domingo, 9 de fevereiro de 2014

MARTHA MEDEIROS - Conversa por dedução

Zero Hora 09/02/2014

Sabe a.... a... aquela, você sabe....a loirinha.... prima da.... como é mesmo o nome... aquela que morava na rua atrás do clube... aquele clube que teu irmão jogava futebol com o... tsk, que futebol, o quê. Tênis, jogava tênis! Sabe?

Antes era só com minha mãe que eu conversava desse modo, tentando preencher os pontinhos deixados em branco. Mas hoje em dia tem sido com as amigas também. Entramos na fase da conversa por dedução. E dessa fase não sairemos mais. Não vivas.

Vocês já foram nesse restaurante novo que abriu? Esse que foi matéria ontem no... Vocês sabem, me ajudem, esse que foi superbem comentado pela... Ah, não importa, andam dizendo que é onde se come o melhor linguado ao molho de maracujá. Não: de manga. Linguado nada, eu quis dizer salmão. Salmão ao molho de manga. Isso. Já foram lá?

Completar uma frase tem sido tarefa de adivinhação. Não sei com você, mas eu não consigo mais lembrar o nome de artistas, de filmes, de lugares. Mal consigo dizer corretamente o nome das filhas, e são apena duas. Quem tem três – e acerta – vira meu herói.

É sabido que nosso cérebro está com lotação esgotada. É informação demais para processar, não há como manter o estoque, é preciso jogar no lixo o que não serve mais. Aquela atriz... aquela bonitona... me escapa o nome agora. Pois bem, em sua biografia, ela comenta que, quando esquecemos um nome, o melhor é deixar pra lá e seguir em frente, mais adiante a lembrança retorna espontaneamente. Muito bem. Assim tenho levado a vida, aguardando a volta de palavras que debandaram.

Sim, quero o CPF na nota. É 439136... não, 37... esquece, esse é meu RG. O CPF é 30055082... Calma, acabei de te dar o telefone do meu escritório.

Aguardo a volta dos números também.

Caduquice de velha? Olha: não é. Tenho visto muita criança de 30 anos que também está custando para levar uma frase até o final sem se perder nos “como é mesmo?”. A questão é que estamos sobrecarregados de tal forma que esquecer passou a ser mais comum do que lembrar. E os bate-papos agora são assim, um tentando adivinhar o que o outro está querendo dizer.

Estou indo para Ibiraquera, aluguei uma casa. Falei Ibiraquera? Perequê, Perequê! Fica ali pertinho de... de... Porto Belo, obrigada. Só voltaremos depois do Natal. Depois do Carnaval, isso. Muito tempo, né? Estou levando quatro livros... Esse novo da Fernanda Montenegro... Hein? Torres. Fernanda Torres. Um de um australiano, canadense, uma coisa assim. Um sobre a vida da Jane Fonda. E outro daquele cara que tu gosta, o Stephen... Philip Roth, esse aí. E um monte de palavras cruzadas, prescrição médica.

Jane Fonda, claro. Como é que pude esquecer?

TeVê

TV paga



Estado de Minas: 09/02/2014



 (Nayara Lucide/Divulgação )


Endividados O GloboNews documentário abre a temporada 2014 hoje, às 20h30, com Tristezas não pagam dívidas. Inspirado no livro da jornalista Mara Luquet, traz de forma bem humorada 10 dicas básicas para sair da inadimplência. Entre os entrevistados, exemplos de quem se perdeu em dívidas, mas deu a volta por cima, como a cantora Elza Soares (foto).

Dose dupla Criada a partir de um projeto de Bill Gates, a série A grande história estreia hoje, às 22h, no canal History. A produção une a astronomia, biologia, química e geologia para levar o assinante a repensar os principais eventos da história. Os dois primeiros episódios analisam a história do sal e a exploração do ouro.

Mais cinco No NatGeo, o domingo é de maratona temática. Para hoje, o canal reservou cinco edições do programa Obras incríveis, começando às 21h15. Anote aí os episódios: “Canal do Panamá”, “Nazismo: a Muralha do Atlântico”, “Porta-aviões USS Ronald Reagan”, “O submarino nuclear russo” e “Plataforma flutuante”. 

