sábado, 7 de junho de 2014

O direito de protesto - Rafael Santiago Costa

O direito de protesto
 
Passeatas pacíficas e ostensivas interdições de rodovias não podem receber o mesmo tratamento pelo Estado

Rafael Santiago Costa
Advogado
Estado de Minas: 07/06/2014



Sem negarmos a importância dos movimentos reivindicatórios em andamento no Brasil e atentos ao fato de que intensos debates já vêm ocorrendo acerca dos justos pleitos sociais agora apresentados em alto e bom som, optamos por analisar outra questão diretamente relacionada a tais movimentos.

Não há como falar em manifestações populares sem tratar da liberdade de expressão e o direito de reunião, direitos fundamentais expressamente previstos na Constituição Federal. Como tais, demandam profundo respeito e proteção por toda sociedade e, principalmente, pelo Estado.

Contudo, não se pode desconsiderar que nenhum direito fundamental é absoluto, pois encontra limites em outros direitos fundamentais a serem igualmente protegidos. E é sob esse enfoque que trazemos para reflexão a contraposição entre o direito de livre manifestação e o direito de liberdade, aqui com enfoque em seu aspecto relacionado à locomoção.

Como todos os direitos fundamentais devem conviver de forma harmônica, torna-se necessária a ponderação entre os que se mostrem conflitantes em determinadas situações concretas. É o que nos parece acontecer quando o direito de manifestação de alguns acaba afrontando o direito de locomoção de outros. Em cenários como os vivenciados nos últimos dias, o direito de manifestação deve ser considerado mais relevante que o direito de locomoção? Ou o contrário deve ser tido como correto?

Não são perguntas simples, mas a resposta deve ser negativa para ambas, pois a busca de uma prévia hierarquia entre os direitos fundamentais pode acarretar na supressão definitiva de alguns deles. O mais correto é que sejam efetuadas ponderações diante do caso concreto, pautadas por critérios de razoabilidade, proporcionalidade e no interesse público, sempre direcionadas à manutenção e coexistência dos direitos envolvidos.

Trazendo essa diretriz geral para o aparente conflito entre os direitos de manifestação e locomoção, alteram-se as perguntas feitas, agora apresentadas de outra forma. É razoável que o direito de locomoção das pessoas sofra restrições em determinados momentos e locais em função do direito de manifestação exercido por outras, por exemplo, por meio de uma passeata previamente anunciada? Por outro lado, é razoável que o direito de locomoção das pessoas seja completamente inviabilizado em determinados locais e por tempo indeterminado em função daquele mesmo direito de manifestação, mas agora exercido por meio de verdadeiras e ostensivas barricadas organizadas em rodovias ou vias urbanas?

A nosso ver, a resposta não pode ser a mesma para as duas perguntas. Se os direitos fundamentais devem coexistir, um não pode justificar a total supressão do outro. Se a liberdade de locomoção não pode impedir a liberdade de manifestação por completo, demandando resposta positiva à primeira pergunta, o contrário também é verdadeiro e a segunda pergunta passa a merecer resposta negativa. Afinal, se existem inúmeras formas de manifestação, não pode ser legítima aquela que se mostra mais gravosa em relação a outro direito fundamental, a ponto de inviabilizar totalmente o seu exercício.

Entendimento contrário e que caminhe no sentido de ser absoluto o direito de manifestação, considerando irrelevante o direito de locomoção, pode resultar na situação em que uma mesma rodovia seja interditada praticamente todos os dias, cada vez por um grupo, independentemente do número de envolvidos e da motivação do protesto. Afinal, se a ocupação é considerada legítima em um dia, também deverá sê-lo nos demais.

O tema é certamente polêmico e passível de maior aprofundamento. A título de exemplo, foi proferida decisão monocrática no Superior Tribunal de Justiça (Habeas Corpus nº 272.607) justamente em face das manifestações que atualmente ocorrem em todo país. O ministro Herman Benjamin considerou flagrantemente ilegal decisão anterior “que impede a livre manifestação pacífica em território nacional”. Afirmou não caber “ao Poder Judiciário, previamente, impor o emprego da força policial para reprimir a circulação de cidadãos que buscam o legítimo exercício da cidadania, em prol de melhorias públicas”.

