sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carlos Heitor Cony


Praga, segunda vez
Escrevi um postal para o Carpeaux e só depois me lembrei que ele já havia morrido

07.11.01 - Praga - Depois de 25 anos, estou de volta à velha Boêmia, primeiro contato que tive com o mundo socialista nos anos 1960. Era inverno, muita neve, 13 graus abaixo de zero, pegaria tempo pior em Moscou e Murmansk, a caminho de Havana.
Hoje, saímos de Veneza às 11h30, fizemos escala em Milão (Malpensa), uma miséria de atraso, ficamos horas esperando o voo da Alitalia, que estava atrasadíssimo, serviço péssimo não apenas da companhia, mas do próprio aeroporto, enorme, labiríntico, perdi o medo dos aviões, mas ganhei pânico dos aeroportos, pelas conexões, "gates", esteiras, balcões de check-in.
Além de atrasado, o voo começou mal, com cheiro de querosene dentro da cabine, a tripulação com extintores de incêndio procurando algum foco de incêndio. Apesar da primeira classe esquálida dos velhos DC-9, nada comi, preferi dormir, mas não consegui. Desembarque razoavelmente fácil, troquei US$ 200 por coroas tchecas, viemos para um bom hotel, parece cenário de filmes dos anos 1930, com Charles Boyer, Loretta Young, Greta Garbo, Fred Astaire, Melvyn Douglas etc.
Enorme a suíte, com quarto, sala, escritório, tudo muito limpo, cheirando a novo. E lustres de cristal tcheco até no banheiro, um lustre colossal, maravilhoso. Caí duro no sofá da sala, dormi logo, diz Beatriz, que nunca me viu tão cansado, ela arrumou minhas coisas, quando acordei já estava com a banheira cheia de espuma esperando pelo banho.
Jantamos no hotel, está chuviscando, comi uma bela milanesa, bebi uma cerveja local, um grupo musical tocava canções ciganas ou parecidas. "As Czardas", de Monti, em destaque.
Compramos uma excursão para amanhã, a fim de darmos um giro fundamental pela cidade, depois iremos por conta própria aos lugares que nos interessarem. Quero rever a velha sinagoga e o cemitério dos judeus, que tanto me impressionaram em 1968. Além do castelo, que deve ter inspirado Kafka, quero rever a catedral, as duas bibliotecas de teologia e filosofia, que eu achei a coisa mais bonita que havia visto até então. Escrevi um postal para o Carpeaux e só depois me lembrei que ele já havia morrido. Mesmo assim, botei na caixa do correio.
São 23h30, estou acabando um Rey del Mondo, aqui mesmo no apartamento, com as janelas abertas, apesar do frio.
08.11.01 - Café no quarto, saímos num tour com um jovem casal alemão e uma guia que falava mal tanto o francês como o alemão. Giro pela Old City, revi as duas bibliotecas que tanto me impressionaram, a catedral, alguns bairros típicos, uma panorâmica da cidade, pegamos um táxi de volta ao hotel.
Lembro que, em 1967, pensei em ficar por aqui, desistindo do asilo em Havana. Telefonaria para o Mario Benedetti, em Paris, que estava me rastreando. Ao atravessar uma das pontes sobre o Vltava, um velho tocava acordeão, uma canção de Smetana que não identifiquei.
Depois de amanhã, Beatriz irá para Budapeste num voo às dez horas, e eu irei para Roma no único voo da Alitalia. Ficarei cinco horas entregue a mim mesmo, com uma porção de malas. Se houver retardo no voo, estarei frito, pouca gente fala inglês ou francês, a segunda língua aqui é o alemão.
09.11.01 - Dia de sol e frio em Praga. Demos um pulo na agência da Alitalia para confirmarmos as passagens. Beatriz segue para Budapeste às dez horas, devendo estar no aeroporto às oito. Eu vou mesmo para Roma, no voo marcado para bem mais tarde. Sairei do hotel depois da Beatriz, me virarei sozinho, levando minhas duas malas e a mala maior da Beatriz. Será uma odisseia, mas tudo bem.
Tomamos um táxi por três horas, 1.500 coroas, e fui rever a velha sinagoga, o cemitério antigo dos judeus, com suas pedras desalinhadas. Entre as vítimas tchecas do Holocausto, cujos nomes estão gravados nas paredes da sinagoga, encontrei um certo Bloch, Adolf, nascido em 1862.
Não pode ser o mesmo que conheci, era de 1908 e se chamava Abracha, nasceu na Ucrânia. Também mandei um postal para ele, que morreu seis anos atrás. Como no caso do Carpeaux, transfiro o problema para o correio. Quando chegar em Roma, mandarei um postal para mim mesmo, em Praga. Como endereço, botarei a rua em que Kafka morava.

