sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Mais hormônios por nada - Vilhena Soares

Mais hormônios por nada 
 
Estudo finlandês indica que reposição hormonal não funciona em mulheres que, durante a menopausa, sentem poucas ondas de calor. Dados podem aperfeiçoar os tratamentos 


Vilhena Soares

Estado de Minas: 15/11/2013


Ao entrar na menopausa, muitas mulheres começam a sofrer sintomas como insônia, fadiga e alteração do humor. Um dos problemas mais conhecidos nesse período são as ondas de calor. Pesquisadores da Finlândia, porém, descobriram que o temido incômodo pode ser explorado de uma forma positiva. Segundo eles, a ocorrência dos fogachos funciona como indicador da necessidade da também famosa reposição hormonal. A descoberta, publicada no jornal North American Menopause Society, pode auxiliar na escolha de terapias mais individualizadas.

Tomi Mikkola, principal autor do estudo e professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Helsinki (Finlândia), explica que as ondas de calor – causadas por uma desregulação no hipotálamo em decorrência da redução de níveis de estrogênio – foram sempre o sinal mais conhecido do início da menopausa. “Há uma crença de que os outros sintomas são fenômenos secundários. Entretanto, as mulheres mostram diferenças na capacidade de tolerar as ondas de calor. Algumas são perturbadas por mudanças de temperatura que são facilmente aceitável por outras.”

Para entender a fundo o sintoma, os pesquisadores realizaram um experimento com 150 mulheres, divididas em dois grupos: 72 relataram ter sete ou mais ondas moderadas de calor por dia, 78 apresentaram três ou menos ondas leves ou nenhuma. Os pesquisadores trataram metade das mulheres de cada grupo com hormônios e a outra com placebo (veja infográfico), e detectaram melhores resultados naquelas que mais sofriam os fogachos e foram submetidas à reposição hormonal. “Nossa combinação de hormônios aliviou as ondas de calor e melhorou a qualidade de vida. Porém, o uso de terapia hormonal não conferiu vantagem para as mulheres sem as ondas mais fortes”, destaca Mikkola.

O pesquisador acredita que o novo indício de falta de eficácia da reposição hormonal pode ajudar a aperfeiçoar tratamentos que buscam, em primeiro lugar, proporcionar bem-estar às pacientes. “Com um número crescente de mulheres na pós-menopausa e com o aumento da expectativa de vida, a qualidade de vida tornou-se o foco de intensa pesquisa. Apesar de precisar de mais estudos nessa área, nossos dados já podem fornecer informações importantes para as mulheres, considerando o início do tratamento hormonal.”

Discussão recorrente  Para José Carlos de Lima, professor-adjunto do curso de ginecologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisa analisou um número pequeno de mulheres, mas, ainda assim, mostra uma suspeita que já existia na área. Os médicos têm cada vez mais discutido a importância de não generalizar a reposição hormonal. “A ideia de tratamento com hormônios não quer dizer que a paciente vá ter uma melhora dos sintomas que a incomodam. Até porque o conceito de qualidade de vida, que é o que o tratamento da menopausa busca, é algo muito subjetivo. Acredito que não podemos nem subestimar conceitos como esse do estudo nem superestimar. Devemos avaliá-los do melhor modo para usá-los em consultório”, defende.

A ginecologista Sueli Cardoso também acredita que a pesquisa mostra uma tendência no tratamento da menopausa e ressalta a importância de não só considerar os sintomas desse período, mas também o histórico clínico da paciente, como taxa de colesterol, ocorrência de diabetes e hipertensão. “Consideramos sempre o calor como um indício forte, por ser um dos problemas que mais incomodam, mas existem outros fatores que podem piorar a situação. Não ter o peso ideal, por exemplo, é um fator que pode influenciar negativamente (a terapia) e que também deve ser tratado”, complementa.

Sueli ressalta que o uso de hormônios é uma preocupação que vai além das mulheres que vivem o fim do período fértil. As mais jovens têm recorrido à fórmula para, por exemplo, retardar o processo de envelhecimento. “Os hormônios são muito utilizados também para quem tem falta de lubrificação vaginal, conhecida como vagina seca. Mas, hoje, temos cremes que podem tratar o problema sem precisar da ingestão dessas substâncias, evitando uma sobrecarga de medicamentos”, complementa a ginecologista.

 José Carlos de Lima ressalta que a relação com os cânceres, principalmente o de mama, também tem levado à redução do uso de hormônios. “A premissa de um tratamento eficaz é fazer com que a mulher tenha saúde física, familiar, social e sexual. Esses são os pilares para a avaliação e o diagnóstico”, defende.