Essa decisão não chega a conflitar com o que sustentamos acima. Isso porque se torna necessário analisar melhor cada caso concreto para se concluir sobre o que vem a ser uma manifestação pacífica, saber distinguir entre imposição prévia de força policial para repressão e posterior contenção policial de abusos e, principalmente, compreender a ideia de circulação de manifestantes no exercício de sua cidadania. A nosso ver, passeatas pacíficas que geram alguns inconvenientes à locomoção das pessoas e abruptas e ostensivas interdições de rodovias que impedem por completo a locomoção durante horas são formas completamente distintas de manifestação, não podendo receber o mesmo tratamento pelo Estado.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

OMAHA:DE PRAIA SANGRENTA A SANTUÁRIO DA LIBERDADE

A Tarde 06/06/2014

MEMÓRIA A TARDE percorreu o roteiro do teatro da guerra e relata o desembarque



JC TEIXEIRA GOMES
Da Normandia, Especial para
A TARDE

“Nesta praia só ficarão dois tipos de homens: os que já morreram e os que vão morrer”. Com esta frase terrível o coronel americano George Taylor resumiu a dramática situação dos fuzileiros navais encurralados na praia de Omaha, na Normandia, no dia seis de junho de 1944, sob impiedoso fogo de canhões, metralhadoras, morteiros e fuzis dos nazistas entrincheirados.

O desembarque das tropas aliadas, que exatamente no dia de hoje completa setenta anos e será objeto de comemorações no mundo inteiro, constituindo uma extraordinária façanha militar jamais igualada, apressou a libertação da França, da Europa e o fim do regime de Hitler.

A praia sangrenta

Omaha Beach passou à posteridade como “a praia sangrenta”, tal a enormidade das perdas dos EUA nas primeiras horas de combate, iniciado na madrugada de seis de junho: entre mortos e desaparecidos foram cerca de duas mil e quinhentas baixas, com os corpos mutilados
acumulando-se nas areias ou boiando nas ondas agitadas, pois muitos soldados se afogaram antes de iniciar a luta, caindo no mar com o peso do equipamento, ao tentar sair das barcas de transporte Higgins. No total, os aliados perderam cerca de 10 mil soldados no primeiro dia do confronto.

O roteiro do teatro da guerra inclui quase mil quilômetros de pontos vitais como a cidade de Caen e seu famoso Memorial, toda a extensão d praia sangrenta com os seus monumentos, e a pequena cidad de Sainte Mère Église, famosa pelos combates e pelo fato surpreendente de um paraquedista
americano ter-se enroscado na torre da igreja.

Passa ainda pelas escarpas da “Pointe du Hoc”, soberba elevação sobre o mais extenso promontório da Normandia. Desta parte privilegiada, os nazistas podiam, com artilharia encravada, atacar simultaneamente as duas áreas mais importantes do desembarque, as praias de Utah e Omaha, ao lado das praias de Juno, Gold e Sword, todas objeto da Operação Overlord, nome genérico da ação comandada pelo general americano Eisenhower.

Tudo parecia perdido

O meticuloso planejamento do desembarque parecia ter falhado em grande parte do primeiro dia na praia de Omaha, onde a encarniçada reação nazista dizimava as tropas invasoras.

O mais graduado general americano após Ike, Omar Bradley, chegou a conceber um recuo e o recolhimento das tropas, enquanto outros chefes militares imaginavam um retorno aos navios.

Estes, desde as horas iniciais da manhã, não paravam de atirar contra as fortificações alemãs, ajudados por um dos mais intensos bombardeios aéreos da II Guerra Mundial. A infantaria americana, porém, estava acuada e imobilizada nas areias.

Ironicamente, a única proteção de que os invasores dispunham contra a fuzilaria mortal eram os obstáculos que o marechal Rommel tinha mandado espalhar pela costa normanda: armações metálicas conhecidas como tetraedros, triângulos e ouriços de aço, madeiras transversais fincadas nas areias, chamadas de “os aspargos de Rommel”.

Além destas peças, milhões de minas protegiam a Muralha do Atlântico, organizada pelo marechal que ficara famoso como “a raposa do deserto”, nas lutas da África.

Completava a defesa da extensa costa, ao lado da enorme concentração de tropas, abrigos subterrâneos de concreto, recheados de canhões, potentes e espessas casamatas de aço e cimento com peças de artilharia, canhões antitanques, abrigos de morteiros, bases de lançamento de foguetes, bem como uma infinidade de ninhos de metralhadoras e quilômetros de arame farpado em pontos estratégicos.

