Tereza Cruvinel - Fora de hora
Estado de Minas: 12/12/2013
Começa hoje o 5º
Congresso do PT, que boa parte dos petistas graduados considera
inoportuno e, se pudessem, adiariam. Como a direção já foi renovada pelo
voto direto em novembro, e o momento não recomenda ações reformadoras
de grande envergadura nas vésperas do ano eleitoral, o grande encontro
servirá para a reafirmação da candidatura de Dilma, que aparecerá ao
lado de Lula para desestimular qualquer movimento “queremista”, e para a
realização do primeiro ato oficial de solidariedade do partido aos
petistas presos — o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio
Soares e o ex-presidente da legenda José Genoino.
Para começar,
os delegados são os mesmos que recentemente votaram o processo de
eleições diretas dos novos dirigentes nacionais, regionais e locais.
Logo, não há clima mudancista nem disposição renovadora entre os que
participarão de um congresso concebido inicialmente para atualizar os
compromissos programáticos do partido, 10 anos depois de sua chegada ao
poder, e de todas as mudanças ocorridas no mundo e no país, nesse
período. Como diz uma eminência petista quase irritada com o Congresso,
um encontro que não foi precedido de um franco e vigoroso debate nas
bases, como ocorria antigamente, não levará a uma formulação inovadora
sobre “o Brasil que queremos”, como sugere a propaganda do evento.
E
isso não ocorreu, entre muitas outras razões, porque o momento não
recomenda. Às vésperas de um ano eleitoral, em que estará em causa a
Presidência da República, conquistada em 2002, nenhum partido abrirá um
processo revisionista, para usar um chavão da esquerda. O momento é de
destacar acertos, não de repisar os erros, embora isso deva ser feito na
hora adequada, diz a mesma fonte do partido. O momento ideal para a
realização de tal congresso, diz o petista ilustre, seria no início de
2015, qualquer que fosse o resultado eleitoral de 2014. Com Dilma
reeleita, o segundo mandato estaria em debate, pois tal como 66% da
população que, segundo as pesquisas, deseja mudanças na orientação do
governo, os petistas querem mudanças de rumo em algumas áreas no
eventual segundo mandato de Dilma. Em caso de derrota, um congresso em
2015 também viria a calhar, abrindo espaço para a catarse do revés e o
debate sobre as necessárias correções. Mas agora, com todo mundo se
armando para a campanha, não é hora de remexer feridas ou mexer em
programa partidário. No máximo, será aprovado o documento elaborado por
Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais da
Presidência da República, que atualiza algumas questões programáticas,
especialmente pela inclusão de temas novos que não apareciam no programa
original.
Num congresso de discussões políticas rarefeitas, o
grande momento será hoje à noite, na abertura, que terá as participações
de Lula e Dilma, e Rui Falcão será reempossado na presidência. A
aparição conjunta dos dois servirá para inibir algum eventual coro de
“volta, Lula”. O próprio Lula teria recomendado este formato. E amanhã,
pela manhã, ocorrerá o ato de solidariedade aos petistas presos, bem
como homenagens póstumas ao governador de Sergipe, Marcelo Déda, e ao
ex-ministro Luis Gushinken, que morreram este ano.
Ou seja, muito
barulho por quase nada, mas, como em política não existe gesto inútil,
os fotógrafos é que trabalharão muito, para atender o batalhão de
candidatos que vão querer uma foto posada ao lado de Lula. Ou de Dilma.
Por via das dúvidas, com os dois.
Companhias de viagem
Sobre
o que conversaram Dilma e seus quatro antecessores – Collor, Sarney,
FHC e Lula – durante o voo para o funeral de Nelson Mandela, ainda
saberemos. A apuração, por parte de jornalistas e políticos, está em
curso. Dilma ficou bem na foto com todos eles. Pegou bem. A decisão foi
dela mesma, mas pode ter envolvido outro elemento. Voando para tão
longe, para representar o Brasil, o natural era que Dilma conferisse o
status de viagem de Estado ao deslocamento às custas do erário. Para
isso, o caminho mais curto, e até banal, era convidar os presidentes dos
demais poderes. Mas aí começariam os problemas. Com as feridas do PT
sangrando, por causa das prisões de Dirceu, Genoino e Delúbio, como
convidar Joaquim Barbosa, presidente do Supremo? E quanto ao Congresso,
tudo bem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mas
Dilma anda muito irritada com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN), por causa da sua insistência em votar matérias que
desagradam ao governo, afora o incidente com o PT que levou à renúncia
de Genoino. Convidando os antecessores, Dilma livrou-se do incômodo de
ter que chamar esses outros condôminos do poder.
