quarta-feira, 15 de maio de 2013

tv paga


Estado de Minas: 15/05/2013 
Terror à moda sueca

O diretor de arte Cássio Amarante é o convidado para comentar o longa Deixa ela entrar, em cartaz hoje, às 22h45, na Mostra Internacional de Cinema, na TV Cultura. A produção é sueca, dirigida por Tomas Alfredson, e conta a história de Oskar, um solitário garoto de 12 anos, que faz amizade com Eli, a nova e muito estranha vizinha. A partir daí começa a ocorrer uma série de assassinatos macabros, em que o sangue das vítimas é retirado.


Muitas alternativas
no pacote de filmes

Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: À beira do abismo, no Telecine Premium; O amor custa caro, no Telecine Touch; Perfume de mulher, no Glitz; Os produtores, no Sony Spin; Fúria em duas rodas, na TNT; Sob o domínio do medo, na HBO HD; O mundo imaginário do dr. Parnassus, no Max HD; e Um sonho de liberdade, no TCM. Outras atrações da programação: Mãe e filha, às 21h30, no Arte 1; Pearl Harbor, às 21h50, no Megapix; Extermínio 2, às 22h30, na Fox; Minha noiva é uma extraterrestre, também às 22h30, no Comedy Central;
e Segundas intenções,
às 23h, no Universal.

De que adianta ser
rico se falta charme?

O canal Glitz estreia esta noite, às 21h, a sexta temporada de Millionaire matchmaker. Na produção, por uma boa quantia, Patti Stanger pode transformar qualquer milionário em um partido encantador – com a ajuda da sua equipe de estilistas, terapeutas e especialistas em relacionamento.
E depois reclamam
quando zoam a sogra

Outra série que estreia temporada esta noite é Vivendo com inimigo, com episódio duplo, a partir das 22h, no A&E. Os especialistas Laura Baron, Mel Robbins e Tom Kersting colocam os envolvidos em conflitos familiares sob o mesmo teto e os fazem falar sobre suas emoções. Para começar, Sheena e o marido, Dustin, vão morar com a mãe dela depois que um furacão destruiu a casa deles, mas o clima não fica nada bom. Depois, outra sogra inferniza um casal, mas neste caso o motivo da fúria é a nora.

Tem gente que faz
loucuras por vaidade

O Nat Geo da sequência à série Tabu, às 22h15, com a exibição do episódio “Colecionadores extremos”, que mostra intervenções cirúrgicas, rotinas de cuidados extremos e práticas que colocam a vida em risco. Quando a beleza leva à busca desesperada por impedir a passagem do tempo, uma transformação que desafia os limites biológicos
ou o desejo de perfeição além do risco e da dor, podem tornar-se tabus. 

FERNANDO BRANT » O lugar de ser inútil‏

"Sujeito encantador e não folclórico, ciente da felicidade de ter comprado para si o ócio" 


Estado de Minas: 15/05/2013 

Fernando Pessoa disse que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.” Manoel de Barros diz que o poeta é um vidente, vê coisas que não existem. Poeta é o sujeito que inventa. Com sua caligrafia miúda, todos os dias ele se fecha no lugar de ser inútil, seu escritoriozinho de escrever poesia. Há mais de 50 anos ele se ocupa de construir inutilidades como o abridor de amanhecer e o esticador de horizonte.

Devo ao meu amigo Paulo Vilara, que nos anos 1970 morou em Campo Grande, a descoberta desse poeta deslumbrante. Ele me enviou três livros do fenômeno, desconhecido para mim e quase todos ao redor. Li os exemplares e os levei ao Suplemento Literário do Minas Gerais, que voltara a ser comandado pelo nosso Murilo Rubião.

Uma ótima matéria foi publicada e só recuperei os meus livrinhos décadas depois. Paulinho Assunção e sua mulher tinham se apaixonado por eles. Guardaram bem guardados em seus corações e só quando a obra se espalhou pelas livrarias eles me devolveram com delicada mensagem. Um pouco depois, Millôr Fernandes, em seu Pif Paf, revelava ao Brasil a maravilha de poesia que havia descoberto. A partir daí, o fechado meio cultural se abriu para o inquestionável.

