Zero Hora 16/04/2014
Quando algo é subtraído da minha vida, logo lembro o poema de Elizabeth
Bishop, A Arte de Perder, em que ela diz que perder não é nenhum
mistério. Só perdi bobagens na minha infância e puberdade, nada que
fizesse falta a ponto de me doer até hoje. Depois, adulta, perdi alguns
afetos importantes (“tantas coisas contém em si o acidente”), e agora
dei para perder itens materiais que desaparecem de uma hora para outra.
Começou com minha carteira recheada de documentos e cartões, sumida num
passe de mágica, nunca mais a vi.
Dia desses, bobeei de novo. Das primeiras horas da manhã até o
início da noite, revirei a casa atrás do meu smartphone (“perca um
pouquinho a cada dia”), e acabei encontrando-o muito tempo depois em
cima da máquina de lavar, no modo silencioso, entre uma pilha de jornais
– esquecido em algum momento em que fui dar de comer para o gato na
área de serviço.
Comentei recentemente que estou entrando na fase de não juntar lé
com cré (“depois perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a
escala subsequente”), as palavras evaporam da lembrança – isso durante
conversas fiadas. Textos por escrito se salvam porque podem ser pensados
e repensados antes de irem para o jornal.
Não perco a fé, pois um lampejo de crença é preciso ter para
levantarmos da cama todas as manhãs, mas cada vez que assisto aos
telejornais e suas más notícias, a esperança desaparece como uma
carteira, um celular. Não sei se voltará.
“Aceite, austero. A chave perdida, a hora gasta bestamente”.
Perder chave não é problema, sempre há uma sobressalente, e a hora
gasta bestamente é perda divertida, saudável, moleca, venero as horas
gastas bestamente. Sou pontual não só por educação, mas para me sobrar
tempo para o nada.
Mas andei perdendo meus óculos de grau. E isso mudou tudo, cara Elizabeth Bishop.
Encomendei um novo que levou 10 dias úteis para ficar pronto, 10
dias que para mim foram de imagens turvas, nebulosas. Não enxergava as
mensagens que chegavam pelo celular (aquele que perdi e recuperei), nem
os sensacionais contos de Nu, de Botas, do Antonio Prata (sobre a
infância que perdemos e que no livro ele recupera), nem o aviso na
parede do prédio sobre a próxima reunião de condomínio, que sempre perco
e desse mal não me recupero. Meus óculos de grau, onde ficaram?
Perdi na beira de uma praia de Santa Catarina, ali, na areia, lugar
da adolescência que perdi, mas também recuperei – a maturidade tem
dessas proezas.
“É evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério”.
Escrevo. Meio cega às vezes, com menos poesia do que gostaria,
aturdida com minhas distrações, mas ainda escrevo – para não me perder.
domingo, 16 de março de 2014
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » Viagem útil e inútil
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA »
Viagem útil e inútil
Estado de Minas: 16/03/2014
Um velho de cabelos desgrenhados sai andando com dificuldade para buscar, num outro estado, o prêmio de US$ 1 milhão que julga ter ganho. O filho o recolhe nas ruas cheias de neve, tenta convencê-lo a voltar para casa. O velho torna a fugir em busca do prêmio. O filho resolve então acompanhar o pai nessa peripécia. A viagem se transforma num rencontro com pessoas da família, na revisão do próprio passado familiar do personagem e num diálogo com os mortos.
Mas o filme Nebraska é mais do que isso. Poderia dizer que é uma longa viagem pelo miolo dos EUA, mostrando a desolada paisagem da vida dos que moram no interior. Como diz a música do Raul Seixas, os personagens estão bebendo cerveja nos bares com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar.
Mas a mim interessa outra trama que desentranho dessa estória: a viagem útil e inútil. Como pode uma viagem ser útil e inútil? Explico-me: no filme, o personagem constata que o documento que guardava não lhe dava direito ao prêmio. Outras pessoas, como ele, se enganaram. Não há prêmio algum. Enganaram-se mesquinhamente até aqueles que pensavam tirar vantagem do velho.
Lembrei-me de várias coisas correlatas. Primeiro, O velho e o mar: aquela novela de Hemingway na qual o velho pescador vai ao mar para buscar o enorme peixe. Pesca-o, mas o grande peixe é devorado por outros e o velho Santiago chega a seu porto apenas com o esqueleto. Analistas do texto de Hemingway dizem que isso é uma metáfora da vida, na verdade pescamos o nada, voltamos sempre com as mãos vazias.
Lembrei-me de que o tema de Nebraska (filme de Alexander Payne, descendente de gregos) se baseia na ideia da viagem, no sair em busca de algo e enfrentar a dubiedade do êxito e do fracasso. Outra aproximação se impõe: Moby Dick, novela de Herman Melville. Ou, se quiserem, a versão dessa estória no filme de John Huston que tem Gregory Peck como o capitão Ahab. O herói aplica toda a sua vida marinheira na caça a uma baleia gigantesca, que, afinal caçada, arrasta-o consigo para o fundo do mar.
