quinta-feira, 3 de julho de 2014

TeVê

Estado de Minas: 03/07/2014 



 (Débora 70/Divulgação)

Novas parcerias


Na nona temporada de Zoombido, Paulinho Moska vai receber Clarice Falcão, Rappin’ Hood e Hermínio Bello de Carvalho, os uruguaios Jorge Drexler e Fernando Cabrera, e os argentinos Juana Molina e Fito Páez (foto), que está no programa de estreia, hoje, às 21h30, no Canal Brasil. O que não muda é o formato de conversa intimista com os convidados e duetos inéditos em cada episódio.

Programação do canal
GNT dá água na boca


Já na terceira temporada de Tempero de família, no canal GNT, Rodrigo Hilbert vai hoje até Saracuruna, em Duque de Caxias (RJ), para conhecer Ramon e sua noiva, Bruna. O casal ensina Rodrigo a preparar uma lasanha de três recheios e um delicioso brownie. O programa vai ao ar às 20h, e em seguida, às 20h30, é a vez de Diário do Olivier, ainda com edições especiais gravadas na Argentina, Chile e Peru.

NatGeo vai explorar o
vale da Mamba Negra


Quem é fã de Kill Bill já ouviu falar de mamba negra. Ela é considerada a cobra mais mortal do mundo, porque não se intimida com criaturas maiores, incluindo aí o homem, e por vezes persegue quem invade seu hàbitat. O NatGeo mandou uma equipe para o Mamba Valley, perto de Durban, na África do Sul, investigar o comportamento da serpente e mostra o resultado dessa aventura hoje, às 21h30.

Bio quer fazer contato
com os extraterrestres


Assuntos ligados à possibilidade de vida fora da Terra sempre geraram o interesse da mídia. E é justamente essa a inspiração de Hangar 1, série que o canal Bio estreia hoje, às 21h. A ideia é investigar arquivos com informações sobre a presença de óvnis no planeta. São mais de 70 mil itens reunidos durante quase meio século pela Mutual UFO Network, organização independente dedicada a investigar discos voadores, com mais de 3 mil associados e que trabalha na compilação, pesquisa e armazenamento desse material.

TV Cultura exibe hoje
um faroeste clássico


O western E o sangue semeou, dirigido por Anthony Mann em 1952, com James Stewart, Arthur Kennedy, Julie Adams e Roch Hudson no elenco é a atração de hoje do Clube do Filme, às 22h, na Cultura. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Reencarnação, no MGM; Tudo acontece em Nova York no Glitz; 4:44 – O fim do mundo, no Max; JFK, a história não contada, na HBO 2; Vizinhos imediatos de 3º grau, no Telecine Fun; A soma de todos os medos, no Telecine Action; Encontros e desencontros, no Telecine Cult; e As pontes de Madison, no TCM. Outros destaques da programação: Policarpo Quaresma, às 21h30, no Arte 1; Os agentes do destino, às 22h30, no Space; Predadores, às 22h35, no Megapix; e Thor, às 23h15, na Fox.


CARAS & BOCAS » Novo dia
Simone Castro

Kiefer Sutherland traz novas sequências de seu personagem, Jack Bauer, em última temporada do 24 horas (Kevork Djansezian/Reuters-13/1/14)
Kiefer Sutherland traz novas sequências de seu personagem, Jack Bauer, em última temporada do 24 horas
Na reta final, o reality SuperStar (Globo) já tem substituto para as noites de domingo: a série 24 horas, em sua última temporada, estrelada por Kiefer Sutherland. Com 12 episódios, o título da nona temporada é 24 horas: viva um novo dia. Jack Bauer, o personagem, é um foragido da Justiça que vive escondido há quatro anos em Londres, na Inglaterra. Mesmo assim, o agente federal dribla as forças americanas presentes na capital, durante visita do presidente, a fim de evitar um ataque terrorista. A atração, que havia encerrado expediente há quatro anos, também manteve, além de Kiefer, a atriz Mary Lynn Rajskub, que vive a agente da unidade contraterrorista Chloe O’Brian. Exibido no Brasil pela Fox (TV paga), a temporada estreou em 6 de maio, um dia depois do lançamento nos Estados Unidos. 24 horas: viva um novo dia estreia na Globo dia 20, logo depois do Fantástico.