MÔNICA BERGAMO


A LISTA DE HADDAD
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, deve anunciar, na próxima semana, o nome de seis secretários de sua equipe.
SURPRESA
Haddad mantém discrição em relação aos escolhidos porque muitos convites nem sequer foram formalizados. A interlocutores próximos, diz que vai "surpreender", com pessoas inclusive alheias ao universo da política tradicional.
CHAVE
As primeiras definições serão sobre as seis secretarias consideradas "meio" -aquelas que viabilizam o governo, no entendimento do prefeito. São elas Governo, Finanças, Planejamento, Relações Institucionais, Desenvolvimento Urbano e Negócios Jurídicos.
TUDO PELO SOCIAL
Só depois dessas escolhas ele deve fazer os convites para outras quatro áreas.
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Entre as próximas estão Educação e Saúde.
ESCOLA LULA
Interlocutores do prefeito eleito dizem que ele considera o modelo do segundo mandato do presidente Lula o ideal para a administração. Naquele período, além de fortalecer Dilma Rousseff na Casa Civil e Guido Mantega na Fazenda, o então presidente teve pessoas de sua cota pessoal também em áreas estratégicas -como o próprio Haddad na Educação.
TERRA ARRASADA
O acervo de Laurie Anderson foi destruído durante inundação causada pela passagem do furacão Sandy por Nova York. O material estava no escritório da cantora e artista americana, que fica em Tribeca. O prédio, na beira do rio Hudson, foi inundado, levando junto as obras que estavam sendo selecionadas para uma mostra itinerante na Europa.
TERRA ARRASADA 2
Entre as perdas, obras reunidas pelo curador Marcello Dantas para retrospectiva da artista no Brasil no ano passado no CCBB. "Acabamos sendo o único país do mundo a ver o acervo dela completo", lamenta Dantas. Um dos destaques da mostra "Eu em Tu" (I in You) foi a obra "Handphone Table", com histórias contadas por vibração sonora da voz de Laurie.
BAIÃO DE DOIS
Eduardo Knapp/Folhapress
A atriz Bruna Linzmeyer, 19, será a protagonista de "Celulares", segundo longa de Jeferson De, 44, diretor de "Bróder"; o filme será rodado em 2013 em Florianópolis e terá participação especial de Daniel Filho
DOIS CONTOS
A dermatologista Ligia Kogos, a atriz e cantora Mayana Moura e o músico Otto foram à livraria Cultura da avenida Paulista anteontem. Lá, a cantora Marina Lima autografou seu livro de crônicas e Claudia Matarazzo lançou um guia narrando gafes de etiqueta na política.
PRENDADOS E EMPREENDIDOS
O 8º Prêmio Empreendedor Social e o 4º Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro foram entregues anteontem no Masp. Sheila Pimentel, do Instituto Humanitare, e Erika Zanotti foram à cerimônia, da qual saíram vencedores a educadora Cybele Oliveira e o sociólogo Fernando Botelho.
EXPLODE CORAÇÃO
Dilma Rousseff enviou telegrama a Breno Silveira, diretor de "Gonzaga - de Pai pra Filho". Cumprimentou o cineasta pelo filme sobre o Rei do Baião e seu filho Gonzaguinha: "Nossos 'Gonzagas' devem estar orgulhosos. Esteja certo de que o sucesso dessa estória tão brasileira contagiará o mundo com esses nossos talentos". O filme já fez 600 mil espectadores.
TURNÊ
A família de Hebe Camargo pretende transformar a exposição sobre objetos pessoais da apresentadora numa mostra itinerante.
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Seriam fotos, filmes, livros e CDs que percorreriam todo o país.
MORADOR DE ÁRVORE
Um morador de rua usou papelão e sacos de lixo para fazer uma casa na árvore no canteiro central da avenida 23 de Maio, no centro de SP. "É para não ficar perto de quem usa droga", diz ele, que se identifica apenas como Theodoro.
ESCOLA DO ROCK
A banda americana Kiss pediu para ter em seus camarins durante a turnê brasileira diversos tipos de água, sucos e energéticos, uma garrafa de vodca e duas de vinho. Também querem um closet só para os figurinos e uma sala de maquiagem -os roqueiros se apresentam com os rostos pintados. Para leitura exigem os jornais brasileiros e o "USA Today". Eles se apresentam no Anhembi, em São Paulo, no dia 17.
CURTO-CIRCUITO
A Trupe Chá de Boldo e o grupo Cérebro Eletrônico fazem show amanhã, às 21h, e domingo, às 18h, no Sesc Ipiranga. Classificação etária: dez anos.
André Sturm recebe convidados na vernissage da exposição "Arte Urbana no MIS - Projeto Keep Walking, Brazil", hoje, às 19h30, no MIS.
Laurita Mourão, Carol Reis, Marcela Cimino e Stephanie Kopenhagen comemoram aniversário, hoje, com festa na boate Provocateur. 18 anos.
A Festa de Rey acontece hoje com shows de Del Rey e Jorge Du Peixe, entre outros, às 22h, no Via Marquês. 18 anos.
O Aconchego Carioca de SP recebe hoje, das 15h às 17h, o mestre cervejeiro americano Garrett Oliver.

