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domingo, 21 de abril de 2013

Da sena à quina

folha de são paulo

JUCA KFOURI
Pena, mas nas quartas de final da Libertadores ao menos um brasileiro ficará de fora
O GALO de melhor campanha pegou o pior rival nas oitavas de final da Libertadores. Pior para ele, Galo, bem entendido.
Porque a derrota no Morumbi deixa marcas no traumatizado time mineiro em busca de um título importante desde 1971, o ano do primeiro Campeonato Brasileiro.
Voltar ao mesmo palco e para enfrentar um São Paulo moral e tecnicamente ainda mais forte será o teste definitivo para avaliar até que ponto este é mesmo um Galo de briga --ou se é só o Galo bom como mostrou contra o São Paulo malvado. Infelizmente, um brasileiro cairá. O tricampeão continental, agora, tem cara de quem permanecerá.
Em tese, o Corinthians também se deu mal ao ter de repetir a decisão da Libertadores passada. Mas este Boca Juniors de hoje é ainda inferior àquele e deve ser respeitado apenas pela camisa, que joga, e pela Bombonera, que pulsa.
O segundo jogo no Pacaembu dá ao alvinegro a condição de favorito, não só pela fragilidade atual dos xeneizes como porque, até prova em contrário, o Corinthians tem o melhor time do continente.
Mais complicada talvez seja a empreitada do Palmeiras, porque com uma viagem desgastante de 17 horas e para jogar em gramado artificial, embora tenha a vantagem de fazer em casa o jogo da volta, com sua torcida que tanta falta fez no Peru. Lembremos que foi o Tijuana quem quebrou a invencibilidade corintiana na Libertadores.
O Fluminense tem caminho mais tranquilo até onde ainda há caminhos tranquilos hoje, porque o Emelec, na equatoriana Guayaquil ao nível do mar, não assusta.
Já o Grêmio terá pela frente o Independiente de Santa Fé, único invicto da fase de grupos e com o segundo jogo em Bogotá, numa altitude mais suportável, mas altitude de 2.640 metros, 200 metros a menos que Quito, onde o tricolor gaúcho perdeu para a LDU. Menos mal que só não terá seu melhor jogador, o assombroso Zé Roberto, na ida.
MALANDRO-AGULHA
Vanderlei Luxemburgo foi covardemente chutado no chão depois de, em fuga com um risinho maroto, escorregar espetacularmente no Chile. Nada justifica a violência e apenas atesta o nível desta Taça Selvagens da América. Mas o sorrisinho dissimulado dá mais credibilidade a quem se disse provocado do que a quem é contumaz provocador.
CAOS NO COL
O Comitê Organizador Local da Copa continua uma bagunça. A tal ponto que a Fifa trocou seu chefe do escritório no Brasil. Saiu Fúlvio Danilas e entrou Ron Delmont. Danilas foi vítima da desastrada operação de mudança da sede do COL da Barra da Tijuca para o Riocentro, feita por quem ele indicou para o organismo, o executivo Ricardo Trade, o Baka, ex-goleiro da seleção brasileira de handebol.

    quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

    Juca Kfouri

    FOLHA DE SÃO PAULO

    LOC de louco
    Os comitês brasileiros da Copa do Mundo-14 e da Olímpiada-16 não são nada confiáveis
    O COL, OU LOC, Comitê Organizador Local, ou, em inglês, Local Organising Committee, da Copa do Mundo no Brasil, e o CoRio-16, o comitê da Olimpíada, têm dado seguidas demonstrações de não estar à altura das empreitadas que têm pela frente.
    À incompetência soma-se o constrangimento, a ponto de o alcaguete que preside o COL preferir ir ao sorteio da Libertadores, no Paraguai, a estar na inauguração do Mineirão, um dos palcos mais importantes da Copa, porque lá estava a presidenta da República.
    Como tudo de importante que se faz em torno da Copa é feito com dinheiro público, o LOC virou apenas uma sinecura para cartolas como o presidente também da CBF, cujo vice é capaz de chamar o ministro do Esporte de "comunista alucinado" em conversa menos reservada do que gostaria, segundo revelou "O Estado de S. Paulo".
    Pensar nesta dupla recepcionando o mundo em 2014 é algo que envergonha e que deveria preocupar as autoridades do país.
    O CoRio não é diferente.
    O simples exemplo do que se vê em torno do campo de golfe na área de preservação ambiental de Marapendi dá a medida da gravidade de como as PPPs olímpicas privilegiam o privado e açoitam o público.
    Não importa se beneficiam grileiros ou grandes construtoras, como, no caso, a Cyrella, do amigo do presidente do CoRio e do COB, ou os espertos da vida pública, como o prefeito carioca. Que propôs um absurdo contra o ambiente e hoje finge espanto, em óbvia combinação com sua base na Câmara -que propôs piorar o absurdo. O próximo passo será tirar o bode da sala e aprovar só o absurdo, como vitória dos bons costumes.
    Tudo devidamente denunciado pela imprensa e quase sem vozes que se ergam na oposição, temerosa do rótulo de antipatriotismo ou recebedora das migalhas que sobram do banquete.
    Como já se disse mil vezes, o povo brasileiro receberá os turistas estrangeiros festivamente e o país estará aparelhado com o que haverá de mais moderno em matéria de praças esportivas, além dos elefantes brancos a preço de ouro.
    Os entornos, no entanto, exatamente o mais importante como legado às 12 cidades envolvidas nos dois megaeventos, deixarão a desejar. Apenas os bolsos de poucos se darão bem, para horror dos Tribunais de Contas que denunciarão como nunca -e não serão eficazes como sempre.
    RANKING NOVO
    Folha atualizou seu ranking e o tornou melhor, mais equilibrado na atribuição dos pontos às conquistas de cada clube. Divirjo, só, que se considere a velha Taça Brasil, equivalente à Copa do Brasil, como o Brasileirão, avalizando uma jogada da CBF.
    Para a coluna, o Flu é, sim, tetra por ter um Robertão, o Palmeiras, por ter dois, é hexa, como Flamengo e São Paulo, e o Santos, com um, é tricampeão brasileiro.

    domingo, 23 de dezembro de 2012

    Juca Kfouri

    FOLHA DE SÃO PAULO

    Personagens do ano
    Nesta hora em que todos fazem balanços, eu balanço para escolher a maior figura de 2012
    MANO MENEZES seria o cara, caso tivesse conseguido trazer o ouro que falta ao Brasil. Não conseguiu e perdeu o emprego na CBF, porque o futebol brasileiro, de Teixeira a Marin, cheira só a mofo e din-din.
    Em Londres houve uma penca de personalidades, principalmente entre as mulheres do vôlei, além de todos que voltaram com medalhas no peito, mas o ano tratado aqui é o do futebol.
    No futebol, o Corinthians, o time do ano, tem, no mínimo, seis figuras: Cássio, que salvou o time e salvou, particularmente, duas vezes, contra o Vasco e o Chelsea, o capitão Alessandro, que talvez não erguesse taça alguma se o goleiro não evitasse os gols de Diego Souza e Fernando Torres; Paulinho, o craque alvinegro de 2012; Emerson Sheik, que fez em dobro contra o Boca Juniors e uma vez contra o Santos, na Vila Belmiro, aquilo que não conseguiu em Yokohama; Romarinho, que calou a Bombonera na primeira vez em que tocou na bola no estádio que pulsava e acabou tremendo; Guerrero, só pelos dois gols, os do bi. Só; e, tan-tan-tan, TTT, Tite, o Telê do Timão.
    Mas tem mais.
    No Flu tem três. Abro com o A de Abel Braga; depois vem o D de Diego Cavalieri e finalizo com o F, não de fim, mas de Fred.
    No olhar nacional haveria pouco mais que esses, desde que o observador, por pobre, deixasse de ver a importância de Danilo em todas as façanhas corintianas ou fosse insensível a ponto de não notar a abnegação e a coragem de Lucas, ainda melhor depois de negociado, como se sua gratidão à torcida são-paulina precisasse ser expressa com sangue, suor e lágrimas.
    E teve Neymar, alguém de quem sempre há o que dizer, artista da bola, tão encantador como eficaz.
    E Ronaldinho Gaúcho! Juro que achava que nunca mais me deixaria impressionar por ele e eis que me vejo obrigado a dizer que sua atuação pelo Galo, se mantida, assegurará o lugar de titular na seleção.
    Três assombrações merecem menções: Juninho Pernambucano, Zé Roberto e Seedorf.
    Fora do Brasil, Xavi, Iniesta e Lionel. Os dois primeiros, de tal forma impressionantes que, confesso, embora rigorosamente diferentes fisicamente, com frequência, me confundem, não distingo um do outro -reverência maior a Xavi será simplesmente impossível, porque Iniesta é extraterrestre.
    De Messi já disse tudo, mas, sem medo de errar, não se disse. Por herético e nada nacionalista que seja, arrisco dizer, sem correr, ao menos, o pior dos riscos, o do ridículo: não afasto que ainda possa escrever, num dia que não faço ideia sobre qual será, que vejo nele, enfim, algo que sempre pareceu impossível para quem viu o Rei Pelé. Quem sabe? Pois Messi suscita a dúvida.
    Dito tudo isso, o personagem do ano é o bando de loucos que invadiu o Japão.

