terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tv Paga


Estado de Minas: 03/09/2013 


 (Multishow/Divulgação)

E vai rolar a festa…


A química de Paulo Gustavo e Ivete Sangalo (foto) no Prêmio Multishow do ano passado foi tão evidente que eles vão reeditar a parceria hoje à noite. A cantora e o humorista serão novamente os anfitriões da festa de premiação, na Arena da Barra, no Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo pela TV e pelo site premiomultishow.com.br, a partir das 22h. Uma atração será o reencontro de Thiaguinho e Péricles, do Exaltasamba, mas haverá ainda apresentações de Caetano Veloso com Emicida, Marcelo D2 com o ConeCrewDiretoria, e Zezé de Camargo & Luciano com Paula Fernandes, além de Anitta, Naldo, Sorriso Maroto e Skank.

GNT também fiscaliza a
malhação dos famosos

O quadro “Medida certa” foi retomado domingo, no Fantástico, mas o canal GNT também vai acompanhar a luta de Fábio Porchat, Gaby Amarantos, Preta Gil e César Menotti contra a balança. Márcio Atalla promete colocar todo mundo para malhar em duplas, competindo semanalmente entre si. O programa do GNT vem com cenas exclusivas e mais dicas de Atalla. Confira às 20h30.

Canal Bio invade as salas
de emergências médicas


Outra novidade de hoje é Socorro imediato, que estreia às 18h30, no canal Bio. A produção vai mostrar o trabalho de equipes médicas que atendem casos de emergência, desde idosos que quebram a perna a cirurgias e acidentes de carros. Para começar, o primeiro episódio acompanha um dia inteiro de atendimentos de socorro imediato envolvendo o Samu, bombeiros e paramédicos.

Animal Planet apresenta
atração só com os felinos

E mais: às 20h, no Animal Planet, vai ao ar o primeiro episódio de Meu gato endiabrado. Intitulado “Briga de gato”, o episódio mostra que Jackson Galaxy é o herói dos donos de gatos endiabrados. Na atração, dois felinos hostis ameaçam a lua de mel de um casal e um gato-de-bengala mostra o quanto pode ser rebelde.

Canal Brasil reprisa hoje
o filme Cabeça a prêmio


Louise Cardoso é a entrevistada de hoje de José Wilker, em mais um programa da série Palco e plateia, às 21h30, no Canal Brasil. A atriz vai falar sobre o início da carreira no grupo Tablado, a admiração pela dramaturga Maria Clara Machado e o atual teatro infantil brasileiro. Às 22h, na sessão Seleção brasileira, a emissora exibe o longa-metragem Cabeça a prêmio, estreia do ator Marco Ricca na direção, tendo como ponto de partida a literatura de Marçal Aquino.

Muitas alternativas na
programação de cinema


Por falar em filme, o assinante tem seis boas opções na faixa das 22h: Frank e o robô, na HBO; 500 dias com ela, no Telecine Touch; Os três patetas, no Telecine Pipoca; Fomos heróis, na MGM; Ponto de vista, no Sony; e O poder do amor, no TCM. Outras atrações da programação: Horror em Amityville, às 20h, no Universal; A volta do Todo-poderoso, às 20h35, no Megapix; Homens livres, às 21h10, no Max; e Magnólia, às 21h50, no Glitz.

MARIA ESTHER MACIEL » As horas de Nélida‏


Estado de Minas: 03/09/2013 


Já conhecia Nélida Piñon de livros, fotos, entrevistas e referências diversas, mas só na semana passada tive a grata oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Nosso encontro aconteceu na terça-feira, entre arranjos de tulipas e orquídeas, na casa de Ângela Gutierrez, a grande empreendedora das artes em Minas Gerais. Lá, um pequeno (e especialíssimo) grupo de pessoas se reuniu para receber a notável escritora brasileira de origem galega. Ela estava na cidade para participar do projeto Ofício da Palavra, coordenado pelos escritores José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, no Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte.