“O bem-estar sempre é o fator a ser levado em conta para que a menopausa seja tratada da melhor forma possível, ainda mais se pensarmos que esse período está ficando cada vez maior por causa do aumento de expectativa de vida”, acrescenta Lima.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres que nasceram neste ano no Brasil viverão 78,5 anos. A menopausa acontece por volta dos 50 anos de idade.

Cerco a baleiros‏

Para combater sobrepeso entre jovens, projeto proíbe ambulantes de vender guloseimas na porta dos colégios em BH. Vendedores dizem que controle deve ser feito pelos pais


Patricia Giudice

Estado de Minas: 15/11/2013




"Tentei vender barrinhas de cereal, mas tive prejuízo" %u2013 Antônio Alkmim, 58 anos, que há 21 trabalha na porta do Colégio Loyola
 Desde que a Lei 18.372 foi regulamentada em Minas Gerais, em março de 2010, proibindo a venda e distribuição de alimentos muito calóricos nas escolas públicas e particulares do estado, especialistas criticam que as tentações continuam do lado de fora das instituições. Esquecidos na Lei da Merenda Saudável, os baleiros, com seus carrinhos cheios de guloseimas e salgadinhos, muitos há décadas no mesmo lugar, agora estão na mira da legislação. Em Belo Horizonte, um projeto de lei que começou a tramitar nesta semana na Câmara Municipal pretende tirar deles o direito de vender produtos com alto teor de gordura e açúcares para os alunos. A tentativa é de diminuir os índices de sobrepeso e obesidade, que hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, atinge uma a cada três crianças no país.

A proposta é acrescentar uma norma ao Código de Posturas. O artigo 116 descreve que o exercício de atividades em logradouro público depende de licenciamento prévio pela prefeitura. Os baleiros pagam em média R$ 35 pela autorização, segundo os próprios trabalhadores. O Projeto 811/13, de autoria do vereador Joel Moreira (PTC), propõe que seja proibida “a presença de ambulantes para venda de doces de qualquer espécie, incluindo balas, chocolates, chicletes, pirulitos, na porta das escolas públicas e privadas”.

O autor justifica que foram feitos seminários com médicos endocrinologistas, nutricionistas, professores de educação física e especialistas no assunto e que todos apontaram a necessidade de tirar a oferta da porta das escolas. “Há um questionamento de que, embora a merenda dentro da escola tenha que seguir os padrões de qualidade exigidos para as crianças, elas saem na rua e tem um baleiro para oferecer uma guloseima”, afirmou Moreira. A expectativa, segundo ele, é que o projeto seja votado em primeiro turno até fevereiro.

Na porta das escolas, a proposta divide quem vende e quem compra. Antônio Rodrigues, de 51 anos, conhecido como Pelé, vende balas em frente ao Colégio Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, há 35 anos. Herdou o ofício do pai, que começou quase 10 anos antes dele e o levava para aprender. Criou os dois filhos, de 18 e 24 anos, com o salário mínimo que tira todos os meses da venda. Não é a primeira vez que ouve uma ameaça de ser retirado do ponto, mas não a teme. “Sempre tem essa conversa, mas as coisas nunca se concretizam. Se for lei, vou ter que cumprir, não quero ficar clandestino, mas acho que a decisão de comprar ou não tem que vir dos pais”, disse.

Antônio Jaime Alkimin, de 58 anos, está há 21 na porta do Colégio Loyola, também na Região Centro-Sul, e espera que o projeto não seja aprovado. Ele acredita que vai trabalhar ali, no mesmo ponto, até completar 75 anos. Antônio conta que já tentou vender produtos mais saudáveis, mas sem sucesso. “Tentei vender barrinhas de cereal, mas tive prejuízo”, conta. Segundo o vendedor, a criançada gosta mesmo é de balas e salgadinhos. “Os próprios pais, se não comprarem aqui, vão comprar em outro lugar, seja num supermercado, uma farmácia, em um bar”, afirmou.

Pais divididos Entre os pais, o assunto causa divergência. Moema Braga, de 62, autônoma, busca os três netos, de 6, 8 e 10 anos, todos os dias na escola. O carrinho de balas é uma tentação, segundo ela, mas a regra em casa é clara: podem comprar apenas na sexta-feira. A ordem é dada pela filha de Moema, mãe das crianças. “Acho que eles podem continuar a vender, mas cabe aos pais regrar os filhos”, disse. A psicóloga Ivone Saddi, de 50, diz que para o filho de 6 anos é proibido e que regrou o consumo de doces por ele desde o nascimento, preocupada com sua saúde. “Enquanto houver oferta, terá procura. É uma forma de chegar até a criança, por isso sou contra a venda na porta da escola”, disse.