Pelos estados: Minas
Muita
gente dá como certa a candidatura do ex-ministro Pimenta da Veiga ao
governo de Minas Gerais, pelo PSDB, mas, oficialmente, o senador Aécio
Neves, presidente nacional da legenda, ainda não bateu o martelo. Das
quatro candidaturas iniciais, persiste a do presidente do partido no
estado, deputado Marcus Pestana. Com isso, o candidato do PT, ministro
Fernando Pimentel, continua solto na raia, mas não conseguiu, ainda,
garantir o apoio do PMDB mineiro. A uma graduada embaixada petista,
chefiada por Pimentel, o senador Clésio Andrade reiterou sua própria
candidatura a governador. O PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo
Campos, continua sem candidato, diante da recusa peremptória do prefeito
Marcio Lacerda em deixar o cargo para concorrer. A não ser que Aécio e
Campos tenham se entendido em torno de um chapa comum no jantar que
tiveram no Rio de Janeiro.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Marina Colasanti -Mala suerte
Marina Colasanti - marinacolasanti.s@gmail.com
Estado de Minas: 12/12/2013
Uma mala de mulher, bem arrumada, é como uma peça de relojoaria suíça em que tudo se encaixa, tudo serve ao seu fim, e nada sobra. Para viagens internacionais, minha estratégia sempre foi implacável e milimétrica, traçada no papel bem antes de chegar ao armário. Mas tem se revelado inútil. As malas tão bem concebidas não chegam.
Fui a Cuba no mês passado e a mala só me alcançou dois dias depois da chegada, quando já estava quase na hora de voltar. Não era só eu a desnuda do congresso, havia gente esperando há cinco dias, repetindo a cada noite a rotina humilhante de lavar e pendurar no banheiro a mesma camisa, a mesma roupa íntima. Teríamos fundado o Movimento dos sem Mala se não acreditássemos tratar-se de uma casualidade. Nefanda, é certo, mas eventual.
Talvez não fosse. Viajei a semana passada para a Feira de Guadalajara e novamente a mala não chegou. Dessa vez soube antes mesmo de chegar ao meu destino porque, depois de longa espera, não a vi surgir na esteira do aeroporto do México. Hora de dar queixa no balcão de malas extraviadas, embora fosse também hora de trocar de terminal e pegar outro voo até Guadalajara.
O senhor do balcão, funcionário minucioso, quis anotar tudo sobre a minha mala, cor, feitio e conteúdo. Perguntou como era a roupa que continha, inquiriu sobre cor e feitio, quis saber se os sapatos eram de salto alto ou baixo, qual o nome dos remédios que levava. Temi que se tornasse mais pessoal. Afinal, penalizado porque eu lhe mostrava o relógio e o horário da passagem, sugeriu que para chegar mais rapidamente eu fosse de cadeira de rodas, empurrada por seu jovem assistente e sem ter que parar na barreira alfandegária. Sem desconfiar do entusiasmo do assistente, concordei. E eis que me vi como em uma cena de comédia, senhora antes distinta agora empurrada pelo aeroporto em velocidade de Fórmula 1, cabelos ao vento, ameaçando de colisão senhores e criancinhas.
Não perdi a conexão, perdi a mala. E mais uma vez tive que sair em busca de uma farmácia e à procura de uma roupa que me servisse, a mais simples e mais conveniente para qualquer ocasião. À tarde, participei de uma mesa-redonda e no dia seguinte, com o mesmo traje todo preto, fiz minha conferência. Um corvo, mas limpinha.
Novamente, não era só eu a sem mala. Porém, enquanto a minha amiga, estupenda professora vinda da Espanha, recebeu sua mala no hotel, eu, hóspede do mesmo hotel, recebi um recado informando que deveria ir recolher a minha no aeroporto. Por que essa diferença? Porque, ao contrário das malas vindas da Europa, as provenientes da América do Sul têm que ser abertas – suspeita-se imediatamente que contenham drogas – na presença do proprietário.
E fui eu para o aeroporto, uma hora de chão. Lá chegando, recebi sem delongas e sem explicações minha mala, já aberta, cadeado quebrado, fechada com um lacre plástico.
Pensei que fosse dose suficiente para duas viagens. Estava sendo modesta. Pois se é verdade que a minha mala não se extraviou na volta, é verdade também que ao abri-la, já em casa, verifiquei que o lacre de plástico havia sido rompido, a mala havia sido aberta e revirada a nécessaire. O que os ladrões do Galeão procuravam? Perfume, suponho, pois junto com o meu havia chegado um voo vindo de Paris.
Estado de Minas: 12/12/2013
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Uma mala de mulher, bem arrumada, é como uma peça de relojoaria suíça em que tudo se encaixa, tudo serve ao seu fim, e nada sobra. Para viagens internacionais, minha estratégia sempre foi implacável e milimétrica, traçada no papel bem antes de chegar ao armário. Mas tem se revelado inútil. As malas tão bem concebidas não chegam.
Fui a Cuba no mês passado e a mala só me alcançou dois dias depois da chegada, quando já estava quase na hora de voltar. Não era só eu a desnuda do congresso, havia gente esperando há cinco dias, repetindo a cada noite a rotina humilhante de lavar e pendurar no banheiro a mesma camisa, a mesma roupa íntima. Teríamos fundado o Movimento dos sem Mala se não acreditássemos tratar-se de uma casualidade. Nefanda, é certo, mas eventual.
Talvez não fosse. Viajei a semana passada para a Feira de Guadalajara e novamente a mala não chegou. Dessa vez soube antes mesmo de chegar ao meu destino porque, depois de longa espera, não a vi surgir na esteira do aeroporto do México. Hora de dar queixa no balcão de malas extraviadas, embora fosse também hora de trocar de terminal e pegar outro voo até Guadalajara.