Enlatados

Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br


Crônica anunciada

Reclamação recorrente do público de Game of thrones é que a série tem tantos personagens e tramas paralelas que no hiato de 10 meses entre o fim de uma temporada e o início de outra, boa parte da narrativa anterior foi esquecida. Já que a estreia do quarto ano da mais badalada produção da HBO foi marcado para 6 de abril, o canal, espertamente, vem “esquentando” o espectador. Em janeiro exibiu o trailer e, hoje, antes do episódio de True detective (ou seja, por volta das 21h30), apresenta uma retrospectiva das três primeiras temporadas da produção baseada em As crônicas de gelo e fogo, de George R. R. Martin. Com 15 de minutos, o especial também vai trazer entrevistas com o elenco.

Sucesso
–True detective, que só teve três episódios exibidos, teve seu segundo ano confirmado. Só que será sem a presença dos astros Woody Harrelson e Matthew McConaughey, já que cada temporada é independente.

Banda larga –Os assinantes Netflix vão ter o próximo fim de semana cheio. Na sexta-feira entram no ar a segunda e a terceira temporadas de House of cards e Sherlock, respectivamente. Originalmente programada para ir ao ar por somente dois anos, House of cards, primeira produção original do site de streaming, já garantiu sua terceira temporada. E a versão atualizada de Sherlock Holmes, da BBC, tem três episódios. Na estreia, em janeiro, teve 9 milhões de espectadores na Inglaterra.

Retorno –Depois de participar de Web therapy, ao lado da ex-colega de Friends Lisa Kudrow, David Schwimmer, o Ross da saudosa comédia, voltar a estrelar uma série. Será protagonista de Irreversible, também uma comédia, baseada numa produção israelense e centrada nos problemas de um casal. Vale lembrar que em 2014, mais exatamente em maio, completam-se 10 anos desde o fim de Friends.

Maratona –Sábado, a partir das 17h, o Universal Channel exibe maratona com os episódios 7 a 9 da segunda temporada de Beauty and the Beast.



Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br

 (João Cotta/TV Globo)


Sonho realizado

Na terceira e última fase de Em família (Globo), que entrará nos próximos dias, um dos novos personagens estará nas mãos da cantora Manu Gavassi, sensação teen que tem mais de 20 milhões de visualizações de seus vídeos na web. Ela sempre fez teatro desde criança e agora, aos 21 anos, sem deixar de lado a música, realiza o sonho de atuar, conciliando as duas carreiras. Manu estreia na telinha e na trama de Manoel Carlos no papel de Paulinha, namorada do flautista Leto, vivido por Ronny Kriwat, filho de Laerte (Gabriel Braga Nunes) e Shirley (Viviane Pasmanter). A artista paulista conseguiu o papel por meio de testes. E festeja a dupla conquista. É que Paulinha será uma cantora. “A Paulinha caiu do céu, porque ela vai ser cantora, então foi o melhor que poderia ter acontecido para mim”, contou ao site oficial da novela. Manu comentou, ainda, que a personagem vai morar no Vidigal. Foi a primeira vez que Manu Gavassi foi até a comunidade, no Rio de Janeiro, para as gravações. “Pude ter, diante dos meus olhos, a vista mais linda de toda a minha vida”, elogiou.

SAIBA QUAL IMPORTADO SERÁ FABRICADO NO BRASIL

No Vrum deste domingo, às 8h30, no SBT/Alterosa, fique por dentro do lançamento do A3 Sedan, o importado que será o primeiro Audi fabricado no Brasil depois de muitos anos. No teste de motos, a atração é a pequena e ágil Honda Pop 100. O telespectador ainda confere o teste de segurança que reprovou 10 dos 11 microcarros testados. Fique de olho, pois quatro desses modelos estão no mercado nacional. Acompanhe ainda o teste da Chevrolet S10 diesel cabine dupla.

