domingo, 23 de fevereiro de 2014

NA REDE » Caldeirão cultural

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Programa Ensaio aberto: O teatro de grupo no Brasil mostra a trajetória e influências regionais no trabalho de seis companhias.


Gracie Santos
Estado de Minas: 23/02/2014

O diretor Gabriel Villela dá depoimento sobre parceria com o grupo (Frames do vídeo/Reproduções)
O diretor Gabriel Villela dá depoimento sobre parceria com o grupo


A estética do barroco, a poesia da literatura de cordel, a alegria do carnaval, a força do cangaço e a comédia cearense. Elementos capturados pelas lentes do diretor Fabiano Moreira, idealizador de projeto que registra as experiências teatrais de seis grupos de teatro brasileiros: Teatro Popular União e Olho Vivo, de São Paulo; Grupo Galpão, de Minas Gerais; Tá na Rua, do Rio de Janeiro; Oi Nóis Aqui Traveiz, do Rio Grande do Sul; Grupo Comédia Cearense, do Ceará; e Imbuaça, de Sergipe, que resultaram em seis documentários de 26 minutos, retratando a diversidade das regiões. O fio condutor são os grupos tradicionais, sua trajetória e importância histórica. Os episódios do programa Ensaio aberto: O teatro de grupo no Brasil estarão disponíveis a partir do dia 28 (até abril, um a cada semana), por meio do site da Cooperativa Paulista de Teatro: www.cooperativadeteatro.com.br.

A equipe de realização, comandada por Fabiano Moreira, acompanhou a companhia mineira na turnê de Os gigantes da montanha em Divinópolis e São João del-Rei. “No caso do Galpão, a questão estética é muito forte. A variedade de elementos e as diversas influências são elementos importantes, e é visível a presença do barroco. Estivemos no Cine Horto, em BH, e mostramos a organização deles, além dos frutos que vieram do trabalho realizado há 30 anos, caso do Quatroloscinco, nova geração que vem sendo formada”, afirma o diretor.

Fabiano cita ainda o fato de o Galpão ter levado a montagem de Romeu e Julieta a Londres, Inglaterra, momento marcante na carreira do grupo e conta que, além das entrevistas com integrantes da companhia mineira e de apresentações que a equipe filmou, há material de arquivo. “Uma das conduções da minha direção foi encontrar aspectos regionais no grupo, dando destaque também a aspectos culturais do estado”, explica Fabiano. “No Rio de Janeiro, é muito forte a questão do carnaval; em Fortaleza, o ponto alto foi a comédia; no Sergipe, a literatura de cordel; e veio também à tona a influência do cangaço. Os vídeos revelam muito desse caldeirão cultural de informações que é o Brasil”, define o diretor.

Estreia No primeiro episódio da série, com o Galpão, chamou a atenção do diretor o nível de relacionamento dos integrantes da companhia, além do fato de eles serem itinerantes e se abrirem muito para o contato com a população. “Com destaque para o caminhar deles, o estar juntos, o se ajudar. Tudo isso é bem bacana. Você pode ver fora de cena como eles se movimentam. No documentário não há bastidores do processo de criação ou produção, apenas casos contados por eles próprios”, avisa Fabiano.

Esta não é a primeira edição do programa Ensaio aberto: O primeiro foi realizado quando Fabiano Moreira começou a trabalhar na Companhia de Teatro Fábrica, em São Paulo, em 2004. Ele acabou se envolvendo com questões da Lei Municipal de Fomento ao Teatro (de 2002) e como era da área de vídeo, decidiu fazer um documentário que falasse sobre a lei, “algo didático mesmo, para que os grupos começassem a compreender nuances do funcionamento.”

