Zero Hora - 15/06/2014
Muitas situações provocam estranhamento, e uma das mais inquietantes é
entrar no apartamento de um vizinho de prédio. Está ali a mesma sala, do
mesmo tamanho que a sua, com a mesma orientação solar, a mesma
disposição das paredes, a mesma cozinha, os mesmos quartos e banheiros
mas nada, nada é o mesmo.
A parede que na sua casa é cor de marfim, na do vizinho está pintada
de vermelho, o que muda a atmosfera do ambiente, faz com que pareça
menor. Você, que adora plantas e coleciona bugigangas trazidas de
viagens, entra cautelosa naquele apartamento gêmeo ao seu, porém
totalmente despojado de humanidade, mais parece um show room.
Onde você tem um aparador lotado de porta-retratos, o vizinho
colocou um espelho do teto ao chão. Você deixa um sofá branco e
confortável virado em direção à sacada, enquanto seu vizinho têm duas
chaise longue de aço cromado e couro preto que ficam paralelas uma a
outra, voltadas para uma parede onde ele possui uma televisão do tamanho
de um aquário do Sea World.
Ao entrar na cozinha dele, imagina que está dentro de uma nave
espacial, tudo é cinza chumbo e imaculadamente limpo, enquanto sua
cozinha tem uma fruteira de papel machê trazida da Bahia e armários de
madeira.
O lavabo dele é revestido com um papel de parede austero e elegante,
o seu se manteve como a construtora entregou, com azulejos sem graça, e
você nem trocou a torneira original, simplesinha – a dele deve ter sido
transplantada de algum castelo francês, é um colosso. Se você tivesse
um lavabo igual, é lá que receberia as visitas. Aí você lembra que tem
um igual, só que o seu parece um banheiro de rodoviária.
Apartamento de vizinho causa desconforto porque inevitavelmente será
mais bem cuidado ou mais desleixado que o seu, mais escuro ou mais
claro, mais atraente ou mais insosso. A disposição dos móveis parece
incorreta, tudo sugere uma grande transgressão, e você não se sente
acolhido, tem vontade de sair correndo daquele lugar que foi concebido
de um jeito estranho a fim de confrontar você. É isso. O apartamento do
vizinho lembra que há outras formas de viver, enquanto você julgava que
só havia uma: a sua.
Cada um de nós concebe a vida de uma determinada forma, decora a seu
modo os dias e noites, colore suas paixões com suavidade ou desespero,
dá um revestimento aos seus traumas ou os deixa a nu, expõe suas
esquisitices ou as joga para baixo do tapete.
Cada um de nós recebe o mesmo espaço para existir e o arranja,
inventa, traduz, transforma e recria de acordo com uma identidade que
será sempre única, particular. Quando você tiver um ataque de petulância
e achar que só o seu jeito de viver é que é certo, dê um pulo no
apartamento do vizinho. E assombre-se com a quantidade de novos mundos
que existem nas portas ao lado.
domingo, 15 de junho de 2014
TeVê
TV paga
Estado de Minas: 15/06/2014
Música O cantor, compositor e violeiro mineiro
Wilson Dias (foto) é o artista da vez no SescTV, nos programas Passagem
de som e Instrumental Sesc Brasil, em sequência esta noite, a partir das
21h. O show foi gravado no Teatro Anchieta em julho de 2013. No
repertório, serestas, cantigas de sua autoria do álbum Mucuta e memórias
do Vale do Jequitinhonha. Na Cultura, às 23h, Ivo Meirelles é o
convidado do Ensaio.
Na real No segmento dos documentários, o futebol continua na pauta do dia, com destaque hoje para o curta-metragem Geral, de Anna Azevedo, às 14h30, no SescTV. No Discovery Home & Health, às 21h30, vai ao ar o especial Tons de erotismo, em que a jornalista Lisa Ling investiga a realidade dos fetiches e práticas retratados no romance best-seller Cinquenta tons de cinza, de E. L. James.
Enlatados
Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br
Publicação: 15/06/2014 04:00
Estado de Minas: 15/06/2014
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Na real No segmento dos documentários, o futebol continua na pauta do dia, com destaque hoje para o curta-metragem Geral, de Anna Azevedo, às 14h30, no SescTV. No Discovery Home & Health, às 21h30, vai ao ar o especial Tons de erotismo, em que a jornalista Lisa Ling investiga a realidade dos fetiches e práticas retratados no romance best-seller Cinquenta tons de cinza, de E. L. James.
Enlatados
Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br
Publicação: 15/06/2014 04:00
Fim e começo
Uma pausa da Copa, porque hoje é o último dia de Game of thrones. Assim como na temporada passada, depois de um oitavo episódio catártico, o nono, exibido domingo passado, foi bem morno. Hoje finalmente deveremos conhecer o destino de Tyrion, uma das melhores razões para assistir à série.. Mas antes tem estreia na TV. A Fox lança, às 11h30, a quinta temporada da divertida Modern family. No primeiro episódio, Manny se prepara para passar um mês na Colômbia, a contragosto de Gloria. E Cam e Mitchell comemoram a legalização do casamento gay na Califórnia.
