quarta-feira, 20 de março de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Belluzzo paga indenização a árbitro Carlos Eugênio Simon por ofensas de 2009


O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente do Palmeiras, depositou anteontem R$ 60 mil na conta do árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon. Em 2009, ele disse que o juiz era "vigarista, safado e crápula" por ter anulado um gol do Verdão. Acabou condenado por dano moral.
VERDE
Belluzzo diz que fez o depósito com dinheiro de sua poupança pessoal e afirma que paga "com prazer o baixo preço da dignidade do senhor Simon". O desembargador que relatou o caso diz que o juiz é um "conceituado árbitro" de "inequívoco" prestígio nacional e internacional e que sua "honra e boa fama" foram "agravadas de maneira vil".
BOCA
Uma equipe do canal mexicano Univision foi assaltada no centro de São Paulo enquanto gravava um documentário sobre o maestro João Carlos Martins.
*
Pouco antes, eles tinham comentado com o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, sobre o alerta de amigos a respeito do risco de terem seu equipamento surrupiado no Brasil.
FAMÍLIA
José Serra afasta qualquer possibilidade de se reconciliar pessoalmente com Aécio Neves, embora militem no PSDB. O ex-governador de São Paulo acha que o mineiro está por trás do livro "A Privataria Tucana", de 2011, em que negócios de sua filha, Veronica, foram esquadrinhados. Não perdoa.
FAMÍLIA 2
O autor, Amaury Ribeiro Jr., diz em um dos capítulos do livro que foi escalado por um jornal de Minas, ligado a Aécio, para levantar informações sobre arapongas que Serra teria supostamente colocado no encalço do mineiro. A partir daí, começou a pesquisar os negócios da família do paulista. Diz, no entanto, que fez isso por conta própria, "usando da liberdade conferida aos repórteres especiais" da publicação em que trabalhava.
COM QUE ROUPA?
A São Paulo Fashion Week teve início segunda-feira (18), na Bienal do Ibirapuera. As atrizes Alice Braga, Alessandra Negrini, Carolina Dieckmann e Thaila Ayala e o cantor Otto conferiram os desfiles. Tony Tornado fez show na passarela da Cavalera.

Carolina Dieckmann, Alessandra Negrini e Alice Braga na São Paulo Fashion Week

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A atriz Carolina Dieckmann foi conferir o desfile da Animale no primeiro dia de São Paulo Fashion Week, na Bienal do Ibirapuera, na segunda (18)
DALÍ AQUI
A tela "Tristan and Isolde", de Salvador Dalí, virá ao Brasil. A obra faz parte do cenário de "La Veritá". A turnê do espetáculo da companhia Finzi Pasca, que reúne teatro e circo, começa em junho e passa por São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.
PALANQUE NA MODA
De Alberto Hiar, o Turco Loco, ex-deputado estadual do PSDB e diretor da Cavalera, antes de desfile na SP Fashion Week: "São Paulo é cafona. O governo municipal é cafona, o estadual também. Falta investimento em economia criativa. Nós não temos políticos modernos e corajosos, que invistam em questões intangíveis".
PALANQUE NA MODA 2
E de repente o governador paulista, Geraldo Alckmin, e sua mulher, Lu, chegaram à SPFW. Foram acomodados na primeira fila e elogiaram a coleção da marca de Turco.
CONEXÃO
Presenças esperadas na plateia da Cavalera, Ariel Goldenberg e a mulher, Rita Pokk, do filme "Colegas", não apareceram porque o voo em que retornavam dos EUA atrasou. Na sexta-feira, eles se encontraram com o ator Sean Penn.
BOA COMPANHIA
E Ariel protagoniza vídeo de campanha que o Instituto Mara Gabrilli lança amanhã para combater o preconceito contra pessoas com deficiência. No anúncio, ele, que tem Down, dispensa a ajuda de um homem que o trata como se fosse criança.
A OUTRA HISTÓRIA
O jornalista Paulo Moreira Leite autografou "A Outra História do Mensalão", segunda-feira (18), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), o ex-deputado Ricardo Zarattini, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) e o advogado José Luis Oliveira Lima compareceram.

