quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Televisão - Keila Jimenez

folha de são paulo

"BBB 13" tem o triplo de merchandising do "BBB 12"
Cansado das edições anuais do "Big Brother Brasil"? Se a longevidade do reality show for condicionada ao seu faturamento, o formato terá vida longa na Globo.
Apesar de seguir a tendência de queda de audiência vista a cada edição, o "BBB 13" já contabilizou o triplo de ações de merchandising em comparação ao "BBB 12".
Segundo a Controle da Concorrência, empresa que monitora inserções comerciais para o mercado, do dia 8 de janeiro (data de estreia) ao dia 3 de fevereiro, o "BBB 13" exibiu merchandising 309 vezes, ante 106 do "BBB 12" no mesmo período.
Há quase um mês no ar, a nova edição da atração já tem 11 anunciantes diferentes apostando nesse tipo de ação. No mesmo período, nove anunciantes fizeram merchandising no "BBB 12".
Entre as marcas presentes nas duas edições estão: Ambev, Fiat, Carrefour e Unilever.
Mas ter o pote de margarina no café da manhã do confinamento, em rede nacional, não sai barato.
Uma única ação de merchandising dentro casa do "BBB" custa em média R$ 3 milhões.
É por essas ações e milionários patrocinadores que o reality show ainda figura como um dos programas de curta duração (três meses) com o maior faturamento na TV.
CASAMENTEIRA
É assim, ao lado de seus cachorros, que o cantor Nahim surgirá no próximo "Programa Eliana" (SBT), atrás de um novo amor
Crise Alguns produtores de elenco da Globo procuraram a coluna reclamando que a emissora os proíbe de participar de palestras ou ministrar cursos. Eles também não podem ter qualquer relação com agências de atores.
Crise 2 O ponto questionado por eles é que esse distanciamento de eventos e grupos que possam ter qualquer benefício em uma escalação não é estendido a diretores e autores da Globo. Há diretores proprietários de escolas de atores e autores que realizam oficinas de interpretação e de roteiro.
Crise 3 Procurada, a Globo diz que desconhece essas reclamações e que não comentará o assunto.
Pop Engana-se quem pensa que Ronnie Von é o rei das "senhorinhas" na TV.
Pop 2 A Gazeta e o diretor Márcio Tavolari vêm acompanhando a evolução de audiência de Ronnie no "Todo Seu", e chama a atenção o aumento no número de jovens que assistem à atração.
Pop 3 De olho nesse público, o "Todo Seu" ganhará mais quadros interativos a partir de abril, quando completa 2.000 edições no horário nobre.
Conflito Após um ano de negociação, Herbert Moraes entrevistou o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas -no ar no "Jornal da Record" de amanhã.
Local Atores internacionais como Gael García Bernal foram pensados para o papel, mas o personagem Joaquim, da próxima novela das 21h da Globo, ainda sem título, será vivido por Juliano Cazarré.

    Melhor do dia na TV

    folha de são paulo

    Minissérie "Inspector George Gently" ganha nova temporada
    +Globosat, 22h, 16 anos. Estreia hoje a segunda temporada da minissérie britânica "Inspector George Gently". Em quatro episódios, a atração policial -que se passa na Inglaterra da década de 1960- conta novas histórias do detetive interpretado pelo ator Martin Shaw.
    Baseado em livro de Alan Hunter, o programa segue o dia a dia de George Gently e de seu colega John Bacchus (vivido por Lee Ingleby) -mostrando como eles resolvem crimes juntos e como se divertem após o expediente.
    No ano passado, foi ao ar na Inglaterra a quinta temporada da minissérie. Um novo ano, com mais quatro episódios, foi confirmado pelos produtores em setembro.
    MTV comemora hoje aniversário de cantores
    MTV, 11h, classificação não informada. No dia em que Bob Marley completaria 68 anos, o canal exibe alguns dos clipes do cantor. Às 22h30, a MTV exibe vídeos de Axl Rose, que também é aniversariante.
    Ex-jogador Raí conversa com crianças na Cultura
    Cultura, 19h, livre. A equipe de crianças do programa "Cartãozinho Verde" -apresentado por Cristina Mutarelli- conversa com o ex-jogador de futebol Raí, no quadro "Feras e Ferinhas".

    CRÍTICA
    "eXistenZ" e "Fuga de Los Angeles" são filmes de mestre
    INÁCIO ARAUJOCRÍTICO DA FOLHADia de glória do Syfy, onde se revezam "eXistenZ" (20h e 0h), de David Cronenberg, e "Fuga de Los Angeles" (22h e 2h), de John Carpenter.
    Para começar, os dois autores são de fato autores, e não pau mandado do produtor. Em seguida, malgrado as diferenças evidentes (Carpenter faz parte de uma escola mais especificamente americana, enquanto Cronenberg é um canadense, em que o esquisito se sobressai), ambos trabalham bem em situações de distopia.
    Em "Fuga", Los Angeles tornou-se uma imensa, insuportável prisão numa espécie de mundo pós-apocalíptico sem apocalipse. Já em "eXistenZ" estamos em um terreno onde a vida e os games, o virtual e o real entranham-se um no outro. Dois filmes de mestre.

