quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tv Paga

Estado de Minas: 17/10/2013 

 (Discovery/Divulgação)

Histórias de pescador


Tem hora que Jeremy Wade (foto)parece um medroso de marca maior. Mas convenhamos que o cara já passou uns perrengues brabos. Biólogo e pescador radical, ele apresenta o programa Monstros do rio, no Discovery Channel, que abre hoje, às 21h40, sua quinta temporada. E começa pela Nicarágua, no coração da América Central, onde Wade tenta pegar um peixe-elétrico assassino do tamanho de um homem. História de pescador? Sim, mas ele documenta tudo com as câmeras, embora nem sempre consiga achar o peixe que procura. Mas isso faz parte…

Carro blindado vira uma
sala de jogos sobre rodas


Novidade também no Discovery Turbo, que estreia, às 21h, a série Por dentro da West Coast Customs. Para Ryan Friedlinghaus, fundador da oficina, nada é impossível. Ele e sua equipe são chamados sempre para atender  celebridades e milionários, transformando, por exemplo, um carro blindado em uma luxuosa sala de jogos, um motor home em uma sala VIP para profissionais de snowboard e um GMC Denali em uma plataforma multimidia móvel equipada com a última tecnologia em computação. A imaginação é o limite.

Cozinha do GNT aposta na
diversidade gastronômica


No canal GNT, a quinta-feira é de dar água na boca, começando com Tempero de família com Rodrigo Hilbert, às 20h, hoje com um prato com língua. Às 29h30, Olivier Anquier comanda a competição Cozinheiros em ação, com os participantes encarando hoje o desafio de preparar pratos com peixe e frutos do mar. E às 21h30 tem o Que marravilha!, com o chef Claude Troisgros.

Rogério Sganzerla dá sua
versão do mito Noel Rosa


O canal Arte 1 exibe hoje, às 21h30, o filme Isto é Noel Rosa, de Rogério Sganzerla. No mesmo horário, o cantor, compositor e instrumentista pernambucano Siba é o convidado de Paulinho Moska no programa Zoombido, no Canal Brasil. Na Cultura, às 23h30, Fernando Faro recebe a cantora Cristina Buarque no programa Ensaio, gravado no Teatro Fecap, em São Paulo.

Série do SescTV convida
para a festa da vaquejada


No SescTV, às 21h30, a série Coleções desenvolve o tema “Autos populares”, hoje falando da vaquejada, uma cultura tipicamente nordestina, e a competição realizada anualmente no Parque Doutor Geraldo Estrela, em Petrolina (PE). Vaqueiros amadores e profissionais, locutor e organizadores da festa contam suas experiências.

Documentário da Cultura
traça o perfil de Visconti


A Cultura exibe hoje, às 22h, o documentário Luchino Visconti: a vida como um romance, sobre um dos grandes diretores do cinema italiano. E se o assunto é cinema, o assinante tem mais seis boas opções na mesma faixa das 22h: Netto e o domador de cavalos, no Canal Brasil; Julie & Julia, no Sony Spin; Quero ser John Malkovich, no TCM; Valente, no Telecine Premium; Hotel Transilvânia, na HBO; e Sobrenatural, na HBO 2. Outras atrações da programação: Shakespeare apaixonado, às 20h, no Universal Channel; Sin City – A cidade do pecado, às 22h30, no Megapix; O grande truque, às 22h30, na TNT; e Eu, minha mulher e minhas cópias, às 23h, no Comedy Central.

Marina Colasanti-Esse João que é Pedro‏

Marina Colasanti - marinacolasanti.s@gmail.com


Estado de Minas: 17/10/2013 





Em Frankfurt, em uma serena rua residencial não longe da Feira do Livro, há uma casa coberta de hera. Não hera como a nossa, de folhas pequenas como confete, mas hera de folhas triangulares, pontiagudas e erguidas como orelhas de gato, que estremecem ao vento e que, neste começo de outono, se fazem vermelhas. Essa casa viva é o Struwwelpeter Museum, ou Museu João Felpudo, onde fui contar histórias e me encontrar com crianças alemãs.