ESPORTIVO ANALISA PRÓXMO
JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

O desafio do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo será tema de análise do Alterosa no ataque desta quarta-feira, na TV Alterosa. A equipe de Felipão vai encarar a Colômbia e o apresentador Jaeci Carvalho abre o verbo sobre os bastidores da Seleção. Cada um dos oito times classificados vão passar pelo crivo do programa. Afinal, o momento é de decisão. Alterosa no ataque é logo depois do Jornal da Alterosa – 2ª edição.

SHERLOCK VEM COM TUDO
EM QUARTA TEMPORADA


A BBC, emissora britânica, anunciou, pelo seu Twitter oficial, que vai entrar em produção a quarta temporada de Sherlock, série baseada no personagem de Arthur Conan Doyle e protagonizada por Benedict Cumberbatch e Martin Freeman. Antes dos episódios, a série também vai ganhar um especial. “Sentiu saudades? #Sherlock, o drama de sucesso da BBC, irá voltar para um especial, que será seguido por uma série de três novos episódios.” As filmagens serão realizadas em janeiro de 2015. Já a temporada, com três episódios de uma hora e meia cada, serão gravados alguns meses depois. “Estamos prontos para soltar a temporada mais chocante e surpreendente de Sherlock. A única coisa a esperar é o inesperado”, afirma o canal.

CHANTAGEM FAZ JONAS MARRA
ABRIR GUARDA PARA SUA MÃE

Em capítulo de Geração Brasil (Globo), no ar amanhã, Gláucia (Renata Sorrah) mostra que não se comove nem com a doença grave do filho, Jonas Marra (Murilo Benício). Ela descobre que o milionário mantém romance escondido com Verônica (Taís Araújo) e ameaça abrir o bico. Receoso do que isso pode significar com o rompimento do casamento com Pamela (Cláudia Abreu), Jonas decide receber os Marra da Taquara para um jantar em sua mansão, deixando a mulher e a filha Megan (Isabelle Drummond) sem entender nada. Mas, Jonas usa a máxima de que mais vale um inimigo, no caso sua mãe, bem perto. “É uma emoção inebriante ter vocês aqui hoje”, dispara ele, trocando um falso abraço com sua mãe.

 (Márcio de Souza/Globo-10/6/10)


SÓ SE FOR NA REPRISE

Quem sente saudades de Ana Paula Arósio pode conferir a última atuação da atriz na TV. É que o canal Viva (TV paga) vai reprisar, a partir do dia 22, a série Na forma da lei, exibida em 2010 na Globo, e protagonizada pela atriz, que viveu a promotora de Justiça Ana Beatriz. De lá para cá, a atriz recusou o papel de mocinha de Insensato coração, em 2011, que ficou com Paolla de Oliveira, e decidiu se afastar da telinha. Na verdade, já escalada, abandonou as gravações. Recentemente, a atriz teria recusado convites para voltar à cena. De certa forma, Ana Paula também se despediu da carreira artística. E vive reclusa com o marido em uma fazenda no interior de São Paulo, onde cria cavalos, sua grande paixão.

VIVA

Pituca (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomás Sampaio) na cena em que a menina corta os cabelos do amiguinho em Meu pedacinho de chão (Globo): linda!

VAIA


Edições corridas de Em família deixam cenas sem sentido. Exemplo foi a festa da qual participavam Chica (Natália do Vale) e Ricardo (Herson Capri): ficou no ar.

Surpresas em Paulínia‏

Número de inscrições e qualidade dos filmes leva os realizadores a pensarem na ampliação do evento, que terá sua sexta edição, no polo cinematográfico brasileiro, de 22 a 27 deste mês


Gracie Santos
Estado de Minas: 03/07/2014



Deborah Secco está em Boa sorte, ficção de Carolina Jabor que estará na mostra competitiva de Paulínia (Fotos: Paulínia Film Festival/Divulgação)
Deborah Secco está em Boa sorte, ficção de Carolina Jabor que estará na mostra competitiva de Paulínia


Nenhum filme mineiro foi selecionado para as mostras competitivas da sexta edição do Paulínia Film Festival (que terá também títulos internacionais). O diretor do evento, Ivan Melo, que está satisfeito com a qualidade e quantidade de obras inscritas (263 títulos brasileiros), disse que havia poucos longas do estado e nenhum que coubesse na programação. “Paulínia é diferente de todos os outros, é uma espécie de cereja do bolo, porque produzimos os filmes o ano inteiro e o festival é a festa que celebra isso. Então, é natural que tenhamos vários tipos de cinema. Não só o da nova geração, nem o da consolidada. Temos obras que representam o mercado brasileiro como um todo. Quem acompanhou nossa seleção desde o início vai ver que o recorte tem vários olhares, obras de vários estados.”