Há quem veja aí também a metáfora da vida: êxito e fracasso misturados. Se em O velho e o mar o pescador (papel de Spencer Tracy no cinema) chega só com o esqueleto do peixe, no romance de Melville a pesca é um objetivo em si, derrotar o animal que nos fascina e nos derrota (em nossa vitória).
O tema da viagem se tornou importante desde Marco Polo. Nesse caso, a viagem era a revelação de outros mundos, riquezas e glórias. Dizem que Marco Polo inventou tudo aquilo. Se inventou, o fez muito bem, pois até hoje viajamos na sua viagem. Igualmente, viajantes que vieram à América em busca do El Dorado também buscavam US$ 1 milhão, o bilhete premiado. E assim por diante.
Pensem em Robson Crusoé. Foi buscar numa ilha o que a ilha em que vivia (a Inglaterra) não lhe dava. Isso tem algo a ver com a Ilha do Tesouro, no romance de Robert Louis Stevenson. Ou seja, o “prêmio” está sempre alhures, distante, numa ilha misteriosa, lá na longínqua e nevada Nebraska ou nos reinos fabulosos da China, como dizia o veneziano Marco Polo.
Mas podemos ainda estabelecer outro paralelo. Desta vez com a lenda universal da qual Paulo Coelho se apropriou, e essa apropriação lhe rendeu um verdadeiro tesouro. Refiro-me à estória do indivíduo que sonhou que tinha que achar um tesouro. Ele sai procurando tal riqueza pelo mundo até que, voltando derrotado para casa, descobre que o tesouro estava no seu quintal.
Nebraska passa por essas questões todas e adiciona algo. O velho que saiu em busca do prêmio constata que não havia prêmio algum a ser recebido. Apenas um boné com propaganda. Mas graças a essa viagem inútil/útil, ele, o filho e até mesmo sua família se conheceram melhor. E o velho (fracassado) volta vitorioso graças ao filho, que transitou com ele entre a realidade e o sonho. Assim, desfila na pequena cidade com seu carro novo e o boné. Segue impávido e feliz. Não ganhou o prêmio pretendido, ganhou algo mais, algo que é a transformação da derrota numa vitória possível.
Estado de Minas: 16/03/2014
| Cena de Nebraska, filme dirigido por Alexander Payne |
Um velho de cabelos desgrenhados sai andando com dificuldade para buscar, num outro estado, o prêmio de US$ 1 milhão que julga ter ganho. O filho o recolhe nas ruas cheias de neve, tenta convencê-lo a voltar para casa. O velho torna a fugir em busca do prêmio. O filho resolve então acompanhar o pai nessa peripécia. A viagem se transforma num rencontro com pessoas da família, na revisão do próprio passado familiar do personagem e num diálogo com os mortos.
Mas o filme Nebraska é mais do que isso. Poderia dizer que é uma longa viagem pelo miolo dos EUA, mostrando a desolada paisagem da vida dos que moram no interior. Como diz a música do Raul Seixas, os personagens estão bebendo cerveja nos bares com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar.
Mas a mim interessa outra trama que desentranho dessa estória: a viagem útil e inútil. Como pode uma viagem ser útil e inútil? Explico-me: no filme, o personagem constata que o documento que guardava não lhe dava direito ao prêmio. Outras pessoas, como ele, se enganaram. Não há prêmio algum. Enganaram-se mesquinhamente até aqueles que pensavam tirar vantagem do velho.
Lembrei-me de várias coisas correlatas. Primeiro, O velho e o mar: aquela novela de Hemingway na qual o velho pescador vai ao mar para buscar o enorme peixe. Pesca-o, mas o grande peixe é devorado por outros e o velho Santiago chega a seu porto apenas com o esqueleto. Analistas do texto de Hemingway dizem que isso é uma metáfora da vida, na verdade pescamos o nada, voltamos sempre com as mãos vazias.
Lembrei-me de que o tema de Nebraska (filme de Alexander Payne, descendente de gregos) se baseia na ideia da viagem, no sair em busca de algo e enfrentar a dubiedade do êxito e do fracasso. Outra aproximação se impõe: Moby Dick, novela de Herman Melville. Ou, se quiserem, a versão dessa estória no filme de John Huston que tem Gregory Peck como o capitão Ahab. O herói aplica toda a sua vida marinheira na caça a uma baleia gigantesca, que, afinal caçada, arrasta-o consigo para o fundo do mar.
Há quem veja aí também a metáfora da vida: êxito e fracasso misturados. Se em O velho e o mar o pescador (papel de Spencer Tracy no cinema) chega só com o esqueleto do peixe, no romance de Melville a pesca é um objetivo em si, derrotar o animal que nos fascina e nos derrota (em nossa vitória).
O tema da viagem se tornou importante desde Marco Polo. Nesse caso, a viagem era a revelação de outros mundos, riquezas e glórias. Dizem que Marco Polo inventou tudo aquilo. Se inventou, o fez muito bem, pois até hoje viajamos na sua viagem. Igualmente, viajantes que vieram à América em busca do El Dorado também buscavam US$ 1 milhão, o bilhete premiado. E assim por diante.
