quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Melhor do dia na TV

FOLHA DE SÃO PAULO

Programa "Guerra de Entregas" ganha novo ano no canal A&E
A&E, 22h, classificação não informada. O programa "Guerra de Entregas" ganha uma segunda temporada no canal. Em uma economia em crise, pequenas transportadoras independentes descobriram que havia um nicho de mercado não explorado: o transporte de objetos gigantes, plantas carnívoras, animais e outras mercadorias inusitadas.
Centrado em cinco profissionais do ramo, o programa mostra os diferentes perfis desses motoristas, sua rotina, a rivalidade entre eles e as dificuldades que enfrentam para transportar suas cargas.
No primeiro episódio deste ano, uma motorista transporta 20 delicados pavões, que correm o risco de morrer durante o trajeto.
Oito casais disputam reality show do GNT
GNT, 20h, classificação não informada. As duplas são confinadas em uma casa em Búzios (RJ) para ter sua sintonia testada. O reality show "Detox do Amor" é apresentado por Betty Lago e Leo Jaime.
Segunda temporada de "Tabu" estreia hoje
NatGeo, 21h25, classificação não informada. Estreia hoje nova temporada da série "Tabu", que retrata coleções diferentes, fetiches, trabalhos repugnantes e pessoas com aparências diferentes.


CRÍTICA
Ícone francês é mostrado com inventividade em cinebiografia
THALES DE MENEZESEDITOR-ASSISTENTE DA “ILUSTRADA”Vale a pena ficar acordado até mais tarde para conferir uma das melhores biografias recentes do cinema.
Apesar do péssimo título em português, "Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres" (Telecine Cult, 1h40, 16 anos) captou com rara felicidade o espírito marginal de Serge Gainsbourg (1928-1991), ícone francês que foi cantor, compositor, ator, diretor e, principalmente, um grande conquistador.
O filme traz música, polêmicas e sua galeria de amores (Juliette Gréco, Brigitte Bardot e Jane Birkin, entre outras). Todas bem caracterizadas, assim como o protagonista, Eric Elmosnino.
Tem bons desempenhos e inventivas soluções visuais usando trechos de animação -o diretor Joann Sfar também é criador de HQs.

    Mônica Bergamo

    FOLHA DE SÃO PAULO

    ZÉ PRETINHO CHEGOU
    Fernando Young
    Pretinho da Serrinha e o Trio Preto +1 animarão os domingos do Rider Weekends, que vai dos dias 11 a 27 no Jockey do Rio; no primeiro show, participam Alcione, Marcelo D2 e Teresa Cristina
    BATTISTI PAULISTANO
    Cesare Battisti está morando em São Paulo há um mês. O italiano alugou um apartamento de 90 m² nos Jardins. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) serviu de "fiador moral" para o ex-ativista e conversou com a corretora de imóveis que queria referências sobre o inquilino. "Eu disse que o Cesare é correto e que saiu um livro agora, 'Os Cenários Ocultos do Caso Battisti', do Carlos Lungarzo, que mostra que ele é inocente nos assassinatos", afirma o senador.
    BATTISTI PAULISTANO 2
    Segundo Suplicy, Battisti está se instalando na capital paulista porque, em breve, deve assumir "algum compromisso profissional" na CUT (Central Única dos Trabalhadores). A assessoria da entidade diz desconhecer a informação.
    VIDA NOVA
    Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas em 1970. Foragido, ele acabou preso no Rio em 2007 e cumpriu quatro anos de pena em regime fechado no Brasil. Em 2010, teve o pedido de extradição negado como último ato do presidente Lula no cargo. Desde que o STF, em 2011, validou a decisão de não extraditá-lo, viveu como refugiado político em Cananeia (SP) e no Rio.
    ONDE ESTÁ?
    Uma das especulações que tem incomodado o secretário estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri, é a de que ele quer ser reitor da USP. O médico está satisfeito com o cargo que hoje ocupa e tem dito a interlocutores que não está fazendo nenhuma articulação relativa à universidade.
    DEIXA EU FALAR
    Soninha Francine (PPS-SP) quer dar palestras sobre o funcionamento da Câmara dos Vereadores, para a qual se elegeu em 2004, quando era do PT (hoje desafeto). Cobraria para falar a "empresas e sindicatos". Pretende "bater na porta de possíveis patrocinadores e ficar de olho em editais de fomento". Na segunda, ela falará "de graça" a assessores do vereador Ricardo Young (PPS-SP).
    CRIANÇADA
    Ideia que surgiu no Ano-Novo de Soninha: escrever livros infantis sobre política. "Não é legal?" Enquanto os planos não andam, ela é "internauta e dona de casa".
    PROVA DOS NOVE
    O atestado de presença fornecido pela Fuvest tem causado desconfiança nas empresas que dispensam funcionários para as provas da segunda fase do vestibular. Os vestibulandos recebem um documento sem timbre. Na segunda-feira, um grupo de alunos se queixava na Uninove da Barra Funda. Ouviam como resposta que quem quisesse documento "mais timbrado" deveria ir até a sede, ao lado da Cidade Universitária.
    PRA GRINGO
    Bibi Ferreira se apresenta em 14 de abril no Lincoln Center. Leva a Nova York o espetáculo "Bibi in Concert", previsto para chegar aos Estados Unidos no ano passado. No show, ela canta sucessos da Broadway, ao lado de canções de Edith Piaf, Amália Rodrigues e Tom Jobim.
    EX-ÁRVORE AZUL
    O hotel Blue Tree Premium da região da av. Engenheiro Luis Carlos Berrini mudará de nome e de bandeira. A partir de 21 de fevereiro, será administrado pela GJP, empresa de Guilherme Paulus, fundador da CVC.
    DESCEU DO CAVALO
    A casa Outlaws, de que Luan Santana é sócio, deixará de ser somente sertaneja. Em 2013, passa a dedicar as noites de quinta e de domingo para shows de música pop.
    PEDRAS ROLARAM
    Joonior Joe, vocalista da banda Viva a Noite, foi à festa On the Rocks, do clube D-Edge. Estavam na pista, embalada a rock'n'roll, o chef Ortiz Maldonado e as empresárias Daniele Pinesi e Claudia Quezada. A hostess Lekka Glam recebeu convidados da balada de anteontem, como o artista plástico Theo Castilho.
    CURTO-CIRCUITO
    A festa Tô que Tô, de música brasileira, estreia no dia 24 no Centro Cultural Rio Verde. Terá como DJs Zé Pedro, Marcus Preto e Cris Naumovs. A VJ será Dandara Ferreira. 18 anos.
    Vai até sábado a Mostra Internacional de Cinema Digital, no Centro Cultural São Paulo.
    A Huis Clos faz liquidação até fevereiro.
    A peça "Amor de Mãe - Parte 13", com Lulu Pavarin e Rodrigo Audi, começa temporada amanhã, no Sesc Consolação. 14 anos.
    Gilberto Lanzelotti comemora 50 anos no show do The Platters, amanhã, no Biroska.
    A casa noturna Disco reabre na sexta, com os DJs Marcelo Sá, Cris Proença e Ale Rauen, entre outros.
    com ELIANE TRINDADE (colaboração), LÍGIA MESQUITA (interina), ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e CHICO FELITTI