    Meu objetivo aqui é criar uma política de Estado para a cultura


    ENTREVISTA MARTA SUPLICY
    Meu objetivo aqui é criar uma política de Estado para a cultura
    Ministra aponta como prioridades de sua administração a revisão dos mecanismos de incentivo fiscal e da lei de direito autoral
    DOS ENVIADOS A BRASÍLIAAo longo de uma hora de entrevista concedida à Folha, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, se posicionou pela primeira vez sobre alguns de seus principais desafios à frente da pasta.
    Ela afirmou que avalia a possibilidade de criar um órgão de fiscalização para o Ecad (escritório que arrecada e distribui direitos autorais) e de retirar da alçada da Fundação Biblioteca Nacional as políticas públicas de livro e leitura -mudança feita na gestão de sua antecessora, Ana de Hollanda.
    Veja abaixo os principais trechos da entrevista.
    (FERNANDA MENA E MATHEUS MAGENTA)
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    Folha - Quais serão as prioridades de sua gestão?
    Marta Suplicy - Eu não tenho que marcar a minha gestão, mas sim a do governo Dilma. Eu vim para a pasta com o objetivo de criar uma política de Estado. Entre as prioridades estão aprovar as novas leis de incentivo fiscal [ProCultura] e de direitos autorais [no Congresso], além de aumentar a inclusão social via cultura.
    A sra. está satisfeita com o orçamento da pasta de R$ 2,9 bilhões, motivo de reclamação de sua antecessora? É preciso aumentar recursos?
    Nenhum gestor nunca pode estar satisfeito com o que ele tem para trabalhar. Você sempre quer mais. Houve um aumento de 63% do orçamento, mas é dinheiro carimbado [para a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e para o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Então, dizer que teve um aumento de orçamento que vai viabilizar muita coisa nova é difícil.
    O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), propõe a vinculação de verbas para a pasta da Cultura em São Paulo. Qual é a sua opinião sobre esse tipo de mecanismo?
    A tendência sempre é você engessar porque, para o gestor de um ministério, tornar obrigatório o investimento dá a certeza de que haverá recursos. A postura de quem está com a gestão total é de não engessar. Não serei eu a proponente disso à presidenta Dilma [Rousseff]. Acharia ótimo que fosse engessado, mas preciso fazer esse ministério acontecer com o dinheiro que tenho.
    O Fundo Social criado em 2010 para ser abastecido com recursos oriundos da exploração do pré-sal no país é alvo de disputa por diversas pastas do governo, como o Ministério da Educação. A Cultura está perdendo essa briga?
    Há tantas questões aqui para resolver... já estou até dando aula em algumas áreas, mas não tive tempo ainda de ver todas as questões do Congresso. Ainda não tem um ponto final. A Cultura ainda não se manifestou sobre essa briga.
    Seus antecessores, Gilberto Gil e Juca Ferreira, eram contra a manutenção de 100% de renúncia fiscal na reforma da Lei Rouanet. Queriam forçar as empresas a tirar dinheiro do bolso para os projetos. O que a sra. pensa sobre isso?
    Eu penso como eles. Por isso acredito que a solução à qual o Pedro Eugênio [deputado federal do PT-PE e um dos relatores da reforma da Lei Rouanet, em tramitação na Câmara] chegou foi a mais habilidosa. Ele está propondo que, para atingir os 100%, será preciso cumprir uma série de contrapartidas. Sempre preferiria o limite de 80%, mas não tenho a caneta na mão. Não dá para ter tudo no mundo.
    Com a reforma da Lei Rouanet, a sra. teme a migração de recursos para outras áreas, como o Esporte?
    Não tenho nenhum temor disso. Quem quer fazer uma marca com a cultura tem um perfil diferente de quem quer fazer isso com o esporte.
    Uma das primeiras medidas da sua gestão foi anunciar editais para criadores e produtores afrodescendentes. Cotas raciais, e não sociais, não promovem a discriminação?
    Não, de jeito nenhum. Sou absolutamente a favor das cotas raciais. Quando dizem que é racismo, não me incomoda e nem nunca me incomodou quando eu lutava pelos direitos das mulheres e dos gays.
    O relatório da CPI do Ecad no Senado, concluída neste ano, propôs a criação de um órgão federal para fiscalizar a atuação da instituição que arrecada e distribui direitos autorais. A sua antecessora era contra essa fiscalização. Qual é sua posição?
    Conversei com muitos setores da sociedade. A minha percepção é a de que o Ecad é um órgão que precisa existir e que tem uma autonomia que precisa ser preservada. Eles dizem que têm absoluta transparência. Ouvi o outro lado, que não está satisfeito com essa transparência. Então, estamos analisando a possibilidade de tornar o órgão mais transparente.
    Sem a necessidade de um órgão externo de fiscalização?
    Não, [a solução] pode ser [incrementar] a transparência com um órgão externo. Isso existe em todos os países do mundo e não muda absolutamente nada em relação à autonomia e à independência do órgão -e ainda responde ao clamor da sociedade.
    A Fundação Biblioteca Nacional concentrou, nos últimos anos, as políticas públicas de livro e leitura, ao mesmo tempo em que enfrentou problemas como vazamentos e deterioração do prédio da instituição, no Rio. Seria ela a instância adequada para a política do livro e da leitura?
    Não acho que seja. Estou estudando porque foi feito desse jeito e como ficaria se eu trouxesse a política do livro para Brasília. Ainda não tomei uma decisão sobre isso.
    Por que motivo Ana Paula Santana foi demitida da chefia da Secretaria do Audiovisual do ministério?
    Não tenho nada contra ela, mas eu queria um outro perfil para a secretaria. Ainda não decidi quem irá substitui-la.
    Diante da sua força política, a senhora cogita concorrer ao governo de São Paulo em 2014?
    Eu não sou candidata.

