quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Carlos Eduardo Rodrigues deixa o comando da Globo Filmes


Mudança no comando da Globo Filmes, o braço das Organizações Globo para o cinema: Carlos Eduardo Rodrigues está deixando o comando da empresa. Sai depois de mais de uma década no cargo, um dos mais poderosos do cinema nacional.
TRILHA
Rodrigues será substituído por Edson Pimentel. O novo diretor trabalha na Globo desde 1979 e ocupava até agora a direção de planejamento estratégico e controle de entretenimento. Criada em 1998, a Globo Filmes já produziu ou coproduziu 130 filmes. Seus maiores sucessos são "Tropa de Elite 2", "Se Eu Fosse Você 2" e "2 Filhos de Francisco".
TRILHA 2
A gota d'água para a mudança foi a polêmica entre Rodrigues e o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho ("O Som ao Redor"), que disse que até seu vizinho, "se lançar o vídeo do churrasco dele no esquema da Globo Filmes", faria 200 mil espectadores num fim de semana. Rodrigues desafiou Kleber a fazer sucesso comercial com a ajuda da Globo ou então "assumir" que, como diretor, talvez fosse, na verdade, "um bom crítico".
TCHAU, GENTE
No relatório que apresentou na segunda-feira (8) aos conselheiros da Fundação Padre Anchieta, que mantém a TV Cultura, João Sayad revelou que ela está mais enxuta. Em sua gestão, o número de colaboradores caiu de 2.124 para 1.140. O número de afiliadas e licenciadas que retransmitem a programação do canal saltou de nove para 32, chegando a onze Estados e 620 municípios.
OLHOS BEM ABERTOS
As atrizes Drica Moraes e Mariana Lima protagonizam a peça "A Primeira Vista", que estreou na semana passada, no Sesc Pompeia. O cineasta Fernando Meirelles e os atores Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli e Sabrina Greve estavam na plateia.

Drica Moraes e Mariana Lima dão selinho

 Ver em tamanho maior »
Zanone Fraissat/Folhapress
AnteriorPróxima
As atrizes Drica Moraes e Mariana Lima, protagonistas da peça "A Primeira Vista", dão selinho na boca no dia da estreia
SABATINA
O advogado-geral da União, Luís Adams, continuava a receber, até segunda, eventuais candidatos ao STF (Supremo Tribunal Federal). Em sua agenda oficial constava audiência com o advogado Marcelo Nobre, de SP.
CRUZADA
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, conversou com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a lei que cria quatro novos tribunais regionais federais no país. Ele apresentou seus argumentos contra a ideia.
VIVA HILDA
Walter Carvalho será o diretor do longa sobre a vida da escritora Hilda Hilst. A atriz Tainá Muller, que comprou os direitos da biografia, será a protagonista. As filmagens devem acontecer em 2015.
ENTRE AMIGOS
O casal Daniel Borger e Marcia Feldon abriu sua casa, no Jardim América, para jantar beneficente da Amigoh (Amigos da Oncologia e Hematologia do hospital Albert Einstein). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a empresária Verônica Serra e os casais Claudio Lottenberg e Ida Sztamfater, Flávio e Anna Cláudia Rocha, Alberto e Cláudia Saraiva e Moise e Chella Safra, com o filho Jacob Moise Safra, foram ao evento, na segunda-feira (8).

Empresários vão a jantar beneficente do Einstein

 Ver em tamanho maior »
Zanone Fraissat/Folhapress
AnteriorPróxima
O casal Daniel Borger e Marcia Feldon promoveu jantar beneficente da Amigoh (Amigos da Oncologia e Hematologia do hospital Albert Einstein) em sua casa, no Jardim América, na segunda (8)
HORÁRIO NOBRE
Os produtores do filme "Colegas", estrelado por atores com síndrome de Down, foram convidados pela presidente Dilma Rousseff para exibir o longa no cinema do Palácio do Planalto.
NÃO REPRESENTA
O deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não é unanimidade entre seus pares na internet. Ele foi criticado por 12% dos blogs declaradamente evangélicos entre 29 de março e 3 de abril, segundo pesquisa da empresa de monitoramento Medialogue Digital. O levantamento também aponta que, no Facebook, o apoio dos evangélicos ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara representou só 9% do total de postagens sobre ele no período.
PRESENTE
Adriane Galisteu lança no sábado o livro "Mãe, Você É Tudo para Mim".
*
Publicado pela editora Gente, ele traz frases dela em homenagem às mães.
UNHAS AFIADAS
O autor e diretor teatral Gerald Thomas lançou o livro "Arranhando a Superfície", anteontem, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O músico Tom Zé, a atriz Nora Prado, a fotógrafa Talita Miranda, o designer Cláudio Martins e o diretor do Sesc-SP, Danilo Miranda, foram à sessão de autógrafos.