Paulo Moreira Leite lança livro sobre o Mensalão

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Avener Prado/Folhapress
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O jonalista Paulo Moreira Leite autografa exemplar de "A Outra História do Mensalão" no lançamento do livro, na segunda (18)
CABELOS DE FOGO
A sauna gay Hotel Chilli Pepper, no largo do Arouche, criou uma nova promoção. Às terças-feiras os ruivos ganham 25% de desconto. É a chamada Terça Ruivo.
CURTO-CIRCUITO
O musical "Nada Será como Antes", com canções de Milton Nascimento, tem pré-estreia às 21h, no teatro GEO. 12 anos.
O spa Lapinha, do Paraná, abre unidade em SP, na rua Joaquim Floriano.
Após desfiles na SPFW, na noite desta quarta-feira (20), a Triton faz festa no bar Louis e a Neon recebe convidados no clube Yacht. 18 anos.
O arquiteto João Carlos Cauduro fala sobre design urbano na Atec Cultural, às 19h30, no Jardim Paulistano. Grátis.
Mara Luquet é a curadora da Expo Money, evento de educação financeira que passará por Curitiba e mais oito cidades.
A Entreposto lança coleção infantil com programação para as crianças na loja do Jardim Europa.
A revista "Harper's Bazaar Brasil" apresenta seu site nesta quarta-feira nos Jardins.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Encontros celebram 150 anos de Nazareth

folha de são paulo

Um dos pais do choro terá tributos pelo país
DE SÃO PAULOCompositor e instrumentista que influenciou nomes consagrados da música brasileira como Pixinguinha, Villa-Lobos, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Tom Jobim, entre outros, o carioca Ernesto Nazareth completaria 150 anos hoje.
A data que celebra o nascimento do autor de clássicos do choro como "Odeon", "Brejeiro" e "Apanhei-te Cavaquinho" movimenta uma série de comemorações, que tem início hoje no Instituto Moreira Salles, no Rio.
Considerado um dos pioneiros da ponte entre as músicas popular e erudita no Brasil, Nazareth terá sua vida e obra debatidas em um simpósio realizado no IMS hoje e amanhã, com homenagens a Mercedes Reis Pequeno e Eudóxia de Barros, duas importantes divulgadoras da obra do músico.
O instituto criou também o site www.ernestonazareth150anos.com.br, com curadoria do pesquisador Alexandre Dias, que traz a agenda completa de comemorações -os eventos se estendem até outubro por várias cidades.
"O Nazareth é a semente da música brasileira moderna. Das 211 composições que ele deixou, as pessoas conhecem umas 40. Queremos que acessem as desconhecidas, entre elas há muitas pérolas", diz Bia Paes Leme, coordenadora de música do IMS. (LN)

    "Graciliano Ramos - Estilo e Permanência"

    folha de são paulo

    Graciliano Ramos surge sedutor em filme
    Cineasta Sylvio Back lança documentário sobre o autor de "Vidas Secas", morto há 60 anos, no É Tudo Verdade
    Depoimentos retratam lado conquistador do escritor e trazem rumores de romance com Rachel de Queiroz
    MARCO RODRIGO ALMEIDADE SÃO PAULOO Graciliano Ramos que conhecemos, ou julgamos conhecer, é um sujeito de poucos sorrisos, desconfiado, muitas vezes ríspido, um tanto quanto ranzinza e quase sempre autodepreciativo. Correta ou não, foi essa a imagem que "colou" no autor de "Vidas Secas" (1938).
    Mas desde outubro do ano passado, data dos 120 anos de nascimento do autor, uma série de homenagens vem tentando iluminar nuances de sua personalidade.
    A USP realiza hoje, quando a morte do escritor alagoano completa 60 anos, um colóquio sobre sua obra. Em abril, o documentário "O Universo Graciliano", de Sylvio Back, concorre no festival É Tudo Verdade.
    Os festejos devem permanecer quentes até julho, ocasião em que Graciliano será o autor homenageado pela Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).
    Back vem pesquisando vida e obra de Graciliano (1892-1953) nos últimos dez anos.
    No início a ideia era adaptar o romance "Angústia", que Graciliano publicou em 1936, para as telas. No processo de escrita do roteiro, releu os demais livros dele, visitou Alagoas e conheceu parentes e amigos do escritor.
    A adaptação de "Angústia" foi suspensa, mas teve como fruto o documentário, ainda sem data de estreia no circuito comercial. "Tentei desvendar Graciliano numa espécie de road movie ao imaginário sobrevivente em torno dele."
    O documentário reconstitui a vida do escritor de forma não cronológica, agrupando depoimentos, por exemplo, da única filha de Graciliano ainda viva, Luiza, hoje com 82 anos, e escritores como Lêdo Ivo ( 1924-2012) e Hélio Pólvora.
    Em Palmeira dos Índios (AL), cidade onde Graciliano foi prefeito entre 1928 e 1930, Back encontrou um ex-engraxate de 102 anos e um ex-motorista de 92 que conheceram, ainda bastante jovens, o escritor e sua família.
    NAMORICOS
    Os depoimentos não trazem grandes análises literárias, mas compõem um retrato interessante e inusitado.
    O historiador Ivan Barros conta histórias saborosas de Graciliano pulando muros em Palmeira dos Índios para encontrar as amantes.
    Elizabeth Lins do Rego, filha do escritor José Lins (1901- 1957), era criança quando conheceu Graciliano e relata que ficou impressionada com o charme e a conversa dele.
    Em vários depoimentos surgem rumores de paixões e "namoricos" do escritor, inclusive com a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003).
    Luiza, por sua vez, retrata o pai como um homem extremamente gentil, amoroso.
    Lembra-se de ter visto Graciliano, já muito debilitado pelo câncer, chorando pela morte do líder comunista Joseph Stálin (1879-1953), em 5 de março de 1953. Graciliano morreria 15 dias depois.
    O humor ácido do escritor também rende ótimas histórias. O jornalista Armênio Guedes certa vez perguntou o que ele achava de Jorge Amado. A resposta foi direta: "O Jorge escreveu algumas das melhores páginas da literatura brasileira, mas também muita porcaria".
    O UNIVERSO GRACILIANO
    DIREÇÃO Sylvio Back
    QUANDO dias 11/4 (21h) e 12/4 (13h) no festival É Tudo Verdade
    ONDE Cine Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073; 0/xx/11/3285-3696)

