quarta-feira, 20 de março de 2013

Helio Schwartsman

folha de são paulo

Alvo errado
SÃO PAULO - Como o MEC não pode fazer muita coisa para produzir rapidamente o salto qualitativo de que a educação básica tanto precisa, vem mirando em outros alvos. A última proposta do ministério para melhorar o nível dos formandos em direito é obrigar os estudantes a fazer um estágio em órgãos públicos.
Até acredito que os alunos tenham muito a aprender frequentando os corredores do Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria, mas duvido que essa medida, se é que é mesmo factível, venha a resolver o problema da formação dos advogados. O erro aí é de diagnóstico.
É claro que existem muitas diferenças entre, digamos, a Faculdade de Direito da USP e uma escola de esquina situada numa área ruim da periferia, mas a principal delas é o aluno. Enquanto jovens que não teriam condições de ser aprovados no ensino médio ou mesmo no fundamental continuarem ingressando -e se formando- em cursos de direito, os pavorosos índices de insucesso nas provas eliminatórias da OAB seguirão mais ou menos como estão. Estágios e outras estripulias educacionais dificilmente mudarão isso.
Cuidado, não estou aqui afirmando que as pessoas não possam ou não devam fazer uma faculdade. Penso que cada ano a mais de ensino já significa uma vitória, mas não existem milagres. Falhas na formação que não são rapidamente identificadas e corrigidas pelo sistema vão se acumulando e ficam cada vez mais difíceis de resolver.
O problema não está restrito aos cursos de direito. Apenas fica mais evidente nessa área porque ela é a segunda na preferência dos brasileiros, respondendo sozinha por quase 15% das matrículas do ensino superior. Mas as dificuldades impostas por deficiências de formação aparecem para onde quer que se olhe, da carência de profissionais qualificados no mercado de trabalho à falta de professores para manter o próprio sistema em funcionamento.

    Editoriais FolhaSP

    folha de são paulo

    Cautela suprema
    Diante das incertezas envolvidas e das cifras em disputa, não há como deixar de reconhecer o bom-senso da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, ao suspender, em caráter provisório, os efeitos da lei que alterou a divisão dos royalties do petróleo entre Estados e municípios brasileiros.
    A decisão foi tomada em ação proposta pelo governo do Rio de Janeiro, que considera inconstitucionais as regras aprovadas pelo Congresso Nacional. Até que o plenário do STF examine a questão -o que deve ocorrer em abril-, continua valendo a lei antiga.
    Embora o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), tenha dito que a sentença "deixou todo mundo tonto", não há surpresa na determinação da ministra. Ela nada mais fez que aplicar ao caso concreto o princípio por trás das medidas liminares: evitar um dano irreparável ou de difícil reparação.
    O risco de prejuízo é evidente. A nova fórmula de rateio dos royalties diminui, já em 2013, a receita de Estados e municípios produtores de petróleo -a fatia a que têm direito é reduzida, respectivamente, de 26,25% para 20%, e de 26,25% para 15%.
    Em valores absolutos, o impacto imediato da mudança para o Estado do Rio de Janeiro chegaria a R$ 1,6 bilhão, segundo o governador Sérgio Cabral. Espírito Santo e São Paulo também sairiam prejudicados, mas em proporções menores.
    Seria um despropósito se esses três Estados e os municípios produtores de petróleo se vissem obrigados a abrir mão de parte de suas receitas antes de a nova lei dos royalties ter sua constitucionalidade examinada. É sem dúvida mais prudente aguardar a decisão definitiva do Supremo -que tem diante de si uma questão delicada.
    Os parlamentares aprovaram a mudança das regras mesmo para áreas petrolíferas já licitadas, não só para contratos futuros, como seria o ideal. Afetaram, assim, a legítima expectativa de diversos Estados e municípios. O desequilíbrio da norma, contudo, não basta para torná-la inconstitucional.
    Caberá ao plenário do Supremo dizer se a nova lei viola princípios constitucionais, como o direito adquirido (por atingir contratos em vigor) ou a segurança jurídica (por comprometer receitas previstas).
    Seja como for, o STF precisa decidir o quanto antes e da forma mais transparente possível. Prolongar o cenário de incertezas é ruim, mas passar a impressão de que o Judiciário tomou algum partido que não o da Carta seria ainda pior.