Preparativos –Também hoje o Syfy promove uma maratona completa da primeira temporada de Defiance, com 12 episódios, das 11h à meia-noite. O lançamento do segundo ano será na sexta0feira, às 21h, um dia após a exibição nos Estados Unidos. A história de Defiance se passa em um futuro próximo, em que a Terra está transformada depois da guerra entre os humanos e alienígenas. Entre as novidades no elenco estão James Murray, como o novo prefeito da cidade, além de William Atherton e Anna Hopkins, um oficial e uma soldado da República da Terra, respectivamente. Linda Hamilton fará participação especial.
Acesso total –Já na quarta-feira, às 22h, estreia no AXN a série Intelligence. Josh Holloway, o Sawyer de Lost, é Gabriel Vaughn, agente de inteligência que carrega no cérebro um supercomputador na forma de microchip. Por causa desse implante tem acesso total aos dados da internet, telefone e satélite. Diante disso, torna-se uma arma para proteção da segurança nacional. Serão 13 episódios e depois já era. A série, lançada em janeiro, já foi cancelada.
Doutor no Brasil –A BBC lança em agosto a oitava temporada de Doctor Who. Para badalar a estreia, cuja data ainda não foi anunciada, a nova estrela da produção britânica, Peter Capaldi, vai dar um rasante em seis cidades do mundo, o Rio de Janeiro entre elas.
De olho na telinha
Simone Castro
Mais do que galã
O personagem Harley, de A favorita (Globo, 2008), foi um divisor de águas na carreira de Cauã Reymond. Ele interpretava o filho de Donatella (Cláudia Raia), mocinha da história, perseguida pela vilã Flora (Patrícia Pillar). O papel do ator cresceu ao longo da trama e o Harley ajudou a mãe a desmascarar sua perigosa antagonista. Ponto para a atuação de Cauã. De lá para cá, ele foi içado ao posto de galã. Mais do que isso: vem marcando seu lugar com personagens que vão muito além do tipo romântico.
Atualmente na série O caçador (Globo), Cauã interpreta André, um ex-policial durão, sedutor, que se lança, mediante o pagamento de recompensa, a caçadas de vítimas e criminosos. É um personagem tenso, que está sempre no fio da navalha, pronto para atacar ou ser atacado. O ator arregaçou as mangas e se dedicou à composição, mostrando que, às vezes, talento não nasce pronto.
É a segunda vez neste ano – com a diferença de três meses – que ele estrela uma atração especial. Em janeiro, foi o sedutor Leandro da minissérie Amores roubados (Globo). No papel de um sommelier, Cauã se envolve com mãe e filha, vividas por Patrícia Pillar e Isis Valverde, e acaba caçado e morto pelo marido traído, nada menos do que seu chefe, personagem de Murilo Benício. Outra boa interpretação de Cauã.
O começo de Cauã Reymond na TV foi onde muitos outros jovens atores também iniciam: numa temporada de Malhação (Globo), no caso a de 2002. No papel de Maumau, ganhou o público e ficou até a temporada seguinte. Depois, foi exercitar mais uma vez o poder de fazer humor como o Thor Sardinha, de Da cor do pecado (Globo, 2004), de João Emanuel Carneiro.
Papel de sedutor sempre cai como uma luva para Cauã Reymond. Daí que ninguém estranhou quando até Bia Falcão, de Fernanda Montenegro, foi arrebatada pelo Mateus, de Belíssima (Globo, 2005). Eles terminaram a novela juntos, curtindo a vida em Paris, na França. Já o primeiro protagonista do ator veio em 2011, com o Jesuíno de Cordel encantado (Globo). Depois o Jorginho, de Avenida Brasil (Globo, 2012), outro protagonista, em mais uma novela de João Emanuel Carneiro.
O personagem, com um lado por vezes mais depressivo, às voltas com todas as dificuldades de conviver com a mãe, nada menos do que a vilã Carminha (Adriana Esteves), e apaixonado pela mocinha, Nina (Débora Falabella), que urdia uma vingança cega contra ela, começou a apontar o talento do ator para encarar papéis mais densos. O resultado, como em O caçador, prova que Cauã Reymond está no caminho certo.
PLATEIA
VIVA - Bruno Fagundes, o doutor Renato de Meu pedacinho de chão (Globo). Estreia na TV em grande estilo!
VAIA - Na mesma novela, o violeiro Viramundo, vivido por Gabriel Sater, já passou da hora de voltar à cena.
Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br
Bela da festa
Sophie Charlotte conquista mais um personagem especial em sua carreira. A atriz será Duda (foto), no remake de O rebu, que estreia em 14 de julho, na Globo. Depois da Amora, uma das protagonistas de Sangue bom que deu o que falar, Sophie, agora, será a "filha do coração" de Ângela Mahler, a milionária empreiteira vivida por Patrícia Pillar. Na trama, baseada no original de Bráulio Pedroso, exibido em 1974, a história se passa em apenas 24 horas. Tudo começa com uma grande festa na mansão de Ângela, quando um corpo é encontrado na piscina. E ficam as perguntas: quem morreu? Foi acidente? Suicídio? Ou assassinato? Algum convidado ou funcionário da casa está ligado à morte? A trama será narrada em três diferentes tempos: festa, onde se dão encontros e desencontros amorosos e jogos de interesses em torno de um grande negócio; o dia seguinte, quando tem início a investigação policial; e em flashbacks com os principais personagens que poderiam ter motivações para eliminar a vítima. Duda, uma beldade das mais badaladas da festa, se apaixona perdidamente por um convidado especial, Bruno, vivido por Daniel de Oliveira. Só para destacar, Sophie e Daniel formam novo casal também na vida real. O remake leva a assinatura de George Moura e Sérgio Goldenberg. No elenco, entre outros, Tony Ramos, Dira Paes, Marcos Palmeira, Cássia Kiss, Camila Morgado, José de Abreu e Júlio Andrade. A direção geral e de núcleo é de José Luiz Villamarim.
CAPIVARI É O DESTINO
DO VIAÇÃO CIPÓ HOJE
O distrito de Capivari, no Serro, é o roteiro do Viação Cipó deste domingo, às 9h, na Alterosa. Conheça uma iniciativa de turismo diferente de tudo que já foi visto, além de lindas cachoeiras, um vilarejo cheio de histórias e muito mais.
SAIBA COMO USAR O AR
DO CARRO NO INVERNO
O Vrum, hoje, às 8h30, no SBT/Alterosa, dá dicas de como usar e cuidar do ar condicionado no inverno. É preciso saber como manter a temperatura agradável sem criar riscos à saúde. Confira, ainda, o Concorso d'Eleganza Villa d'Este, na Itália, um lugar só para os carros mais bonitos do mundo.
SAULO LARANJEIRA TRAZ
DE VOLTA O ARRUMAÇÃO
Em nova temporada, o programa Arrumação vai retornar à Rede Minas. Com estreia marcada para o segundo semestre deste ano, a atração, comandada por Saulo Laranjeira, tem sua primeira gravação em 18 de junho, às 19h, no Sesc Palladium, quando o apresentador receberá convidados especiais. Na lista, Vander Lee, Camarão de Rama, Cobra Coral, Titane e Túlio Mourão. A canção-tema do programa, Arrumação, de autoria de Elomar Figueira Mello, será interpretada por Saulo Laranjeira, acompanhado pelo Coral do Colégio Santa Dorotéia, e seu filho, Tuca Graça.
AUTOR INDICA AS ATRIZES
QUE QUER EM SUA NOVELA
Nos bastidores, comenta-se que João Emanuel Carneiro quer Susana Vieira em sua próxima novela, prevista para 2015, no horário nobre da Globo. Já Cacau Protásio, que viveu a impagável Zezé na última novela do autor, Avenida Brasil, megasucesso do novelista exibida em 2012, estaria confirmadíssima no novo folhetim. A direção, mais uma vez, será de Amora Mautner.
GNT FAZ CHAMADAS DE
SUA SESSÃO DE TERAPIA
A nova temporada de Sessão de Terapia, que estreia em 4 de agosto, às 22h30, no GNT (TV paga), promete cenas marcantes e novo elenco. Nomes como Camila Pitanga e Letícia Sabatella estarão na série. Serão 35 episódios, dirigidos mais uma vez por Selton Mello, e as chamadas promocionais já estão no ar. Os vídeos mostram o perfil de cada personagem, o que está por trás das câmeras e ainda conta com depoimentos da equipe.
DUDA BÜNDCHEN SE
DIVERTE EM CHIQUITITAS
Sobrinha da top model Gisele Bünchen, a pequena Duda Bündchen, de 7 anos, iniciando na carreira de modelo, também se arrisca como atriz. A garota gravou participação na novela Chiquititas, do SBT/Alterosa, interpretando ela mesma. Nas cenas, Duda acompanha a personagem Vivi (Lívia Inhudes) (foto), que sonha em seguir a carreira de modelo. Vivi irá fazer suas primeiras sessões de fotos e será acompanhada por Duda, que também lhe apresentará vários pontos turísticos da cidade de Porto Alegre (RS). As cenas estão previstas para ir ao ar no final de agosto.
Uma pausa da Copa, porque hoje é o último dia de Game of thrones. Assim como na temporada passada, depois de um oitavo episódio catártico, o nono, exibido domingo passado, foi bem morno. Hoje finalmente deveremos conhecer o destino de Tyrion, uma das melhores razões para assistir à série.. Mas antes tem estreia na TV. A Fox lança, às 11h30, a quinta temporada da divertida Modern family. No primeiro episódio, Manny se prepara para passar um mês na Colômbia, a contragosto de Gloria. E Cam e Mitchell comemoram a legalização do casamento gay na Califórnia.
