segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Dilma deve a vitória à esquerda - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico - 22/12/2014

Dilma venceu a eleição ao assumir uma imagem de esquerda. Terá que conciliá-la com sua nova política econômica


As análises são quase unânimes: a eleição de 2014 marcou forte avanço conservador, não apenas no espectro político tradicional, em que a esquerda seria progressista e a direita, conservadora, mas também no campo dos costumes, no qual parlamentares opostos às novas formas de vida afetiva ganharam pontos. O desplante com que um deputado, useiro e vezeiro em hostilizar a liberdade pessoal, se permitiu usar a palavra "estupro" é significativo disso.
Mesmo assim, se Dilma foi reeleita, foi graças à esquerda. Não podemos, numa análise fria dos acontecimentos, ignorar este fato. Isso não quer dizer que foi a esquerda quem elegeu Dilma. Ela teve votos de famílias políticas bem variadas. Mas no momento decisivo, em que se formularam os argumentos decisivos para a reeleição, em que se construiu o imaginário que forjaria a unidade que a elegeu, o discurso foi de esquerda.
Dilma e seu governo não foram - nem são - de esquerda. Porém, na reta final da campanha, o que a levou à vitória foi uma sensibilidade deste lado político. Foi isso o que irritou tanto seus principais adversários. Possivelmente não foi tanto a forma, os "maus modos", o que os revoltou (a implacável "desconstrução" de Marina e, em menor escala, de Aécio), mas sim o conteúdo do que foi levantado contra ambos. Poderia ter sido mais leve; irritaria igual.
Campanha de Dilma foi mais à esquerda que seu governo







Pois onde esteve a esquerda na campanha? Na defesa dos programas sociais. Sim, Aécio fez bem em assumir o Bolsa Família. Foi o primeiro presidenciável tucano a fazê-lo de maneira decidida. Com isso, se não ganhou a eleição, teve uma votação consagradora e garantiu para o PSDB a liderança na oposição - uma posição que este ano até correu risco. Mas acontece que, no arsenal petista contra a miséria, o Bolsa Família foi cedendo lugar ao aumento constante do salário mínimo até o patamar constitucional, que aliás não é tão diferente do seu valor original na década de 1940. A franqueza de Arminio Fraga, ao dizer que seria difícil manter os aumentos reais do salário mínimo, pode ter custado votos ao candidato tucano.
Afirmei mais de uma vez que nem os tucanos queriam acabar com os programas sociais, nem os petistas destruir a economia: mas que cada lado tinha uma prioridade. Do lado tucano, a ênfase na racionalidade dos agentes econômicos, para promoverem o desenvolvimento, acarretava implicitamente a descrença na racionalidade dos movimentos sociais. Ora, o eixo do ataque "de esquerda" aos dois candidatos de oposição consistiu justamente nisso: nenhum deles teria compromisso prioritário com o combate à pobreza. Essa percepção emplacou.
Agora, dá para dizer que, com a nomeação para as pastas econômicas, foram plagiados os programas de Aécio e Marina, ou traída a esquerda que apoiou Dilma? Não. A economia é o meio imprescindível para as mudanças sociais que a candidata reeleita quer implantar. Se tiver de escolher entre o desenvolvimentismo praticado nos últimos anos e uma economia mais ortodoxa, ela optará pelo meio que preserve a capacidade estatal de investir no setor social - hoje, o segundo.
Dilma certamente tem suas preferências econômicas. Não são as do grande empresariado. Ela tentou adotá-las entre 2011 e 2014. Economista, ao contrário de Lula, suas convicções econômicas são mais fortes do que as do seu antecessor no cargo. Mas, mesmo assim, o crucial é a política social. Daí que faça sentido sacrificar certos anéis para salvar os dedos - abrindo mão de parte, ao menos, da política econômica Dilma 1.0 para garantir os recursos, tributários ou de capital, necessários para dar continuidade aos avanços sociais.
Fique muito claro: sem avanços sociais, adeus PT. Daí, o papel, necessário mas subordinado, da economia no segundo mandato. Num governo Aécio, Arminio seria, pelo menos nos primeiros tempos, o "chief minister". Já Dilma fez questão de não aparecer na posse de seus ministros da área econômica. Eles podem ter condicionado sua aceitação dos cargos à prévia aprovação, pelo Congresso, da mudança de metas na economia. Podem ter dito que não queriam misturar suas mãos pró-mercado com isso. Ela não teria como recusar essa limpeza prévia de terreno. Mas, de sua parte, Dilma deve ter querido mostrar que a nova política econômica é decisiva, porém só como meio, não como fim. Os fins continuam sendo sociais. Sem isso, o PT vira um PSDB.
Quer isso dizer que o poder está com a esquerda? Não, nem no sonho. Na verdade, a esquerda decidiu apoiar uma presidenta que valoriza os programas sociais, sim, mas não é propriamente de esquerda. Como Dilma vai conciliar uma certa austeridade na economia com investimentos sociais, não será simples. Mas este é o único caminho que faz sentido. Dilma e o PT sabem muito bem que, se for para agirem como agiram os últimos governos socialistas na Espanha e Portugal, ou está agindo o último na França, aplicando a política dos sonhos da direita... bem, esse será o melhor meio de perder as próximas eleições. Dilma e o PT têm que agir de outro modo. Isso vai requerer habilidade política? Toda a que conseguirem mobilizar.
Esse caminho pode dar errado, é claro. Mas a política é a arte de lidar com a quadratura do círculo. FHC e Lula foram mestres nisso. Na política, estica-se o limite do possível. Uma coisa é fato: os economistas têm razão em que não se pode ignorar o limite realista que é haver dinheiro para promover medidas sociais. Mas a novidade é que, em sociedades em intensa democratização, o que se dá pela inclusão dos mais pobres, também não é possível retroceder, sem causar problemas sérios.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. 
E-mail: rjanine@usp.br




