quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Beyoncé e Bruce Springsteen estudam fazer shows extras após Rock in Rio


PODE SER
A cantora Beyoncé pode estender a sua permanência no Brasil --ela desembarca no país em setembro para abrir o Rock in Rio. Estuda a possibilidade de fazer shows também em SP, em Belo Horizonte e em Fortaleza.
EU TAMBÉM
O roqueiro americano Bruce Springsteen também pode fazer shows extras depois de participar do Rock in Rio.
DOIS PARA LÁ
Racha no JBS Friboi, um dos maiores grupos do país: a família Bertin enviou notificação a Joesley Mendonça Batista, controlador da companhia, informando que pode adotar medidas legais para questionar a operação de incorporação da Bertin pela JBS. A fusão, anunciada em 2010, fez com que os dois grupos formassem a maior empresa de carnes do mundo.
...DOIS PARA CÁ
Quase três anos depois, a família Bertin se considera prejudicada por ter hoje participação menor do que a estipulada na época em que a negociação foi efetivada.
MESA REDONDA
Os dois grupos tentam negociar para evitar o litígio.
AS PESSOAS DA SALA DE JANTAR
Karime Xavier/Folhapress
Quando fez 18 anos, a chef Martha Bender vendeu o relógio Rolex que ganhou em seu baile de debutante para morar na Europa. Por lá, trabalhou em restaurantes na Itália e na Espanha. De volta ao Brasil, estagiou no Fasano.
Em 2005, abriu o bufê Banqueting e, desde então, assina o menu de algumas das festas mais chiques de SP.
SANGUE, SUOR...
Um dos líderes da Rede, novo partido de Marina Silva, o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) calcula que o movimento precisará coletar ao menos 700 mil assinaturas para pleitear seu registro na Justiça Eleitoral com segurança. Ou seja, 200 mil a mais do que as 500 mil exigidas pela lei. "É uma margem segura, já que basta uma letra errada, uma divergência mínima com o registro do eleitor no cartório para que sua assinatura seja invalidada", diz ele.
...E LÁGRIMAS
A Rede montou um sistema de checagem das assinaturas que tem, em São Paulo, dez voluntários, diz Walter Feldman.
*
O último balanço mostra que até abril 263 mil pessoas apoiaram oficialmente a formação da nova legenda.
BALZAQUIANO
O sertanejo Daniel foi autorizado a captar R$ 3 milhões, via leis de incentivo, para levar a turnê "Daniel 30 Anos - O Musical" a São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. Nos shows, ele será acompanhado por 16 atores/cantores, que encenarão sua trajetória artística.
HISTÓRIA REAL
A diretora Petra Costa recebeu convidados na pré-estreia do documentário "Elena" na segunda-feira (6) no Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta. Lurian da Silva, filha de Lula, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, o apresentador da Record Rafael Cortez e o cineasta José Eduardo Belmonte compareceram à sessão.

Filha de Lula e artistas vão à pré-estreia de "Elena"

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Zanone Fraissat/Folhapress
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Lurian Silva, filha do ex-presidente Lula, compareceu à pré-estreia do documentário "Elena", na segunda (6)
PELADA FRANCESA
O ex-jogador Raí comandará uma partida de futebol para convidados durante o Festival de Cannes, que ocorre neste mês na França. A iniciativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e do Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo, que fecharam uma praia na Croisette.
CHEGADAS E PARTIDAS
A apresentadora inglesa Kelly Osbourne, filha de Ozzy Osbourne, cancelou de última hora sua vinda a São Paulo, onde seria DJ, no sábado, na festa da Chilli Beans. Alegou problemas de saúde. Em seu lugar, foi escalada Jade Jagger, herdeira de Mick Jagger.
VIVA NIEMEYER
Desenhos inéditos de Oscar Niemeyer e uma réplica da escultura "Mão", assinada pelo arquiteto e instalada no Memorial da América Latina em São Paulo, integrarão a mostra "Arte & Política: Enfrentamentos, Combates e Resistências", no Rio. A exposição será inaugurada no dia 14 no Memorial Getúlio Vargas, também projetado por Niemeyer.
CINEMA EM CASA
A TV Cultura lançou na segunda (7) no Museu da Imagem e do Som o programa "Telefilmes Cultura 4". O secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Marcelo Araújo, o produtor Caio Gullane, a apresentadora Marina Person e as atrizes Ana Elisa Mattos e Rita Batata estiveram no coquetel.

