texto cujo alfabeto é desconhecido. Mapeando de maneira automática a frequência das palavras e como elas estão distribuídas, o brasileiro conseguiu detectar as palavras-chave do Manuscrito de Voynich, que são aquelas que carregam mais informação sobre o conteúdo e dão ideia de qual é o sentido do texto. “Queremos dar uma contribuição para ajudar na compreensão do documento”, destaca Altmann. O resultado serviu de base para a comparação com os 15 trechos do Novo Testamento da Bíblia (veja quadro).


As palavras-chave, geralmente, aparecem distribuídas de maneira diferente de palavras auxiliares (como verbos, pronomes, artigos e adjetivos): elas costumam estar bem próximas em uma parte do texto e depois desaparecem. “Posso usar a palavra chuva muitas vezes em um texto longo. Se na história para de chover, não a uso mais. Já a palavra bonito, que é descritiva, pode aparecer o mesmo número de vezes, mas mais distribuída”, exemplifica o físico. No Novo Testamento, foram destacadas palavras como Pilatos, anjo, menino, sepulcro e Maria, que não necessariamente aparecem em grande quantidade, mas estão concentradas em alguma parte do livro religioso, o que demonstra que são representativas do conteúdo.


Na publicação misteriosa, a medida de intermitência das palavras-chave, que mostra o grau de concentração delas no texto, é muito mais alta que na Bíblia. O engenheiro de computação Diego Raphael Amancio garante que há explicação para a descoberta. “A Bíblia não é dividida por assuntos como o Manuscrito de Voynich. Vendo figuras de plantas, depois de planeta, conseguimos distinguir algumas sessões e é óbvio que algumas palavras vão estar mais concentradas em uma parte e pouco presentes em outra. Isso não é característica do idioma, mas de como o documento está organizado”, informa.
O pesquisador da USP espera que agora os criptógrafos se concentrem nas palavras-chave e tentem chegar ao significado delas, o que pode facilitar a tradução do enigmático livro.



saiba mais

o Manuscrito 


A publicação que atualmente integra o acervo da biblioteca da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, é cercada de mistérios. O nome é uma homenagem ao livreiro polonês Wilfrid Voynich, que resgatou o documento perdido na coleção de padres jesuítas italianos, em 1912. Calcula-se que o livro de bolso com 240 páginas e palavras indecifráveis tenha sido escrito no século 15. Apesar de não ser possível entender o texto, as ilustrações coloridas dão pistas de quais assuntos são tratados. Seguindo a lógica das figuras, chegou-se à conclusão de que o Manuscrito de Voynich é dividido em cinco seções: botânica (desenhos de plantas desconhecidas), astronomia, (diagramas que parecem se referir a estrelas), biologia (com figuras femininas), farmacologia (ampolas, frascos e ervas medicinais) e a seção final, sem nome (com pequenas estrelas que parecem ser as marcações de um índice).


o que nos interessa

Aplicação no dia a dia

Futuramente, as técnicas usadas para analisar o Manuscrito de Voynich podem solucionar problemas cotidianos. O engenheiro de computação Diego Raphael Amancio estuda aplicar o conceito de redes complexas para o reconhecimento de autoria. A partir dos padrões de textos escritos por pessoas conhecidas, o computador será capaz de avaliar automaticamente quem escreveu o texto de autoria duvidosa. Já as análises estatísticas utilizadas pelo físico Eduardo Goldani Altmann podem ser mais eficiente que os mecanismos de busca na internet. Sem que alguém tenha que ler o texto, o método conseguirá identificar palavras-chave e facilitar o entendimento do conteúdo.


Distribuição de palavras

Palavras-chave encontradas na Bíblia (em três idiomas)
e no Manuscrito de Voynich, sem correlação ou sentido similares



Português      Inglês      Alemão      Voynich
nasceu      begat      zeugete      cthy
Pilatos      Pilates      zentner       qokeedy
céus       talents      himmelreich      shedy
bem-aventurados      loaves       pilatus      qokain
Isabel       Herod      schwert      chor
anjo       tares      Maria      lkaiin
menino      vineyard      Elisabeth      qol
vinha       shall      Etliches      lchedy
sumo       boat       unkraut      sho
sepulcro      demons      euch      qokaiin
joio       five      schiff      olkeedy
Maria       pay      ihn      qokal
portanto      sabbath      weden      qotain
Herodes      hear      heuchler      dchor
talentos      whosoever     tempel      otedy 