Para superar os obstáculos e proteger a infantaria, os aliados inventaram tanques flutuantes, 27 dos quais afundaram por inabilidade desastrosa logo no primeiro dia, e tanques removedores de minas. Tudo funcionara mal nas ações iniciais.

O milagre do avanço
O avanço das tropas em certas áreas parecia um milagre militar. Mais do que o prolongado treinamento militar e as informações acumuladas pelos aliados sobre as defesas alemãs durante três anos, a enormidade da armada invasora e o poder de fogo dos seus navios e aviões acabaram tornando triunfante o desembarque ameaçado.

Implacáveis em terra, os alemães não dispunham de aviões para combater os aliados. ALuftwaffe de Goering já se aproximava do colapso, os poucos aviões nazistas na Normandia tinham sido transferidos por um erro inconcebível de comando.

Na verdade, as belas praias da Normandia não constituem um cenário de guerra. Toda a Normandia é um estirão de terras verdes cultiváveis, repleto de fazendas com cercas vivas (que tanto dificultaram a movimentação dos tanques e blindados aliados) e praias paradisíacas,
foi feita para a alegria e a confraternização do homem com a natureza.

Um dos marco locais é a presença do cemitério normando das tropas norte-americanas, que abriga quase dez mil corpos dos fuzileiros mortos não apenas nos primeiros momentos da ação, mas, igualmente, no curso dos ferozes combates travados no interior para expulsar os nazistas das cidades que ocuparam durante longos anos.




Paraquedista

A pequena cidade de Sainte Mère Église ficou com destaque na história da invasão por um fato incrível: descendo no lugar errado como tantos dos seus colegas, que logo foram fuzilados pelos soldados nazistas, o paraquedista americano John Steele enroscou seu equipamento na torre da igreja normanda,e láf icou, pendurado e exposto, ensurdecendo-se com o sino.

Localizado por um soldado alemão, recebeu um tiro no pé, foi capturado e depois resgatado. Os habitantes da cidade cotizaram-se e mandaram colocar no mesmo lugar, no topo da igreja, um manequim de paraquedista com o tamanho de um homem, que até hoje relembra para os visitantes a história de Steele. Mais de doze invasores morreram ao cair no centro da cidade, onde moradores e tropas alemães se empenhavam em apagar um incêndio, em cujas chamas estouraram alguns dos paraquedistas desgarrados, portadores de explosivos. Ao lado dessas tragédias, Sainte Mére ficou nas crônicas pela rudeza dos combates para conquistá-la, pois os aliados consideravam-na um
entroncamento vital para sua penetração em direção ao interior da Normandia e Paris. A marcada aventura de Steele é visível emvários pontos, inclusive no formato do Museu de Guerra lá existente: um paraquedas aberto, de cimento branco.

Ponta du Hoc

O nome “Pointe du Hoc”, em francês, talvez não seja familiar aos leitores, mas o local é cultuado na Normandia como um dos pontos mais relevantes nos combates de seis de junho de 1944. Trata-se da mais longa projeção da costa normanda rumo ao Atlântico, um promontório em cima de
escarpas de trinta metros de altura, em que os nazistas se instalaram para atirar nos invasores, atingindo simultaneamente as praias de Utah e Omaha. Um lugar, portanto, essencialmente estratégico.

Na madrugada de seis de junho, antes mesmo de começar o desembarque, para ali rumou um comando especial composto de 225 soldados sob a chefia do coronel James Rudder, herói de guerra. Não é difícil imaginar o que poderia ter acontecido a um grupo de homens subindo por falésias rudes e abruptas, com tropas inimigas a metralhá-los lá de cima: apenas 99 sobreviveram e conseguiram dominar os nazistas, para descobrir, decepcionados, que ali não estavamos canhões denunciados pela Resistência francesa.

Mas lá se encontravam, afinal, as imensas casamatas de cimento e aço,umadas quais, tendo resistido aos frequentes bombardeios que espalharam crateras gigantescas em toda a área.O acesso se dá por uma estreita abertura, pois tudo era planejado pelos alemães para dificultar ataques e só permitir no interior dos blocos a movimentação das suas guarnições.

Centenas iguais àquela estavam disseminadas por toda a Normandia e foramo único legado que restou das defesas planejadas por Rommel e seus engenheiros.

