Zero Hora - 07/09/2014
Sim, vou falar de novo sobre Woody Allen, então, se você não o suporta,
pode pular para a página seguinte, ou me ler com ressalvas por eu ser
tão tendenciosa, ou simplesmente me dar outro voto de confiança: o filme
Magia ao Luar não é extasiante e não vai concorrer ao Oscar em nenhuma
categoria (figurino, talvez), e nem mesmo Colin Firth arrebata (pouco à
vontade no papel, meio afetado), mas quem se importa?
Trata-se de um legítimo produto Woody Allen, que a cada novo
trabalho leva para as telas as conclusões pessoais que vem colhendo no
transcorrer de sua vida. Isso é o que me fascina, diferentemente do que
os críticos profissionais analisam. Eu viajo para dentro da cabeça desse
homem que acompanho desde que ele tinha 36 anos e eu uns 10.
Hoje Woody Allen, aquele neurótico apavorado com a morte, buscando
incessantemente um sentido para a vida, cético de carteirinha, é um
senhor de quase 79 anos. Se eu, com 26 menos, já abandonei alguns
questionamentos irrespondíveis, imagine quem está, teoricamente, mais
próximo de apagar a luz.
É natural que cultivemos milhares de indagações, mas a tendência é
aceitar as simplificações que a maturidade traz - no final das contas, o
que sobra de uma vida são os resultados que não buscamos, mas que
aconteceram mesmo assim.
Magia. Truque. Ilusionismo. Depois de uma vida regida por planos,
metas e racionalismo, o inacreditável é que ficará marcado em nossa
biografia.
Durante muito tempo, Woody Allen não acreditou em nada que não
pudesse explicar, mas aos poucos ele relaxou e passou a duvidar de si
próprio, foi se dando alta e desfrutando de uma leveza que deixou de ser
sinônimo de pequenez, mas de facilitação.
Quem é que aguenta brigar infinitamente contra si mesmo, quem é que
tem fôlego para uma busca incessante por respostas que nunca serão
conclusivas? Muito melhor é admitir que as respostas mudam com o tempo e
que o comprometimento com nossa imagem se torna patético. Mais vale
relaxar e levar a sério apenas o que se sente, porque as teorias se
tornarão uma teimosia de estimação, nada além.
Eu também sempre fui muito cética, até que mudei. Virei a casaca,
deixei de torcer pelo nada e resolvi torcer pelo tudo. Astrologia,
anjos, telepatia, acaso, vibrações, energia: hoje respeito toda a
família Imponderável da Silva. E vou além, acredito profundamente num
troço chamado Amor, que não tem lógica, não tem explicação e não tem
racionalidade que o justifique. Basta um sorriso para fazer a mágica
funcionar.
Parece que me esqueci de falar do filme, mas o filme é sobre isso, e
se não for, que Woody Allen me perdoe as elucubrações: são tantos anos
de fidelidade ao seu trabalho que já me permito invadir sua alma sem
permissão.
domingo, 7 de setembro de 2014
EM DIA COM A PSICANÁLISE » A natureza selvagem
Regina Teixeira da Costa
Estado de Minas: 07/09/2014
Estado de Minas: 07/09/2014
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O documentário China selvagem, da BBC, exibiu
episódio muito interessante sobre o povo chinês, apontando sua origem e
modificações fisionômicas herdadas dos africanos. Incrível, não? Quem
diria que aqueles olhos puxados e as maçãs do rosto salientes seriam
oriundos dos negros africanos! Pesquisas realizadas na China – não
saberia dizer fontes precisas agora – e testes sanguíneos comprovaram a
herança genética. Os resultados surpreenderam os pesquisadores chineses,
que não apostavam nessa conclusão.
Tais estudos chineses mostram que os orientais, considerados o povo mais exótico do planeta, seriam todos descendentes desses ancestrais africanos. Foi analisado o êxodo do Homo Erectus africano, anterior ao Homo Sapiens, em direção à Ásia. Eles buscavam a sobrevivência e, atrás da caça, sua principal fonte de alimentação, por lá se espalharam, chegando aos lugares mais inóspitos, de temperaturas baixíssimas. Até hoje, existem bandos de nômades vivendo em regiões de difícil acesso, sob temperaturas baixíssimas.
São caçadores de renas selvagens, que montam acampamento seguindo a rota das renas, sua única fonte alimentar. Andam atrás das manadas e caçam durante todo o dia, na medida da necessidade. Se não têm sucesso, sacrificam uma das renas que domesticaram. Bebem o sangue ainda quente, usam a gordura, pele, chifres e comem carnes cozidas. Sua alimentação é somente a proteína da rena. Houve uma adaptação fisiológica para essa forma de vida. Tudo é coletivo. Mesmo sendo homens na natureza, o fato de se tratar de seres de linguagem os exclui da natureza, do instinto, e os situa no lado da cultura.
Vendo aquele documentário em que os homens vivem de forma tão primitiva, ocorreu-me que nós, que nos consideramos civilizados e modernos, talvez sejamos mais bárbaros do que esses bandos primitivos. Ali não existe essa mediação do dinheiro, da moeda; não existe consumismo nem objetos do desejo para estimular o inútil. Não tem TVs nem telefones; lojas, nem pensar! Parece inconcebível uma vida tão rudimentar. Creio que no Brasil poucas tribos indígenas vivem em tamanho isolamento da civilização.
