quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mônica Bergamo

Folha de São Paulo

J. R. Duran
CARIOCA A atriz italiana Monica Bellucci vai se mudar com o marido, Vincent Cassel, e as duas filhas para o Rio, onde 'tudo termina em poesia', diz ela à 'Vogue'; aos 48 anos, afirma: 'Ser mãe me ajudou a encarar uma realidade; perdemos a beleza biológica para ganharmos outras mais interessantes'
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NA PONTA DO LÁPIS
O prefeito eleito Fernando Haddad (PT-SP) já tem a primeira bomba de efeito retardado para desarmar: a falta de material escolar e de uniforme para alunos da rede municipal. E também um previsível atraso em parte dos kits que deveriam ser entregues aos estudantes na primeira semana de aula, em fevereiro.
ESQUADRO
A previsão da equipe do prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) é que só 60% dos alunos receberão o material no dia certo. Ainda assim, sem esquadro ou transferidor, que precisarão ser encomendados em licitação. Outros 40%, só em meados de março. Uniformes de inverno só serão entregues em abril.
AMPULHETA
O problema ocorre porque fornecedores da prefeitura não querem mais vender para a administração municipal. Novas licitações já deveriam estar encaminhadas, mas só agora estão sendo discutidas. As equipes de Kassab e Haddad estudam soluções emergenciais para minimizar o fato.
SOLA DO PÉ
Os tênis que são entregues às crianças, por exemplo, não foram ainda encomendados. Uma pesquisa de mercado feita pela prefeitura mostrou que os fornecedores credenciados pela administração cobrariam R$ 6 a mais por unidade do que os calçados à venda em lojas de SP. Multiplicado por 700 mil alunos, o prejuízo chegaria a R$ 4,2 milhões.
EM CASA
Ao contrário do divulgado, a ex-primeira-dama Marisa Letícia não acompanhou Lula no giro dele à Europa na semana passada.
EM CASA 2
Amigos do casal dizem que a anunciada integração de Marisa Letícia à comitiva de Lula seria excepcional.
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Ela não costuma acompanhar o marido nas viagens que ele tem feito depois que deixou a Presidência da República, em 2010.
COM QUE ROUPA
Para a diplomação de Haddad a prefeito, hoje, a primeira-dama Ana Estela contou com a consultoria de Marisa Carrião. "Ela vai optar entre três vestidos que já tinha no armário", explica a empresária, dona de uma multimarcas da qual a mulher do petista é cliente há vários anos. Entre as opções para a solenidade na Sala São Paulo estão um modelo da grife Linha Pura, outro da Controvento e um terceiro da Coven.
CONEXÃO CHINESA
Criador do espetáculo pirotécnico das cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada de Pequim, o chinês Cai Guo-Qiang inaugura em fevereiro, em Brasília, uma mostra individual. A exposição "Da Vincis do Povo" reúne robôs, aviões, submarinos e discos voadores artesanais criados por inventores do país asiático. Ela chega em São Paulo em abril.
REPOUSO
O artista plástico Gustavo Rosa passará seu aniversário, amanhã, em recuperação no hospital Albert Einstein, no Morumbi. Ele será operado pela equipe do cirurgião Antonio Luiz de Vasconcellos Macedo para retirar um pequeno tumor no pâncreas. Rosa teve de cancelar suas férias programadas para Miami, onde passaria o fim do ano.
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NATAL SERTANEJO
A apresentadora Xuxa participou do evento beneficente Natal do Bem, anteontem, no hotel Hyatt. A noite contou com shows de Paula Fernandes e de Leo, da dupla com Victor. A atriz Luiza Tomé, os empresários Marina Mantega, Daniela Zurita e Sérgio de Nadai circularam pela festa paulistana.
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CURTO-CIRCUITO
O livro "Entre o Céu e a Água", com projeto do arquiteto Marcos Boldarini para a região Cantinho do Céu, será lançado hoje, no Museu da Casa Brasileira.
Alexandra Farah lança seu novo site em almoço na casa de Patrícia Cavalcanti, no Morumbi, hoje.
A banda Calypso lança loja virtual com promoções para o Natal:www.lojadacalypso.com.br.
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    Sites oferecem 'vaquinha on-line' via leis de incentivo fiscal do país