      EDITORIAIS
      editoriais@uol.com.br
      Alertas ignorados
      Governantes falham na realização de obras e moradores reagem de modo irracional ao se recusarem a abandonar áreas de risco
      Ninguém desconhece que os meses de verão correspondem no Brasil a um período de forte incidência de chuvas. Tampouco se podem ignorar as catástrofes ocasionadas pelos temporais da estação, que ora se repetem, com a morte de mais de 20 pessoas -além de centenas de desabrigados- na região serrana fluminense.
      Mais uma vez, deslizamentos de encostas, que também se verificaram no litoral norte paulista, trazem consequências funestas para a população que vive nessas áreas de risco -em geral, famílias de baixa renda em habitações precárias.
      O aumento do processo de favelização conspirou para agravar as consequências dos temporais. Em janeiro de 2011, como se sabe, mais de 900 pessoas perderam a vida na serra do Estado do Rio -naquela que se considera a maior tragédia provocada por causas naturais no país.
      Em meio ao desastre, autoridades municipais, estaduais e federais apressaram-se em anunciar medidas para remediar a situação e prevenir novas emergências e mortes. As chuvas particularmente volumosas dos últimos dias demonstram que as providências não foram suficientes.
      Em primeiro lugar, porque parte delas nem sequer se transformou em realidade. Um misto de burocracia, inépcia administrativa e conveniências políticas, nos planos federal, estadual e municipal, tem contribuído para a baixa execução de recursos em obras preventivas ou voltadas para abrigar as vítimas das intempéries.
      Em 2012, apenas 32% (R$ 1,8 bilhão) das verbas federais destinadas a esse fim foram desembolsadas. E, desde agosto do ano passado, a região serrana conta com R$ 545 milhões para dragagem, desassoreamento e canalização de rios, mas não se tem notícia de licitação concluída.
      Outro aspecto a levar em conta é a resistência de moradores em abandonar suas casas quando alertados sobre riscos iminentes. Embora possa ter soado como nota inoportuna, no momento da tragédia, a declaração da presidente Dilma Rousseff sobre famílias que não responderam aos alertas, trata-se de um tema a ser enfrentado.
      O prometido Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) foi inaugurado em 2012 para avisar a população sobre a possibilidade de enchentes ou deslizamentos. Na serra fluminense, sirenes soaram, mas muitos ficaram nos locais ameaçados.
      É preciso que as autoridades acelerem as obras e, ao mesmo tempo, atuem de maneira mais incisiva para que as zonas sob maior risco sejam evacuadas. Compreendem-se os dilemas de quem termina por permanecer em casa, mas é uma decisão irracional, cujas consequências podem ser fatais.

