terça-feira, 13 de novembro de 2012

Busca pela mãe de protagonista dá o tom a nova fase de 'Revenge'


Sony estreia hoje segunda temporada de série norte-americana
DE SÃO PAULOChegado o verão, é hora dos endinheirados de "Revenge" se mudarem para os Hamptons, balneário de luxo próximo a Nova York.
É lá, entre uma festa e outra, que Emily (Emily VanCamp) segue obstinada em sua vingança.
Se no primeiro ano, a mocinha dúbia -com um quê de Nina, de "Avenida Brasil" (Globo)- só estava preocupada em honrar a morte do pai, na segunda ela centra seus esforços na busca pela mãe, que julgava estar morta.
Descobrir os motivos que levaram à separação das duas também é um dos objetivos da protagonista da série.
No episódio que abre a nova fase (se não quiser saber o que ocorre, pare de ler aqui), Charlotte (Christa B. Allen) é mantida numa clínica de desintoxicação pelo pai, que quer usar a herança dela para salvar a própria empresa.
Ela pede que Emily a ajude e acaba revelando que Victoria (Madeleine Stowe, indicada ao Globo de Ouro 2012 pelo papel) está viva.
Enquanto isso, Jack (Nick Wechsler) se esforça para conciliar o bar e a gravidez de Amanda (Margarita Levieva). (VITOR MORENO)
NA TV
Revenge
estreia da segunda temporada
QUANDO hoje, às 21h, no Sony; especial a partir das 19h
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

    Mônica Bergamo


    MÔNICA BERGAMO
    ROUPAS PARA GISELES GG
    Victoria Janashvili
    A modelo Fluvia Lacerda, 32, lança linha de roupas para mulheres de tamanho grande, como ela. "Não crio peças com intuito de emagrecer ou alongar a silhueta", diz.
    Apelidada de Gisele GG, Fluvia esteve em Roraima, onde morou antes de ir morar nos EUA. "Andei muito descalça."
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    O novo emprego não significa que ela vá se aposentar. "Mas tenho considerado novos caminhos."
    BOLA NA REDE
    Dirigentes de clubes procuraram Lula para amolecer o coração de Dilma Rousseff. Pediram que ele a convencesse a receber o presidente da CBF, José Maria Marin. A presidente, que sempre deu "gelo" em Ricardo Teixeira, ex-presidente da entidade, manteve a mesma linha com o sucessor.
    AGENDA
    Lula orientou Marin a enviar a Brasília pedido oficial de audiência com Dilma, diz cartola que é próximo dele. E afirmou que já estava tentando persuadir a presidente para que ela converse com os cartolas.
    SORRISO
    De acordo com interlocutor de Dilma, ela não quer "receber Marin por receber, só para tirar foto". Mas sim com pauta objetiva. E acha que, ao participar de eventos oficiais como o sorteio de grupos da Copa das Confederações e a inauguração do estádio do Castelão, no Ceará, já deixa explícito o apoio oficial à Copa de 2014.
    DO OUTRO LADO
    Cezar Peluso, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu a reabilitação de sua inscrição na OAB-SP. Aposentado em setembro, ele voltará a advogar.
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    No tribunal, no entanto, Peluso só poderá atuar diretamente em 2015, depois de cumprir quarentena de três anos. Antes disso, pode trabalhar como consultor.
    EMILIANO CARIOCA
    Previsto para ser inaugurado no final de 2015, o hotel Emiliano do Rio de Janeiro terá entre 80 e 95 quartos, 50% a mais que o de São Paulo. O empreendimento será erguido no terreno que pertencia ao Consulado da Áustria, na avenida Atlântica, em Copacabana.
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    O investimento é de R$ 100 milhões.
    A TURMA DO FIDEL
    Mais de cem fotografias feitas desde a Revolução Cubana até os dias atuais estarão expostas no Museu Nacional da República, em Brasília, na mostra "Cuba, Mucho Gusto". Muitas delas são de Alberto Korda, autor do famoso retrato de Che Guevara. A exposição, que mistura artes plásticas, cinema e fotografia, será inaugurada no dia 21 com a presença de 20 artistas cubanos.
    PARECE MAS NÃO É
    As pessoas que viram Jonas Bloch entrar em um hotel de SP na semana passada, em uma cadeira de rodas, ficaram assustadas. O ator estava fazendo laboratório, uma espécie de treinamento, para seu próximo personagem. Ele viverá Timóteo, um juiz cadeirante, no especial de fim de ano da Record "A Tragédia da Rua das Flores", de Eça de Queirós.
    ÍNDIO QUER PIPOCA
    Índios da tribo Guarani Tenondé Porã, em Parelheiros, zona sul de SP, fizeram um curta-metragem mostrando como é sua vida.
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    "Ojepota Regua" estreia no festival Entretodos, em 1º de dezembro, na Matilha Cultural.
    FORA DE TELETON
    O coral da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Casa Verde, que cantou com Silvio Santos no "Teleton" do SBT deste ano, quase ficou de fora do evento. O grupo diz ter recebido mensagem avisando que não tinha sido aprovado pelo comitê artístico, do qual faz parte Daniela Beiruty, filha de Silvio. Um dia depois, outra mensagem desmentia a primeira. "Foi determinação de Silvio", diz Itamar Oliveira, produtor do coral. O SBT não comenta.
    TUDO JOIA
    O cineasta Charly Braun colocou seu smoking para a festa de um ano do Cine Joia. Também vestiram "black tie" para ir à casa, na Liberdade, o compositor Antonio Pinto e as apresentadoras Renata Simões e Gaía.
    CURTO-CIRCUITO
    A grife Max Mara desfila coleção de alto verão no dia 23, no hotel Unique.
    Jessie Evans participa hoje de festa no Caos. 18.
    Isabel Humberg, Juliana Franco, Mariana Medeiros e Rosana Sperandéo comemoram indicação do OQVestir a um prêmio internacional, hoje, no Gero.
    Mario Beni, do Conselho das Entidades Nacionais do Turismo, dá palestra de abertura do Congresso de Turismo Cultural Lusófono, em Tomar (Portugal).
    com ELIANE TRINDADE (colaboração), ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