    Folha de São Paulo

    Plataformas visam atrair para a Cultura parte de imposto devido
    DE SÃO PAULOO "crowdfunding", modelo de financiamento coletivo que se popularizou no Brasil no ano passado ao viabilizar projetos culturais via vaquinhas na internet, agora pega carona em leis de incentivo com renúncia fiscal.
    Se iniciativas como o Catarse (catarse.me) dependem de doações individuais, plataformas recém-criadas como Partio (partio.com.br), Quero Incentivar (queroincentivar.com.br) e Clique Incentivo (cliqueincentivo.com.br) miram parte dos impostos que seriam pagos, de todo modo, pelos contribuintes.
    "Os brasileiros ainda precisam aprender que, além de fazer doações, podem decidir o destino de parte dos impostos que pagam. E é na multidão que vemos a diferença que isso pode fazer", diz Carlos Gayotto, sócio do Partio.
    A Lei Rouanet, principal mecanismo de fomento à cultura do país, estabelece que pessoas físicas podem abater até 6% do Imposto de Renda devido. O ressarcimento do patrocínio ao contribuinte virá no ano seguinte, como restituição ou abatimento do valor do IR a ser pago.
    Ou seja, os potenciais patrocinadores têm até o dia 31 deste mês para que o incentivo possa ser usado na declaração do Imposto de Renda em 2013. Além de calculadoras, as plataformas também oferecem um catálogo de projetos a serem patrocinados.
    Pode-se, em poucos cliques, calcular o montante dedutível, escolher o projeto (shows, peças ou festivais, por exemplo), transferir o patrocínio e imprimir o recibo para a declaração do IR, no ano seguinte.
    "Às vezes, as pessoas até sabem que projeto querem apoiar, mas não como fazê-lo. Isso sem falar dos produtores culturais que não encontram patrocinadores", afirma Raquel Moirama, diretora-presidente do site Clique Incentivo.
    As plataformas, que se mantêm com a cobrança de um percentual do patrocínio obtido, funcionam como uma seção de classificados para patrocinadores e produtores inscritos nos sites em busca de dinheiro ou de facilidades para captar recursos.
    Hoje, os mecanismos de fomento à cultura esbarram em dois grandes obstáculos: a burocracia, que afasta pessoas físicas, e a falta de patrocinadores (grandes empresas, em sua maioria) interessados em apoiar projetos de pouca visibilidade ou temáticas controversas.
    No ano passado, o Ministério da Cultura autorizou 7.954 projetos a captarem, ao todo, R$ 5,5 bilhões via o mecanismo da Lei Rouanet.
    Mas os próprios dados da pasta mostram as dificuldades de captação: 3.715 projetos (46,7% do total) conseguiram patrocínio, e o total arrecadado atingiu R$ 1,3 bilhão (24,2% do autorizado).

      Marcelo Coelho

      Folha de São Paulo

      Orgulho corintiano
      Desse orgulho faz parte não a recusa à imagem de pobreza, mas sim a sua total apropriação
      ACHO QUE foi no ano passado. Imagens de um navio de cruzeiro ocupado por corintianos circularam pela internet.
      Escondendo a fileira branca dos camarotes, uma vasta faixa da Gaviões atestava o triunfo popular. Em volta da piscina, homens e mulheres que não eram da Ford Models se punham à vontade, numa completa indiferença pela própria estética corporal.
      Não me lembro se havia carvão e churrasquinho, mas a cerveja e o pagode corriam sem limites.
      Aquelas fotos valiam como uma espécie de teste para o inconsciente político de cada um. A reação, de simpatia ou de repulsa, talvez valesse como sinal das atitudes mais instintivas do espectador com relação à era Lula.
      Abuso, falta de senso, invasão, despreparo? O antilulismo pode ser, sem dúvida, a repugnância diante de uma "petralhada" que ocupa os espaços antes reservados às "pessoas de bem".
      Bem-estar, ascensão social, farra feliz? O cruzeiro corintiano seria exemplo dessa espécie de revolução benigna, desorganizada e imediata, garantida pela súbita melhoria dos padrões de vida experimentada nos últimos anos.
      Claro que isso corresponde apenas a uma parcela da história. Sabemos bem, ou pelo menos sabemos um pouco mais, o que se passava na cabine de comando do navio, enquanto o pagode e a cerveja entorpeciam os frequentadores do convés.
      Uma coisa não exclui a outra. Houve melhoria nos padrões de vida, enquanto os últimos padrões de ética política eram arremessados em alto-mar.
      Seja como for, outro tipo de imagem circula agora na internet, tendo novamente a torcida corintiana como personagem principal.
      Vi, por exemplo, a montagem de um falso avião, verdadeira sucata pintada de azul claro, com pilhas de caixotes, malas e trouxas amarradas ao teto.
      Era o "avião da torcida", preparando-se para partir no rumo do Japão. Outras fotos mostravam faixas corintianas, propositalmente escritas num português horrível e num inglês pior ainda, incentivando o Corinthians na batalha contra o "Chélssi".
      Os próprios corintianos, em suma, brincam com o estereótipo que cerca a torcida do time. Assim como as piadas contra o São Paulo associam -o que é clássico- um alto nível financeiro com baixo nível de masculinidade, a pecha de "ladrão" e "maloqueiro" é coisa com que todo corintiano está, de algum modo, forçado a conviver.
      Existe o "orgulho corintiano" assim como o "orgulho gay". E desse orgulho faz parte não a recusa à imagem de pobreza, mas sim a sua total apropriação. Na mesma linha, cresce o "orgulho zona leste".
      Sinal, acredito, de que não importa simplesmente a relativa melhora nos padrões de vida. O caminho da ascensão social, quando aberto apenas a uns poucos membros especialmente empreendedores, talentosos ou simplesmente sortudos da classe baixa, tende a trazer consigo a negação do passado periférico.
      No máximo, há a história edificante da infância pobre do grande empresário. O próprio Lula é um subcapítulo do gênero.
      A melhoria coletiva, por mais modesta que seja, tem outro efeito. Você sobe, mesmo ficando no mesmo lugar; a antiga favela se torna um bairro melhorzinho, especialmente se pacificado. A zona leste -uso o termo em sentido figurado- já não envergonha.
      E a pobreza real, embora persista, vai se transformando também em patrimônio simbólico, em fato de cultura. Chegará o dia, espero, em que as antigas favelas do Rio se tornarão algo como as aldeias medievais tão pitorescas que hoje se visitam no interior da Itália, sem memória do esgoto, da miséria e das facadas de séculos atrás.
      O corintiano postou, ele próprio, a foto do avião-favela parado na pista; sabe que, espremendo os gastos do cartão, pode embarcar para Tóquio. Lá ele se vira.
      Contam-se histórias de quem desceu em terras japonesas sem falar uma palavra de inglês, sem nenhuma informação sobre fuso horário nem endereço de hotel.
      Pode ser apenas uma lenda. A quantidade de corintianos que embarcou não se compunha, é claro, de pobres irremediáveis. Em qualquer time, seria fácil encontrar tipos sociais bem parecidos.
      A simbologia funciona, entretanto. Sem ser corintiano, só posso esperar que no Brasil de hoje estejam sendo comemoradas vitórias ainda mais significativas, e permanentes, do que a do título mundial conquistado pelo time.