Sorridente e muito atenciosa com todos, Nélida parecia encantada com a beleza da casa de Ângela e feliz com a acolhida dos amigos mineiros. Estava à vontade e falante. Contou vários casos, participou ativamente das conversas do grupo e, antes de sair, chegou a nos mostrar fotos do cão Gravetinho – segundo ela, a alegria dos seus anos maduros. “Ele acha que é gente”, comentou com os olhos cheios de ternura pelo amigo canino, que, aliás, ocupa um considerável espaço no livro de memórias que Nélida publicou no ano passado, sob o título O livro das horas. Um livro delicioso, diga-se de passagem. Nele, a vida pulsa na intensidade das horas, dos dias e dos anos vividos. Ao lê-lo, entramos em vários tempos e espaços da história dessa escritora única, que escreveu alguns dos romances mais densos e alentados da literatura brasileira das últimas décadas, como A república dos sonhos e Vozes do deserto. E que, por suas narrativas tecidas em forma de rede, já foi até chamada de a Sherazade brasileira.

Para quem quiser saber um pouco sobre o seu avô galego, os anos da infância passados por ela na Galícia, a amizade próxima que teve com Clarice Lispector e outros escritores, as muitas viagens que fez pelo mundo, seus autores e livros de cabeceira, é só ler O livro das horas e permitir-se o deleite. Como os textos são curtos e leves, a sensação da leitura é a de um passeio pelas palavras, lembranças, ideias e imagens afetivas da autora.

Não pude, infelizmente, ir à sua palestra no Museu de Artes e Ofícios, que deve ter sido ótima. Sei, por comentários dos que já a viram falando em público, que suas falas são sempre envolventes e interessantes. Nélida tem esse dom de cativar as pessoas com as palavras e a presença.

Lembro-me de uma vez que fui ao México com meu marido, José Olympio, para tentar entrevistar o poeta Octavio Paz – autor sobre quem eu estava fazendo minha tese de doutorado. Não foi fácil chegar até ele, mas chegamos. E Paz nos recebeu com gentileza e generosidade. A primeira observação que ele fez quando dissemos que éramos brasileiros foi que o Brasil era a terra de uma das mais admiráveis romancistas da América Latina: Nélida Piñon. Por incrível que pareça, eu não tinha ainda lido nenhum livro dela e, a partir de então, tratei de ir atrás deles.

Agora, 20 anos depois, graças a Ângela Gutierrez, José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, pude encontrar, ao vivo, a escritora que Paz tanto prezava. Junto a esses e outros amigos que receberam a escritora naquela terça, tive algumas horas raras, dessas que ficam vivas na memória do presente.  

Da sensibilidade das crianças

Um garoto indomável deixa o Bolshoi para crescer em coletivo de sucesso em Belo Horizonte. Convite de sacada em duelo de dois mundos feitos de som e movimento leva jovem capoeirista da favela às aulas de clássico da Cidade Jardim, enquanto, na Alemanha, mestre de Barbacena, na Zona da Mata mineira, faz história. 


Jefferson da Fonseca Coutinho

Estado de Minas: 03/09/2013 



"Era um garoto, tinha 13 anos, já dançava desde os 5. Vi os bailarinos falando em cena e enxerguei que era aquela a dança que eu queria"

O Nijinski do Jardim Canadáa
Antes de realizar o sonho de aprender novos passos na escola de dança do Grupo Primeiro Ato, Lucas Resende, na época com 13 anos, precisou mostrar mais que talento. Por quatro meses, duas vezes por semana, o garoto cortava a cidade para esperar sentado, quieto e em silêncio, uma vaga na escola, no Bairro Cidade Jardim, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Eu dizia que o número de bolsas estava esgotado. Ainda assim ele vinha todos os dias de aula e ficava esperando para poder dançar. Por determinação, força de vontade e petulância, ele entrou para a escola”, orgulha-se Suely Machado.

