quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Novos conselheiros do CNJ serão escolhidos em "concurso" com dezenas de candidatos


Confusão à vista na indicação de novos conselheiros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça): os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) devem anunciar em breve uma espécie de "concurso" para escolher os dois representantes do poder Judiciário no órgão. Tribunais do país, além dos magistrados da corte máxima, poderão indicar candidatos. O número de postulantes pode chegar perto de cem.
PORTA ABERTA
Na prática, a medida contorna as indicações de Joaquim Barbosa. Como é praxe, na condição de presidente do STF, ele já tinha apresentado nomes para os cargos --o de uma desembargadora de Brasília e o de uma juíza de SP. Com o "concurso", elas passam a disputar as vagas com dezenas de candidatos.
MULTIDÃO
Barbosa apresentou os nomes em abril, depois de analisar o currículo das magistradas e com a intenção de aumentar a presença feminina no CNJ. Outros ministros pediram tempo para analisar e também para que o STF, desta vez, adotasse nova forma de indicação. O "concurso" deve resultar em disputa inédita e acirrada pela indicação, que cabe ao Supremo.
O HAITI É ALI
A Brasil Foods concluiu estudos de viabilidade para instalar uma unidade de produção de frango no Haiti. "Vamos montar uma pequena BRF lá", diz Wilson Mello, vice-presidente de assuntos corporativos da empresa. A companhia brasileira fez uma parceria com a Yunus Social Business, fundada pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, para o projeto.
POTE DE MÁGOAS
Segue tenso o clima entre vereadores do PT de São Paulo e a administração de Fernando Haddad (PT-SP). Apesar da disposição do próprio prefeito de negociar os vetos a projetos dos parlamentares do partido, há quem preveja que eles podem dar um "troco", fazendo corpo mole na aprovação de alguma proposta do Executivo.
EMPRESA FC
O Palmeiras é o primeiro clube a entrar no Lide, grupo fundado por João Doria Jr. para promover o encontro de empresas como Vale, Amil, Braskem, TAM e Coca-Cola.
NEM MOCINHO NEM BANDIDO
Jean-Baptiste Mondino
Neymar, 21, recém-contratado pelo Barcelona, é capa da revista "GQ".
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O craque conta que usa perfume para treinar e jogar e afirma que não é "incontestável". "No futebol, um dia você joga bem e no outro, não. A cobrança sempre vai existir e eu já estou acostumado com isso em qualquer estádio em que jogo, pelo clube e pela seleção. Não penso em ser herói e muito menos vilão, nunca pensei. Jogo pelo time, porque futebol é coletivo."
BASQUIAT NO RIO
Uma grande exposição do artista e grafiteiro Jean-Michel Basquiat vai aportar no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, em agosto de 2014. Cerca de 70 telas do americano, vindas de coleções particulares de países como EUA, Alemanha e Rússia, integrarão a mostra.
BASQUIAT NO RIO 2
Vídeos e retratos de Basquiat e de seus trabalhos feitos por Andy Warhol também estarão na exposição, que terá um braço musical. Michael Holman, que ao lado de Basquiat e do ator Vincent Gallo formou a banda Gray, também fará um show. DJs brasileiros vão completar a programação. O projeto é orçado em R$ 13 milhões.
SUBO NESSE PALCO
O Prêmio Aplauso Brasil de Teatro, na segunda-feira (27), reuniu na SP Escola de Teatro os atores Bruno Fagundes, Maria Alice Vergueiro, Rubens Caribé, Raul Barretto, José Rubens Chachá e Cléo De Páris.

Prêmio de Teatro reúne atores em SP

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Zanone Fraissat /Folhapress
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O ator Bruno Fagundes, filho dos também atores Mara Carvalho e Antonio Fagundes, foi um dos apresentadores do Prêmio Aplauso Brasil de Teatro
DILMA FRUSTRADA
Uma frase postada no sábado pelo perfil "Dilma Bolada", sátira inspirada na presidente e que tem 335 mil seguidores no Facebook, foi apagada pela rede social três horas depois de ir ao ar. Ela fazia referência a um processo contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Inventar mentira contra mim é mole, querido", dizia a piada, como se fosse escrita pela petista. "Fiquei frustrado", afirma Jeferson Monteiro, administrador da página.
DIRETO AO PONTO
A assessoria de imprensa do Facebook, que se reserva o direito de excluir postagens que descumpririam suas regras, diz que não comenta casos específicos.
CASA DE REVISTA
A Casa Cor foi aberta no domingo no Jockey Club de São Paulo. Angelo Derenze, presidente do evento de decoração, recebeu os convidados ao lado da mulher, Walkiria. Os arquitetos João Armentano e Dado Castello Branco participaram.