Lembro esses fatos porque assisti, esta semana, ao DVD Só dez por cento é mentira, uma beleza que recomendo a todas as pessoas sensíveis que me leem. Manoel foge de entrevistas, por se sentir uma pessoa letral e não oral: a palavra oral não dá rascunho. Mas ele se comoveu com os jovens que sonhavam gravar um vídeo sobre ele e resolveu falar: “Tragam suas máquinas amanhã e eu respondo o que achar que devo”.

É comovente ouvir o que ele diz além dos livros. Sujeito encantador e não folclórico, ciente da felicidade de ter comprado para si o ócio. “Há varias maneiras sérias de não dizer nada. Mas só a poesia é verdadeira. Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira”. Daí o nome do DVD.

Para ele, o mestre inspirador foi Chaplin, que inventou o herói vagabundo. “Charles Chaplin monumentou os vagabundos”. Ou: “Só as coisas rasteiras me celestam. As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis, elas desejam ser vistas de azul”.

Que lugar a poesia ocupa em sua vida?, perguntam-lhe. “Todos os lugares. Não sei fazer mais nada. Quer dizer: sei abrir porta, puxar válvula, apontar lápis, comprar pão às seis da tarde, essas coisas.”

Segundo ele, o olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê. É preciso trasver. “O tempo só anda de ida. A gente nasce cresce amadurece envelhece e morre. Para não morrer é preciso amarrar o tempo no poste. Eis a ciência da poesia: amarrar o tempo no poste.”

Frei Betto -Médicos de Cuba?‏

Ninguém é contra submeter a exames de revalidação os profissionais cubanos que vierem para o Brasil

Frei Betto

Estado de Minas: 15/05/2013

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está indignado diante do anúncio da presidente Dilma de que o governo trará 6 mil médicos de Cuba, e outros tantos de Portugal e Espanha, para atuarem em municípios carentes de profissionais da saúde. Por que aqui a grita se restringe aos médicos cubanos? Detalhe: 40% dos médicos do Reino Unido são estrangeiros.

Também em Portugal e Espanha há, como em qualquer país, médicos de nível técnico sofrível. A Espanha dispõe do 7º melhor sistema de saúde do mundo, e Portugal do 12º. Em terras lusitanas, 10% dos médicos são estrangeiros, inclusive cubanos, importados desde 2009. Submetidos a exames, a maioria obteve aprovação, o que levou o governo português a renovar a parceria em 2012.

Ninguém é contra o CFM submeter médicos cubanos a exames (Revalida), como deve ocorrer com os brasileiros, muitos formados por faculdades particulares que funcionam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis. O CFM reclama da suposta validação automática dos diplomas dos médicos cubanos. Em nenhum momento isso foi defendido pelo governo. O ministro Padilha, da Saúde, deixou claro que pretende seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissionais.

A opinião do CFM importa menos que a dos habitantes do interior e das periferias de nosso país que tanto necessitam de cuidados médicos. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre a demografia médica no Brasil, demonstram que em 2011 o Brasil dispunha de 1,8 médico para cada 1 mil habitantes. Temos de esperar até 2021 para que o índice chegue a 2,5/1 mil. Segundo projeções, só em 2050 teremos 4,3/1 mil. Hoje, Cuba dispõe de 6,4 médicos por cada 1 mil habitantes. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3/1 mil, índice que o Brasil só alcançará em 2031.

Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na Região Norte. O governo federal se empenha em melhorar essa distribuição de profissionais da saúde por meio do Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica (Provab), oferecendo salário inicial de R$ 8 mil e pontos de progressão na carreira, para incentivá-los a prestar serviços de atenção primária à população de 1.407 municípios brasileiros. Mais de 4 mil médicos já aderiram. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) propõe que médicos formados em universidades públicas, pagas com o seu, o meu, o nosso dinheiro, trabalhem dois anos em áreas carentes para que seus registros profissionais sejam reconhecidos.

Se a medicina cubana é de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices bem melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos EUA? O Brasil, antes de reclamar de medidas que beneficiam a população mais pobre, deveria se olhar no espelho. No ranking da OMS (dados de 2011), o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar!

Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura? Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento causado pelo terremoto de 2010. Enquanto o Brasil enviou tropas, Cuba remeteu médicos treinados para atuar em condições precárias e situações de emergência.

Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose e malária, diarreia e desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas preventivas, como cuidados de higiene. O prestigioso New England Journal of Medicine, na edição de 24 de janeiro deste ano, elogiou a medicina cubana, que alcança as maiores taxas de vacinação do mundo, “porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão.

Por que o CFM nunca reclamou do excelente serviço prestado no Brasil pela Pastoral da Criança, embora ela disponha de poucos recursos e improvise a formação de mães que atendem a infância? A resposta é simples: é bom para uma medicina cada vez mais mercantilizada, voltada mais ao lucro que à saúde, contar com o trabalho altruísta da Pastoral da Criança. O temor é encarar a competência de médicos estrangeiros.

Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades o outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.

Livros sobre a arte brasileira contemporânea destaca a importância da pintura entre os novos artistas-Walter Sebastião‏

Livros sobre a arte brasileira contemporânea destaca a importância da pintura entre os novos artistas.  


Walter Sebastião

Estado de Minas: 15/05/2013 

A arte dos anos 2000 ganha seus primeiros registros em dois livros: Pintura brasileira séc. XXI, de 2011, e Desdobramentos da pintura brasileira séc. XXI, recém-lançado. O primeiro é voltado para produção recente, basicamente realizada com tintas e telas postas a serviço de várias estéticas; o segundo traz instalações, objetos e colagens, que podem ser vistos como diálogo ou expansão da pintura. Um e outro sinalizando também fenômeno recente: interesse pela pintura de jovens artistas. Foi a produção dos novíssimos, conta Isabel Diegues, que com Frederico Coelho organizou os volumes, que trouxe o desejo de livro que fosse panorama do que se faz na área hoje no Brasil.

Pintura brasileira séc.. XXI, recorda Isabel Diegues, surgiu da observação de grupos de jovens artistas fazendo pinturas no Rio e em São Paulo, o que reabriu discussão sobre o tema e até motivou autores maduros a reinventarem o que faziam. Movendo o fenômeno, para ela, está revalorização mundial da pintura, mais exposições no Brasil (“o que faz circular ideias”) e queda da negação da pintura que existiu em outros momentos. “A partir dos anos 2000 vive-se momento de multiplicidade. As pessoas vão à academia e estudam os princípios do que querem fazer, seja o que for”, observa.

Para entender a pintura atual, a partir dos mais jovens, mas sem se deter neles, foram utilizados três critérios: trabalhos relevantes; que fossem importante para outros artistas; e que tivessem presença no circuito de arte e mercado. Foi trabalhando nesse projeto que ela e Frederico Coelho se deparam com o motivo apresentado no segundo volume: obras interessantes, de boa qualidade, que extrapolavam noções tradicionais de pintura. “É um borrar dos limites, de margens que separam os gêneros. Trabalhos que não são só pintura, só desenho, só fotografia. E veio a vontade de livro sobre trabalhos que não são pensados a princípio como pintura. Talvez o mundo multidisciplinar em que vivemos leve a isso”, suspeita a editora.

Desenvolvimento da pintura séc. XXI, explica Isabel Diegues, procura fazer recorte preciso a partir de trabalhos muito diferentes, com linguagens distintas, que têm caligrafia pessoal forte, produzido por artistas de vários lugares do Brasil. “Não está no livro um gosto pessoal, mas trabalhos relevantes. Cada um deles tem a sua questão, propõe algo diferente. Que pode ser a delicadeza, a força, a construção da obra, os materiais que o artista utiliza, a cor, a interação com público”, exemplifica, evitando uma palavra que unifique todos. “O que emociona, o que chama atenção, depende do olhar de quem vê”, observa.

