Angústia
Cada grupo de camelos do grão-vizir transportava os títulos que começavam com uma das 32 letras do alfabeto persa
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 31/01/2014
A pauta do
Estúdio-i era angústia. Na filosofia de Kierkegaard, sentimento de
ameaça impreciso e indeterminado inerente à condição humana, pelo fato
de que o homem, ao projetar incessantemente o futuro, se defronta com
possibilidade de fracasso, sofrimento e, no limite, a morte.
Inquietação, estado de ansiedade, inquietude, sofrimento, tormento.
Maria Beltrão disse que se angustia com problemas que terá de resolver
daqui a cinco meses. Flávia Oliveira contou que há cinco anos, na
véspera do primeiro Estúdio-i, teve uma dor de cabeça lancinante, foi ao
médico, explicou que estava preocupada com sua estreia na GloboNews,
tomou analgésico fortíssimo e hoje tira de letra seus programas de tevê.
Cidadão normalmente alegre e de bem com a vida, fumando o primeiro
charutinho da tarde, custei a admitir que também me angustio. Mas sou
honesto com os leitores e me lembrei de algumas passagens que talvez se
enquadrem nos estados de ansiedade, de inquietação. Minha reação é das
mais originais: fico torto. Vou dormir na véspera e amanheço torto para
só desentortar na hora do compromisso agendado.
Foi assim no dia
em que combinei encontrar moça lindíssima, divorciada, mãe de dois
filhos, às seis da tarde na porta do seu banco, isto é, do banco em que
comandava uma plataforma de open. Morando em Juiz de Fora, amanheci
torto e torto cheguei à porta do banco, na Avenida Rio Branco, Centro do
Rio de Janeiro, depois de parar o carro no Terminal-Garagem Menezes
Côrtes. Mandona como ela só, a bela surgiu na hora marcada, deu-me o
beijinho regulamentar, perguntou onde estava o carro e disparou para o
estacionamento seguida pelo torto. Escolheu o restaurante (caro) em
Botafogo e os pratos que comeríamos, mas fiz questão de escolher o vinho
para não ir à falência. Hoje, madurona, a bela aposentada namora
sujeito muito famoso, do rol das celebridades brasileiras, que deu para
dizer palavrões horrorosos e falar de sexo chulo assim que bota uma gota
de álcool na boca, o que faz todas as noites. Resumindo: vive um quadro
de obscenidade senil. De outra feita, quando andei num aperto dos
diabos, recebi telefonema do Alfredo acenando com emprego pago em
dólares. No dinheiro de hoje, seguros R$ 20 mil (cash) por mês, sem
carteiras assinadas e recibos. Atividade honesta: procurar terras no
Brasil para um grupo europeu. Entortei na hora e cheguei ao Rio
tortíssimo para conhecer o patrão que fumava uma caixa de charutos
cubanos por dia. Fumava uns 10 ou 12 charutos e distribuía o resto pelos
circunstantes. Aí, já viu, né? Ficamos amigos de infância. Trabalhei
para ele uma porção de anos.
Companhias
Um
ano inteiro longe de Belo Horizonte e ainda não encontrei um
bombeiro-eletricista competente, um técnico em informática, um
marceneiro inteligente e honesto. Sei que devem existir por aqui, mas
ainda não tive a sorte de os encontrar. Fosse rico, teria trazido Lili,
Igor e Jésus, a exemplo de Abdur Kassem Ismael, grão-vizir na Pérsia no
final do século 10, que viajava levando sua biblioteca de 117 mil livros
sobre 400 camelos, que formavam caravana de dois quilômetros de
comprimento. Lili, Igor e Jésus poderiam vir de carro, de ônibus ou de
avião, que os camelos são raros em Minas, a não ser por derivação, em
sentido figurado: indivíduo pouco inteligente, estúpido ou ignorante.