O novo colesterol‏ - Bruna Sensêve

Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia propõe redução geral dos níveis de LDL na população e avalia risco de os pacientes sofrerem problemas cardíacos nos próximos 10 anos


Bruna Sensêve

Estado de Minas: 01/10/2013



Maria Antonia, com o último exame de sangue: por apresentar diversos fatores de risco, ela precisa manter o nível de colesterol ruim abaixo dos 70mg/ml (Monique Renne/CB/D.A Press)
Maria Antonia, com o último exame de sangue: por apresentar diversos fatores de risco, ela precisa manter o nível de colesterol ruim abaixo dos 70mg/ml


A servidora pública Maria Antonia de Lima, de 53 anos, acaba de ganhar um motivo a mais para se preocupar, ainda que, há pouco tempo, tenha respirado aliviada pelo mesmo motivo. Ao receber, alguns dias atrás, os resultados de seu último exame de sangue, ela comemorou a diminuição em quase 20% na taxa de LDL, conhecido como o “colesterol ruim”. Com o novo índice, ela havia entrado na faixa considerada desejável. Não estava no nível saudável (abaixo de 100 miligramas por mililitros de sangue), mas, pelo menos, tinha se distanciado dos alarmantes 154mg/ml anteriores.

No entanto, o entendimento médico sobre o estado de saúde de Maria Antonia foi alterado no fim de semana, durante o 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que reuniu cerca de 10 mil especialistas no Rio de Janeiro. No primeiro dia do encontro, foi apresentada a V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O novo documento revê uma série de fatores e determina uma nova forma de avaliar pacientes como a servidora pública, levando em conta características como idade, sexo e histórico familiar, entre outras.


O novo padrão de análise também estabelece uma divisão dos pacientes em três categorias: de alto, médio e baixo risco para problemas coronários nos próximos 10 anos. Os parâmetros consideram a servidora como de alto risco. Ela é hipertensa, fuma, não pratica exercícios físicos e tem casos de infartos na família. Por isso, ela precisa ter uma taxa de LDL menor que 70mg/ml. Bem abaixo dos 127mg/ml indicados no último teste.


A medida tomada pela SBC coloca o maior vilão na prevenção contra as doenças cardiovasculares no centro das atenções do Dia Mundial do Coração, celebrado domingo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), eventos coronários, como infartos do miorcádio e acidentes vasculares cerebrais (AVC), continuam a figurar o topo do ranking das principais causas de morte no mundo. Somente em 2011, foram 17 milhões de óbitos. Na grande maioria dessas mortes, o nível elevado de colesterol LDL no sangue, doença conhecida como dilipidemia, é protagonista.

Metas O LDL se deposita nas paredes dos vasos sanguíneos e forma placas de gordura conhecidas como ateromas. Esse acúmulo leva ao desenvolvimento da aterosclerose. A evolução da doença dificulta a passagem do sangue pelo vaso até que aconteça uma obstrução completa, levando a um infarto ou ao AVC. A maior parte desse colesterol presente no organismo é sintetizada no próprio corpo, especialmente no fígado. Ao contrário do que se pensava antigamente, apenas uma pequena parte é adquirida pela alimentação. Isso significa que o nível de colesterol no sangue não aumenta se não forem ingeridas quantidades adicionais por meio da dieta – à exceção de pacientes que têm um distúrbio genético.


Segundo o autor da diretriz, Hermes Xavier, presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as medidas servem como guia para que os cardiologistas possam identificar na população os pacientes com perigo de doença cardiovascular e tratar adequadamente os fatores de risco, principalmente o colesterol.
A redução proposta pelo documento é diferenciada para cada faixa de risco por meio de um escore global em que serão enquadrados os pacientes. São considerados o histórico da doença e familiar, o sexo, a idade e a quantidades de fatores de risco presentes, sendo eles colesterol elevado, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo. A partir da categoria que a pessoa assumir, alto, médio ou baixo risco, será traçada a meta de tratamento.