Pensem em Robson Crusoé. Foi buscar numa ilha o que a ilha em que vivia (a Inglaterra) não lhe dava. Isso tem algo a ver com a Ilha do Tesouro, no romance de Robert Louis Stevenson. Ou seja, o “prêmio” está sempre alhures, distante, numa ilha misteriosa, lá na longínqua e nevada Nebraska ou nos reinos fabulosos da China, como dizia o veneziano Marco Polo.
Mas podemos ainda estabelecer outro paralelo. Desta vez com a lenda universal da qual Paulo Coelho se apropriou, e essa apropriação lhe rendeu um verdadeiro tesouro. Refiro-me à estória do indivíduo que sonhou que tinha que achar um tesouro. Ele sai procurando tal riqueza pelo mundo até que, voltando derrotado para casa, descobre que o tesouro estava no seu quintal.
Nebraska passa por essas questões todas e adiciona algo. O velho que saiu em busca do prêmio constata que não havia prêmio algum a ser recebido. Apenas um boné com propaganda. Mas graças a essa viagem inútil/útil, ele, o filho e até mesmo sua família se conheceram melhor. E o velho (fracassado) volta vitorioso graças ao filho, que transitou com ele entre a realidade e o sonho. Assim, desfila na pequena cidade com seu carro novo e o boné. Segue impávido e feliz. Não ganhou o prêmio pretendido, ganhou algo mais, algo que é a transformação da derrota numa vitória possível.
TeVê
TV paga
Estado de Minas: 16/03/2014
DOIS LADOS Quando Mel Gibson (foto) estreou no cinema, as críticas foram mais que positivas, sendo ele comparado a Clark Gable e Humphrey Bogart. Fez sucesso com as séries Mad Max e Máquina mortífera, além de Coração valente. A boa fase, contudo, parece ter deixado o galã. O programa Mad Mel: Mel Gibson, que o BIO exibe hoje, às 18h, mostra como uma série de atos impensados fizeram com que a mídia passasse a dar mais atenção à sua desregrada vida pessoal, deixando uma mancha que, ainda hoje, abala sua reputação em Hollywood.
MÚSICA GLOBAL Estreia hoje, às 21h, no Canal Brasil, a segunda temporada da série Beyond Ipanema – Ondas brasileiras na música global, que mostra a nossa música em diferentes lugares do mundo. Desta vez, a equipe do programa foi para os EUA, França, Itália, Japão e Portugal. A relação do fado e o atual kuduro e o interesse dos nova-iorquinos por sons regionais são alguns dos assuntos comentados por produtores, artistas e jornalistas.
Enlatados
Mariana Peixoto
mariana.peixoto@uai.com.br
Estado de Minas: 16/03/2014
DOIS LADOS Quando Mel Gibson (foto) estreou no cinema, as críticas foram mais que positivas, sendo ele comparado a Clark Gable e Humphrey Bogart. Fez sucesso com as séries Mad Max e Máquina mortífera, além de Coração valente. A boa fase, contudo, parece ter deixado o galã. O programa Mad Mel: Mel Gibson, que o BIO exibe hoje, às 18h, mostra como uma série de atos impensados fizeram com que a mídia passasse a dar mais atenção à sua desregrada vida pessoal, deixando uma mancha que, ainda hoje, abala sua reputação em Hollywood.
MÚSICA GLOBAL Estreia hoje, às 21h, no Canal Brasil, a segunda temporada da série Beyond Ipanema – Ondas brasileiras na música global, que mostra a nossa música em diferentes lugares do mundo. Desta vez, a equipe do programa foi para os EUA, França, Itália, Japão e Portugal. A relação do fado e o atual kuduro e o interesse dos nova-iorquinos por sons regionais são alguns dos assuntos comentados por produtores, artistas e jornalistas.
Enlatados
Mariana Peixoto
mariana.peixoto@uai.com.br
Do Oscar para a TV
Com o Oscar de direção por Gravidade, Alfonso Cuarón está com a bola toda. Tanto por isso, o nome do mexicano é o destaque de Believe, que estreia quarta, às 20h, na Warner. Ele dirige o piloto e assina a produção executiva (função que é dividida com J. J. Abrams, entre outros). Produzida pela Bad Robot, empresa de Abrams, a história acompanha a trajetória de Bo (Johnny Sequoyah), uma pré-adolescente que começa a manifestar seus poderes de levitação, telecinese, a habilidade de controlar a natureza e prever o futuro. Criada por um grupo conhecido como True Believers, ela é deixada aos cuidados do fugitivo William Tate (Jake McLaughlin). Viajando de cidade em cidade, os dois tentam se manter a salvo daqueles que desejam explorar os poderes de Bo.
Inferno – Também na quarta entram no ar no site de streaming Netflix episódios de Um drink no inferno. Em 1996, Robert Rodriguez, discípulo de Quentin Tarantino, foi lançado. Com elenco de peso – George Clooney, Harvey Keitel e Salma Hayek, entre outros – ganhou continuações. A nova produção marca a primeira investida de Rodriguez no universo das séries. Depois de um ‘trabalho’ num banco no Texas, o assaltante Seth Gecko (D. J. Cotrona) e seu irmão Richie (Zane Holtz) apontam suas armas para o México. A série de 10 episódios ocorre no decorrer de uma noite e acompanha os irmãos Gecko em sua tentativa de despistar os policiais Earl McGraw (Don Johnson) e Freddie Gonzalez (Jesse Garcia).