Preparativos –Também hoje o Syfy promove uma maratona completa da primeira temporada de Defiance, com 12 episódios, das 11h à meia-noite. O lançamento do segundo ano será na sexta0feira, às 21h, um dia após a exibição nos Estados Unidos. A história de Defiance se passa em um futuro próximo, em que a Terra está transformada depois da guerra entre os humanos e alienígenas. Entre as novidades no elenco estão James Murray, como o novo prefeito da cidade, além de William Atherton e Anna Hopkins, um oficial e uma soldado da República da Terra, respectivamente. Linda Hamilton fará participação especial.
Acesso total –Já na quarta-feira, às 22h, estreia no AXN a série Intelligence. Josh Holloway, o Sawyer de Lost, é Gabriel Vaughn, agente de inteligência que carrega no cérebro um supercomputador na forma de microchip. Por causa desse implante tem acesso total aos dados da internet, telefone e satélite. Diante disso, torna-se uma arma para proteção da segurança nacional. Serão 13 episódios e depois já era. A série, lançada em janeiro, já foi cancelada.
Doutor no Brasil –A BBC lança em agosto a oitava temporada de Doctor Who. Para badalar a estreia, cuja data ainda não foi anunciada, a nova estrela da produção britânica, Peter Capaldi, vai dar um rasante em seis cidades do mundo, o Rio de Janeiro entre elas.
De olho na telinha
Simone Castro
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| Cauã Reymond interpreta André, na série O caçador |
O personagem Harley, de A favorita (Globo, 2008), foi um divisor de águas na carreira de Cauã Reymond. Ele interpretava o filho de Donatella (Cláudia Raia), mocinha da história, perseguida pela vilã Flora (Patrícia Pillar). O papel do ator cresceu ao longo da trama e o Harley ajudou a mãe a desmascarar sua perigosa antagonista. Ponto para a atuação de Cauã. De lá para cá, ele foi içado ao posto de galã. Mais do que isso: vem marcando seu lugar com personagens que vão muito além do tipo romântico.
Atualmente na série O caçador (Globo), Cauã interpreta André, um ex-policial durão, sedutor, que se lança, mediante o pagamento de recompensa, a caçadas de vítimas e criminosos. É um personagem tenso, que está sempre no fio da navalha, pronto para atacar ou ser atacado. O ator arregaçou as mangas e se dedicou à composição, mostrando que, às vezes, talento não nasce pronto.
É a segunda vez neste ano – com a diferença de três meses – que ele estrela uma atração especial. Em janeiro, foi o sedutor Leandro da minissérie Amores roubados (Globo). No papel de um sommelier, Cauã se envolve com mãe e filha, vividas por Patrícia Pillar e Isis Valverde, e acaba caçado e morto pelo marido traído, nada menos do que seu chefe, personagem de Murilo Benício. Outra boa interpretação de Cauã.
O começo de Cauã Reymond na TV foi onde muitos outros jovens atores também iniciam: numa temporada de Malhação (Globo), no caso a de 2002. No papel de Maumau, ganhou o público e ficou até a temporada seguinte. Depois, foi exercitar mais uma vez o poder de fazer humor como o Thor Sardinha, de Da cor do pecado (Globo, 2004), de João Emanuel Carneiro.
Papel de sedutor sempre cai como uma luva para Cauã Reymond. Daí que ninguém estranhou quando até Bia Falcão, de Fernanda Montenegro, foi arrebatada pelo Mateus, de Belíssima (Globo, 2005). Eles terminaram a novela juntos, curtindo a vida em Paris, na França. Já o primeiro protagonista do ator veio em 2011, com o Jesuíno de Cordel encantado (Globo). Depois o Jorginho, de Avenida Brasil (Globo, 2012), outro protagonista, em mais uma novela de João Emanuel Carneiro.
O personagem, com um lado por vezes mais depressivo, às voltas com todas as dificuldades de conviver com a mãe, nada menos do que a vilã Carminha (Adriana Esteves), e apaixonado pela mocinha, Nina (Débora Falabella), que urdia uma vingança cega contra ela, começou a apontar o talento do ator para encarar papéis mais densos. O resultado, como em O caçador, prova que Cauã Reymond está no caminho certo.
PLATEIA
VIVA - Bruno Fagundes, o doutor Renato de Meu pedacinho de chão (Globo). Estreia na TV em grande estilo!
VAIA - Na mesma novela, o violeiro Viramundo, vivido por Gabriel Sater, já passou da hora de voltar à cena.
Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br
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Sophie Charlotte conquista mais um personagem especial em sua carreira. A atriz será Duda (foto), no remake de O rebu, que estreia em 14 de julho, na Globo. Depois da Amora, uma das protagonistas de Sangue bom que deu o que falar, Sophie, agora, será a "filha do coração" de Ângela Mahler, a milionária empreiteira vivida por Patrícia Pillar. Na trama, baseada no original de Bráulio Pedroso, exibido em 1974, a história se passa em apenas 24 horas. Tudo começa com uma grande festa na mansão de Ângela, quando um corpo é encontrado na piscina. E ficam as perguntas: quem morreu? Foi acidente? Suicídio? Ou assassinato? Algum convidado ou funcionário da casa está ligado à morte? A trama será narrada em três diferentes tempos: festa, onde se dão encontros e desencontros amorosos e jogos de interesses em torno de um grande negócio; o dia seguinte, quando tem início a investigação policial; e em flashbacks com os principais personagens que poderiam ter motivações para eliminar a vítima. Duda, uma beldade das mais badaladas da festa, se apaixona perdidamente por um convidado especial, Bruno, vivido por Daniel de Oliveira. Só para destacar, Sophie e Daniel formam novo casal também na vida real. O remake leva a assinatura de George Moura e Sérgio Goldenberg. No elenco, entre outros, Tony Ramos, Dira Paes, Marcos Palmeira, Cássia Kiss, Camila Morgado, José de Abreu e Júlio Andrade. A direção geral e de núcleo é de José Luiz Villamarim.