Para Ivone, é preciso assegurar que os baleiros sejam recolocados no mercado de trabalho de maneira digna. Já Roger Moreira, de 32 anos, que é motorista e busca todos os dias duas crianças, de 7 e 9 anos, no Loyola, disse que os pais devem ter bom senso e não vê necessidade de uma lei. “As crianças chegam ao shopping e há várias lojas cheias de bala. O vereador deve se lembrar que está mexendo no sustento dos baleiros e querendo interferir na criação dos filhos”, disse.

Para Emiro Barbini, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), proibir a venda na porta das escolas é dar continuidade ao que começou dentro das cantinas. “É incoerente que fique restrito dentro das escolas e, quando chega ao lado de fora, eles têm acesso a cachorro-quente, bala”, disse. Barbini, porém, também defende medidas para garantir o sustento dos baleiros.


"Acho que a decisão de comprar ou não tem que vir dos pais" %u2013 Antônio Rodrigues, 51 anos, que vende balas em frente ao Santo Agostinho há 35


Um terço das crianças acima do peso

O último levantamento feito pelo IBGE, de 2010, revela que o sobrepeso atinge 34,8% dos meninos e 32% da meninas entre 5 e 9 anos no país. O mesmo estudo indica que 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas estão obesos. Os dados são preocupantes, segundo o endocrinologista Antônio José das Chagas, presidente do Comitê de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria. Ele alerta que a obesidade leva a doenças crônicas graves, como hipertensão e diabetes, e que as crianças acabam seguindo o mesmo passo dos pais. Se eles forem obesos, os pequenos também serão.

O médico concorda com o projeto de lei, mas acha que deve ser ampliado para todos os estabelecimentos que vendem guloseimas e alimentos muito calóricos, como supermercados, farmácias, bares e redes de fast food. “Toda medida criada para dificultar o acesso das crianças a esses produtos chamados de calorias vazias, ou seja, sem nenhum valor nutricional, é bem-vinda.” Segundo o especialista, professor aposentado da UFMG, a lei, se aprovada, é uma forma de educar também pai e mãe. “A prevenção é o mais importante porque depois, para perder 20kg, 30kg, é muito mais difícil”, disse. Evitar o sobrepeso, lembrou o médico, é prevenir o aparecimento de doenças de pulmão, coração, pernas, fígado, rins, de pressão, colesterol alto, entre outras.

Para os pais, ele indica que devem restringir as calorias vazias e ensinar os filhos a comer. “A criança tem que aprender a degustar, saborear pequenas quantidades. Pegar um pedaço pequeno de chocolate, colocar na boca e deixar derreter na boca, com calma. A pessoa engole poucas calorias e sente o sabor do alimento. O ideal é sempre comer pequenas quantidades, para não encher demais o estômago, e fazer seis refeições por dia, assim não se passa fome e também não engorda”, explicou.


CALCULE O IMC

Para saber se o seu filho está com sobrepeso ou obesidade, é só fazer o cálculo do índice de massa corporal (IMC). Divida o peso pela altura ao quadrado, ou seja, quem pesa 60kg e mede 1,67 m deve dividir 60 por 2,78 (1,67 x 1,67). Veja o resultado:
Menos de 17    muito abaixo do peso
Entre 17 e 18,49    abaixo do peso
Entre 18,5 e 24,99    peso normal
Entre 25 e 29,99    acima do peso
Entre 30 e 34,99    obesidade grau I
Entre 35 e 39,99    obesidade grau II (severa)
Mais de 40    obesidade grau III (mórbida)

A falta que a educação faz à economia‏

A falta que a educação faz à economia 

 
José Eloy dos Santos Cardoso
Economista, professor da PUC Minas e jornalista

Estado de Minas: 15/11/2013


Os temas produtividade e competitividade vêm sendo largamente debatidos e difundidos, e com razão. São dois dos responsáveis pelo fraco desempenho da economia brasileira ao lado dos problemas da infraestrutura dos portos, aeroportos, ferrovias e rodovias do Brasil. Essa relação não termina com essas citações. Existem outros imbróglios que não podem ser analisados em um único artigo.