    domingo, 9 de dezembro de 2012

    O Malandro e o Mané - Juca Kfouri


    Malandro é o Emerson Sheik, campeoníssimo. Falso malandro nem precisa dizer quem é
    JOÃO SALDANHA, inesquecível, gostava de dizer que queria fulano ou beltrano para jogar no seu time, não para casar com sua filha.
    Durante anos repeti a frase até que um dia me dei conta de que não queria mais saber de gente que não serve para casar com minha filha.
    No futebol, inclusive.
    Porque Saldanha dizia essas coisas quando era bacana lembrar com nostalgia do Clube dos Cafajestes, que era muito mais um clube de bons viventes do que propriamente de cafajestes.
    Do mesmo modo que boêmio é uma coisa e cafajeste é outra, malandro é uma coisa, falso malandro, ou mané, é outra.
    No futebol, malandro é o Emerson Sheik, que deu a cara para o argentino Caruzzo bater e mordeu-lhe a mão, além de fazer os dois gols da decisão da Libertadores, contra o Boca Juniors.
    Malandro e colecionador de títulos pelos clubes brasileiros que defendeu, tricampeão nacional que foi em 2009, 2010 e 2011 por Flamengo, Fluminense e Corinthians, respectivamente.
    Já Luis Fabiano é o falso malandro, é um Fabuloso mané, expulso em apenas 13 minutos de jogo
    contra o fraco Tigre na decisão da Copa Sul-Americana, ao tentar chutar, e nem acertar, o zagueiro rival Donati.
    O que explica por que com a camisa do São Paulo ele tem apenas um título -e do Rio-São Paulo...
    Deve até ganhar o segundo agora, porque só um episódio tolimal, ou mazembal, frustrará o Morumbi nesta quarta-feira.
    Mas Luis Fabiano não sairá na foto, suspenso que está.
    Entre o Sheik e o Fabuloso, para jogar no meu time, não tenho a menor dúvida sobre quem prefiro.
    Verdade que, de fato, no entanto, não queria nem um nem outro.
    Porque, na vida, o malandro é Luis Fabiano, cidadão correto, exemplar, e o mané é Emerson, metido em toda sorte de confusões.
    Ou seja, é como se, figuramente, um não fumasse, não bebesse e... não jogasse.
    E o outro, ao contrário.
    Então, para ser coerente, não quero um, que deixaria o meu time na mão, nem quero outro, de convivência complicada.
    E aí, diante de tudo isso, como
    fazer para montar o ataque do meu time?
    Quem escolher sob princípios tão rígidos e antiquados, avessos ao pragmatismo que comanda este mundo que celebra apenas as vitórias e não se importa com os meios para atingi-las?
    Ora, a resposta é fácil, facílima.
    Alguém como Tostão.
    Saldanha assinaria embaixo.
    QUERIDO MESSI
    Sabe como perceber que alguém virou unanimidade positiva, perto da beatificação?
    É quando este alguém cai com a mão no joelho, sai do gramado de maca, chorando, e o mundo todo vai dormir preocupado. Mas comemora, no dia seguinte, ao ficar sabendo que não houve nada de grave com Lionel Messi.
    Pelé, na Copa do Mundo de 1962, viveu isso. Ronaldo Fenômeno, três vezes, também.
    Infelizmente, com uma diferença: era grave.