Caen

Caen, uma das cidades mais belas e importantes da Normandia, foi completamente destruída durante os combates ente as tropas aliadas e os nazistas lá encastelados havia quatro anos. Pelo nível da devastação a que foi submetida, até porque os alemães em retirada imitaram o que fizeram em Varsóvia e atacaram e incendiaram prédios, Caen ganhou o apelido de “cidade- martírio”. Hoje, restaurada e novamente bela, é sede universitária repleta de barulhentos estudantes.

Ao lado da sua relevância na crônica da guerra, Caen é hoje um centro indispensável de romaria dos estudiosos, pelo magnífico memorial que lá foi construído,não apenas alusivo às batalhas normandas, mas a II Grande Guerra em geral.

Dividido em duas seções, “O Mundo antes e depois de 1945”, o Memorial de Caen fala-nos da falência da paz, dos anos negros da França, da guerra total e das batalhas da Normandia, das cidades destruídas, do confronto das ideologias, das crises geradas pela guerra fria, do equilíbrio provocado pelo terror atômico, das ameaças da crise de Berlim, e exibe ao visitante o filme “Esperança”.


O acervo inclui displays e documentos sobre o domínio nazista, propaganda ideológica, o governo de Petain, a perseguição aos judeus, campos de extermínio e concentração, filmes dos guetos na Europa, a liberação de Paris, a batalha da Inglaterra, a invasão da Polônia, cidades destruídas, o cerco de Leningrado e a batalha de Stalingrado, fotos do desembarque na Normandia, a bomba atômica etc. Em suma, tudo aquilo que o ser humano não deve esquecer nunca (e esquece sempre), exibindo os horrores e a insânia de todas as guerras.

TeVê

TV paga

Publicação: 06/06/2014

 (Les Films du Poisson/Divulgação)

Drama ou romance?


Um casal vive feliz com seus quatro filhos em um vilarejo da Austrália. Depois da morte repentina do pai, Simone, de 8 anos, passa a dividir um segredo com sua mãe, Dawn: ela acredita que seu pai pode conversar com ela através das folhas de sua árvore preferida e passa horas ali, sentindo a presença dele. Esse é o enredo do filme A árvore, de Julie Bertuccelli, com Charlotte Gainsbourg (foto). Confira às 22h, na Cultura.

De Niro lidera elenco de
fita do Telecine Premium


Hoje tem estreia no pacotão de filmes: é a comédia O casamento do ano, com Robert De Niro, Diane Keaton, Susan Sarandon e Amanda Seyfried, às 22h, no Telecine Premium. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Condenado à liberdade, no Canal Brasil; Louca obsessão, no AXN; O despertar de uma paixão, na MGM; Hedwig – Rock, amor e traição, no Max; Uma ladra sem limites, no Telecine Pipoca; Prometheus, no Telecine Action; Campo dos sonhos, no Telecine Cult; e Chinatown, no TCM. Outras atrações da programação: Rocco e seus irmãos, às 21h30, no Arte 1; O Besouro Verde, às 22h20, no Universal Channel; e De pernas pro ar 2, às 23h50, no Megapix.

Nova série do Discovery
analisa mães compulsivas


Novidade no Discovery Home & Health: às 22h20, o canal estreia a série Mães fora de controle. Dividida em seis episódios com uma hora de duração, a produção acompanha famílias nas quais as mães são emocionalmente instáveis e desenvolveram compulsão direcionada a diferentes comportamentos.

Documentário relembra
os horrores do nazismo


Dois documentários merecem atenção especial do assinante. Às 18h, o canal +Globosat exibe Terra em erupção, que acompanha o trabalho de cientistas que exploram os vulcões ativos no Havaí, como registra o Observatório de Vulcões, que monitora toda a atividade vulcânica da ilha. Às 23h30, no Curta!,
Memórias dos campos revela os horrores dos campos de concentração nazistas.

Multishow vai de samba,
o canal Bis prefere o rock


O Multishow vai transmitir hoje, ao vivo, a partir das 23h15, o show do cantor Zeca Pagodinho, comemorando 30 anos de carreira com seus grandes sucessos. No canal Bis, às 21h, vai ao ar um especial relembrando os melhores momentos da última edição do Rockness Festival.