A diretora e coreógrafa de um dos principais grupos de dança do país, funcionários, professores e bailarinos do coletivo acolheram o jovem talento “como uma família, para a vida”. “Eu vi Sem lugar, no Parque Municipal, e enlouqueci. Era um garoto, tinha 13 anos, já dançava desde os 5. Vi os bailarinos falando em cena e enxerguei que era aquela a dança que eu queria”, diz Lucas. O menino se preparava para audição na Inglaterra. Antes, havia passado pelo Bolshoi, de Moscou. “Dei conta de ficar apenas três semanas. Não me adaptei a toda aquela reverência”, conta.

O pai, Willer Wagner, de 47, administrador, e a mãe, Magna Pinto, de 41, autônoma, diferentemente de alguns amigos e familiares, sempre estiveram ao lado do garoto bailarino. “Meus primos falavam que balé era coisa de veado. Minha mãe dizia que isso ia se repetir, mas que não precisava me importar, porque aquilo não tinha valor ou significado algum”, diz. Lucas, hoje, aos 21, conta que pegou a mãe chorando por vezes sem saber o porquê. Depois, entendeu que era por causa das cobranças em família em relação à sua opção pelo balé.

É dia de ensaio de Só um pouco a.normal, novo espetáculo do Primeiro Ato, com coreografia de Wagner Moreira. Pablo Ramon, Vanessa Liga e Verbena Cartaxo estão prontos. O espetáculo, intimista, é uma tocante valsa dos afogados que retrata os porões da loucura em Barbacena, na Zona da Mata mineira. Um recorte perturbador de dois homens e duas mulheres desnudados pela voracidade das ideias. Lucas, o menino indomável que o Bolshoi não deu conta, também está em cena, no Jardim Canadá, em Nova Lima, inteiro, na infinitude do espaço. Suely, orgulhosa, elogia: “É o meu Nijinski”.

Da capoeira ao clássico
O ano é 2009. Nos limites do Bairro Santo Antônio com o Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul, foi numa cena de cinema, dessas que só a arte é capaz de montar, que Carlos Antônio de Souza Júnior, na época com 15 anos, caiu na dança profissional. De um lado, da varanda de prédio de luxo, grupo de hip-hop faz a festa com coreografia urbana. Do outro lado, da laje de cimento batido no aglomerado, roda de capoeira faz tremer pandeiros e berimbaus. Do duelo de ritmos e movimentos, um convite no gogó rompe a distância entre as duas realidades. Gustavo Durso, professor de danças urbanas, levou o jovem capoeirista, bolsista, para as salas de aula do Primeiro Ato.

Sob as asas de Suely Machado e companhia, Carlos Júnior conheceu o clássico, o contemporâneo e a dança de salão. “Faço balé, faço clássico”, orgulha-se. Nas voltas que o mundo dá, o bailarino deixou o Morro do Papagaio como bolsista, em 2009, e voltou ao aglomerado como professor do projeto social Dançando na Escola, em 2012. “Tenho muito orgulho dos meus passos com a dança. O preconceito e os ruídos me fortalecem. Se não fosse dançarino, seria pedreiro”, diz. Em casa de família grande – “somos oito” –, o bailarino e professor vive com irmãos, sobrinhos e os pais, Carlos Antônio, de 57, e Suzete Izidora, de 54.

Com os sonhos na ponta dos pés, Carlos Júnior – o “calango” na capoeira –, fala em graduar-se em dança pela UFMG. Pensa também em educação física, mas quer conhecer o mundo por meio da dança. “É um sonho que já começa a ser realizado quando saio de Belo Horizonte. Já estive em Joinville e em Curitiba com danças urbanas”, comemora. O masculino na dança é assunto delicado para Carlos. “É complexo. Os homens já descobriram a dança, mas, infelizmente, são poucos os que querem levá-la adiante, seriamente, como profissão”, avalia.