Os dois livros são obras afins. “Mostram caminhos e possibilidades da arte que se faz no Brasil hoje, o que os artistas estão pensando no momento”, observa. Com relação à atenção internacional às pintoras Beatriz Milhazes e Adriana Varejão, Isabel considera que a visibilidade das artistas deve-se “à enorme qualidade de ambas”. Lembra ainda a descoberta da fundamental importância da arte brasileira nos anos 1950, em especial Hélio Oiticica e Lygia Clark, o que levou à curiosidade sobre o que se faz em arte no país. “Todos vêm olhando hoje para o Brasil. E a arte e a cultura acabam sendo também observadas”, conclui.


Mineiros
Interesse pela pintura e investigações que colocam o tema da migração do pictórico para outros suportes, motivo posto em destaque pelos dois volumes lançados pela Cobogó, também podem ser vistos na arte feita em Belo Horizonte. Se Pintura séc. XXI, até injustamente, traz poucos artistas mineiros – apenas Patrícia Leite –, no volume Desenvolvimento da pintura brasileira sec. XXI estão cinco autores nascidos em Minas Gerais, que mostraram trabalhos em Belo Horizonte. São eles: Cristiano Rennó, Rivane Neuenschwander, Thiago Rocha Pitta, Valeska Soares e Laura Lima.


Foco em ivros de arte

Isabel Diegues tem 42 anos e é uma das proprietárias da Editora Cobogó, criada em 2008, voltada para a arte e cultura contemporâneas. Adolescente, começou a trabalhar com cinema, área em que fez de tudo. Largou a atividade e, “mais do que adulta”, fez curso de letras. A convite da galerista Márcia Fortes, ainda hoje uma das sócias da empresa, e Ricardo Sardemberg, foi trabalhar na Cobogó. “Resisti muito até aceitar, mas hoje sinto que gosto muito da atividade de editora”, conta.

Favorecendo a edição de livros de arte, no Brasil, avalia Isabel Diegues, está momento em que o público anda valorizando as artes plásticas. “Quem não é colecionador se interessa pelos livros. O público tem curiosidade sobre o assunto e quer entender melhor o que está vendo. Estamos começando a decodificar os signos das artes plásticas”, diz. Dificuldade, aponta Isabel, é o custo alto da impressão, devido a existência de poucos parques gráficos.

Isabel Diegues conta que é projeto da editora lançar novos volumes com panorama das artes. São da Cobogó os quatro volumes com textos do grupo teatral Espanca!, de Belo Horizonte. O próximo lançamento da editora é o livro Popismo, de Andy Warhol, reunião de reflexões e máximas do artista.


Desenvolvimentos da Pintura Brasileira Séc. XXI
Organização de Isabel Diegues e Frederico Coelho
Editora Cobogó, 288 páginas, R$ 160

Adriano Costa, Alexandre da Cunha, Antonio Dias, AVAF, Carlito Carvalhosa, Cristiano Lenhardt, Cristiano Rennó, Daniel Senise, Delson Uchoa, Dora Longo Bahia, Dudi Rosa Maia, Emmanuel Nassar, Fabio Miguez, Hugo Houyaek, Jac Leirner, José Bechara, Karin Lambrecht, Laura Lima, Leda Catunda, Lucia Koch, Luiz Zerbini, Maricus Galan, Marcone Moreira, Miguel Rio Branco, Nuno Ramos, Rafael Alonso, Ricardo Carioba, Rivane Neuenschwander, Thiago Rocha Pitta e Valeska Soares.


Pintura brasileira Séc. XXI
Organização de Frederico Coelho e Isabel Diegues
Editora Cobogó, 308 páginas, R$ 160

Adriana Varejão, Alex Cerveny, Ana Elisa Egreja, Ana Prata, Ana Sario, Beatriz Milhazes, Bruno Dunley, Caetano de Almeida, Cassio Michalany, Cristina Canale, Eduardo Berliner, Gisele Camargo, Janaina Tschäpe, Lucas Arruda, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Mariana Palma, Mariana Serri, Marina Rheingantz, Patricia Leite, Paulo Pasta, Paulo Nimer PJota, Rafael Carneiro, Renata de Bonis, Renata Egreja, Rodolpho Parigi, Rodrigo Andrade, Rodrigo Bivar, Sergio Sister, Tatiana Blass, Thiago Martins de Melo, Tiago Tebet e Vânia Mignone.