domingo, 9 de junho de 2013

Nobel propõe que consumidor pague US$ 3 a mais por selo antiexploração do trabalho

TONI SCIARRETTA
Folha DE SÃO PAULO

Ganhador do Nobel da Paz de 2006, o economista Muhammad Yunus fundou o banco Grameen em 1976 e ficou conhecido como banqueiro dos pobres.
Em Bangladesh, ele criou o sistema de microcrédito que empresa dinheiro a mulheres, sem garantias, para investir em pequenos negócios que sustentam suas famílias. O banco tem 2.185 agências, emprega 18.795 pessoas e tem 7 milhões de clientes. A taxa de inadimplência é de menos de 2%.
Nasci em uma pequena aldeia do Bangladesh em 1940. Era uma família pobre com 13 filhos. Depois, nos mudamos para a cidade, meu pai abriu uma loja de joias e se tornou um pequeno empresário.
Rodrigo Capote/Folhapress
Muhammad Yunus, que ganhou o Nobel da Paz em 2006
Muhammad Yunus, que ganhou o Nobel da Paz em 2006
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Cresci no meio dessa família, que me incentivou a ir para a escola. Continuei estudando e me formei economista na universidade de Dacca [capital do país]. Depois fiz mestrado e obtive uma bolsa para estudar nos EUA.
Lecionei nos EUA, poderia ter ficado por lá, mas sempre planejei voltar a Bangladesh. Pensava que poderia ser útil de alguma forma para as pessoas do meu país.
Sempre quis ser um professor universitário, mas acabei me envolvendo com o microcrédito. Emprestava dinheiro para mulheres, sem qualquer garantia, investirem nos pequenos negócios da família. A mulher administra a vida da família e é muito responsável com o uso do dinheiro.
Por trás dessa ideia, estava a construção do Banco Grameen [banco das aldeias].
Enfrentamos dificuldades de todos os tipos. Vivemos em um país muçulmano e a religião é uma questão muito sensível. Algumas pessoas interpretavam que emprestar dinheiro e cobrar juros era uma forma de exploração, que ia contra as leis do Corão.
Também achavam que emprestar dinheiro para mulheres era uma coisa destrutiva numa sociedade em que a mulher tem um papel recluso. Os homens não gostavam e perguntavam: por que estamos dando dinheiro para as mulheres deles? Estávamos fazendo uma coisa que muitos políticos diziam que era tarefa do governo.
Para responder aos questionamentos, fomos procurar exatamente o que dizia o Corão sobre empréstimos e mulheres. Procuramos exemplos históricos. Aos políticos explicamos que a ideia não era reduzir o poder nem a responsabilidade do governo, mas complementá-la.
Sempre tivemos oposição e enfrentamos calúnias.
As resistências foram aos poucos diminuindo porque as pessoas começavam a ver os benefícios conquistados.
Fiquei conhecido como o banqueiro dos pobres, mas o maior reconhecimento foi o Nobel da Paz, em 2006.
Foi um voto de que, bem aplicadas, as finanças promovem o entendimento e a paz.
Em 2010, fui convidado a sair do Grameen por estar velho demais [o BC determina aposentadoria aos 60 anos]. Contestei isso na Justiça, alegando que nosso banco não tinha essas regras. Mas a corte não aceitou o caso e eu saí. Há várias interpretações e não quero falar sobre isso.
Se no Brasil o microcrédito não teve tanto sucesso, talvez seja porque não tenha sido feito da forma correta. Não culpo o país nem o povo, mas a forma como foi feito. Deu certo na Guatemala, na Costa Rica, no México e na Colômbia. Talvez seja o juro alto, mas não conheço a operação e prefiro não comentá-la.
O Brasil é um país muito importante, que veio de baixo e tem a responsabilidade de mediar as discussões entre países ricos e pobres.
Hoje, eu me dedico aos negócios sociais que tratam de temas como pobreza, desemprego e danos ambientais.
As pessoas que trabalham com esses negócios devem perseverar vendo os resultados. O fato de querer ajudar as pessoas não faz dos profissionais menos interessados em ser bem pagos ou de ter um plano de carreira sólido.
Bangladesh teve uma tragédia neste ano. O prédio de uma fábrica têxtil caiu e matou mais de 1.100 pessoas. Não podemos deixar que essas fábricas se instalem em prédios que não são seguros.
Como uma pessoa pode usar uma camiseta que foi produzida nessas condições?
Por que não pagar um pouco mais e garantir com que esses trabalhadores tenham uma vida mais segura?
Estamos tentando aprovar um salário mínimo de US$ 0,50 por hora. Hoje, são US$ 0,25. Isso não custará muito mais para os consumidores. Talvez alguns produtos de US$ 60 custem mais US$ 3. Claro que temos de ter certeza de que esse dinheiro será direcionado a esse fim.
É aceitável que a empresa que respeite esses padrões mínimos de segurança no trabalha possa etiquetar seu produto ressaltando que ele foi feito sem usar trabalho escravo e sem explorar ninguém. Não é usar a pobreza como marca. É o símbolo de um comércio justo.

