quarta-feira, 8 de maio de 2013

Tv Paga


Estado de Minas: 08/05/2013 


 Humor no GNT

O canal GNT não está para brincadeira. Depois de Copa Hotel e As canalhas, a emissora vem com mais duas produções nacionais hoje. Às 22h30 estreia 3 Teresas, com três gerações de mulheres de uma mesma família e um nome em comum, interpretadas por Denise Fraga, Claudia Mello e Manoela Aliperti. Às 23h é a vez de Surtadas na yoga, com Fernanda Young (foto)
à frente do elenco e dividindo a autoria do texto com Alexandre Machado.

Famosos encaram suas  histórias de fantasmas
Mais conhecido como o playboy Daniel Meade da série Ugly Betty, o ator Eric Mabius é o convidado do episódio de estreia de Assombrações dos famosos, hoje, às 21h, no canal Bio. A produção entrevista celebridades que foram assombradas por entidades paranormais sob um ângulo totalmente diferente. No caso de Mabius, ele volta à cidade de Allaire, em Nova Jersey, para confrontar um fantasma que viu quando era menino.

Vivendo com o inimigo emplaca mais um ano
O canal A&E estreia hoje, às 22h, a nova temporada de Vivendo com o inimigo, com uma maratona de quatro episódios em que os especialistas Laura Baron, Mel Robbins e Tom Kersting colocam os envolvidos em conflitos familiares sob o mesmo teto e os fazem falar sobre suas emoções mais profundas.

O sonho dos surfistas é pegar onda em Pipeline
Atração desta noite, às 23h, no canal Off, o documentário The arena: North Shore retrata os bastidores e a preparação de jovens surfistas que sonham em ser um dia os melhores do mundo. O desafio é ser
aceito em North Shore, no Havaí, e enfrentar as temidas ondas de Pipeline.

SescTV relata a evolução do design gráfico no país
No SescTV, hoje é dia de Artes visuais, às 21h30. O documentário da vez é Linha do tempo do design gráfico no Brasil – Parte I, que mostra a evolução do design gráfico desde os tempos do Império, com depoimento do professor e designer Chico Homem de Melo.

Os homens nunca saem  da cozinha do Fox Life
A Fox Life emenda esta noite, a partir das 22h, dois episódios de Kitchen nightmares sobre a aventura do australiano Alan Saffron e seu restaurante Burger Kitchen. Na sequência, às 23h30, mais dois episódios de Homens gourmet, com as receitas de involtini de acelga, salmão recheado e truques de boteco; sweet chilli salmão, focaccia com carpaccio e taça cayman.

Programação de filmes  vai do drama ao terror
No pacote de filmes, o destaque é o drama Padre nuestro, do argentino Christopher Zalla, às 22h, na Mostra Internacional de Cinema na Cultura. No mesmo horário, o assinante tem mais 10 opções: Battleship – A batalha dos mares, no Telecine Pipoca; Ganhar ou ganhar – A vida é um jogo, no Telecine Touch; Amistad, no Universal; Rosas da sedução, no Glitz; O espetacular Homem-Aranha, na HBO; O ritual, na HBO HD; Bastidores de um casamento, na HBO 2; A rede social, no Max HD; Hanna, no Max Prime; e Zoolander, no Studio Universal. Outras atrações da programação: Casa de areia e névoa, às 21h, no Cinemax; As horas, às 21h30, no Arte 1; Um tira muito suspeito, às 22h30, no Comedy Central; e 30 dias de escuridão, também às 22h30, no AXN.

Frei Betto - Navegar é preciso‏

Em vez da Disneylândia, mais sábio seria levar os filhos à floresta amazônica, dando-lhes educação ambiental 


Frei Betto

Estado de Minas: 08/05/2013 

Fiz uma viagem literária pelo Rio Negro na primeira semana de maio. Uma centena de pessoas lotou o navio Iberostar para conversar sobre literatura com os escritores Affonso Romano de Sant’Anna, Marina Colasanti, CadãoVolpato (que fez ali o lançamento de seu primeiro romance, Pessoas que passam pelos sonhos, editado pela Cosac Naify), Xico Sá e eu. A atriz Clarice Niskier nos apresentou uma leitura dramática de sua próxima peça, A lista, monólogo de autoria da canadense Jennifer Tremblay. A banda Projeto Coisa Fina animou nossas noites e nos ofereceu um verdadeiro concerto em homenagem ao músico pernambucano Moacir Santos (1926–2006), radicado nos EUA, e cujo repertório influenciou compositores como Tom Jobim.

