Valor Econômico - 20/05/2013
Não
entram aqui minhas simpatias pessoais. Mas, à fria análise, parece que,
no ano que vem, a Presidência da República irá para o PT e o PSDB, sem
chances para outros pretendentes. Isso pela simples razão de que só
esses dois partidos se prepararam para governar o país, para exercer a
hegemonia em nossa política.
Proponho sair da pequena crônica,
que beira a fofoca. Sim, está difícil Marina obter as 500 mil
assinaturas que viabilizariam seu partido, a Rede. Sim, interessa ao
governo dificultar sua criação, e à oposição facilitá-la. Sim, o governo
não quer que novos partidos ampliem seu horário na televisão, e a
oposição o quer. Sim, para 2014 palanques nos Estados e minutos na TV
valem muito. Sim, Eduardo Campos e Marina Silva são nomes que
abrilhantam qualquer disputa eleitoral.
Mas nenhum deles representa, hoje, um projeto articulado para o Brasil.
Construir
uma hegemonia política não é trivial. (Aprendi a usar esta expressão,
"não é trivial", com os cientistas. Ela não quer dizer só o óbvio - que é
algo difícil, exigente e que sai do usual. Quer dizer, também, algo que
faz brilharem seus olhos, que eles desejam, em que apostam as fichas). O
PSDB e o PT têm anos de estrada nesta tarefa. Suas trajetórias foram
distintas, mas ambos dispõem de algo importante: capilaridade. Estão
representados no Brasil inteiro. Têm militantes e simpatizantes em todos
os municípios. Eventualmente, podem atuar por procuração, por partidos
interpostos. O PMDB gaúcho já ocupou o lugar que seria o dos tucanos no
Rio Grande do Sul. O antigo PFL ajudava o PSDB a captar votos à direita.
Por sua vez, o PT conta com o PCdoB e outros pequenos partidos de
esquerda, e contou com o apoio ou a intermediação do PSB para aumentar
seus eleitores. Mas a liderança dos dois partidos que nos deram os três
mais recentes presidentes da República é inconteste.
É claro que
aí alguém perguntará: e o PMDB? Está em toda a parte. Sua capilaridade é
a mais longeva que temos. Mas não basta deitar raízes pelo Brasil
inteiro. É preciso - além disso - ter propostas. Os dois partidos
hegemônicos têm o que dizer, concretamente, a qualquer grupo social ou
político do País. Outros, não. Podem usar seus votos populares e suas
bancadas para negociar o poder. Não conseguem, porém, disputá-lo. O PMDB
é o gigante de nossos pequenos partidos. Tem capilaridade porque
renunciou a ter projeto - ao contrário de PT e PSDB que, sem projetos,
perderiam os cabelos. Nossa política se assenta neste sábio tripé: dois
partidos amplos com projetos, que disputam o poder, mais um partido
amplo sem projeto e que dá governabilidade ao vitorioso.
A
construção dos dois partidos tomou tempo. O PT foi mais demorado. Nasceu
em 1981, começou com poucos deputados, em 1989 já disputava a
presidência da República mas só chegou a essa esfera de poder aos 21
anos, em 2002. O PSDB foi mais rápido. Criado em 1988, em 1994 já elegia
o presidente do Brasil. Compreende-se. O Partido dos Trabalhadores
representava uma iniciativa diferente, praticamente inédita, até em
termos mundiais: quantos são, hoje, os grandes partidos trabalhistas,
empenhados em mudanças sociais maiores e que não sejam marxistas? O
Labour Party britânico se moderou, o Partido do Congresso indiano não é
essencialmente dos trabalhadores. Num país conservador, em que nos
primeiros anos da Nova República eram frequentes crimes contra
trabalhadores do campo, o PT teve uma dura missão. Ainda mais porque o
PSDB dava todos os sinais de que sempre venceria, em capilaridade, o PT.