Nos afastamos da natureza, do uso da força bruta para garanti-la. Pagamos a intermediários para buscarem na natureza o que precisamos para sobreviver. Nas prateleiras dos supermercados tem de tudo, o útil e o fútil, não precisamos nem pensar de onde vêm tantos produtos. Mas é interessante pensar que hoje continuamos caçadores. Caçadores da moeda de troca, mas muito distantes das razões iniciais. Agora, vivemos atrás de dinheiro para a sobrevivência, e muito além dela, todas as mercadorias que hoje nos escravizam. Quem somos nós sem um celular? Sem internet?
Somos mais modernos e civilizados, temos muito conforto. Como disse João Ubaldo, no livro A ilha do pavão, na voz ilário índio Gaudino: branco acha que índio é burro? Não é. Índio também gosta de ‘çúcara’, índio gosta de ‘mufada’, índio não gosta de graveto, pedra, chão batido não!
Mas, mesmo assim, no fundo ainda somos selvagens. Selvagens e dotados de grande agressividade. Por não sermos animais guiados pelo instinto como os outros, porém agressivos e perigosos porque o individualismo nos afasta do coletivo. Sacrificamos o outro pelos nossos interesses e abandonamos a ética quando nos interessa enquanto lá, naquelas tribos, eles dividem tudo o que têm e é pouco, carne, peles, cabanas.
Aqui, nós civilizados, nem sempre compartilhamos o que temos porque desejamos ter mais, ser melhores e estar em vantagem. Queremos acumular mesmo se não pudermos consumir tanto e apesar da distribuição injusta. E desejamos poder mais.
Agora, pensando bem: quem serão de fato os primitivos?
Tais estudos chineses mostram que os orientais, considerados o povo mais exótico do planeta, seriam todos descendentes desses ancestrais africanos. Foi analisado o êxodo do Homo Erectus africano, anterior ao Homo Sapiens, em direção à Ásia. Eles buscavam a sobrevivência e, atrás da caça, sua principal fonte de alimentação, por lá se espalharam, chegando aos lugares mais inóspitos, de temperaturas baixíssimas. Até hoje, existem bandos de nômades vivendo em regiões de difícil acesso, sob temperaturas baixíssimas.
São caçadores de renas selvagens, que montam acampamento seguindo a rota das renas, sua única fonte alimentar. Andam atrás das manadas e caçam durante todo o dia, na medida da necessidade. Se não têm sucesso, sacrificam uma das renas que domesticaram. Bebem o sangue ainda quente, usam a gordura, pele, chifres e comem carnes cozidas. Sua alimentação é somente a proteína da rena. Houve uma adaptação fisiológica para essa forma de vida. Tudo é coletivo. Mesmo sendo homens na natureza, o fato de se tratar de seres de linguagem os exclui da natureza, do instinto, e os situa no lado da cultura.
Vendo aquele documentário em que os homens vivem de forma tão primitiva, ocorreu-me que nós, que nos consideramos civilizados e modernos, talvez sejamos mais bárbaros do que esses bandos primitivos. Ali não existe essa mediação do dinheiro, da moeda; não existe consumismo nem objetos do desejo para estimular o inútil. Não tem TVs nem telefones; lojas, nem pensar! Parece inconcebível uma vida tão rudimentar. Creio que no Brasil poucas tribos indígenas vivem em tamanho isolamento da civilização.
Nos afastamos da natureza, do uso da força bruta para garanti-la. Pagamos a intermediários para buscarem na natureza o que precisamos para sobreviver. Nas prateleiras dos supermercados tem de tudo, o útil e o fútil, não precisamos nem pensar de onde vêm tantos produtos. Mas é interessante pensar que hoje continuamos caçadores. Caçadores da moeda de troca, mas muito distantes das razões iniciais. Agora, vivemos atrás de dinheiro para a sobrevivência, e muito além dela, todas as mercadorias que hoje nos escravizam. Quem somos nós sem um celular? Sem internet?
Somos mais modernos e civilizados, temos muito conforto. Como disse João Ubaldo, no livro A ilha do pavão, na voz ilário índio Gaudino: branco acha que índio é burro? Não é. Índio também gosta de ‘çúcara’, índio gosta de ‘mufada’, índio não gosta de graveto, pedra, chão batido não!
Mas, mesmo assim, no fundo ainda somos selvagens. Selvagens e dotados de grande agressividade. Por não sermos animais guiados pelo instinto como os outros, porém agressivos e perigosos porque o individualismo nos afasta do coletivo. Sacrificamos o outro pelos nossos interesses e abandonamos a ética quando nos interessa enquanto lá, naquelas tribos, eles dividem tudo o que têm e é pouco, carne, peles, cabanas.
Aqui, nós civilizados, nem sempre compartilhamos o que temos porque desejamos ter mais, ser melhores e estar em vantagem. Queremos acumular mesmo se não pudermos consumir tanto e apesar da distribuição injusta. E desejamos poder mais.