      Mônica Bergamo

      Folha de são paulo
      EM NOME DO PAI
      A cantora Luisa Maita faz show em homenagem ao pai, o músico Amado Maita (1948-2005), nos dias 16 e 17 no Sesc Pinheiros; também participarão BNegão, Marku Ribas, Tiganá, Ed Motta e Bruno Moraes
      MINHA VEZ
      O crítico literário Antonio Candido foi destaque na premiação Governador do Estado, anteontem. Para o músico Luiz Tatit, "quando você envelhece, começa a ganhar todos os prêmios". O cineasta Beto Brant e a atriz Naomi Silman também estiveram no Theatro São Pedro.
      BANDO DE LOUCOS
      O zagueiro do Corinthians Paulo André, em parceria com a artista Bia Tambelli, transformou objetos usados pelo clube no Mundial do Japão em obras de arte. O leilão das peças aconteceu anteontem no restaurante Cantaloup. Os jogadores Alexandre Pato e Emerson Sheik e Andres Sanchez, ex-presidente do Timão, marcaram presença.
      MERCADO LIVRE
      Boa notícia para os donos de imóveis usados em São Paulo: o preço deles continua a subir, mesmo com a queda no total de transações imobiliárias. No ano passado, a valorização foi de 2,18%.
      BALANÇA
      A alta ocorreu no ano em que a queda na comercialização chegou a 3,38% em todo o Estado. "Parece que a lei da oferta e da procura foi revogada, pois o número de transações diminuiu, enquanto o preço continuou a subir", diz José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.
      O MELHOR
      Em 2011, a situação era bem diferente: a venda de imóveis usados subiu 27% e o preço, 50%.
      NA PAREDE
      O ex-presidente Lula foi convidado para a abertura da exposição do fotógrafo Sebastião Salgado no Museu de História Natural de Londres, em abril. A mostra exibirá as imagens do Projeto Gêneses, registradas em viagens do artista a lugares remotos e que ainda não sofreram a interferência humana.
      NO MEIO DO CAMINHO
      Apesar de alguns flertes, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE), não vê possibilidade de ser vice de Aécio Neves (PSDB-MG) numa campanha à Presidência da República em 2014. Num cenário que considera ideal, o tucano seria o candidato "da direita" enquanto Campos surfaria pelo centro -e jamais como um anti-Lula, de quem foi quase sempre aliado.
      BRINCAR DE ÍNDIO
      O filme "Tainá - A Origem" será exibido para a presidente Dilma Rousseff e para a ministra Marta Suplicy, da Cultura, hoje à noite, no Palácio da Alvorada.
      -
      A protagonista do longa, a índia Wiranu Tembé, 8, estará presente junto com a diretora Rosane Svartman e o produtor Pedro Rovai.
      COM CARINHO
      Carta aberta ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), creditada a Thereza Collor, foi compartilhada por mais de 42 mil pessoas no Facebook. A "musa do impeachment" esclarece: "Há cinco anos, esse texto correu o Brasil e chegou a ser publicado em jornais com minha assinatura, mas não é de minha autoria". Seu pai, o usineiro João Lyra, é citado por ter contribuído com US$ 1 milhão para campanha de Calheiros a deputado.
      COM CARINHO 2
      O artigo foi escrito pelo ex-deputado alagoano Mendonça Neto, que morreu em 2010. "Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas", diz o texto, publicado em um jornal de Alagoas na época do escândalo que levou Calheiros a renunciar à Presidência do Senado, em 2007, para não ser cassado.
      CONTE-ME TUDO
      Frei Betto vai virar livro. Ele dá dicas a seus dois biógrafos, Evanize Sydow (que escreveu livro sobre dom Paulo Evaristo Arns) e Américo Freire. "Para contar minha vida tem que ir a Cuba, onde morei de 1981 a 1991, a Belo Horizonte, onde nasci, a São Paulo, onde moro, e a Vitória, onde fiquei cinco anos vivendo numa favela."
      TE AMO, GABI
      O pastor carioca Silas Malafaia adorou sua participação no programa "De Frente com Gabi", em que a jornalista Marília Gabriela lhe disse: "Que o meu Deus, que não sei se é o mesmo que o seu, te perdoe".
      -
      "Ela é educada, uma pessoa bem bacana", diz ele.
      CURTO-CIRCUITO
      O Provocateur, no Itaim, recebe a bateria da Vai-Vai, hoje, às 23h30. 18 anos.
      Silvia Percussi ensina, às 10h, receitas a mães de pacientes carentes da Tucca.
      Hector Albertazzi lança hoje coleção de inverno, na Oscar Freire, às 14h.
      O restaurante Buttina, em Pinheiros, ganhou o prêmio italiano Ospitalità.
      com ELIANE TRINDADE (colaboração), ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI, JOELMIR TAVARES e LÍGIA MESQUITA

