quinta-feira, 13 de junho de 2013

Eduardo Almeida Reis-Palavras‏

Cada massa polar que surge nos estados do Sul é motivo de pavor para um sujeito que mora em Minas e detesta frio 


Eduardo Almeida Reis

estado de Minas: 13/06/2013 


 Faz tempo que não uso o adjetivo transido, falha que corrijo agora para lhes dizer que estou transido de frio. E o pior é que o frio não é transiente. Freada de arrumação para explicar os adjetivos. Transiente, que nunca usei por desconhecimento, é adjetivo de dois gêneros e significa “que não é permanente, passageiro, transitório”. A onda de frio é permanente; nada tem de transiente, passageira ou transitória. Transido tanto pode ser “sensação”, como também “assustado, apavorado”. Cada massa polar que surge nos estados do Sul é motivo de pavor para um sujeito que mora em Minas e detesta frio.

E o verbo transir se aplica aos idosos. Vem do latim transèo,is,ívi e ìi,ìtum,íre 'passar de um a outro lugar, de um estado a outro'. Por que se aplica aos idosos? Ora, porque é defectivo e não tem a primeira pessoa do indicativo “transo”, muito embora meus amigos digam que transam adoidados e acho que pode ser verdade, porque acredito em quase tudo que me contam.

Cuidemos, agora, do substantivo feminino arte, no sentido de “produção consciente de obras, formas ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia ou para a expressão da subjetividade humana” e de certa arte que vem sendo feita por aí, elogiada pela crítica e divulgada pelos meios de comunicação.

Tudo bem: se o artista não mata, rouba ou sequestra, é justo que possa fazer sua arte e viver dela, mas os meios de comunicação deveriam estar dispensados de coonestar a empulhação. Sei que o leitor conhece a Artocarpus heterophylla, árvore de até 15 metros nativa da Ásia e muito cultivada no Brasil. Tem madeira boa e grandes frutos sincárpicos, com polpa comestível, amarela, doce e viscosa.

Tive jaqueiral no terreiro da roça fluminense, com a preocupação de retirar os sincarpos ainda pequenos. Quando enormes e pesados, podem aleijar ou matar uma pessoa ao cair da Artocarpus heterophylla. Sincarpo, como deu para entender, é fruto procedente de um gineceu sincárpico e gineceu é órgão feminino das flores, formado por um ou mais pistilos, que se constituem de ovário, estilete e estigma.

Na Grécia antiga, gineceu era parte da habitação reservada às mulheres, sinônimo de harém, de etimologia árabe, enquanto gineceu é grego e não se fala mais nisso, porque o fulcro desta nossa conversa é a obra de arte que pretendo fazer para expor em Nova York. Pego dois sincarpos, dos grandes, arranjo alguém que os plastifique e a escultura está pronta, com as jacas lado a lado. Nome: Traseiro. Vou fazer o maior su.

 Pensar

No canal SporTV, jornalista esportivo português informa que os seus jornais têm colunas especialmente dedicadas ao Barcelona e ao Real Madrid, e que em Portugal a rivalidade entre as equipas espanholas é maior entre os leitores do que a existente entre os torcedores do Porto, do Benfica, do Braga, do Sporting.

Constatação que suscita o seguinte pensar: Portugal é, sempre foi e continuará sendo Espanha. Pedaço meio rebelde, prolongamento da Galiza, mas espanhol. A Espanha, por sua vez, não existe. País Basco não é Espanha, Catalunha não é Espanha – Navarra é Espanha? –, assim como o Algarve e Miranda de I Douro (em mirandês) nunca foram Portugal. Miranda de I Douro é mais Belo Horizonte do que Península Ibérica, com as relações de afeto e admiração que têm os mineiros pelo excelente Cunha de Leiradella, que viveu e trabalhou por aqui tantos anos.

Navarra tem a Policía Foral de Navarra e a sede do governo da comunidade autônoma catalã é Generalitat de Catalunya. O País Basco tem 1,4% da área total da Espanha e 5% da população espanhola: é Espanha?

Se Portugal é Espanha e a Espanha não existe, todas as descobertas e conquistas espanholas e/ou portuguesas também não existem, o que explica, sem justificar, o Senado, a Câmara e os 39 ministérios da República Federativa do Brasil.