Gerald Thomas autografa livro

 Ver em tamanho maior »
Zanone Fraissat /MONICA BERGAMO
AnteriorPróxima
O autor e diretor teatral Gerald Thomas autografou o livro "Arranhando a Superfície", na segunda (8)
continue aqui

Escritor português Valter Hugo Mãe lança romance e vem a São Paulo para

folha de são paulo

Livro retrata rotina brutal das domésticas
Escritor português Valter Hugo Mãe lança romance e vem a São Paulo para debate
MARCO RODRIGO ALMEIDADE SÃO PAULOO romance "o apocalipse dos trabalhadores" (grafa-se assim mesmo, com letras minúsculas), do português Valter Hugo Mãe, chega ao Brasil cinco anos depois de sua publicação original, mas pode-se dizer que o atraso foi oportuno tanto ao livro quanto ao leitor brasileiro.
O livro sobre duas domésticas portuguesas é lançado por aqui no momento em que o tema está em voga no Brasil.
No começo deste mês entrou em vigor a lei que amplia os direitos dos empregados domésticos, garantindo a eles, por exemplo, pagamento de hora extra e jornada de trabalho de 44 horas semanais.
Valter Hugo Mãe, que será um dos destaques do festival Pauliceia Literária (leia ao lado), não sabia da alteração na Constituição brasileira e achou curiosa a coincidência entre os temas.
Não escapou ao autor português, porém, que a situação retratada pelo romance guarda nítidas semelhanças com a realidade daqui. A trama retrata a vida opressiva e quase sem esperança de Maria da Graça e Quitéria, duas diaristas -ou "mulheres-a-dias", como se diz em Portugal.
"A expressão é muito elucidativa", diz o autor. "É como se elas fossem mulheres em alguns dias e em outros não fossem nem cidadãs, de tal forma brutais são suas rotinas."
Fora a crise financeira e no casamento, Maria também é abusada sexualmente pelo patrão, com quem mantém uma relação ambígua.
"O universo das domésticas é bastante específico, e isso podemos notar com clareza no Brasil. Elas participam da intimidade dos patrões, mas sempre há uma barreira social entre eles. É uma interação muito complexa", argumenta.
Apesar do tom sombrio, o romance também tem muitos momentos de humor e acaba sendo, ao fim das contas, uma ode à força das mulheres.
O livro é o terceiro volume da tetralogia que o autor define como "ilustração crítica do Portugal do meu tempo". Os demais títulos, todos também escritos em minúsculas, para criar uma "humildade gráfica", já foram lançados aqui: "o nosso reino", "o remorso de baltazar serapião" e "a máquina de fazer espanhóis".
Depois da Pauliceia Literária, o autor pretende voltar ao Brasil para participar da Fliporto, festival em Olinda (PE), em novembro. Tornou-se um "queridinho" do público depois que foi aplaudido de pé na Flip de 2011, ao comentar o fascínio que o Brasil exerceu em sua formação.
"Fui muito afetado pela telenovela brasileira", diz. "Tony Ramos e Reginaldo Faria foram heróis da minha infância."

    Capital ganhará festival literário em setembro
    DE SÃO PAULOValter Hugo Mãe é um dos nomes já confirmados da Pauliceia Literária, festival da Associação dos Advogados de São Paulo, que terá primeira edição de 19 a 22/9, na capital paulista.
    O evento busca destacar os laços entre a literatura e o mundo jurídico, com autores como o mexicano Juan Pablo Villalobos, o americano Scott Turow e os brasileiros Laurentino Gomes e Tony Bellotto.
    A programação, sob curadoria de Christina Baum, será divulgada em agosto. Informações em pauliceialiteraria.com.br.

      Virada terá estrangeiros nas 27 cidades

      folha de são paulo

      Versão estadual do evento, que ocorre em 25 e 26 de maio no interior de SP, traz músicos de fora pouco conhecidos
      Escalação nacional traz Otto, Criolo, Titãs, Emicida, Marcelo D2 e Gal Costa, que cancelou participação em 2012
      CHICO FELITTIDE SÃO PAULOA Virada Cultural Paulista, que acontece em 25 e 26 de maio, terá sotaque. E não será o caipira das 27 cidades fora da capital onde ocorre, e sim o das atrações internacionais que marcarão presença em todos os municípios.
      "A ideia era trazer artistas que estão crescendo, e não nomes famosos", explica Maria Thereza Magalhães, coordenadora do projeto na Secretaria de Estado da Cultura.
      Por isso o "line-up" pode soar novo para um público que nunca ouviu falar de Ariana Delawari, artista afegã-americana que faz um som folk fofo, ou de Dena, alemã criada na Bulgária que faz rap.
      Um naco do programa será para a música indie. A banda hipster de meninas Au Revoir Simone fará um longo percurso entre Williamsburg (Nova York) e Indaiatuba e Santa Bárbara d'Oeste.
      Dois números homenageiam uma mesma cantora: The Amy's Live, trio de músicos que tocaram com Amy Winehouse e se dedicam ao cancioneiro da inglesa, e Zalon, que foi backing-vocal de Amy, se apresentam.
      Outra onipresença será a do riso. A programação é aberta com números de comédia "stand-up" nos 27 palcos do evento.
      A escalação nacional conta com Otto, Criolo, Agridoce, Almir Sater, Arnaldo Antunes, Raimundos, Titãs, Emicida, Marcelo D2. Além de Gal Costa, que teve problemas vocais e cancelou sua participação em cima da hora no evento do ano passado, mas desta vez garante que virá.