TERCEIRA TEMPORADA DE SESSÃO TERAPIA VEM AÍ

O elenco da terceira temporada da série Sessão terapia, do canal GNT (TV paga), já está confirmado. Novamente com direção de Selton Mello, o formato continuará o mesmo e tem estreia prevista para agosto. De segunda a quinta-feira, o terapeuta Theo Cecatto (Zécarlos Machado) vai atender os pacientes. No primeiro dia, o terapeuta recebe Bianca Cadore (Letícia Sabatella), uma professora de literatura que tenta salvar seu casamento conturbado. Na terça-feira é a vez de Diego Duarte (Ravel Andrade), de 16 anos, estudante de classe alta que bebe demais. Às quartas, Felipe Alcântara (Rafael Lozano) tem um dilema para resolver: casar-se com uma mulher ou assumir sua homossexualidade?. Na quinta, Milena Dantas (Paula Possari), viúva de Dantas (Sérgio Guizé), o atirador que se suicidou na primeira temporada da série, agora é paciente e procura ajuda para vencer o transtorno obsessivo compulsivo. Também entrarão na trama, em um grupo de supervisão de psicólogos, os atores Fernando Eiras, Celso Frateschi e Camila Pitanga.

MAIS UM EPISÓDIO DA SÉRIE ‘PALÁCIOS’ NA REDE MINAS

No segundo episódio da série “Palácios”, o programa Bem cultural mostra hoje, às 19h, na Rede Minas, o Palácio Cristo Rei e o Palácio da Justiça. Desenhado por Raffaello Berti, no estilo art déco, com revestimento em pó de pedra, o Palácio Cristo Rei foi inaugurado em 1937 para ser a residência do bispo, no complexo da Praça da Liberdade. Em 1º de julho de 1980, o papa João Paulo II se hospedou ali. Já o Palácio da Justiça, símbolo do Poder Judiciário em Minas, foi construído entre 1910 e 1912 e hoje abriga o Museu do Judiciário.

VILAREJO DE PIPA É ROTA DE HOJE DO VIAÇÃO CIPÓ

Confira a beleza do vilarejo de Pipa, no Rio Grande do Norte, no Viação Cipó, hoje, às 10h, na Alterosa. Aprecie o maior cajueiro do mundo, as praias paradisíacas, um encontro com os golfinhos e as falésias. Mais: uma deliciosa receita de camarão.

CONCURSO CULTURAL DÁ VIAGEM COMO PRÊMIO

A Nickelodeon (TV paga) promove até dia 22 um concurso cultural no qual o prêmio é uma viagem com acompanhante a Hollywood para assistir ao Kids Choice Awards 2014. O vencedor será conhecido em março e a viagem entre os dias 27 e 30 do mesmo mês. O evento, em sua 27ª edição, está marcado para 29 de março, em Los Angeles. Interessados em participar do concurso devem se registrar no site mundonick.uol.com.br e responder a uma pergunta. O autor da melhor resposta leva o prêmio. No canal, a cerimônia do Kids Choice Awards 2014 será exibida em 1º de abril, às 18h.

BÁRBARA EVANS FALA DE MUDANÇAS NA VIDA



 (Carol Soares/SBT)

A modelo Bárbara Evans tem encontro marcado com Marília Gabriela no De frente com Gabi, hoje, à meia-noite, no SBT/Alterosa. Filha da ex-modelo Monique Evans, ela passou por uma reviravolta em sua vida ao vencer um reality show e hoje pensa em se dedicar à carreira de apresentadora e no licenciamento de produtos com seu nome. “Eu tive que cuidar da minha mãezinha, então eu tive que crescer”, comenta (logo depois que ela saiu do programa, sua mãe foi internada em um clínica psiquiátrica). Bárbara fala sobre o prêmio de R$ 2 milhões que ganhou na atração. “Agora que ganhei o prêmio estou morando sozinha. Apliquei o dinheiro, está guardado. Eu mesma cuido.” E revela: “Fiz amor dentro do confinamento, embaixo do edredom”. Bárbara mencionou também as tatuagens que fez nos braços, em homenagem aos pais e que viraram polêmica. 

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » Íamos salvar o Brasil‏

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » Íamos salvar o Brasil
Estado de Minas: 09/02/2014





Essa morte trágica de Eduardo Coutinho, aos 80 anos, assassinado pelo filho esquizofrênico, me fez lembrar do tempo em que íamos salvar o Brasil.

