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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Morre o 'Rei da Noite de Brasília' Jorge Luiz Santos Ferreira [1959-2013]

JORGE LUIZ SANTOS FERREIRA (1959-2013)
Foi professor, poeta e Rei da Noite de Brasília
ESTÊVÃO BERTONIfolha DE SÃO PAULO
Se no bar de Jorge Ferreira uma mesa estivesse ocupada por sul-coreanos, e outra, por norte-coreanos, ele era capaz de fazer todo mundo sentar junto, como conta Mauro Calichman, o diretor de operações do Grupo Jorge Ferreira.
Mineiro de Cruzília, o empresário ficou conhecido como o Rei da Noite de Brasília. Seu grupo tem 12 negócios no Distrito Federal, como o Armazém do Ferreira, o Mercado Municipal e o Bar Brahma.
Jorge saiu de sua cidade para estudar ciências sociais em Juiz de Fora (MG). Mudou-se para a capital do país porque era lá que Denise, por quem se apaixonara, morava.
Lecionou em faculdades e foi sindicalista. Na década de 80, achando que seria demitido por sua atuação, decidiu abrir em sociedade com um primo a pizzaria Gordeixo. Não voltaria mais a dar aulas.
Em 1989, levou sua mãe, cozinheira de mão cheia, a Brasília, para pôr em prática suas receitas no Feitiço Mineiro, que à noite vira casa de shows.
Apresentaram-se por lá nomes como Nelson Sargento, Jorge Aragão, Almir Sater e Naná Vasconcelos. Mas o objetivo principal do espaço, segundo Mauro, é dar oportunidade para os novos músicos.
Além de agitador cultural, Jorge escreveu três livros (dois de poemas), compôs músicas e patrocinou filmes.
Militante do PT (fundou a sigla em Juiz de Fora), foi amigo de vários políticos, entre os quais o ex-presidente Lula.
No dia 23/6, teve um derrame no Rio. No domingo (30), sofreu uma isquemia. Morreu anteontem, aos 54 anos, deixando mulher e três filhos. O enterro está marcado para hoje, às 14h, no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Uma criança marcada pela ditadura


CARLOS ALEXANDRE AZEVEDO (1972-2013)
ESTÊVÃO BERTONIDE SÃO PAULOCarlos Alexandre Azevedo, o Cacá, era um jovem inteligente, como conta o pai, Dermi. Aficionado por informática, consertava os computadores de familiares e amigos. E sempre levou os trabalhos que teve muito a sério.
Mas o rapaz, colecionador de HQs, às vezes se isolava e só saía do quarto para se alimentar. Sofria de fobia social.
Médicos consultados pela família relacionavam seu quadro a um episódio da infância. Em janeiro de 1974, quando tinha um ano e oito meses, o garoto foi preso com os pais. Dermi, jornalista que trabalhou na Folha de 1984 a 1990, conta que foi levado pela polícia ao deixar o jornal (era funcionário do extinto "Última Hora", editado pelo Grupo Folha).
Em casa, segundo relato do pai, o menino teve um dente quebrado. No Deops, levou choques e, de madrugada, foi levado à casa dos avós e jogado no chão. "A queda provocou lesões cerebrais das quais não mais se recuperou", diz.
Dermi ficou seis meses preso, e sua mulher, Darcy, 45 dias. Era acusado de difamar a imagem do país no exterior por ter escrito um relatório sobre os livros de educação moral e cívica usados no Brasil.
Segundo ele, d. Paulo Evaristo Arns chegou a denunciar o caso a órgãos internacionais.
Cacá era fechado e não escondia uma tristeza permanente. Em 1990, os pais se separaram, e ele ficou morando com a mãe e a irmã. Dermi se casou de novo e vive no Pará.
Para ele, que conta a história do filho no livro "Travessias Torturadas", Cacá foi "levado a se suicidar". Morreu no sábado, aos 40, após ingerir remédios. Em e-mail de despedida a um amigo, dizia-se mal remunerado e isolado.
    folha de são paulo