        Marcelo Coelho

        folha de são paulo

        Malandros sem chance
        A corrupção brasileira vive uma crise de competência. Os mequetrefes ficarão sem vez
        "Vai que Dá Certo" é uma produção da Globo Filmes que reúne alguns comediantes de grande sucesso na internet, como Fábio Porchat e Gregório Duvivier. O filme foi lançado em muitos cinemas, prevendo grande público.
        Se você for um dos possíveis espectadores, aviso que vou contar algumas cenas e piadas neste artigo.
        Boêmio e azarado, Danton Mello é Rodrigo, proprietário de um Maverick cor de barata metálica. O motor do carro está em petição de miséria. Aparece um assaltante. Rodrigo tem de lhe entregar aquela ruína sobre rodas.
        Torce, naturalmente, para que o carro não pegue. Ao volante, o bandido não desiste: manda Rodrigo empurrar o Maverick para ajudá-lo a ir embora.
        Tudo bem, é só uma comédia. Tudo bem, o filme tem patrocínio explícito da Fiat -e a necessidade de um carro novo envolverá outros personagens na trama. O espectador pode perguntar, em todo caso, por que um ladrão haveria de querer roubar um Maverick arrebentado.
        Uma resposta possível é a de que não se trata de um filme sobre o Brasil real. É uma comédia sobre um país imaginado.
        Esse país imaginado difere bastante dos antigos e novos clichês em torno de nosso "caráter nacional", e ao mesmo tempo concorda com eles. Classicamente, sempre fomos um povo improvisador, otimista, pacífico, atrasado e preguiçoso.
        O quadro mudou muito quando a malandragem se transformou em PCC, e quando caiu a ficha de que, bem ou mal, estamos entre as maiores economias do mundo. Enquanto isso, o sistema de favores comum na política tradicional se tornou uma espécie de variante parlamentar do crime organizado.
        O jeitinho deixou de constar como um traço simpático, e hoje equivale à transação com o pequeno traficante: um dente pequeno na engrenagem maior da corrupção. O que não quer dizer que não se recorra a ele.
        "Vai que Dá Certo" se baseia nessa percepção ambígua. A malandragem tem tanto futuro quanto o Maverick de Danton Mello, mas ainda assim não custa dar uma empurrada que, com sorte, o carro pega.
        O problema não é tanto o de a sociedade não admitir mais o comportamento criminoso. Ao contrário.
        O problema é que não há mais espaço para amadores. Rodrigo e seus amigos são ingênuos e atrapalhados demais para ter sucesso no golpe que planejaram.
        Terminam se salvando graças a um político jovem e corrupto, bem caracterizado por Bruno Mazzeo. Claro, o grupo ficará "devendo uma" ao figurão. No final do filme, o deputado aparece para lhes pedir um servicinho. Voltamos, com isso, ao caso do ladrão do Maverick. Que grande corrupto contrataria os préstimos daqueles patetas?
        Mas talvez isso aconteça. Muitos escândalos são desvendados, no Brasil, graças ao otimismo, à autoconfiança, dos próprios envolvidos.
        Fala-se em "certeza da impunidade", o que não é incorreto. Mas há também a certeza, bem brasileira, de que tudo vai dar certo no final. Assim, esquemas aparentemente bem montados desmoronam na baixaria da ex-amante, no laranja semianalfabeto à frente do barraco onde deveria funcionar uma empresa de consultoria.
        Conclui-se que, como em tudo, a corrupção brasileira vive uma crise de competência. Com mais investimento em educação, naturalmente esse problema será contornado. Os mequetrefes ficarão sem vez.
        Há algo de doce, talvez, e certamente de ingênuo em "Vai que Dá Certo". Estamos longe da violência mental de um site como "Porta dos Fundos", onde Fábio Porchat e Gregório Duvivier fazem humor mais cínico e adulto.
        Uma moça chamada Kellen procura o próprio nome entre as latas de Coca Zero; Fábio Porchat, no papel de atendente do supermercado, avisa. "Você tem um nome merda." Só vai achar, com sorte, na promoção do guaraná Dolly.
        Esse tipo de desplante não teria lugar no cinema comercial. Os participantes de "Vai que Dá Certo" precisam ser mais infantis, e menos realistas. Escolhem, na verdade, estilos de atuação heterogêneos.
        Lúcio Mauro Filho é uma figura de cartum, enquanto Danton Mello é mais naturalista, e Fábio Porchat se desequilibra entre alguma "gayzice" e o tipo cervejeiro.
        O filme é para ser em São Paulo, mas foge de uma localização precisa. No campinho de futebol, cada personagem usa a camisa de um time diferente. Ficamos, como o Brasil, entre o Fiat e o Maverick. Nenhuma das duas opções é de primeira linha.
        coelhofsp@uol.com.br