Arquitetos em evento de decoração no Jockey

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Divulgação
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Os arquitetos João Armentano e Dado Castello Branco participaram da abertura da Casa Cor no Jockey Club de SP, no domingo (26)
CURTO-CIRCUITO
Luan Santana vai gravar um DVD em 3 de julho na Arena Maeda, em Itu.
O livro "Flexões - Um Estudo sobre a Sexualidade Plural", de André Martins e João Zambom, será lançado às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
Reinaldo Lourenço apresenta coleção de verão, nos Jardins, hoje, às 10h.
O empresário André Almada faz seis festas até domingo, durante a semana da Parada LGBT, no Grand Metrópole, The Week e Nacional Atlético Clube. 18.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

'Faroeste Caboclo' atrela-se demais à música

folha de são paulo
Critica - Drama
Recorrente em certo cinema brasileiro, discurso social volta com força; escolha de Brasília como cenário é acerto
INÁCIO ARAUJOCRÍTICO DA FOLHADo ponto de vista estrito do roteiro, "Faroeste Caboclo" propõe-se como ilustração fiel, quase literal, da música de Renato Russo. Lá está o menino pobre, que começa por matar o assassino do pai e depois chega a Brasília, onde logo se torna traficante.
Traficante ou não, chamará a atenção de uma garota rica e travará com um traficante playboy (branco e bem de vida) duelo pelo controle das drogas em um círculo e, ao mesmo tempo (ou sobretudo), pelas atenções da garota --o traficante playboy não se conforma que ela goste do menino pobre e preto.
O fato de o roteiro prender-se estritamente à música poderá, talvez, contentar os fãs de Renato Russo, mas tem o inconveniente de ser previsível demais.
Mesmo quem não tenha ouvido, jamais, a música sabe quais os próximos passos do filme: ele cumpre determinadas convenções à risca.
Assim, nos damos conta de que, entre o pobre e o rico, o negro e o branco, é sempre o primeiro que terá suas razões privilegiadas.
DESGASTES
Isso nos remete a um momento do cinema brasileiro (a ditadura e mesmo após o seu final, tudo que antecede, a rigor, "Cidade de Deus") em que a preocupação social era central. Não é que essas preocupações tenham se tornado caducas: é que ficaram desgastadas pelo uso.
Ao relançá-las, "Faroeste" busca Brasília como cenário, e esse é provavelmente o seu maior acerto. Primeiro, porque esse faroeste metafórico nos remeterá em linha reta ao bangue-bangue nacional, que tem naquela cidade a sua capital.
Segundo, porque carrega a indagação sobre o que é, afinal, Brasília. Que cidade misteriosa é essa onde tudo parece vir do exterior? Ou que, reformulando, parece não ter existência própria senão como lugar vazio?
Brasília: capital do país (Plano Piloto) e terra de ninguém (cidades-satélites): dois mundos que se comunicam por intermédio das drogas, que promovem certa igualdade nesse terreno de desigualdades.
Ali, pretos e brancos, pobres e ricos coabitam. Esse olhar sobre a cidade é que fornece o material mais interessante a um filme que aparece sob certo aspecto atrelado demais ao momento da música (entre os anos 1970 e 1980).

    MinC fará a fiscalização do Ecad, diz Marta Suplicy

    folha de são paulo
    Em palestra, ministra pede mais transparência
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
    A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou que o Ecad, entidade que arrecada e distribui direitos autorais relativos a obras sonoras, será fiscalizado pelo Ministério da Cultura. Isso segundo o anteprojeto de reforma da Lei de Direitos Autorais, que foi elaborado pela pasta e está em análise no governo federal.
    O anúncio foi feito anteontem durante palestra para empresários em São Paulo.
    Em Brasília, há ainda um projeto de lei em tramitação no Senado que também trata da fiscalização da entidade. Esse texto é fruto da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Ecad, que acabou em abril de 2012 com o pedido de indiciamento de 15 pessoas sob a acusação de fraudes e falta de transparência --o Ecad nega as acusações.
    Inicialmente, esse projeto estabelecia que a fiscalização seria feita pelo Ministério da Justiça --agora, um substitutivo está sendo elaborado para mudá-la para o MinC.
    Marta diz cobrar transparência do Ecad e nega uma possível ingerência. "O Ecad se acha um órgão transparente, mas nós não. [Assim,] conseguiram fazer a cabeça de muitos artistas", afirmou.
    A fiscalização do Ecad foi alvo de debates acirrados em gestões anteriores do MinC. O texto atual da reforma da Lei de Direitos Autorais ainda não foi divulgado.