domingo, 21 de dezembro de 2014

MARTHA MEDEIROS - Maria Adelaide

Zero Hora 21/12/2014

Já escrevi sobre o mendigo que encontrei em Lisboa, aquele que trata sua mendicância como um show de humor e aceita esmolas online, e hoje vou falar de Maria Adelaide, que conheci em Cascais.
Eram 15h e eu ainda não havia almoçado. Escolhi um restaurante simples, com mesinhas num calçadão. O lugar estava vazio, mas logo vi que se aproximava uma senhora de idade que gesticulava muito e abordava a todos. Cansada, sentou-se ao meu lado. Dois palmos separavam uma mesa da outra. Eu havia ganhado companhia.
Só que ela não comeu nada. Pediu apenas um uísque e a minha atenção: contou que havia sido uma famosa corretora, que ganhara muito dinheiro e perdera tudo, que fora amante de um homem casado por 20 anos, que já havia disputado corridas de carro, que havia aprendido a tourear, que estivera na inauguração de Brasília, que fora abençoada pelo Papa João Paulo II, que havia sido amiga íntima da fadista Amália Rodrigues, e eu ali, encantada com aquele personagem pronto, saído de um livro que não havia sido escrito – ainda.
Nem em tudo acreditei. O que me impressionou foi sua vitalidade: ela não parava de falar. Quando não era comigo, era com os pedestres que passavam. Para todos, tinha uma palavra. Para o turista que vinha de bicicleta: “Salta, não pode andar com isso no calçadão, ó pá”.
Para o casal de namorados: “Não confiem um no outro!”. Para o DJ que estava na janela de um bar: “Só ligue o som depois que me for!”. Ao garotão com o jeans rasgado: “Isso lá é roupa, menino?”. Mas sempre com um sorriso gigante no rosto, orgulhosa da própria inconveniência. Depois de cada abordagem, batia na própria coxa e dizia: Ssou humana, sou humana”. Seu bordão. “Sou humana.”
O pessoal logo entendia que era um personagem folclórico, mas, quando o assédio era infantil, o clima pesava. A cada criança que surgia, ela dizia aos pais: “Me empresta seu filho um bocadinho”. Os pais sorriam amarelo e afastavam os miúdos de seus braços, enquanto ela me confidenciava: “Enlouqueço com crianças”. Nunca havia sido mãe.
Pedimos a conta, paguei o uísque dela e mais uma vez me veio à cabeça a expressão “couvert artístico”, a mesma com que batizei aquela cena do mendigo na rua. Foi quando ela levantou, abriu sua bolsa e colocou em cima da minha mesa diversas folhas xerocadas onde apareciam fotos dela em Brasília, fotos dela com o Papa, com Amália Rodrigues, bilhetes pessoais, recortes de jornal. Um dossiê.
Só então perguntou o que eu fazia. Respondi que era escritora. Ela me deu um beijo no rosto como quem diz: boa piada! E se foi.
Dia seguinte, passei de bicicleta por ela em outra rua. Abordava os transeuntes, claro. Ao me ver, já começou: “Salta, salta!”. De repente, me reconheceu e apreensiva, perguntou: “Você não é escritora de verdade, é?”.