      Palestras buscam temas ocultos do autor
      DE SÃO PAULOO seminário "Graciliano Ramos - Estilo e Permanência" é promovido pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que detém o acervo do escritor alagoano.
      O encontro de hoje começa com uma palestra do crítico literário Alfredo Bosi. Em seguida, os professores Alcides Villaça e Murilo Marcondes de Moura irão analisar obras que outros autores dedicaram a Graciliano.
      Villaça vai comentar "Máscara Mortuária de Graciliano Ramos", poema de Vinicius de Moraes de 1953 que traz versos como "Feito só, feito pó, desencantou-se/ nele o íntimo arcanjo, a chama interna/ da paixão em que sempre se queimou".
      "Graciliano tem sido lido numa chave só -a contenção, a secura, o comunista. Ele é muito mais amplo que isso. O Vinicius compreendeu bem essa paixão recolhida que havia nele", diz Villaça.
      O segundo tópico irá tratar da obra do escritor. O professor Luis Bueno vai enfocar "Vidas Secas" por um ângulo inusitado: o amor.
      "Certamente não vamos encontrar sentimentalismo. Em sua obra, o amor não está separado das contingências da vida. O afeto se mistura ao contexto político."
      Bueno vai comentar trechos do livro que vislumbram intimidades do casamento de Fabiano e Sinha Vitória e a relação deles com a cadela Baleia.
      Por fim, os escritores Francisco Dantas e José Luiz Passos reveem o legado de Graciliano na literatura. (MRA)
      GRACILIANO RAMOS: ESTILO E PERMANÊNCIA
      QUANDO hoje, das 9h às 18h
      ONDE Auditório da História -FFLCH-USP (av. Prof. Lineu Prestes, 338; tel. 011/3091-1149)
      QUANTO grátis

        SEMINÁRIO HOJE, NA USP
        9H - 10H30
        Palestra de abertura com Alfredo Bosi
        10H30 - 12H - ARQUIVO E MEMÓRIA
        Alcides Villaça e Murilo Marcondes de Moura Mediação: Erwin Torralbo
        14H30 - 16H - VISÕES E CRÍTICAS
        Luis Bueno, Hermenegildo Bastos e Elizabeth Ramos Mediação: Marcos Antonio de Moraes
        16h - 17H30 - RELEITURAS
        Francisco Dantas e José
        Luiz Passos
        Mediação: Fernando Paixão

