quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mônica Bergamo

FOLHA DE SÃO PAULO

BOTECO FRANCÊS
O chef Benny Novak e Renato Ades, do Ici Bistrô, se uniram à Cia. Tradicional de Comércio (Astor, Lanchonete da Cidade etc.), que tem entre os sócios Ricardo Garrido, para abrir neste mês o Ici Brasserie no shopping JK Iguatemi. "O maior elogio é gente que sai e fala: 'Nem parece que eu tava num shopping'", diz Garrido. "Queremos quebrar esse preconceito de que a gastronomia em shoppings tem que ser de comida rápida, sem muita qualidade."
PADRE NOSSO
Fábio Assunção e Maria Padilha estão no elenco de "País do Desejo", filme que teve pré-estreia anteontem, no shopping Cidade Jardim. Gabriel Braga Nunes, que também atua no filme de Paulo Caldas, foi à sessão do longa, em que Padilha é uma pianista e Assunção, um padre.
BRINCAR DE COMER
Mauricio de Sousa foi recebido na semana passada pelo governador Geraldo Alckmin, que deve decidir em breve se sanciona ou manda para a gaveta projeto de lei que proíbe a publicidade infantil para alimentos e bebidas pobres em nutrientes ou com alto teor de açúcar, de gordura saturada ou de sódio. "Todo mundo quer o bem para a criançada", diz o pai da Turma da Mônica, que enfeita produtos como macarrão instantâneo e bolachas.
BRINCAR DE COMER 2
"Minha preocupação é certo radicalismo, que prejudica a economia, a vontade e a liberdade das crianças", afirma o desenhista. Está também nas mãos de Alckmin um segundo projeto que proíbe redes de fast food de vender brinquedos com os lanches. Grupos como Idec, ProTeste, Rede Nutritodos e Rede Nossa SP são favoráveis à proibição.
PARQUE DO INTERIOR
Mauricio de Sousa diz que a conversa com o governador também englobou a cidade onde será construído novo complexo da Turma da Mônica. "O governador é entusiasta de um grande parque no centro do Estado de SP."
CHIQUE
Vendido ao Paris Saint-Germain por 43 milhões de euros, o atacante Lucas optou por morar em um condomínio de casas em Neuilly-sur-Seine, subúrbio elegante da capital francesa. "Está a 15 minutos da Champs-Elysées e a 25 do estádio Parc des Princes", diz Wagner Ribeiro, seu empresário. O jogador vive com os pais e a namorada. O ex-presidente Nicolas Sarkozy e Carla Bruni são vizinhos de bairro.
TUDO EM FAMÍLIA
Luara Russomanno, 25, filha de Celso Russomanno (PRB-SP), vai se casar em outubro com Bruno Queiroz, 22, na igreja São Francisco de Assis, na Vila Mariana. Estão juntos desde 2008. Ele é sócio do pai na The Original Cupcake e se filiou ao PTB -aliado do sogro na disputa pela Prefeitura de SP.
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A conta do casório será rateada entre as famílias "e inclusive os noivos", diz ela.
PEDE PARA ACESSAR
O novo site do Bope, lançado no sábado, registrava 28 mil acessos até a tarde de ontem. A seção mais visitada é a de cursos, voltada a PMs. Na grade curricular: vida na selva, explosivos e combate policial em áreas de alto risco. Para senhoras da comunidade, o batalhão dá aulas de ginástica. As alunas, de 46 a 76 anos, se tratam por números -01, 02, 03.
FUNK NA SAPUCAÍ
Os cantores Naldo e Preta Gil se apresentarão no camarote Brahma na Sapucaí, no Carnaval do Rio. O espaço também contará com DJs dos bailes Favorita e Charme.
QUE CARIMBA POSTAIS
Três mil envelopes brancos compõem o cenário do show em comemoração dos 350 anos dos Correios, amanhã, no mezanino do prédio da empresa no vale do Anhangabaú. Durante a apresentação dos 14 cantores -entre eles, Virgínia Rosa, Joyce e Zé Renato-, pedaços do cenário serão retirados por um ator vestido de carteiro, revelando artistas que estamparam selos.
NAS BANCAS
A próxima edição da revista inglesa "Gramophone" destaca o brasileiro Heitor Villa-Lobos como compositor do mês. A reportagem cita as gravações que a Osesp fez do autor, incluindo o registro integral de suas 11 sinfonias, que começou a ser lançado em 2012.
ENSAIO ABERTO
A peça "Ensaio", com Maria Helena Chira, estreou no teatro Geo, em Pinheiros. A atriz Chris Couto, o cineasta Fernando Meirelles, o apresentador Marcelo Tas e os músicos Patrícia Coelho e Marcelo Pelegrini foram à estreia, na sexta-feira.
CURTO-CIRCUITO
A festa "Las Locas Noches de Verano" acontece hoje, no Caravaggio. 18 anos.
Karina Kattan é a nova diretora de comunicação do grupo Fasano.
O festival Grito Rock acontece em fevereiro no Auditório Ibirapuera. Com Lobão, Scandurra, Wanderléa e Thiago Pethit.
com ELIANE TRINDADE (colaboração), LÍGIA MESQUITA (interina), ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e CHICO FELITTI