CAPIVARI É O DESTINO
DO VIAÇÃO CIPÓ HOJE
O distrito de Capivari, no Serro, é o roteiro do Viação Cipó deste domingo, às 9h, na Alterosa. Conheça uma iniciativa de turismo diferente de tudo que já foi visto, além de lindas cachoeiras, um vilarejo cheio de histórias e muito mais.
SAIBA COMO USAR O AR
DO CARRO NO INVERNO
O Vrum, hoje, às 8h30, no SBT/Alterosa, dá dicas de como usar e cuidar do ar condicionado no inverno. É preciso saber como manter a temperatura agradável sem criar riscos à saúde. Confira, ainda, o Concorso d'Eleganza Villa d'Este, na Itália, um lugar só para os carros mais bonitos do mundo.
SAULO LARANJEIRA TRAZ
DE VOLTA O ARRUMAÇÃO
Em nova temporada, o programa Arrumação vai retornar à Rede Minas. Com estreia marcada para o segundo semestre deste ano, a atração, comandada por Saulo Laranjeira, tem sua primeira gravação em 18 de junho, às 19h, no Sesc Palladium, quando o apresentador receberá convidados especiais. Na lista, Vander Lee, Camarão de Rama, Cobra Coral, Titane e Túlio Mourão. A canção-tema do programa, Arrumação, de autoria de Elomar Figueira Mello, será interpretada por Saulo Laranjeira, acompanhado pelo Coral do Colégio Santa Dorotéia, e seu filho, Tuca Graça.
AUTOR INDICA AS ATRIZES
QUE QUER EM SUA NOVELA
Nos bastidores, comenta-se que João Emanuel Carneiro quer Susana Vieira em sua próxima novela, prevista para 2015, no horário nobre da Globo. Já Cacau Protásio, que viveu a impagável Zezé na última novela do autor, Avenida Brasil, megasucesso do novelista exibida em 2012, estaria confirmadíssima no novo folhetim. A direção, mais uma vez, será de Amora Mautner.
GNT FAZ CHAMADAS DE
SUA SESSÃO DE TERAPIA
A nova temporada de Sessão de Terapia, que estreia em 4 de agosto, às 22h30, no GNT (TV paga), promete cenas marcantes e novo elenco. Nomes como Camila Pitanga e Letícia Sabatella estarão na série. Serão 35 episódios, dirigidos mais uma vez por Selton Mello, e as chamadas promocionais já estão no ar. Os vídeos mostram o perfil de cada personagem, o que está por trás das câmeras e ainda conta com depoimentos da equipe.
DUDA BÜNDCHEN SE
DIVERTE EM CHIQUITITAS
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Sobrinha da top model Gisele Bünchen, a pequena Duda Bündchen, de 7 anos, iniciando na carreira de modelo, também se arrisca como atriz. A garota gravou participação na novela Chiquititas, do SBT/Alterosa, interpretando ela mesma. Nas cenas, Duda acompanha a personagem Vivi (Lívia Inhudes) (foto), que sonha em seguir a carreira de modelo. Vivi irá fazer suas primeiras sessões de fotos e será acompanhada por Duda, que também lhe apresentará vários pontos turísticos da cidade de Porto Alegre (RS). As cenas estão previstas para ir ao ar no final de agosto.
EM DIA COM A PSICANáLISE » A história de Maura
EM DIA COM A PSICANáLISE »
A história de Maura
Estado de Minas: 15/06/2014
Depois do artigo de domingo passado sobre o livro Orates (Unifor), do psiquiatra Musso Greco, recebi de um leitor interessado na loucura, e a quem agradeço a descoberta, o interessante material publicado por Maurício Meireles no jornal O Globo em 14 de abril.
O artigo fala da redescoberta da obra da mineira Maura Lopes Cançado, considerada promessa de literatura nos anos 1960 antes de se autointernar em um manicômio e cair no ostracismo.
Naquela época, não havia leis que regulamentassem o tratamento de doentes mentais. Maura questionava os maus-tratos a que eles eram submetidos. Escreveu dois livros – Hospício é Deus (1965) e O sofredor do ver (1968) – e circulava nas altas rodas literárias do Rio de Janeiro. Uma promessa que não se cumpriu. Recebeu elogios de Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar, quando apareceu no Jornal do Brasil, em 1956, levando seu primeiro livro. Gullar comentou que ela deveria ser mais conhecida por seu talento. Logo depois, a mineira passou a trabalhar no suplemento dominical do JB.