Hora de dançar Notícias diárias, no Espaço de Acervo e Criação Compartilhada (EACC), do Primeiro Ato, em Nova Lima. Um solo visceral, orientado pelo professor Fabrício Donato, que traz à cena um sujeito em crise com a família, “no limite”, que lê uma notícia que o desagrada. Por fim, o personagem come o jornal. Barba e cabelo crescidos, Carlos dança com o vigor e a força bruta de grande intérprete que se eleva ao mundo que compreende. “Dançar é viver. É ter um estilo diferenciado. O que aprendo na vida levo para o palco e vice-versa”, revela, feliz.




"O preconceito e os ruídos me fortalecem. Se não fosse dançarino, seria pedreiro"


Sentimentos do mundo
Casado, pai da pequena Olivia, Wagner Moreira, de 36, queria ser um ator completo, com domínio da dança e do canto. Menino, aos 13 decidiu aprender sapateado e foi mandado para o clássico. Na dança, em Barbacena, encontrou-se para o mundo. “Descobri muito cedo que a arte é uma porta”, revela. Pouco tempo depois, aos 16, Wagner tomou conta das salas de aula como professor. Tamanho sucesso o levou para a Alemanha, aos 24, para assumir escola em Westfalia. Em terras estrangeiras, o mestrado em coreografia e performance.

De passagem pelo Brasil, convidado por Suely Machado para a nova criação do Primeiro Ato, são de Wagner a concepção e coreografia de Só um pouco a.normal.

Como Arnaldo Alvarenga, da UFMG, Wagner não tem dúvidas da importância da dança na formação do homem. “Se todos os meninos tivessem a oportunidade de conhecer o papel do bailarino, os adultos teriam uma relação mais madura com as diferenças”, considera.

Para o mestre, os alemães são exemplo na educação dos filhos. “Lá, os pais levam os meninos para o balé e as meninas para o futebol. Eles estão atentos à sensibilidade das crianças. Isso nada tem a ver com opção sexual”, avalia. Wagner comenta ainda as cenas comuns de meninos empurrando carrinhos com bonecas nas ruas da Alemanha. “Afinal, eles também vão ser pais um dia. Por que não aprender, desde cedo, a ter cuidados com um bebê?”



"Se todos os meninos tivessem a oportunidade de conhecer o papel do bailarino, os adultos teriam uma relação mais madura com as diferenças"


Depoimentos
Tarcísio Ramos Homem
Bailarino, coreógrafo, mestre em artes e professor do Teatro Universitário (TU)


Quando comecei a dançar e também a fazer teatro, há exatamente 30 anos, comecei por um desejo de expressão, por uma necessidade de ocupar um espaço e aproximar-me de mim mesmo. Na época, os homens dançarinos chamavam a atenção, pois ainda era algo um pouco “estranho”, diferente e que sempre gerava dúvida sobre a opção sexual deles. Masculinidade e sexualidade se confundiam. Como os tempos mudaram um pouco, também mudou essa preocupação sobre a sexualidade. Creio que mudou o foco de discussão e interesses, permitindo aos jovens de hoje terem mais liberdade por suas opções. O que sempre busquei foi minha verdade como artista, e a cena era meu lugar mais masculino. Masculina é uma qualidade da energia, é a força, é o sol. Sinto que é com isso que devemos nos preocupar: nossa energia em cena e também fora dela. O importante é que nossas opções sejam comprometidas com o nosso saber, o nosso fazer, o nosso viver.

Jomar Mesquita
Diretor da Mimulus Companhia de Dança


A dança já surgiu na minha vida pelo lado masculino, pois meu pai foi o meu primeiro professor e quem primeiro me inspirou a dançar, há 25 anos. Apaixonei-me porque era uma forma de expressar e extravasar o que sentia. Principalmente por ser a dois, por dançar com uma mulher e, geralmente, de forma passional… Ou seja: meu lado masculino está sempre presente. Entretanto, para exercê-lo cada vez melhor, é fundamental o homem compreender muito bem o papel da parceira, de forma que a dança se torne diálogo entre os dois. Em toda a minha vida profissional se deu esse diálogo entre masculino e feminino. Não apenas dançando, mas também administrando a Mimulus, escola e companhia, ao lado de meus pais.