        14 músicas que mudaram a música

        folha de são paulo

        "Please Please Me", o primeiro álbum dos Beatles, foi lançado há 50 anos e consolidou o rock para outras gerações
        THALES DE MENEZESEDITOR-ASSISTENTE DA “ILUSTRADA”Quem acredita que o rock and roll ajudou a formar sua personalidade ou influiu em seu comportamento, não importa a idade, precisa comemorar nesta sexta-feira.
        No dia 22 de março de 1963, chegava às lojas de discos da Inglaterra "Please Please Me", o primeiro álbum dos Beatles. Para muitos, o mais importante da história.
        É notório que o auge da banda foi com "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967), álbum que encabeça quase todas as listas de melhores discos do rock.
        "Please Please Me" soa hoje ingênuo, coleção de canções sobre encontros e desencontros de namorados, longe da sofisticação musical de "Sgt. Pepper's". Mas a estreia dos Beatles em LP garantiu a sobrevivência do rock.
        Depois que o gênero foi criado na década anterior por Elvis Presley, Bill Haley, Carl Perkins, Little Richard e outros pioneiros, uma enxurrada de novos "ritmos jovens" inundou o mercado fonográfico anglo-americano.
        O rock correu o risco de definhar entre modas musicais como o twist e o calipso.
        O sucesso de massa dos Beatles cruzou o Atlântico para disseminar entre os garotos a vontade de formar uma banda, numa dimensão que consolidou o rock até hoje.
        Para um álbum que gerou tanto barulho e ainda está à venda 50 anos depois, até que "Please Please Me" foi gravado sem grande investimento.
        BEATLEMANIA
        Depois do lançamento do primeiro single da banda, "Love Me Do", em outubro do ano anterior, os Beatles começaram a excursionar sem parar pelo Reino Unido.
        Era o início do fenômeno que o mundo chamaria nos anos seguintes de "Beatlemania" -no Brasil virou "iê-iê-iê", pelo som do refrão "yeah, yeah, yeah" em "She Loves You", que os Beatles lançariam em agosto de 1963.
        Tanto sucesso nos shows fez o produtor George Martin idealizar a gravação do álbum como uma simples repetição das canções para prensar em vinil. Assim, alugou por duas sessões de três horas o estúdio da gravadora EMI, que depois ficaria famoso pelo nome de seu endereço, Abbey Road.
        A ideia era gravar mais algumas faixas para juntar com as quatro lançadas em dois singles: "Love Me Do"/"P.S. I Love You" (outubro de 1962) e "Please Please Me"/"Ask Me Why" (janeiro de 1963).
        Às 10h, Martin e os quatro Beatles começaram a gravar. As duas sessões agendadas não foram suficientes. O produtor conseguiu mais uma, no mesmo dia. O tempo total no estúdio foi de 9 horas e 45 minutos, para dez faixas.
        Um dos maiores hits do disco -e do grupo- também é o que tem a história mais curiosa. "Twist and Shout" exigia muito de John Lennon, com vocal forte, aos berros. E ele estava muito gripado no dia das gravações.
        Martin resolveu deixá-la para ser gravada por último. E a voz de John resistiu a apenas uma tentativa, que é o vocal eternizado no vinil.
        POR CONTA PRÓPRIA
        Com oito canções escritas por Lennon e McCartney, "Please Please Me" esboçou um padrão que os Beatles buscariam sempre: compor e tocar todo o repertório.
        A parada britânica na época era dominada por música romântica, e o álbum levou dois meses para chegar ao topo dos discos mais vendidos.
        Permaneceu lá por 30 semanas consecutivas e só perdeu a primeira posição para... "With the Beatles", o segundo álbum do grupo.
        O resto é história. A história da música pop.

          LADO A
          AS FAIXAS QUE ENTRARAM PARA A HISTÓRIA
          Conheça as 14 canções de "Please Please Me"
          1. "I Saw Her Standing There"
          Iniciada por Paul, completada por John. O título original era "Seventeen" (17, a idade da garota na letra). Paul copiou uma frase de guitarra do ídolo Chuck Berry na música "Talking' About You"
          2. "Misery"
          Foi a primeira música de Lennon & McCartney gravada por outro artista, poucos meses depois de o álbum ser lançado. O cover é de Kenny Lynch, um dos poucos negros do pop inglês da época
          3. "Anna (GO To Him)"
          Balada soul escrita e gravada em setembro de 1962 pelo cantor americano Arthur Alexander (1940-1993). John adorava a canção e a inclui nos shows
          4. "Chains"
          Lançada em 1962 pela banda Cookies, foi escrita pelo casal Gerry Goffin e Carole King. Ela depois se tornaria uma grande cantora dos anos 19960 e 1970
          5. "Boys"
          Gravada em 1960 pelo grupo vocal feminino The Shirelles. Primeira música com vocal do baterista Ringo Starr, que surpreendeu pelo vozeirão
          6. "Ask Me Why"
          Creditada à dupla, é mais de John do que de Paul. Foi lançada como lado B do single "Please Please Me"
          7. "Please Please Me"
          Segundo single da banda, chegou ao topo da parada inglesa no dia 22 de fevereiro