Nos anos 1960 falava-se muito em reforma agrária. Eu não passava de um jovem poeta em Belo Horizonte que como diretor de cultura do DCE havia, com companheiros, criado o Centro Popular de Cultura (CPC) de Minas. Oduvaldo Viana (o Vianinha) bem que me convidou para ir para o Rio fazer parte do CPC da UNE, escrever poemas soviéticos de louvor aos heróis populares. Permanecendo, no entanto, em BH, cheguei a fazer algo no gênero, como testemunham os três exemplares de Violão de rua, que Moacyr Félix editava. Um desses poemas intitulava-se “Poema para Pedro Teixeira assassinado”. E aqui entra a conjunção com Eduardo Coutinho, que fez Cabra marcado para morrer. O personagem era o mesmo.

 É bom que você vá ver no YouTube o filme de Coutinho e procure no Google toda a peripécia que foi fazer esse filme.

A primeira parte do documentário foi feita em 1964 e a segunda em 1981. Na primeira parte, Eduardo Coutinho registra a vida de Pedro Teixeira, líder camponês assassinado lá em Sapé – corresponderia ao momento em que os comunistas e socialistas íamos salvar o Brasil. Já a segunda parte, quase 20 anos depois, quando o cineasta reencontra a mulher de Pedro (Elizabeth), foi feita quando os militares que estavam no poder já desistiam de salvar o Brasil.

Volta e meia alguém tenta salvar o Brasil. Tancredo tentou, Sarney foi aquilo, Collor prometeu, Fernando Henrique, Itamar, Lula e Dilma idem. Desconfio que o Brasil não quer ser salvo. Hoje muita gente invade os shoppings fazendo rolê, achando que isto salva o Brasil. Meus amigos, vamos assistir de novo ao filme A classe operária vai ao paraíso, de Elio Petri (1971). O shopping virou o paraíso almejado.

Nos anos 60, quando minha geração ia salvar o Brasil, a UNE era um conglomerado de messias. Eu estava lá, Eduardo Coutinho estava lá. Estavam lá Cacá Diegues, Oduvaldo Viana, Armando Costa, Guarnieri, Arnaldo Jabor, Ferreira Gullar, Carlos Lyra, Cecil Thiré, Joel Barcelos etc. E bota etc. nisso. No lançamento de Violão de rua, na UNE, em 1962, jovem estudante de letras de Minas, sentei-me naquela festa revolucionária entre venerandos salvadores da pátria: Ferreira Gullar, Geir Campos, José Paulo Paes, Moacyr Félix, Paulo Mendes Campos, Reynaldo Jardim e o glorioso Vinicius de Moraes. Eu era quase um penetra nessa festa salvacionista, tanto que guardei o autógrafo no livrinho, que diz : “Para o Afonso, que vim encontrar súbito ao meu lado, o abraço do Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes”.

Se no primeiro Violão de rua havia um poema meu ( “Morte na Lagoa Amarela”) feito a partir de uma entrevista de um camponês ao indômito Binômio, do José Maria Rabelo, no segundo volume daquela coleção meu herói era o Pedro Teixeira. Revelo, a quem interessar possa, que o poema era uma tentativa de conciliar o formalismo do concretismo e a participação do CPC. Ambos queriam salvar o Brasil. Os concretistas alardeavam (equivocadamente) com Maiakóvsky: “Sem forma revolucionária não existe arte revolucionária”. No poema eu fazia uma releitura de Lorca e da poesia medieval portuguesa, já que era aluno de Rodrigues Lapa, que, tendo se cansado de tentar salvar Portugal da época de Salazar, veio para o Brasil.

Naquele tempo, era muito fácil salvar a poesia e o Brasil. Havia fórmulas para tudo. Mas o Brasil não queria ser salvo. O país que tínhamos na cabeça não conferia com a realidade. Só 20 anos mais tarde iria refletir melhor sobre isso: “Que país é este?”.

Revejo o filme de Eduardo Coutinho.

Releio o meu poema uns 50 anos depois.

Acho um luxo você poder se reler 50 anos depois, poder rever sua vida e a de sua geração e medir o sucesso de todos os fracassos. Muitos não tiveram essa chance. De minha geração, muitos tombaram em torno dos 40 anos, seja de enfarte, seja na guerrilha.

