sábado, 30 de agosto de 2014

PERCUSSÃO » Naná em Inhotim

PERCUSSÃO » Naná em Inhotim


Estado de Minas: 30/08/2014

 (Otávio de Souza/divulgação)
O percussionista pernambucano Naná Vasconcelos (foto) passa o fim de semana em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, às 15h, ele vai ministrar oficina para crianças e jovens das comunidades quilombolas de Marinhos e Sapé. Os alunos serão convidados a criar sua própria música apenas com os pés e as mãos, sem instrumentos.

Amanhã, às 15h, o pernambucano, considerado um dos percussionistas mais criativos do mundo, vai fazer show no Instituto Inhotim. Ele vai se apresentar com o multi-instrumentista Lui Coimbra. Inhotim fica em Brumadinho, com acesso pelo km 500 da BR-381. Hoje e amanhã, o instituto funciona das 9h30 às 17h30, com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Crianças até 5 anos não pagam. Assinantes do Estado de Minas têm 50% de desconto na compra de dois ingressos.

ARNALDO VIANA » Elucubrações‏

Estado de Minas: 30/08/2014 





De quatro em quatro anos, na campanha das eleições para as cadeiras legislativas do país, a conversa é a mesma: honestidade, saúde, educação, segurança e transporte de qualidade. De quatro em quatro anos, nada muda na saúde, na educação. E a questão da honestidade passa longe de ser deixada de lado. Coitados dos aposentados. Há sempre representantes daqueles que contribuíram décadas e décadas com a Previdência e foram transformados em pensionistas por tempo de contribuição ou de serviço. Ou por ambos os quesitos. E nunca, nunca nem um aposentado sequer viu sua minguada vida mudar.

Inventaram o horário eleitoral gratuito para mais de 200 milhões de brasileiros ouvirem as promessas de centenas (ou seriam milhares?) de concorrentes, estreantes ou postulantes a novo mandato falarem do que não farão, porque não fariam mesmo ou prometeram o que não lhes é de competência. Se o discurso não muda, o que mais mudaria na política? Há aqueles que já estão sentados nas cadeiras há quatro legislaturas e o programa é igual ao apresentado na primeira campanha. Um desses, que já ocupou cargo em corporação policial federal, está de volta falando em trabalhar pela segurança. Ele já foi oficial da área de segurança e está há 20 anos travestido de parlamentar. A insegurança está sempre em alta. Cara de pau esse candidato ou não passa de um folgado?

No dia em que os caras foram eleitos, 80 mil, 100 mil ou mais pessoas acordaram pensando em cada um deles. Foram lá, apertaram o botão eletrônico e os elevaram a representantes do povo. Assentados no cargo, eles não pensam em nenhuma daquelas 80 mil, 100 mil ou mais almas desesperadas nas filas dos postos de saúde e do transporte coletivo ou que passam o mês se equilibrando em mais despesas do que dinheiro.

Mesmo se houver boa intenção na promessa e o prometido for de competência do parlamentar, que, de repente, pensou naqueles que o elegeram, ele sozinho não acrescenta nada às necessidades da sociedade. É preciso que a maioria do plenário o acompanhe na ideia. E é aí, como diz um velho senhor do Vale do Mucuri, calejado de tanta frequência às urnas, que a porca torce o rabo. Talvez a melhor oferta no horário eleitoral gratuito, em cartaz no rádio e na TV, seja a daquele cidadão ainda jovem: “Não sei o que faz um deputado, mas posso vir a saber se você votar em mim”. É mais ou menos isso o que diz.

Vai aprender, sim. Vai aprender que no Parlamento não vale apenas a boa intenção. Foi o que ocorreu com um ex-jogador de futebol. Cidadão de qualidade. Botou o nome de craque na campanha e ganhou a eleição. Entrou no gabinete cheio de projetos voltados para a solução de uma porção de pendências das camadas mais humildes da população. Gente que naqueles tempos, antes das arenas, frquentava a geral e a arquibancada para idolatrá-lo. Ao fim de quatros anos, saiu sem aprovar nada. E decidiu não se recandidatar.

Será que ele não se sentiu leal ao eleitorado? Nada disso. Numa conversa íntima, o sujeito que encantara multidões nos estádios e não conseguira convencer ninguém como político contou por que não buscou a reeleição. “Lá funciona assim: o parlamentar novato tem que se juntar a uma das bancadas que representam grandes interesses econômicos, religiosos ou políticos. Se você não se unir a tudo aquilo que se repudia aqui fora, não consegue aprovar nada. Passa a ser totalmente ignorado. Não quis compactuar com isso.”