Era surpreendente como, no governo FHC, o partido do governo tinha um
discurso, um projeto para praticamente cada grupo social - enquanto o PT
falava a poucos, dos inúmeros setores em que se divide a sociedade.
Hoje, parece que se inverteu a situação. O melhor exemplo disso é a
recente cooptação do campeão da pequena empresa, velho adversário do PT,
parceiro dos tucanos no governo do Estado mais rico do país, pelo
governo federal. Um ano atrás, por sinal, eu dizia nesta coluna que o
empreendedorismo, que deveria ser uma causa importante de um novo
liberalismo, estava em mãos do PT. Pois é. Um novel aliado do PT vai
lidar com o projeto de espirito empreendedor para todos. O desafio de
Aécio é recuperar a capilaridade, com proposta, que o PSDB teve, em
tempos de Fernando Henrique.
Há riscos num presidente sem partido
forte, sem capilaridade? Collor que o diga; ou melhor, o Brasil, que
viveu os resultados negativos de sua eleição. Foi um pleito solteiro, em
que o desconhecido governador de Alagoas pôde aparecer em sucessivos
programas eleitorais e granjear, do nada, grande popularidade. Hoje, já
não há eleição solteira. Elas se dão em dois lotes, um
presidencial-estadual, outro municipal. Não há como disputar a
presidência sem se aliar a candidatos ao Congresso e aos governos
estaduais. Isso requer capilaridade. Isso fortalece as instituições.
Podemos ter um sistema eleitoral difuso e até confuso, mas ele restringe
a disputa presidencial a quem tenha, se vitorioso, condições de
governar. O que não está errado. Pois, sem alianças políticas, sem
parceiros claros na sociedade, como se há de governar? É essa a
dificuldade de Eduardo Campos e Marina Silva. A diferença, hoje, é que
essa dificuldade, em vez de prejudicar o futuro governo de um deles, já
prejudica suas candidaturas. Estar bem espalhado pelo país e ter o que
dizer ao país todo. Ter cabelos longos (e ideias também longas) é
condição para se eleger, não só para governar. Precisarão ainda comer
muito feijão, Eduardo e Marina, para se tornarem competitivos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Ronaldo Laranjeira e José Eli da Veiga no Tendências/Debates
folha de são paulo
Por muito tempo, perdurou na sociedade o entendimento de que as drogas são um caminho sem volta.
Apenas alguns poucos privilegiados, oriundos de famílias com altíssimo poder aquisitivo, podiam bancar tratamentos em clínicas particulares, no Brasil ou no exterior.
O crack, droga tão barata quanto avassaladora, invadiu as cidades brasileiras e causou um sem-número de dependentes, muitos de famílias humildes com pouco ou nenhum respaldo do poder público.
Instalou-se uma nova epidemia, que além de mortes gera desespero e angústia. Muitos dependentes, abandonados pelas famílias, vagam pelas ruas, moribundos, e caminham para um provável desfecho trágico. Mas vários deles querem se livrar dessa nefasta dependência.
O governo do Estado de São Paulo entende que essas pessoas têm o direito de recomeçar uma nova vida, e que isso passa necessariamente pelo adequado acolhimento, pelo tratamento psiquiátrico, que poderá auxiliá-los a abandonar o uso da droga, e por um período de recuperação essencial para a reinserção familiar, social e econômica.
O programa Recomeço, lançado pelo governador Geraldo Alckmin, sintetiza essa disposição. Simboliza uma esperança ao usuário e à sua família, ao incentivar a procura espontânea por assistência especializada. E institui mecanismos para garantir o tratamento mesmo dos mais resistentes, nos casos considerados mais graves, dentro do já estabelecido em lei.
O projeto implantado na capital paulista, com o plantão judiciário e a unidade social do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), ganhou recentemente o imprescindível apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da disponibilização de resgate especializado do Samu aos dependentes e da descentralização do atendimento por intermédio de 24 Caps Ad (Centros de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas).