O senhor do balcão, funcionário minucioso, quis anotar tudo sobre a minha mala, cor, feitio e conteúdo. Perguntou como era a roupa que continha, inquiriu sobre cor e feitio, quis saber se os sapatos eram de salto alto ou baixo, qual o nome dos remédios que levava. Temi que se tornasse mais pessoal. Afinal, penalizado porque eu lhe mostrava o relógio e o horário da passagem, sugeriu que para chegar mais rapidamente eu fosse de cadeira de rodas, empurrada por seu jovem assistente e sem ter que parar na barreira alfandegária. Sem desconfiar do entusiasmo do assistente, concordei. E eis que me vi como em uma cena de comédia, senhora antes distinta agora empurrada pelo aeroporto em velocidade de Fórmula 1, cabelos ao vento, ameaçando de colisão senhores e criancinhas.
Não perdi a conexão, perdi a mala. E mais uma vez tive que sair em busca de uma farmácia e à procura de uma roupa que me servisse, a mais simples e mais conveniente para qualquer ocasião. À tarde, participei de uma mesa-redonda e no dia seguinte, com o mesmo traje todo preto, fiz minha conferência. Um corvo, mas limpinha.
Novamente, não era só eu a sem mala. Porém, enquanto a minha amiga, estupenda professora vinda da Espanha, recebeu sua mala no hotel, eu, hóspede do mesmo hotel, recebi um recado informando que deveria ir recolher a minha no aeroporto. Por que essa diferença? Porque, ao contrário das malas vindas da Europa, as provenientes da América do Sul têm que ser abertas – suspeita-se imediatamente que contenham drogas – na presença do proprietário.
E fui eu para o aeroporto, uma hora de chão. Lá chegando, recebi sem delongas e sem explicações minha mala, já aberta, cadeado quebrado, fechada com um lacre plástico.
Pensei que fosse dose suficiente para duas viagens. Estava sendo modesta. Pois se é verdade que a minha mala não se extraviou na volta, é verdade também que ao abri-la, já em casa, verifiquei que o lacre de plástico havia sido rompido, a mala havia sido aberta e revirada a nécessaire. O que os ladrões do Galeão procuravam? Perfume, suponho, pois junto com o meu havia chegado um voo vindo de Paris.
TV
TV paga
Estado de Minas: 12/12/2013
Boa música
Quem aí se lembra de Paulinho Boca de Cantor? Um dos fundadores da banda Os Novos Baianos, ao lado de Pepeu Gomes, Baby Consuelo e Moraes Moreira, o músico é o convidado de hoje de Paulinho Moska no programa Zoombido, às 21h30, no Canal Brasil. Outra atração musical que merece a atenção do assinante é o concerto do violoncelista Yo-Yo Ma com a Silk Road Ensemble (foto), orquestra formada por jovens instrumentistas de 23 países, que o canal Arte 1 apresenta às 22h.
SescTV vai pegar hoje
o rumo da Estrada Real
No SecTV, o destaque de hoje tem tudo a ver com Minas Gerais. Às 21h30m, na série Coleções, vai ao ar um documentário sobre a Estrada Real. Construída em meados do século 18 por determinação da Coroa Portuguesa, a estrada tinha a finalidade de auxiliar no escoamento do ouro e diamantes das terras mineiras, por meio de trilhas outorgadas pela realeza. Daí o nome Estrada Real.
Série Boys toys garante
a alegria dos marmanjos
Uma das mais curiosas produções do canal History, a série Boys toys mostra hoje, às 21h, o Arial Atom 3.5, um carro projetado para estrada que funciona incrivelmente bem em uma pista de corrida. Outro brinquedinho que todo marmanjo adoraria ganhar é o Czeers MK1, o primeiro navio do mundo que funciona com energia solar. A atração traz ainda a Veloce Espresso, uma máquina de café de última geração, e testa o Venturi VBB-3, o carro elétrico mais poderoso do mercado.
Cultura mostra o perfil
de Bernardo Bertolucci
Continuando no segmento dos documentários, a Cultura reservou para hoje, às 22h, a biografia do diretor italiano Bernardo Bertolucci, Reflexões no cinema. Bertolucci ficou famoso com O último tango em Paris, que causou escândalo em 1973, mas realizou outros filmes tão bons ou melhores, como 1900, La Luna, O pequeno Buda, Beleza roubada, O assédio e O último imperador, com o qual ganhou nove Oscars em 1987.
Angelina Jolie faz hora
extra hoje no canal FX
Por falar em cinema, o canal FX emenda esta noite dois filmes estrelados por Angelina Jolie: Lara Croft – Tomb raider, às 20h45, e Sr. e Sra. Smith, às 22h30. Na concorrida faixa das 22h, o assinante tem mais cinco opções: Noroeste, no Max Prime; A separação, no Max; João e Maria – Caçadores de bruxas, no Telecine Premium; A negociação, no Telecine Pipoca; e Operação Sofia, no Telecine Action. Outras atrações da programação: A rainha tirana, às 20h15, no Telecine Cult; A marca, às 20h15, no Universal Channel; As loucuras de Dick e Jane, às 21h, no Comedy Central; Divã, às 21h30, no Viva; Caindo na real, às 22h05, no TCM; O plano perfeito, às 22h30, na Fox; e O último exorcismo, às 22h35, no Megapix.