Poder da telinha - Mariana Peixoto

Depois de décadas como patinhos feios da indústria do audiovisual, seriados de televisão ganham prestígio, lançam novas estrelas e recuperam carreiras que andavam em baixa 


Mariana Peixoto

Estado de Minas: 03/09/2013 



Aos 57 anos e com mais de 30 de carreira, Bryan Cranston precisou do seriado Breaking bad para ganhar o direito de frequentar o star system


Técnico-estrela do futebol europeu, o espanhol Pep Guardiola apareceu recentemente na capa da revista alemã 11 Freunde (11 amigos) vestido com a camisa do Bayern de Munique, meião e prancheta na mão direita. Guardiola está em meio a uma área desértica, postado de frente para a câmera, em atitude bem desafiadora. Tal e qual a imagem que serviu de inspiração para a publicação esportiva: uma das fotos mais conhecidas de Walter White, o protagonista de Breaking bad. O lançamento da revista (cuja manchete foi Breaking Pep) coincidiu com o da segunda metade da quinta (e derradeira) temporada da produção televisiva mais comentada dos últimos anos (vale dizer, desde a finada Lost).

Quando o último episódio da série for exibido nos Estados Unidos em 29 deste mês – no Brasil, o quinto ano de Breaking bad estreia somente em 4 de outubro, no canal pago AXN –, seu protagonista, o ator Bryan Cranston, estará com a cabeça longe da produção de metanfetamina que marcou a trajetória de Walter White. A grande aposta – que vem causando muito disse que disse na internet – é de que Cranston vai viver Lex Luthor, o mítico adversário do Super-Homem, na continuação de O homem de aço. Caso confirmado o rumor, ainda terá que manter a careca por um longo tempo. Antes disso, Cranston, que ganhou há dois meses uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood, lança uma nova versão de Godzilla.

Cranston tem 57 anos, ao menos 30 de carreira. Não fosse Breaking bad, esse ator e dublador poderia ficar restrito a personagens secundários, muitos deles vilões canastrões, de séries menores de TV. No próximo dia 22, poderá levar seu quarto Emmy pelo mesmo personagem, o onipresente Walter White. Vai ter como concorrentes Jon Hamm e Damien Lewis, dois atores que, como ele, se tornaram estrelas por causa da televisão: são os protagonistas de Mad men e Homeland, respectivamente. Todos atores que já passaram dos 40 anos e que, depois de labutar muito em pequenos papéis em produções sem grande repercussão, se consagraram na televisão.

Foi a partir de 1999, com Os Sopranos, que consagrou o ator James Gandolfini, que a revolução da teledramaturgia norte-americana teve início. Desde então, a força da criação, antes mola propulsora do cinema, está na TV. Séries com histórias absolutamente originais, que arriscam e não vivem tanto à mercê dos departamentos de marketing quanto os estúdios de Hollywood, fizeram nascer novas estrelas. Mais importante: têm narrativas construídas aos poucos, bem diferentes dos tradicionais seriados, que costumam repetir a mesma fórmula semana após semana.

O que seria de Terry O'Quinn sem o Locke de Lost? Ou de Michael C. Hall, não tivesse ele encarnado o psicopata Dexter? É por causa das narrativas – e de seus personagens, que carregam matizes bem diferentes dos protagonistas rasos dos blockbusters – que o público atual consegue esperar, por meses, para assistir à estreia de uma nova temporada. Não se espera com tanta ansiedade por uma nova produção da Universal ou da Disney quanto se aguarda pelo próximo ano de uma série como Game of thrones (HBO) ou The walking dead (AMC).