Pergunto-me quanto as crianças brasileiras conhecem esse herói descabelado que, tendo nascido e se tornado famoso no mundo inteiro em meados do século 19, só chegou aqui em 1942, na tradução de Guilherme de Almeida, transformado de Peter em João. Em Frankfurt, é um ícone da cidade.

Seu criador, o psiquiatra Heinrich Hoffmann, responsável pelo manicômio da cidade, jamais imaginaria tanto sucesso quando, não encontrando nenhum livro infantil de seu gosto para dar de presente ao filho de 3 anos, decidiu ele mesmo fazer um, a partir de um caderno em branco. Escreveu poemas satíricos, fez ilustrações coloridas. Na última página, que havia sobrado, desenhou João com sua imensa cabeleira, suas longuíssimas unhas. E as crianças se apaixonaram por ele, levando o autor a transferi-lo para a capa na terceira edição.

As crianças que estavam agora à minha frente, sentadas no chão para ouvir histórias, bonitas como são bonitas as crianças, eram muito diferentes daquelas que receberam o herói felpudo, e eram as mesmas. Diferentes, porque havia ali meninos e meninas de todas as raças, sua origem inscrita no rosto, nos olhos amendoados ou na pele escura, na boca carnuda ou nos cabelos cor de trigo. Iguais, porque como as de séculos anteriores estavam abertas à imaginação, prontas para acolher a emoção de coisas nunca acontecidas.

Eu as olhava, tão atentas, tão quietas, e dizia para mim mesma que essa atenção, essa capacidade de concentração estabelecida desde cedo, resultará adiante na ordem da cidade, no bom acabamento dos produtos, na limpeza e, certamente, em um tanto de intransigência. E que foi para isso, para que fossem assim, e assim fossem educadas, que os pais saíram de seus países, deixaram para trás seus afetos, seu modo de viver, seu clima, e foram encapotar-se e trabalhar na Alemanha.

Nas paredes vermelhas, uma belíssima exposição das ilustrações de Roger Mello nos rodeava – sim, ocupamos todos os espaços em Frankfurt para mostrar nossa cultura –, havia música, a contadora Michaele Scherenberg narrava. E elas ali, ouvindo, juntas como uma ninhada, a menina oriental fazendo e desfazendo a trança no cabelo louro da amiga, três meninos abraçados, a cabeça de um no ombro do outro, cada um deles vestindo suéter de uma cor, vermelho, amarelo, azul, podendo dar origem a todo o arco-íris.

Depois respondi suas perguntas e surpreendeu-me que fossem tão diferentes das perguntas, sempre as mesmas, que estou acostumada a responder nas escolas. Perguntavam movidos pela curiosidade e pelo interesse, rebatendo minhas respostas, sem que nada no nosso encontro fosse dever, embora tivessem vindo com a escola e lido meus contos antes.

Hoffmann, que escreveu seu livro por achar que aqueles disponíveis eram demasiado “educativos”, certamente sorria em algum canto secreto da casa.

TEREZA CRUVINEL » A preferida

Lula e o PT não gostaram das farpas que Dilma lançou contra Marina, elegendo-a como adversária preferida na certeza de que seria mais fácil derrotá-la no segundo turno 


Tereza Cruvinel
Estado de Minas: 17/10/2013


Não é preciso ser raposa: até uma inofensiva pulga política compreende que, lançando farpas contra Marina Silva, chamando-a para a briga, colocando-a em evidência, a presidente Dilma Rousseff externa a preferência pela ex-petista como adversária em 2014, na certeza de que seria mais fácil derrotá-la no segundo turno. O senador e vice-líder tucano Cássio Cunha Lima arrisca dizer que Dilma só ganharia de Marina perdendo tanto para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) quanto para o governador Eduardo Campos (PSB). Desconte-se, pela condição de candidato, a afirmação de Aécio, feita ontem após reunião com a bancada tucana, de que Dilma perderá para qualquer adversário no segundo turno, pois 60% dos brasileiros seriam contra sua reeleição, dedução que faz a partir dos 42% de preferência que ela teria hoje, segundo o Datafolha. A disputa eleitoral, entretanto, não será uma operação artitmética.
Enquanto se deliciava com o sorvete de bacuri oferecido a todos, no café dos senadores, pelo líder petista Wellington Dias, pela passagem da data cívica do Piauí, o senador Rodrigo Rollemberg, um dos arqueiros de Campos no Congresso, ouvia as advertências do colega tucano Cunha Lima: “Diga ao Eduardo para se acautelar. Dilma quer a Marina como adversária, pois seria fácil derrotá-la no segundo turno. E, para fazer Marina candidata, PT e governo farão o diabo contra Eduardo, para tirá-lo do páreo. Da canelada à degola, ele está sujeito a tudo”. “Chegarão a tanto?”, desconversou Rollemberg.