      Modelo propõe que marcações no DNA levariam à homossexualidade

      Folha de São Paulo
      MARCO VARELLA

      COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

      Uma equipe de cientistas está propondo um novo modelo biológico para explicar a existência da homossexualidade usando a epigenética -ou seja, alterações na maneira como os genes são lidos, e não no próprio DNA.
      A proposta é que a homossexualidade seria consequência da transmissão, para os filhos, de marcadores responsáveis pela ativação de genes que direcionam o desenvolvimento sexual.
      O estudo teórico foi publicado neste mês na revista científica "The Quarterly Review of Biology". William Rice, da Universidade da Califórnia, é o autor principal.
      EPIGENÉTICA
      Os marcadores epigenéticos são moléculas que se ligam ao DNA, ajudando a ativar ou silenciar genes.
      Na maioria das vezes, essas marcas não passam de uma geração para outra, sendo apagadas e restabelecidas de outra maneira nos óvulos e espermatozoides.
      Editoria de Arte/Folhapress
      As marcas que aumentam a sensibilidade ao hormônio masculino testosterona na gestação garantem a masculinização de bebês meninos, enquanto as que diminuem a sensibilidade à testosterona "feminizam" as meninas (mulheres têm testosterona, pois ela também é produzida nas glândulas adrenais).
      Quando essas marcas não são apagadas em meninas, porém, elas dariam origem a filhas com tendências homossexuais. E, quando as marcas que diminuem a sensibilidade à testosterona passam para os filhos, dariam a eles mais tendências à homossexualidade.
      A simulação do modelo mostrou que isso pode se manter na população.
      Para Eduardo Gorab, geneticista do Instituto de Biociências da USP, "a novidade é que a proposta não se baseia em genética, como já foi feito, mas em fatores epigenéticos". "Como hipótese, não deixa de ser interessante."
      A proposta tenta explicar a prevalência da homossexualidade em 8% da população humana, predominantemente em famílias, bem como o fato de estudos genéticos não mostrarem uma explicação consistente para isso.
      No caso de gêmeos idênticos, nem sempre ambos são gays, embora eles compartilhem 100% de seus genes. Isso sugere um fator hereditário além da genética.
      O modelo prevê, por exemplo, que estudos epigenéticos vão mostrar diferenças significativas entre heterossexuais e homossexuais.
      Segundo Jaroslava Valentová, antropóloga do Centro de Estudos Teóricos da Universidade Karlova, na República Tcheca, e especialista em evolução da homossexualidade, o estudo apresenta uma "real alternativa para o desenvolvimento e a evolução" dessa orientação.
      PONTOS FRACOS
      Para Gorab, a proposta incorre em uma "generalização demasiado ampla sobre epigenética sem pistas concretas".
      Valentová aponta que "os autores não definiram precisamente a homossexualidade", misturando todos os não heterossexuais exclusivos, incluindo bissexuais.
      Ela ressalta que "os autores não mencionaram a diferença fundamental na orientação sexual masculina e feminina". A masculina tem mais fatores genéticos descritos e muda menos ao longo da vida do que a feminina.
      Valentová ainda diz que os autores consideram a orientação homossexual como necessariamente atrelada a traços atípicos de cada sexo.
      "Mas um terço dos homens homossexuais tem comportamento considerado masculino, e uma proporção ainda maior das lésbicas seria classificada como feminina."
      A busca por explicações biológicas para a homossexualidade, faz sentido porque formas de relacionamento entre membros do mesmo sexo são encontradas em quase todas as culturas estudadas, e estão presentes ainda em vários outros animais.