Agora, o governo paulista acaba de lançar para cidades do interior e litoral o Cartão Recomeço. Trata-se de uma iniciativa fundamental, que irá assegurar a oportunidade de efetiva recuperação dos dependentes por meio de financiamento de uma etapa crucial do tratamento.
Após a fase de estabilização, os pacientes serão supervisionados em comunidades terapêuticas credenciadas pelo governo ou em moradias assistidas (casas de recuperação em área urbana).
No fundo, esse modelo social de recuperação complementa o modelo médico de tratamento. Após a abstinência, vem a reconstrução, que precisa ser feita num ambiente estável e que fortaleça princípios de valorização da vida.
O crédito para o tratamento será de R$ 1.350 mensais, a ser depositado diretamente ao serviço contratado. O valor não será entregue ao dependente ou a seu familiar.
Por isso mesmo, a expressão "bolsa crack", utilizada por alguns, é, além de abominável, um desserviço à população e um desrespeito aos próprios dependentes e familiares.
As comunidades terapêuticas prestam inestimável serviço à recuperação de dependentes químicos. São extremamente úteis nos casos em que o paciente não tem indicação de internação, mas precisa de apoio para o restabelecimento de seu vínculo familiar e social. Do mesmo modo, auxiliam a recuperação de pacientes que já passaram por internação hospitalar para estabilizar seus quadros agudos de dependência. E é preciso deixar claro que as comunidades terapêuticas não são novidade na saúde mental. Pelo contrário: foram previstas na reforma psiquiátrica de 2001.
Com o novo cartão, São Paulo dá um passo decisivo no fortalecimento da rede de proteção aos dependentes de crack, proporcionando a todos eles, e não apenas aos poucos privilegiados por sua origem abastada, uma verdadeira chance de recomeçar.
É falso que o eleitorado de Marina Silva seja muito evangélico. Menos de 15% de seus quase 20 milhões de votos no primeiro turno de 2010 foram de evangélicos.
Tão somente um décimo do conjunto do eleitorado evangélico optou por Marina, enquanto mais de um terço votou em Dilma, quase outro terço em Serra e um sétimo invalidou o voto. Marina teve mais apoio nas minorias ateia e espírita do que em qualquer das outras cinco divisões por crença.
Isso só surpreende quem ignora que o grosso do voto evangélico é orientado por lideranças das mais pragmáticas. Sempre de olho em boquinhas no governo seguinte, bispos e pastores mostram-se tarimbados pelegos ao negociar com os favoritos ao segundo turno.
Em 2010, os calculistas Serra e Dilma violentaram suas próprias convicções sobre causas libertárias e igualitárias para barganhar votos evangélicos. Nada houve de fortuito, portanto, no fato de a atual base governista ter feito o diabo para viabilizar o controle evangélico da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, pois o Ministério da Pesca é merreca como retribuição ao forte apoio desse nicho com 22% do eleitorado total.
Se quase nada pode esperar dos evangélicos, qual será, então, a base de apoio dessa Rede Sustentabilidade, partido político em formação que quer reapresentar Marina em 2014? Difícil saber, pois é novidade bem similar a tendências emergentes do tipo Partido del Futuro, na Espanha, ou Movimento 5 Stelle, na Itália, que refletem, de forma ainda muito confusa, o inevitável esgotamento da social-democracia, bem sucedido fenômeno do século 20 no qual se abrigam Dilma, Aécio e Campos.
Essa preponderância do projeto social-democrata se justifica pela proeza histórica que realizou nas nações que mais avançaram. Tão intensa foi a expansão da capacidade produtiva decorrente da simbiose entre movimentos trabalhistas e projetos políticos semelhantes aos do PT, PSB e PSDB, que boa parte dos seres humanos passou do reino da necessidade ao da afluência, com educação, cultura, opções de vida e escolhas antes inimagináveis. O Estado de bem-estar social foi a grande obra da social-democracia que não chegou a beneficiar a maioria dos que vivem no Sul.