Dentro de pouco tempo, como Eduardo Coutinho, iremos embora.

Outros tentarão (em vão) salvar o Brasil.

>>  >>  www.affonsors@uol.com.br

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Mistérios da criação‏

EM DIA COM A PSICANáLISE » Mistérios da criação
Estado de Minas: 09/02/2014


Outro dia mesmo, alguém comentava a relação atual entre pais e filhos. Sempre intrigante talvez por se tratar de processo complicado e impreciso. Todos somos filhos e talvez pais um dia. Mas nenhum de nós escapou dessa condição de filho, pelo menos enquanto nascido de alguém. E nascemos por decisão alheia ou por acidente de percurso.

Mesmo se não somos criados pelos que nos geraram, seremos cuidados por alguém que os substituirá ou alguma instituição que nos acolha e cuide da gente, até que sejamos independentes. Isto leva tempo. Algumas pessoas nunca alcançam a independência. Acredito que sejam muito infelizes por isso, embora alguns achem que possa ser uma situação vantajosa. Não creio.

Sabemos quem e como foram nossos cuidadores e pais, e quase sempre os responsabilizamos ou até culpamos pelo que somos. Mesmo que eles não tenham culpa, jamais poderão provar serem inocentes. Então, ser pai e mãe já é naturalmente, ou culturalmente, ser culpado. Não devemos acreditar que essa dívida possa ser paga. Se acreditarmos, tentaremos compensar nossos filhos e isso pode ser ainda pior do que carregar a dívida.

Nunca tente pagá-la. Como pais fizemos o melhor que podíamos na ocasião e, claro, ninguém erra porque quer, porque decide fazer o pior. Pelo menos alguém ‘‘normal’’, pois fazer o pior propositalmente seria uma perversão.

Erramos porque não sabemos como fazer o melhor em tal ou tal situação. E errar não é tão danoso. Provavelmente, nunca errar ou acreditar nessa possibilidade pode ser também pior. Se acreditar dono da verdade como se ela fosse única é tentar anular outras possibilidades.

Nunca saberemos quem será o filho que tivemos e nenhuma fórmula ou receita poderá nos ajudar. É como uma aposta que fazemos investindo no futuro que não é o nosso e sim de um outro que ainda não sabemos o que desejará.

Tantos pais, por não saberem ser pais, tratam os filhos como amigos. E disto podemos estar certos: filhos não são amigos. São seres humanos que precisam ser educados por nascerem sem noção de nada. E a educação ensina o certo, o errado, e é preciso insistir muito para as crianças aceitarem o que pode ou não pode.

Elas querem experimentar o mundo, o que é gostoso, o prazeroso, independentemente das consequências, pois ainda não absorveram o princípio da realidade. Funcionam no registro do princípio do prazer. Como fazê-los, então, abandonar o prazer pelo dever? Com o tempo, a insistência, a autoridade e principalmente com amor, pois, se não for por amor, não cola. Não será uma troca interessante. Não valerá a pena.

E somente com amor conseguiríamos deles algum progresso, pois para impor regras de comportamento e socialização é preciso firmeza, pulso e é aí que muitos pais fracassam. Têm de fazer cortes nas pessoas que amam. Se pudessem, dariam aos filhos apenas satisfação, fazendo-os acreditar num mundo onde tudo é feito para agradá-los.

A criança que se acredita o centro do universo e não se acostuma com frustrações cresce como uma majestade e permanece sem noção. Depois de grandes, não vão querer saber de outra coisa...

Assim, ter filhos é um desafio enorme e de grande responsabilidade. Se soubéssemos de antemão todos os riscos, talvez decidiríamos não tê-los. Mas é que às vezes para continuar, o que quer que seja, é preciso ignorar a verdade toda. Vale para a perpetuação da espécie.

E não somente isso. Depois de tudo o que penamos para educá-los, ver que eles se tornaram independentes, capazes e diferentes de tudo que planejamos ou quisemos para eles, é muito bom nos certificarmos de que se tornaram adultos com sua própria história para escrever.

>>  reginacosta@uai.com.br