Conversa de Negão:

Deu no jornal que a campanha do balde de gelo fracassa em Minas. As doações não pagam uma cesta básica. Faz sentido. O que mais há neste chão mineiro é pão-duro. Amigo do Negão, escritor, convidado a entrar na onda, vai esperar chover granizo para encher o balde. Imaginem, então, quanto vai doar...

>> arnaldoviana.mg@diariosassociados.com.br

Eduardo Almeida Reis - Noticiário‏

Café tomado, ligo a tevê e sou informado de que o preço das placas dos automóveis em BH varia de R$ 0 a R$ 120. Você, leitor, já ouviu notícia mais importante

Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 30/08/2014



Sol tímido, manhã de céu azul ainda muito fria depois de vários dias plúmbeos. Seria melhor jornalismo dizer que os dias foram acinzentados. Afinal, acinzentado é do conhecimento geral, mas prefiro plúmbeo, adjetivo que entrou em nosso idioma no ano de 1572: tristonho, pesado, soturno, que tem a cor de chumbo, em latim plumbèus,a,um “de chumbo, feito de chumbo, plúmbeo”.

Dentes escovados, boca bochechada, agasalhado, chego à cozinha e ligo o rádio para ouvir que em Ibirité, Região Metropolitana de Belo Horizonte, o menino Keven, de dois anos, que apareceu morto dentro do sofá da casa de um tio, foi assassinado pela mãe de 19 anos. Em seguida, depoimentos gravados do pai de Keven, do tio de Keven – desligo o rádio, olho pela janela e vejo que o céu voltou a ficar plúmbeo.

Café tomado, ligo a tevê e sou informado de que o preço das placas dos automóveis em BH varia de R$ 0 a R$120. Você, leitor, já ouviu notícia mais importante? Como sobrevivemos, o leitor e o philosopho, sem saber dos preços das placas? Tudo filmado em cores, entrevistados os donos dos veículos depois que compraram as placas. Assunto importantíssimo: o sujeito gasta R$120 numa placa, que deve durar anos, passa pelo posto e bota R$120 de gasolina, que acaba no dia seguinte.

Termina o noticiário estadual, começa o nacional com a notícia de que em Batatais (SP) as carnes nobres da merenda escolar têm sido desviadas para os churrascos de autoridades municipais. O filé vai para os graúdos em almoços de até 500 convidados e a muxiba entra na merenda escolar. Desligo o televisor com o céu plúmbeo, o país soturno e o philosopho tristonho.

Progresso

Não deu para entender a irritação de quatro excelentíssimos ministros, em Brasília, diante da notícia de que o país melhorou sua posição no ranking do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. Ocupamos, agora, o 79º lugar na lista de 179 países. Na penúltima aferição ocupávamos o 80º lugar, sinal de que neste último ano subimos um posto. Nessa toada, em 2033 alcançaremos o IDH de Palau, que ninguém sabe onde fica.

Atualmente, a Noruega lidera o IDH com 0,944. Entre os 10 primeiros países, a Austrália em 2º, a Nova Zelândia em 7º e o Canadá em 8º foram colônias britânicas. Ex-colônia portuguesa, estamos à frente de Angola (149º) e de Moçambique, que ocupa o 178º lugar com IDH 0,383.

Cinco lugares à frente do Brasil temos o Sri Lanka, que já foi o Ceylão depois de ter sido a Taprobana. Aprendemos no colégio, estudando Camões, que as armas e os varões assinalados, por mares nunca de antes navegados, passaram inda além da Taprobana, tendo partido da ocidental costa lusitana.

Israel está em 19º lugar, IDH 0,888, mesmo bombardeado pelo antissemitismo midiático por se defender dos foguetes do Hamas. Escrevi hamás e o corretor de textos do Windows 7, produzido pelo semita Bill Gates, modificou para Hamas, mas a pronúncia na tevê é oxítona. Chego às 215 palavras sem saber onde fica Palau, culpa da internet fora do ar nas últimas cinco horas. Com ou sem internet, é assustador o antissemitismo de nossa mídia, refletindo a aversão aos semitas, especialmente aos judeus.

Sim, porque semita, adjetivo e substantivo de dois gêneros, é relativo ao grupo étnico e linguístico ao qual se atribui Sem como ancestral, e que compreende os hebreus, os assírios, os aramaicos, os fenícios e os árabes. Eles mesmos, os árabes do Hamas. Os Emirados Árabes Unidos, com IDH 0,827, ocupam o 40º lugar no tal ranking e o Catar o 31º com IDH 0,851, em vésperas de sediar uma Copa da Fifa. O Líbano, com terroristas, explosões, guerras civis, refugiados, vizinho da Síria, tem IDH 0,765, 15 posições à frente de um país grande e bobo.