Mas agora há dois sérios obstáculos à continuidade desse esquema. Estão obsoletos os arranjos que garantiram recordes de aumento da produtividade, particularmente durante o quarto de século 1948-1973.
Além disso, tão retumbante sucesso passou a solapar os próprios fundamentos biogeofísicos da prosperidade, o que traz muitas dúvidas sobre o futuro do desenvolvimento humano. Além de exigir muita governança global, o choque entre o agora fugaz crescimento econômico e a obrigação de maneirar seus impactos sobre a biosfera demanda inédita simbiose entre movimentos sociais e projetos políticos.
Daí ser reacionária, além de antidemocrática, qualquer atitude que dificulte o nascimento daquilo que poderá ser equivalente neste século ao que foi a social-democracia no século passado. Como conspurcar a memória dos 45 anos das gloriosas jornadas de maio de 1968 com a sinistra tentativa de silenciar a voz da Rede mediante expediente casuístico que, se adotado, passará à história do Brasil como o "soft" golpe de maio.
RONALDO LARANJEIRA
Recomeço: direito a uma nova vida
A expressão "bolsa crack" é, além de abominável, um desserviço à população e um desrespeito aos próprios dependentes e familiares
Apenas alguns poucos privilegiados, oriundos de famílias com altíssimo poder aquisitivo, podiam bancar tratamentos em clínicas particulares, no Brasil ou no exterior.
O crack, droga tão barata quanto avassaladora, invadiu as cidades brasileiras e causou um sem-número de dependentes, muitos de famílias humildes com pouco ou nenhum respaldo do poder público.
Instalou-se uma nova epidemia, que além de mortes gera desespero e angústia. Muitos dependentes, abandonados pelas famílias, vagam pelas ruas, moribundos, e caminham para um provável desfecho trágico. Mas vários deles querem se livrar dessa nefasta dependência.
O governo do Estado de São Paulo entende que essas pessoas têm o direito de recomeçar uma nova vida, e que isso passa necessariamente pelo adequado acolhimento, pelo tratamento psiquiátrico, que poderá auxiliá-los a abandonar o uso da droga, e por um período de recuperação essencial para a reinserção familiar, social e econômica.
O programa Recomeço, lançado pelo governador Geraldo Alckmin, sintetiza essa disposição. Simboliza uma esperança ao usuário e à sua família, ao incentivar a procura espontânea por assistência especializada. E institui mecanismos para garantir o tratamento mesmo dos mais resistentes, nos casos considerados mais graves, dentro do já estabelecido em lei.
O projeto implantado na capital paulista, com o plantão judiciário e a unidade social do Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas), ganhou recentemente o imprescindível apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da disponibilização de resgate especializado do Samu aos dependentes e da descentralização do atendimento por intermédio de 24 Caps Ad (Centros de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas).
Agora, o governo paulista acaba de lançar para cidades do interior e litoral o Cartão Recomeço. Trata-se de uma iniciativa fundamental, que irá assegurar a oportunidade de efetiva recuperação dos dependentes por meio de financiamento de uma etapa crucial do tratamento.
Após a fase de estabilização, os pacientes serão supervisionados em comunidades terapêuticas credenciadas pelo governo ou em moradias assistidas (casas de recuperação em área urbana).
No fundo, esse modelo social de recuperação complementa o modelo médico de tratamento. Após a abstinência, vem a reconstrução, que precisa ser feita num ambiente estável e que fortaleça princípios de valorização da vida.
O crédito para o tratamento será de R$ 1.350 mensais, a ser depositado diretamente ao serviço contratado. O valor não será entregue ao dependente ou a seu familiar.
Por isso mesmo, a expressão "bolsa crack", utilizada por alguns, é, além de abominável, um desserviço à população e um desrespeito aos próprios dependentes e familiares.
