terça-feira, 9 de setembro de 2014

Pane temporária Dia de Combate à Epilepsia

Dia de Combate à Epilepsia chama atenção para um mal que atinge até 3% da humanidade, mas pode ser prevenido em alguns casos. Se bem diagnosticado e tratado, não é incapacitante


Alfredo Durães
Estado de Minas: 09/09/2014



Com 3 anos de idade, M.J*, hoje com 50, teve a primeira crise. Tremia e se debatia sem que a família, que morava na Zona da Mata mineira, pudesse atinar com o que ocorria. Começariam então viagens mensais até o Rio de Janeiro para várias consultas até que se fechasse o diagnóstico – epilepsia – e se definisse o tratamento. A única coisa que fazia o pai de M.J., quando ocorriam as crises, era enfiar o dedo na boca do filho para que ele não mordesse a própria língua. De lá para cá, medicado, M.J. teve algumas crises esporádicas e, há bastante tempo, não era acometido. Até que, no mês passado, enquanto via televisão e tomava seu café da manhã, caiu da cadeira e começou a se debater. O pai, mais uma vez, foi o espectador da agonia do filho, agora cinquentenário. Quando a crise passou, M.J não se lembrava de nada. Levado ao médico, ele teve a medicação alterada e está bem.

 M.J. faz parte da estatística de 1% a 3%, pelo menos 22 milhões de pessoas no mundo, acometidas pelo mal que é lembrado hoje, Dia Nacional e Latino-Americano de Combate à Epilepsia, principalmente pela desinformação e preconceito. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), trata-se de um distúrbio neurológico crônico, uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que se expressa por crises recorrentes. O diagnóstico de epilepsia requer a ocorrência de pelo menos uma crise. De acordo com a LBE, mesmo que até 3% da população tenha o mal, cerca de 5% da população mundial apresentou alguma vez uma crise de epilepsia.
Por se tratar de um distúrbio neurológico crônico, é possível a prevenção? Para a neurofisiologista clínica Andréa Julião de Oliveira, de 39 anos, membro da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC), que trabalha em Belo Horizonte, não é de se estranhar quando se fala em prevenção da epilepsia. “Na verdade, grande parte da doença pode ser prevenida, como é feito com intensidade em países mais desenvolvidos. Por exemplo, nos cuidados com o parto ou no tratamento de infecções do sistema nervoso. Isso, além de uma política de saneamento básico, já que a doença pode, também, ser causada pelo ovo da solitária no cérebro, a neurocisticercose, proveniente de alimentos infectados por fezes”, explicou.

Segundo a médica, “podem também ser prevenidas as consequências de uma crise para amenizar os riscos para a pessoa ou terceiros, como foi o caso do motorista do ônibus Move, que perdeu a direção e provocou um acidente na semana passada em Belo Horizonte. Ficou comprovado que ele teve uma convulsão”. Andréa afirma que as políticas públicas de prevenção e tratamento da doença no Brasil ainda são bem incipientes. “Essa política existe, mas pode ser melhorada. Por exemplo, atualmente, o paciente tem à disposição a oferta de medicamentos gratuitos pela rede pública, porém há muitas falhas na distribuição.”

A rede pública oferece ainda o tratamento cirúrgico, se for o caso. “Porém, os leitos do SUS são insuficientes para a demanda. E também há uma falta de conhecimento por grande parte dos pacientes sobre essa opção da cirurgia e um certo preconceito de alguns médicos em relação ao procedimento”, diz Andréa. Ela afirma ainda que 70% dos casos da doença são de fácil controle, bastando tomar o medicamento correto, depois de um diagnóstico acertado, já que são muitos os tipos de epilepsia. (leia quadro).

Andréa avalia que as condições de tratamento avançaram bastante nos últimos 30 anos. “Durante as décadas de 1980 e 1990, houve um aumento exponencial de medicamentos para a doença, com um grande avanço das técnicas e equipamentos para tratamento, diagnóstico e prevenção. Porém, Minas Gerais está atrás de muitos estados brasileiros nessa área, mesmo que nesse sentido a situação em nosso estado tenha melhorado nos últimos anos”, analisou.

Afirmando que qualquer pessoa, de qualquer origem ou idade, pode em algum dia da vida manifestar sintomas da doença (menores ou mais acentuados), ela lembra a importância da prevenção e mais: “É preciso também um esclarecimento no sentido de que se saiba que epilepsia não é doença mental, não provoca alteração na inteligência e não compromete a competência profissional da pessoa”.