 O mundo é uma bola

Ontem, prometi contar-lhes da caçada de onça-pintada pelo banqueiro David Rockefeller, no dia em que foi conhecer sua fazenda no Pantanal do MS. É caçada difícil. Tentei durante séculos e o máximo que consegui foi uma onça-parda. Rockefeller chegou, jantou e dormiu. Dia seguinte saiu de teco-teco para um retiro onde havia notícia de uma onça, montou a cavalo, soltaram os cachorros e a onça subiu numa árvore próxima da pista de pouso. Tiro de fuzil, fotos, couro retirado e duas horas depois o banqueiro estava de volta à sede da fazenda para almoçar. Naquele tempo, até os felinos de grande porte facilitavam as coisas para os banqueiros americanos.

Hoje, 13 de junho, faltam 201 dias para acabar o ano. Em 1569, fracassa o ataque a Lisboa pelo corsário inglês Francis Drake. Releva notar que no mesmo dia 13 de junho, mas em 1373, Portugal havia assinado com a Inglaterra a Aliança Luso-Britânica, a mais antiga aliança ainda em vigor.

Em 1808, criado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No ano de 323 a.C. morreu Alexandre, o Grande, célebre conquistador do mundo antigo.

Hoje é feriado numa porção de cidades: Dia de Santo Antônio.

 Ruminanças

“Só os fortes sabem ser indulgentes” (Victor Hugo, 1802-1885).

Pasquale Cipro Neto

folha de são paulo
Os vândalos e o politicamente...
E se aparecer algum descendente direto de uma legítima família vândala e disser que se sente ofendido?
Estava na capa da Folha de ontem: "Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista".
Que tal o emprego do verbo "vandalizar", caro leitor? Sugiro que vejamos isso pela sintaxe e pelo aspecto ético, que, inevitavelmente, roça o mais do que infame e chatíssimo conceito do "politicamente (in)correto".
De acordo com os dicionários, "vandalizar" pode significar "estragar ou destruir selvagemente um bem, uma propriedade, um local etc." (é essa a primeira acepção que lhe dá o "Houaiss"). Como se vê, o uso que a Folha fez desse verbo na capa de ontem é documentado. Na manchete, o sujeito é "manifestantes"; "vandalizar" é transitivo direto (o objeto direto é "centro e Paulista").
E onde é que entra o tal do aspecto "ético", que, como afirmei, inevitavelmente roça o politicamente (in)correto? Dou a pista: o caro leitor sabe o que significa "vândalo"? Não, caro leitor, não me refiro ao sentido mais do que conhecido e divulgado (de "destruidor do que é público etc."); refiro-me ao sentido com o qual a palavra veio ao mundo.
E então? Recorramos aos dicionários, mais uma vez. A primeira acepção que o "Houaiss" dá para "vândalo" é esta: "Indivíduo dos vândalos, povo germânico que, por volta do século V, invadiu, promovendo devastação, a Hispânia e o Norte da África, onde fundou um reino". Você já entendeu de onde vem o sentido "moderno" de "vândalo", certo?
Posto isso, permito-me fazer uma perguntinha, baseada na delirante cartilha do politicamente incorreto: não é preconceituoso chamar de vândalo quem destrói o que é público? Isso não ofende os vândalos? Ah, sim, esse povo não existe mais, então tudo bem. Preconceito contra povo extinto é possível. Mas e se aparecer algum alemão que seja descendente direto de uma das mais puras e legítimas famílias vândalas e disser que se sente ofendido? Já sei, processará a Folha e o "Houaiss" por preconceito etc.
E onde anda o procurador de Minas Gerais que queria processar o "Houaiss" por preconceito contra os ciganos? A autoridade poderia aproveitar e processar outra vez o "Houaiss" e todos os dicionários, além da Folha e de todo falante de português... Poderia aproveitar e processar também pelo uso da palavra "bárbaro", cujo sentido "moderno" não preciso explicar, certo? Na década de 60, o termo foi moda entre nós, com o significado de "muito bom", "muito bonito", "bacana", "muito interessante" etc. Mais uma vez, vamos ao "Houaiss", que assim começa a definição de "bárbaro": "Para os gregos, romanos e depois outros povos, que ou quem pertencesse a outra raça ou civilização e falasse outra língua que não a deles; estrangeiro". Em seguida, o dicionário dá esta definição ("por extensão de sentido"): "Que ou quem é cruel, desumano, feroz".
Viu bem, caro leitor? "Por extensão de sentido", ou seja, do conceito de "estrangeiro etc." se passa para "cruel, desumano, feroz". E aí, com o uso e o desgaste que o próprio uso provoca, a palavra perde a marca preconceituosa e se torna "neutra".
É por essas e outras, caro leitor, que essa monumental baboseira do politicamente (in)correto precisa ser vista e revista com cuidado. Já vi muito defensor dos fracos e oprimidos empregar termos como "vândalo", "bárbaro" e afins para condenar o emprego de palavras que essa galerinha chata demonizou. Rarará!
As minhas quase seis décadas de existência me tiraram de vez a paciência para aguentar esse tipo de patrulha, macarthismo da mais pura cepa. Também é por essas e outras que me soam mais do que ridículas as bobagens ditas por uma galerinha a respeito da obra de Monteiro Lobato. Haja saco! É isso.