As comunidades terapêuticas prestam inestimável serviço à recuperação de dependentes químicos. São extremamente úteis nos casos em que o paciente não tem indicação de internação, mas precisa de apoio para o restabelecimento de seu vínculo familiar e social. Do mesmo modo, auxiliam a recuperação de pacientes que já passaram por internação hospitalar para estabilizar seus quadros agudos de dependência. E é preciso deixar claro que as comunidades terapêuticas não são novidade na saúde mental. Pelo contrário: foram previstas na reforma psiquiátrica de 2001.
Com o novo cartão, São Paulo dá um passo decisivo no fortalecimento da rede de proteção aos dependentes de crack, proporcionando a todos eles, e não apenas aos poucos privilegiados por sua origem abastada, uma verdadeira chance de recomeçar.
RONALDO LARANJEIRA, 56, professor titular de psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é coordenador do programa Recomeço
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
JOSÉ ELI DA VEIGA
O "soft" golpe de maio
Se quase nada pode esperar dos evangélicos, qual será a base de apoio dessa Rede Sustentabilidade, que quer reapresentar Marina Silva?
Tão somente um décimo do conjunto do eleitorado evangélico optou por Marina, enquanto mais de um terço votou em Dilma, quase outro terço em Serra e um sétimo invalidou o voto. Marina teve mais apoio nas minorias ateia e espírita do que em qualquer das outras cinco divisões por crença.
Isso só surpreende quem ignora que o grosso do voto evangélico é orientado por lideranças das mais pragmáticas. Sempre de olho em boquinhas no governo seguinte, bispos e pastores mostram-se tarimbados pelegos ao negociar com os favoritos ao segundo turno.
Em 2010, os calculistas Serra e Dilma violentaram suas próprias convicções sobre causas libertárias e igualitárias para barganhar votos evangélicos. Nada houve de fortuito, portanto, no fato de a atual base governista ter feito o diabo para viabilizar o controle evangélico da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, pois o Ministério da Pesca é merreca como retribuição ao forte apoio desse nicho com 22% do eleitorado total.
Se quase nada pode esperar dos evangélicos, qual será, então, a base de apoio dessa Rede Sustentabilidade, partido político em formação que quer reapresentar Marina em 2014? Difícil saber, pois é novidade bem similar a tendências emergentes do tipo Partido del Futuro, na Espanha, ou Movimento 5 Stelle, na Itália, que refletem, de forma ainda muito confusa, o inevitável esgotamento da social-democracia, bem sucedido fenômeno do século 20 no qual se abrigam Dilma, Aécio e Campos.
Essa preponderância do projeto social-democrata se justifica pela proeza histórica que realizou nas nações que mais avançaram. Tão intensa foi a expansão da capacidade produtiva decorrente da simbiose entre movimentos trabalhistas e projetos políticos semelhantes aos do PT, PSB e PSDB, que boa parte dos seres humanos passou do reino da necessidade ao da afluência, com educação, cultura, opções de vida e escolhas antes inimagináveis. O Estado de bem-estar social foi a grande obra da social-democracia que não chegou a beneficiar a maioria dos que vivem no Sul.
Mas agora há dois sérios obstáculos à continuidade desse esquema. Estão obsoletos os arranjos que garantiram recordes de aumento da produtividade, particularmente durante o quarto de século 1948-1973.
Além disso, tão retumbante sucesso passou a solapar os próprios fundamentos biogeofísicos da prosperidade, o que traz muitas dúvidas sobre o futuro do desenvolvimento humano. Além de exigir muita governança global, o choque entre o agora fugaz crescimento econômico e a obrigação de maneirar seus impactos sobre a biosfera demanda inédita simbiose entre movimentos sociais e projetos políticos.
Daí ser reacionária, além de antidemocrática, qualquer atitude que dificulte o nascimento daquilo que poderá ser equivalente neste século ao que foi a social-democracia no século passado. Como conspurcar a memória dos 45 anos das gloriosas jornadas de maio de 1968 com a sinistra tentativa de silenciar a voz da Rede mediante expediente casuístico que, se adotado, passará à história do Brasil como o "soft" golpe de maio.