Em suas duas primeiras edições, o projeto Navegar É Preciso, promovido pela Livraria da Vila, de São Paulo, levou ao Rio Negro os escritores José Eduardo Agualusa, Laurentino Gomes, Ignácio de Loyola Brandão, Cristovão Tezza, Mary del Priore, Ilan Brenmam, Walter Hugo Mãe e Milton Bonder. Navegamos quase 200 quilômetros. Nosso ponto de retorno foi Novo Airão, município ribeirinho de 6 mil habitantes. A cidade de Velho Airão, invadida por formigas, sucumbiu à voraz agressão desses insetos. Nossa embarcação, de 95 camarotes distribuídos em quatro andares, deslizava pelo rio de águas escuras, ácidas, desprovidas de mosquitos. A decomposição dos vegetais no leito rico em magnésio, potássio e ferro impede que as larvas se proliferem. Nesta época do ano o rio sobe de oito a 10 metros (no ano passado, excepcionalmente chegou a 17 metros), ampliando os igarapés e inundando a mata de igapós.

Em geral, os igapós são fechados no alto pela copa das árvores, deixando a impressão de claustros aquáticos. Em suas águas se abriga o poraquê, também chamado de enguia-elétrica, que emite descarga de eletricidade de 300 a 1.500 volts, dependendo do tamanho. Com esse recurso, ele derruba os frutos das árvores que tremulam sob o efeito do choque, garantindo-lhe alimentação. No interior dos igapós é costume se deparar com a majestosa macucu-do-rio-negro, imponente árvore que se sobressai por seu tronco plissado. Índios e ribeirinhos apreciam a carapanaúba, árvore cuja casca, rica em quinino, tem propriedades cicatrizantes e da qual se faz o chá que reduz os efeitos da malária e da febre amarela. Provamos a seiva branca, leitosa, da sorva, que serve de matéria-prima ao chicletes e, na falta de leite materno, é utilizada para alimentar o bebê. Já o cipó da piranheira aplaca, na falta de cigarros, o vício dos ribeirinhos. O curare, abundante na região, é um poderoso anestésico, utilizado também pelos índios, em suas zarabatanas, para imobilizar caças e facilitar a captura. Já a matamatá é uma árvore cuja fibra resistente se usa no artesanato local e para amarrar caibros de casas.

Os passeios de barcas nos permitiram atracar nas margens do Rio Negro, caminhar pelas trilhas da floresta e conhecer a tapiba, árvore que, após leve tapa em seu tronco, solta milhares de microscópicas formigas que, esmagadas na pele, imprimem um odor que serve de repelente para que índios e caboclos se protejam de insetos e peçonhas. No leito do rio apreciamos o espetáculo dos botos-vermelhos, quase sempre em duplas, arqueando sobre as águas. São eles os principais predadores das piranhas, frequentes na região. Um boto chega a consumir por dia de 10 a 15 quilos desses peixinhos de dentes afiadíssimos e apetite de vampiro. Do navio desfrutamos cenários esplendorosos, como o nascer e o pôr do sol na Floresta Amazônica e, próximo a Manaus, o encontro das águas, quando os rios Negro e Solimões mesclam aos poucos seus leitos negro e barrento e se juntam para formar o Amazonas.

Mais do que literatura, a viagem nos propiciou um contato direto com a mais importante floresta tropical do mundo, que comporta 12% da água potável do planeta e abriga uma biodiversidade de três mil espécies vegetais e animais por quilômetro quadrado. Ao som da música da banda Coisa Fina, enquanto bebíamos sucos de cupuaçu, açaí e graviola, à espera de refeições fartas em tucunaré e pirarucu, comentamos como seria importante descolonizar a cabeça dos brasileiros de classes média e rica. Em vez de levar filhos e netos à Disneylândia, incutindo-lhes o consumismo, melhor e mais sábio seria levá-los à Floresta Amazônica, ao Pantanal Mato-Grossense, à Chapada dos Veadeiros, de modo a educá-los no senso de preservação ambiental, respeito aos povos indígenas e ribeirinhos e amor ao Brasil.

FERNANDO BRANT » A lição do juiz poeta‏

Tudo se resolve na conversa e os poderes estão dialogando


Estado de Minas: 08/05/2013 


Na tevê, o jornalista quer saber de Carlos Ayres Britto, ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, qual a sua opinião sobre o propagado conflito entre o Congresso e o Supremo. Com sua tranquila serenidade, que os brasileiros atentos já se acostumaram a admirar, ele joga toalha fria nos que apostam em confronto.

Tudo se resolve na conversa e os poderes estão dialogando. Suas intervenções, no programa exibido pelo canal a cabo no sábado, sempre esclarecem didaticamente. Não há como não entender sua explanação objetiva. Bebi com prazer suas palavras sobre a diferença entre a Assembleia Nacional Constituinte, que mais do que a voz do povo é a voz da nação, esse ente superior que congrega todos e é a mais alta manifestação institucional de todos os brasileiros.