      Marcos Paulo se destacou como diretor parceiro e ator carismático - Ricardo Linhares


      MEMÓRIA
      Marcos Paulo se destacou como diretor parceiro e ator carismático
      Profissional foi apontado como sucessor de diretor de televisão Paulo Ubiratan (1947-98)
      Na novela 'Tieta', participação de Marcos Paulo foi aumentada graças ao charme que ele deu ao personagem
      RICARDO LINHARESESPECIAL PARA A FOLHASaudade. Vai deixar saudade. Quando eu comecei a escrever este texto, ao lado de saudade, a outra palavra que me ocorreu associada ao Marquinhos [o diretor Marcos Paulo, morto no domingo] foi confiança.
      Como estou sob a influência da vitória do Fluminense, vou usar o futebol como metáfora. Marcos dividia o jogo, passava a bola, recebia, trocava, corria junto para comemorar o gol.
      Estava sempre presente, nos bons momentos e também nas fases mais complicadas, que todos os trabalhos atravessam. Era um companheiro querido.
      Na última vez em que nos encontramos, ele me disse: "Ricardinho, vamos voltar a nos divertir".
      Nós estávamos planejando retomar a nossa parceria. Por diversão, ele se referia a um estilo de novela que marcou a nossa trajetória profissional, iniciada em "Tieta" (1989), adaptação da obra do escritor Jorge Amado escrita por Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e por mim, com a direção-geral de Paulo Ubiratan.
      Marcos fazia o jovem Arturzinho da Tapitanga, um dos vilões, filho do coronel, interpretado com o brilhantismo habitual por Ary Fontoura.
      O personagem não tinha destaque no livro, mas cresceu na adaptação, graças ao charme que ele deu ao tipo.
      Ao lado de Daniel Filho, Ubiratan foi outra grande influência profissional no início da sua carreira de diretor.
      Ele foi um dos grandes diretores da TV brasileira, que até hoje, infelizmente, não recebeu o devido reconhecimento. Quando morreu, Marquinhos foi apontado naturalmente como seu sucessor por ter semelhanças de temperamento e visão do ofício.
      A partir de "Tieta", e com Paulo Ubiratan na direção e Aguinaldo Silva no texto, nós realizamos diversos trabalhos de grande sucesso, entre eles "A Indomada "(1997).
      Com a morte de Ubiratan, Marquinhos assumiu a direção de "Meu Bem Querer "(1998). E, em 2001, realizou "Porto dos Milagres".
      Nesse estilo de novela, um tom acima do naturalismo, com ironia e sátira política, ao lado de efeitos especiais e muitos furdunços na pracinha das fictícias cidades do interior que criávamos, Marcos Paulo estava em seu ambiente.
      Ele ria das maluquices que inventávamos, dava sugestões, acrescentava o seu molho. E, assim, apesar do trabalho incessantes, nós nos divertíamos.
      Há poucas coisas tão boas quanto rir junto das mesmas coisas com cumplicidade de amigo. Era o que estávamos planejando voltar a fazer. Marquinhos permanece no coração dos seus amigos e na sua obra. Saudade.
      RICARDO LINHARES, 50, é autor de novelas da Globo, como "Insensato Coração" (2011) e "Paraíso Tropical" (2007)