            LADO B
            AS FAIXAS QUE ENTRARAM PARA A HISTÓRIA
            Conheça as 14 canções de "Please Please Me"
            1. "Love Me Do"
            Primeiro single dos Beatles, saiu no ano anterior e já definiu o som do quarteto, com suas harmonizações vocais. Paul começou a escrevê-la aos 16 anos, em 1958. Andy White, músico contratado pelo produtor George Martin, toca bateria
            2. "P.S. I Love You"
            Composta principalmente por Paulm foi lado B de "Love Me Do", lançada em 5 de outubro de 1962. O músico free-lancer Andy White está de novo na bateria, deixando Ringo apenas com as maracas
            3. "Baby It's You"
            Como "Boys", do lado A, é outra canção do álbum que foi anteriormente gravada pelas Shitrelles. Quem assina a música é Burt Bacharach. Ela fez mais sucesso em 1969, com o grupo Smith
            4. "Do You Want to Know a Secret"
            George canta, mas John que escreveu, inspirado em canção do desenho "Branca de neve e os Sete Anões" que a mãe cantava para ele
            5. "A Taste of Honey"
            Era uma música instrumental de peça inglesa honônima de 1959. Ganhou letra depois e os Beatles resolveram gravá-la
            6. "There's a Place"
            Inspirada em "Somewhere", do musical "West Side Story", que tem o verso "There´s a place for us"
            7. "Twist and Shout"
            Grande hit dos Beatles, é um cover de um sucesso dos Isley Brothers

              José Simão

              folha de são paulo

              Ueba! Dilma chacoalha o papa!


              Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E adorei a charge do Pelicano com a Dilma e o papa: "Trouxe um santinho pro senhor: DILMA 2014". E a Dilma sacudiu tanto a mão do papa que ele quase desmonta! Cumprimento de caubói! Chacoalhou o papa! Rarará!
              E Roma amanhece lotada de adesivos: Dilma 2014! E esta buemba: "Anvisa manda barrar venda de bebidas Ades". É que o suco de maçã queima a língua, foi contaminado por produto de limpeza! Ades sabor Limpol! Ades de Adeus!
              E a manchete do Sensacionalista: "Ades lança novos sabores: chumbinho, cicuta, soda cáustica, naftalina e manga com leite". Manga com leite é mortal. Minha avó não tomaria de jeito nenhum! Rarará!
              E o Piauí Herald: "Anvisa suspende exibição de 'Salve Jorge'". É que a vilã usou uma seringa para injetar Ades sabor maçã em suas inimigas! Já imaginou a Claudia Raia fazendo comercial de suco de maçã com uma seringa na mão? Rarará!
              E sabe o que a serpente ofereceu pro Adão no paraíso? Suco de maçã Ades! E sabe o que a bruxa ofereceu pra Branca de Neve? Suco de Maçã Ades! Versão Disney!
              E não sei por que a Cristina Quiche, cover da bispa Sônia, quer tanto as Malvinas. Dizem que é um excelente lugar. Pra morrer de tédio! E a Guerra das Malvinas faz 30 anos, e a Margaret Thatcher, 130!
              E a palavra que a Margaret Thatcher mais usava na Guerra das Malvinas, olhando para os mapas: "Sink it". Afundem! Rarará! Bem fofa!
              E o papa tomou posse, mas parece que tá em campanha! Aliás, ele parece o Beijoqueiro! Lembram?!
              E o papamóvel? O papamóvel parece uma van de cachorro quente. Daquelas que ficam em frente a balada. Salsicha com purê e maionese de milho, mais um suco, um real. Papadog!
              É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
              O Brasil é Lúdico! A minha teoria é de que no Brasil todo mundo escreve errado, mas todo mundo se entende! Olha esta placa que incrível: "COM SERTA Si CAÚSADOS pra mulher e crianças".
              E esta: "HOJE! SULENTA FEIJOADA! A melhor da região 12,00". Como hoje é quarta-feira, vou traçar uma sulenta feijoada com um suco de maçã Ades! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
              Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
              José Simão
              José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.