CARAS & BOCAS » Chá da tarde
Simone Castro/simone.castro@uai.com.br

Palmirinha, Karina Bacchi e Guinho, em gravação de mais um programa da culinarista   (Fox Life/Divulgação)
Palmirinha, Karina Bacchi e Guinho, em gravação de mais um programa da culinarista

Com seu jeitinho suave, a culinarista Palmirinha Onofre recebeu a atriz e apresentadora Karina Bacchi, na terça-feira, para a gravação de mais um programa da nova temporada de sua atração na Fox Life (TV paga). As duas, com a presença do boneco Guinho, o inseparável companheiro de Palmirinha, dividiram um chá da tarde, com direito a bolo, chá e docinhos, em um cenário que remete ao estilo “casa da vovó”, todo em tons pastéis, cheio de detalhes e num clima bem aconchegante. A convidada mostrou ainda seus dotes culinários e fez a receita de bruschetta. No bate-papo, falaram sobre carreira, família, a vida no interior e, claro, guloseimas. Uma tarde inesquecível para Karina: “Palmirinha é muito amorosa, a vovó que todos gostariam de ter”, disse. Palmirinha, que vai completar 83 anos em julho, voltou à ativa depois de cinco meses longe da TV, cuidando de uma grave infecção urinária.

NEYMAR CONFESSA CIÚMES
DAS CENAS DA NAMORADA


O Caldeirão do Huck (Globo) vai mostrar amanhã a entrevista que Luciano fez com o jogador Neymar, na Europa. Agora reconciliado com a namorada, a atriz Bruna Marquezine, ele admitiu que banca o “zagueirão” fora de campo, segundo o site oficial do programa. “Sou ciumento!”, confessou o craque, que revelou não assistir às cenas românticas dela na novela Em família: “Parei de assistir faz um tempo... e olha que eu sou noveleiro!”. Em tempos de Copa do Mundo, um aviso não podia faltar, e Neymar deu: “Chegou a hora! Prometo dar o meu melhor”. Davi Lucca, filho do jogador, fez uma participação especial na matéria.

SAIBA O QUE SE DEVE FAZER
PARA ENFRENTAR AS CHUVAS


O Globo ecologia deste sábado aborda a necessidade de as cidades se planejarem para enfrentar o desastre natural que mais afeta o Brasil: as fortes chuvas, que, mais frequentes por conta das mudanças climáticas observadas nas últimas décadas, atingem milhões de pessoas. A reportagem detalha algumas estratégias que vêm sendo implementadas – entre elas, um sistema de monitoramento e alerta de desastres naturais, com um complexo que dá cobertura a 310 municípios.

AUTOR RECLAMA DE TEMPO
DE GAME OF THRONES NA TV


George R. R. Martin, autor da saga As crônicas de gelo e fogo, que originou a série Game of thrones, atração do canal HBO (TV paga), disse, em entrevista à revista Entertainment weekly, que sete temporadas serão insuficientes para “contar a história que estamos contando nos livros”. Os roteiristas David Benioff e D. B.Weiss declararam à revista Vanity fair que pretendiam encerrar a série em sete ou oito temporadas. Para Martin, a série deveria ter mais tempo. “Como tenho dito por anos, eu gostaria que eles tivessem mais horas. Toda vez que vejo outros programas da HBO, eu imagino por que nós só temos dez e eles têm 13. Mas nós fizemos algumas coisas grandes esse ano, como o casamento roxo e o julgamento de Tyrion (Peter Dinklage). E o julgamento por combate foi incrível também.” George R. R. Martin lamentou, ainda, que trechos dos livros acabem fora dos episódios. “Eu gosto de muitas das cenas que eles colocaram, mas sinto falta de algumas que ficaram de fora. Obviamente, eu as coloquei no livro por alguma razão, sinto que elas acrescentavam algo à história.”
 (Nickelodeon/Divulgação)

DORA BATE BOLA

Em clima de Copa do Mundo, vai ao ar, a partir de segunda-feira, às 8h30, no canal Nickelodeon (TV paga), o especial A grande partida de futebol da Dora (Dora super soccer showdown). Os fãs da animação vão acompanhar a viagem de Dora (foto) ao Brasil para jogar no grande torneio de futebol. Dora e seu time têm a missão de vencer os monstros e levar para casa um belo troféu!

VIVA
“Acorda, Luiza!”. A garota mimada, personagem de Bruna Marquezine, ouviu um sermão e tanto da avó, Chica, em mais uma cena de destaque de Natália do Vale na trama de Em familia (Globo).