Estado de Minas: 12/12/2013
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Boa música
Quem aí se lembra de Paulinho Boca de Cantor? Um dos fundadores da banda Os Novos Baianos, ao lado de Pepeu Gomes, Baby Consuelo e Moraes Moreira, o músico é o convidado de hoje de Paulinho Moska no programa Zoombido, às 21h30, no Canal Brasil. Outra atração musical que merece a atenção do assinante é o concerto do violoncelista Yo-Yo Ma com a Silk Road Ensemble (foto), orquestra formada por jovens instrumentistas de 23 países, que o canal Arte 1 apresenta às 22h.
SescTV vai pegar hoje
o rumo da Estrada Real
No SecTV, o destaque de hoje tem tudo a ver com Minas Gerais. Às 21h30m, na série Coleções, vai ao ar um documentário sobre a Estrada Real. Construída em meados do século 18 por determinação da Coroa Portuguesa, a estrada tinha a finalidade de auxiliar no escoamento do ouro e diamantes das terras mineiras, por meio de trilhas outorgadas pela realeza. Daí o nome Estrada Real.
Série Boys toys garante
a alegria dos marmanjos
Uma das mais curiosas produções do canal History, a série Boys toys mostra hoje, às 21h, o Arial Atom 3.5, um carro projetado para estrada que funciona incrivelmente bem em uma pista de corrida. Outro brinquedinho que todo marmanjo adoraria ganhar é o Czeers MK1, o primeiro navio do mundo que funciona com energia solar. A atração traz ainda a Veloce Espresso, uma máquina de café de última geração, e testa o Venturi VBB-3, o carro elétrico mais poderoso do mercado.
Cultura mostra o perfil
de Bernardo Bertolucci
Continuando no segmento dos documentários, a Cultura reservou para hoje, às 22h, a biografia do diretor italiano Bernardo Bertolucci, Reflexões no cinema. Bertolucci ficou famoso com O último tango em Paris, que causou escândalo em 1973, mas realizou outros filmes tão bons ou melhores, como 1900, La Luna, O pequeno Buda, Beleza roubada, O assédio e O último imperador, com o qual ganhou nove Oscars em 1987.
Angelina Jolie faz hora
extra hoje no canal FX
Por falar em cinema, o canal FX emenda esta noite dois filmes estrelados por Angelina Jolie: Lara Croft – Tomb raider, às 20h45, e Sr. e Sra. Smith, às 22h30. Na concorrida faixa das 22h, o assinante tem mais cinco opções: Noroeste, no Max Prime; A separação, no Max; João e Maria – Caçadores de bruxas, no Telecine Premium; A negociação, no Telecine Pipoca; e Operação Sofia, no Telecine Action. Outras atrações da programação: A rainha tirana, às 20h15, no Telecine Cult; A marca, às 20h15, no Universal Channel; As loucuras de Dick e Jane, às 21h, no Comedy Central; Divã, às 21h30, no Viva; Caindo na real, às 22h05, no TCM; O plano perfeito, às 22h30, na Fox; e O último exorcismo, às 22h35, no Megapix.
CARAS & BOCAS »
Graciliano Ramos na telinha
Simone Castro
Publicação: 12/12/2013 04:00
O diretor Luiz Fernando Carvalho prepara uma surpresa para o telespectador: na noite do dia 18, vai ao ar o especial Alexandre e outros heróis (Globo), uma homenagem a Graciliano Ramos, escritor alagoano de contos infantojuvenis adaptados na obra. A atração foi lançada anteontem, no galpão de ensaios do Projac, no Rio de Janeiro. No espaço, Ney Latorraca, Marcelo Serrado, Marcella Cartaxo, Flávio Bauraqui, Lucy Pereira e Flávio Rocha construíram, durante meses, seus personagens por meio de um processo intenso de preparação, como é do feitio do diretor. Ao final, segundo Latorraca, toda a equipe acabou se tornando uma trupe de teatro. “Este é um trabalho que acredita na inteligência das pessoas”, resumiu o ator. Entre as curiosidades das gravações, os atores se divertiram ao relembrar os bastidores das gravações, quando apelidavam os sapos e galinhas da locação, uma antiga fazenda à beira do Rio São Francisco. Luiz Fernando Carvalho também destacou as semanas em que estiveram em Pão de Açúcar, município de Alagoas: “Fomos gravar em Alagoas com uma equipe pequena, que lá se juntou aos talentos locais. Este é um trabalho de grupo. Meu esforço maior é estimular cada vez mais a criatividade dos meus colaboradores”, afirmou. Alexandre e outros heróis vai ao ar depois de Amor à vida.
BRASIL DAS GERAIS FESTEJA
ANIVERSÁRIO DA CAPITAL
Belo Horizonte faz hoje 116 anos e o Brasil das Gerais comemora a data levando o telespectador a conhecer histórias de pessoas que viveram e vivem o dia a dia da capital mineira, além de guardar lembranças afetivas de sua relação com a cidade. Qual é a BH que existe dentro de cada morador? Como o cidadão belo-horizontino vê a cidade e suas mudanças com o passar dos anos? No estúdio, o arquiteto Roberto Andrés, criador do Guia morador, livro que apresenta uma capital mineira não oficial, e a escritora Stella Maris, que lançou o livro A mocinha do Mercado Central, além do jornalista José Eduardo Gonçalves, editor da coleção BH de cada um, que reúne um mosaico de fatos, histórias, lembranças e relatos sobre a capital. Às 19h30, na Rede Minas.