TV Cultura apresenta projeto para convidados

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Zanone Fraissat/Folhapress
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Marcus Fernandes, gerente de aquisição e produção independente da TV Cultura, estava no MIS (Museu da Imagem e do Som) para o lançamento do programa "Telefilmes Cultura 4", na segunda (6)
CURTO-CIRCUITO
A Galeria Contempo, na Vila Madalena, abre nesta quarta-feira (8) para convidados a exposição "Degrau", do artista Antônio Bokel. Às 20h.
O bazar Colheita Especial vai de quarta a sábado, das 12h às 20h, na rua Maria Carolina, 282.
Pedro Lima lança seu primeiro clipe, "Up From The Skies", às 21h, no Jazz nos Fundos. O vídeo tem produção da BossaNovaFilms.
Chella Safra foi empossada como tesoureira do Congresso Judaico Mundial na segunda-feira (7) na Hungria.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Documentário tenta decifrar mix musical do Mulheres Negras

folha de são paulo

CRÍTICA - FESTIVAL IN-EDIT BRASIL 2013
Formada nos anos 1980, dupla paulistana quis abordar canção popular com humor e sofisticação instrumental
THALES DE MENEZESEDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"Antes de o pop ser invadido pelas duplas, quando estas existiam no Brasil apenas no mundo sertanejo, surgiram Os Mulheres Negras.
Que não eram mulheres. Muito menos negras.
Assim, André Abujamra e Mauricio Pereira faziam questão de dizer que eles eram Os Mulheres Negras, "a terceira menor big band do mundo".
"Música É para Isso: Uma História dos Mulheres Negras", documentário de Bel Bechara e Sandro Serpa, passa bons minutos iniciais com possíveis explicações sobre a origem do nome da dupla.
Serve como boa introdução de um documentário, que tem forte caráter analítico. Alterna muitos comentários de críticos e de amigos, tentando explicar o trabalho do duo.
Quem for ver hoje a sessão desse filme no festival de documentários musicais In-Edit vai perceber como é difícil concretizar a tarefa.
O nome, indecifrável diante de tantas histórias sobre sua origem espalhadas pela própria dupla, não é a única interrogação a respeito da banda. Outra, bem maior, é rotular seu som.
Abujamra e Pereira se conheceram num curso de tambor africano. Mas seu estilo, registrado em dois álbuns --"Música e Ciência" (1988) e "Música Serve Pra Isso" (1990)--, era um caldeirão de ritmos tocado com guitarra (Abujamra), sax (Pereira) e samplers, sintetizadores e baterias eletrônicas (dos dois).
Nas letras, uma irreverência naturalmente engraçada, sem forçar a barra ("Não somos uma banda de humor, nós fazemos música com humor", repete Pereira).
A melhor tentativa para se definir Os Mulheres Negras talvez seja a ideia de abordar música popular com sofisticação, indo facilmente de Noel Rosa a Dave Brubeck.
Depois de terminar no início dos anos 1990, a dupla voltou à ativa em 2012. Já fez show em São Paulo este ano. Mas isso vai ficar para um outro documentário.