Na realidade, a produtividade vinha sendo esquecida por alguns brasileiros por vários motivos salientando-se entre eles a relativa ausência de conhecimento motivada pelos baixos investimentos em educação e em equipamentos mais modernos. Em países como o Japão, a Coreia do Sul e nos últimos anos também a China, a produção e a produtividade alcançaram extraordinário desenvolvimento porque os governos resolveram entrar pesado nos investimentos em educação. Seus técnicos foram enviados às melhores universidades dos Estados Unidos, como Harvard, Columbia e outras, além daquelas famosas localizadas na Inglaterra, na Alemanha e na França.

Os técnicos que lá estiveram estudando levaram na bagagem a principal matéria-prima do desenvolvimento: a educação. De posse desses importantes conhecimentos, verificaram que seria necessário investir pesado em novos métodos de produção e em máquinas com muita tecnologia agregada e aptas a produzir mais com menores custos.

E o que fez o Brasil nessas últimas três ou quatro décadas? Enquanto os políticos de Brasília procuravam ficar mais ricos, deixaram de certa forma e de lado a razão de ser de todo o desenvolvimento humano que seria a educação. O objetivo era colocar nas faculdades, principalmente durante o governo Lula, mais alunos, não importando a maneira como isso poderia ser feito, porque não havia a infraestrutura de base. Colocou-se nas faculdades à custa de quotas pessoas classificadas como índios, negros, pardos ou pessoas mais pobres que, sem terem feito um bom curso médio, não tinham como fazer um bom curso superior. Os alicerces da relativa falta de dinheiro para investir na base, antes do dinheiro, eram a falta de conhecimento pela educação.

Nos tempos atuais, enquanto o Brasil perde a parada como produtor mundial de bens modernos capazes de competir com países europeus, asiáticos ou com os Estados Unidos, inicia-se o choro sobre o leite derramado. Escuta-se sem parar os lamentos da falta de infraestrutura. Mas onde estão os recursos para isso, perguntam todos? Estivemos parados no tempo enquanto o Japão, a Coreia do Sul e a China resolviam seus problemas pela base de todo o desenvolvimento que é a educação.

Realmente, possuímos uma infraestrutura deficiente, uma legislação trabalhista arcaica, que, se no passado procurava defender os trabalhadores, não se preocupou com as fontes de seus pagamentos. Agora, estamos até com medo de não ter dinheiro para pagar os salários. E pode-se perguntar: qual a origem de tudo? E a resposta é que não houve preocupação com a base de todo o desenvolvimento que é a educação.

Somado a tudo isso, ainda temo uma das maiores cargas tributárias do mundo. Como em economia não existe almoço gratuito, agora já se chega à conclusão de que a única saída para esse imbróglio é se valer de empresas e outras ajudas de fora. Se não há alternativas de curtíssimo prazo, vamos ao encontro de recursos externos para o programa do Pré-sal e, agora, o coelho da cartola do governo que é o programa Mais Médicos. Pobre Brasil, que só procura colocar cadeados depois que as portas já foram arrombadas e os ladrões já levaram quase tudo.

JABUTI » Escolhidos os livros do ano

Estado de Minas: 15/11/2013 


Luis Fernando Verissimo ganhou prêmio com Diálogos impossíveis     (Sylvio Sirangelo/Divulgação - 23/11/11)
Luis Fernando Verissimo ganhou prêmio com Diálogos impossíveis


Os grandes vencedores da 55ª edição do Prêmio Jabuti foram Diálogos impossíveis, de Luis Fernando Verissimo, e As duas guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas. As duas obras leveram os troféus de livros do ano de ficção (ao qual concorrem os vencedores de cinco categorias) e não ficção (disputado pelos ganhadores de 16 das 27 categorias da premiação), respectivamente.

Os nomes foram anunciados em cerimônia realizada na noite de quarta-feira, na Sala São Paulo, na capital paulista. Os autores receberam o troféu Jabuti Dourado e premiação em dinheiro no valor de R$ 35 mil (cada). Os livros foram selecionados entre mais de 650 associados da Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora da premiação anual.

Dantas passou um ano e meio escrevendo a obra sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog "e outros 30 anos vivendo essa história", como contou. “Tinha consciência de que meu trabalho era importante e com boas condições de concorrer ao grande prêmio. Mas também sabia que estavam na disputa outras obras muito interessantes e de grande importância, como a biografia de Marighella, do colega Mário Magalhães, mas tinha um fundo de esperança e fiquei muito feliz com a conquista”, disse.

Também durante a solenidade desta semana foram premiados os três primeiros colocados de cada uma das 27 categorias que fazem parte do Jabuti. Os primeiros em cada categoria levaram, além da estatueta, R$ 3,5 mil (cada). No total, 2.107 obras disputaram o prêmio deste ano.