Cada grupo de camelos do grão-vizir transportava os títulos que
começavam com uma das 32 letras do alfabeto persa. Li e escrevi sobre
biblioteca parecida, sem bem que mais modesta: era transportada em 170
camelos pelo Norte da África. Pertencia a um soba (governante, chefe)
africano. Procurei meu texto no Google e não encontrei, daí o exemplo do
grão-vizir que tirei de um texto de Emir Simão Sader, que, sendo emir,
pode ser descendente de Maomé. Toda hora lido com peças construídas pelo
excelente marceneiro Jésus e me lembro do socorro informático que me
foi prestado, durante séculos, por Lili e Igor. Bombeiro-eletricista não
era problema: bastava telefonar para o Lúcio, que me mandava um técnico
de sua imensa indústria de eletroeletrônicos.
Linkedin
É
todo santo dia e são vários os convites que recebo para o Linkedin, o
Orkut, o Facebook e outros. Não existe a menor, a mais remota
possibilidade de o vetusto philosopho participar desses negócios ou do
Twitter: tenho mais que fazer. O blog não está fora de cogitações, mas
depende de patrocínio de diversas empresas, de tal forma que me ajude no
leite das crianças e nos charutos. Não me agrada trabalhar de graça. Já
passei da idade.
O mundo é uma bola
31
de janeiro de 1542: o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca descobre as
Cataratas do Iguaçu. O sobrenome Cabeza de Vaca data do século 12,
quando Matin Alhaja auxiliou um ataque cristão sinalizando passagem
secreta por meio de uma montanha com uma cabeça de vaca. Álvar nasceu em
Jerez de la Frontera por volta de 1488 e foi a óbito em Sevilha por
volta de 1560, depois de ter sido conquistador, soldado, alcoviteiro,
escravo dos índios norte-americanos, comerciante, curandeiro, governador
da província do Rio da Prata, prisioneiro de seu próprio povo e
escritor. Hoje é o Dia do Engenheiro Ambiental.
Ruminanças
“A revolução é uma ideia que encontrou suas baionetas” (Napoleão Bonaparte, 1769-1821).
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Estudo aponta que usar maconha aumenta as chances de ter filhos viciados
Herança perigosa
Estudo feito com ratos sugere que consumir maconha aumenta as chances de alguém ter filhos com problemas de dependência química. Especialistas, contudo, ressaltam a importância de mais pesquisas
Paloma Oliveto
Estado de Minas: 31/01/2014
Brasília – Os que
defendem a legalização da maconha argumentam que se trata de liberdade
individual. Mas um estudo recente, publicado na revista especializada
Neuropsychopharmacology, mostra que o consumo da droga na adolescência
está associado a uma probabilidade maior de os descendentes se tornarem
dependentes de drogas. Os pesquisadores da Faculdade de Medicina Mount
Sinai, de Nova York, encontraram essas evidências ao fazer um
experimento com ratos. No entanto, a principal autora, Yasmin Hurd,
professora de psiquiatria, farmacologia e química biológica, acredita
que o resultado pode influenciar as políticas de liberação da cannabis.
Anteriormente, Yasmin havia constatado, também em camundongos, que a exposição precoce à maconha aumenta o risco de, na idade adulta, compensações químicas para satisfazer o cérebro serem buscadas com o uso de drogas mais pesadas. Agora, ela resolveu investigar se o consumo teria implicações para as gerações futuras, mesmo sem exposição direta à substância psicoativa.
“Estudos evidenciam que o uso de drogas, incluindo maconha, por parte dos pais, traz prejuízos aos filhos. Mas essas pesquisas levam em consideração o consumo durante a gestação e na época da concepção. Queríamos saber se o uso de drogas antes disso poderia trazer implicações negativas à descendência”, explica a pesquisadora. O resultado da pesquisa indicou que ratinhos cujos pais tiveram contato com a principal substância psicotrópica da maconha, o THC, durante a adolescência tinham mais riscos de exibir comportamentos compulsivos e de buscar a autoadministração de heroína.
Isso ocorre, explica Yasmin Hurd, por causa da epigenética. Esse conceito se refere a características transmitidas à geração seguinte sem que tenha havido uma modificação no DNA. Alguns estudos têm fornecido evidências de que o vício pode ser hereditário. Nesses casos, os pais, portadores de genes que os tornam mais propensos a serem dependentes, passam essas variantes aos filhos. A epigenética, diferentemente, está associada à exposição ambiental.
