quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MARTHA MEDEIROS - Para iniciar bem o ano

Zero Hora - 31/12/2014

Selecionei algumas frases de pessoas célebres e outras nem tanto, a fim de montar um mosaico que nos faça relaxar e refletir sobre essa aventura insana que é viver. Levantar de manhã já pode ser considerado um esporte radical, então está aí um kit de sobrevivência para nos socorrer quando estivermos ligeiramente em pânico e levando tudo a sério demais.
– Se quiser fazer Deus rir, faça planos. (aforismo iídiche)
– É preciso ter altos e baixos. De outra forma, você não saberia a diferença. Seria tudo uniforme, linha reta, como olhar para um monitor de batimentos cardíacos. E, quando rola aquela linha reta, baby, você está morto. (Keith Richards)
– Segurança não é ausência de perigo; segurança é o gerenciamento do medo. (Wendy Reid Crisp). – Sossega, porque nada há que esperar, e por isso nada que desesperar também. (Fernando Pessoa)
– Felicidade se acha é em horinhas de descuido. (Guimarães Rosa)  – As coisas boas vêm com o tempo. As melhores, de repente. (Denise Lessa)
– Tudo é saudável, menos interrogar-se constantemente sobre o sentido dos nossos atos. (E.M. Cioran) – Desconfio/dessa coisa/de pessoas do bem/e pessoas do mal/acho que só existem/as sensíveis/e as sem sal. (Josué Orsolin)
– Ninguém vale pela sua ascendência, pelo lugar onde nasceu nem pela tradição a que pertence, mas cada um vale pelo que conseguirá fazer da sua vida. (Contardo Calligaris)
– É melhor buscar a verdade do que a glória. Que humilhação ter a aprovação dos outros como objetivo. (E.M. Cioran)
– Aquele que não dispõe de dois terços do dia para si é um escravo. (Nietzsche)
– Eu gostaria de fazer um grande filme, desde que isso não atrapalhe minha reserva para o jantar. (Woody Allen) – O objetivo da psicanálise não é curar as pessoas, mas mostrar que não há nada de errado com elas. (Adam Philips)
– O custo de uma coisa é a quantidade de vida que se tem que dar em troca. (H.D. Thoreau) – Se você for sempre o guia, só vai chegar aonde já conhece. (Maria Rezende) – Um passo à frente e já não se está no mesmo lugar. (Sandra Flanzer)
– As pessoas se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam. (Pedro Maciel)
– Nunca vou entrar no céu. Minha esperança é um telão do lado de fora. (Dirceu Ferreira)


– Hoje é um bom dia para continuar insistindo. (Caio Fernando Abreu) - Desejo a todos um ano que valha o esforço de viver. (Nélida Piñon)

Novíssimos BAIANOS

Mutirão de jovens artistas recria as canções com que Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Galvão e Baby Consuelo revolucionaram a MPB. O disco duplo Tinindo e trincando reúne 30 faixas


Eduardo Tristão Girão
Estado de Minas: 31/12/2014 



O grupo Urucum regravou a canção Só se não for brasileiro nessa hora  (Marco Antônio Gonçalves/divulgação
)
O grupo Urucum regravou a canção Só se não for brasileiro nessa hora


Formado em 1969, o grupo Novos Baianos se tornou rapidamente referência central da música brasileira com álbuns importantes, sobretudo o antológico Acabou chorare (1972), que trouxe sucessos como Brasil pandeiro e Preta pretinha. O segredo da receita de Pepeu, Baby Consuelo e da trupe hippie era a mistura irreverente de rock com ritmos nacionais. Prova da relevância dessa obra, o coletivo Jardim Elétrico acaba de tirar do forno o disco duplo Tinindo e trincando, tributo que reúne 28 cantores e bandas.

Quase todos os participantes são jovens, entre nomes mais e menos conhecidos, como A Banda Mais Bonita da Cidade, Pitanga em Pé de Amora, Cícero, Marcelo Perdido, Larissa Baq, O Padre dos Balões e Thamires Tannous. Três mineiros integram o time: o grupo Urucum e os cantores e compositores César Lacerda e Thales Silva (da banda A Fase Rosa). No total, o mutirão mobilizou 120 artistas.