Ninguém previu o alcance de seus problemas mentais: ela jogou a máquina de escrever pela janela e derrubou uma estante em cima de um colega de trabalho. Esquizofrênica, internou-se aos 18 anos por vontade própria. Tinha mania de grandeza, explosões de agressividade e tendência suicida. Passou por várias clínicas psiquiátricas. Numa delas, matou outra interna, degolada, e foi para o manicômio judiciário.
Redescoberta, Maura é estudada em teses de mestrado e doutorado, informa a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que, desde 1987, pesquisa a obra da escritora, ignorada até 2006.
Em 2012, a Confraria dos Bibliófilos lançou uma edição da coletânea de O sofredor do ver para seus associados. Ano passado, no livro Profissionais da solidão (Editora Senac), Cecília Prado lançou um perfil da escritora, que em breve ressurgirá em biografia escrita pela jornalista Daniela Lima.
Presa na penitenciária Lemos de Brito nos anos 1970, Maura foi assunto de O Globo em 1977. A reportagem mostrava o cubículo “imundo e infestado de percevejos” em que ela dormia, cega e entre presos comuns. Em sua coluna, Otto Lara Resende considerou aquilo “uma vergonha imperdoável”. Esquecida, ela morreu em 1993.
“Nós, mulheres despojadas, sem ontem nem amanhã, tão livres que nos despimos quando queremos. Ou rasgamos os vestidos (o que dá ainda um certo prazer). Ou mordemos. Ou cantamos, alto e reto, quando tudo parece tragado, perdido. (...) Nós, mulheres soltas, que rimos doidas por trás das grades – em excesso de liberdade. (...)”, afirma Maura no livro Hospício é Deus.
Estado de Minas: 15/06/2014
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| A escritora Maura Lopes Cançado |
Depois do artigo de domingo passado sobre o livro Orates (Unifor), do psiquiatra Musso Greco, recebi de um leitor interessado na loucura, e a quem agradeço a descoberta, o interessante material publicado por Maurício Meireles no jornal O Globo em 14 de abril.
O artigo fala da redescoberta da obra da mineira Maura Lopes Cançado, considerada promessa de literatura nos anos 1960 antes de se autointernar em um manicômio e cair no ostracismo.
Naquela época, não havia leis que regulamentassem o tratamento de doentes mentais. Maura questionava os maus-tratos a que eles eram submetidos. Escreveu dois livros – Hospício é Deus (1965) e O sofredor do ver (1968) – e circulava nas altas rodas literárias do Rio de Janeiro. Uma promessa que não se cumpriu. Recebeu elogios de Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar, quando apareceu no Jornal do Brasil, em 1956, levando seu primeiro livro. Gullar comentou que ela deveria ser mais conhecida por seu talento. Logo depois, a mineira passou a trabalhar no suplemento dominical do JB.
Ninguém previu o alcance de seus problemas mentais: ela jogou a máquina de escrever pela janela e derrubou uma estante em cima de um colega de trabalho. Esquizofrênica, internou-se aos 18 anos por vontade própria. Tinha mania de grandeza, explosões de agressividade e tendência suicida. Passou por várias clínicas psiquiátricas. Numa delas, matou outra interna, degolada, e foi para o manicômio judiciário.
Redescoberta, Maura é estudada em teses de mestrado e doutorado, informa a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que, desde 1987, pesquisa a obra da escritora, ignorada até 2006.
Em 2012, a Confraria dos Bibliófilos lançou uma edição da coletânea de O sofredor do ver para seus associados. Ano passado, no livro Profissionais da solidão (Editora Senac), Cecília Prado lançou um perfil da escritora, que em breve ressurgirá em biografia escrita pela jornalista Daniela Lima.
Presa na penitenciária Lemos de Brito nos anos 1970, Maura foi assunto de O Globo em 1977. A reportagem mostrava o cubículo “imundo e infestado de percevejos” em que ela dormia, cega e entre presos comuns. Em sua coluna, Otto Lara Resende considerou aquilo “uma vergonha imperdoável”. Esquecida, ela morreu em 1993.
“Nós, mulheres despojadas, sem ontem nem amanhã, tão livres que nos despimos quando queremos. Ou rasgamos os vestidos (o que dá ainda um certo prazer). Ou mordemos. Ou cantamos, alto e reto, quando tudo parece tragado, perdido. (...) Nós, mulheres soltas, que rimos doidas por trás das grades – em excesso de liberdade. (...)”, afirma Maura no livro Hospício é Deus.