Pesquisas com gêmeos, que têm DNA praticamente idêntico, mostram como as experiências exercem uma influência tão grande sobre o indivíduo quanto a sequência de genes. Substâncias como tabaco, álcool e outras drogas imprimem suas marcas no material genético do indivíduo. Sem provocar mutações – alterações na ordem das letras –, elas promovem mudanças químicas nas moléculas do DNA. Essas características adquiridas pelos genes podem ser transmitidas aos filhos.
No experimento do Mount Sinai, os pesquisadores expuseram ratos adolescentes a doses de THC. Quando os animais estavam adultos e já não tinham contato com a substância psicoativa, eles foram colocados para cruzar. Os fetos não foram expostos no útero, já que, na gestação, as fêmeas viviam em um ambiente livre de cannabis. Ao atingir a adolescência, os ratinhos demonstraram um comportamento típico de dependentes químicos.
Além de exibir alterações motoras associadas à compulsão, eles se esforçavam e se arriscavam mais que outros animais para acessar uma infusão de heroína deixada no recinto pelos pesquisadores. Análises do sangue dos animais indicaram que eles tinham impressas nos genes alterações químicas que, no cérebro, estão associadas aos sistemas de recompensa, os mesmos implicados no vício. “Não tenho dúvidas de que evidenciamos que a cannabis afeta não apenas quem se expõe a ela, mas as futuras gerações também. Isso deveria ser considerado pelos legisladores que consideram legalizar o consumo da maconha.”
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo, mais de 20 milhões de pessoas são dependentes da cannabis, sendo que seu consumo é particularmente alto (30%) entre indivíduos de 16 a 24 anos. “É a população mais suscetível aos efeitos danosos da maconha”, observa Yasmin. O principal ingrediente ativo, o THC, age no cérebro ao se ligar a receptores localizados nos neurônios. Essa união desencadeia uma série de reações químicas, regulando o metabolismo, a sensação de prazer, os processos cognitivos e a ingestão de alimentos. Quando o THC superestimula os receptores canabinoides, há uma redução das habilidades de memória, da motivação e, gradualmente, ocorre a dependência.
A confirmar Estudioso da relação entre epigenética e uso de drogas, o psiquiatra David Nielsen, do Bayler College of Medicine, na Inglaterra, diz que as pesquisas que investigam essa associação ainda estão muito embrionárias, o que requer um aprofundamento do resultado alcançado pelos colegas do Mount Sinai. “A epigenética evolui rapidamente. Mas o vício ainda é um campo órfão comparado a outras áreas de pesquisa, como a oncologia”, diz.
Uma revisão sistemática dos poucos estudos a respeito da epigenética e da dependência em ópio, álcool e cocaína, contudo, permitiu a Nielsen avaliar que alterações na expressão do gene influenciam as respostas iniciais e continuadas à droga, ao desenvolvimento da tolerância que leva ao vício, ao afastamento e ao relapso. “Aparentemente, as mudanças epigenéticas estão associadas ao vício mais em consequência da exposição direta à substância do que a uma predisposição biológica”, observa. Mas ele não descarta que essas alterações influenciem, futuramente, a descendência. “Pesquisas sobre mudanças na metilação do DNA provocadas pelo uso de drogas sugerem a possibilidade de a epigenética predispor um indivíduo a uma vulnerabilidade maior à dependência química.”
Para Thomas Kosten, também pesquisador do Bayler College of Medicine, estudos futuros terão de confirmar os resultados de Yasmin Hurd e verificar se a predisposição ao vício é passada para mais de uma geração. Mas ele diz que esse e outros trabalhos oferecem indícios fortes. “Ainda não temos uma associação causal definitiva entre o abuso de drogas e as mudanças epigenéticas, e as relações estatísticas estão apenas começando a ser replicadas. Contudo, todas as evidências mostram que a dependência e as mudanças epigenéticas não são apenas uma coincidência. Aparentemente, o efeito das drogas sobre a regulação dos genes ocorre em duas direções: a epigenética é um fator de risco, aumentando a predisposição, ao mesmo tempo em que o uso da droga provoca mudanças epigenéticas”, diz.