Agora, pensando bem: quem serão de fato os primitivos?
TeVê
TV paga
Estado de Minas: 07/09/2014 04:00
Sonoras
Domingo é dia de música, muita música. No SescTV, o pianista e compositor carioca Ricardo MacCord está em Passagem de
som e Instrumental Sesc Brasil, a partir das 21h. Na Cultura, às 12h, a série Clássicos apresenta o especial Glenn Gould toca Bach. No Film&Arts, a atração é o concerto Appalachian journey, no Avery Fisher Hall, em Nova York, com o violoncelista Yo-Yo Ma, o violinista Mark O’Connor e o baixista Edgar Meyer, às 17h45. No Bis, às 21h30, tem The Who ao vivo no Kilburn, em 1977. E no Arte 1, às 22h, vai ao ar um documentário sobre a diva do jazz Billie Holiday (foto).
Fim de papo
Da música para a dança, o canal Film&Arts exibe hoje, às 19h, o último episódio da série Breaking pointe, que desvenda a intimidade de bailarinos da companhia Ballet West, de Salt Lake City (EUA). Christiana está com problemas em seu casamento, o que a faz começar a se questionar sobre a vida e Allison terá que acertar as contas com Rex, que sofreu uma queda na estreia do espetáculo.
ENLATADOS » Antes de Batman
Setembro ainda está começando, mas o mês promete. Das estreias mais esperadas da nova temporada, Gotham chega
por aqui dia 28, na Warner, uma semana depois dos Estados Unidos. Criada por Bruno Heller (The mentalist, Roma),
a produção adapta personagens introduzidos em HQ de Bill Finger e Bob Kane. O detetive James Gordon e o órfão Bruce Wayne se conhecem nos tempos turbulentos que antecedem a chegada do Cavaleiro das Trevas. Com um elenco composto por Ben McKenzie, Donal Logue, Jada Pinkett Smith e Sean Pertwee, a série acompanha a ascensão de Gordon de detetive novato
a chefe de polícia, conforme vai descobrindo os esquemas de corrupção que ditam os rumos da cidade. A Netflix também comprou a série e promete exibi-la em 2015, assim que a exibição na TV terminar.
Poderosos – Autoridades americanas vão se juntar ao FBI para salvar a vida dos filhos de grandes empresários na série Crisis, que estreia hoje, às 10h, no FX. No primeiro episódio, um grupo de estudantes de escola frequentada por bambambãs, inclusive o filho do presidente, é sequestrado durante passeio em uma isolada estrada rural. O incidente dá início a uma intrincada crise nacional.
Encerramento – The leftovers, aquela série que uns adoram e outros odeiam, chega ao fim esta noite, aqui e nos EUA.
No último episódio, Kevin (Justin Theroux) recebe a ajuda de um aliado inesperado para sair de uma situação complicada perto da cidade do Cairo. Enquanto isso, uma elaborada iniciativa dos Guilty Remnant para comemorar o Memorial
Day faz Mapleton mergulhar no caos.
Os episódios 9 e 10 serão exibidos em sequência, na HBO, a partir das 21h.
A série já teve confirmado o segundo ano.
ASSIM SEJa – Outra produção que termina hoje é a inglesa Padre Brown, às 21h, no Film&Arts. O protagonista (Mark Williams, o Arthur Weasley de Harry Potter) cairá em uma armadilha ao tentar salvar a valiosa
Cruz Azul de sua igreja do temido criminoso Flambeau (John Light), que percorre toda
a Europa atrás de artefatos raros.
CARAS&BOCAS » Menina dos olhos
Simone Castro
simone.castro@uai.com.br
Larissa Manoela é uma estrela. E vai ganhar seu primeiro papel de protagonista em breve, no remake de Cúmplices de um resgate, substituta de Chiquititas a partir de junho do ano que vem, no SBT/Alterosa. Atualmente, ela brilha na série Patrulha salvadora, destaque do canal aos sábados. Larissa encarna uma heroína, uma das mentoras de uma espécie de liga da justiça, em que ao lado de outras crianças tenta resolver os problemas da fictícia Kauzópolis. Ela vive sua personagem Maria Joaquina (foto), que reinou quase que absoluta na festejada novela Carrossel, no papel às avessas, ou seja, uma vilãzinha que dava muito trabalho. Larissa é queridinha de Sílvio Santos e companhia. E, por isso mesmo, não se pensou em mais ninguém para o papel principal da trama infantojuvenil que vai ocupar o horário das 20h30. A produção já começou e a seleção para formação do elenco teve início no mês passado. O folhetim foi criado pela Televisa, no México, em 2002, e no Brasil será adaptado por Íris Abravanel. Larissa Manoela vai encarar um desafio interpretando gêmeas.