Painel - Vera Magalhães

folha de são paulo
Pavio curto
Os novos protestos contra o reajuste das tarifas de transporte público em São Paulo previstos para hoje preocupam a cúpula da segurança pelo risco maior de confronto entre Polícia Militar e manifestantes. No quebra-quebra de terça-feira, a ordem na PM era não reagir. O Batalhão de Choque não foi acionado. Diante da depredação e da tentativa de linchar um policial, os ânimos estão mais acirrados na tropa. O comando insistirá para que os policiais não caiam em provocações.
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Delegada 1 Está na mesa do governador Geraldo Alckmin um projeto em que o Estado pagaria gratificações a policiais nos horários de folga, como forma de reforçar o contingente de policiamento.
Delegada 2 A proposta, que cria uma espécie de operação delegada estadual, é semelhante à apresentada há uma semana pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, mas foi enviada ao Bandeirantes antes pelo comandante-geral da PM, coronel Benedito Meira.
Revezes Há obstáculos jurídicos para que se adote as horas extras estaduais para PMs. Os policiais poderiam pleitear a incorporação dessas gratificações aos salários e, depois, à aposentadoria.
Amor em SP Antes de embarcar de volta de Paris para São Paulo e em meio à onda de protestos, Alckmin postou no Instagram foto em que ele e a mulher, Lu, aparecem jovens e abraçados, com a mensagem: Minha namorada há mais de 34 anos''.
Eu sozinho A defesa que o procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos, fez da concentração do poder de investigar autoridades nas mãos do chefe do Ministério Público não tem aval do governador, dizem auxiliares.
Talismã Diante da notícia de que Eduardo Campos (PSB-PE) e a mulher, Renata, esperam o quinto filho, aliados do governador lembram que dois herdeiros nasceram durante campanhas do pai.
Petit comité Dilma Rousseff se reuniu anteontem no Palácio da Alvorada com o marqueteiro João Santana e ministros para, além de avaliar as recentes pesquisas de popularidade, discutir se deve mesmo gravar pronunciamento de TV sobre o Minha Casa Melhor.
Receita Aconselhada a tomar uma "injeção de Lula'', a presidente cancelou a viagem que faria ao Rio hoje para se encontrar com o ex-presidente em evento do PT no Paraná. Dilma remarcou para amanhã a ida ao Rio para anunciar obras na Rocinha.
Bolão Devido aos recentes recados de Dias Toffoli, integrantes da corte e do governo apostam que o ministro pode seguir voto de Gilmar Mendes no mandado de segurança contra o projeto que inibe novos partidos. A proposta interessa a Dilma.
Bombeiro Advogado de Lindbergh Farias (PT-RJ) no STF, Márcio Thomaz Bastos vai pedir uma reconsideração do despacho em que Toffoli determinou quebra de sigilos do senador para apurar suposto desvio no fundo de pensão de Nova Iguaçu.
Prestígio Dois dos três novos ministros do STJ nomeados ontem foram apoiados por Ricardo Lewandowski: os desembargadores Regina Helena e Paulo Dias. O ministro do STF foi avisado previamente sobre as escolhas.
Vem comigo Foi Dilma quem convidou Alexandre Padilha (Saúde), na última hora, a integrar sua comitiva a Portugal. Pego de surpresa, o ministro não conseguiu ir no mesmo voo da presidente.
Visita à Folha Samuel Pessôa, economista, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.
com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN
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TIROTEIO
"O ministro parece desconhecer a competência da PF, que deveria se concentrar em conter a entrada de armas e drogas no Brasil."
DO VEREADOR FLORIANO PESARO (PSDB-SP), sobre pedido de informação feito à PF por José Eduardo Cardozo (Justiça) sobre protestos em São Paulo e no Rio.
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CONTRAPONTO
Couvert artístico
A comissão da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), discutia anteontem a criação de uma nova lei sobre prevenção e combate a incêndios no país, quando o coordenador do colegiado, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), passou a palavra à deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher de Jader Barbalho e relatora do projeto.
Mas o petista equivocou-se e chamou-a "Alcione". Bem-humorada, a deputada corrigiu o colega:
--A Alcione é a que canta. Eu sou a que encanta!