Venda legal
Em 1º de janeiro, a indústria da maconha recreativa abriu suas portas em oito cidades do estado americano do Colorado, até agora o único a legalizar a produção e o comércio do entorpecente. Até então, esses estabelecimentos só existiam na Holanda, país que permite a compra e a venda de cannabis, mas onde cultivá-la e processá-la são atos ilegais. Nos próximos meses, Washington se juntará ao Colorado. Em dezembro, o Senado uruguaio aprovou a produção e a venda da maconha para cidadãos cadastrados, mas a medida ainda não vigora.
Anteriormente, Yasmin havia constatado, também em camundongos, que a exposição precoce à maconha aumenta o risco de, na idade adulta, compensações químicas para satisfazer o cérebro serem buscadas com o uso de drogas mais pesadas. Agora, ela resolveu investigar se o consumo teria implicações para as gerações futuras, mesmo sem exposição direta à substância psicoativa.
“Estudos evidenciam que o uso de drogas, incluindo maconha, por parte dos pais, traz prejuízos aos filhos. Mas essas pesquisas levam em consideração o consumo durante a gestação e na época da concepção. Queríamos saber se o uso de drogas antes disso poderia trazer implicações negativas à descendência”, explica a pesquisadora. O resultado da pesquisa indicou que ratinhos cujos pais tiveram contato com a principal substância psicotrópica da maconha, o THC, durante a adolescência tinham mais riscos de exibir comportamentos compulsivos e de buscar a autoadministração de heroína.
Isso ocorre, explica Yasmin Hurd, por causa da epigenética. Esse conceito se refere a características transmitidas à geração seguinte sem que tenha havido uma modificação no DNA. Alguns estudos têm fornecido evidências de que o vício pode ser hereditário. Nesses casos, os pais, portadores de genes que os tornam mais propensos a serem dependentes, passam essas variantes aos filhos. A epigenética, diferentemente, está associada à exposição ambiental.
Pesquisas com gêmeos, que têm DNA praticamente idêntico, mostram como as experiências exercem uma influência tão grande sobre o indivíduo quanto a sequência de genes. Substâncias como tabaco, álcool e outras drogas imprimem suas marcas no material genético do indivíduo. Sem provocar mutações – alterações na ordem das letras –, elas promovem mudanças químicas nas moléculas do DNA. Essas características adquiridas pelos genes podem ser transmitidas aos filhos.
No experimento do Mount Sinai, os pesquisadores expuseram ratos adolescentes a doses de THC. Quando os animais estavam adultos e já não tinham contato com a substância psicoativa, eles foram colocados para cruzar. Os fetos não foram expostos no útero, já que, na gestação, as fêmeas viviam em um ambiente livre de cannabis. Ao atingir a adolescência, os ratinhos demonstraram um comportamento típico de dependentes químicos.
Além de exibir alterações motoras associadas à compulsão, eles se esforçavam e se arriscavam mais que outros animais para acessar uma infusão de heroína deixada no recinto pelos pesquisadores. Análises do sangue dos animais indicaram que eles tinham impressas nos genes alterações químicas que, no cérebro, estão associadas aos sistemas de recompensa, os mesmos implicados no vício. “Não tenho dúvidas de que evidenciamos que a cannabis afeta não apenas quem se expõe a ela, mas as futuras gerações também. Isso deveria ser considerado pelos legisladores que consideram legalizar o consumo da maconha.”
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo, mais de 20 milhões de pessoas são dependentes da cannabis, sendo que seu consumo é particularmente alto (30%) entre indivíduos de 16 a 24 anos. “É a população mais suscetível aos efeitos danosos da maconha”, observa Yasmin. O principal ingrediente ativo, o THC, age no cérebro ao se ligar a receptores localizados nos neurônios. Essa união desencadeia uma série de reações químicas, regulando o metabolismo, a sensação de prazer, os processos cognitivos e a ingestão de alimentos. Quando o THC superestimula os receptores canabinoides, há uma redução das habilidades de memória, da motivação e, gradualmente, ocorre a dependência.