“Vai render apenas uma crônica, se você permitir”. Dada a permissão, continuei a pedalar até chegar aqui.

Sempre desconfiei - Eduardo Almeida Reis

"Temos agora a notícia de que o parasita Toxoplasma gondii pode ter infectado 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos"


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 21/12/2014



Detesto gatos, mesmo conhecendo pessoas inteligentes que os adoram, vivem cercadas de gatos, só falam dos seus gatinhos. Jorge Pontual, jornalista competente, belo-horizontino nascido em 1948, recolheu um gato nas ruas de Nova York, cidade onde vive, e disse na tevê que não há coisa melhor no mundo do que dormir com o gatinho, que faz rom-rom perto do seu pescoço.

Temos agora a notícia de que o parasita Toxoplasma gondii pode ter infectado 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention. Conhecido como “parasita controlador de mentes”, há indícios de que o Toxoplasma gondii causa mudanças na personalidade comparadas com as doenças mentais, a esquizofrenia, o autismo e Alzheimer.

Bill Granath, professor de microbiologia da Universidade de Montana, diz que o parasita está vinculado aos suicídios e que as mulheres são mais vulneráveis: “Alguns estudos mostram como o parasita ataca certos nervos e manipula vários neurotransmissores, além de causar várias doenças mentais. Há relatórios na Dinamarca que mostram a correlação entre mulheres donas de gatos e vários problemas mentais”.

O Toxoplasma gondii também é vinculado aos suicídios cometidos pelos veterinários, embora não haja comprovação definitiva de que o fenômeno seja causado pelo parasita. De acordo com o médico veterinário Trevor Ferguson, o suicídio é um dos primeiros assuntos discutidos com os estudantes, já que a profissão tem o risco de contaminação por doenças transmitidas pelos animais, mas para ele é improvável que a doença esteja associada a essa patologia.

Nos roedores, o parasita cria um fenômeno chamado síndrome de atração fatal, que elimina o medo natural que eles têm dos gatos. Assim, eles são atacados pelos felinos, que são infectados pelo parasita: “É como se o parasita manipulasse o hospedeiro intermediário para aumentar seu poder de transmissão ao próximo hospedeiro” completa o pesquisador. E diz que os gatos são os animais de que os parasitas gostam mais, porque são a única espécie na qual eles podem fazer cópias de si mesmos. Os ovos dos parasitas ficam nas fezes dos gatos e os humanos costumam ingeri-los acidentalmente, seja manuseando a caixa de areia, seja por meio do ambiente.

Embora tenhamos que ficar em alerta, Granath diz não há razão para pânico. Tudo que precisamos fazer é limpar a caixa de areia e garantir que a carne esteja bem cozida antes de ser consumida. Donde se conclui, aduz aqui o philosopho, que as pessoas que adoram gatos não podem comer quibes crus nem o também delicioso steak tartare, o bife tártaro servido por aí.

Servir
Verbinho desgraçado é o servir, do latim servìo, is,ívi,ítum,íre 'ser ou tornar-se escravo, obedecer, sujeitar-se, servir', em nosso idioma desde o século 13. Tem um monte de acepções, uma porção de regências, serve apenas para complicar a vida de quem escreve para fora. Fujo dele, mas às vezes é difícil.