Mas Ivan Melo acredita que os mineiros que não entraram em Paulínia terão lugar garantido em outros festivais, assim como outros filmes de qualidade de outros estados que ficaram fora da lista (são nove longas e oito curtas, veja box). Para o diretor do festival, os eventos que vierem na sequência poderão se esbaldar. “Os grandes festivais brasileiros depois de Paulínia (na sequência virão Gramado, Brasília e Rio, além da Mostra de São Paulo que tem perfil diferente) vão ficar bem. O que tem filmes bacanas, com bons atores e diretores que não entraram no festival é surpreendente”, garante.

Surpreso com o número de inscritos, Ivan Melo assegura que “se Paulínia tivesse 10 dias, seriam 10 dias de filmes incríveis” e avisa que esta não é apenas a opinião dele, mas também a do curador do evento, o crítico Rubens Ewald Filho, e da secretária de Cultura de Paulínia, Mônica Trigo, incansável na luta para reerguer o evento, que chegou a ser suspenso por questões políticas, teve edição simbólica no ano passado (apenas para premiação dos filmes, diretores e atores que participaram das mostras anteriores) e, agora, está de volta, ao que parece, com força total. Tanto que serão distribuídos R$ 800 mil em prêmios para 20 categorias. O festival será promovido de 22 a 27 deste mês, no Theatro Municipal Paulo Gracindo e no Polo Cinematográfico da cidade paulista. A categoria de melhor filme dará R$ 300 mil ao vencedor. Já nos quesitos melhor direção, melhor curta-metragem e melhor longa-metragem segundo o júri popular, o prêmio é de R$ 50 mil em cada categoria.

Sangue azul, longa de Lírio Ferreira, é outro filme do festival
Sangue azul, longa de Lírio Ferreira, é outro filme do festival


Ampliada


Felizes com as 70 inscrições de longas e as 193 de curtas, os realizadores não descartam a possibilidade de a próxima edição ser ampliada. Os títulos internacionais e os filmes de abertura e encerramento, que serão exibidos fora de competição, serão anunciados até segunda-feira. Todas as sessões serão abertas ao público e terão entrada franca, sujeita a lotação do teatro. Além das mostras competitivas, serão exibidos seis filmes infantis: Amazônia, Meu pé de laranja lima, O pequeno Nicolau, Zarafa, A guerra dos botões e Minhocas – O filme.

“Minha expectativa em relação ao número de inscrições foi superada, o que prova que o festival não pode ser considerado frágil. Temos, por exemplo, um caso interessantíssimo, de uma diretora daqui de Paulínia (Fernanda Machado), que se formou na cidade. Saiu daqui, fez um longa (o documentário A neblina) e agora conseguiu aprovar o seu filme em meio a tantas obras importantes”, conta Mônica Trigo. A secretária aproveita para dizer que não apenas o festival, mas as atividades de todo o polo estão sendo retomadas, referindo-se aos seis estúdios, entre os quais o de animação e um na Escola de Magia do Cinema. O cronograma de filmagens deste ano ainda não foi definido.

Os longas brasileiros

A história da eternidade, de Camilo Cavalcante (ficção, PE)
Aprendi a jogar com você, de Murilo Salles (documentário, RJ)
Boa sorte, de Carolina Jabor (ficção, RJ)
Casa grande, de Fellipe Barbosa (ficção, RJ)
Castanha, de David Pretto (ficção, RS)
Infância, de Domingos Oliveira (ficção, RJ)
Neblina, de Daniel Pátaro e Fernanda Machado (documentário, SP)
Sangue azul, de Lírio Ferreira (ficção, PE)
Sinfonia da necrópole, de Juliana Rojas (ficção, SP)