A confirmar Estudioso da relação entre epigenética e uso de drogas, o psiquiatra David Nielsen, do Bayler College of Medicine, na Inglaterra, diz que as pesquisas que investigam essa associação ainda estão muito embrionárias, o que requer um aprofundamento do resultado alcançado pelos colegas do Mount Sinai. “A epigenética evolui rapidamente. Mas o vício ainda é um campo órfão comparado a outras áreas de pesquisa, como a oncologia”, diz.
Uma revisão sistemática dos poucos estudos a respeito da epigenética e da dependência em ópio, álcool e cocaína, contudo, permitiu a Nielsen avaliar que alterações na expressão do gene influenciam as respostas iniciais e continuadas à droga, ao desenvolvimento da tolerância que leva ao vício, ao afastamento e ao relapso. “Aparentemente, as mudanças epigenéticas estão associadas ao vício mais em consequência da exposição direta à substância do que a uma predisposição biológica”, observa. Mas ele não descarta que essas alterações influenciem, futuramente, a descendência. “Pesquisas sobre mudanças na metilação do DNA provocadas pelo uso de drogas sugerem a possibilidade de a epigenética predispor um indivíduo a uma vulnerabilidade maior à dependência química.”
Para Thomas Kosten, também pesquisador do Bayler College of Medicine, estudos futuros terão de confirmar os resultados de Yasmin Hurd e verificar se a predisposição ao vício é passada para mais de uma geração. Mas ele diz que esse e outros trabalhos oferecem indícios fortes. “Ainda não temos uma associação causal definitiva entre o abuso de drogas e as mudanças epigenéticas, e as relações estatísticas estão apenas começando a ser replicadas. Contudo, todas as evidências mostram que a dependência e as mudanças epigenéticas não são apenas uma coincidência. Aparentemente, o efeito das drogas sobre a regulação dos genes ocorre em duas direções: a epigenética é um fator de risco, aumentando a predisposição, ao mesmo tempo em que o uso da droga provoca mudanças epigenéticas”, diz.
Venda legal
Em 1º de janeiro, a indústria da maconha recreativa abriu suas portas em oito cidades do estado americano do Colorado, até agora o único a legalizar a produção e o comércio do entorpecente. Até então, esses estabelecimentos só existiam na Holanda, país que permite a compra e a venda de cannabis, mas onde cultivá-la e processá-la são atos ilegais. Nos próximos meses, Washington se juntará ao Colorado. Em dezembro, o Senado uruguaio aprovou a produção e a venda da maconha para cidadãos cadastrados, mas a medida ainda não vigora.
E nós, quando teremos nosso Mandela? - Luiz Francisco Corrêa
E nós, quando teremos nosso Mandela?
Luiz Francisco Corrêa
Jornalista, diretor da Via Comunicação, membro do Conselho Curador da Fundação de Pesquisa e Ensino da Cirurgia (Fupec), diretor da Associação Palavra Bem Dita
Estado de Minas: 31/01/2014
Luiz Francisco Corrêa
Jornalista, diretor da Via Comunicação, membro do Conselho Curador da Fundação de Pesquisa e Ensino da Cirurgia (Fupec), diretor da Associação Palavra Bem Dita
Estado de Minas: 31/01/2014
Um novo ano sempre
nos deixa revigorados, numa expectativa intensa sobre o que vem pela
frente, sobretudo depois do Carnaval. Baseados em 2013 podemos fazer uma
série de projeções para 2014. Com o pensamento crítico avaliamos
algumas situações e almejamos novidades que interessem à população como
um todo. Quais as transformações trará a política, neste ano muito
movimentado, com as eleições para presidência do país? Quais os novos e
execráveis escândalos de corrupção? Serão punidos os anteriores? As
manifestações de junho voltarão? Teremos o nosso Mandela? Continuaremos a
falar de biografias citando sempre as mesmas celebridades brasileiras
que se acham divindades? O simpático papa Francisco continuará a fazer
suas sábias críticas à Igreja Católica?