    Lobão "neocon" alimenta debate meia-boca

    folha de são paulo

    CRÍTICA - ENSAIO
    Lobão "neocon" alimenta debate meia-boca
    "Manifesto do Nada na Terra do Nunca", novo livro do músico, tem bobagens homéricas e algumas boas tiradas
    LOBÃO, COM SEU FLAMEJANTE OPÚSCULO, PARECE QUERER ASSUMIR O PAPEL DE BANDA DE ROCK DA CONTRARREVOLUÇÃO
    MARCOS AUGUSTO GONÇALVESCOLUNISTA DA FOLHAAntes de tudo, graças ao rebu midiático, já sabemos de tudo. Lobão, o "rock star" hiperbólico, corrosivo e briguento, volta a atacar em seu novo livro, "Manifesto do Nada na Terra do Nunca".
    Ataca a MPB, ataca Gilberto Gil, ataca Edu Lobo, ataca Chico Buarque, ataca Ivan Lins, ataca Gonzaguinha; ataca o rap, ataca Mano Brown, ataca roqueiros, ataca Roberto Carlos, ataca as gravadoras e músicos preguiçosos que não entendem de tecnologia de estúdio.
    Ataca o mundo "agrobrega" e ataca também a Semana de Arte Moderna, a antropofagia e o nacionalismo --o grande mal.
    Mas a cereja do milk-shake vem mesmo da política: Lobão volta à cena editorial definitivamente "neocon". Bem, na realidade isso também se sabia --afinal, não é de hoje que ele é chamado de "direitista hidrófobo" na internet.
    Alguém disse, em outros tempos, que o movimento estudantil seria a banda de música da revolução socialista. Lobão, então, com seu flamejante opúsculo, parece querer assumir o papel de banda de rock da contrarrevolução.
    Ex-petista desencantado, não deixa companheiro em cima de companheiro. De Ernesto Che Guevara, "um dos maiores e inquestionáveis assassinos do século 20", à presidente Dilma Rousseff, que teria "ficha criminal bastante ampla", passando por Lula, pelo cortejo da militância petista, pela Comissão da Verdade e pelos intelectuais de esquerda (os "carolas estatizados"), tem tomate para todo mundo.
    Com essa dinâmica toda, é claro que o videogame pegaria instantaneamente nas redes sociais. É tiro para lá e tiro para cá.
    MANIQUEÍSTA
    "Patrulhas Eletrônicas contra a Ameaça Fantasma" talvez fosse um bom título para esse debate maniqueísta meia-boca que se trava na baixa blogosfera. Tudo isso, evidentemente, é um saco. E é o que o lançamento de Lobão alimenta, não por um desvio da recepção, mas por ter sido feito para isso.
    É claro que em tais condições o julgamento do livro torna-se mera consequência da inclinação ideológica do leitor. A direita vai levar o autor para o trono, e a esquerda, buziná-lo.
    PETARDOS
    Não obstante, alguém dotado de senso de humor, espírito crítico e liberdade para pensar fora da caixa ideológica binária poderá encontrar, ao lado de bobagens homéricas, alguns petardos muito bem disparados, tiradas engraçadas, histórias inesperadas e considerações inteligentes.
    Lobão faz parte de uma geração de músicos que encontrou no rock uma forma de expressão, numa fase em que o declínio da ditadura militar anunciava novos tempos e a entronização do ideário cultural nacional-popular na nascente Nova República.
    Para boa parte dos garotos roqueiros daquela época, o intelectual nacionalista de esquerda desempenhava papel semelhante ao de seus antípodas de direita.
    Ambos, "reaças e comunas", nutriam a mesma precaução careta e xenófoba a respeito de formas culturais "exóticas" --como era visto o rock.
    Não é demais lembrar que tivemos no Brasil uma passeata contra o uso da guitarra elétrica puxada por supostos músicos "progressistas". Compreensível, portanto, que Lobão volte ao tema do nacionalismo como um problema a ser atacado.
    Pena que com ideias curtas e esse bocão tão grande.