JOSÉ ELI DA VEIGA, 65, é professor titular da USP. Site: www.zeeli.pro.br
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Política? - Aécio Neves
folha de são paulo
Ninguém desconhece as enormes dificuldades da representação política no país. Embalado pela profusão de cerca de três dezenas de legendas e pela lógica do modelo de governança de coalizão, o quadro partidário é anêmico: sofre de forte descrédito, movido por denúncias graves de apropriação e manejo indevido de recursos e um sem-número de outras incongruências.
Faltam nitidez programática e posicionamento. No lugar das ideias, prevalece a sobrevivência eleitoral, à reboque de alianças contraditórias. Algumas inexplicáveis.
O aliciamento político, a partilha de cargos e os interesses em extensas áreas da administração pública enfraqueceram o debate nacional e tornaram o exercício do contraditório cada vez mais raro, quase uma excentricidade. Para impedi-lo, lança-se mão do expediente de tentar transmudar cobranças legítimas, críticas e questionamentos em antipatriotismo, como se governo e país fossem um só.
A política de alianças e a composição de uma base congressual extensa e heterogênea, como a atual, só se justificam quando se constituem em ferramenta política para fazer mudanças estruturais necessárias, enfrentar corporativismos ou garantir viabilidade de reformas. É o preço que se paga para fazer o que precisa ser feito, o que, muitas vezes, requer medidas impopulares, que deveriam superar a conveniência da hora ou das urnas futuras.
O descrédito com a atividade política se amplia mais com o descompasso existente no país entre promessa e compromisso. O que, em política, deveria ser sinônimo, na prática são termos que não guardam nenhuma relação entre si.
Recordo, uma vez mais, apenas um dentre inúmeros exemplos, a promessa não cumprida da presidente da República na campanha de 2010 de desonerar as empresas de saneamento como forma de acelerar os investimentos na área.
Temos governos que não se sentem obrigados a cumprir o que pactuaram com a população nas urnas e uma população que, já amortecida por sucessivas frustrações, parece achar isso natural, a ponto de abrir mão de justas cobranças.
E, com isso, reveste de triste verdade a famosa frase de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, adaptada à política: de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada
Nesse ambiente de descrédito, onde todos perdem, os partidos precisam retomar a responsabilidade que lhes cabe na representação da sociedade.
Para nós, do PSDB, uma das principais tarefas nesse campo tem sido buscar formas de impedir que a política perca, aos olhos da população, a sua legitimidade como instrumento transformador da realidade.
Política?
Começo a semana diferente, com a responsabilidade de dirigir o maior partido de oposição do Brasil.Ninguém desconhece as enormes dificuldades da representação política no país. Embalado pela profusão de cerca de três dezenas de legendas e pela lógica do modelo de governança de coalizão, o quadro partidário é anêmico: sofre de forte descrédito, movido por denúncias graves de apropriação e manejo indevido de recursos e um sem-número de outras incongruências.
Faltam nitidez programática e posicionamento. No lugar das ideias, prevalece a sobrevivência eleitoral, à reboque de alianças contraditórias. Algumas inexplicáveis.
O aliciamento político, a partilha de cargos e os interesses em extensas áreas da administração pública enfraqueceram o debate nacional e tornaram o exercício do contraditório cada vez mais raro, quase uma excentricidade. Para impedi-lo, lança-se mão do expediente de tentar transmudar cobranças legítimas, críticas e questionamentos em antipatriotismo, como se governo e país fossem um só.
A política de alianças e a composição de uma base congressual extensa e heterogênea, como a atual, só se justificam quando se constituem em ferramenta política para fazer mudanças estruturais necessárias, enfrentar corporativismos ou garantir viabilidade de reformas. É o preço que se paga para fazer o que precisa ser feito, o que, muitas vezes, requer medidas impopulares, que deveriam superar a conveniência da hora ou das urnas futuras.