Ao vermos as ainda recentes reportagens sobre Mandela e sua trajetória na África do Sul, pensamos que as imagens são do Brasil, pois as semelhanças são muitas entre os dois países. Evidentemente, no nosso caso, sem o nosso Mandela. Os líderes políticos brasileiros, salvo poucas exceções, não são grandes idealistas, envolvidos na alma em eliminar de fato a pobreza no Brasil. Apenas fazem jogo de cena, mas, na verdade, eles querem mesmo é manter privilégios de grupos poderosos que desejam se perpetuar no poder. Muitos parecem sobreviventes de um mundo que já acabou, mas eles insistem para que não acabe. Dessa forma, passam-se anos, décadas, e, na essência, não muda quase nada. As exceções que surgem nessas lideranças, quando assumem o poder ficam deslumbradas e esquecem rapidamente as suas metas iniciais, os seus princípios éticos e até mesmo suas origens. É o famoso caso daquelas pessoas que são picadas pela mosca azul ou se preferir, caro leitor, elas lembram que quem nunca comeu melado quando come se lambuza. E como se lambuzam!
Ver o país por meio de jatos que percorrem o belo Brasil, ou caminhando pelas ruas elegantes das cidades brasileiras, tem-se uma ideia de um mundo de fato existente, sólido e crescente, com grandes marcas espalhadas por todos os lados e com o cheiro bom dos perfumes desse universo. Mas, ao chegarmos de avião em várias grandes cidades brasileiras, são muito visíveis as periferias imensas (impressionantemente imensas), feias, com os seus problemas de saneamento, pobreza, carências de todo tipo, e, consequentemente, violência. Aí, vamos sentir o cheiro incômodo da miséria humana. Será que teremos o nosso Mandela, com um olhar mais profundo sobre esse mundo pobre e vasto, claramente existente e, também, sólido e crescente? Quem se desgrudará da imagem produzida pelo marketing para sentir na essência os nossos abismos sociais, e trabalhar para grandes mudanças? As novas gerações, sobretudo as que têm mais acesso aos estudos, já perceberam as nossas reais necessidades.
E as biografias? Permanecerão na pauta em 2014? Muitos dos nossos famosos da música, não é preciso citar os seus nomes, pois você sabe perfeitamente de quem estamos falando, sentem-se acima do bem e do mal, lindos e inatingíveis. Muitas pessoas famosas costumam ser desagradáveis em suas relações mais íntimas. Quando não estão delirando com os aplausos que adoram, ficam fechadas em si mesmas, aguardando ansiosas pelo próximo palco. Desculpem-nos pelo exemplo, mas essas figuras, vão ao banheiro, tomam banho, morrem e viram cinzas como todos nós. O “não me toques” desses artistas, que cultuam tanto o sucesso, é uma tremenda chatice. Apostamos nas biografias não -autorizadas.
E o papa Francisco continuará a fazer as suas sábias críticas à Igreja Católica que ele dirige? Que o agradável papa continue no caminho de uma Igreja pastoral, principalmente em um país com tantas mazelas sociais como o Brasil. Vamos ficar atentos, pois o ano já está começando e passando rápido.
Ao vermos as ainda recentes reportagens sobre Mandela e sua trajetória na África do Sul, pensamos que as imagens são do Brasil, pois as semelhanças são muitas entre os dois países. Evidentemente, no nosso caso, sem o nosso Mandela. Os líderes políticos brasileiros, salvo poucas exceções, não são grandes idealistas, envolvidos na alma em eliminar de fato a pobreza no Brasil. Apenas fazem jogo de cena, mas, na verdade, eles querem mesmo é manter privilégios de grupos poderosos que desejam se perpetuar no poder. Muitos parecem sobreviventes de um mundo que já acabou, mas eles insistem para que não acabe. Dessa forma, passam-se anos, décadas, e, na essência, não muda quase nada. As exceções que surgem nessas lideranças, quando assumem o poder ficam deslumbradas e esquecem rapidamente as suas metas iniciais, os seus princípios éticos e até mesmo suas origens. É o famoso caso daquelas pessoas que são picadas pela mosca azul ou se preferir, caro leitor, elas lembram que quem nunca comeu melado quando come se lambuza. E como se lambuzam!