Os curtas


De bom tamanho, de Alex Vidigal
Edifício Tatuapé Mahal, de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum
Jessy, de Paula Lice, Rodrigo Luna e Ronei Jorge
190, de Germano Pereira
O clube, de Allan Ribeiro
O bom comportamento, de Eva Randolph
O menino que sabia voar, de Douglas Alves Ferreira
Recordação, de Marcelo Galvão

O barato de ser humano

O músico Arnaldo Baptista completa 66 anos no domingo e comemora os 40 de seu disco mais importante, Loki?. Artista se mantém como referência para a nova geração

Mariana Peixoto
Estado de Minas: 03/07/2014



"Quando era criança, fingia que estava fazendo um show sozinho quando estava ensaiando no piano. É assim quando estou fazendo show. Ambiento-me com o público e faço o que vem na minha cabeça" . Arnaldo Baptista, músico e compositor


Lóki? Mas, que nada. Lucky, bicho. Arnaldo Baptista completa 66 anos neste domingo. Com seu jeito de menino grande, faz troça até mesmo do álbum que marcou o fim e o início de tudo. Lóki?, o maior clássico do músico que esteve à frente da mais genial banda brasileira, chegou aos 40 anos. Primeiro disco solo de Arnaldo Baptista, foi concebido em meio a seu então maior revés pessoal e profissional. Em 1974, seu casamento com Rita Lee acabou. Também não havia mais os Mutantes tais como foram criados na década anterior.

“Tinha um envolvimento com a vida que havia acabado: Mutantes, Rita Lee, Sérgio (Dias). Entrei em lóki, que virou lucky (sortudo). Fiquei contente por ter levado adiante a maneira como eu sentia a música, embora o Liminha (baixista, ex-Mutante, que gravou algumas faixas do álbum) achasse que o disco deveria ser meio Sergio Mendes, bossa nova. (O disco) traz, em casa música, um retrato diferente da minha vida na época”, afirma Arnaldo.

Álbum concebido, de acordo com ele, entre uma temporada na casa do artista plástico Antonio Peticov, em Milão (“ele fala de brincadeira que foi feito lá, mas só estudei na casa dele”), e um sítio na Cantareira, onde o então diretor artístico da gravadora Philips, Roberto Menescal, o encontrou arrasado, Lóki? é fruto do abuso das drogas, da desilusão, da tristeza, do desapontamento. A despeito (ou talvez por causa) disso, expressa o artista em seu auge. Sozinho, a bordo de um piano (com um baixo aqui e uma bateria ali, mas sem nenhuma guitarra), Arnaldo fez deste seu maior legado.

São 10 faixas que falam direto do artista em crise: “Venho me apegando ao passado/ E em ter você ao meu lado” (Será que eu vou virar bolor?); “A gente andou/ A gente queimou/ Muita coisa por aí” (Cê tá pensando que eu sou lóki?); “Até quando eu não sei/ sinto o barato de ser ser humano” (Desculpe); “Ontem me disseram que um dia eu vou morrer/ Mas até lá eu não vou me esconder” (Não estou nem aí). A bordo de seu piano, Arnaldo passeia, ora com raiva, ora com tristeza, mas sempre de maneira personalíssima, pelo samba, MPB, funk. “Muito do que aconteceu naquele momento foi em função do improviso, tanto que o LP foi gravado relativamente depressa”, acrescenta ele sobre o álbum registrado em 16 canais nos estúdios Eldorado, em São Paulo.

No entanto, não é Lóki? o álbum preferido de Arnaldo. Para ele, seu melhor registro é o que ocorreu oito anos mais tarde. “Mesmo que Lóki? tenha uma grande comunicação, Singin’ alone foi minha aventura pessoal, pois toquei todos os instrumentos. Foi nele que me encontrei na bateria e no contrabaixo”, acrescenta. Ambidestro – “fumo com a mão esquerda, escrevo com a direita, tenho uma bateria com dois bumbos e dois timbaus, então cada hora uso um lado” – o Arnaldo de hoje olha para o Arnaldo de ontem de maneira carinhosa. “Quando era criança, fingia que estava fazendo um show sozinho quando estava ensaiando no piano. É assim quando estou fazendo show. Ambiento-me com o público e faço o que vem na minha cabeça.” Malandro velho, não se mete no enguiço.