      domingo, 25 de novembro de 2012

      Juca Kfouri


      O maior e o melhor


      Fim de temporada os botequins fervilham com as seleções do ano, os melhores e os piores. Por ironia os dois gols mais bonitos não estarão na votação da Fifa, mas as bicicletas de fora da área do sueco Ibrahimovic e do francês Mexès, do Milan, são candidatas às mais fabulosas do século --mais espetacular a primeira, mais bonita a segunda.
      Minhas seleções do ano e do Brasileirão tratarei de dá-las depois, mas adianto que os goleiros são Cássio e Diego Cavalieri, as revelações, Romarinho e Bernard, e a assombração, Zé Roberto.
      Quem ganhou o maior título do ano foi mesmo o Corinthians que pode ganhar ainda mais.
      Aliás, se preocupava o Santos ir para o Japão tão como azarão diante do Barcelona como foi, preocupa na mesma medida essa falsa ideia de que o Corinthians já é favorito contra o Chelsea.
      Ah, sim, acho o alvinegro ainda melhor que o Fluminense.
      ENCAIXA, CÁSSIO!
      Do goleiro ao ponta-esquerda, a Caixa estará no peito do time do Corinthians até, no mínimo, o fim do ano que vem e por R$ 31 milhões.
      Quem não tem o poder de comunicação do alvinegro chia, embora cale quando beneficiado ou não se importe, por exemplo, em ter o BMG, um dos bancos do valerioduto, na camisa.
      Que Lula tem influência, direta e indireta, na vida corintiana até São Jorge sabe, mas foi nele que o São Paulo apostou para ter o Morumbi na Copa do Mundo.
      Em bom português: malandro que é malandro não berra.
      SEI, SEI
      Sete anos atrás o governo Alckmin quis privatizar o Conjunto Esportivo do Ibirapuera.
      Não conseguiu, embora seja mesmo o caso de se discutir se é função do Estado administrar praças de esporte. Agora, no entanto, e sub-avaliado por R$ 168 milhões, o complexo está na lista dos bens dados como garantia no projeto de lei 650 enviado à Assembleia Legislativa para irrigar a Companhia Paulista de Parcerias.
      O governo, oficialmente, garante que não quer vender coisa alguma, mas nos corredores do Palácio dos Bandeirantes a conversa é outra.
      Além do mais, o texto do projeto fala que "fica a Fazenda do Estado autorizada a alienar os imóveis indicados".
      Especialistas garantem à coluna que se tudo se resumisse a dar garantias, bastaria indicar uma CESP ou CPTM como tais.
      Ou seja, o governo pede um cheque em branco e quer que acreditemos que não vá preenchê-lo, assim como quis nos fazer crer que não há uma onda de violência em São Paulo ou que não investiria um tostão no estádio do Corinthians.
      CURTO E SECO
      Do cineasta alemão Werner Herzog ao repórter Rodrigo Salem, desta Folha: "O maior de todos os jogadores sempre será Garrincha. Ele é o Brasil".
      FIM DE PAPO
      Raí disse à coluna que não passa por sua cabeça assumir a Secretaria de Esporte da prefeitura paulistana como tem sido noticiado. "Posso ajudar. Mas sem cargo."
      Juca Kfouri
      Juca Kfouri é formado em ciências sociais pela USP. Com mais de 40 anos de profissão, dirigiu as revistas "Placar" e "Playboy". Escreve às segundas, quintas e domingos na versão impressa de "Esporte".

        domingo, 18 de novembro de 2012

        As voltas que o domingo dá - Juca Kfouri


        JUCA KFOURI
        As voltas que o domingo dá
        É o Palmeiras retornando à segunda divisão e PH Ganso e Emerson Sheik aos gramados
        EM VOLTA REDONDA, o drama.
        Como há dez anos e um dia, em Salvador, e contra um rubro-negro, o Palmeiras, que então não se salvou da segunda divisão, corre o risco, nesta tarde, de cair de novo, volta quadrada que não descerá nada bem.
        O Palmeiras paga o preço de ter uma diretoria que parece sofrer de autismo além de, com certeza, padecer de profunda incompetência.
        Por pior que o Flamengo esteja, assim como o Vitória não era lá essas coisas em 2002, está melhor que o Palmeiras de Barcos, quase tão solitário hoje no estádio da Cidadania como esteve, no Barradão, o atual dirigente flamenguista Zinho -e não menos sozinho entre os cartolas da Gávea.
        O Palmeiras contava com milagres do exímio batedor de faltas Marcos Assunção, mesmo no sacrifício, como esperava de Arce no começo do século, mas tudo tem limite e o Palmeiras chegou ao seu, bateu no teto, ou melhor no fundo do poço, ele não jogará.
        E não se culpe Gilson Kleina, como se fez com Levir Culpi uma década atrás.
        Kleina apenas não teve como salvar o que Luiz Felipe Scolari entregou, como Levir herdou o que Vanderlei Luxemburgo começou. Por incrível que pareça, duas vezes em espaço tão curto, dois dos maiores treinadores do país estão associados ao desastre alviverde.
        São as voltas que o mundo do futebol dá. Vágner Love, fundamental para a subida palmeirense em 2003, pode sair do jejum para decretar a descida. Léo Moura, que viveu a primeira queda de verde, testemunhará a segunda de preto e vermelho, embora, machucado, de fora. Mas não faltarão voltas festivas nesta tarde de futebol na antepenúltima rodada do Brasileirão.
        O Fluminense, por exemplo, dará a sua volta olímpica no Engenhão e, aleluia!, com a taça a que fez jus.
        Comemoração de título tem de ser assim, no campo, porque não há nada mais sem emoção que as tais festas oficiais, além do mais recheadas de gafes e, não poucas vezes, de manifestações hostis.
        No Morumbi, provavelmente no segundo tempo, Paulo Henrique Ganso voltará aos gramados depois de uma longa novela e não menos demorada recuperação, tomara que a última em sua curta e acidentada carreira.
        O Brasil conta com ele na Copa do Mundo e Ney Franco, ainda em busca de garantir lugar na Libertadores, acerta ao não fazê-lo titular imediatamente.
        Finalmente, Emerson Sheik reaparecerá no Beira-Rio, a tempo de mostrar o que ninguém tem dúvida: que o lugar de titular no ataque do Corinthians no Mundial de Clubes é dele, autor dos dois gols que decidiram a Libertadores no papão Boca Juniors.
        Malandro, dá-se como certo no Parque São Jorge que ele tratou de se preservar para estar tinindo no Japão, o que se encarregará de demonstrar nos três jogos restantes contra Internacional, Santos e São Paulo.
        A ver.