Número subestimado Para o neurologista Ricardo Amorim Leite, de Recife (PE) e também secretário nacional da LBE, o número de 1 a 3% da humanidade sofrendo de epilepsia é, “com certeza, subestimado”. De acordo com o neurologista – que no mês que vem parte para um curso de doutorado de três anos na França –, muitos casos entre as populações mais pobres da Terra podem nem ser registrados oficialmente.

Amorim diz que a função da LBE é trazer o assunto epilepsia para um conhecimento maior da população, de modo a diminuir os custos financeiros e sociais para o paciente, a família e a sociedade. Ele alerta que o Brasil possui poucos centros especializados no tratamento, bem como número insuficiente de profissionais para lidar de forma positiva com a doença.
E conta que a LBE promoverá cursos gratuitos para os profissionais médicos de várias partes do país que tenham interesse maior no assunto. Os cursos começam no próximo mês e devem se estender até o fim de 2015, na base de um por mês. Mais informações podem ser obtidas no site www.epilepsia.org.br.

*Foram registradas só as iniciais para preservar a identidade do personagem


Olhar atento
A Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), associação civil e sem fins lucrativos, congrega médicos e outros profissionais dedicados à saúde das pessoas com epilepsia. Promove recursos para o ensino e pesquisa destinados à prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

TIPOS DE CRISE

» A tônico-clônica ou convulsão acomete metade dos pacientes. Atinge todo o cérebro. A pessoa fica rígida, cai no chão e se debate. As extremidades do corpo tremem.

» Os outros 50% variam. Algumas pessoas sentem o braço formigar, isso seguido de pequenos abalos, o que acontece por causa da região afetada do cérebro. Outras pessoas sentem cheiros estranhos por alguns segundos e saem do ar. Esta é a crise parcial complexa, com turvação da consciência.

» Nas crianças, a epilepia se apresenta na forma de crises de ausência, como se ligasse e desligasse. Ela pode ter várias crises por dia – às vezes mais de 100 – e em poucos minutos de duração.

O QUE FAZER 

» Muita gente não sabe como proceder diante de um quadro de convulsão. Se a crise durar menos de cinco minutos e você tiver conhecimento que a pessoa é epiléptica, não é necessário chamar um médico. Acomode-a, afrouxe suas roupas (gravatas, botões apertados), coloque um travesseiro sob sua cabeça, procure deixá-la um pouco de lado, e espere o episódio passar. Mulheres grávidas e diabéticos merecem maiores cuidados. Depois da crise, lembre-se que a pessoa pode ficar confusa: acalme-a ou leve-a para casa.

» Se a crise durar mais tempo, é melhor chamar atendimento de urgência, pois poderá ser necessária medicação endovenosa.

Como diagnosticar



O médico solicita exames neurológicos e um eletroencefalograma (EEG) que pode reforçar o diagnóstico, ajudar na classificação da epilepsia e investigar a existência de uma lesão cerebral. Além disso, o médico neurologista baseia-se na descrição do que acontece com o paciente antes, durante e depois de uma crise. Se o paciente não se lembra de nada, as pessoas que acompanharam o episódio servem como testemunhas e devem relatar ao médico o ocorrido.
Na maioria das vezes, a causa é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentes ou não. Ainda assim, é possível passar dias, semanas ou anos entre a ocorrência da lesão e a primeira convulsão. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também podem desencadear o aparecimento da epilepsia.
A doença ocorre com maior frequência nos países em desenvolvimento, onde há mais desnutrição, doenças infecciosas e deficiência no atendimento médico. Em países mais desenvolvidos, a incidência é de aproximadamente 1%. A epilepsia é mais comum na infância, quando é maior a vulnerabilidade a infecções do sistema nervoso central (meningite), acidentes (traumatismos do crânio) e doenças como sarampo, varicela e caxumba, cujas complicações podem causar crises epilépticas. O problema também poderá se manifestar com o envelhecimento e suas complicações vasculares.

O uso do canabidiol

Derivado da maconha, o uso do canabidiol (CBD) começa a ganhar força no tratamento de casos como o Mal de Parkinson e a epilepsia. Ficou famoso o dramático caso da menina Anny Fischer, que chegava a ter até 20 crises de epilepsia por dia. Sua família foi a primeira de 57 a terem a importação do canabidiol autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anny é outra pessoa agora, mas a família teve que batalhar e ainda batalha muito pela continuidade do tratamento.