CANAL VIVA JÁ PREPARA
ESQUENTA DE CARNAVAL
A folia de Momo é só em março, mas o esquenta para o Viva folia começa hoje. O canal Viva (TV paga) exibirá boletins durante sua programação para preparar a transmissão ao vivo do desfile do grupo de acesso de São Paulo, em 2 de março de 2014. Serão cinco inserções, com duração de três a cindo minutos, que mostrarão o clima nos barracões, além de entrevistas com o presidente de cada escola, com os carnavalescos e com o casal de mestre-sala e porta-bandeira.
CONFIRA SÉRIES INDICADAS
A PRÊMIO DE HOLLYWOOD
O Sindicato de Atores de Hollywood anunciou os indicados ao Screen Actors Guild Award 2014. Saiba quais são as séries que disputarão o prêmio. Em elenco em série dramática, estão na disputa: Boardwalk empire, Breaking bad, Downton abbey, Homeland e Game of thrones. Na categoria de ator em série dramática destacam-se Bryan Cranston (Breaking bad) e Peter Dinklage (Games of thrones). Já como atriz em série dramática, disputam Claire Danes (Homeland), Maggie Smith (Downton abbey) e Jessica Lange (American horror story). Em elenco em série cômica, estão, entre outros, The big bang theory e 30 rock. Entre os atores de comédia, Alec Baldwin (30 rock) e Jim Parsons (The big bang theory). Já Tina Fey (30 rock), Edie Falco (Nurse Jackie) e Julia Louis-Dreyfus (Veep) concorrem na categoria atrizes de comédia.
CLÁSSICO DO CINEMA
Um clássico da literatura, de autoria de Ira Levin, escrito em 1968, e do cinema, com a assinatura de Roman Polanski, O bebê de Rosemary vai ganhar versão na TV. A rede NBC vai adaptar o suspense para uma minissérie com quatro horas de duração. O que se pretende é conquistar uma nova geração de espectadores para a história e personagens marcantes, segundo o site Spoiler TV. A trama é sobre um casal que se muda para um prédio cujo passado é misterioso e seus habitantes gentis até demais. O roteiro estará a cargo de Scott Abbott e James Wong, da equipe da série American horror story, com direção de Agnieszka Holland, da série Treme, da HBO. Ainda não há data de início da produção.
VIVA
A ótima Pé na cova (Globo): uma das produções marcantes de 2013.
VAIA
Trama sem ação para uma novela de aventura como Além do horizonte (Globo).
Simone Castro
Publicação: 12/12/2013 04:00
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| Ney Latorraca, Marcélia Cartaxo, Marcelo Serrado, Flávio Rocha, Lucy Pereira e Flávio Bauraqui: elenco especial |
O diretor Luiz Fernando Carvalho prepara uma surpresa para o telespectador: na noite do dia 18, vai ao ar o especial Alexandre e outros heróis (Globo), uma homenagem a Graciliano Ramos, escritor alagoano de contos infantojuvenis adaptados na obra. A atração foi lançada anteontem, no galpão de ensaios do Projac, no Rio de Janeiro. No espaço, Ney Latorraca, Marcelo Serrado, Marcella Cartaxo, Flávio Bauraqui, Lucy Pereira e Flávio Rocha construíram, durante meses, seus personagens por meio de um processo intenso de preparação, como é do feitio do diretor. Ao final, segundo Latorraca, toda a equipe acabou se tornando uma trupe de teatro. “Este é um trabalho que acredita na inteligência das pessoas”, resumiu o ator. Entre as curiosidades das gravações, os atores se divertiram ao relembrar os bastidores das gravações, quando apelidavam os sapos e galinhas da locação, uma antiga fazenda à beira do Rio São Francisco. Luiz Fernando Carvalho também destacou as semanas em que estiveram em Pão de Açúcar, município de Alagoas: “Fomos gravar em Alagoas com uma equipe pequena, que lá se juntou aos talentos locais. Este é um trabalho de grupo. Meu esforço maior é estimular cada vez mais a criatividade dos meus colaboradores”, afirmou. Alexandre e outros heróis vai ao ar depois de Amor à vida.
BRASIL DAS GERAIS FESTEJA
ANIVERSÁRIO DA CAPITAL
Belo Horizonte faz hoje 116 anos e o Brasil das Gerais comemora a data levando o telespectador a conhecer histórias de pessoas que viveram e vivem o dia a dia da capital mineira, além de guardar lembranças afetivas de sua relação com a cidade. Qual é a BH que existe dentro de cada morador? Como o cidadão belo-horizontino vê a cidade e suas mudanças com o passar dos anos? No estúdio, o arquiteto Roberto Andrés, criador do Guia morador, livro que apresenta uma capital mineira não oficial, e a escritora Stella Maris, que lançou o livro A mocinha do Mercado Central, além do jornalista José Eduardo Gonçalves, editor da coleção BH de cada um, que reúne um mosaico de fatos, histórias, lembranças e relatos sobre a capital. Às 19h30, na Rede Minas.