O descrédito com a atividade política se amplia mais com o descompasso existente no país entre promessa e compromisso. O que, em política, deveria ser sinônimo, na prática são termos que não guardam nenhuma relação entre si.
Recordo, uma vez mais, apenas um dentre inúmeros exemplos, a promessa não cumprida da presidente da República na campanha de 2010 de desonerar as empresas de saneamento como forma de acelerar os investimentos na área.
Temos governos que não se sentem obrigados a cumprir o que pactuaram com a população nas urnas e uma população que, já amortecida por sucessivas frustrações, parece achar isso natural, a ponto de abrir mão de justas cobranças.
E, com isso, reveste de triste verdade a famosa frase de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, adaptada à política: de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada
Nesse ambiente de descrédito, onde todos perdem, os partidos precisam retomar a responsabilidade que lhes cabe na representação da sociedade.
Para nós, do PSDB, uma das principais tarefas nesse campo tem sido buscar formas de impedir que a política perca, aos olhos da população, a sua legitimidade como instrumento transformador da realidade.
AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Tv Paga
Estado de MInas - 20/05/2013
Uma noite só para meninas
Personagem principal de Sex and the city, Carrie Bradshaw vai surgir adolescente na tela do Boomerang. Estreia hoje, às 19h,
a série The Carrie diaries, com a bela e talentosa AnnaSophia
Robb (foto) no papel da protagonista, que começa a descobrir
Nova York. Mas antes dessa tão esperada exibição, o canal realiza uma maratona com os filmes Garotas S.A., Imaginem só e Outro conto da nova Cinderela, a partir das 13h.
Roqueiros tÊm encontro
marcado no canal VH1
Também hoje estreia a 10ª temporada de That metal show, às 21h, no VH1. Jim Florentine, Eddie Trunk e Don Jamieson começam falando da grande controvérsia da volta do Black Sabbath e sua anunciada turnê, além da briga com o baterista Bill Ward. O primeiro convidado da noite é Lars Ulrich, do Metallica. Depois é a vez de Robb Flynn, da banda Machine Head.
+Globosat estreia hoje a
série policial Jack Taylor
E mais uma novidade: a série policial Jack Taylor estreia no canal +Globosat, às 22h. Ambientada na Irlanda, a produção é baseada na obra do escritor Ken Bruen e retrata a vida do agente Jack Taylor e a sua rotina na resolução de crimes. Interpretado por Iain Glen (Game of Thrones, Downton Abbey, Doctor Who), Jack é um ex-policial quarentão com uma língua afiada e um coração mole. Expulso pela polícia, Jack tenta a vida como detetive particular e luta contra o alcoolismo.
Caminhoneiros chegam
ao fim da estrada no THC
E se tem programa chegando, outros fecham um ciclo, como é o caso de Estradas mortais. O último episódio da sexta temporada vai ao ar às 23h, no The History Channel. A primavera está chegando no Alasca e os caminhoneiros se apressam para fazer as últimas entregas antes do degelo. Jack Jesse e Darrell Ward estão quase empatados nessa corrida, mas uma manobra agressiva de Darrell deixa Jack para trás, achando que sua carga está perdida. Para Austin Wheeler, Alex Debogorski, Hugh Rowland e Rick Yemm, só problemas.
Cientista faz uma análise
dos avanços da internet
O canal Futura abre hoje a segunda temporada do programa Entrevista, com episódios temáticos relacionados à tecnologia, à vida digital e aos avanços científicos que transformam a vida do homem contemporâneo. A cada edição o jornalista e blogueiro Beto Largman entrevista um convidado, começando hoje, às 21h, com Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, que vai falar sobre a internet.