“Entre uma cerveja e outra com o Di Pietro, coordenador do Jardim Elétrico, pensamos num tributo aos Novos Baianos para alavancar os trabalhos do coletivo. Essa banda sempre esteve presente na minha vida e na de todo mundo. Além disso, há a ideia de coletividade, o que também tem a ver conosco. Sentimos a necessidade de ouvir versões deles, e não covers”, explica o jornalista Carlos Nascimento Jr., que trabalha com o Jardim Elétrico.

Inicialmente, a ideia era focar apenas no clássico Acabou chorare, mas, depois de ouvir toda a discografia do grupo, foi impossível não pinçar ótimas canções dos demais trabalhos. Os organizadores partiram de 50 faixas, sugerindo nomes que combinavam com cada uma. Os convites começaram a ser feitos em abril e as gravações terminaram em setembro.

A cantora carioca Guidi Vieira foi a única que fez o caminho inverso. Em vez de ser convidada, ela ofereceu ao projeto a versão de Cosmos e Damião – inédita guardada para seu disco de estreia, Temperos. “Ela ficou sabendo do nosso projeto, mandou a música e resolveu segurá-la para lançar com a gente”, comemora Nascimento. Há apenas duas instrumentais: Preta pretinha (com Eduardo Cruz) e Isabel (com Flávio Tris).

ATUALIDADE

Carlos Nascimento Jr. acredita que os Novos Baianos atraem a atenção das novas gerações porque sua obra é atual. “Eles cantam o Brasil e estamos numa fase nacionalista muito bacana no país”, afirma. Ele comemora a participação mineira no projeto. “BH é um novo polo musical. O que é feito em Minas é leve e, ao mesmo tempo, pulsante”, elogia.

O disco duplo está disponível apenas para download gratuito (www.ojardimeletrico.com.br). Desde quarta-feira, cerca de quatro mil pessoas já haviam baixado as canções. Os organizadores estudam versões reduzidas do show de estreia, realizado em novembro, que contou com 19 dos 28 participantes do CD. A ideia é promover apresentações no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Sul do país.

Cesar Lacerda diz que a importância dos Novos Baianos vai além da música (Eduardo Cantarino/divulgação)
Cesar Lacerda diz que a importância dos Novos Baianos vai além da música


Espelho contemporâneo
“Ouvia muito Novos Baianos quando era adolescente e me identificava com a estética, as letras e, principalmente, a forma como eles produziam e viviam a música. Era algo muito similar ao que vivia naquele momento com meus amigos. Ninguém ainda era músico profissional e nem ambicionava ser. A gente se encontrava para compor, tocar e criar peças de teatro. De alguma forma, nos espelhávamos no Novos Baianos”, conta Irene Bertachini, cantora do grupo Urucum, que interpretou Só se não for brasileiro.

Para o cantor e compositor César Lacerda, autor da releitura de Mistério do planeta, o modo de vida do grupo transcendia a música. “Questões como sustentabilidade e comunidade, atuais hoje, foram lançadas por eles no passado. Há algo de mais potente naquele gesto hippie”, analisa. “Como fã do João Gilberto, percebo que há uma mistura dele com a vida hippie e rock and roll naquela música. É bastante inspirador”, diz. “Aquela mistura de rock com o Brasil caiu como uma luva para mim”, revela a cantora Guidi Vieira, que gravou Cosmos e Damião.

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 (Acervo)
Novos Baianos mesclaram clássicos do cancioneiro brasileiro à estética hippie e ao rock%u2019n%u2019roll


Repertório


    DISCO 1

. TININDO
» Dê um rolê – Mariana Volker
» Linguagem do alunte – Bernardo Bravo
» Vagabundo não é fácil – Uns Zansoutros
» Colégio de Aplicação – Daniel Peixoto
» Preta pretinha – A Banda Mais Bonita da Cidade
» Tinindo trincando – Clara Valente e Mocambo
» Guria – Thales Silva
» Tangolete – O Padre dos Balões
» Mistério do planeta – César Lacerda
» A menina dança – Léo Fressato e Omelô
» Quando você chegar – Lício
» Besta é tu – Marcelo Perdido
» 29 beijos – Rodrigo Del Arc
» Preta pretinha no carnaval (1974) – Eduardo Kusdra
» Eu não procuro som – Larissa Baq