A LBE se posiciona de forma solidária com as famílias das crianças e adultos com epilepsia refratária, resistente aos fármacos antiepilépticos e reconhece a realidade de que em muitos casos o médico assistente não tem outra opção terapêutica. “A pessoa com epilepsia refratária, além de não ter qualidade de vida, tem risco iminente de morte súbita, de morte por afogamento, suicídio, grave repercussão cognitiva, comportamental, além de várias comorbidades (presença ou associação de uma ou mais doenças num mesmo paciente) psiquiátricas”, afirma a liga.


Para a LBE, as pesquisas clínicas bem conduzidas metodologicamente são limitadas, pois há restrição legal ao uso de medicamentos derivados da Cannabis (popularmente conhecido como maconha), embora o CBD não possua propriedades psicoativas. A LBE acredita que a segurança e eficácia do CBD necessitam ser melhor estabelecidas por estudos bem conduzidos, uma vez que os dados disponíveis na literatura atual não preenchem os critérios científicos exigidos para que tal composto seja utilizado como medicamento de forma indiscriminada.

Leitura e escrita - Capacitação tornou-se essencial - Rafaela Lôbo

Rafaela Lôbo
Mestre em linguística, professora, palestrante e consultora da Scriptus Consultoria Empresarial em Linguagem
Estado de Minas: 09/09/2014 04:00



É frequente ouvir alguém dizer que as pessoas estão lendo pouco e escrevendo mal. Será? Em que se baseiam tais afirmações? O Brasil era, até pouco tempo, um país de analfabetos. Há um século, a maioria das mulheres não sabia ler e mesmo as gerações das décadas de 1980 e de 1990 assistiam à televisão o dia todo, não havia internet e alguém que lia muito era diferente; escrita era destinada aos que precisavam dela para executar um trabalho. Hoje, a web invadiu todos os espaços, desde o momento de trabalho ao de lazer. As pessoas leem o que os colegas publicam e escrevem desde seus relatórios de trabalho a suas mazelas pessoais, ou seja, leem mais e escrevem mais. Esse fato traz vertentes diferentes para análise. Se por um lado lê-se e escreve-se muito mais, por outro, qual é a qualidade dessa leitura, dessa escrita e quanto as pessoas hoje se expõem ao escrever? Quem já não escutou críticas em relação à escrita de um amigo no Facebook e quantos já não foram criticados? Já conheci pessoas que desistiram de um emprego porque não conseguiram fazer os relatórios pedidos.

As redes sociais tornaram a leitura e a escrita necessidades de convivência social. No entanto, é necessário compreender aquilo que se lê, analisar as informações recebidas – compartilhar pensamentos de autores consagrados é fácil, entender exatamente o que se compartilha pode ser difícil. Por isso, é comum ouvir que as pessoas devem ler muito, mas o problema não é a “quantidade” de leitura, mas a “qualidade” dessa. O analfabetismo diminuiu muito. É fato que a maioria dos brasileiros já sabe ler. A questão é que a leitura técnica é algo nada comum, mesmo entre pessoas com alto grau de instrução.

Quando se pensa em escrita, a situação torna-se ainda mais complexa, isso porque não se pode esperar muito conteúdo oriundo de uma população sem leitura técnica. Em muitos textos, a estrutura textual frequentemente está comprometida e a situação não melhorará enquanto houver pessoas que acreditam que “se muda de parágrafo quando se muda o assunto”. Há, ainda, outros acham que “frases curtas são essenciais na escrita”. Outro ponto relevante refere-se à gramática, por mais que eu não acredite que a questão gramatical seja garantia de um bom texto, gostando ou não, o uso de estruturas formais é, muitas vezes, relevante para a manutenção no mercado de trabalho e, além disso, evita críticas de preconceituosos.

Para uma empresa, um texto escrito dentro da norma padrão é credibilidade; para o funcionário, é a necessidade de manter o emprego ou mesmo a possibilidade de ganhos maiores, ou seja, a preocupação com o uso gramatical tem se mantido, apesar de todas as discussões implantadas pelos melhores linguistas. Realidade seja dita, que empresa sobe de cargo um funcionário que não é capaz de entender os textos que recebe? Além disso, quem contrataria uma pessoa incapaz de enviar um simples e-mail sem problemas de sentido? Diante dessa situação, a capacitação tornou-se essencial e uma saída para essa nova realidade. Afinal, ler ou escrever muito não significa ler ou escrever bem.