CANAL VIVA JÁ PREPARA
ESQUENTA DE CARNAVAL
A folia de Momo é só em março, mas o esquenta para o Viva folia começa hoje. O canal Viva (TV paga) exibirá boletins durante sua programação para preparar a transmissão ao vivo do desfile do grupo de acesso de São Paulo, em 2 de março de 2014. Serão cinco inserções, com duração de três a cindo minutos, que mostrarão o clima nos barracões, além de entrevistas com o presidente de cada escola, com os carnavalescos e com o casal de mestre-sala e porta-bandeira.
CONFIRA SÉRIES INDICADAS
A PRÊMIO DE HOLLYWOOD
O Sindicato de Atores de Hollywood anunciou os indicados ao Screen Actors Guild Award 2014. Saiba quais são as séries que disputarão o prêmio. Em elenco em série dramática, estão na disputa: Boardwalk empire, Breaking bad, Downton abbey, Homeland e Game of thrones. Na categoria de ator em série dramática destacam-se Bryan Cranston (Breaking bad) e Peter Dinklage (Games of thrones). Já como atriz em série dramática, disputam Claire Danes (Homeland), Maggie Smith (Downton abbey) e Jessica Lange (American horror story). Em elenco em série cômica, estão, entre outros, The big bang theory e 30 rock. Entre os atores de comédia, Alec Baldwin (30 rock) e Jim Parsons (The big bang theory). Já Tina Fey (30 rock), Edie Falco (Nurse Jackie) e Julia Louis-Dreyfus (Veep) concorrem na categoria atrizes de comédia.
CLÁSSICO DO CINEMA
Um clássico da literatura, de autoria de Ira Levin, escrito em 1968, e do cinema, com a assinatura de Roman Polanski, O bebê de Rosemary vai ganhar versão na TV. A rede NBC vai adaptar o suspense para uma minissérie com quatro horas de duração. O que se pretende é conquistar uma nova geração de espectadores para a história e personagens marcantes, segundo o site Spoiler TV. A trama é sobre um casal que se muda para um prédio cujo passado é misterioso e seus habitantes gentis até demais. O roteiro estará a cargo de Scott Abbott e James Wong, da equipe da série American horror story, com direção de Agnieszka Holland, da série Treme, da HBO. Ainda não há data de início da produção.
VIVA
A ótima Pé na cova (Globo): uma das produções marcantes de 2013.
VAIA
Trama sem ação para uma novela de aventura como Além do horizonte (Globo).
O presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, defende a legislação sobre obras de arte
Dentro da lei
O presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, defende a legislação sobre obras de arte, que alarmou galeristas e colecionadores. Para ele, o governo não prejudicará o mercado
Walter Sebastião
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O mercado está em polvorosa. Motivo: o decreto
assinado em outubro pela presidente Dilma Rousseff – regulamentando lei
que criou o Estatuto dos Museus – alterou o conceito de coleções pública
e privada de arte, além de permitir ao Estado fiscalizar obras, desde
que elas sejam definidas como bens de interesse para o país.
Galeristas, artistas e colecionadores acusam o Estado de desrespeitar a propriedade privada. A venda dessas obras de arte terá de ser aprovada pelo governo. O decreto deixa claro: o proprietário do quadro, escultura ou instalação, por exemplo, “não procederá à saída permanente do bem do país, exceto por curto período, para fins de intercâmbio cultural, com a prévia autorização do Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico, ou, caso se destine a transferência de domínio, desde que comprovada a observância do direito de preferência do Ibram”. No caso de venda judicial e leilões, o Estado tem a primazia na aquisição dessas obras.
O responsável por peças declaradas de interesse público não pode restaurá-las, vendê-las e emprestá-las sem autorização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está analisando as novas normas e estuda recorrer à Justiça contra o decreto.
O presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, diz que “vozes precipitadas” espalharam “alarme” sobre as novas regras, mas acredita que os ânimos já serenaram. A pedido do Estado de Minas, ele responde às dúvidas sobre o decreto.
CARLOS PERKTOLD
Crítico de arte e colecionador
Alega-se que o decreto prejudica o mercado de arte, imaginando-se que peças de alto valor artístico e financeiro passam a correr risco de ser declaradas de interesse nacional. Como elas serão selecionadas?
Angelo Oswaldo – Houve, sim, alarde e alarme. Vozes precipitadas espalharam interpretações que não traduziram a realidade da nova legislação. O receio se disseminou principalmente no mercado, que se autoprejudicava ao insistir nessas versões. Agora, com os esclarecimentos gerais, os ânimos estão serenados e já se pode ver amplamente o benefício trazido pela política nacional de museus. O Conselho de Patrimônio Museológico, formado por oito representantes de instituições e 13 personalidades da cultura, irá declarar um bem ou uma coleção de interesse público. Isso ocorrerá episodicamente, depois de um dossiê formado sobre cada bem passível de receber proteção especial. Qualquer cidadão poderá pedir ao Ibram a abertura do processo, mas o conselho é que decide, fundamentado nos critérios de excelência e notável excepcionalidade.