    Entrevista Luiz Fernando Veríssimo

    FOLHA DE SÃO PAULO

    "A morte é uma sacanagem, sou contra"
    Em recuperação após 24 dias internado, Luiz Fernando Verissimo fala de "vontade inconsciente de começar de novo"
    Escritor descreve delírios no hospital e diz que só voltará a tocar saxofone quando conseguir ficar em pé
    GIULIANA DE TOLEDOCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAHá pouco mais de um mês de volta à sua casa, em Porto Alegre, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo não se recuperou totalmente do período de 24 dias de internação hospitalar -metade dele na UTI- em função de uma gripe que evoluiu para um quadro de infecção generalizada em novembro de 2012.
    Do hospital, além da mobilidade prejudicada, ele trouxe lembranças de devaneios provocados pela medicação recebida.
    "Tenho quase certeza de que não dancei uma valsa com a enfermeira que me ajudou a sair da cama pela primeira vez", brinca.
    No início deste mês, Verissimo voltou a publicar suas crônicas (nos jornais "O Globo", "O Estado de S. Paulo" e outros pelo país). Faz tratamento intensivo de fisioterapia e espera pelo dia em possa voltar a tocar sax, instrumento que o acompanha desde a adolescência.
    Leia a entrevista que o escritor deu à Folha, por e-mail.
    Folha - Como está sendo o processo de recuperação? O sr. já recuperou a mobilidade ou ainda faz tratamento?
    Luis Fernando Verissimo - Faço fisioterapia quase todos os dias. Já reaprendi a levantar, andar e sentar. Correr na São Silvestre ainda vai levar algum tempo.
    Como tem sido sua rotina desde então?
    A maior mudança foi do computador, que trouxeram para a parte de cima. Assim eu não preciso descer a escada para a toca no porão [como chama o escritório no subsolo de sua casa] onde normalmente trabalho.
    Existe algo de que o sr. esteja privado a contragosto depois desse susto?
    As privações são mais decorrentes da diabetes, não têm nada a ver com o ataque viral. Pudim de laranja, nunca mais.
    O sr. já voltou a tocar sax?
    Ainda não peguei o sax, mas acho que o fôlego não vai faltar. Os pulmões estão bem. É só eu conseguir ficar de pé.
    A doença afetou a sua percepção sobre a vida? Em reportagem da Folha de novembro de 2011, o sr. disse que a morte é "uma injustiça". Segue sendo essa a sua visão?
    A morte é uma sacanagem. Sou cada vez mais contra.
    Além dos delírios descritos na primeira crônica após a alta ("Desmoronando"), teve outros durante a internação? Foram sempre angustiantes?
    O problema é que eu não conseguia distinguir alucinação de realidade. Ouvia conspirações à minha volta, meu espírito, ou coisa parecida, andou até em Pelotas, que fica a 200 quilômetros de Porto Alegre, e tenho quase certeza de que não dancei uma valsa com a enfermeira que me ajudou a sair da cama pela primeira vez, na UTI.
    O sr. pretende contar mais sobre esse período de internação nos seus textos?
    Não. Mas, estranhamente, comecei a apelar para reminiscências quando recomecei a escrever. Talvez por uma vontade inconsciente de começar de novo, do passado.
    Sentiu alguma dificuldade especial para voltar a escrever?
    Dificuldade, exatamente, não. Mas não vou dizer que fazer crônica é como andar de bicicleta, a gente não desaprende. A analogia é boba. Nem andar de bicicleta é como andar de bicicleta. Sempre é preciso recuperar o equilíbrio.
    Em dezembro, o seu livro "Jazz" saiu apenas em versão digital pela editora Objetiva. Em 2011, o sr. disse que o livro eletrônico "não é nada do que a gente gosta num livro", porque lhe falta calor humano. O sr. gostou do resultado da publicação? Já adotou a leitura em dispositivos eletrônicos?
    Ainda não aderi ao e-book, se é assim que se chama, e confesso que nem sabia que o "Jazz" eletrônico já tinha sido publicado. Mas não sou um bom exemplo. Ainda não aderi nem ao celular.
    Há previsão de lançamentos para este ano?
    A Objetiva quer republicar "A Mancha" [conto sobre a ditadura militar brasileira], que saiu há algum tempo pela Companhia das Letras com textos sobre o mesmo tema do Moacyr Scliar, do Zuenir Ventura e do [Carlos Heitor] Cony. A ideia é relançar "A Mancha" com mais três ou quatro contos meus. Ainda neste ano. Os contos adicionais são tão inéditos que ainda não foram escritos. Não tratarão do mesmo tema de "A Mancha". Ou tratarão, não sei. Talvez um deles seja uma espécie de paródia do "Lolita" do [Vladimir] Nabokov. Veremos.