KARIN HILS É UMA DAS NEGAS
DA NOVA SÉRIE DE FALABELLA
Sexo e as negas (Globo) é o próximo trabalho de Karin Hils (foto). O seriado, que leva a assinatura de Miguel Falabella, estreia neste mês e faz uma sátira ao americano Sexy and the city. As quatro protagonistas são atrizes negras. Karin divide a cena com Lílian Valeska, Maria Bia Martins e Corina Sabbas. Integrante do extinto grupo Rouge, banda que foi formada em reality musical do SBT/Alterosa e fez sucesso entre 2002 e 2004, Karin, além de cantora, também participou da novela, Aquele beijo (Globo, 2011), no papel de Bernadete, e da série Pé na cova (Globo), como Soninja, ambas escritas por Falabella. Corina Sabbas é cantora e atriz e atuou em diversos musicais no teatro, entre eles Fame e o recente O rei Leão. Ela e as outras duas, Bia Martins e Lílian Valeska, farão sua estreia na TV. A personagem de Karin é a camareira Zulma, uma divertida moradora do subúrbio carioca, na qual identifica semelhanças com Soninja. “São personagens muito próximas. Mulheres negras, batalhadoras e que enfrentam diversos conflitos amorosos”, diz.
ESTRADEIRA É DESTAQUE EM
UM DOS TESTES DO VRUM
O telespectador acompanha no Vrum deste domingo, às 8h30, no SBT/Alterosa, o teste da Ducati Hyperstrada, uma estradeira que não deixa a desejar em esportividade, com Téo Mascarenhas. Já Enio avalia o Renault Clio, um automóvel que se propõe
a ser um dos mais econômicos do país. Confira, ainda, o lançamento japonês que tem tudo para
empolgar: o Suzuki Swift.
MÍRIAM LEITÃO BATE PAPO
COM MARÍLIA GABRIELA
O Marília Gabriela entrevista deste domingo, às 22h, no GNT (TV paga), recebe a jornalista Míriam Leitão. Ela fala sobre a
estreia como romancista com o livro Tempos extremos. A obra envolve temas como escravidão, isolamento, ditadura militar, medo e a sombra do passado. Míriam também conta sobre o depoimento recente, em que relatou como foi presa e torturada, quando estava grávida, durante a ditadura militar. Questionada sobre um possível depoimento para a Comissão da Verdade, ela afirma: “Acho importante o registro histórico, mas nunca procurei indenização, sou uma pessoa feliz, superei, sou bem-sucedida. O que temia quando saí da prisão, era isso se refletir no meu filho, mas não aconteceu”, explica a jornalista.
GRAVIDEZ VAI SURPREENDER
TODOS NA NOVELA IMPÉRIO
Por essa Maria Marta (Lília Cabral) e José Alfredo (Alexandre Nero), o Comendador, não esperavam: vão ser avós. A notícia da gravidez de Du (Josie Pessoa) vai pegar todos de surpresa, nos próximos capítulos de Império (Globo). A jovem se envolve com João Lucas (Daniel Rocha), de quem é amiga e curte uma paixão platônica, e será mãe de uma menina. Eles passarão a noite juntos depois de uma festa e ela engravidará. SÉRIE SOBRE HISTÓRIA DA TVJÁ TEM NOMES ONFIRMADOS
O autor Jorge Furtado e o diretor Guel Arraes já têm dois nomes confirmados para encabeçar o elenco da série que preparam
sobre a história da TV e que irá ao ar na Globo. Os protagonistas serão Débora Falabella e Vladimir Brichta. As gravações começam em 2015, depois do encerramento de Tapas & beijos.
GLOOB ESTREIA AMANHÃ A
ANIMAÇÃO DESENCANTADOS
Estreia amanhã, às 16h15, no Gloob (TV paga), a série Desencantados. A animação conta a história de três adolescentes:
Júnior, filho baixinho do gigante João e o Pé de Feijão; Lancelote, sobrinho de Merlin e mágico atrapalhado; e Fúria, a filha
que não voa da Fada do Dente. Dispostos a se ajustar ao mundo de fadas de Encantópolis, o trio almeja escrever suas próprias histórias enquanto se divide entre a rotina escolar, os encontros em família, os amigos e as redes sociais.
DE OLHO NA TELINHA » Mocinhos e bandidos
Os capítulos recentes mostraram novos rumos de Geração Brasil (Globo). Os nerds, até então foco principal da trama, com destaque para o par romântico Manu (Chandelly Braz) e Davi (Humberto Carrão), perderam espaço. E os pombinhos se separaram. O maior nerd de todos, Jonas Marra, vivido por Murilo Benício, o protagonista, tido como o bambambã do pedaço, pode desmontar totalmente diante do telespectador e se converter no grande vilão da trama.
Está certo que de bom moço ele nunca teve nada. Já está visto que na juventude deu golpes para conseguir lançar o Bro. E, nos Estados Unidos, tornou-se um megaempresário da tecnologia. Os próximos capítulos revelarão o verdadeiro conteúdo do tal envelope grená que agitou o início da trama e causou mortes, como a de Jack Parker (Miele).
Jonas é investigado por crimes cibernéticos e está na mira do FBI. Quando descobriu que poderia acabar preso, juntou a família e se mudou para o Brasil. Com isso, dá até para desconfiar da tal doença em estágio terminal, né? Ou seja, de um jovem nerd com um sonho, um homem bem-sucedido e prestes a deixar este mundo tão precocemente, Jonas se tornou um bandidão. Para não falar da paixão clandestina por Verônica (Taís Araújo) e da traição a Pamela Parker (Cláudia Abreu).