FLÁVIA E LÚCIO ALBUQUERQUE
Galeristas
De cinco anos para cá, o mercado se formalizou e os negócios têm ocorrido de forma transparente. Temos dúvida sobre até que o ponto as novas medidas vão na contramão desse quadro.
AO – A legislação não afeta o mercado. Por que o mercado seria prejudicado pela proteção de algum bem ou alguma coleção de relevante interesse público? Na verdade, o reconhecimento de uma obra de arte só a engrandece e valoriza. Como não há restrições à comercialização dos bens que forem protegidos pela nova lei, não há contramão. Estamos todos na boa direção.
MARCO TÚLIO RESENDE
Artista plástico
O direito de preferência, em caso de venda judicial ou em leilão de bens culturais, não possibilita o engessamento da negociação das obras, prejudicando o mercado e os artistas?
AO – O direito de preferência está consagrado, desde 1937, na legislação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foi reiterado na lei e no decreto do Estatuto de Museus para que obras emblemáticas possam ser levadas a acervos públicos. Isso já ocorreu inúmeras vezes, com base na lei do Iphan, sem qualquer prejuízo para o mercado. A preferência só se concretiza se o governo tiver recursos para a compra. Caso contrário, a obra será leiloada.
FABRÍCIO FERNANDINO
Coordenador da Comissão de Arte Ambiental do Museu de História Natural da UFMG
Parcela considerável dos 3, 2 mil museus brasileiros padece de um mal crônico: a capacitação da massa crítica instalada, além do financiamento para organização, manutenção, ampliação e a divulgação de acervos. Esse cenário começa a ser mudado. Entretanto, tornam-se prioritários a capacitação de pessoal e o financiamento. O que pode se esperar nesse sentido?
AO – Há 14 cursos superiores de museologia no Brasil. No início deste século, eram apenas dois. Outras vertentes se somam à museologia, porque os profissionais do setor contemplam várias outras especialidades. A evolução é rápida e positiva, sendo importante a contribuição do Ibram e do Estatuto de Museus para essa grande transformação. O Ibram tem multiplicado muitos cursos pelo país, como os de gestão museológica, gestão de risco, capacitação em conservação e restauro. Recursos de fontes nacionais e estrangeiras são mobilizados para tanto.
SÉRGIO RODRIGO REIS
Curador e diretor do Museu do Aleijadinho
O decreto permite ao governo apontar em coleções particulares obras de interesse público, acompanhando sua trajetória – do restauro à comercialização. Qual o objetivo dessa medida?
AO – O país ganha enormemente com o ordenamento do campo museal, a organização das instituições museológicas e a proteção de bens que já estão nos museus ou poderão neles ingressar. O mercado ficou alvoroçado, mas hoje já há entendimento mais claro e positivo. Até a edição deste decreto, a memória das artes visuais no país ficava, muitas vezes, à mercê das regras do mercado, de colecionadores e de familiares de artistas.
FERNANDO PEDRO
Dono da editora C/Arte
Dependendo do valor, muitas publicações que visam à difusão da cultura brasileira, e que dependem do uso de imagens para estabelecer o acesso à informação, poderão ser inviabilizadas. As editoras poderão retornar o valor referente à utilização da imagem sob a forma de exemplares destinados à biblioteca da instituição?
AO – A legislação dos museus protege apenas os bens dos museus. É necessário que assim seja. Há leis do direito autoral que devem ser respeitadas, por sua vez, e regem a nossa própria normativa. Isso ocorre no mundo inteiro. O Decreto 8.124, ao tratar do assunto, fundamenta-se nos princípios do Estatuto de Museus sobre o uso de imagem e reprodução de bens culturais. A orientação é que museus devem facilitar o acesso ao uso da imagem e a reprodução de seus acervos, mas também neste caso atentos aos aspectos da proteção dos bens culturais, aqui entendido como a atenção à qualidade das imagens e reprodução em consonância com os sentidos educacional e de divulgação que orientam as atividades dos museus. Os custos nesses casos, que pelo decreto têm critério de compensação, e observe-se não têm caráter obrigatório, podem se dar na forma de contrapartidas. Trata-se, portanto, de estimular e orientar ações colaborativas com as instituições museológicas para a proteção do patrimônio cultural que é de toda sociedade.
Galeristas, artistas e colecionadores acusam o Estado de desrespeitar a propriedade privada. A venda dessas obras de arte terá de ser aprovada pelo governo. O decreto deixa claro: o proprietário do quadro, escultura ou instalação, por exemplo, “não procederá à saída permanente do bem do país, exceto por curto período, para fins de intercâmbio cultural, com a prévia autorização do Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico, ou, caso se destine a transferência de domínio, desde que comprovada a observância do direito de preferência do Ibram”. No caso de venda judicial e leilões, o Estado tem a primazia na aquisição dessas obras.
O responsável por peças declaradas de interesse público não pode restaurá-las, vendê-las e emprestá-las sem autorização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está analisando as novas normas e estuda recorrer à Justiça contra o decreto.
O presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, diz que “vozes precipitadas” espalharam “alarme” sobre as novas regras, mas acredita que os ânimos já serenaram. A pedido do Estado de Minas, ele responde às dúvidas sobre o decreto.