COLUNA DO JAECI » Um dia saberemos o porquê‏

COLUNA DO JAECI » Um dia saberemos o porquê "Já vimos muitos casos de indisciplina, atrasos e bebedeira. A verdade sempre veio à tona tempos depois" 
 
Jaeci Carvalho
Estado de Minas: 09/09/2014


Nova Jérsei – O Brasil enfrenta hoje o Equador sob desconfiança do país inteiro, por causa do corte de Maicon. O amistoso ficou em segundo plano, diante das especulações, algumas até esdrúxulas, sobre o que realmente ocorreu. Falou-se de sexo, bebida e atraso na reapresentação. Lamento que o coordenador Gilmar Rinaldi não tenha sido transparente o suficiente para explicar o motivo. Só gerou rumores, embora o atleta prometa uma coletiva para explicar por que foi desligado. Já vi vários episódios de jogadores cortados ou repreendidos na Seleção. Lembro-me de um com outro lateral-direito, Josimar, que se perdeu na noite de Londres e chegou ao hotel em estado “estranho”.

O caso mais emblemático foi durante a preparação da Seleção para a Copa de 1986, na Toca da Raposa. Num domingo de folga, Renato Gaúcho, Leandro e Branco foram curtir a tarde na Savassi. Às 22h, horário limite para a reapresentação, só o terceiro retornou à concentração. O primeiro ficou dando uma força para o segundo, que não estava em estado apresentável. Outros jogadores que chegaram tarde pularam o muro sem ser vistos. Renato entrou pelo portão já de madrugada, amparando Leandro. O porteiro deu com a língua nos dentes.

O técnico Telê Santana, furioso, quis cortar a dupla, mas desistiu a pedido do lateral, de quem era fã. Ao definir dias depois a lista dos 22 que iriam ao México, porém, excluiu o atacante. Em solidariedade ao amigo, Leandro se recusou a viajar  no dia do embarque. O voo fretado foi atrasado porque Júnior e Zico foram à casa do companheiro tentar demovê-lo, em vão. O avião partiu com um a menos. No dia seguinte, Telê convocou Josimar, que faria dois golaços no Mundial.

Já vimos muitos casos de indisciplina, atrasos e bebedeira. A verdade sempre veio à tona tempos depois. É claro que o caso de Maicon foi grave, conforme disse Gilmar. Se fosse só bebedeira, logo se saberia. Parece que a coisa extrapolou e, caso comentasse, o coordenador poderia até prejudicar a vida pessoal do atleta. Somente daqui a alguns anos saberemos realmente o que houve. O problema é que, enquanto não surgir uma explicação, mesmo que oficiosa, as redes sociais vão bombando com boatos. Maicon dará sua versão em breve, embora os jornais italianos afirmem que foram bebedeira e atraso na reapresentação. Acho que houve alguma coisa a mais, que custará a ser revelada.

Para mim, Maicon não fará falta. Lateral de força física incomum, é limitado e nunca fez nada de destaque na Seleção. Chorou ao fazer um gol na Coreia do Norte na Copa de 2010. Neste ano, com Felipão, fez parte dos fracassados nos 10 a 1 – 7 a 1 da Alemanha e 3 a 0 da Holanda. Já vai tarde, assim como outros poderão ir também, sem deixar saudade. Causa espécie saber que o jogador era da confiança de Dunga e, se não teve perdão, é porque fez algo de muito grave mesmo. Acabada a era Maicon na Seleção, se o técnico olhar direitinho, verá que Marcos Rocha está prontinho. O atleticano deverá ser chamado para os amistosos contra Argentina, na China, e Japão, em Cingapura.

Quanto ao jogo de hoje, o Brasil deve ganhar. O Equador foi o mais fraco dos sul-americanos na Copa. Espero que a arbitragem seja rígida e coíba a violência, principalmente em cima de Neymar. O garoto está sendo caçado o tempo todo, diante de árbitros coniventes. O time se superoucontra os colombianos e surpreendeu positivamente. Minha expectativa é de boas mudanças para esta noite. Felizmente, Maicon e David Luiz estão fora. Miranda me agradou na vitória sobre a Colômbia.