No PT, muita gente não gostou das farpas, embora evitando verbalizar tal censura a Dilma. O ex-presidente Lula também não teria gostado. Nesse grupo, há quem diga que Dilma foi apenas impulsiva ou tinhosa com as duas estocadas que teriam Marina como alvo: quando disse que todos podem postular a Presidência, mas que precisam estudar os problemas do país, e quando respondeu diretamente às críticas de Marina, de que seu governo estaria “extrapolando o teto da meta” da inflação (6%), o que é sabidamente incorreto, pois o índice está acima é do centro da meta (4,5%). Marina acusou Dilma também de colocar em risco o tripé tucano-petista na economia, composto por inflação controlada, câmbio flutuante e superávit fiscal rigoroso. Dilma rebateu ponto por ponto. Hoje, ainda com Marina na cabeça, a petista lança um importante programa de agricultura ambiental.

Nas proximidades de Lula, garante-se que Dilma não foi aconselhada a “farpear”. Pelo contrário, ali se ouve que, por ora, ela devia evitar referências aos adversários, seguindo o que disse Lula ao Estado de Minas, na entrevista do dia 30 passado: “O PT não escolhe adversários. Deve estar preparado para enfrentar e ganhar de qualquer um”.

Mas é incontroverso que seria mais fácil, para Dilma, derrotar Marina no segundo turno, por uma série de razões bastante conhecidas. “Pela baixa institucionalidade dela”, diz Cunha Lima. Traduzindo isso do politiquês para a vida real: porque Marina não tem sequer um partido para lhe dar sustentação parlamentar, não teria uma coalizão de apoio, já que considera todos os partidos carcomidos (agora reabilitou o PSB, ao ingressar nele), porque enfrentaria resistências do capital e, sobretudo, a insegurança do eleitorado num segundo turno, na hora de escolher entre quem está de fato governando, goste-se dela ou não, e quem se propõe a governar em bases tão idealistas. 

Quando Marina diz que Dilma está sendo chantageada pelo Congresso e que é possível montar coalizões baseadas só em programas, sem lotear o governo, de duas uma: ou ela não sabe do que está falando, ou conhece a realidade, mas prefere verbalizar o sonho. No sistema que temos hoje, não se governa sem coalizões, com base apenas em fundamentos políticos e morais.
Cunha Lima compara Marina ao Lula de 1989. “Collor perderia de Covas, de Brizola e até de Maluf no segundo turno. Só ganharia de Lula. Por isso os que torciam por ele tudo fizeram para que o candidato do PT chegasse lá. Chegou, foi massacrado e perdeu, como previsto.”

Mas, ainda que Dilma queira, que os marinistas insistam, que os institutos continuem pesquisando as intenções de votos em Marina e que elas superem as de Eduardo, os caciques do PSB garantem que será ele o candidato. Apostam agora no aumento da migração dos votos de Marina para Campos, a ser confirmado por novas pesquisas.

Faltando ele

O PSC tem feito pesquisas, com institutos menores, sobre o potencial eleitoral de seu candidato a presidente, Pastor Everaldo. Os resultados são mantidos a sete chaves, com o argumento de que ele prefere crescer em silêncio. É óbvia, porém, a dedução de que ele não pode ter mais de 1% dos votos, considerados os resultados dos grandes institutos, que não incluem seu nome na cartela, devendo habitar a faixa dos “nanicos”, em que o marqueteiro de Dilma, João Santana, tentou jogar todos os postulantes. Mesmo assim, numa eleição apertada, até 0,5% dos votos faz muita diferença, podendo forçar o segundo turno. Na hora certa, o PSC pode valer-se dos índices de Everaldo para negociar com algum dos três candidatos sólidos.