Na última investida, antes de publicar um texto encomendado com antecedência de 30 dias, pedi auxílio a um amigo professor de português, revisor das melhores publicações, autor de livros sobre a arte da escrita. Eis a lição: “A regência original era indireta: servir a, passando depois também a direta. Os bons escritores têm usado ambas. No próprio soneto de Camões o verbo está como transitivo direto: Jacó servia Labão, e logo indireto: servia ao pai. Vieira: Não são os discípulos os que servem ao mestre, e também Não são os enfermos os que servem o médico. Subtileza do idioma: O garçom serve o freguês (atende-o). O garçom serve ao freguês (atende-o, ou igualmente convém-lhe).

Por aí o caro, preclaro e paciente leitor pode perceber parte das dificuldades da escrita. Ainda outra dia, na televisão, ouvi um repórter dizer que “os jogadores proporam” em lugar de propuseram, que o administrador da fazenda de velho amigo dizia propunhetaram. Não troquei de canal porque o piloto Felipe Massa era um dos entrevistados e adoro automobilismo de competição. Entre os cavalheiros entrevistados havia um jogador de futebol chamado Souza, acho que do São Paulo e da seleção do Dunga, brasileiro de 26 anos que se expressa em bom português. Fiquei feliz de ver que nem tudo está perdido, mas continuo fugindo do verbo servir.

O mundo é uma bola
21 de dezembro: em 2012, pelo Calendário Maia, o mundo deveria ter acabado. Não acabou, mas anda perigando: basta ler os jornais. Em 235, foi eleito o papa Antero e já era o 19º da lista; em 1124, Honório II foi eleito o 164º papa. Em 1620, peregrinos do Mayflower desembarcam na costa atlântica da América do Norte a estabelecem um assentamento permanente onde hoje é a cidade de Plymouth. Em 1844, na região de Manchester, Inglaterra, os 28 tecelões de Rochdale estabelecem as bases do cooperativismo, sistema que só funciona por aqui tendo à frente um ditador. Em 2012, como vimos acima, foi o final do ciclo de 5125 anos do Calendário Maia. Hoje é o Dia do Atleta e cabe a pergunta: será que o Rio fica pronto para as Olimpíadas de 2016?

Ruminanças
“De todos os tipos de atletismo, o mais divertido é o sexual” (R. Manso Neto).

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ciência pura - Eduardo Almeida Reis

Faltam cinco dias para uma noite do Natal cheia de castanhas, horríveis rabanadas e parentes que você só encontra nessa noite, em sua maioria chatíssimos, que ninguém nos oiça


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 19/12/2014



Sem acento agudo no i, imã é o sacerdote muçulmano que dirige as preces numa mesquita. Acentuado, ímã é magneto, qualquer objeto imantado. Imã data de 1634 e ímã de 1665, sendo, portanto, muito antigos em nosso idioma.
Novidade para mim foi a notícia de que os cientistas da Universidade de Pinceton passaram meses alimentando dois grupos de ratos, um com alimentos guardados numa geladeira, outro com alimentos guardados numa geladeira “enfeitada” com vários ímãs. O objeto do estudo era ver como as radiações magnéticas dos ímãs afetavam os alimentos.

 Após rigorosos estudos clínicos constataram que os ratos alimentados com a comida irradiada pelos ímãs tinham mais 87% de risco de contrair câncer do que os ratos que consumiram alimentos da geladeira não enfeitada. A explicação seria a seguinte: os ímãs colados em qualquer eletrodoméstico ligado na tomada aumentam a força eletromagnética do campo elétrico do aparelho.

Por utilidade ou por achar que os ímãs são decorativos, muita gente põe aqueles trecos em suas geladeiras. Tenho horror àquela “decoração”, mas constatei que minha Electrolux tinha dois ímãs do gás e da água mineral em domicílio, e um da farmácia. Se for verdade a notícia que corre na internet, sugiro que o caro e preclaro leitor transfira os enfeites de sua geladeira para um armário de lata na mesmíssima cozinha, como transferi os meus.