Quando falei de Camões fiquei devendo o Velho do Restelo, que assessores maldosos incluem nos discursos de oradores que não têm a menor noção do que leem. O pacientíssimo leitor não pode fazer ideia da complexidade da figura camoniana, como também não fazia o seu philosopho antes de estudar o assunto. Estudo que me deixou rigorosamente na mesma. Há livros inteiros, desde Manuel Correia, em 1613 e Faria e Souza, em 1639, há toda uma biblioteca tentando explicar o Velho do Restelo.

O mundo é uma bola

30 de agosto é dia bom para eleger papas. Em 257 foi eleito Sisto II e em 1464 foi eleito Paulo II. Em 1836, fundação de Houston, Texas, EUA. Invejosos, os cearenses fundaram Pereiro em 1842. Em 1875 ocorre o Motim das Mulheres em Mossoró (RN), mas há quem diga que foi no dia 4 de setembro. Cerca de 300 mulheres saíram em passeata pelas ruas, fizeram refém o escrivão de paz e rasgaram em praça pública o livro e os papéis que recrutavam seus maridos para o Exército e a Marinha. Armadas com paus e pedras, invadiram repartições públicas e delegacias, provando que naquele tempo as mossoroenses gostavam dos seus maridos.


Ruminanças

“Uma ópera é quase sempre um amor desastrado entre pessoas gordas” (Guilherme Figueiredo, 1915-1997). 

O Brasil preparado para o ebola - Jarbas Barbosa da Silva Júnior

Jarbas Barbosa da Silva Júnior
Médico epidemiologista, mestre e doutor em saúde pública pela Unicamp, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde
Estado de Minas: 30/08/2014 



O vírus ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, no então Zaire. Produz uma doença muito grave, com letalidade que pode alcançar até 90%. Um surto típico inicia-se quando uma pessoa entra em contato com a carne crua, sangue ou secreções de um animal infectado. A partir desse primeiro caso, pessoas que tenham contato direto com seu sangue ou outros fluidos corporais, bem como objetos ou superfícies contaminadas, podem ser infectadas, passando a alimentar uma cadeia de transmissão.

O surto atual, que desde dezembro de 2013 produziu 1.975 casos e 1.069 mortes, apresenta uma duração maior, se comparado a epidemias anteriores. Isso é consequência da dificuldade que esses países da África Ocidental têm para implantar as medidas básicas, capazes de impedir a transmissão.

Tal situação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar emergência de saúde pública mundial, medida que tem como finalidade passar a clara mensagem de que esses países, sem ajuda internacional, não conseguirão conter a epidemia. O Brasil atendeu ao apelo, enviando aos países afetados 15 toneladas de medicamentos e de materiais médicos, além de doar recursos na ordem de R$ 1 milhão.

A medida humanitária é a melhor maneira de proteger, não apenas o Brasil, como também outros países, contra a ameaça do Ebola. Ou seja, a ideia é conter rapidamente o surto em sua fonte para eliminar a possibilidade de exportação de casos.

Vale ressaltar que o Brasil está preparado para detectar e responder, de maneira rápida e eficaz, a uma eventual situação de viajante internacional com a doença, única possibilidade real de lidarmos com o ebola. As características dessa doença não apontam como factível a ocorrência de surtos no Brasil ou em outros países fora do continente africano.

O Brasil vem fortalecendo sua preparação para a detecção e resposta às emergências de saúde pública, utilizando as mais modernas estratégias e tecnologias disponíveis e as lições aprendidas com emergências reais, como a pandemia de influenza de 2009. Dispomos de um Plano de Preparação e Resposta para Emergências de Saúde Pública que vem sendo utilizado, na vida real, para o monitoramento dos grandes eventos de massa que tivemos em 2013 e 2014 e no atual momento. Ativamos nosso Centro de Operações de Emergências em Saúde para acompanhar, com informações fidedignas prestadas pela OMS, a situação epidemiológica do surto. Isso nos permite realizar cuidadosa avaliação de risco e adotar as medidas adequadas à proteção do nosso país. Atualizamos e divulgamos as orientações técnicas, procedimentos e normas para as duas possibilidades de casos em viajantes internacionais: alguém que adoeça durante a viagem ou alguém que realize a viagem durante o período de incubação.

Nosso país dispõe de hospitais de referência para atender a um eventual caso importado, em condições seguras. Além disso, temos laboratórios capazes de realizar exames de confirmação de casos. Dispomos também de pessoal capacitado em distintas áreas, desde o correto gerenciamento de situações de crise até o acondicionamento seguro de materiais biológicos de alto risco, como o vírus ebola.

Estar preparado não significa baixar a guarda. Em situações como essa, a primeira regra da boa preparação é continuar alerta, avaliando a situação real e adotando todas as medidas adequadas a cada momento.