Foi durante o trabalho de pesquisa para a realização desse filme que ele se deparou com questões do teatro de grupo. “A maioria era considerada amador, mas eles tinham modo de produção profissional. Fiquei curioso com a maneira como os integrantes se relacionam entre si e como eles lidam com o público e a população. E é essa a essência do segundo programa, que acabou por gerar os seis documentários”. Os grupos foram selecionados, de acordo com Fabiano, a partir do tempo de existência, que levou a variadas reflexões: “Como eles se mantêm há tanto tempo?; como se comunicam com a sociedade?; como a região reflete no trabalho deles?”.
O ator convidado do Galpão, Luiz Rocha, no filme de Fabiano Moreira (Frames do vídeo/Reproduções)
O ator convidado do Galpão, Luiz Rocha, no filme de Fabiano Moreira

ENSAIO ABERTO – O TEATRO DE GRUPO NO BRASIL
Estreia dia 28, documentário com o Grupo Galpão no site da Cooperativa Paulista de Teatro: www.cooperativadeteatro.com.br.

FUTURO

O resultado do programa Ensaio aberto: O teatro de grupo no Brasil foi tão bom que Fabiano Moreira espera que um canal de TV “abrace a ideia de difundir mais essa cultura, que é muito rica. Existe até a perspectiva de sairmos para a América Latina e produzirmos a terceira parte do programa”, anuncia.

Superman e Batman juntos‏

Superman e Batman juntos
Estado de Minas: 23/02/2014


Jesse Eisenberg vai interpretar o vilão Lex Luthor no longa que estreia em 2016     (BEN STANSALL/AFP)
Jesse Eisenberg vai interpretar o vilão Lex Luthor no longa que estreia em 2016


O ator Jesse Eisenberg foi o escolhido para fazer o papel de Lex Luthor e Jeremy Irons atuará como Alfred no próximo filme de Superman e Batman, ainda sem nome, de Zack Snyder. O duplo anúncio foi feito pela A Warner Bros. Pictures.

Lex Luthor é geralmente considerado o mais importante dos rivais de Superman. Sua péssima reputação vem desde 1940. A melhor parte de Lex é que ele existe além dos limites do malvado e estereotipado vilão. O personagem é complexo e sofisticado e sua inteligência, riqueza e proeminência o posicionam como um dos poucos mortais capazes de desafiar o incrível poder do Superman. Com Jesse no papel, os realizadores avisam que essa dinâmica será explorada e ele seguirá novas e inesperadas direções.

Já Alfred, que será interpretado por Jeremy Irons, como todos sabem é o amigo, aliado e mentor mais confiável de Bruce Wayne, além de nobre guardião e uma figura paterna. É elemento absolutamente essencial na infraestrutura complexa que permite que Bruce Wayne se transforme em Batman.

O elenco do filme de Snyder conta com Henry Cavill, repetindo seu papel como Superman/Clark Kent; com Ben Affleck atuando como Batman/Bruce Wayne; e com Gal Gadot como Mulher-Maravilha/Diana Prince. O longa também traz de volta as estrelas de O Homem de Aço: Amy Adams, Laurence Fishburne e Diane Lane.

O novo filme está sendo escrito por Chris Terrio a partir do roteiro de David S. Goyer. A estreia mundial está prevista para 6 de maio de 2016.

Eduardo Almeida Reis-Gislaine‏

Gislaine
Quinhentos reais por mês para cada um deles é quantia que representa, como desfalque financeiro, o mesmo que 10 centavos de real para mim