    DISCO 2

. TRINCANDO
» Swing de Campo Grande – Matheus von Krüger
» Na cadência do samba – Thamires Tannous
» Ladeira da praça – Pitanga em Pé de Amora
» Eu sou o caso deles – Cria
» Sorrir e cantar como Bahia – Daniel Andrade
» O samba da minha terra – Diogo Poças
» Sensibilidade da bossa – Camará
» Só se não for brasileiro nessa hora – Urucum
» Cosmos e Damião – Guidi Vieira
» Isabel – Flavio Tris
» Os pingos da chuva– Os Criaturas
» Acabou chorare – Cícero
» Brasil pandeiro – Leo Versolato e Fuleragem
» Com qualquer dois mil réis – Fernando Temporão
» Dê um rolê – Carlos Posada
O grupo Urucum regravou a canção Só se não for brasileiro nessa hora 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O silêncio dos políticos - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico 29/12/2014

Marina some, Dilma não explica um ministério que não caiu bem e Aécio fala o que não deve: não vamos bem de líderes        

Neste momento deveríamos, como se faz nos balanços otimistas divulgados em dezembro, afirmar que 2014 foi um "grande ano". Mas não dá para dizer isso em política. Se tomarmos os três candidatos que somaram mais de 90% dos votos válidos no primeiro turno presidencial, o que dizer? Dilma Rousseff já indicou metade do ministério, mas começa seu segundo mandato com o gabinete mais criticado desde a democratização de 1985. Nem José Sarney e Fernando Collor, que deixaram a Presidência com péssima imagem, iniciaram seus governos com ministros mais contestados do que os de Dilma 2015. Do lado da oposição, as coisas não vão melhor. No dia mesmo da diplomação da candidata eleita, o PSDB pediu a anulação dos sufrágios de quem não votou em Aécio - o que só não será ridículo se for o preparativo para um golpe judiciário. Finalmente, Marina Silva repete o que fez (ou não fez) na eleição anterior, isto é, em vez de fazer crescer o número notável de seus eleitores, um quinto da população brasileira, some.

Se os três principais candidatos conseguem se afastar tanto do que seria uma atuação política consequente, como querer que o eleitorado goste da política? Como querer, a situação, que ele defenda o governo? Como querer, a oposição, que ele se mobilize para cobrar mudanças de rumo? Claro, nesta altura cada um procura defender seu candidato. Os tucanos dirão que o pedido insensato de cassação dos votos não tucanos foi só uma formalidade.

Esquecerão que o próprio Tribunal Superior Eleitoral, que em 2008 cassou os governadores do Maranhão (do PDT) e da Paraíba (do PSDB), substituindo-os pelos candidatos rejeitados pelo povo, na página mais escura da democracia brasileira, se envergonhou disso e desde então evita ofender a essência da democracia, que é respeitar a vontade do povo expressa pela maioria. (De todo modo, seu julgamento de 2008 deu sobrevida de seis anos ao clã Sarney, até que o eleitorado maranhense o derrotou este ano, pela segunda vez). O mínimo a dizer, que já é grave, é que com o recurso-tapetão o PSDB tentou o "se colar, colou".

No caso de Marina, quatro anos atrás ela teve o apoio só do Partido Verde, que nunca se consolidou no país, não passando às vezes de linha auxiliar do PSDB. A Rede Sustentabilidade é mais forte do que era ou é o PV. Mesmo assim, ao terminar a segunda eleição em que Marina obtém a mesma (alta) porcentagem de votos, a líder sai de cena ao findar a contagem. De novo, cede ao PSDB o papel de oposição - e isso num momento crucial, em que deveria fidelizar os eleitores que mobilizou. Duas vezes, Marina conseguiu um resultado eleitoral notável: com pequena estrutura partidária e pouco tempo na televisão, falou ao idealismo, ao desejo de mudança da sociedade. Lavrou em campo parecido ao do jovem PT.


Os finalistas de 2015 nada dizem ao povo

Parece provável que seu sonho seja o de retomar a trajetória de Lula, valendo-se inclusive de uma história de vida com elementos semelhantes à dele - a origem pobre, a garra, o carisma, a vontade de retirar o país de uma opção entre dois polos talvez superados. Mas, quando perde, entra no vazio.