Teen – Já o Sony traz três novidades nesta semana. Na quinta, às 22h, Once upon a time retorna em sua terceira temporada. Na sexta, às 21h, entra no ar a segunda temporada de Teen wolf. Logo depois, às 22h, estreia Twisted, também voltada para o público juvenil. O protagonista é Danny (Avan Jogia), adolescente que deixa a cadeia aos 16 anos, depois de cumprir pena por ter assassinado sua tia. Tentando recomeçar a vida, ele é logo envolvido em outro crime, quando um dos alunos da sua escola é assassinado.
Caras & Bocas
Simone Castro
simone.castro@uai.com.br
Segundo tempo
Estreia hoje, às 10h, no SBT/Alterosa, a segunda temporada de Menino de ouro, reality que conjuga programa social e paixão nacional na atividade de centenas de pequenos boleiros brasileiros em busca da real oportunidade de candidatos a se tornarem um profissional de futebol. Os 13 episódios, um a mais do que em 2013, mostram os desafios técnicos e a batalha emocional e física desses garotos. O programa apresenta suas famílias, seus tutores, seus sonhos, medo e ídolos. Tudo isso somado à tensão da convivência dos jogadores no centro de treinamento (CT). Karina Bacchi (foto) é a repórter de campo e responsável por visitar a casa de cada um dos garotos, mostrar as histórias, as famílias e os amigos desses pequenos craques. “A segunda edição do Menino de ouro está ainda mais empolgante e emocionante! Acompanhar ainda mais de perto a história de cada menino e sua vida fora de campo tem sido um grande presente. O público vai se emocionar!”, afirma Karina. Na primeira etapa do reality, os inscritos no site do programa são avaliados e os escolhidos participam do peneirão que selecionará os 74 jogadores que seguem para o CT. Depois de um fim de semana de trabalhos táticos e físicos, os técnicos e campeões do mundo Zetti e Edmilson revelam as suas apostas e elegem os 22 garotos que vão seguir na competição. Os jogadores serão divididos em dois times: o vermelho, comandado por Edmilson, e o Azul, sob a batuta de Zetti. O jovem que se sagrar vencedor será o “Menino de ouro” e terá a oportunidade de treinar com um time paulista: Corinthians, Palmeiras ou São Paulo. O reality show é comandado pelo craque Paulo Sérgio, que aposta no sucesso da atração: “Vamos fazer um brilhante programa. Espero que quem estiver em casa curta bastante, porque vai se divertir, emocionar e chorar. Esse programa vai marcar”.
VIAÇÃO CIPÓ FAZ PARADA
NA CIDADE DE TIRADENTES
A bela cidade de Tiradentes é o ponto de parada do Viação Cipó deste domingo, na TV Alterosa. Confira um passeio de jardineira, um belíssimo resort, o museu do padre Toledo, os caminhos da APA São José. Mais: receita do Cipó.
REPRISE JÁ TEM DATA PARA
ESTREAR NO FINAL DA TARDE
A feia mais bela, que o SBT/Alterosa vai reexibir em 7 de abril, já tem horário definido na grade. A trama vai ao ar a partir das 17h30, em substituição a Por teu amor. Em seguida, virá Quem não viu vai ver, com estreia marcada para o dia 24.
PEDRO BIAL VOLTA COM
TUDO EM ÉPOCA DE COPA
Depois do Big brother Brasil, Pedro Bial se dedicará ao seu programa Na moral (Globo), que retornará à cena quando estiver rolando a Copa do Mundo. O primeiro episódio vai debater a identidade nacional, relacionando o tema ao evento do futebol. Mas o apresentador e convidados discutirão novos temas que não necessariamente a paixão nacional.
BBB AINDA TEM QUATRO
ANOS CERTOS PELA FRENTE
A Globo renovou contrato com a Endemol, dona do formato do Big brother Brasil, até 2018, de acordo com o site Notícias da TV. Mas, ao que parece, o programa, que está no ar com a sua pior edição, divide opiniões na emissora. Há quem acredite que ainda há fôlego para o reality show; outros defendem a sua aposentadoria.
CRIANÇAS SE MOBILIZAM
EM DEFESA DO PLANETA
A TV Brasil exibe, a partir das 11h, a segunda temporada do programa Senha verde, projeto realizado em parceria com o Goethe-Institut e seis canais latino-americanos. A partir do ponto de vista das crianças, o telespectador é convidado a acompanhar realidades de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, México, Chile e Brasil. São esses pequenos latino-americanos que, com muita brincadeira e poesia, mobilizam todos para cuidar do meio ambiente e acreditar que suas pequenas ações podem trazer grandes resultados. A ideia da série é reforçar o conceito de que o planeta é a nossa casa e a dividimos com outras pessoas, além da fauna e da flora. Entre os participantes brasileiros tem uma menina que vive em uma comunidade quilombola e outra às margens de um rio em uma reserva ambiental.