Ver o país por meio de jatos que percorrem o belo Brasil, ou caminhando pelas ruas elegantes das cidades brasileiras, tem-se uma ideia de um mundo de fato existente, sólido e crescente, com grandes marcas espalhadas por todos os lados e com o cheiro bom dos perfumes desse universo. Mas, ao chegarmos de avião em várias grandes cidades brasileiras, são muito visíveis as periferias imensas (impressionantemente imensas), feias, com os seus problemas de saneamento, pobreza, carências de todo tipo, e, consequentemente, violência. Aí, vamos sentir o cheiro incômodo da miséria humana. Será que teremos o nosso Mandela, com um olhar mais profundo sobre esse mundo pobre e vasto, claramente existente e, também, sólido e crescente? Quem se desgrudará da imagem produzida pelo marketing para sentir na essência os nossos abismos sociais, e trabalhar para grandes mudanças? As novas gerações, sobretudo as que têm mais acesso aos estudos, já perceberam as nossas reais necessidades.
E as biografias? Permanecerão na pauta em 2014? Muitos dos nossos famosos da música, não é preciso citar os seus nomes, pois você sabe perfeitamente de quem estamos falando, sentem-se acima do bem e do mal, lindos e inatingíveis. Muitas pessoas famosas costumam ser desagradáveis em suas relações mais íntimas. Quando não estão delirando com os aplausos que adoram, ficam fechadas em si mesmas, aguardando ansiosas pelo próximo palco. Desculpem-nos pelo exemplo, mas essas figuras, vão ao banheiro, tomam banho, morrem e viram cinzas como todos nós. O “não me toques” desses artistas, que cultuam tanto o sucesso, é uma tremenda chatice. Apostamos nas biografias não -autorizadas.
E o papa Francisco continuará a fazer as suas sábias críticas à Igreja Católica que ele dirige? Que o agradável papa continue no caminho de uma Igreja pastoral, principalmente em um país com tantas mazelas sociais como o Brasil. Vamos ficar atentos, pois o ano já está começando e passando rápido.
O divórcio à distância - Frederico Damato
O divórcio à distância
Nova lei facilita a separação de casais brasileiros no exterior
Frederico Damato
Advogado e sócio do escritório Amaral & Damato Advogados
Estado de Minas: 31/01/2014
Divorciar no Brasil
tem se tornado um procedimento cada vez mais célere devido às várias
alterações na Constituição Federal e também nas demais leis criadas para
agilizar ainda mais o fim de uma união que um dia deu certo. Desde
2010, a dissolução do casamento pelo divórcio não exige mais o antigo
requisito prévio de separação judicial, o que facilitou muito a situação
para casais que pretendiam se desvincularem de vez. Agora, a dissolução
de um casamento também passa a ser mais fácil para os brasileiros
residentes no exterior. Isso porque a lei 12.874/13, aprovada em outubro
do ano passado, acrescentou dois parágrafos ao artigo 18 da Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), permitindo que
brasileiros se separem ou divorciem em consulados brasileiros.