    Mais um índio é morto em Mato Grosso do Sul - Wilhan Santin

    folha de são paulo
    Mais um índio é morto em Mato Grosso do Sul
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHAUm índio da etnia guarani-caiová foi assassinado na manhã de hoje em Paranhos, a 464 km de Campo Grande.
    De acordo com o delegado Rinaldo Moreira, que investiga o caso, Celso Figueredo, 34 anos, morreu após ser atingidos por dois tiros.
    "Ele se dirigia a pé, acompanhado do pai, a uma fazenda nas proximidades da aldeia onde moram para receber o pagamento por um serviço prestado na lavoura", afirmou o delegado.
    "No caminho, um homem encapuzado saiu do matagal e disparou, utilizando uma espingarda e uma pistola. Foi o que nos relatou o pai da vítima, a única testemunha do crime", completou.
    Segundo o delegado, a região não vive situações de conflitos agrários.
    "Ainda estamos investigando. Por enquanto, não localizamos o autor do crime e não descartamos nenhuma hipótese", afirmou.
    DISPUTA
    Paranhos faz fronteira com o Paraguai e está a 416 km de Sidrolândia, região onde índios e fazendeiros disputam terras. No final do mês passado, um índio terena morreu durante ação de reintegração de posse de uma fazenda.
    O Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ONG que auxilia os índios, não descarta a hipótese de o assassinato de ontem ter ocorrido devido a conflitos agrários.
    Segundo a assessoria de comunicação do órgão, há vários relatos de focos de tensão entre os guaranis-caiovás e fazendeiros na região de Paranhos nos últimos meses.
    Celso Figueredo morava na aldeia Paraguassú. O corpo dele foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) de Ponta Porã e não havia sido liberado até a conclusão desta edição.
      A índios, presidente da Funai admite problemas no órgão
      Maria Augusta Assirati, no cargo interinamente, se reuniu com grupo ontem
      Ela assumiu posto devido à saída de Marta Azevedo, ocorrida após a morte de indígena em reintegração em MS
      DE BRASÍLIAPresidente interina da Funai (Fundação Nacional do Índio), Maria Augusta Assirati reconheceu ontem problemas no funcionamento do órgão.
      Segundo ela, a Funai enfrenta "inúmeras" dificuldades, tanto em sua estrutura quanto em relação a pessoal.
      "O número de servidores não é suficiente para o atendimento de excelência que gostaríamos. Nem sempre o resultado é 100% satisfatório", disse em reunião com um grupo de aproximadamente 150 índios que invadiram, na última segunda, a sede da Funai em Brasília.
      Foi a primeira fala pública de Assirati. Ela era diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável do órgão e foi alçada à presidência com a saída de Marta Azevedo, que caiu em meio à crise gerada com a morte de um indígena no Mato Grosso do Sul em reintegração de posse comandada pela Polícia Federal.
      Ex-assessora do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), a quem a Funai é subordinada, ela é a favorita para assumir o cargo em definitivo.
      Antes de ela falar, os índios voltaram a expor sua reivindicação de ter poder de veto a obras que afetem seus territórios. Também fizeram duras críticas ao governo Dilma Rousseff e à Funai, acusada de seguir os interesses do Planalto, e não dos indígenas.
      Também ontem ficou definido que o grupo, composto majoritariamente por mundurucus, voltará hoje para o Pará. Eles foram deslocados na semana passada pelo governo para Brasília. Antes, mantinham uma invasão nas obras da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).
      Em Brasília, tentaram falar com ministros, mas foram recebidos apenas por Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).
      Ontem, Carvalho foi convocado, numa ação da bancada ruralista, para ir à Comissão de Agricultura da Câmara dar explicações sobre a demarcação de terras indígenas. Em abril, a bancada convocou a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) para falar sobre o mesmo assunto.
      Ainda ontem, uma junta de ministros recebeu representantes de indígenas de Mato Grosso do Sul para discutir demarcações no Estado. Uma delegação de representantes do Judiciário e do governo irá na semana que vem ao Estado analisar a situação dos povos envolvidos nas negociações.