Gostaria de ver Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart jogando. Diego Tardelli foi aprovado na estreia. Dunga tem a ideia de manter uma base e não ficar trocando muito, exceto no segundo tempo. Acho importante o time ter uma cara. Curiosamente, não tínhamos um camisa 10 decente com Felipão. Agora, temos três: Éverton Ribeiro, Philippe Coutinho e Paulo Henrique Ganso, que deverá ser chamado nas próximas convocações.

ENTREVISTA ÉVERTON RIBEIRO » "Dunga pediu para fazer o que faço no Cruzeiro"

Jaeci Carvalho
Estado de Minas: 09/09/2014 



ÉVERTON RIBEIRO, armador do Cruzeiro e da Seleção Brasileira (Robert Mayer-USA TODAY Sports)
ÉVERTON RIBEIRO, armador do Cruzeiro e da Seleção Brasileira

Craque do Campeonato Brasileiro de 2013, com chances de ser reeleito em 2014, o armador Éverton Ribeiro é só alegria na Seleção Brasileira. Mesmo tendo entrado poucos minutos contra a Colômbia, mostrou futebol de gente grande e a qualidade que demonstra no Cruzeiro. Ocupando uma das posições mais carentes do Brasil, vê sua luta com Oscar e Philippe Coutinho se aprofundar, mas no íntimo sabe que tem totais condições de ser o titular da equipe. Mesmo não começando a partida de hoje, espera poder aproveitado e mostrar tudo o que sabe contra os equatorianos. Nesta entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ele fala dos sonhos e da vontade de jogar na Europa.

Como sentiu a estreia contra a Colômbia? A amarelinha pesou?
Procurei fazer aquilo que o Dunga pediu: movimentação e criatividade e, graças a Deus, deu tudo certo. Começamos a trajetória de forma positiva. Dá uma ansiedade antes, mas depois que a gente entra, e como eu estava preparado, deu tudo certo. Agora é dar sequência ao trabalho. Há muita estrada pela frente.

Dunga te deu liberdade para jogar como no Cruzeiro?
Ele pediu para eu fazer aquilo que faço no meu clube, e por isso me saí bem, fiquei à vontade. Me deu a tranquilidade de jogar um pouco mais aberto pela direita. Ele quer que eu me movimente muito, como no Cruzeiro.
Júnior, ex-lateral e hoje comentarista de TV, encheu sua bola, mas sabemos que a concorrência é grande, com Philippe Coutinho e Paulo Henrique Ganso, que deverá ser chamado em breve...
O Brasil tem grandes jogadores, mas a concorrência é saudável. Se eu continuar jogando em alto nível, primeiro, no Cruzeiro, fatalmente estarei sempre nas listas de convocados. Aqui é treinar muito e procurar agradar ao treinador com bons jogos. Acho que não estou acima de ninguém, mas numa excelente fase.

Jogar no máximo 45 minutos hoje vai te satisfazer?
Estou tranquilo, e, como disse, já tive a oportunidade de estrear, e estou na expectativa de jogar esta noite. Para um começo, estou muito feliz.

E se puder jogar ao lado do Goulart será melhor ainda...

Claro. Poderemos reeditar aquilo que temos feito no Cruzeiro. Mas isso fica a cargo do Dunga, que é o treinador e sabe o que será melhor para a equipe.

O Cruzeiro tem realmente dois grandes jogadores por posição?
Sim. Temos um excelente time, e quando sai um jogador, o ritmo não é quebrado. Mas ainda falta muito para o título, pois o campeonato é longo e somente agora terminou o turno. Vamos manter esse ritmo e buscar o tetra.

O que representa o Marcelo Oliveira para você?

Um grande treinador, que tem mostrado seu potencial a cada jogo, e me deu toda a tranquilidade para chegar ao Cruzeiro e também à Seleção. Sou muito grato a ele por esses anos de trabalho juntos. Evoluí muito.

Você tem vontade de jogar na Europa ou quer ficar mais tempo no Cruzeiro?
Claro que sonho em jogar na Europa, mas tudo acontecerá no tempo certo. Estou muito feliz no Cruzeiro. Estamos sempre disputando títulos e isso é importante para a carreira de um jogador. Mas a hora que surgir algo importante para mim e para o clube, vamos pensar. (JC)