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terça-feira, 16 de abril de 2013

Guilherme Arantes, idolatrado pela nova MPB, volta a gravar

folha de são paulo

"Condição Humana (Sobre o Tempo)" é o primeiro disco do artista após seis anos sem lançar inéditas Álbum tem coro que reúne, entre outros, Tiê, Kassin, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci e Thiago Pethit
LUCAS NOBILEDE SÃO PAULO
Prestes a completar seis décadas de vida (em julho), Guilherme Arantes teve de superar a concorrência até dele mesmo para, depois de seis anos sem um disco de inéditas, gravar "Condição Humana (Sobre o Tempo)", com lançamento previsto para o dia 7 de junho, no Rio.
"A gente compete até mesmo no sebo. Sou disputado, o pessoal tem meus discos de vinil. É engraçado: tantas décadas depois, o que as pessoas podem ainda esperar de você?", comenta o pianista, compositor e cantor.
O que o público poderia esperar talvez nem o próprio Arantes soubesse, mas ele tinha bem claro a sonoridade que buscaria para a concepção do disco que traz dez faixas autorais, a maioria versando sobre a relação do homem com o passar do tempo.
Nesta linha, estão canções como "Condição Humana", "Onde Estava Você" e "O Que Se Leva (Temor ao Tempo)", em que ele fala de sua tentativa de voltar a ser jovem e de retomar um frescor musical.
"Percebi que precisava retomar aquela sonoridade da virada dos anos 1970 para 1980, meter o braço no piano", diz o autor de clássicos como "Êxtase", "Aprendendo a Jogar" e "Planeta Água".
O tipo de sonoridade a que Arantes se refere diz respeito à sua ligação com o instrumento que o consagrou, um "piano de mão de pedreiro", como ele mesmo define, e que levou a comparações com nomes da geração atual.
"Por mais que eu tenha discípulos --me comparam com o Jeneci e com o Silva--, o som deles não lembra muito o meu. O Guilherme Arantes é meio tosco, um piano mais espalhafatoso, eu não sou tão contido e pós-moderno. O Silva não tem arroubos expressivos, que são uma marca da minha geração."
CORO AFIRMATIVO
Se, por um lado, Arantes não vê muitas semelhanças com seus discípulos do piano, por outro, ele se diz extremamente identificado com os ideais da nova geração.
Não à toa, duas faixas de seu novo álbum contaram com um coro de nomes como sua filha Marietta Vital e Kassin, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Laura Lavieri, Tiê, Thiago Pethit, Mariana Aydar, Duani, Curumin e Adriano Cintra, entre outros.
"A nova geração tem uma marca que eu admiro muito que é o idealismo, o amor à música", diz o compositor.
"Eles enxergam o pop star system' com olhos críticos. Têm vontade de estourar, mas ao mesmo tempo o mainstream' representa um mico, uma série de contrapartidas que eles não estão a fim de entrar. Eu entrei, nem sei como eu sobrevivi", diz Arantes.
FIM DO OSTRACISMO
A tábua de salvação de Guilherme Arantes nos tempos em que reinou a "música de computador", feita com o abuso de sintetizadores e teclados, foi justamente o piano. Nos anos 1980 e 1990, ele tentou escapar do estilo cantor romântico.
"Na década de 1980, um executivo da Sony dizia: Afasta Guilherme do piano, tiene que ser cantante romântico'. Eu não aceitava, estava ludibriando a indústria. Era o Projeto Julio Iglesias', que pegou Fabio Jr., Maurício Mattar e até o Paulo Ricardo", relembra o pianista.
O que ajudou o músico a sobreviver no mercado --em 2012 ele foi homenageado com o disco "A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes", pelo selo Joia Moderna-- foi também o fato de ele ter criado em 2005 sua própria gravadora, a Coaxo do Sapo.
"Foi um sonho e facilitou. Hoje, a música tem uma função utilitária. A época atual pede a festa, a balada, é um dos defeitos da modernidade, perde-se a reflexão."

domingo, 24 de março de 2013

Mostra que vem ao Brasil em 2014 explora impacto de David Bowie na cultura pop

folha de são paulo

GAÍA PASSARELLI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LONDRES

"David Bowie Is Everywhere" [David Bowie está em todo lugar] diz o Victoria & Albert Museum, de Londres, no anúncio da retrospectiva "David Bowie Is", aberta ao público na quinta com 40 mil ingressos vendidos antecipadamente --um recorde histórico dos museus britânicos.
A frase faz mais sentido do que nunca. Em 8 de janeiro deste ano, quando completou 66 anos, Bowie encerrou uma fase discreta lançando música inédita e anunciando o disco "The Next Day", o primeiro em dez anos.
"Timing" perfeito: o disco saiu no começo do mês, próximo da abertura da exposição que reúne fotos, figurinos, objetos e filmes com o cantor no prestigioso museu.