      David Bowie lança single na web após dez anos em silêncio

      FOLHA DE SÃO PAULO

      Balada sobre a Berlim de meados dos anos 1970 foi divulgada ontem, dia do aniversário de 66 anos do cantor
      Divulgação
      À esq., a capa do disco "Heroes" (1977), qu serviu de referência para a de "The Next Day" (2013)
      À esq., a capa do disco "Heroes" (1977), qu serviu de referência para a de "The Next Day" (2013)
      Com o título "Where Are We Now?", música está no repertório do álbum "The Next Day", a ser lançado em março
      DE SÃO PAULODavid Bowie quebrou uma década de silêncio ontem.
      No dia em que completou 66 anos, o cantor britânico presenteou os fãs com o single "Where Are We Now?", balada nostálgica que traz reminiscências do período de três anos em que ele viveu em Berlim, a partir de 1976.
      Junto com o single, Bowie anunciou seu próximo álbum, "The Next Day", a ser lançado em março. É o 30º de sua carreira, produzido pelo seu habitual colaborador Tony Visconti. Seu último CD, "Reality", é de 2003.
      Na nova canção -à venda no iTunes e cujo clipe está no site www.davidbowie.com- a capital alemã metaforiza a passagem do tempo.
      Há, logo nas primeiras estrofes, a referência à estação de trem em Potzdamer Platz, e depois uma sucessão de paisagens relacionadas à memória afetiva de Bowie.
      Foi em Berlim que, embebido pelo minimalismo eletrônico e pela inspiradora parceria com Brian Eno, ele compôs álbuns antológicos, como "Low" e "Heroes".
      E das memórias desencadeadas pela canção salta também a imagem de um homem que se percebe como sujeito "perdido no tempo".
      Bowie canta: "Sitting in the Dschungel/on Nurnberger strasse/a man lost in time" ("sentado na Dschungel/na rua Nurnberger/um homem perdido no tempo").
      Traduzido para o português, "dschungel" significa "selva", mas foi também uma casa noturna frequentada pelo cantor, que cita ainda a loja de departamento KaDeWe.
      No clipe, assinado pelo videoartista Tony Oursler (leia abaixo), Berlim aparece ainda em imagens projetadas ao fundo de um ateliê.
      Veja clipe do single
      folha.com/no1211591