Luta contra a segunda fratura
Luta contra a segunda fratura
Departamento de Ortopedia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ganha centro de referência da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF). Objetivo é diminuir a incidência de quebra óssea
Lilian Monteiro
Estado de Minas: 15/06/2014
Dentro desse cenário, o Departamento de Ortopedia da UFJF ganhou recentemente um centro de referência da versão brasileira da campanha global “Capture a fratura”, da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF). O objetivo do programa é diminuir a incidência das fraturas causadas pela doença. A abordagem sistemática criada pela IOF é conhecida como Fracture Liaison Service (FLS) e deve ser implantada em diversos centros no mundo. Jurandir Antunes Filho é o coordenador de uma equipe multidisciplinar com a missão de ajudar o paciente a evitar a segunda fratura. “O paciente que teve a quebra pela fragilidade óssea, com certeza vai ter outra e, muito provavelmente, será no fêmur, a mais grave delas. O percentual é macabro. Em torno de 30% dos idosos com fratura morrem até o primeiro ano, não da fratura, mas das complicações que ela geralmente oferece, como embolia, pneumonia etc.”.
Para piorar, Jurandir Antunes Filho revela outro dado contundente. “Em termos de percentual, 85% das pessoas com fratura de punho ou vértebra vão ter a de fêmur. E dentro da população de osteoporose, 16% dos pacientes já tiveram a primeira fratura. Ou seja, o percentual de refratura é muito alto. E ela ocorre em 65% dos casos nos dois anos seguintes à primeira.” A gravidade é que quem tem osteoporose e sofre a primeira lesão certamente vai passar por uma segunda ou terceira, o que é chamado de “cascata fraturária”. De acordo com a IOF, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofre fratura osteoporótica durante a vida. Mundialmente, estima-se que a cada três segundos ocorra uma fratura por fragilidade. “Por isso, nosso compromisso e do FLS é investir neste paciente, que é uma população relativamente pequena (16%), mas com número grande de fratura. E metade da fratura é do fêmur.”
Jurandir explica que dados de um estudo do Canadá mostram que 80% dos pacientes quando têm um ataque cardíaco saem do hospital medicados, com algum remédio para o coração. “Já os pacientes que dão entrada com fratura por fragilidade óssea, menos de 15% recebem medicação para osteoporose após a alta.”
TRATAMENTO Prevenção e tratamento exigem reposição de cálcio e vitamina D. E depende de cada paciente para definir o tipo de suplementação, medicamento ou se a necessidade diária de cálcio (1.200mg/dia) será apenas via alimentação. E, no caso da vitamina D, doses diárias de sol (30 a 40 minutos por dia sem protetor solar/depois passe o protetor). “Quem tem intolerância à lactose, a recomendação é de dois comprimidos de cálcio ou até três dependendo do perfil”, indica Jurandir Antunes Filho.
A fratura é tão grave que o ortopedista, especializado em quadril, enfatiza mais um dado seriíssimo: “Em cada quatro pacientes com fratura de quadril, um morre; um necessita de ajuda em alguma tarefa diária e rotineira que fazia antes; um para de fazer pelo menos uma atividade que praticava antes da fratura; e só um volta ao nível de atividade anterior”. Para complicar, Jurandir Antunes Filho lamenta a pouca evolução. “Trabalhos bem antigos, do século 20, mostravam a taxa de mortalidade em torno de 40%. Em 2009, uma nova metanálise confirmou que ela caiu para 30%. Muito pouco. Prova de que não conseguimos prevenir a morte depois da fratura.”
Quanto ao tempo de uso do medicamento para osteoporose, Jurandir diz que pela literatura médica mundial “a autorização de prescrição por mais de 10 anos é do Protos® (ranelato de estrôncio). Para os demais, como alendronato, é recomendável de dois a três anos de uso, não ultrapassando cinco. Já o hormônio teriparatida só pode ser ministrado por dois anos. Ele é um hormônio que leva a um ganho de massa óssea fenomenal, mas tem riscos. Por isso, cada paciente tem de ter orientação de seu médico”.
Quanto ao centro de referência dentro da UFJF, Jurandir Antunes Filho explica que o atendimento só ocorre no ambulatório de prevenção de fratura da universidade, atendimento público e agendado. Ele disse que, apesar da procura dos convênios, nada ainda foi acertado. “No centro, vamos também desenvolver pesquisas e começamos por catalogar e acompanhar todos os pacientes, que são rastreados a cada três ou seis meses, dependendo do caso.” Nessa luta para evitar a segunda fratura, tem ainda a “Capture a fratura”, campanha da IOF que estimula investigação e tratamento da doença em pacientes fraturados e a UFJF também ganhou um centro de referência da versão brasileira dessa campanha global. “No Brasil, há seis centros e o mais antigo deles está no Rio de Janeiro, no Hospital Ipanema, e agora na Federal de Juiz de Fora, implementado desde abril”.
Departamento de Ortopedia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ganha centro de referência da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF). Objetivo é diminuir a incidência de quebra óssea
Lilian Monteiro
Estado de Minas: 15/06/2014
Estudos da
Organização Mundial da Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Ortopedia
e Traumatologia (SBOT) e do Departamento de Ortopedia da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovam que
em poucos anos metade da população da Terra terá mais de 50 anos.