FERNANDA LIMA VAI SE
DESDOBRAR NA TELINHA
Em alta na Globo desde o ano passado, em que o seu Amor & sexo se saiu melhor do que o esperado, Fernanda Lima (foto) voltará à ativa em breve. O programa, cuja temporada 2013 foi anunciada como a última, ganhou novo fôlego e retornará à grade no segundo semestre deste ano. Até lá, a apresentadora enfrentará outro desafio. A partir de abril, ao lado de André Marques, comandará o SuperStar, versão nacional do formato israelense Rising stars, em que o objetivo é encontrar uma nova banda. A nova atração será exibida aos domingos, depois do Fantástico (Globo). Será que vai colar?
Com o Oscar de direção por Gravidade, Alfonso Cuarón está com a bola toda. Tanto por isso, o nome do mexicano é o destaque de Believe, que estreia quarta, às 20h, na Warner. Ele dirige o piloto e assina a produção executiva (função que é dividida com J. J. Abrams, entre outros). Produzida pela Bad Robot, empresa de Abrams, a história acompanha a trajetória de Bo (Johnny Sequoyah), uma pré-adolescente que começa a manifestar seus poderes de levitação, telecinese, a habilidade de controlar a natureza e prever o futuro. Criada por um grupo conhecido como True Believers, ela é deixada aos cuidados do fugitivo William Tate (Jake McLaughlin). Viajando de cidade em cidade, os dois tentam se manter a salvo daqueles que desejam explorar os poderes de Bo.
Inferno – Também na quarta entram no ar no site de streaming Netflix episódios de Um drink no inferno. Em 1996, Robert Rodriguez, discípulo de Quentin Tarantino, foi lançado. Com elenco de peso – George Clooney, Harvey Keitel e Salma Hayek, entre outros – ganhou continuações. A nova produção marca a primeira investida de Rodriguez no universo das séries. Depois de um ‘trabalho’ num banco no Texas, o assaltante Seth Gecko (D. J. Cotrona) e seu irmão Richie (Zane Holtz) apontam suas armas para o México. A série de 10 episódios ocorre no decorrer de uma noite e acompanha os irmãos Gecko em sua tentativa de despistar os policiais Earl McGraw (Don Johnson) e Freddie Gonzalez (Jesse Garcia).
Teen – Já o Sony traz três novidades nesta semana. Na quinta, às 22h, Once upon a time retorna em sua terceira temporada. Na sexta, às 21h, entra no ar a segunda temporada de Teen wolf. Logo depois, às 22h, estreia Twisted, também voltada para o público juvenil. O protagonista é Danny (Avan Jogia), adolescente que deixa a cadeia aos 16 anos, depois de cumprir pena por ter assassinado sua tia. Tentando recomeçar a vida, ele é logo envolvido em outro crime, quando um dos alunos da sua escola é assassinado.
Caras & Bocas
Simone Castro
simone.castro@uai.com.br
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Estreia hoje, às 10h, no SBT/Alterosa, a segunda temporada de Menino de ouro, reality que conjuga programa social e paixão nacional na atividade de centenas de pequenos boleiros brasileiros em busca da real oportunidade de candidatos a se tornarem um profissional de futebol. Os 13 episódios, um a mais do que em 2013, mostram os desafios técnicos e a batalha emocional e física desses garotos. O programa apresenta suas famílias, seus tutores, seus sonhos, medo e ídolos. Tudo isso somado à tensão da convivência dos jogadores no centro de treinamento (CT). Karina Bacchi (foto) é a repórter de campo e responsável por visitar a casa de cada um dos garotos, mostrar as histórias, as famílias e os amigos desses pequenos craques. “A segunda edição do Menino de ouro está ainda mais empolgante e emocionante! Acompanhar ainda mais de perto a história de cada menino e sua vida fora de campo tem sido um grande presente. O público vai se emocionar!”, afirma Karina. Na primeira etapa do reality, os inscritos no site do programa são avaliados e os escolhidos participam do peneirão que selecionará os 74 jogadores que seguem para o CT. Depois de um fim de semana de trabalhos táticos e físicos, os técnicos e campeões do mundo Zetti e Edmilson revelam as suas apostas e elegem os 22 garotos que vão seguir na competição. Os jogadores serão divididos em dois times: o vermelho, comandado por Edmilson, e o Azul, sob a batuta de Zetti. O jovem que se sagrar vencedor será o “Menino de ouro” e terá a oportunidade de treinar com um time paulista: Corinthians, Palmeiras ou São Paulo. O reality show é comandado pelo craque Paulo Sérgio, que aposta no sucesso da atração: “Vamos fazer um brilhante programa. Espero que quem estiver em casa curta bastante, porque vai se divertir, emocionar e chorar. Esse programa vai marcar”.
VIAÇÃO CIPÓ FAZ PARADA
NA CIDADE DE TIRADENTES
A bela cidade de Tiradentes é o ponto de parada do Viação Cipó deste domingo, na TV Alterosa. Confira um passeio de jardineira, um belíssimo resort, o museu do padre Toledo, os caminhos da APA São José. Mais: receita do Cipó.