CARLOS PERKTOLD
Crítico de arte e colecionador
Alega-se que o decreto prejudica o mercado de arte, imaginando-se que peças de alto valor artístico e financeiro passam a correr risco de ser declaradas de interesse nacional. Como elas serão selecionadas?
Angelo Oswaldo – Houve, sim, alarde e alarme. Vozes precipitadas espalharam interpretações que não traduziram a realidade da nova legislação. O receio se disseminou principalmente no mercado, que se autoprejudicava ao insistir nessas versões. Agora, com os esclarecimentos gerais, os ânimos estão serenados e já se pode ver amplamente o benefício trazido pela política nacional de museus. O Conselho de Patrimônio Museológico, formado por oito representantes de instituições e 13 personalidades da cultura, irá declarar um bem ou uma coleção de interesse público. Isso ocorrerá episodicamente, depois de um dossiê formado sobre cada bem passível de receber proteção especial. Qualquer cidadão poderá pedir ao Ibram a abertura do processo, mas o conselho é que decide, fundamentado nos critérios de excelência e notável excepcionalidade.
FLÁVIA E LÚCIO ALBUQUERQUE
Galeristas
De cinco anos para cá, o mercado se formalizou e os negócios têm ocorrido de forma transparente. Temos dúvida sobre até que o ponto as novas medidas vão na contramão desse quadro.
AO – A legislação não afeta o mercado. Por que o mercado seria prejudicado pela proteção de algum bem ou alguma coleção de relevante interesse público? Na verdade, o reconhecimento de uma obra de arte só a engrandece e valoriza. Como não há restrições à comercialização dos bens que forem protegidos pela nova lei, não há contramão. Estamos todos na boa direção.
MARCO TÚLIO RESENDE
Artista plástico
O direito de preferência, em caso de venda judicial ou em leilão de bens culturais, não possibilita o engessamento da negociação das obras, prejudicando o mercado e os artistas?
AO – O direito de preferência está consagrado, desde 1937, na legislação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foi reiterado na lei e no decreto do Estatuto de Museus para que obras emblemáticas possam ser levadas a acervos públicos. Isso já ocorreu inúmeras vezes, com base na lei do Iphan, sem qualquer prejuízo para o mercado. A preferência só se concretiza se o governo tiver recursos para a compra. Caso contrário, a obra será leiloada.
FABRÍCIO FERNANDINO
Coordenador da Comissão de Arte Ambiental do Museu de História Natural da UFMG
Parcela considerável dos 3, 2 mil museus brasileiros padece de um mal crônico: a capacitação da massa crítica instalada, além do financiamento para organização, manutenção, ampliação e a divulgação de acervos. Esse cenário começa a ser mudado. Entretanto, tornam-se prioritários a capacitação de pessoal e o financiamento. O que pode se esperar nesse sentido?
AO – Há 14 cursos superiores de museologia no Brasil. No início deste século, eram apenas dois. Outras vertentes se somam à museologia, porque os profissionais do setor contemplam várias outras especialidades. A evolução é rápida e positiva, sendo importante a contribuição do Ibram e do Estatuto de Museus para essa grande transformação. O Ibram tem multiplicado muitos cursos pelo país, como os de gestão museológica, gestão de risco, capacitação em conservação e restauro. Recursos de fontes nacionais e estrangeiras são mobilizados para tanto.
SÉRGIO RODRIGO REIS
Curador e diretor do Museu do Aleijadinho
O decreto permite ao governo apontar em coleções particulares obras de interesse público, acompanhando sua trajetória – do restauro à comercialização. Qual o objetivo dessa medida?
AO – O país ganha enormemente com o ordenamento do campo museal, a organização das instituições museológicas e a proteção de bens que já estão nos museus ou poderão neles ingressar. O mercado ficou alvoroçado, mas hoje já há entendimento mais claro e positivo. Até a edição deste decreto, a memória das artes visuais no país ficava, muitas vezes, à mercê das regras do mercado, de colecionadores e de familiares de artistas.
FERNANDO PEDRO
Dono da editora C/Arte
Dependendo do valor, muitas publicações que visam à difusão da cultura brasileira, e que dependem do uso de imagens para estabelecer o acesso à informação, poderão ser inviabilizadas. As editoras poderão retornar o valor referente à utilização da imagem sob a forma de exemplares destinados à biblioteca da instituição?
AO – A legislação dos museus protege apenas os bens dos museus. É necessário que assim seja. Há leis do direito autoral que devem ser respeitadas, por sua vez, e regem a nossa própria normativa. Isso ocorre no mundo inteiro. O Decreto 8.124, ao tratar do assunto, fundamenta-se nos princípios do Estatuto de Museus sobre o uso de imagem e reprodução de bens culturais. A orientação é que museus devem facilitar o acesso ao uso da imagem e a reprodução de seus acervos, mas também neste caso atentos aos aspectos da proteção dos bens culturais, aqui entendido como a atenção à qualidade das imagens e reprodução em consonância com os sentidos educacional e de divulgação que orientam as atividades dos museus. Os custos nesses casos, que pelo decreto têm critério de compensação, e observe-se não têm caráter obrigatório, podem se dar na forma de contrapartidas. Trata-se, portanto, de estimular e orientar ações colaborativas com as instituições museológicas para a proteção do patrimônio cultural que é de toda sociedade.
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