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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Lula rebate FHC e diz que tucano deve 'ficar quieto'

folha de são paulo

Petista afirma que antecessor teria que ajudar Dilma a seguir 'governando bem'
Declaração ocorre após FHC ter chamado presidente de 'ingrata', em disputa antecipada de PT e PSDB por 2014
DE SÃO PAULODE BRASÍLIA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, deveria "ficar quieto" e contribuir para a presidente Dilma Rousseff comandar o país.
A declaração do petista foi feita um dia após FHC ter afirmado em Minas, em seminário ao lado do senador Aécio Neves, virtual candidato do PSDB à Presidência em 2014, que Dilma era "ingrata" por negar a herança dos governos do partido (1995-2002).
A série de provocações entre petistas e tucanos -numa antecipação da disputa presidencial de 2014- começou na semana passada, quando Dilma foi lançada à reeleição por Lula na festa do PT para comemorar os 10 anos do partido no poder federal.
No evento, Dilma afirmou não ter herdado "nada" da gestão tucana, classificada em cartilha petista como um "desastre" neoliberal. O tom da troca de farpas subiu anteontem, quando FHC declarou que a presidente "cospe no prato que comeu".
"Eu acho que Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. Acho que, neste país, cada um fala o que quiser e responde pelo que fala", disse Lula ontem à noite em São Paulo, ao chegar ao lançamento do livro "O Brasil", do jornalista Mino Carta, e ser questionado sobre as declarações do tucano.
Lula afirmou que, em vez de criticar Dilma, FHC "deveria é contribuir" para a presidente "continuar a governar o país bem". E lançou mão do slogan "Deixa o homem trabalhar", de sua campanha à reeleição, em 2006.
"Deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Deixa a mulher trabalhar. Porque não é todo dia que o país elege uma mulher presidente", completou o ex-presidente.
SALVO-CONDUTO
Mais cedo, o presidente do PT, Rui Falcão, também havia rebatido as declarações de FHC ao afirmar que o tucano está buscando "um salvo-conduto da história" ao cobrar gratidão de Dilma.
"FHC quer salvo-conduto porque confundiu um gesto de elegância de Dilma, que o chamou para jantar e mandou carta de solidariedade no aniversário de 80 anos dele, como se isso fosse apagar o jeito que estava o Brasil em 2003 [ano da posse de Lula]," disse Rui Falcão.
O dirigente completou em seguida: "Ele acha que ela esqueceu como o Lula encontrou o Brasil em 2003".
No início de seu mandato, em 2011, Dilma enviou mensagem a FHC, quando o tucano completou 80 anos, chamando-o de "político habilidoso" e "ministro-arquiteto do plano de saída da hiperinflação" -deferência que foi mal recebida por petistas.
FHC disse em seguida que a presidente "foi generosa" e parecia ser "pessoa íntegra".
A troca de amabilidades deu lugar a uma disputa visando à eleição de 2014.
Na quarta passada, para se contrapor à festa de dez anos de governo do PT, Aécio Neves fez discurso no Senado enumerando "13 fracassos" das gestões petistas.
Como cabo eleitoral de Aécio, FHC foi a Minas participar de evento ao lado do senador tucano. Como "padrinho" de Dilma, Lula inicia nesta semana um roteiro de viagens para intensificar a articulação com a base aliada pelo palanque petista.

domingo, 25 de novembro de 2012

'Estava marcado para morrer', diz Dirceu - Rafael Capanema


'Estava marcado para morrer', diz Dirceu
Em novo ato de desagravo, ex-ministro e José Genoino reiteram que vão questionar decisão do Supremo no mensalão
Em evento realizado na noite de ontem em São Paulo, ex-líderes do PT condenados no STF reafirmam inocência
RAFAEL CAPANEMADE SÃO PAULO
Recebido com o coro "Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro" em um "ato em defesa do PT" realizado ontem em São Paulo, o ex-ministro da Civil disse que estava "marcado para morrer" antes do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou a dez anos e dez meses de prisão.
"Só não fui fuzilado porque estamos em um Estado democrático de Direito e não há pena de morte", disse José Dirceu no evento, em que discursaram o ex-presidente do PT José Genoino, condenado pelo STF a seis anos e 11 meses de prisão, e o senador Eduardo Suplicy.
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares era esperado, mas não compareceu.
Dirceu e Genoino reiteraram que respeitarão a decisão do STF, mas que vão questioná-la. "Eu tenho a consciência da minha inocência", afirmou Genoino.
Dirceu criticou a forma como a teoria do domínio do fato foi aplicada no julgamento do mensalão e reafirmou ter sido condenado sem provas: "Minha inocência está provada nos autos".
Com críticas também à mídia e à oposição, o evento no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo foi convocado pelo Fórum do Diálogo Petista, criado por 83 militantes de quatro correntes mais à esquerda do PT.