Salada sonhática

A excitação com os rumos da sucessão continua alta nas rodas políticas. Os dilmistas achando que agora ela pode até ganhar no primeiro turno, os da oposição fazendo contas sobre o melhor caminho para destronar o PT. Numa delas, alguém até sugeriu ontem a chapa da oposição que seria imbatível. Eduardo disputaria a Presidência, tendo o governador tucano de Minas, Antonio Anastasia, como vice. Para não perder Minas para o PT, onde o ministro Fernando Pimentel lidera, Aécio disputaria o governo do estado. Seria consagrado. Marina disputaria o Senado pelo Acre e Serra o Senado por São Paulo, para ser ministro da Fazenda

MOSTRA » Mestre do documentário‏

Estado de Minas: 17/10/2013 



Eduardo Coutinho completa 80 anos e ganha livro e retrospectiva em São Paulo (Walter Craveiro/Flip Divulgação)
Eduardo Coutinho completa 80 anos e ganha livro e retrospectiva em São Paulo

A 37ª Mostra Internacional de Cinema, que será promovida de sexta-feira até o dia 31, em São Paulo, fará homenagem Eduardo Coutinho, o mestre do documentário brasileiro, que completa 80 anos. Além de mostra retrospectiva com filmes do cineasta, haverá o lançamento de livro fruto de parceria das Edições Sesc e Cosac Naify. O livro reúne textos em que Coutinho opinou sobre cinema – o seu e o de outros. São dois textos sobre documentário; 40 críticas cinematográficas, escritas para o Jornal do Brasil entre 1973 e 1974, inéditas em livro; e dois textos memorialísticos. Traz, também, depoimentos do cineasta – 10 entrevistas longas cobrindo um arco de tempo que vai de 1976 a 2012 – e de quem conviveu com ele em filmagens, revelando a figura humana e seu processo de trabalho. Na parte final, 27 críticos de várias gerações dissecam seus principais filmes, em um conjunto de textos antológicos e outro de inéditos, especialmente escritos para esse livro. Completam a obra uma cronologia com imagens de arquivo e uma filmografia detalhada.

Coutinho começou sua carreira como roteirista em meio ao Cinema Novo, época em que dirigiu seus únicos longas ficcionais, como O homem que comprou o mundo (1968) e Faustão (1971). No anos 1970 passou a trabalhar no Globo repórter, onde realizou seus primeiros documentários, entre os quais Seis dias de Ouricuri (1976) e Theodorico, o imperador do sertão (1978). A partir dos anos 1980, com Cabra marcado para morrer (1984), sua carreira como documentarista se solidificou. Ele realizou filmes como Santo forte (1999), Edifício Master (2002) e Jogo de cena (2007), obras essenciais da cinematografia brasileira. Os filmes citados estão entre os 20 selecionados pelo próprio Coutinho para a sua retrospectiva, que contém obras raras como o curta-metragem Porrada (2000).

Durante duas semanas, serão exibidos na Mostra Internacional de Cinema cerca de 350 títulos de variados países e diversas cinematografias em mais de 20 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela capital paulista. A seleção deste ano faz apanhado do que o cinema contemporâneo mundial está produzindo, além das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas produzidas em todo o mundo. São cinco seções: Competição novos diretores – que exibe títulos de diretores que tenham realizado até dois longas (os mais bem votados pelo público serão vistos pelo júri internacional, que escolhe posteriormente os que vão receber o Troféu Bandeira Paulista); Perspectiva internacional – que apresenta panorama do recente cinema mundial; Retrospectivas – seção com obras de diretores importantes ou mesmo desconhecidos; Apresentações especiais – exibição de clássicos ou de filmes de diretores que estão sendo homenageados pela mostra; Mostra Brasil – títulos brasileiros inéditos em São Paulo.