      Contardo Calligaris

      FOLHA DE SÃO PAULO

      Atores famosos no palco
      Uma caraterística da telenovela talvez produza atores sempre atentos ao retorno da platéia
      Passei um mês em Nova York -escrevendo, lendo e frequentando teatros, cinemas e galerias. Aproveitei para ver ao vivo alguns atores de cinema ou de televisão. Por que eu não estaria a fim de "conhecer os corpos" de atores que dão vida a ficções que me tocam?
      No teatro, nunca desdenho uma primeira fileira, de onde é fácil ouvir a respiração e enxergar as gotas de suor e de saliva que constituem, para mim, o charme da presença material, física do ator.
      Vi Jessica Chastain (a imperdível protagonista de "A Hora Mais Escura", de Kathryn Bigelow, que estreará em 15 de fevereiro), David Strathairn e Dan Stevens (o Matthew Crawley de "Downton Abbey" -agora no GNT), todos em "The Heiress" ("A Herdeira"), de R. e A. Goetz, no Walter Kerr Theatre. E vi Scarlett Johansson em "Cat on a Hot Tin Roof" ("Gata em Teto de Zinco Quente"), de Tennessee Williams, no Richard Rodgers Theatre.
      Ao entrarem no palco, os atores eram recebidos por aplausos que sustavam a ação: afinal, o público estava lá para vê-los. Mas, fora essas breves suspensões, todos eles seguiam o que é hoje um padrão de atuação: uma sólida quarta parede. Explico.
      No teatro, o palco é delimitado por três paredes, a quarta sendo a que está faltando, de modo que a plateia possa enxergar a ação. Os atores podem aproveitar dessa abertura para interagir com o público (lembrando assim a todos que se trata de uma peça) ou, no extremo oposto, agir como se eles estivessem sozinhos, entre quatro paredes.
      Hoje, em regra, o ator (ainda mais se for de cinema) tende a atuar assim, entre quatro paredes, como se não houvesse câmera nem plateia. A ponto que uma cumplicidade com o público parece intencional -um jeito de transgredir o padrão dominante, de nos fazer rir ou de nos distanciar da história representada.
      A experiência foi diferente quando fui ver Al Pacino em "Glengarry Glen Ross", de David Mamet, no Schoenfeld Theatre. Aqui, a atuação de Al Pacino era um grande aparte endereçado ao público. Mesmo nos diálogos com os outros atores, ele olhava e falava para nós.
      Não vou me queixar de que, num diálogo comigo (e 800 outros, claro), ele usasse as manhas de Michael Corleone, Frank ("Perfume de Mulher") ou Lefty ("Donnie Brasco"). Afinal, eu estava lá para isso, não é?
      No Brasil, também, já vi atores famosos do cinema e da televisão atuando no teatro. Nunca vi um deles dar uma de Al Pacino e quebrar a quarta parede para oferecer ao público um banho de presença estrelada.
      Em compensação, fico quase sempre com a impressão de que, no Brasil, os atores mantêm uma conexão com a plateia que abre uma fresta na famosa quarta parede.
      É óbvio que não estou me referindo a peças nas quais, de maneira intencional, os atores interagem com a plateia como se não houvesse quarta parede. É óbvio também que não estou falando de rupturas escrachadas da quarta parede, como, sei lá, apartes ou piscadinhas engraçadas para o público.
      Ao contrário, gostaria de descrever (mas não consigo) uma impressão sutil de que os atores, aqui no Brasil, atuam PARA mim. Ou seja, que a presença da plateia pesa no que acontece no palco.
      Se essa minha impressão capta alguma realidade, qual seria uma origem possível do fenômeno? É difícil superestimar a importância da telenovela na cultura nacional (e, por consequência, na formação dos atores). Ora, há uma especificidade da novela que dota a quarta parede de uma leve, mas constante transparência. Qual?
      A novela é escrita enquanto está sendo gravada e vai ao ar -ela é um pouco herdeira da "commedia dell'arte", uma gloriosa forma de teatro em que os atores improvisavam a partir de uma sinopse.
      A primeira consequência disso é que, na novela, como em nenhum outro gênero, a relevância de um personagem e seu destino na história podem depender da recepção que o público lhe reserva.
      O ator sabe que, se seu personagem conquistar o público (pelo bem ou pelo mal), ele ganhará relevância nos capítulos seguintes (um personagem pode ser secundário na sinopse e se tornar central ao longo da novela). Ou seja, o caráter inacabado do texto impõe ao ator uma tarefa que corrói a opacidade da quarta parede: a tarefa de ser especialmente apreciado (gostado ou odiado, tanto faz).
      Em suma, talvez a telenovela, por sua relevância e por essa sua caraterística, produza, entre nós, atores particularmente atentos ao retorno da plateia. Não sei se é um bem ou um mal.
      ccalligari@uol.com.br
      @ccalligaris