David Bowie

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Masayoshi Sukita
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Terno listrado, desenhado por Kansai Yamamoto, usado pelo cantor durante a turnê do disco "Aladdin Sane"
A mostra dimensiona o impacto dos 50 anos de carreira do artista, evitando seguir uma linha cronológica. A montagem dos ambientes ficou a cargo de uma companhia de produção com experiência em ópera e teatro, deixando no espectador um efeito marcante.
"Queríamos trazer a natureza inovadora de Bowie para o museu", explicou Victoria Broackes à Folha, que assina a curadoria da exposição com Geoffrey Marsh.
"Decidimos olhar para aspectos desconhecidos de Bowie, naquilo que o inspirava, em como ele criava e colaborava com algumas das pessoas mais criativas do mundo."
ARQUIVO B
O artista não participou de nenhuma etapa de montagem da exposição.
"Pessoalmente, imagino que teria sido um sonho realizado, mas creio que seria muito mais difícil mostrar a sua obra pelo nosso ponto de vista", pondera Victoria.
A mostra não seria possível sem o livre acesso ao David Bowie Archive, um arquivo com mais de 75 mil itens de memorabilia do cantor que fica em Nova York, onde Broackes e Marsh passaram semanas pesquisando e selecionando objetos.
Na opinião dela, os desenhos, os bilhetes e as letras escritas à mão em páginas de cadernos e guardados por Bowie estão entre os itens mais valiosos da exibição. Além dos "storyboards" do musical "Diamond Dogs", que ele finalizou em 1974, mas que nunca chegou a montar.
A peça deveria acompanhar o lançamento do disco de mesmo nome gravado naquele ano, em que Bowie, à época vivendo nos Estados Unidos, fez um mergulho na música soul. Entre outros projetos, Bowie estava decidido a filmar "1984", clássico do escritor britânico George Orwell (1903-1950).
"Ver que esse homem, que estava gravando um disco e se apresentando ao vivo todas as noites, criou personagens e desenhou à mão toda uma história é muito impressionante", diz a curadora.
RARIDADES
Um dos destaques da celebração "bowieana", que tem um ar quase religioso no Reino Unido, é a sala onde enormes telões exibem gravaçõesde shows consideradas perdidas ou até então inéditas, em geral dos anos 1970.
Estão lá imagens da despedida dos palcos, em Londres, de Ziggy Stardust, personagem [e alter ego de Bowie] criado por ele quando lançou o disco homônimo em 1972 --um divisor na sua carreira.
Além disso, há uma inspirada apresentação da canção "The Jean Genie", na BBC, e da pouco vista "Soul Tour", na Filadélfia, nos EUA.
A mostra ocupa duas galerias. A primeira é dedicada à formação e às influências (leia ao lado), a segunda, à vida dentro e fora dos palcos.
O retorno recente do cantor está representado pelos dois clipes lançados neste ano, "Where Are We Now" e "The Stars (Are Out Tonight)"; este último, em que contracena com a atriz Tilda Swinton, com quem compartilha impressionante semelhança física.
Aos fãs brasileiros, um alento: "David Bowie Is" chega em janeiro do ano que vem ao país com todos os itens expostos no Victoria & Albert para ocupar o Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
"Houve um recorde de manifestações do nosso público quando anunciamos a mostra no site do MIS", conta o diretor André Sturn, que acompanhou parte da montagem inglesa.
DAVID BOWIE IS
QUANDO até 11/8
ONDE Victoria & Albert Museum (Cromwell Road, London SW7 2RL); www.vam.ac.uk
QUANTO de £9 (R$ 27) a £15,50 (R$ 45)
CLASSIFICAÇÃO não informada
Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress
+ LIVRARIA

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

David Bowie lança single na web após dez anos em silêncio

FOLHA DE SÃO PAULO

Balada sobre a Berlim de meados dos anos 1970 foi divulgada ontem, dia do aniversário de 66 anos do cantor
Divulgação
À esq., a capa do disco "Heroes" (1977), qu serviu de referência para a de "The Next Day" (2013)
À esq., a capa do disco "Heroes" (1977), qu serviu de referência para a de "The Next Day" (2013)
Com o título "Where Are We Now?", música está no repertório do álbum "The Next Day", a ser lançado em março
DE SÃO PAULODavid Bowie quebrou uma década de silêncio ontem.
No dia em que completou 66 anos, o cantor britânico presenteou os fãs com o single "Where Are We Now?", balada nostálgica que traz reminiscências do período de três anos em que ele viveu em Berlim, a partir de 1976.
Junto com o single, Bowie anunciou seu próximo álbum, "The Next Day", a ser lançado em março. É o 30º de sua carreira, produzido pelo seu habitual colaborador Tony Visconti. Seu último CD, "Reality", é de 2003.
Na nova canção -à venda no iTunes e cujo clipe está no site www.davidbowie.com- a capital alemã metaforiza a passagem do tempo.
Há, logo nas primeiras estrofes, a referência à estação de trem em Potzdamer Platz, e depois uma sucessão de paisagens relacionadas à memória afetiva de Bowie.
Foi em Berlim que, embebido pelo minimalismo eletrônico e pela inspiradora parceria com Brian Eno, ele compôs álbuns antológicos, como "Low" e "Heroes".
E das memórias desencadeadas pela canção salta também a imagem de um homem que se percebe como sujeito "perdido no tempo".
Bowie canta: "Sitting in the Dschungel/on Nurnberger strasse/a man lost in time" ("sentado na Dschungel/na rua Nurnberger/um homem perdido no tempo").
Traduzido para o português, "dschungel" significa "selva", mas foi também uma casa noturna frequentada pelo cantor, que cita ainda a loja de departamento KaDeWe.
No clipe, assinado pelo videoartista Tony Oursler (leia abaixo), Berlim aparece ainda em imagens projetadas ao fundo de um ateliê.
Veja clipe do single
folha.com/no1211591