      A marca de Marta


      A marca de Marta
      Em sua primeira entrevista oficial, ministra fala à Folha sobre sua gestão, que pode dobrar impacto da renúncia fiscal sobre o orçamento
      Sergio Lima/Folhapress
      A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em seu gabinete, em Brasília
      A ministra da Cultura, Marta Suplicy, em seu gabinete, em Brasília

      FERNANDA MENAMATHEUS MAGENTAENVIADOS ESPECIAIS A BRASÍLIAApós pouco mais de 50 dias à frente do MinC, durante os quais a frase "estou estudando este assunto" foi resposta padrão para questões sobre temas espinhosos da pasta, Marta Suplicy mudou o discurso: "Já estou dando aula em algumas áreas por aqui".
      Apesar de dizer que não pretende deixar uma marca sua no MinC -"Fui chamada pela presidenta Dilma para criar uma política de Estado"-, Marta articulou uma agenda positiva que, nos últimos dois meses, movimentou o setor mais que sua antecessora em um ano inteiro.
      Propôs editais exclusivos para afrodescentes, acelerou a tramitação do Vale Cultura e promoveu a aprovação do Sistema Nacional de Cultura.
      Contradizendo o discurso antipersonalista, uma de suas primeiras medidas foi readequar o projeto das Praças dos Esportes e da Cultura para o conceito dos CEUs (Centros Educacionais Unificados), grife de sua gestão na Prefeitura de São Paulo.
      Com 360 unidades já licitadas no país, as Praças, parte do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), se chamarão CEUs das Artes. "Achei que o enfoque deveria ser outro. Serão grandes espaços em que pessoas de teatro, artes plásticas e música trabalharão juntas."
      Em sua primeira entrevista oficial como ministra, Marta levou respostas prontas para eventuais questionamentos sobre Kassab, mensalão e Ecad. E enumerou suas prioridades: "Passar as novas leis de incentivo fiscal [ProCultura] e de direitos autorais, aprovar o Vale Cultura e aumentar a inclusão social pela via cultural".
      Segundo a ministra, a proposta de reformulação da Lei Rouanet, que tramita na Câmara há mais de um ano, deve ser apresentada neste mês pelo deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do projeto na Comissão de Finanças e Tributação da Casa. "Fiquei com ele ontem até tarde discutindo o impacto [financeiro] do projeto, mas acho indelicado falar sobre isso sem ele aqui."
      Folha apurou que, se aprovada, a nova lei praticamente dobraria o impacto orçamentário atual, chegando a R$ 3 bilhões. O valor, segundo especialistas, não sofreria resistência na Fazenda. Com isso, o incremento de recursos destinados ao Fundo Nacional de Cultura aumentaria de R$ 256 milhões para R$ 800 milhões.