VAIA
Totalmente desnecessária a explicação de William Bonner sobre a “bufada” ao vivo de Patrícia Poeta, no Jornal nacional (Globo). Com direito a abertura do noticiário, então, foi uma prova de antijornalismo. 

Brasil em casa‏ - Ailton Magioli

Brasil em casa 

Maria Bethânia lança disco com canções que remetem à infância e ao povo brasileiro. Meus quintais tem composições de autoria de Dori Caymmi, Tom Jobim e Chico César 

 
Ailton Magioli
Estado de Minas: 06/06/2014


Bethânia diz que novo álbum reflete a memória dos bons momentos passados ao lado dos irmãos     (Tomas Rangel/Divulgação)
Bethânia diz que novo álbum reflete a memória dos bons momentos passados ao lado dos irmãos

Preparando-se para comemorar meio século de carreira em fevereiro do ano que vem, Maria Bethânia volta a surpreender público e crítica com o lançamento de Meus quintais, disco de carreira conceitual, no qual canta como ninguém coisas do Brasil, como índios e povos, que considera os verdadeiros donos do país.

Com uma única regravação –, o clássico Mãe Maria, de Custódio Mesquita e David Nasser –, o primeiro disco que Bethânia faz depois da morte da mãe, Dona Canô, na verdade segue a reconhecida linha de trabalho da artista que, nos últimos anos, brindou os fãs com pérolas fonográficas como Maricotinha (2001) e Brasileirinho (2003), entre outras.

Meus quintais abre (Alguma voz, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro) e fecha (Dindi, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) com o requinte característico da cantora baiana, acompanhada, ao piano, por André Mehmari e Wagner Tiso, respectivamente. “Trata-se de dois pianos diferentes e extraordinários. Felizmente, eles têm um entendimento do meu cantar”, disse na entrevista coletiva on-line, realizada na manhã de ontem, no Rio de Janeiro, onde vive a cantora baiana.

Entre uma faixa e outra, respinga a reconhecida brasilidade do repertório de Bethânia, que vai do samba de roda à folia de reis, passando por outros gêneros. A essência de tudo, claro, é a canção brasileira, à qual Maria Bethânia dispensa o carinho de sempre.

Do Xavante, de Chico César, aos Povos do Brasil, do novato Leandro Fregonesi, passando pela Lua bonita, de Zé Martins e Zé do Norte, Imbelezô eu/Vento de lá, de Roque Ferreira, e Uma Iara/Uma perigosa Yara, de Adriana Calcanhotto sobre texto de Clarice Lispector editado por Fauzi Arap e pela própria cantora, Bethânia é o que Chico César classifica como “o arco da velha índia/ é corda vocal insubmissa”, em Arco da velha índia.

Ela conta que a escolha da parceria de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro (Alguma voz) para abrir o disco foi feira porque, “de algum modo, a canção é uma memória minha com os meus irmãos. Este disco é para os meus, para os da minha casa”, afirma. “Deus sempre ali, na janela do horizonte, cantando, trabalhando.”

Infância

A presença de crianças nos vocais de Meus quintais, segundo a cantora, tem a ver com a rica formação vivida em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. “A infância é o broto de tudo”, reconhece ela, que diz ter tido “a felicidade de uma linda família, com oito irmãos e muitos primos em companhia dos quais curtiu a infância, com direito a “educação muito boa, em escola pública, rigorosa, e muito amor”.

“Meus pais se amaram muito. Isto era nítido entre eles”, admite a cantora, cuja infância “era festa o tempo todo”. “A infância pode, sim, construir a pessoa”, diz Maria Bethânia, que pôde desfrutar de muita música em uma das principais fases da vida, conforme reflete agora em Meus quintais.

Enquanto em discos anteriores ela apresentava o sentimento do povo brasileiro, dessa vez ela canta o que é dela. “Acho o quintal o melhor lugar do mundo, onde aprendi absolutamente tudo, com a característica liberdade do espaço”, afirma Bethânia. Caçula da família Veloso, a cantora lembra da sorte de ter os irmãos por perto na infância. “Caetano está acima de mim. Sorte tê-lo nas brincadeiras, silêncios e observação do quintal”, reconhece. “O quintal é família, sexo, agasalho. Tudo começa ali”, conclui a cantora, que segue fazendo o show Carta de amor.