      Marcelo Coelho

      folha de são paulo

      Mistérios do aborto
      Pode alguém ser "alguém" antes de nascer? Seus direitos nascem antes do nascimento?
      Fico um pouco incomodado quando os defensores do aborto dizem que o tema deve ser analisado "como questão de saúde pública".
      Claro que é questão de saúde pública. Mas dizer isso só faz sentido quando todas as outras questões já foram resolvidas. Para quem considera o aborto um atentado à vida humana, ou seja, como algo próximo do assassinato, não adianta nada falar em saúde pública.
      Se a polícia fizesse uma "blitz" nas clínicas clandestinas, e prendesse todos os "fazedores de anjinhos", também a famosa questão da "saúde pública" estaria resolvida em grande parte.
      Além disso, o objetivo dos antiabortistas é convencer as gestantes de que elas não devem cometer um ato, em última análise, criminoso. Estariam livres, ademais, dos graves riscos que esse ato implica.
      Falar em termos de "saúde pública" equivaleria, nessa mentalidade, a se preocupar com o mau funcionamento das armas de fogo. Podem explodir nas mãos do assassino. Cumpriria às autoridades zelar para que não ocorra esse tipo de acidente.
      Claro que nenhum antiabortista leva seu raciocínio a esse extremo. Mas não tenho dúvidas de que recebe mais ou menos assim o tal discurso da "saúde pública". Para ele, o problema da saúde pública está eliminado por princípio, uma vez que a ninguém é permitido abortar.
      No fundo, a tese da "saúde pública" é uma contorção lógica, uma daquelas maneiras típicas de colocar o carro na frente dos bois. Os marqueteiros políticos são excelentes nesse gênero de eufemismos.
      Provavelmente, a ideia só ganhou o destaque que possui hoje em dia porque se tornou, nos debates, a resposta padrão dos candidatos que são a favor do aborto.
      Do lado oposto, achei interessante um artigo recente de dom Odilo Scherer no "Estado de S. Paulo". Sua intenção, em si louvável, foi retirar da discussão qualquer aparência dogmática e religiosa.
      Pelo que entendi do que escreveu o arcebispo de São Paulo, a questão independe da crença que se tenha na Bíblia ou na existência da alma. Diz respeito aos direitos humanos.
      O direito à vida, inscrito na Constituição, teria de ser especialmente respeitado nesse caso --uma vez que a vítima do aborto é a mais indefesa das vítimas.
      Nada melhor, do meu ponto de vista, do que eliminar da discussão o seu aspecto religioso. Mas criticar o aborto em termos de "direitos humanos" me convence.
      O embrião é sem dúvida uma vida humana. Mas não consigo me convencer de que seja uma pessoa. Pode alguém ser uma pessoa antes de nascer? Pode alguém ser "alguém" antes de nascer? Seus direitos nascem antes do nascimento? Como posso dizer que sejam "seus"?
      A questão é totalmente subjetiva. Envolve um "reconhecimento" de pessoa para pessoa. Não consigo "reconhecer" no embrião uma pessoa como eu. No feto, provavelmente sim, e me chocaria ver aqueles filmes em que um ser vivo com dedinhos e pezinhos se debate para não ser abortado.
      A tese dos "direitos humanos" tende a um impasse quase "materialista" --termina nas profundidades do microscópio. Não vejo como prosseguir a partir daí. Mas andei lendo algo que oferece uma saída --das mais religiosas-- para quem quiser criticar o aborto.
      Numa antologia de poesia cristã francesa recentemente publicada, "O Rumor dos Cortejos" (Editora Fap-Unifesp), traduzem-se versos de uma das "Cinco Grandes Odes" de Paul Claudel (1868-1955).
      Ele escreve sobre o mistério da graça cristã. "Tu me chamas a Musa e meu outro nome é a Graça, a graça que se traz ao condenado", dizem os versos.
      "Não há mais que este amor que existe entre mim e ti", continua Claudel. "Não me escolheste, fui eu que te escolhi antes que nasceras. Entre todos os seres que vivem sou a palavra de graça endereçada apenas a ti (...) Eis que fui a teu encontro como a misericórdia que abraça a justiça (...) Não busques confundir-me. Não tentes dar-me o meu em teu lugar. Pois é a ti que peço."
      Ou seja, a graça, a salvação da alma, consiste num ato divino de amor a mim que precede o meu próprio nascimento. Naturalmente, a dificuldade de acreditar numa coisa dessas é proporcional à beleza de toda a concepção.
      Antes de nascer, eu não era nada. "Era sim", responde a Graça. Não é um raciocínio que me convença a ser contra o aborto. Mas, pelo menos, me faz entender porque a religião é tão importante para quem discute do tema.