São considerados de alto risco aqueles que já tiveram um infarto ou derrame, os diabéticos e os que por ventura possuam múltiplos fatores de risco. A eles será indicada uma taxa abaixo de 70mg/ml – anteriormente, era 100mg/ml. As pessoas de risco intermediário, com um ou dois fatores, passam a ser recomendadas a manter as taxas de LDL abaixo de 100mg/ml (contra os 130mg/ml anteriores). Já a população de baixo risco deverá ter suas metas de acordo com a individualização do tratamento feita pelo médico. “O interessante seria 130mg/ml, mas não estamos impondo metas. Porém, para os de médio e alto risco, está absolutamente comprovado que, ao tratar o LDL para esses índices estabelecidos, os benefícios são enormes. Eles morrem menos e têm menos infartos”, afirma Xavier.

O bom moço Entre os tópicos propostos na nova diretriz da SBC, o colesterol bom, HDL, deixa de dividir a cena com o LDL. O primeiro não é mais considerado um objetivo de tratamento e passa a ser visto apenas como um fator de risco de grande força. A diferença entre os dois tipos presentes na células é que o LDL é menos denso e se deposita nas paredes dos vasos. Já o HDL absorve os cristais de colesterol que começam a ser depositados nas paredes arteriais e retarda o processo arterosclerótico. Por esse motivo, quem tem HDL muito baixo também tem maior chance de ter a doença cardíaca.


“Mas não há remédios hoje capazes de aumentar os níveis de HDL e, com isso, ter influência direta na mortalidade dos pacientes. Isso não está comprovado, e dessa forma optou-se por não considerar o HDL como meta de tratamento, mas sim como um fator de risco. Ele é um fator protetor, mas não conseguimos influenciar em seus índices por terapia”, explica Xavier.
O coordenador do Laboratório de Dislipidemia do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro, Rodrigo Moreira, lembra que, nos últimos anos, vários estudos foram realizados avaliando o impacto da redução de triglicerídeos e do aumento de HDL, contudo, nenhum conseguiu provar que essas frentes realmente funcionavam. “Mas todas as vezes que foi proposta a redução do LDL, sempre víamos que a prevenção a doenças cardiovasculares era maior”, diz Moreira, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).


O quadro deixa pacientes que já não conseguem atingir essas metas, mesmo com a mudança de estilo de vida, sem muita saída senão aumentar as doses de medicamentos. “Temos consciência clara de que mais pessoas precisarão de remédio, mas é muito importante que elas também reduzam os níveis de colesterol”, considera Xavier. Para ele, não adianta ter uma medida em que bastam a dieta e a atividade física, sendo que essa redução é de apenas 10%. “Isso é muito pouco para quem tem risco. Esse paciente vai ter que assumir um novo momento. Temos que fazer a população e os médicos entenderem que é preciso trazer as pessoas para níveis mais baixos de colesterol, para que haja uma atividade de prevenção eficaz.”


Segundo Moreira, atualmente, os medicamentos mais utilizados para tratamento são da classe das estatinas. Essas substâncias são capazes de fazer com que o fígado retire o LDL da circulação sanguínea, evitando que ele se deposite nas paredes das artérias. “Sabemos que as estatinas mais potentes e com doses altas conseguem até diminuir o tamanho da placa de aterosclerose. Com esses medicamentos mais fortes conseguimos uma redução de até 70%, dependendo da dose.” Ele alerta, porém que a mudança do estilo de vida é essencial. “Não há como tratar uma pessoa com colesterol alto sem que ela tenha uma mudança grande de estilo de vida, o que envolve uma dieta equilibrada, a prática de atividades físicas e que ela pare de fumar. Esses são os três pilares principais do tratamento.”



Tendência mundial

A Sociedade Internacional de Aterosclerose (IAS, em inglês), no início deste semestre, também publicou algumas recomendações globais quanto aos níveis desejáveis de colesterol LDL no sangue para pacientes de risco. A proposta é a mesma implementada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, mostrando uma tendência internacional rumo à diminuição dessas taxas. O documento foi produzido de 15 especialistas de renome internacional presididos por Scott M. Grundy. 



palavra de
especialista



Avaliação
individual


“O documento segue uma tendência internacional de outras diretrizes já publicadas de prevenção de doença cardiovascular que classifica a população por faixa de risco. É uma forma de individualizar os valores de colesterol, principalmente os de LDL.
Nas outras diretrizes, isso fica menos definido, mas agora (a avaliação) se torna mais exigente para a população de alto risco. Os últimos trabalhos enfatizaram o valor do mau colesterol em detrimento do bom colesterol, alguns chegaram até a questionar se o chamado bom colesterol realmente traz o benefício.”