De outro lado, Herval (Ricardo Tozzi), sempre rondando Jonas, assim meio na sombra, parecia muito além do simples rival no amor de Pamela. Crítico do magnata desde o início da novela, se revelou alguém misterioso, disposto a tudo para acabar com a festa que Jonas promovia no Brasil. Ficou claro que ele urdia um plano para detonar com o sujeito e se mostrava o vilão da história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Mesmo desenvolvendo um programa muito bacana de inclusão digital com crianças e jovens carentes na Plugar. Ninguém é tão bom nem tão ruim assim será a mensagem?
Pois, pode ser que Herval seja, na verdade, o mocinho da fita. É que nos capítulos que vêm aí o telespectador e Verônica ficarão sabendo quem realmente é Jonas. O cara traiu o amigo e sócio, LED, então o nome adotado por Herval no passado, e se beneficiou sozinho da fama do Bro. Como deu um golpe para criá-lo, deixou que o parceiro fosse preso injustamente. E o mentor da Plugar estaria disposto a destruir o inimigo, ajudando, inclusive, a polícia a levá-lo para a cadeia.
Mas como Manu, que não traiu Davi, como se pensava, pode ser que Jonas e Herval se revelem nem tão mocinhos nem tão bandidos. E que, equilibradas as forças, cada um pague o que deve. Tudo zerado, um recomeço. Do contrário, a dúvida: como é que ficam as mocinhas Verônica e Pamela, respectivamente, amores de Jonas e Herval no final das contas? (Simone Castro)
viva
Sandra Corveloni como a sofrida e bondosa Augusta de Boogie Oogie (Globo).
Vaia
Juju (Cris Vianna) não percebeu a má-fé da advogada traíra de Império (Globo).
Estado de Minas: 07/09/2014 04:00
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Sonoras
Domingo é dia de música, muita música. No SescTV, o pianista e compositor carioca Ricardo MacCord está em Passagem de
som e Instrumental Sesc Brasil, a partir das 21h. Na Cultura, às 12h, a série Clássicos apresenta o especial Glenn Gould toca Bach. No Film&Arts, a atração é o concerto Appalachian journey, no Avery Fisher Hall, em Nova York, com o violoncelista Yo-Yo Ma, o violinista Mark O’Connor e o baixista Edgar Meyer, às 17h45. No Bis, às 21h30, tem The Who ao vivo no Kilburn, em 1977. E no Arte 1, às 22h, vai ao ar um documentário sobre a diva do jazz Billie Holiday (foto).
Fim de papo
Da música para a dança, o canal Film&Arts exibe hoje, às 19h, o último episódio da série Breaking pointe, que desvenda a intimidade de bailarinos da companhia Ballet West, de Salt Lake City (EUA). Christiana está com problemas em seu casamento, o que a faz começar a se questionar sobre a vida e Allison terá que acertar as contas com Rex, que sofreu uma queda na estreia do espetáculo.
ENLATADOS » Antes de Batman
Setembro ainda está começando, mas o mês promete. Das estreias mais esperadas da nova temporada, Gotham chega
por aqui dia 28, na Warner, uma semana depois dos Estados Unidos. Criada por Bruno Heller (The mentalist, Roma),
a produção adapta personagens introduzidos em HQ de Bill Finger e Bob Kane. O detetive James Gordon e o órfão Bruce Wayne se conhecem nos tempos turbulentos que antecedem a chegada do Cavaleiro das Trevas. Com um elenco composto por Ben McKenzie, Donal Logue, Jada Pinkett Smith e Sean Pertwee, a série acompanha a ascensão de Gordon de detetive novato
a chefe de polícia, conforme vai descobrindo os esquemas de corrupção que ditam os rumos da cidade. A Netflix também comprou a série e promete exibi-la em 2015, assim que a exibição na TV terminar.
Poderosos – Autoridades americanas vão se juntar ao FBI para salvar a vida dos filhos de grandes empresários na série Crisis, que estreia hoje, às 10h, no FX. No primeiro episódio, um grupo de estudantes de escola frequentada por bambambãs, inclusive o filho do presidente, é sequestrado durante passeio em uma isolada estrada rural. O incidente dá início a uma intrincada crise nacional.
Encerramento – The leftovers, aquela série que uns adoram e outros odeiam, chega ao fim esta noite, aqui e nos EUA.
No último episódio, Kevin (Justin Theroux) recebe a ajuda de um aliado inesperado para sair de uma situação complicada perto da cidade do Cairo. Enquanto isso, uma elaborada iniciativa dos Guilty Remnant para comemorar o Memorial
Day faz Mapleton mergulhar no caos.
Os episódios 9 e 10 serão exibidos em sequência, na HBO, a partir das 21h.
A série já teve confirmado o segundo ano.
ASSIM SEJa – Outra produção que termina hoje é a inglesa Padre Brown, às 21h, no Film&Arts. O protagonista (Mark Williams, o Arthur Weasley de Harry Potter) cairá em uma armadilha ao tentar salvar a valiosa
Cruz Azul de sua igreja do temido criminoso Flambeau (John Light), que percorre toda
a Europa atrás de artefatos raros.