REPRISE JÁ TEM DATA PARA
ESTREAR NO FINAL DA TARDE
A feia mais bela, que o SBT/Alterosa vai reexibir em 7 de abril, já tem horário definido na grade. A trama vai ao ar a partir das 17h30, em substituição a Por teu amor. Em seguida, virá Quem não viu vai ver, com estreia marcada para o dia 24.
PEDRO BIAL VOLTA COM
TUDO EM ÉPOCA DE COPA
Depois do Big brother Brasil, Pedro Bial se dedicará ao seu programa Na moral (Globo), que retornará à cena quando estiver rolando a Copa do Mundo. O primeiro episódio vai debater a identidade nacional, relacionando o tema ao evento do futebol. Mas o apresentador e convidados discutirão novos temas que não necessariamente a paixão nacional.
BBB AINDA TEM QUATRO
ANOS CERTOS PELA FRENTE
A Globo renovou contrato com a Endemol, dona do formato do Big brother Brasil, até 2018, de acordo com o site Notícias da TV. Mas, ao que parece, o programa, que está no ar com a sua pior edição, divide opiniões na emissora. Há quem acredite que ainda há fôlego para o reality show; outros defendem a sua aposentadoria.
CRIANÇAS SE MOBILIZAM
EM DEFESA DO PLANETA
A TV Brasil exibe, a partir das 11h, a segunda temporada do programa Senha verde, projeto realizado em parceria com o Goethe-Institut e seis canais latino-americanos. A partir do ponto de vista das crianças, o telespectador é convidado a acompanhar realidades de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, México, Chile e Brasil. São esses pequenos latino-americanos que, com muita brincadeira e poesia, mobilizam todos para cuidar do meio ambiente e acreditar que suas pequenas ações podem trazer grandes resultados. A ideia da série é reforçar o conceito de que o planeta é a nossa casa e a dividimos com outras pessoas, além da fauna e da flora. Entre os participantes brasileiros tem uma menina que vive em uma comunidade quilombola e outra às margens de um rio em uma reserva ambiental.
FERNANDA LIMA VAI SE
DESDOBRAR NA TELINHA
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Em alta na Globo desde o ano passado, em que o seu Amor & sexo se saiu melhor do que o esperado, Fernanda Lima (foto) voltará à ativa em breve. O programa, cuja temporada 2013 foi anunciada como a última, ganhou novo fôlego e retornará à grade no segundo semestre deste ano. Até lá, a apresentadora enfrentará outro desafio. A partir de abril, ao lado de André Marques, comandará o SuperStar, versão nacional do formato israelense Rising stars, em que o objetivo é encontrar uma nova banda. A nova atração será exibida aos domingos, depois do Fantástico (Globo). Será que vai colar?
Tereza Cruvinel - Guardar as armas
Tereza Cruvinel - Guardar as armas
Mercadante recebe amanhã o líder rebelde que o governo quis isolar
Estado de Minas: 16/03/2014
Está previsto, mas não anunciado, para amanhã um encontro entre o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o líder da rebelião parlamentar da semana passada, Eduardo Cunha, do PMDB. Depois de ter rachado o tal blocão, cooptando alguns partidos com afagos e concessões, o Planalto faz o primeiro aceno de paz ao desafiante que lhe impôs derrotas significativas. A crise na coalizão tende a arrefecer. Por ora, convém a todos cobrir as brasas com as cinzas da autodefesa: o horizonte está informando que a disputa presidencial não será um passeio.
Como toda crise, dessa alguns saíram feridos, outros fortalecidos. Até no Planalto se ouve que o líder da insurgência aliada, Eduardo Cunha, “cresceu muito” no episódio. O governo, em verdade, subestimou a força que ele já tinha nas bancadas quando aceitou a queda de braço e acabou levando uma sova no plenário da Câmara e nas comissões. Já o vice-presidente Michel Temer perdeu na crise a credencial de elo entre Dilma e o PMDB. Nem por isso está com o posto na chapa ameaçado. Já Eduardo Cunha, que sabe ouvir e seduzir, começa a empolgar o baixo clero como eventual candidato a presidente da Câmara no início de 2015, embora o atual, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), teoricamente possa disputar um segundo mandato. Isso vai depender, fundamentalmente, de qual partido elegerá a maior bancada. Hoje, quem tem mais deputados é o PT, que muito se arrepende de ter cedido a vaga ao aliado, dentro de um acordo de revezamento. Como o PMDB era majoritário no Senado, acabou ficando com as duas Casas, o que lhe deu enorme poder de pressão sobre o Planalto.
Muito mais que ministérios, emendas e imposições palacianas sobre a agenda parlamentar, o terror à hipótese de perder o comando do Legislativo é o que alimenta a raivosa inquietação do PMDB. Há algum tempo, sentiu-se dormindo com o inimigo ao captar sinais de que o PT estaria se valendo de todos os recursos propiciados pela cota maior de poder para eleger a maior bancada. E, assim, depender menos do PMDB e de outros aliados, promovendo, quem sabe, uma reforma política que favoreça os sonhos de longo prazo. Há um exagero nessa leitura. É bastante provável que o PT novamente eleja a maior bancada. É razoável supor que ela vá crescer, mas, no sistema partidário fragmentado que temos, nenhum partido fará muito mais do que 100 deputados, fração que não garante absoluta hegemonia no Congresso. Depois da Constituinte, quando o PMDB sozinho elegeu a maioria absoluta, ninguém repetiu o feito. Desde então, impera o inevitável presidencialismo de coalizão. Os presidentes chegam lá com milhões de votos, mas seus partidos não alcançam sequer os 20% das cadeiras da Câmara.