Credenciais

Muitos embaixadores aproveitaram a passagem da senhora Rousseff por Brasília, na viagem da Bahia para a Austrália, para apresentar as respectivas credenciais. Mart Tamark, embaixador da Estônia, cavalheiro imenso e cabeludo, apresentou-se em trajes típicos estonianos: roupão preto que chega às canelas, faixa colorida na cintura, calças e sapatos pretos, camisa sem gravata com argolas no lugar dos botões e chapéu preto que deve ser um espetáculo, mas estava na sua mão esquerda. Cabeleira penteada, que lhe cobre o pescoço, aparentemente natural.

O embaixador da Mongólia deixou-se fotografar de chapéu azul redondo de aba reta ao lado da senhora Rousseff, metido num traje azul que parece batina de padre antigo, levando sua mulher, morena bonita, num traje que parece fardão da Academia Brasileira de Letras (ABL), sem aqueles ridículos ramos dourados. A embaixatriz mongol é bonitinha e a Mongólia existe: é um país sem costa marítima localizado na Ásia Oriental e Central, capital Ulan Bator, população 2.839 milhões, moeda Tugrik, faz fronteira ao norte com a Rússia e ao sul com a República Popular da China.

República parlamentarista, idioma oficial mongol, língua da família altaica, que, como sabem os leitores, é família linguística que compreende aproximadamente 60 línguas, entre vivas e desaparecidas, que são (ou foram) faladas num extenso território que vai desde a Manchúria (Nordeste da China), passando pela Mongólia, Sul da Sibéria e Ásia central, até a Turquia, e que se divide em três subfamílias: turcomana, mongólica e tungúsica. Vale notar que alguns linguistas incluem ainda na família altaica o japonês e o coreano.

Daí a pergunta que lhes faço: nossos embaixadores, quando apresentam suas credenciais nos países em que o Brasil tem representação diplomática, usam terno e gravata ou se apresentam desnudos como legítimos representantes dos povos xinguanos?

O mundo é uma bola


19 de dezembro: faltam cinco dias para uma noite do Natal cheia de castanhas, presuntos, horríveis rabanadas e parentes que você só encontra nessa noite, em sua maioria chatíssimos, que ninguém nos oiça. Em 324, Valerius Licinianus Licinius, co-imperador romano desde 308, que unificou o Império Romano do Oriente, foi derrotado por seu cunhado Constantino, o Grande, imperador do Ocidente, e condenado à morte. Assim, o cunhado se transformou em comandante supremo de todo o Império Romano, prova provada de que os cunhados podem ser muito perigosos, enquanto as cunhadinhas, com raras exceções, costumam ser da melhor palatabilidade.

Em 1154, Henrique II de Inglaterra é coroado na Abadia de Westminster. Nascido em Le Mans no ano de 1133, esticou as canelas em 1189. Também conhecido como Henrique Curtmantle, Henrique FitzEmpress ou Henrique Plantageneta, governou a Inglaterra até morrer. Casou-se com Leonor da Aquitânia e teve um monte de filhos, entre os quais Ricardo I, de Inglaterra, que conhecemos como Ricardo Coração de Leão, morto aos 41 anos em 1199, que havia tomado como esposa Berengária de Navarra. Bons tempos aqueles das Berengárias.

Em 1843, Charles Dickens publica A Christmas Carol, que ainda não li nem vou ler, mas deve ser ótimo. Em 1865, Araxá (MG) é elevada à categoria de cidade. Teve como prefeito durante muitos anos o Dr. Fausto Alvim, meu saudoso amigo, e hoje tem como juiz o Dr. Renato Z. Zupo, romancista e bom amigo. Em 1941, Hitler se torna o Supremo Comandante do Exército Alemão. Em 1971, o Clube Atlético Mineiro conquista o Campeonato Brasileiro de Futebol. Em 1990 morreu Rubem Braga, o Sabiá da Crônica. Hoje é o Dia do Orgulho Ateu.

Ruminanças

“Meteorologia: mentirologia” (Ramón Gómez de La Serna, 1888-1963).