O Congresso, o Executivo e o Supremo são poderes constituídos e portanto têm de se submeter à vontade maior expressa por quem os constituiu, a Assembleia Constituinte, por meio da Constituição, que é fruto do desejo da nação. A Constituição une o passado, o presente e o futuro, molda o rumo do país. Por ser originária, ela dita o que a nação quer, impõe limites à atuação dos poderes dela derivados.


Dessa forma, o Congresso pode muito, mas não pode tudo. Ele, poder constituído, pode revisar e emendar muita coisa que está escrita na Constituição, mas não pode nem pensar em tocar no que o constituinte original estabeleceu como definitivo. É o que ocorre com o que há de mais sagrado e belo em nossa bíblia jurídica, o capítulo 5º, dos direitos e garantias fundamentais. É ali que estamos todos abrigados contra todas as tentativas autoritárias e desumanas das autoridades. É arma do cidadão contra os abusos.


O parágrafo 4º do artigo 60 diz de forma explícita que “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir... os direitos e garantias individuais”. Muitos congressistas passam a impressão de que não leram, não entenderam ou fingem não compreender o livro da cidadania e da nação.


Mas o professor, poeta e juiz Ayres Britto, na vida comum, continua ministrando ensinamentos necessários. E escrevendo coisas belas, tais como: “Minhas rugas vão aumentando para que minhas rusgas diminuam; sentei-me no topo do sorriso de um guri e foi como sentar para ver Michelangelo esculpindo o seu Davi; meu baú de guardar mágoas tem o fundo aberto; nosso olhar é sábio: só prende em sua retina o que foge da rotina; o movimento dos quadris daquela moça condena tudo o mais ao desolhar; não quero ser melhor do que os outros, quero é ser melhor do que antes; minhas tristezas eu trato de esquecer o quanto ontem; a lua é a coisa mais linda que Deus não botou na face da Terra”.
Belezas do juiz e do poeta.

Beba Tom Zé-Carolina Braga‏

O cantor baiano se une a jovens músicos de diferentes bandas e lança na internet o álbum O tribunal do feicebuque. Artista aposta na renovação como saída para a música brasileira 

Carolina Braga

Estado de Minas: 08/05/2013 




Tom Zé em meio aos parceiros do novo disco, integrantes dos grupos O Terno, Trupe Chá de Boldo e Filarmônica de Pasárgada


É certo que Tom Zé nunca foi das figuras mais tranquilas. Ainda bem que nem a idade tem feito o baiano de Irará diminuir o ritmo. Aos 77 anos, ao que consta, a casa do artista tem andado bastante cheia de colegas em início de carreira. Em sua própria definição: “Polvorosa”. “Parece quando eu era criança, que tinha lavagem da igreja de tarde, festa no clube de noite. A gente mal conseguia respirar. Estou nesse ritmo por causa desses jovens. Está uma agitação”, conta.

Não é só Tom Zé quem vem colocando em prática projetos em ritmo invejável. O contemporâneo de Tropicália Caetano, por exemplo, também anda esbanjando vitalidade e novidades, vide recente passagem por Belo Horizonte com o show Abraçaço. Gilberto Gil, por sua vez, conjugou banda e orquestra no retrospecto que faz da própria carreira Brasil afora. Cada um em seu estilo, o trio tem procurado se associar a bandas ou projetos ligados a jovens artistas.


O guitarrista Bem Gil, de 26 anos, integra o conjunto do pai ao lado do experiente Jacques Morelembaum e os efeitos eletrônicos de Eduardo Manso. Veloso e sua banda Cê provam estar cada vez mais azeitados. Tom Zé anda cercado pelo rapper Emicida, as bandas O Terno e Trupe Chá de Boldo, o músico Tatá Aeroplano e a Filarmônica de Pasárgada. Os tropicalistas dão sinais que se associar aos mais novos tem sido um bom antídoto para evitar a zona de conforto.


“Ou você aprende com o jovem ou está perdido. Não tenha dúvida”, reforça Tom Zé. O artista não tem mesmo por que duvidar disso. Nos dois últimos projetos – tanto o disco Tropicália lixo lógico quanto o recente Tribunal do feicebuque – não economizou nas parcerias. Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, Pélico e Washington são outros nomes com os quais andou criando. “Cada pessoa tem uma espécie de quintal onde ele tem um material que costuma usar. De repente, encontra outro que usa materiais e timbres diferentes, que vai para regiões distintas da experimentação”, explica.