Atos pró-condenados preocupam Planalto
Nos últimos dias, PT emitiu sinais opostos sobre mobilizações contra o resultado do julgamento do mensalão
Auxiliares da presidente Dilma e parte da cúpula petista se preocupam que eles sejam vistos como afronta ao STF
DIÓGENES CAMPANHADE SÃO PAULOO PT emitiu nos últimos dias sinais opostos sobre a mobilização em prol dos mi­litantes do partido condena­dos pelo mensalão.
Atos promovidos por réus como o deputado João Paulo Cunha (SP) e iniciativas que pregam a "defesa" da legenda contra o resultado do julgamento causaram preocupação no Palácio do Planalto.
Auxiliares da presidente Dilma Rousseff e parte da cúpula petista manifestaram preocupação com a possibilidade de que tais eventos fos­sem considerados afrontas ao STF e evitou chancelá-los como oficiais.
Uma dessas reuniões seria feita ontem à tarde em São Paulo por quatro correntes mais à esquerda do partido. Panfletos do evento foram colocados na sede do Diretório Nacional e na capital paulista.
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não foi ao ato de desagravo que João Pau­lo Cunha realizou anteontem à noite em Osasco (SP) depois de ter sido anunciado como "presença confirmada".
"Há um incômodo. Todo mundo que tem juízo é con­tra esse ato, mas o pessoal fica constrangido em não ir", disse uma liderança pe­tista poucas horas antes da plenária de João Paulo.
"Não construí­mos nossa história tendo medo do debate", disse o presidente do PT-SP, Edinho Silva, anteontem.


ANÁLISE
Tática do revide é adequada a ala do PT, mas não a governo
ELIANE CANTANHÊDECOLUNISTA DA FOLHAO julgamento do mensalão ainda nem acabou, mas parte do PT já articula atos de apoio aos petistas condenados e uma série de revides.
Não há consenso quanto a essa estratégia. Pode parecer adequada para petistas históricos, mas não para a presidente Dilma Rousseff e os aliados mais diretos.
O ex-ministro José Dirceu, por exemplo, foi condenado a dez anos e dez meses e não tem mais nada a perder, mas Dilma e o governo podem perder muito se houver confronto -principalmente com o Supremo Tribunal Federal.
O Planalto não apoiou e não estimulou a presença ao ato de apoio ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), anteontem.
Há, porém, a suspeita, sem comprovação, de participação do ex-presidente Lula na estratégia de revide.
Foi ele quem mais atiçou a CPI do Cachoeira, que adiou na semana passada a leitura do relatório final, por falta de consenso e pela desconfiança de que petistas alinhados com Lula e com Dirceu quisessem usar os resultados para fustigar a oposição.
"Oposição", nesse caso, em sentido amplo. Mais do que visar PSDB e DEM, a CPI elegeu como alvos principais o procurador-geral, Roberto Gurgel, e jornalistas.
Gurgel tem pouco ou nada a ver com a história do empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira, mas tem tudo a ver com o julgamento do mensalão. E o próprio Ministério Público não viu indícios de crimes no comportamento dos jornalistas listados.
A tensão tende a piorar nesta semana, com confluência de fatores: nova operação da Polícia Federal, provável desfecho da CPI, fim da dosimetria no Supremo e o debate sobre a situação de deputados condenados.
As leis não são claras quanto à perda de mandato, e ministros do Supremo se dividem. Mais um motivo para a pressão de setores do PT.