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 23/02/2014





Modesto Araújo, Lúcio Costa, Mauro Tunes, José Eduardo Lanna Valle, Sebastião Bomfim, José Salvador Silva, Ricardo Nunes, Ricardo Guimarães, Rubens Menin e Saulo Wanderley são mineiros que, mercê de muitos anos de trabalho estrênuo, ficaram bem de vida. Há outros, mas esses 10 bastam para financiar o meu plano. Quinhentos reais por mês para cada um deles é quantia que representa, como desfalque financeiro, o mesmo que 10 centavos de real para mim: não por mês, mas por ano. Dez vezes R$ 500 são R$ 5 mil por mês, importância suficiente para bancar o Projeto Gislaine. Explico: Gislaine Rodrigues dos Santos nasceu na zona rural de Pavão, Vale do Mucuri, há 22 anos. É técnica de enfermagem no Hospital Felício Rocho, pesa 48 quilos e sabe ser a mais doce, dedicada, simpática, educada, carinhosa e bonita das mineiras, porque soma a beleza exterior com a interior. Casá-la, entupi-la de filhos e de estrias morando longe para sair de casa às quatro da manhã, não solucionaria os problemas dela, do Brasil ou da humanidade. Daí a ideia de um projeto que não representa, em dinheiro, absolutamente nada para cada um dos 10 mineiros e pode financiar os estudos da moça, permitindo que siga a carreira dos seus sonhos, que não sei qual é. Cada um dos 10 tem nas suas diversas empresas vários especialistas em RH. Para começar o Projeto Gislaine, sugiro que um dos RHs do Lúcio Costa se reúna com um dos RHs do Modesto Araújo, para entrevistar a pavoense ou pavonense e traçar os planos de assistência aos estudos e sobrevivência da mineirinha. De acordo com a Lei de Gerson – aquela do brasileiro que gosta de levar vantagem em tudo, certo? –, informo ao distinto público leitor que minha “vantagem”, no caso, é proporcionar a 10 mineiros a oportunidade de fazer o bem com 10 réis de mel-coado. Gislaine atendeu-me como enfermeira (e ser humano) meia dúzia de vezes em quatro dias de hospital. Foi só.

Justiça


No Rio de Janeiro, diante do grande número de assaltos no Bairro do Flamengo, um grupo de jovens pegou “suposto” ladrão e o amarrou a um poste. Suposto só para o jornal, que publicou foto colorida de primeira página do larápio amarrado ao poste e teve o cuidado de borrar o rosto do gatuno. Na Bahia, cena idêntica, desta vez com o focinho do ladrão à mostra. Escusado é dizer que o bom-mocismo midiático não se esqueceu de criticar as pessoas que amarraram os ladrões: teriam feito “justiça com as próprias mãos”. Homessa! Desde quando amarrar ladrão é crime? A polícia não pode estar em toda parte. A Justiça (inicial maiúscula quando usada em sentido absoluto) tarda e falha, sim, e muito. Se o cidadão tem condições de fazer justiça com as próprias mãos, sozinho, que faça. Quando em grupo, como no Rio e na Bahia, o uso de várias mãos também é perfeitamente justificável. Só não dá para entender que o cidadão e a cidadã comuns, que pagam impostos, trabalham e se comportam nos limites das leis e da ordem pública, corram o risco permanente de assalto na maioria das ruas da maioria das cidades brasileiras, mesmo pequenas. Pululam “supostos” ladrões e homicidas por aí e por aqui. Do jeito que está não dá para continuar: tenho dito. E o leitor fica me devendo a cidadã, que soa mal mas está dicionarizada.

O mundo é uma bola


23 de fevereiro de 1797: todos os detentores de bens da Coroa de Portugal e os herdeiros de morgados ou capelas passam a fazer o serviço militar no Exército ou na Marinha, sob pena de devolução dos bens. Em 1812, Napoleão Bonaparte renega a concordata com o papa. Não faço a mais mínima ideia dos termos da concordata de Napoleão com o papa, nem sei o nome do papa em 23 de fevereiro de 1812. Seria possível apurar sem que isso fosse de utilidade para mim e para o leitor. Portanto, deixemos Napoleão em paz, louvando seu entusiasmo pelos cheirinhos de Josefina, tanto assim que a dispensava dos banhos e de limpamentos outros na hora de ir ao leito. Em 1861, Abraham Lincoln chega secretamente a Washington para assumir a Presidência dos Estados Unidos, depois de sofrer um atentado fracassado em Baltimore. Desde aquele tempo os norte-americanos curtiam a mania de atentar contra os seus presidentes. Em 1905, denunciado em Portugal o contrato do monopólio do tabaco detido desde de 1891 pela companhia de Henri Burnay. A concessão foi renovada fixando-se a renda fixa de 6.250 contos de réis por 25 anos, sem hipótese de alteração. Lá, como cá, para renovar a concessão alguém deve ter levado algum por fora. Em 1911, os bispos portugueses contestam as medidas anticlericais da Primeira República: a expulsão das congregações, a Lei do Divórcio, a criação do Registro Civil e o fim do juramento religioso nos tribunais. Em 1919, Benito Mussolini funda o partido fascista italiano. Transcorridos 95 anos, todos os que discordam de nossas opiniões no Brasil são tachados de fascistas. Hoje é o Dia da Sedução, do Rotary, do Boticário e do Surdo-Mudo.