          Marcelo Coelho

          folha de são paulo

          Da Arca de Noé ao papamóvel
          O catolicismo tem de preservar suas posições. Caso contrário, perderá sua identidade
          O homem mais moderno da Europa, dizia o poeta Guillaume Apollinaire em 1912, "sois vós, papa Pio 10º".
          Vinda de um dos mais importantes representantes da vanguarda artística, amigo de Picasso e inspirador dos surrealistas, a frase só podia ser irônica. Ainda mais porque Pio 10º era ferrenho inimigo de qualquer renovação.
          Tinha publicado poucos anos antes uma encíclica, "Pascendi Domini Gregis", cujo objetivo era precisamente condenar as ideias "modernistas" no interior da reflexão católica.
          No começo do século 20, já existiam teólogos que buscavam relativizar alguns pontos mais antiquados do ensinamento bíblico. Por exemplo, a tese de que o mundo foi criado em sete dias, de que Eva nasceu da costela de Adão, de que Noé salvou todos os animais da Terra abrigando um casal de cada espécie na sua arca.
          Não sendo especialista nesses assuntos, não sei como atualmente a Igreja Católica reage ao "modernismo" teológico. Qualquer um pode perceber, entretanto, que a igreja não enfatiza a ferro e fogo as afirmações mais estranhas do Antigo Testamento. Nem por isso o catolicismo perdeu sua "identidade".
          O pensamento conservador, como é óbvio, resiste a mudanças e reformas. Sua mais recente bandeira em termos religiosos, pelo que andei vendo nestes dias de sucessão papal, é o termo "identidade".
          O catolicismo tem de preservar suas posições. Caso contrário, perderá sua identidade. Comentando o último conclave, Luiz Felipe Pondé elogiou o cardeal Bergoglio por ter combatido a "contaminação marxista" na igreja.
          Sem dúvida, o excesso de marxismo pode representar riscos à integridade dos ensinamentos católicos. Entretanto, cabe observar que o cristianismo já esteve às voltas com outras "contaminações".
          A contaminação copernicana, por exemplo. A contaminação de Sêneca e de Cícero. A contaminação de Galileu. A contaminação de Darwin.
          Haja camisinha para enfrentar tantas contaminações. O catolicismo não foi tão puritano. Preferiu adaptar-se, vacinar-se, atualizar-se numa série de questões -e nem por isso se dissolveu no mundo laico.
          Claro que não foi fácil. Pio 9º desaprovava as estradas de ferro. João Paulo 2º adotou o "papamóvel" -coisa que, para o meu gosto, talvez fosse sacrílega demais.
          A igreja demorou muito para aceitar as formas republicanas de governo. Mas Leão 13, na passagem do século 19 para o século 20, decidiu que esse tema da monarquia versus república não era especialmente importante para o futuro da fé.
          Idas e vindas. Pio 12, em 1950, recorreu aos poderes, raramente utilizados, da "infalibilidade papal" para decretar que a Virgem Maria subiu aos céus de corpo e alma. Repito: não apenas a alma foi para o céu, mas seu corpo também.
          Dito isso, os clérigos tiveram o cuidado de não insistir demais no assunto.
          Foi pensando nesse tipo de dogmas que Apollinaire escrevia, meio século antes, seu misterioso verso. O papa era o europeu mais moderno de todos porque a crença em santos e profetas voadores, tão bizarra aos olhos dos descrentes, estava se realizando com o milagre da aviação.
          A religião se manteve simples como os hangares de um aeroporto, continuava Apollinaire; o que houvesse de pueril em suas convicções se concretizava, no início do século 20, como um verdadeiro brinquedo de criança.
          Na esfera estética, o modernismo também pretendia esse gênero de simplicidade e de pureza.
          Tratava-se de afirmar que a poesia não está num conjunto convencional de ornamentos, na superstição dos temas convencionalmente "poéticos", no que tradicionalmente se considera "belo", mas em alguma essência mais profunda.
          A arte da pintura, por exemplo, não está na reprodução perfeita de um rosto bonito, mas numa certa capacidade de organizar o espaço em linhas, cores e volumes.
          Certamente, a fé não está em aceitar tudo o que, culturalmente, fazia sentido para os povos do Mediterrâneo há mais de 2.000 anos.
          A balsa de São Pedro foi jogando ao mar toda a tralha supérflua: quem sabe não seria esse o verdadeiro desapego, a verdadeira pobreza, a serem defendidos pelo novo papa.
          É duvidoso que Francisco esteja disposto a muita renovação doutrinária. Mas, com menos peso nos porões do preconceito, do puritanismo, da superstição em torno do sexo -todos justificados em torno da bandeira da "identidade"-, essa embarcação talvez pudesse seguir mais solta em seu caminho, sem atravancar tanto os que estão por perto.
          coelhofsp@uol.com.br