        Marcelo Coelho

        folha de são paulo

        Um dedo mindinho
        Seria apenas um ritual mágico? Não haveria nenhuma intenção de beleza, de arte naquilo?
        Durante 12 mil anos, qualquer habitante do sul da França podia entrar sem problemas naquela caverna -a não ser pelos ursos que andavam por ali. Depois, houve um desabamento, e a entrada do lugar ficou fechada por mais 20 mil anos.
        A caverna de Chauvet só foi reencontrada em 1994, e tornou-se tema do documentário de Werner Herzog atualmente em cartaz no CineSesc.
        No começo, pensei que tudo se tratava de um trote, de uma falsificação. Redescobertas pelos pesquisadores, as pinturas daquela caverna, feitas há 32 mil anos, pareciam perfeitas demais para ser verdade.
        Há cavalos, leões e rinocerontes, que dificilmente algum humano moderno, sem treinamento específico, poderia desenhar.
        Rinocerontes no sul da França? Sim, peludos, além de leões sem juba. Naquela época, o frio era bem maior. Tanto que muitas geleiras ainda não tinham derretido, e com isso o nível o mar estava muitos metros abaixo do que é hoje. Era possível ir a pé da França à Inglaterra, atravessando o que é hoje o canal da Mancha.
        Trinta e dois mil anos: desse oceano de tempo, os estudiosos viram emergir as pegadas de um menino de oito anos, ao lado da marca das patas de um lobo. Seriam talvez amigos, especula Werner Herzog. Ou terá havido um intervalo de séculos entre um e outro?
        Também se encontram, em meio à quantidade de pinturas, de ossos, de estalactites e de cinzas, as marcas de um único artista. É talvez o momento mais emocionante de todo o documentário.
        Os arqueólogos identificaram, numa parede da caverna, coberta das impressões das palmas das mãos de muitos trogloditas, a presença de uma pessoa que tinha o dedo mínimo ligeiramente torto.
        A marca dessa mão volta a aparecer mais adiante, em outro salão da caverna, junto às pinturas mais espetaculares de todo o conjunto.
        "Este sou eu", parece dizer a marca na parede, "e isto foi o que eu fiz".
        O inglês James Elroy Flecker (1884-1915) ficou famoso pelos versos que escreveu "A um Poeta, daqui a Mil Anos". Ele se dirige a algum "estudioso da doce língua inglesa", e imagina esse futuro amigo, "que não vejo, que não conheço, e que ainda não nasceu", lendo sozinho, à noite, as palavras de seu poema.
        "Eu era um poeta, eu era jovem", diz Flecker. E, "já que não posso ver teu rosto, nem apertar a tua mão, envio-te minha alma, através do espaço e do tempo. Você vai entender".
        Em inglês fica melhor. "O friend unseen, unborn, unknown,/ Student of our sweet English tongue,/ Read out my words at night, alone:/ I was a poet, I was young./ Since I can never see your face,/ And never shake you by the hand,/ I send my soul through time and space/ To greet you. You will understand."
        Nossa época desconfia muito desses entendimentos através dos milênios. Os pintores da caverna de Chauvet deveriam ter uma visão de mundo completamente diversa da nossa, e o sentido daqueles cavalos e bisontes na parede está tão perdido quanto o pensamento dos próprios cavalos e bisontes retratados lá.
        Tanto relativismo termina sendo impossível de sustentar. No mínimo, sabemos que quem retratou o bisonte queria, de fato, retratar um bisonte, e isso é visível para nós.
        Seria apenas um ato religioso, um ritual mágico? Não haveria nenhuma intenção de beleza, de decoração, de arte naquilo?
        Ah, o conceito de arte, de "obra", de "autoria", muda com o tempo. É verdade. Mas vale invocar o argumento do escritor católico G. K. Chesterton, em "O Homem Eterno" (editora Mundo Cristão). Por que imaginar, diz ele, que o homem das cavernas tinha apenas uma mente pragmática e utilitária, fazendo desenhos apenas para ter boa sorte nas caçadas?
        Esse espírito interesseiro conviria mais a um burguês britânico do século 19 do que a um "primitivo"... O homem das cavernas não seria capaz de sorrir, de brincar, de fazer desenhos por prazer?
        De tanto respeito à alteridade, de tanto relativismo, terminamos usando a palavra "outro" com O maiúsculo: o "Outro". É tão Outro que não nos julgamos capazes de entendê-lo.
        O raciocínio termina por ser equivalente ao de quem, por desprezo, chama de "primitivos", de "trogloditas", os artistas da caverna. Mas eles nos estenderam as mãos.
        Em volta daquele lugar, ainda vagavam hordas de Neandertais. O pintor daqueles cavalos e leões marcava, para o futuro, o território dos homens.
        coelhofsp@uol.com.br