O passado
Diretor artístico da Philips (hoje Universal), Roberto Menescal admite que naquele 1974 havia uma dúvida na gravadora quanto a lançar um álbum solo de Arnaldo Baptista. “O pessoal dizia que ele estava numa fase difícil, não iria valer a pena. Na intuição, eu disse: ‘Quero fazer esse disco’.” Menescal saiu do Rio e foi encontrar Arnaldo num sítio na Cantareira. “Era uma casinha simpática. O Arnaldo realmente estava com um problema grande. Tinha hora que não aguentava, chorava de saudade da Rita. Era impressionante, e eu fiquei muito comovido com aquilo. Como ele estava numa deprê, houve hora que não conseguiu tocar. Liminha, se não me engano, foi quem tocou baixo em algumas músicas.” Para Menescal, Lóki? foi meio que “arrancado a fórceps”. Na ficha técnica de Lóki? Menescal divide a direção de produção com Marco Mazzola, então técnico de gravação em alta no meio graças a Krig-Ha Bandolo (1973), de Raul Seixas. “O que me chamou a atenção naquele momento eram os sons diferentes que ele fazia. Como é que aquele cara conseguia fazer aquilo?”, comenta hoje Mazzola, que acrescenta não ter feito interferência alguma no álbum. “O Arnaldo era muito maluco, mas ele tinha pré-concebido o disco todo na cabeça. O que fizemos foi dar amparo artístico.”

O músico com um amigo, em 1974, na Holanda     (Arquivo pessoa)
O músico com um amigo, em 1974, na Holanda


O presente

Há quatro anos representado pela galeria paulistana Emma Thomas, Arnaldo Baptista ganhou sua primeira exposição individual em 2012. Em novembro haverá outra, com curadoria de Márcio Harum. Este ano, ele foi ainda selecionado para ocupar o espaço Solo Project durante a 10ª edição da SP Arte, que ocorreu em abril. “Sua linguagem visual, expressa em desenhos, pinturas e colagens, se dá como contínuo da sua pesquisa musical e não raro são propostas para instrumentos, cantos e sons”, escreveu o curador Rodrigo Moura sobre os trabalhos apresentados na maior feira de arte da América Latina. Para a galerista Juliana Freire, sócia da Emma Thomas, o trabalho de Arnaldo não se encaixa nos padrões. “Esteticamente, ele é muito livre, ainda mais por ser artista autodidata. Seu trabalho fala de cinema, música, filosofia e tem uma maneira de ver o mundo tal qual ele expressa em sua música.” No entanto, Juliana afirma, ainda existe um bloqueio comercial em relação à sua obra. “Seu discurso é um pouco conceitual. Há pessoas que têm dificuldade em entender o Arnaldo. O importante é que mais se escreva sobre sua obra, pois nossa tentativa, junto com a Lucinha, é que seu trabalho seja visto e compreendido.”

Arnaldo Baptista: um artista a ser descoberto     (Emma Thomas/Divulgação)
Arnaldo Baptista: um artista a ser descoberto


O futuro
Artistas audiovisuais vão realizar clipes de canções de Lóki? e Singin’ alone (1982). Entre os nomes já confirmados para o projeto estão Paulo Henrique Fontenelle, diretor do documentário Lóki (2008), a mineira Carou Araújo, do Cabeças Flutuantes, e Almir Almas, videoartista e professor de direção da ECA/USP. Almas selecionou as faixas Ciborg e Jesus come back to Earth, ambas de Singin’ alone. “A ideia é fazer uma direção coletiva com um grupo de alunos, a partir do material que o próprio Arnaldo tem. Para os alunos é a oportunidade de conhecer a obra de um cara genial da música brasileira”, diz. Para a realização do projeto será promovida campanha via crowdfunding. Outra iniciativa, que deverá ser lançada no segundo semestre, deve reunir sete artistas convidados para gravarem, em São Paulo, uma música de Arnaldo.

O SHOW
Em 3 de agosto, às 19h, Arnaldo Baptista leva seu Sarau o Benedito? para o Cine-Theatro Brasil. Na apresentação solo, Arnaldo estará ao piano. Ingressos estão à venda – R$ 70 e R$ 35 (meia) – na bilheteria do teatro e no www.ingresso.com

OS DISCOS

A Universal Music lança, em 29 deste mês, caixa dos Mutantes com sete CDs: Os Mutantes (1968), Mutantes (1969), A divina comédia ou Ando meio desligado (1970), Jardim elétrico (1971), Mutantes e seus cometas no país dos Baurets (1972), Tecnicolor (1999) e Mande um abraço pra velha, este uma compilação de raridades. Preço: R$ 180. Relançado em 2009, Lóki? (foto) não ganha nova edição. A gravadora pretende recolocar o álbum em estoque nas lojas por causa da efeméride.