Veteranos
Curiosamente, neste Emmy, Cranston, Hamm e Lewis estarão concorrendo na categoria melhor ator em série dramática com veteranos do cinema: Kevin Spacey e Jeff Daniels. Nomes reconhecidos – Spacey tem inclusive dois Oscar, por Beleza americana (1999) e Os suspeitos (1996) –, são exemplos bem-acabados dessa dança das cadeiras. Antes considerada do baixo clero dentro da seara da dramaturgia, a TV tem recebido de braços abertos nomes que fizeram carreira bem longe dela. Daniels encabeça o elenco de The newsroom, produção sobre os bastidores de um influente telejornal.

Spacey é também produtor de House of cards, impecável trama dos bastidores de Washington que é um dos destaque da principal premiação da TV americana neste ano. Isso porque House of cards é a primeira série que concorre ao Emmy que não foi produzida para a TV: foi criada para a internet (pelo site de streaming Netflix). Com orçamento de longa-metragem (US$ 100 milhões por 26 episódios divididos em duas temporadas), traz como novidade para o público a ausência de espera. Explicando melhor: o primeiro ano, com seus 13 capítulos, foi lançado no semestre passado integralmente (uma vantagem e tanto se comparada à costumeira espera de uma semana para um novo episódio). O segundo ano, que será o último, entra no ar no início de 2014.

Spacey é estreante em seriados. “A terra não é mais fértil para contar histórias e dramas no cinema como era antes”, admitiu. Faz dobradinha com outro Kevin, o Bacon, que estreou na TV com a série policial The following, uma das mais comentadas do primeiro semestre. O time masculino de atores, que vêm migrando, pouco a pouco, do cinema para a televisão, ganha em Claire Danes sua representante feminina de maior destaque. Atriz até então reconhecida por um único papel – a Julieta de uma versão moderninha do clássico de Shakespeare (1996), em que fez par romântico com um Leonardo DiCaprio também em início de carreira –, deu a volta por cima em Homeland como Carrie Mathison, uma genial (e psicótica) oficial da CIA especializada em caçar terroristas no Oriente Médio. Em 29 deste mês, retorna (nos EUA) ao personagem, no aguardado terceiro ano da série. Já ganhou dois Globos de Ouro pelo papel. Falta-lhe o Emmy, ao qual concorre no fim do mês.

Revelados pela TV
     (Carlo Allegri/Reuters)



» Bryan Cranston (Breaking bad, quinta temporada estreia em 4 de outubro, no AXN)
» Jon Hamm (Mad men, sétima temporada estreia em 2014)
» Damien Lewis (Homeland, terceira temporada estreia dia 29 deste mês, nos EUA. No Brasil, segunda temporada está sendo reprisada, aos domingos, às 9h15, no FX)
» Jim Parsons (The big bang theory, sétima temporada estreia dia 26 deste mês, nos EUA. No Brasil, Warner exibe reprises às terças, 21h30)
» Lena Dunham (Girls, segunda temporada em reprise às terças, às 22h, na HBO Plus) – foto

Veteranos no cinema, estreantes na TV
 (Ben Stansall/AFP)


» Kevin Spacey (House of cards, segundo ano estreia em 2014 no site de streaming Netflix) – foto
» Kevin Bacon (The following, segundo ano estreia em 2014)
» Jon Voight (Ray Donovan, no ar às segundas, às 21h, na HBO)
» Maggie Smith (Downton Abbey, terceira temporada no ar às quintas, às 22h30, na GNT)
» Don Cheadle (House of lies, reprises da segunda temporada nas quartas, às 2h, na HBO2)

Recuperados pela TV

 (HBO/Divulgação)

» Claire Danes (Homeland, terceira temporada estreia dia 29 deste mês nos EUA. No Brasil, segunda temporada está sendo reprisada, aos domingos, às 9h15, no FX)
» Alec Baldwin (30 rock, já finalizada; Sony reprisa a série aos sábados, às 11h)
» Jeff Daniels (The newsroom, no ar às segundas, às 22h, na HBO) – foto
» Kiefer Sutherland (24 horas, já finalizada)