          quinta-feira, 15 de novembro de 2012

          Barcelona a bangu - Juca Kfouri


          Barcelona a bangu


          René Simões chegou ao São Paulo para implantar uma fábrica de craques em Cotia, como a La Masia, no Barcelona.
          Projeto que, menos de dez meses depois de sua chegada, parece apenas uma rima, longe da solução prometida com pompa e circunstância.
          Porque Simões foi embora e, excessivamente discreto, deixou no caminho toda sorte de especulações.
          Desde o choque com o estilo autoritário que impera no São Paulo, o menor dos pecados, até o de sempre em quase todos os clubes brasileiros --o poder dos empresários.
          O que apenas confirma o que vem acontecendo pelos lados do tricolor paulista não é de hoje, cada vez mais igual aos demais, em alguns aspectos até pior, ultrapassado que tem sido, por exemplo, pelo rival Corinthians em muitas iniciativas.
          A sorte do São Paulo, por enquanto, é o silêncio meio cúmplice de quem sai, mais preocupado em não se queimar no imundo mundo dos bastidores do nosso futebol, como já ocorreu, tempos atrás, com alguns grandes ídolos são-paulinos. O abalo nas categorias de base não deve ficar só por lá porque, dadas as ótimas relações entre Simões e Ney Franco, a confiança do técnico do time principal na direção certamente não é mais a mesma.
          Enquanto isso, o Fluminense, cuja estrutura é ainda deficiente apesar das promessas que demoram a ser cumpridas, comemora dois títulos brasileiros em três anos, prova de que, antes de mais nada, quem resolve é o jogador, coisa que o tricolor carioca tem de sobra, tanto que acaba de ter quase meio time convocado para a seleção brasileira --só não teve mais da metade porque Wellington Nem está machucado.
          Aliás, como é dura a vida de técnico da seleção brasileira. Mano Menezes apanhou por não convocar Diego Cavalieri e Fred e, agora que os convocou, apanha dos teóricos da conspiração por convocá-los, prova de que teria protegido o Flu para facilitar a conquista do título.
          MÁ MEMÓRIA
          Aos 80, José Maria Marin revelou ao jornalista Fernando Rodrigues que nem se lembra em quem votou para presidente dois anos atrás. Assim, não espanta que tenha se esquecido da medalha que pôs no bolso, das viagens que fez, das conversas que teve e, sobretudo, dos discursos cúmplices da ditadura que levaram à prisão e morte de Vladimir Herzog, classificados como "intrigas", apesar de publicados no "Diário Oficial" do Estado e republicados em meu blog do UOL.
          Marin, é compreensível, quer esquecer o passado e não sabe o que fazer no presente com vistas ao futuro, pois argumenta que o calendário do futebol brasileiro não pode se adequar ao mundial por sermos um país continental, como se a Rússia também não fosse. O cartola confunde tempo com espaço. Razão pela qual, faz tempo, nosso futebol tem ido para o espaço.
          Juca Kfouri
          Juca Kfouri é formado em ciências sociais pela USP. Com mais de 40 anos de profissão, dirigiu as revistas "Placar" e "Playboy". Escreve às segundas, quintas e domingos na versão impressa de "Esporte".