Só que na política, como se sabe, qualquer vácuo é prontamente ocupado.

Na verdade, as mulheres que disputaram a Presidência com chances de se eleger optaram agora pelo silêncio. Marina, derrotada, não procurou manter, nas semanas cruciais após o segundo turno, um lugar na esperança política brasileira. Ela até podia ter apoiado Aécio (embora eu veja nesse apoio um erro político), mas como - para a Rede - ele só era a opção conjuntural por um mal menor, Marina e os seus deveriam logo depois da eleição retomar a bandeira da terceira via. Não o fizeram.

Marina se cala, mas Dilma, vitoriosa, não fala. Poderia e deveria ter-se explicado aos eleitores. Vejo muitos simpatizantes de Dilma se sentindo obrigados a encontrar, eles próprios, as razões (dela) para nomear um ministério que não os entusiasma. Chega a ser tocante o esforço de alguns para explicar as nomeações - a busca de uma base sólida no Congresso, o apelo a políticos testados nos Executivos estaduais. Tocante, porque esse deveria ser o trabalho da eleita e de seus colaboradores próximos. Ela mesma deveria esclarecer de público por que escolheu uma equipe econômica como esta, e por que, na metade do ministério até agora anunciada, o realismo prevalece sobre o idealismo. Não é impossível explicar isso, mas é preciso fazê-lo. Esse trabalho, um líder não terceiriza.

Se Marina erra por ter cessado a pregação logo no momento de derrota, que é quando se fortalecem os ânimos para construir o futuro, e Dilma por considerar a vitória como dada, isso depois de vencer nas urnas mas com sérias feridas junto à opinião pública, do outro lado Aécio fala demais. As mulheres se calam, o homem fala. O problema é que ele só fala a radicalização. O risco é falar sem dizer.

O melhor sinal de que Aécio erra por excesso está numa conversa de que ele nem fez parte, mas que ilustra um exagero oposicionista: quando Miriam Leitão questionou Alckmin por chamar Dilma de "presidenta" e o governador respondeu que trata as pessoas como elas preferem. Uma resposta de mera educação, prosaica até, mas que devolve a política ao chão. Seria preciso levar a birra política a ponto de brigar até por nomes, assunto menor mas que se tornou pomo de discórdia? Talvez as duas formas de fala, a comedida de Alckmin e a exaltada de Aécio, anunciem a disputa interna no PSDB pela indicação para 2018.

Mas, neste momento, o que precisamos é que os três principais políticos que disputaram a Presidência falem ao povo - e lhe digam algo importante.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

 E-mail rjanine@usp.br

Alvíssaras - Eduardo Almeida Reis

Alvíssaras "Homicídios, estupros e outros crimes são inconhos da espécie humana, nasceram pegados à nossa espécie, que deve ter cerca de 200 mil anos"


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 29/12/2014



Eta semana que começa bem para quem não gosta de trabalhar. Quarta-feira temos réveillon, quinta-feira é o dia 1º de 2015, sexta-feira é dia de descansar da farra, sábado e domingo continuam sendo sábado e domingo. O país é rico, faz parte dos Brics, um gerente da Petrobras economiza 100 milhões de dólares, mora na Joatinga, bairro classe AAA do Rio, enquanto os donos das maiores empreiteiras, coitados, têm R$ 0,00 em suas contas bancárias bloqueadas pela Operação Lava-Jato, que tem hífen como aprendi no programa de Maria Beltrão.

Ano que vem, se conseguir patrocínio, pretendo lançar o Prêmio Edadicilbup, publicidade ao contrário, para laurear as agências que se destacarem no processo de avacalhação da outrora brilhante propaganda brasileira.

Presumo que o leitor já tenha visto aquele comercial da Caixa com figuras grotescas, gordinhas, num campo de futebol chutando moedas de 1 real. Que é aquilo? Qual é a graça? Que mensagem transmite ao público-alvo? Existe público-alvo para aquele pavor veiculado exaustivamente numa porção de canais de tevê?