CARAS&BOCAS » Menina dos olhos
Simone Castro
simone.castro@uai.com.br
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Larissa Manoela é uma estrela. E vai ganhar seu primeiro papel de protagonista em breve, no remake de Cúmplices de um resgate, substituta de Chiquititas a partir de junho do ano que vem, no SBT/Alterosa. Atualmente, ela brilha na série Patrulha salvadora, destaque do canal aos sábados. Larissa encarna uma heroína, uma das mentoras de uma espécie de liga da justiça, em que ao lado de outras crianças tenta resolver os problemas da fictícia Kauzópolis. Ela vive sua personagem Maria Joaquina (foto), que reinou quase que absoluta na festejada novela Carrossel, no papel às avessas, ou seja, uma vilãzinha que dava muito trabalho. Larissa é queridinha de Sílvio Santos e companhia. E, por isso mesmo, não se pensou em mais ninguém para o papel principal da trama infantojuvenil que vai ocupar o horário das 20h30. A produção já começou e a seleção para formação do elenco teve início no mês passado. O folhetim foi criado pela Televisa, no México, em 2002, e no Brasil será adaptado por Íris Abravanel. Larissa Manoela vai encarar um desafio interpretando gêmeas.
KARIN HILS É UMA DAS NEGAS
DA NOVA SÉRIE DE FALABELLA
Sexo e as negas (Globo) é o próximo trabalho de Karin Hils (foto). O seriado, que leva a assinatura de Miguel Falabella, estreia neste mês e faz uma sátira ao americano Sexy and the city. As quatro protagonistas são atrizes negras. Karin divide a cena com Lílian Valeska, Maria Bia Martins e Corina Sabbas. Integrante do extinto grupo Rouge, banda que foi formada em reality musical do SBT/Alterosa e fez sucesso entre 2002 e 2004, Karin, além de cantora, também participou da novela, Aquele beijo (Globo, 2011), no papel de Bernadete, e da série Pé na cova (Globo), como Soninja, ambas escritas por Falabella. Corina Sabbas é cantora e atriz e atuou em diversos musicais no teatro, entre eles Fame e o recente O rei Leão. Ela e as outras duas, Bia Martins e Lílian Valeska, farão sua estreia na TV. A personagem de Karin é a camareira Zulma, uma divertida moradora do subúrbio carioca, na qual identifica semelhanças com Soninja. “São personagens muito próximas. Mulheres negras, batalhadoras e que enfrentam diversos conflitos amorosos”, diz.
ESTRADEIRA É DESTAQUE EM
UM DOS TESTES DO VRUM
O telespectador acompanha no Vrum deste domingo, às 8h30, no SBT/Alterosa, o teste da Ducati Hyperstrada, uma estradeira que não deixa a desejar em esportividade, com Téo Mascarenhas. Já Enio avalia o Renault Clio, um automóvel que se propõe
a ser um dos mais econômicos do país. Confira, ainda, o lançamento japonês que tem tudo para
empolgar: o Suzuki Swift.
MÍRIAM LEITÃO BATE PAPO
COM MARÍLIA GABRIELA
O Marília Gabriela entrevista deste domingo, às 22h, no GNT (TV paga), recebe a jornalista Míriam Leitão. Ela fala sobre a
estreia como romancista com o livro Tempos extremos. A obra envolve temas como escravidão, isolamento, ditadura militar, medo e a sombra do passado. Míriam também conta sobre o depoimento recente, em que relatou como foi presa e torturada, quando estava grávida, durante a ditadura militar. Questionada sobre um possível depoimento para a Comissão da Verdade, ela afirma: “Acho importante o registro histórico, mas nunca procurei indenização, sou uma pessoa feliz, superei, sou bem-sucedida. O que temia quando saí da prisão, era isso se refletir no meu filho, mas não aconteceu”, explica a jornalista.
GRAVIDEZ VAI SURPREENDER
TODOS NA NOVELA IMPÉRIO
Por essa Maria Marta (Lília Cabral) e José Alfredo (Alexandre Nero), o Comendador, não esperavam: vão ser avós. A notícia da gravidez de Du (Josie Pessoa) vai pegar todos de surpresa, nos próximos capítulos de Império (Globo). A jovem se envolve com João Lucas (Daniel Rocha), de quem é amiga e curte uma paixão platônica, e será mãe de uma menina. Eles passarão a noite juntos depois de uma festa e ela engravidará. SÉRIE SOBRE HISTÓRIA DA TVJÁ TEM NOMES ONFIRMADOS
O autor Jorge Furtado e o diretor Guel Arraes já têm dois nomes confirmados para encabeçar o elenco da série que preparam
sobre a história da TV e que irá ao ar na Globo. Os protagonistas serão Débora Falabella e Vladimir Brichta. As gravações começam em 2015, depois do encerramento de Tapas & beijos.