Documentário invade o
mundo da música brega
O fotógrafo e cineasta Walter Carvalho é o entrevistado de hoje de Lázaro Ramos no programa Espelho, às 21h30, no Canal Brasil. Na sequência, às 22h, será exibido o documentário Vou rifar meu coração, em que a diretora Ana Rieper invade o universo musical do gênero conhecido como brega. Ainda às 22h, estreia no Telecine Premium a comédia Jeff e as armações do destino, com Jason Segel, Ed Helms e Susan Sarandon. Outros destaques da programação: Infidelidade, às 22h, no FX; Atraídos pelo crime, também às 22h, na HBO HD; Valente como poucos, às 20h20 no Telecine Cult; A filha do chefe, às 20h25, no Universal;
Antes que o diabo saiba que
você está morto, às 21h, no Cinemax; e Corpo fechado, às 22h30, no Megapix.
Uma noite só para meninas
Personagem principal de Sex and the city, Carrie Bradshaw vai surgir adolescente na tela do Boomerang. Estreia hoje, às 19h,
a série The Carrie diaries, com a bela e talentosa AnnaSophia
Robb (foto) no papel da protagonista, que começa a descobrir
Nova York. Mas antes dessa tão esperada exibição, o canal realiza uma maratona com os filmes Garotas S.A., Imaginem só e Outro conto da nova Cinderela, a partir das 13h.
Roqueiros tÊm encontro
marcado no canal VH1
Também hoje estreia a 10ª temporada de That metal show, às 21h, no VH1. Jim Florentine, Eddie Trunk e Don Jamieson começam falando da grande controvérsia da volta do Black Sabbath e sua anunciada turnê, além da briga com o baterista Bill Ward. O primeiro convidado da noite é Lars Ulrich, do Metallica. Depois é a vez de Robb Flynn, da banda Machine Head.
+Globosat estreia hoje a
série policial Jack Taylor
E mais uma novidade: a série policial Jack Taylor estreia no canal +Globosat, às 22h. Ambientada na Irlanda, a produção é baseada na obra do escritor Ken Bruen e retrata a vida do agente Jack Taylor e a sua rotina na resolução de crimes. Interpretado por Iain Glen (Game of Thrones, Downton Abbey, Doctor Who), Jack é um ex-policial quarentão com uma língua afiada e um coração mole. Expulso pela polícia, Jack tenta a vida como detetive particular e luta contra o alcoolismo.
Caminhoneiros chegam
ao fim da estrada no THC
E se tem programa chegando, outros fecham um ciclo, como é o caso de Estradas mortais. O último episódio da sexta temporada vai ao ar às 23h, no The History Channel. A primavera está chegando no Alasca e os caminhoneiros se apressam para fazer as últimas entregas antes do degelo. Jack Jesse e Darrell Ward estão quase empatados nessa corrida, mas uma manobra agressiva de Darrell deixa Jack para trás, achando que sua carga está perdida. Para Austin Wheeler, Alex Debogorski, Hugh Rowland e Rick Yemm, só problemas.
Cientista faz uma análise
dos avanços da internet
O canal Futura abre hoje a segunda temporada do programa Entrevista, com episódios temáticos relacionados à tecnologia, à vida digital e aos avanços científicos que transformam a vida do homem contemporâneo. A cada edição o jornalista e blogueiro Beto Largman entrevista um convidado, começando hoje, às 21h, com Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, que vai falar sobre a internet.
Documentário invade o
mundo da música brega
O fotógrafo e cineasta Walter Carvalho é o entrevistado de hoje de Lázaro Ramos no programa Espelho, às 21h30, no Canal Brasil. Na sequência, às 22h, será exibido o documentário Vou rifar meu coração, em que a diretora Ana Rieper invade o universo musical do gênero conhecido como brega. Ainda às 22h, estreia no Telecine Premium a comédia Jeff e as armações do destino, com Jason Segel, Ed Helms e Susan Sarandon. Outros destaques da programação: Infidelidade, às 22h, no FX; Atraídos pelo crime, também às 22h, na HBO HD; Valente como poucos, às 20h20 no Telecine Cult; A filha do chefe, às 20h25, no Universal;
Antes que o diabo saiba que
você está morto, às 21h, no Cinemax; e Corpo fechado, às 22h30, no Megapix.
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