        Marcelo Coelho

        FOLHA DE SÃO PAULO

        Medinho à moda antiga
        O horror se vê superado pelo grotesco, o que não deixa de ser uma vacina psicológica
        Acho que a primeira cena realmente horrível (açougue, sangreira) que vi no cinema foi em 1982. O filme até que era bom: "A Marca da Pantera", de Paul Schrader, com Nastassja Kinski -um remake do clássico em preto e branco de Jacques Tourneur, sobre o qual falarei depois.
        Um sujeito se aproxima da jaula da tal pantera, e, zás! Volta com um toco em vez do braço. Vemos o sangue, os tendões e um osso aparecendo, depois do ataque traiçoeiro do felino.
        Lembro-me de ter pensado, há 30 anos, no destino que me esperava como espectador de cinema. Era, de fato, só o começo.
        Por maior que tenha sido a evolução dos costumes nas últimas décadas, cenas de sexo só são tão explícitas assim no cinema pornográfico. Já a explicitude da violência está em toda parte.
        Está em "O Hobbit", por exemplo. Tenho tido bastante tolerância, por razões familiares, com filmes infantojuvenis. De "Alvin e os Esquilos" a "Piratas do Caribe", assisti a muita coisa nos últimos anos, sem desgostar em princípio de quase nada.
        "O Hobbit" talvez tenha marcado meu ponto de saturação. É longo demais, violento demais, chato demais, com todas aquelas referências a um suposto universo mítico de orcs, greeks, crocs, blips e não sei mais que tipo de entidades, tão artificialmente (pelo que vi no filme) produzidos pelo autor da saga, J. R. R. Tolkien.
        Tudo já é feito para consumo dos fãs, e quem não está familiarizado com "O Senhor dos Anéis" e suas sequelas se vê arremessado a um mundo em que temas "arquetípicos", do tipo a busca, o herói, o dragão, o tesouro, parecem produzidos em laboratório.
        Seja como for, antigamente os monstros e maldades desse tipo de filme tendiam a provocar algum medo nas crianças. As cenas mais extremas de "O Hobbit" apontam, entretanto, para outra reação.
        Não se trata de imagens ameaçadoras, das que fariam parte dos piores pesadelos infantis. O medo é contrabalançado pelo que os monstros têm de repulsivo; sua feiura chega a ser cômica.
        Certo gnomo, dominando hostes infernais, surge com uma papada tão flácida que ficamos em dúvida se não é uma barba feita de pele pardacenta. Um bicharoco velhaco, meio lesma, meio lêmure, com vozinha de bruxa, suscita doses iguais de horror e de desprezo.
        A destruição de tais inimigos se torna menos uma questão de justiça que de higiene. Também na série dos "Piratas do Caribe", a tripulação de um navio fantasma era tão nojenta, com moreias saindo pelo nariz e cracas no pescoço, que seu potencial aterrorizante diminuía um bocado.
        O horror se vê superado pelo grotesco, o que não deixa de ser uma vacina psicológica. O medo de verdade, o medo real, fica assim reservado para outro tipo de cinema, e para outra faixa etária.
        Saíram em DVD alguns filmes do diretor Jacques Tourneur, entre eles "Sangue de Pantera" ("Cat People"), o clássico de 1942 que Paul Schrader iria refazer quarenta anos depois.
        Nessa história, assim como em "O Homem Leopardo", do ano seguinte, o que interessa é criar no espectador um outro tipo de medo. Ninguém fica muito impressionado com as estranhas maldições que ameaçam os personagens, e pouquíssimos momentos chegam perto da hipótese de um arrepio.
        Cria-se um medo, digamos, agradável, ou melhor, poético, nas cenas mais ameaçadoras de "Sangue de Pantera". Poucos diretores sabem interromper a música de fundo como Jacques Tourneur. À noite, ao longo de um muro branco, é o silêncio o que mais inquieta.
        A mocinha sente que está sendo seguida. Será por alguma pessoa, por bicho, ou por algo que não é deste mundo? Outro filme, a mesma situação. Ela está agora presa num cemitério; nada se passa, nada se vê. Apenas o galho de uma árvore se verga lentamente...
        Piscina. Noite. A luz se entretece na água em preto e branco. Você ouviu alguma coisa?
        Mulheres vitimadas ou possuídas por algum instinto predatório e sobrenatural esgueiram-se nesses filmes. Mesmo "Quando a Neve Voltar a Cair", drama antinazista bastante convencional que faz parte do pacote de DVDs, beldades delicadas (Tamara Toumanova, Maria Palmer) são vistas de longe, numa espécie de tocaia.
        Sexo e violência, como sempre. Mas na dosagem e nos filtros de uma coisa e outra está o segredo de todo o charme, humano ou felino, que Tourneur sabe transformar em cinema.
        coelhofsp@uol.com.br