GLOOB ESTREIA AMANHÃ A
ANIMAÇÃO DESENCANTADOS
Estreia amanhã, às 16h15, no Gloob (TV paga), a série Desencantados. A animação conta a história de três adolescentes:
Júnior, filho baixinho do gigante João e o Pé de Feijão; Lancelote, sobrinho de Merlin e mágico atrapalhado; e Fúria, a filha
que não voa da Fada do Dente. Dispostos a se ajustar ao mundo de fadas de Encantópolis, o trio almeja escrever suas próprias histórias enquanto se divide entre a rotina escolar, os encontros em família, os amigos e as redes sociais.
DE OLHO NA TELINHA » Mocinhos e bandidos
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| Jonas Marra (Murilo Benício) pode ser o vilão de Geração Brasil |
Os capítulos recentes mostraram novos rumos de Geração Brasil (Globo). Os nerds, até então foco principal da trama, com destaque para o par romântico Manu (Chandelly Braz) e Davi (Humberto Carrão), perderam espaço. E os pombinhos se separaram. O maior nerd de todos, Jonas Marra, vivido por Murilo Benício, o protagonista, tido como o bambambã do pedaço, pode desmontar totalmente diante do telespectador e se converter no grande vilão da trama.
Está certo que de bom moço ele nunca teve nada. Já está visto que na juventude deu golpes para conseguir lançar o Bro. E, nos Estados Unidos, tornou-se um megaempresário da tecnologia. Os próximos capítulos revelarão o verdadeiro conteúdo do tal envelope grená que agitou o início da trama e causou mortes, como a de Jack Parker (Miele).
Jonas é investigado por crimes cibernéticos e está na mira do FBI. Quando descobriu que poderia acabar preso, juntou a família e se mudou para o Brasil. Com isso, dá até para desconfiar da tal doença em estágio terminal, né? Ou seja, de um jovem nerd com um sonho, um homem bem-sucedido e prestes a deixar este mundo tão precocemente, Jonas se tornou um bandidão. Para não falar da paixão clandestina por Verônica (Taís Araújo) e da traição a Pamela Parker (Cláudia Abreu).
De outro lado, Herval (Ricardo Tozzi), sempre rondando Jonas, assim meio na sombra, parecia muito além do simples rival no amor de Pamela. Crítico do magnata desde o início da novela, se revelou alguém misterioso, disposto a tudo para acabar com a festa que Jonas promovia no Brasil. Ficou claro que ele urdia um plano para detonar com o sujeito e se mostrava o vilão da história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Mesmo desenvolvendo um programa muito bacana de inclusão digital com crianças e jovens carentes na Plugar. Ninguém é tão bom nem tão ruim assim será a mensagem?
Pois, pode ser que Herval seja, na verdade, o mocinho da fita. É que nos capítulos que vêm aí o telespectador e Verônica ficarão sabendo quem realmente é Jonas. O cara traiu o amigo e sócio, LED, então o nome adotado por Herval no passado, e se beneficiou sozinho da fama do Bro. Como deu um golpe para criá-lo, deixou que o parceiro fosse preso injustamente. E o mentor da Plugar estaria disposto a destruir o inimigo, ajudando, inclusive, a polícia a levá-lo para a cadeia.
Mas como Manu, que não traiu Davi, como se pensava, pode ser que Jonas e Herval se revelem nem tão mocinhos nem tão bandidos. E que, equilibradas as forças, cada um pague o que deve. Tudo zerado, um recomeço. Do contrário, a dúvida: como é que ficam as mocinhas Verônica e Pamela, respectivamente, amores de Jonas e Herval no final das contas? (Simone Castro)
viva
Sandra Corveloni como a sofrida e bondosa Augusta de Boogie Oogie (Globo).
Vaia
Juju (Cris Vianna) não percebeu a má-fé da advogada traíra de Império (Globo).
Velhos de guerra
Produtores e
músicos de BH recorrem a equipamentos antigos para obter sonoridade
especial. Gravadores de rolo, microfones jurássicos e amplificadores
valvulados resistem à
onda digital
Eduardo Tristão Girão
Estado de MInas: 07/09/2014| Anderson Guerra exibe um dos tesouros do estúdio Bunker: o microfone usado por Silvio Caldas |
Na cena de Belo Horizonte e arredores, parece não haver melhor exemplo do que o estúdio Bunker. Instalado na casa do guitarrista e produtor musical Anderson Guerra, em Nova Lima, é um dos poucos no país (se não for o único) a operar exclusivamente com aparelhos analógicos. Estão lá, e funcionando perfeitamente, microfones de época, gravador de rolo, pré-amplificadores de anos atrás, amplificadores valvulados e a mesa de som sem qualquer recurso digital. Não há computador, mouse ou pendrive. É tudo feito no braço, literalmente. O resultado final, claro, é sempre um disco de vinil.
“Os equipamentos digitais são uma superferramenta. Não sou fetichista com o analógico, nem sou radical em relação ao computador. A produção de lixo virtual não é um caminho que me interessa. Na produção, não tenho como comparar 15 canais de bateria para escolher um depois. Nesse caso, o excesso de possibilidade na arte tira a força do registro”, afirma Guerra. Responsável pelo Bunker, ele trabalha demoradamente com um artista por vez, envolvendo-se em todas as etapas de cada álbum – da seleção de repertório à capa.