 (Universal/Reprodução)

Vaporização a laser para diminuir a próstata‏

Vaporização a laser para diminuir a próstata Técnica menos invasiva vem sendo usada nos casos de hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento do órgão masculino

Augusto Pio
Estado de Minas: 03/07/2014



A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um transtorno comum em homens com mais de 50 anos, chegando a atingir 80% destes. A doença é caracterizada pelo aumento da próstata, comprimindo a bexiga e obstruindo parcial ou totalmente a uretra, prejudicando, assim, o fluxo normal da urina. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o problema acomete cerca de 14 milhões de homens no país. De acordo com Bernardo Pace Silva de Assis, urologista do Pace Hospital e coordenador do Departamento de Endourologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-Regional Minas Gerais), a HPB é uma doença silenciosa e que pode provocar infecção urinária e, em casos raros, evoluir para a insuficiência renal. Para tratar o problema, até então vinha sendo adotada a tradicional cirurgia com corte, que exigia um tempo maior de recuperação. Uma nova técnica que tem sido adotada é minimamente invasiva: ela vaporiza a próstata e reduz o tempo de cirurgia, internação e os riscos ao paciente. “Trata-se da Greenlight laser therapy (Terapia da luz verde a laser, na tradução livre), que reduz o tempo de recuperação quando comparado à cirurgia tradicional. Outra vantagem é a diminuição média do tempo de internação, de três dias, do método tradicional, para, em média, um dia com o laser”, garante o urologista.

Segundo Bernardo Pace, as primeiras gerações de equipamentos de laser empregadas em HBP, como o de neodymium-YAG, coagulavam o tecido iluminado, que nem sempre se desprendia e, por isso, não desobstruía a luz uretral. Por outro lado, o novo sistema Greenlight, que usa o laser KTP e o triborato de lítio, produz vaporização imediata e não apenas coagulação das massas glandulares intrauretrais, promovendo ampla cavitação local. A vaporização prostática a laser tem algumas vantagens, como a sondagem vesical (drenagem da urina por meio de sondas) e internações inferiores a 24 horas, menor incidência de complicações operatórias e pós-operatórias, ausência de sangramento, o que permite o uso em pacientes ingerindo anticoagulantes e maior proteção da equipe médica contra infecções transmitidas por contato com sangue de pacientes infectados.

“Nesse sentido, não deixa de ser significativo que tanto o Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula medicamentos e tratamentos nos Estados Unidos, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, aprovaram o Greenlight para emprego em hiperplasia prostática benigna. Nos EUA, já existem mais de 500 equipamentos em uso clínico”, acrescenta Pace.

SINTOMAS A maioria dos pacientes com HBP não requer tratamento. “Aqueles pacientes sintomáticos, que procuram o urologista, serão tratados conforme a severidade dos sintomas. Os levemente sintomáticos serão acompanhados clinicamente, ficando sob observação. Os moderadamente sintomáticos serão tratados com medicamentos que impeçam o crescimento prostático, como o finasteride e a dutasterida, ou que relaxem a próstata (drogas alfa-bloqueadoras). Nos pacientes severamente sintomáticos ou aqueles que, por qualquer razão, não possam tomar os medicamentos, está indicada a cirurgia.

A operação pode ser a prostatectomia aberta, na qual é necessária uma incisão no abdômen, e é retirada somente a parte central da próstata, a qual, justamente, comprime a uretra. As partes periféricas da próstata permanecem. Outro tipo de cirurgia pode ser empregada, como a ressecção transuretral da próstata, procedimento cirúrgico urológico usado para tratar a HPB, realizado por meio da visualização da próstata via uretra e remoção do tecido com bisturi elétrico. Ambas são cirurgias desobstrutivas”, explica Bernardo Pace.