Consequentemente, a osteoporose, doença que enfraquece os ossos e pode
provocar fraturas, passa a ser cada vez mais presente. O grande problema
é que ela é silenciosa, pode progredir durante anos sem sintomas e,
quando se apresenta, já é com a quebra de algum osso. A doença, que tem
maior incidência na mulher branca, magra e pós-menopausa, é motivo de
preocupação, ainda mais com o envelhecimento da população brasileira. O
ortopedista, cirurgião de quadril e professor da Universidade Federal de
Juiz de Fora (UFJF), Jurandir Antunes Filho diz que o mundo ainda está
aprendendo a lidar com a osteoporose, já que agora ocorrem mais estudos
de caso.
Dentro desse cenário, o Departamento de Ortopedia da UFJF ganhou recentemente um centro de referência da versão brasileira da campanha global “Capture a fratura”, da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF). O objetivo do programa é diminuir a incidência das fraturas causadas pela doença. A abordagem sistemática criada pela IOF é conhecida como Fracture Liaison Service (FLS) e deve ser implantada em diversos centros no mundo. Jurandir Antunes Filho é o coordenador de uma equipe multidisciplinar com a missão de ajudar o paciente a evitar a segunda fratura. “O paciente que teve a quebra pela fragilidade óssea, com certeza vai ter outra e, muito provavelmente, será no fêmur, a mais grave delas. O percentual é macabro. Em torno de 30% dos idosos com fratura morrem até o primeiro ano, não da fratura, mas das complicações que ela geralmente oferece, como embolia, pneumonia etc.”.
Para piorar, Jurandir Antunes Filho revela outro dado contundente. “Em termos de percentual, 85% das pessoas com fratura de punho ou vértebra vão ter a de fêmur. E dentro da população de osteoporose, 16% dos pacientes já tiveram a primeira fratura. Ou seja, o percentual de refratura é muito alto. E ela ocorre em 65% dos casos nos dois anos seguintes à primeira.” A gravidade é que quem tem osteoporose e sofre a primeira lesão certamente vai passar por uma segunda ou terceira, o que é chamado de “cascata fraturária”. De acordo com a IOF, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofre fratura osteoporótica durante a vida. Mundialmente, estima-se que a cada três segundos ocorra uma fratura por fragilidade. “Por isso, nosso compromisso e do FLS é investir neste paciente, que é uma população relativamente pequena (16%), mas com número grande de fratura. E metade da fratura é do fêmur.”
Jurandir explica que dados de um estudo do Canadá mostram que 80% dos pacientes quando têm um ataque cardíaco saem do hospital medicados, com algum remédio para o coração. “Já os pacientes que dão entrada com fratura por fragilidade óssea, menos de 15% recebem medicação para osteoporose após a alta.”
TRATAMENTO Prevenção e tratamento exigem reposição de cálcio e vitamina D. E depende de cada paciente para definir o tipo de suplementação, medicamento ou se a necessidade diária de cálcio (1.200mg/dia) será apenas via alimentação. E, no caso da vitamina D, doses diárias de sol (30 a 40 minutos por dia sem protetor solar/depois passe o protetor). “Quem tem intolerância à lactose, a recomendação é de dois comprimidos de cálcio ou até três dependendo do perfil”, indica Jurandir Antunes Filho.
A fratura é tão grave que o ortopedista, especializado em quadril, enfatiza mais um dado seriíssimo: “Em cada quatro pacientes com fratura de quadril, um morre; um necessita de ajuda em alguma tarefa diária e rotineira que fazia antes; um para de fazer pelo menos uma atividade que praticava antes da fratura; e só um volta ao nível de atividade anterior”. Para complicar, Jurandir Antunes Filho lamenta a pouca evolução. “Trabalhos bem antigos, do século 20, mostravam a taxa de mortalidade em torno de 40%. Em 2009, uma nova metanálise confirmou que ela caiu para 30%. Muito pouco. Prova de que não conseguimos prevenir a morte depois da fratura.”
Quanto ao tempo de uso do medicamento para osteoporose, Jurandir diz que pela literatura médica mundial “a autorização de prescrição por mais de 10 anos é do Protos® (ranelato de estrôncio). Para os demais, como alendronato, é recomendável de dois a três anos de uso, não ultrapassando cinco. Já o hormônio teriparatida só pode ser ministrado por dois anos. Ele é um hormônio que leva a um ganho de massa óssea fenomenal, mas tem riscos. Por isso, cada paciente tem de ter orientação de seu médico”.
Quanto ao centro de referência dentro da UFJF, Jurandir Antunes Filho explica que o atendimento só ocorre no ambulatório de prevenção de fratura da universidade, atendimento público e agendado. Ele disse que, apesar da procura dos convênios, nada ainda foi acertado. “No centro, vamos também desenvolver pesquisas e começamos por catalogar e acompanhar todos os pacientes, que são rastreados a cada três ou seis meses, dependendo do caso.” Nessa luta para evitar a segunda fratura, tem ainda a “Capture a fratura”, campanha da IOF que estimula investigação e tratamento da doença em pacientes fraturados e a UFJF também ganhou um centro de referência da versão brasileira dessa campanha global. “No Brasil, há seis centros e o mais antigo deles está no Rio de Janeiro, no Hospital Ipanema, e agora na Federal de Juiz de Fora, implementado desde abril”.
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