Tribunal do feicebuque, composição de Marcelo Segreto, Gustavo Galo, Tatá Aeroplano e Emicida, deixa isso claro. O EP começa com o som que o Windows executa ao ser iniciado. “Tudo isso veio como apodo da linguagem, dos meninos. Como adereços”, continua Tom Zé. O álbum também tem samplers de propagandas antigas, em inglês, incorporadas à faixa Taí, gravada em 1977 para um comercial de guaraná. “Quando ouvi, pensei, ‘onde esses meninos arranjaram isso?’. É formidável”, elogia.


Quando pensa no modo como vem criando ultimamente, Tom Zé brinca dizendo ter a impressão de viver uma espécie de ficção científica. Tribunal do feicebuque nasceu como uma resposta do músico à variada repercussão nas redes sociais sobre a participação dele na locução de uma propaganda da Coca-Cola. A enxurrada de críticas paralisou Tom Zé.


“Estava naquele contrapasso em que você vai tomar impulso para reagir a um argumento contrário. São os argumentos contrários que botam a vida pra frente. Se eles não aparecessem você estaria morto”, diz. Foi uma sugestão do jornalista Marcus Preto que Tom Zé respondesse com música. Rapidamente as novas parcerias estavam montadas e a casa cheia em ação. O disco foi liberado para download gratuito no início de abril, no site www.tomze.com.br.

Filarmônica Integrante da Filarmônica de Pasárgada, Marcelo Segreto conhecia a obra de Tom Zé, não a pessoa. Ele estudou a fundo as composições dele para elaborar Estudando Tom Zé, uma peça a ser tocada pela filarmônica. Quando recebeu o telefonema com o convite, imediatamente se pôs a escrever sobre a polêmica. Ou melhor, se pôs a serviço do veterano.
“Ele é um cara muito inventivo e na gravação às vezes mudava uma letra segundos antes de gravá-la”, conta. O primeiro “dever de casa” repassado por Tom Zé foi um pacote com todas as mensagens negativas e positivas. Daí saíram expressões presentes na letra: “Tom Zé mané/ seu americanizado/ Quer bancar Carmen Miranda/ Tio Sam baixou em Sampa”. Os “meninos” surpreenderam Tom Zé.


Se a efervescência criativa fez com que ele se lembrasse dos tempos do tropicalismo, o modo como compõe avançou bastante. “Naquela época, tomava o táxi depois do almoço, porque era a hora que Caetano acordava, para mostrar o que tinha feito”, recorda. Hoje, vozes e bases transitam por e-mail. “É um tipo de diálogo que parece ficção científica. Parece que estamos brincando, principalmente eu, que nasci na Idade Média.”


O senso lúdico é evidente também no conteúdo. Sobram humor e ironia nas letras, nos arranjos e nas interpretações desse inusitado tribunal, que tira onda até com o recém-eleito papa Francisco (“E na cerimônia do beija-pé/ Papa Francisco perdoa Tom Zé/ No feicebuqui da Santa Sé/ Papa Francisco perdoa Tom Zé”). Quando analisa a própria carreira, Tom Zé reconhece que essa é uma marca dele. “Talvez isso tenha sido a coisa mais positiva do meu caráter”, reflete.


Para o músico e compositor, um dos diferenciais da geração de músicos que beira os 30 anos é que eles se formam naquilo que têm interesse. Graduado em música pela Universidade Federal da Bahia, ele se diz uma exceção: “Por acaso fui parar numa universidade, por acaso me formei em música com idade avançada”, recorda. “O Tom Zé é difícil de ser definido. Sabe fazer o convencional e o experimental”, elogia Marcelo Segreto.


Com elogios trocados, é de se deduzir que a parceria não só deu certo como terá continuidade. Além das cinco faixas disponibilizadas para download gratuito no site do artista, outras composições estão sendo finalizadas. As novas músicas vão integrar o disco cheio e o vinil, que devem ser lançados ainda esse ano.


A julgar pela empolgação de Tom Zé, a lógica da carreira dele agora é essa: reinvenção constante e coletiva. “O Ezra Pound disse que quando a poesia de um país começa a enfraquecer, o país vai perder o governo sobre si mesmo. Como a música no Brasil é muito importante, é o caso de dizer que as próximas gerações não vão ter problemas”, garante.



Saudade

A última vez que Tom Zé tocou em um palco de BH foi durante o Natura Musical, em junho do ano passado. Como depois disso lançou Tropicália lixo lógico e agora Tribunal do feicebuque, sente que está na hora de voltar. “Diga aos produtores de Minas que vou colocar meus pais de santo atrás deles”, avisa em tom de brincadeira.