Impasse da mamografia gratuita‏

Impasse da mamografia gratuita
Clécio Lucena - Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia
Estado de Minas: 23/02/2014


A mamografia é extremamente importante para diagnosticar o câncer de mama na fase inicial. Diferentemente de outros métodos de detecção disponíveis na área, o exame consegue identificar nódulos com até um milímetro. O setor de controle do câncer de mama e colo do útero da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais anunciou, recentemente, que há 250 mamógrafos e duas unidades móveis disponíveis para atendimento estadual.

O número serve de alerta, se considerarmos que a maioria das máquinas está localizada nas regiões Sul, Triângulo e Central, dificultando o acesso nas demais cidades. Mais preocupante que essa quantidade de mamógrafos é a possibilidade do cancelamento do exame gratuito. A Portaria nº 1.253 do Ministério da Saúde entrou em vigor em dezembro, podendo comprometer o fornecimento da mamografia para mulheres na faixa de 40 a 49 anos, conforme o governo estadual.

Com a evolução da mamografia, a ferramenta se tornou primordial no processo de tratamento do câncer. Desde outubro do ano passado, em Minas Gerais, qualquer mulher com idade acima de 40 anos, pode requerer a realização do exame no Sistema Único de Saúde (SUS), sem a solicitação médica, conforme a Lei da Mamografia (Lei nº 11.664). Mas, contrariando essa legislação, a recente portaria do Ministério da Saúde informa que somente haverá disponibilidade para oferecer a mamografia de rastreamento para mulheres assintomáticas na faixa etária de 50 a 69 anos.

O maior motivo para a possibilidade de cancelamento do programa para o público de 40 a 49 anos é financeiro. Os custos para o ministério proporcionar os exames são altos, comprometendo o orçamento. Ainda há o argumento de que a portaria altera os fundos de repasse de verbas e não haverá prejuízo algum para a faixa etária atendida. Ao município que optar por manter o serviço, resta a alternativa de arcar sozinho com o custeio das mamografias.

Se, de fato, a portaria entrar em vigor, poderá gerar grandes danos para a população. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) revela que o câncer de mama é o segundo mais frequente no mundo e responde por 22% dos novos casos diagnosticados. A estimativa é que 57 mil pessoas desenvolvam a doença neste ano. Somente no ano passado, há a possibilidade de Minas ter registrado 5.680 casos, com taxa de incidência de 54,1 para 100 mil mulheres. Ou seja, a decisão de restringir a mamografia é controversa, porque a população abaixo dos 50 anos também apresenta uma incidência razoável de câncer. Privar a realização do exame significa limitar a possibilidade do diagnóstico precoce nas mulheres, aumentando o número de casos de câncer e inibindo a chances de cura, que podem chegar a 95%, se o nódulo for identificado na fase inicial.

É preciso observar a combinação de fatores genéticos, ambientais e qualidade de vida para o controle da doença. Entretanto, o câncer de mama não tem um agente específico, por isso, é necessário realizar o acompanhamento com o médico da área para a prevenção. O cancelamento do fornecimento gratuito da mamografia poderá ser um agravante na incidência de casos de câncer. É essencial que a portaria seja mais bem discutida e que a decisão final seja favorável para a sociedade, considerando que a realização do exame é a melhor forma de prevenir e evitar os transtornos causados pela doença. A mamografia cumpre o principal papel de manter a saúde da mulher resguardada.