        João Pereira Coutinho


        O Evangelho Segundo Maria
        Não existe nada de mais trágico do que experimentar uma vez a morte e ser depois restituído à vida
        Todos conhecemos a história bíblica de Lázaro, o homem que Jesus ressuscitou dos mortos. O que não conhecemos é a vida que Lázaro teve depois.
        Como será regressar dos mortos? Como será ter o conhecimento do outro lado e voltar a cruzar o rio para o nosso lado? Será uma experiência que permite uma vida normal -e, sobretudo, uma nova morte normal?
        C.S. Lewis, o conhecido escritor e pregador cristão, escreveu em "A Grief Observed", diário de seu luto depois da morte da mulher, que Lázaro é uma figura imensamente trágica, cujo destino não devemos desejar a ninguém. Nem sequer aos que mais amamos.
        Porque não existe nada de mais trágico do que experimentar uma vez o ordálio aterrador da morte e ser depois restituído à vida para voltar a passar pela mesma experiência terminal. Morrer uma vez basta. Morrer duas vezes devasta.
        Lembrei Lázaro, e as palavras de C.S. Lewis sobre ele, ao ler o novo livro do romancista irlandês Colm Tóibín, "The Testament of Mary" (o testamento de Maria; Viking, 112 págs.), que tem sido tema de polêmica e debate no Reino Unido.
        A novela, como o título sugere, pretende ser o relato final de Maria, mãe de Jesus, sobre os acontecimentos que ficaram para trás. E, entre eles, está Lázaro: não apenas o milagre da sua ressurreição, mas o que sucedeu depois.
        São as melhores páginas do livro, porque Tóibín, retomando a ideia de C.S. Lewis, não nos apresenta uma criatura redimida e feliz. Pelo contrário: Lázaro é pintado com cores negras, fantasmagóricas -um espectro silencioso e sofredor, de quem todos se afastam como se fosse a peste.
        Isso, claro, se acreditarmos mesmo que aquele homem foi ressuscitado por Jesus. Eis a polêmica em torno do livro: Maria, na sua velhice, não acredita. Sim, existem relatos de relatos de relatos. Alguém testemunhou a cura de um cego, a caminhada de Jesus sobre as águas, a ressurreição de Lázaro e, evidentemente, a ressurreição do próprio Messias redentor.
        Só que, para Maria, Jesus não é o Messias. É apenas o seu filho muito amado -a criança que ela educou e viu crescer na banalidade dos dias; que acompanhava o pai ao Templo em pleno Sabbath; e que, mais tarde, se rodeara fatalmente por uma turba fanática ("marginais", como ela designa os apóstolos), congregando sobre si a histeria das massas e a pena pesada das autoridades romanas (e judaicas).
        Foi essa arrogante imprevidência -a imprevidência de quem se apresentara como o rei dos reis e filho de Deus- que condenara seu filho à morte, apesar das inúmeras tentativas da mãe para o resgatar de um caminho lúgubre.
        Mesmo a versão oficial da crucificação é desautorizada por Maria: ela esteve lá, no Gólgota desolado. Mas jamais recebera o corpo do filho depois de morto.
        Na verdade, Maria fugira antes, temendo pela sua própria vida, deixando para trás um filho agonizante. Essa fuga persegue a consciência da mãe até ao fim.
        Na literatura contemporânea, existem vários exemplos de literatura "blasfema" sobre os Evangelhos -do "Cristo Recrucificado", de Nikos Kazantzakis, ao célebre "Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago.
        Mas a força do livro de Colm Tóibín não está na atitude propositadamente "blasfema" e confrontacional. Está antes na profunda ambiguidade que o autor confere ao relato de Maria.
        Charlotte Moore, na revista "Spectator", resumiu o problema: o testamento de Maria, tal como escrito por Tóibín, desautoriza a construção de Jesus feita pelos seus apóstolos. Mas o escritor é audaz na forma como também desautoriza as palavras de Maria: ela é apresentada, repetidamente, como uma mulher envelhecida, amedrontada, confusa, sem o discernimento necessário para separar fatos de efabulações, fatos de fabricações.
        O relato de Maria é tão dúbio como os relatos que ela considera dúbios. Isso, que para alguns críticos constitui uma fraqueza narrativa, é na verdade a maior força -literária, teológica e obviamente sacrílega- do livro de Colm Tóibín: é preciso ser um escritor de excelência para infectar de dúvida todas as dúvidas de Maria.
        E, no final de seu relato, deixar o leitor, seja crente ou não crente, profundamente abalado. Um pequeno grande livro.
        jpcoutinho@folha.com.br