    Marcelo Coelho

    folha de são paulo
    O troco em balinha
    Anúncios contra a pirataria no Brasil e nos Estados Unidos ajudam a reavaliar a diferença entre os países
    Comprei pouquíssimos DVDs piratas ao longo da vida. Uma vez, há dez anos, em total estado de inocência, vi que existia uma banquinha na frente do Espaço Unibanco, e achei que era uma espécie de sebo ou venda de ocasião.
    Nesse espírito, levei uma coleção de filmes sobre a história do jazz. Mais parecia um samba de breque.
    Muito tempo depois, ou melhor, no mês passado, comprei uma leva dos filmes do Oscar que eu não tinha conseguido ver. O DVD não ficava empacando o tempo todo.
    Mesmo assim, a experiência deixou a desejar. "O Mestre", por exemplo, filme bastante chato sobre o criador da cientologia, tinha legendas mais absurdas do que as próprias teorias apresentadas durante a história.
    Prefiro comprar DVDs "seminovos" ou remexer nos saldões da Blockbuster. Claro, isso me deixa mais desatualizado do que nunca em termos de cinema americano. Enfim, há vantagens e desvantagens.
    Mas talvez o melhor do DVD pirata esteja no fato de que ali, pelo menos, não temos de ver anúncios contra a pirataria.
    O que mais me irrita, nesse tipo de coisa, é que eles desabilitam o seu controle remoto: não consigo pular o anúncio. Sou obrigado a assisti-lo, a ser doutrinado na defesa dos direitos de Steven Spielberg, dos donos da Fox.
    Os anúncios brasileiros são bastante criativos, aliás. Mas o interessante é quando você topa com uma mensagem americana contra a pirataria. A comparação pode ser instrutiva quanto às diferenças de mentalidade nos dois países.
    Nos Estados Unidos, eles mostram dois consumidores. Bill, conta o anúncio, chamou os amigos para assistir um filme em casa. Está tudo pronto, a cerveja, a pipoca. Tony, em outro apartamento, fez o mesmo.
    Só que Tony comprou um DVD pirata. O som é péssimo; a imagem, turva. Pobre Tony! Seus amigos o abandonam. Ele luta com o controle remoto, e as pipocas se espalham pelo chão. Ficou sozinho. Não é mais popular. É um "loser".
    No Brasil, como se sabe, os anúncios antipirataria têm outro conteúdo. O vendedor de DVDs piratas dá o troco "em balinha": são munições de metralhadora.
    Ou então é o pai edificante, repreendendo o filho porque colou o trabalho do colégio. Só que assiste ao DVD pirata. O filho o repreende em troca.
    Embora eu não tenha certeza das ligações entre pirataria e tráfico de drogas (ou sequestro, ou terroristas da Al Qaeda), reconheço nos anúncios brasileiros um conteúdo moral mais elevado. Trata-se de apelar para o respeito à lei.
    Nos Estados Unidos, o apelo é aos interesses do próprio consumidor. Que se refletem, sobretudo, na aprovação dos seus pares.
    Usando a velha distinção de David Riesman, em "A Multidão Solitária", seria o caso de dizer que o brasileiro seria ainda um exemplo de cidadão "autodirigido", ou seja, alguém que incorporou dentro de si a legalidade.
    Precisa ser apenas, digamos, melhor informado sobre a lei específica em questão, mas haverá de colaborar. Quer se olhar no espelho e se enxergar como um cidadão de bem.
    Já o espectador americano perdeu qualquer senso de civismo. Na tipologia de Riesman, é o "heterodirigido": não pensa em ficar bem consigo mesmo, mas sim em ficar bem com os amigos. Não quer ser visto como um muquirana, um pobretão, um molambento eletrônico.
    Estaremos tão bem assim em termos de escala de valores? Há algum tempo, tudo levaria a crer que passaria por otário, por um "caxias", o sujeito que não compra DVDs piratas. Hoje, o apelo do anúncio brasileiro se dirige aos admiradores de Joaquim Barbosa.
    Se funciona ou não, é outro caso. Será menor o comércio pirata em São Paulo do que em Los Angeles?
    Talvez o anúncio relacionando crime organizado e pirataria convença menos por lá. Afinal, num mundo em que os direitos autorais são uma fonte de renda tantas vezes ilegítima (basta pensar no quanto ganham os netos de um escritor morto há décadas), a condenação à pirataria é um bocado problemática.
    Já se mudou a legislação a respeito, estendendo a validade dos direitos sobre uma obra, para responder a um risco iminente: o de que a imagem de Mickey Mouse passasse ao domínio público.
    Com lei ou não, é ainda o mundo de Tio Patinhas; Donald, certamente, tenta o DVD pirata, enquanto os escoteiros-mirins suspiram desolados.