O envolvimento de Guerra com a causa analógica se tornou mais forte quando percebeu que, para obter os sons que queria, teria de “caçar” os equipamentos e aprender na marra a fazer a manutenção de cada um deles. Foi assim com o gravador de rolo Tascam com 24 canais que veio do Rio Grande do Sul, com o microfone RCA 44 (usado por Silvio Caldas) e com o pré-amplificador valvulado que escorava a porta de uma loja na Rua dos Carijós, no Centro de BH. “Tudo aqui foi comprado por preço abaixo do que vale, a maior parte das coisas estava em estado lastimável”, conta.
Guerra já atendeu Somba e Deco Lima, atualmente está com Paralaxe em estúdio e já tem agendadas produções com Maurício Tizumba, Pererê e Gleison Túlio. “Era uma coisa de nicho, mas o interesse pelo analógico vem crescendo”, diz o produtor. Isso é mais do que mera opção estética: “O que me atrai é o processo como um todo, o tempo das coisas. É como comparar a preparação para fazer um vídeo e para rodar cinema. Aqui, não tem tela de computador para olhar, os músicos devem se ouvir para sentir o que está sendo tocado. Trabalhar com essa ideia de limitação é muito saudável”.
Os microfones são o ponto-chave nas gravações. “Evito equalizar na mixagem, tento chegar aos sons que quero já na gravação. Às vezes, gasto muito tempo com isso, buscando com o artista a melhor posição para um microfone”, explica. Um deles chegou a ser apelidado pelos clientes de “joia da coroa”. Trata-se de um Neumann Telefunken U-47, o mesmo usado por Frank Sinatra e pelos Beatles. “Ele tem som vivo. Costuma-se dizer que é mais parecido com o real do que a própria realidade”, brinca.
Fotografia Como descrever os sons é tarefa ingrata, nada melhor que recorrer a quem sabe traduzir para o leigo a diferença que um equipamento antigo pode fazer. Com a palavra, Sânzio Brandão, luthier e guitarrista da banda Cálix, que gosta de usar amplificador valvulado: “Me encanta fazer um acorde e ouvir a riqueza sonora, a beleza timbrística que um equipamento desses possibilita, ao contrário dos amplificadores transistorizados. É como ver a foto de uma pessoa: primeiro com a paisagem ao fundo embaçada, e depois com tudo nítido ao redor”.
Por causa da dificuldade de manutenção, Sânzio havia parado de usar os valvulados. Só voltou a trabalhar com eles depois de conhecer os amplificadores produzidos por Fernando Maciel, também de BH, que constrói um modelo de acordo com as especificações pessoais do guitarrista. “Quando o músico se sente bem com o que está usando, pode trilhar caminhos que talvez não escolhesse se tivesse outro tipo de equipamento”, conclui Brandão.
| O produtor Chico Neves adora misturar equipamentos digitais e analógicos |
Questão de gosto
Com maior ou menor fervor, produtores e técnicos de som de BH defendem o uso das tecnologias analógicas. Dirceu Cheib, um dos fundadores do estúdio Bemol, é um dos entusiastas do passado. “Som depende de uma boa sala e bom microfone, não de computador. O digital tem facilidades, mas não significa que é melhor”, diz. Ainda que use o programa Pro Tools (para gravação e edição no computador), ele não abre mão de reverb de mola, pré-amplificadores valvulados e de um compressor com quase meio século de bons serviços prestados à música da cidade.
Além de vocalista e guitarrista da banda Transmissor, ícone do indie rock mineiro, Leonardo Marques mantém estúdio na capital. Estão lá um gravador de rolo de oito canais, teclados antigos e um pré-amplificador dos anos 1970. “Respeito a música. Não deixo de usar efeito digital por não ser analógico. É preciso saber escolher a ferramenta de acordo com o resultado a que se quer chegar. Os microfones antigos dão colorido especial ao som”, conta. Ao Pro Tools ele só recorre para rascunhar canções, optando pela dinâmica de gravação analógica como forma de obter melhor performance num único take.
Experiente produtor (Paralamas, O Rappa, Lenine, Skank e Los Hermanos), Chico Neves, que voltou para Belo Horizonte há cerca de um ano, gosta mesmo é de misturar digitais e analógicos. “É como se fossem instrumentos com timbres diferentes, mais ou menos como a opção por ouvir vinil ou CD. Se é analógico ou digital, não importa. É preciso saber navegar nas duas águas. É ótimo ter a facilidade da edição digital depois de um registro analógico”, afirma. Para ele, a interação com equipamentos antigos ajuda a criar clima no estúdio, local considerado “frio” por muita gente.
NA ACADEMIA
Guitarrista do grupo Somba, que acabou de gravar no estúdio Bunker, Guilherme Castro (foto) coordena o curso de licenciatura em música do Instituto Metodista Izabela Hendrix. Paralelamente à finalização do LP Homônimo, ele se concentra em estudar o ofício de produção musical em sua tese de doutorado, incluindo peculiaridades dos processos de gravação analógico e digital. “O método antigo requer planejamento maior e a chance de manipulação do material é menor. Isso exige do produtor um domínio diferente dos equipamentos e nos faz resgatar o senso de que erramos mais do que achamos. Tudo isso dá caráter mais orgânico à gravação”, analisa.
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