A refrega foi também o batismo de fogo do ministro Mercadante em seu novo cargo, ao qual chegou com implícito papel de chefe da articulação política do governo. Ele cometeu erros iniciais ao administrar as pressões dos aliados, chegando a dizer que, na campanha, todos vão querer tirar fotografia com Dilma para se eleger na garupa do favoritismo dela. Subestimou Eduardo Cunha, menosprezou o baixo clero e confiou demais no servilismo ao Executivo. Mas, depois que a situação desandou, aterrissou na realidade. Chamou cada partido do blocão para negociar, ouviu, concedeu, rachou o ajuntamento. Teria convencido a presidente a concluir de uma tacada a reforma ministerial, nomeando nomes de sua escolha, mas palatáveis ao PMDB. Agora, fará o mais complicado. Conversar com Eduardo Cunha, que o governo inicialmente planejou isolar. Na sexta-feira, confirmando o encontro, o líder disse à coluna: “Eu nunca me neguei a dialogar nem rompi com o governo. Mas, sem negociação, vamos derrotá-lo novamente no Marco Civil da Internet”. Evitar essa nova derrota é o desafio afirmativo de Mercadante.
Aécio e Eduardo
Ontem, no Rio, a coalizão PSB/Rede-PPS deve ter batido o martelo sobre a candidatura própria ao governo do estado, aprovando o apoio ao deputado Miro Teixeira, do Pros. O também deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) já havia recusado a candidatura lá atrás, depois mudou de ideia. E, com isso, Eduardo Campos atende uma das três exigências de Marina Silva para ser confirmada como candidata a vice. Ela insistiu em candidaturas próprias também em São Paulo e no Amazonas. Os números das pesquisas convenceram Eduardo: nas simulações em que ela aparece como vice, seus índices quase duplicam. Em São Paulo, em vez de apoio ao tucano Geraldo Alckmin, haverá a escolha entre o deputado Walter Feldman (Rede/PSB) e o vereador Ricardo Young (PPS). No Amazonas, o apoio à deputada pepista Rebecca Garcia foi retirado, e lançada uma chapa puro-sangue, com o deputado estadual Marcelo Ramos para governador e o federal Marcelo Serafim para senador. No dia 27, os dois estrelam o programa de televisão semestral do PSB. Se tudo estiver resolvido, Marina pode até ser anunciada como vice no programa.
Campos vem fazendo críticas cada vez mais estridentes a Dilma, embora alvejando pontos já levantados pelo tucano Aécio Neves, agora empenhado em capitalizar as previsões de que a redução das tarifas de energia promovida pela presidente teria consequências para o setor elétrico. De carga tributária, crise federativa e barbeiragem na economia, Aécio já falava quando Campos ainda estava no campo governista, dizem os tucanos mais próximos ao candidato, garantindo não estar havendo ali nenhuma paúra com possibilidade de Eduardo, anabolizado por Marina, ultrapassá-lo e ficar com a vaga no segundo turno. Lembram que o PSDB tem capilaridade muito maior, que o socialista ainda tem muito caminho a andar para se tornar nacionalmente conhecido e que o estreitamento das alianças para atender Marina não o ajudará. Mas se for ele que chegar lá, é claro, terá o apoio tucano.
Um sinal de que a campanha já começou, mobilizando inclusive os artistas, como sempre ocorre, é a chuva de mensagens de celebridades na página de Aécio no Facebook cumprimentando-o pelos 54 anos completados no dia 10.
Mercadante recebe amanhã o líder rebelde que o governo quis isolar
Estado de Minas: 16/03/2014
Está previsto, mas não anunciado, para amanhã um encontro entre o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o líder da rebelião parlamentar da semana passada, Eduardo Cunha, do PMDB. Depois de ter rachado o tal blocão, cooptando alguns partidos com afagos e concessões, o Planalto faz o primeiro aceno de paz ao desafiante que lhe impôs derrotas significativas. A crise na coalizão tende a arrefecer. Por ora, convém a todos cobrir as brasas com as cinzas da autodefesa: o horizonte está informando que a disputa presidencial não será um passeio.