O presidente da SBU/MG, Antonio Peixoto de Lucena Cunha, professor de urologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e coordenador do Serviço de Urologia do hospital-escola da instituição, esclarece que o tratamento da HPB não é complicada, geralmente é clinico (com medicação). “Quando há indicação de cirurgia devido às complicações ou falhas no tratamento clínico, temos várias opções. O padrão ouro, dos quais as demais técnicas procuram atingir resultados semelhantes, é a ressecção transuretral da próstata (RTU). Contudo, é um procedimento cirúrgico não isento de complicações, com limitações do volume da próstata. Com o desenvolvimento dos novos aparelhos, melhora da técnica e experiência do cirurgião, essas complicações têm diminuído cada vez mais.”


Métodos DIVERSoS Peixoto acrescenta que há, ainda, outros métodos para tratar a hiperplasia, como a plasmovaporização (consiste em usar um eletrodo de vaporressecção em forma de cogumelo invertido, que com uma voltagem maior vaporiza a próstata); a prostatectomia a laser, estando disponível vários tipos de fonte de laser (KTP laser, Green light 180-W XPS, Holmium-Yag Laser, Thulium YAG Laser, entre outros), a termoterapia e a ablação transuretral da próstata por agulha (Tuna), procedimento ambulatorial para tratar os sintomas urinários causados pela HPB.

Segundo o médico, todas as técnicas endoscópicas apresentam limitações, vantagens e desvantagens. A principal desvantagem é o elevado custo e a falta de comprovação de resultados a longo prazo. “Em próstatas volumosas, a melhor opção é a cirurgia aberta, por apresentar uma opção segura e eficaz, permitindo uma completa remoção do adenoma (HPB) e menores taxas de retratamento”, acrescenta Antonio Peixoto, ressaltando que a videolaparoscopia tem conquistado espaço no acesso das prostatectomias (remoção cirúrgica de parte ou de toda a próstata), com limitação do volume, porém com um futuro promissor.

“Nas cirurgias endoscópicas, o tempo de internação varia de um a dois dias, mas existem estudos e publicações com a realização desses procedimentos ambulatorialmente. Contudo, ainda não se definiu a vantagem desta alta precoce, uma vez que o paciente sai com sonda vesical. Nas prostatectomias abertas retropúbicas (incisão feita no abdômen inferior, com remoção da próstata), a internação é de dois a quatro dias, e nas suprapúbicas (abaixo do umbigo até a raiz do pênis), em torno de cinco a 10 dias”, esclarece Peixoto.

O especialista salienta que a evolução tecnológica possibilitou grandes avanços no tratamento da HPB nos últimos anos, com consequente diminuição dos riscos de transfusão, diminuição no tempo de internação e de cateterismo vesical. “Todos os procedimentos têm vantagens e desvantagens, diferentes fontes de energia podem ser utilizadas para remover ou destruir o tecido prostático que obstruiu a uretra. O médico urologista será capaz de orientar o paciente sobre qual procedimento será melhor para o seu caso. Apesar de termos ainda como padrão ouro a ressecção transuretral da próstata, existem outras alternativas, com vantagens e desvantagens, custos e benefícios, que devem ser levadas em consideração, cabendo ao paciente e seu médico analisarem e definirem em conjunto qual o melhor procedimento a ser realizado”, conclui.

Personagem da notícia
Jesus Costa,
72 anos, aposentado 
Qualidade de vida retomada
O aposentado Jesus Costa, de 72 anos, garante ter sido o primeiro paciente a ser operado em BH com a técnica do GreenLight laser therapy. “Antes da operação, a HPB me causava problemas de micção, pois levantava várias vezes para urinar ou, às vezes, queria fazê-lo e não conseguia, ou então não dava conta de segurar o jato, coisas desse tipo. O próprio médico me aconselhou a fazer a operação usando a nova técnica, cujo procedimento é feito pela uretra e com sedação. Como tinha receio dos outros métodos mais tradicionais, aceitei. Tudo foi muito rápido, pois fiz em um dia e, no outro, já estava em casa. Confesso que não senti nada, nenhuma dor. É claro que, durante o período de recuperação, tive que ter alguns cuidados, como não andar de bicicleta, a cavalo ou descer escadas. Às vezes, quando urinava, o canal uretral ardia um pouco, mas, de acordo com o médico, era assim mesmo. Hoje, sinto-me completamente normal, graças a Deus.”