Segundo essa nova lei, os brasileiros que residem no exterior poderão procurar o consulado brasileiro para lá realizarem a separação extrajudicial ou o divórcio. Para tanto, a separação ou o divórcio devem ser consensuais e não pode haver filhos menores e/ou incapazes. Com isso, dispensa-se a vinda pessoalmente do casal ao Brasil para realizar o divórcio, ou mesmo enviar ao país procuração a algum parente ou amigo para que faça o divórcio em seu nome. É possível a separação e divórcio de brasileiro casado com estrangeiro, desde que o casamento tenha ocorrido no Brasil, ou mesmo no exterior (nesse caso, deve ter sido realizado na presença de autoridades consulares brasileiras). Não é necessário que o casal more no exterior. A lei veio para facilitar, não para complicar. O divórcio pode ocorrer para aqueles casais separados de fato, em que um mora no Brasil e outro no exterior. O divórcio/separação é feito por escritura pública, o que confere muito mais agilidade ao procedimento. Mas atenção: a lei determina que é obrigatória a assistência de advogado inscrito na Ordem dos Advogados dos Brasil (OAB) para realizar o divórcio. Ou seja, o divórcio realizado no consulado tem a mesma validade que se fosse feito no Brasil. Contudo, é exigida a assistência do advogado apenas em relação ao documento encaminhado à autoridade consular. Sendo assim, a presença do profissional não é necessária quando o casal se dirigir pessoalmente até o consulado.
Mesmo com as facilidades acerca da realização do divórcio, o Instituto Brasileiros de Geografia e estatística (IBGE) divulgou dados revelando que, em 2012, houve uma redução no número de divórcios. Segundo esse levantamento, houve cerca de 340 mil divórcios concedidos em primeira instância e sem recursos ou por escrituras extrajudiciais, apresentando redução de 1,4% em relação a 2011. Assim, a taxa geral de divórcios (2,5 %) teve um pequeno declínio, mas manteve-se em patamar acima do observado antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 66, em julho de 2010. Apesar da evolução das leis acerca do divórcio, percebe-se que o matrimônio não cai em desuso, como alguns pensam. Ainda de acordo com o IBGE, a taxa matrimonial apresentou crescimento de 1,4% em 2012, registrando mais de 1 milhão de casamentos.
Segundo essa nova lei, os brasileiros que residem no exterior poderão procurar o consulado brasileiro para lá realizarem a separação extrajudicial ou o divórcio. Para tanto, a separação ou o divórcio devem ser consensuais e não pode haver filhos menores e/ou incapazes. Com isso, dispensa-se a vinda pessoalmente do casal ao Brasil para realizar o divórcio, ou mesmo enviar ao país procuração a algum parente ou amigo para que faça o divórcio em seu nome. É possível a separação e divórcio de brasileiro casado com estrangeiro, desde que o casamento tenha ocorrido no Brasil, ou mesmo no exterior (nesse caso, deve ter sido realizado na presença de autoridades consulares brasileiras). Não é necessário que o casal more no exterior. A lei veio para facilitar, não para complicar. O divórcio pode ocorrer para aqueles casais separados de fato, em que um mora no Brasil e outro no exterior. O divórcio/separação é feito por escritura pública, o que confere muito mais agilidade ao procedimento. Mas atenção: a lei determina que é obrigatória a assistência de advogado inscrito na Ordem dos Advogados dos Brasil (OAB) para realizar o divórcio. Ou seja, o divórcio realizado no consulado tem a mesma validade que se fosse feito no Brasil. Contudo, é exigida a assistência do advogado apenas em relação ao documento encaminhado à autoridade consular. Sendo assim, a presença do profissional não é necessária quando o casal se dirigir pessoalmente até o consulado.
Mesmo com as facilidades acerca da realização do divórcio, o Instituto Brasileiros de Geografia e estatística (IBGE) divulgou dados revelando que, em 2012, houve uma redução no número de divórcios. Segundo esse levantamento, houve cerca de 340 mil divórcios concedidos em primeira instância e sem recursos ou por escrituras extrajudiciais, apresentando redução de 1,4% em relação a 2011. Assim, a taxa geral de divórcios (2,5 %) teve um pequeno declínio, mas manteve-se em patamar acima do observado antes da aprovação da Emenda Constitucional nº 66, em julho de 2010. Apesar da evolução das leis acerca do divórcio, percebe-se que o matrimônio não cai em desuso, como alguns pensam. Ainda de acordo com o IBGE, a taxa matrimonial apresentou crescimento de 1,4% em 2012, registrando mais de 1 milhão de casamentos.
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