Além do prêmio, os gênios que inventaram os tais comerciais merecem a Medalha Edadicilbup: brasileiro adora medalha, comenda, colar, condecoração, qualquer coisa do gênero. É fenômeno que não consigo entender: sentir-se honrado com uma condecoração que já foi outorgada a todos os bandidos brasileiros. Meu saudoso amigo e confrade Murilo Badaró, que podia indicar como presidente da Academia Mineira de Letras alguns nomes para a Medalha da Inconfidência, certa vez me disse: “Eduardo, vi que você não tem a Medalha da Inconfidência. Vou indicar o seu nome”.

Respondi: “Por favor, presidente, não faça isso. Se você fizer vou ser obrigado a explicar pelo jornal os motivos pelos quais não aceito a indicação”. Ainda agora, em novembro de 2014, ficamos sabendo que o Ministério Público Federal cobrou do comandante do Exército, general Enzo Peri, a cassação das medalhas concedidas pela Força a cinco dos condenados no processo do Mensalão. Condenados e presos, vale notar, pelo Supremo Tribunal Federal.

Os ex-deputados José Genoíno (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ) receberam nos últimos anos a Medalha do Pacificador. E José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, foi agraciado como Grande Oficial da Ordem do Mérito Militar. Por aí dá para sentir o tamanho da desmoralização do Exército, do Pacificador, do Mérito Militar, achincalhe que também se vê nas demais condecorações civis ou militares. Se há brasileiros ilustres, a maioria dos agraciados é a fina flor da bandidagem.

Ladroeira
É dos mais originais o argumento petista para justificar sua roubalheira na Petrobras: a corrupção sempre existiu. Não é verdade. O ato ou efeito de subornar uma ou mais pessoas em causa própria ou alheia, geralmente com oferecimento de dinheiro, o suborno dos dirigentes de uma estatal pressupõe a existência da empresa. A Petrobrás (com acento) foi criada em outubro de 1953.

Homicídios, estupros e outros crimes são inconhos da espécie humana, nasceram pegados à nossa espécie, que deve ter cerca de 200 mil anos. Há quem diga que o “homem moderno” data de 50 mil anos, mas ainda hoje há diversos tipos de modernidades modernosas ou não.

Na verdade, homicídio só passou a ser crime depois que foi enquadrado como tal: nullum crimen sine lege, não há crime sem lei – é imprescindível que a conduta delituosa tenha sido definida como tal pelo Estado. Jean de Léry, jovem sapateiro e seminarista, acompanhou missão francesa ao Brasil ali por volta de 1556. Convidado por alguns silvícolas, disse ter participado de um churrasco de carne humana, que não era crime entre os nossos irmãos indígenas. Outro dia, como vimos no noticiário, os três canibais de Garanhuns, PE, foram condenados a 16 ou 17 anos de reclusão só porque mataram e comeram uma jovem de 17 aninhos: o consumo de alimento proteico virou crime.

Consola-nos saber que em pouquíssimo tempo a trinca estará solta por “bom comportamento”, em condições de matar e comer outras pessoas. Valdemar Costa Neto já está em casa festejando a gravidez de sua nova companheira. Se for menino, o Brasil vibrará com o nascimento de Valdemar Costa Bisneto, que uma linhagem como a dos Costas merece preservação e louvor.

 O primeiro Ali Babá, personagem fictício baseado na literatura da Arábia pré-islâmica, só tinha 40 ladrões, enquanto o moderno Ali Babá, nascido pertinho de Garanhuns, PE, tem centenas, milhares de operosos colaboradores, que não se acanham de recorrer ao homicídio, como no episódio do prefeito Celso Daniel “retirado” de um carro blindado dirigido por um comparsa apelidado Sombra.

O mundo é uma bola
29 de dezembro de 1482: a Ilha do Pico é integrada à capitania do Faial, data importantíssima porque foi na Ilha do Pico que nasceu, alguns séculos depois, o advogado Artur Tavares Bettencourt, açoriano de velha e boa cepa, que emigrou menino para o Brasil, foi juiz de direito e hoje advoga em Pouso Alegre, Minas Gerais.

Em 1891, Thomas Edison patenteia o rádio. Em 1992, Fernando A. Collor de Mello renuncia à Presidência do Brasil.

Ruminanças
“Nada é mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem” (Nelson Rodrigues, 1912-1980).