Como toda crise, dessa alguns saíram feridos, outros fortalecidos. Até no Planalto se ouve que o líder da insurgência aliada, Eduardo Cunha, “cresceu muito” no episódio. O governo, em verdade, subestimou a força que ele já tinha nas bancadas quando aceitou a queda de braço e acabou levando uma sova no plenário da Câmara e nas comissões. Já o vice-presidente Michel Temer perdeu na crise a credencial de elo entre Dilma e o PMDB. Nem por isso está com o posto na chapa ameaçado. Já Eduardo Cunha, que sabe ouvir e seduzir, começa a empolgar o baixo clero como eventual candidato a presidente da Câmara no início de 2015, embora o atual, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), teoricamente possa disputar um segundo mandato. Isso vai depender, fundamentalmente, de qual partido elegerá a maior bancada. Hoje, quem tem mais deputados é o PT, que muito se arrepende de ter cedido a vaga ao aliado, dentro de um acordo de revezamento. Como o PMDB era majoritário no Senado, acabou ficando com as duas Casas, o que lhe deu enorme poder de pressão sobre o Planalto.
Muito mais que ministérios, emendas e imposições palacianas sobre a agenda parlamentar, o terror à hipótese de perder o comando do Legislativo é o que alimenta a raivosa inquietação do PMDB. Há algum tempo, sentiu-se dormindo com o inimigo ao captar sinais de que o PT estaria se valendo de todos os recursos propiciados pela cota maior de poder para eleger a maior bancada. E, assim, depender menos do PMDB e de outros aliados, promovendo, quem sabe, uma reforma política que favoreça os sonhos de longo prazo. Há um exagero nessa leitura. É bastante provável que o PT novamente eleja a maior bancada. É razoável supor que ela vá crescer, mas, no sistema partidário fragmentado que temos, nenhum partido fará muito mais do que 100 deputados, fração que não garante absoluta hegemonia no Congresso. Depois da Constituinte, quando o PMDB sozinho elegeu a maioria absoluta, ninguém repetiu o feito. Desde então, impera o inevitável presidencialismo de coalizão. Os presidentes chegam lá com milhões de votos, mas seus partidos não alcançam sequer os 20% das cadeiras da Câmara.
A refrega foi também o batismo de fogo do ministro Mercadante em seu novo cargo, ao qual chegou com implícito papel de chefe da articulação política do governo. Ele cometeu erros iniciais ao administrar as pressões dos aliados, chegando a dizer que, na campanha, todos vão querer tirar fotografia com Dilma para se eleger na garupa do favoritismo dela. Subestimou Eduardo Cunha, menosprezou o baixo clero e confiou demais no servilismo ao Executivo. Mas, depois que a situação desandou, aterrissou na realidade. Chamou cada partido do blocão para negociar, ouviu, concedeu, rachou o ajuntamento. Teria convencido a presidente a concluir de uma tacada a reforma ministerial, nomeando nomes de sua escolha, mas palatáveis ao PMDB. Agora, fará o mais complicado. Conversar com Eduardo Cunha, que o governo inicialmente planejou isolar. Na sexta-feira, confirmando o encontro, o líder disse à coluna: “Eu nunca me neguei a dialogar nem rompi com o governo. Mas, sem negociação, vamos derrotá-lo novamente no Marco Civil da Internet”. Evitar essa nova derrota é o desafio afirmativo de Mercadante.
Aécio e Eduardo
Ontem, no Rio, a coalizão PSB/Rede-PPS deve ter batido o martelo sobre a candidatura própria ao governo do estado, aprovando o apoio ao deputado Miro Teixeira, do Pros. O também deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) já havia recusado a candidatura lá atrás, depois mudou de ideia. E, com isso, Eduardo Campos atende uma das três exigências de Marina Silva para ser confirmada como candidata a vice. Ela insistiu em candidaturas próprias também em São Paulo e no Amazonas. Os números das pesquisas convenceram Eduardo: nas simulações em que ela aparece como vice, seus índices quase duplicam. Em São Paulo, em vez de apoio ao tucano Geraldo Alckmin, haverá a escolha entre o deputado Walter Feldman (Rede/PSB) e o vereador Ricardo Young (PPS). No Amazonas, o apoio à deputada pepista Rebecca Garcia foi retirado, e lançada uma chapa puro-sangue, com o deputado estadual Marcelo Ramos para governador e o federal Marcelo Serafim para senador. No dia 27, os dois estrelam o programa de televisão semestral do PSB. Se tudo estiver resolvido, Marina pode até ser anunciada como vice no programa.
Campos vem fazendo críticas cada vez mais estridentes a Dilma, embora alvejando pontos já levantados pelo tucano Aécio Neves, agora empenhado em capitalizar as previsões de que a redução das tarifas de energia promovida pela presidente teria consequências para o setor elétrico. De carga tributária, crise federativa e barbeiragem na economia, Aécio já falava quando Campos ainda estava no campo governista, dizem os tucanos mais próximos ao candidato, garantindo não estar havendo ali nenhuma paúra com possibilidade de Eduardo, anabolizado por Marina, ultrapassá-lo e ficar com a vaga no segundo turno. Lembram que o PSDB tem capilaridade muito maior, que o socialista ainda tem muito caminho a andar para se tornar nacionalmente conhecido e que o estreitamento das alianças para atender Marina não o ajudará. Mas se for ele que chegar lá, é claro, terá o apoio tucano.
Um sinal de que a campanha já começou, mobilizando inclusive os artistas, como sempre ocorre, é a chuva de mensagens de celebridades na página de Aécio no Facebook cumprimentando-o pelos 54 anos completados no dia 10.
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