        'Primo' da Flip, festival literário Hay Cartagena tem 2 Nobel

        FOLHA DE SÃO PAULO


        CASSIANO ELEK MACHADO

        DE SÃO PAULO
        Todo ano, durante quatro dias, uma bonita cidade colonial latino-americana à beira mar é tomada por alguns dos melhores escritores do mundo, que se reúnem nela para participarem de um importante festival literário.
        O script soa familiar para frequentadores de uma determinada celebração anual da literatura em Paraty (RJ).
        Mas o festival em questão é o Hay Festival Cartagena, uma espécie de primo em primeiro grau da brasileira Flip.
        Um pouco mais jovem do que a festa paratiense, o HFC começa nesta quinta-feira (24) sua oitava edição (a Flip comemorou dez anos em 2012).
        Pela primeira vez, o evento colombiano receberá dois vencedores do Prêmio Nobel de Literatura, o peruano Mario Vargas Llosa, 76, e a romena-alemã Herta Müller, 59.
        Além deles, o evento terá outros 130 convidados, que participarão de 80 atividades.
        O elenco poderia ser chamado de hollywoodiano, se na literatura houvesse uma Hollywood.
        Entre os nomes consagrados, estarão na Colômbia o britânico Julian Barnes, o israelense David Grossman, o espanhol Javier Cercas e o irlandês Colum McCann.
        Grandes figuras do jornalismo (o americano David Remnick), da gastronomia (o peruano Gastón Acurio) e dos quadrinhos (o alemão Peter Kuper) também compõem o programa, que tem orçamento acima de US$ 1 milhão (R$ 2 milhões) e, no ano passado, recebeu 40 mil pessoas.
        "Nós mesmos estamos encantados com a programação deste ano", diz Cristina Fuentes La Roche, diretora do Hay Festival Cartagena desde sua primeira edição. "Não sei como farei, porque quero ir a todos os debates."
        Editoria de Arte/Folhapress
        A inquietação da curadora se explica pelo fato de que, enquanto em Paraty existe uma programação principal clara, sem sobreposição de eventos de destaque, em Cartagena ocorrem debates importantes simultâneos.
        Do ponto de vista da estrutura do festival, a grande novidade este ano do HFC é o maior engajamento social, com a realização de um novo programa voltado para estudantes, o Hay Joven, e outro sobre ambiente e sustentabilidade, o Hay Verde.
        O Brasil também estará presente no evento, que é subsidiário do maior festival do gênero, o Hay Festival de Hay-on-Wye, no País de Gales, criado há 25 anos e que ajudou a inspirar a Flip.
        Amanhã, o fotógrafo Maurício Lima participa de debate sobre fotojornalismo. O escritor João Paulo Cuenca integra uma mesa com autores latino-americanos e uma leitura coletiva de obras favoritas, ambos no domingo. "É o festival a que fui que mais lembra Paraty", diz Cuenca, que esteve no evento em 2008.