Entrevista - Fábio Gandour - Ana Estela de Sousa Pinto

folha de são paulo
ENTREVISTA - FÁBIO GANDOUR
Para crescer, país precisa fazer ciência como negócio
Cientista-chefe da IBM diz que complexidade da economia exige novos métodos de soluções de problemas no Brasil
ANA ESTELA DE SOUSA PINTOEDITORA DE "MERCADO"
Chefe do primeiro laboratório aberto no hemisfério Sul pela gigante de tecnologia IBM, Fábio Gandour, 60, acha que é necessário mudar a pesquisa científica no Brasil.
Na prática, livrar-se do "caráter doutrinário" e fazer "ciência como negócio" --cujo objetivo seja gerar lucro para quem a financia.
A mudança, diz, exige planejamento, continuidade apesar das mudanças de governo e espírito de competição.
Sem isso, o país pode desperdiçar a onda de investimentos que virá com as concessões de infraestrutura e os grandes eventos esportivos.
De olho nessa maré, a IBM definiu quatro troncos de negócios: óleo e gás, mobilidade urbana, microeletrônica e serviços. Em dois anos, obteve 40 patentes.
Se elas se traduzem em lucro, como preconiza o cientista-chefe? Impossível saber. A empresa, que fatura mais de US$ 100 bilhões por ano nas operações globais (se fosse um país, teria o 60º maior PIB do mundo), não divulga dados financeiros do Brasil.
Folha - Como convenceu a IBM a abrir um laboratório no Brasil?
Fábio Gandour - Quando surgiu o conceito de Bric, percebi que havia um movimento muito forte em direção ao Brasil, de dinheiro, curiosidade, demanda de produção. Toda vez que isso acontece, aumenta a complexidade.
Por exemplo, o padeiro tem um método de gestão de qualidade. Se a farinha não estiver boa, reclamará com o fornecedor. Se tiver que passar de cem para mil pães por fornada, sem um método diferente, esse treco desce pelo ralo. A escala, a qualidade e o perfil da demanda mudam. Imagina quando você multiplica isso por muitas pessoas, em várias organizações.
Vendo que a complexidade ia ser crescente nesse exótico país tropical chamado Brasil, que nunca teve uma tradição em educação, nem em métodos sofisticados de manufatura nem em engenharia de produção --embora com ilhas de excelência nas três áreas--, concluí que os métodos tradicionais de solução de problemas não seriam suficientes. O grande argumento que convenceu o alto escalão foi o conceito de ciência como negócio. A ciência evoluiu na história muito dentro da academia, onde adquiriu um caráter doutrinário. Nada contra. O problema é que não funciona fora da academia.
Quais são as diferenças em relação à ciência como negócio?
A ciência doutrinária tem credos, liturgia, até dogmas. Descumpra a liturgia de uma universidade, para ver. Você não sai do lugar [risos]. As universidades mais tradicionais praticam esse modelo, que alargou as fronteiras do conhecimento até hoje, mas não serve para produção de novas soluções.
Vamos desenvolver uma ciência cujos resultados sejam plenamente orientados a causar impactos positivos nos negócios dos seus financiadores. Essa é a diferença essencial. Enquanto um professor desenvolve uma pesquisa cujo resultado será uma publicação, nós desenvolvemos uma cujo resultado será alvo de uma patente.
Isso não é o que já fazem os laboratórios farmacêuticos?
Há muito tempo. É também o que fazem algumas universidades americanas. Num equilíbrio muito bom entre doutrina e negócio.
Acredito que um laboratório que pratique ciência como negócio é autossustentável, um negócio como qualquer outro. Se for bem gerenciado.
Ele dá lucro. E corre um sério risco de ser um departamento altamente lucrativo quando der uma pegada, dessas na veia. Como a IBM, quando levou o primeiro Nobel de Física cujo objeto de premiação não era uma teoria, mas um objeto: o microscópio de força atômica.
Quando o sr. fez o plano de negócios do seu laboratório, projetou um resultado positivo em quanto tempo?
Cinco anos, até 2015. Já temos mais de 40 patentes. Em 2012, a IBM, pelo 20º ano consecutivo, foi campeã no registro de patentes nos EUA. Mas a gente não faz patente para ganhar o campeonato. Faz porque tem um mecanismo de monetização desse capital intelectual. Um departamento cheio de advogados e economistas, que transforma a patente em dinheiro.
Quando o sr. poderá dizer que seu projeto deu certo?
Já deu. Já ultrapassou o ponto de "no return", por causa da importância que esse pedaço do planeta tem na economia mundial.
Esse pedaço é o Brasil?
Não, é o hemisfério Sul. E já consigo enxergar o próximo pedaço do planeta que fará grande sucesso. A África.
Uma empresa ganha mercado se tiver um centro de pesquisa aqui?
Ah, ganha. A solução desses problemas no mundo mais complexo exige uma dinâmica que você não encontra nos países que já atingiram um grau de estabilidade, avanço social maior. Se você pensar, isso tem tudo a ver com o bônus demográfico.
Que a gente está perdendo...
Que a gente está vivendo.
Se está ganhando ou perdendo eu deixo para os economistas.
"País ainda precisa comprovar vantagem competitiva em óleo e gás"
folha.com/no1291955
"Falta continuidade à política científica"
folha.com/no1291954
PERFIL
Ex-cirurgião vestiu fantasia para obter verba
DE SÃO PAULONo primeiro inverno que passou em São Paulo, em 2010, Fábio Gandour foi parar no hospital, deitado na maca, cercado de médicos, incapaz de respirar.
"Como num episódio de House' ", o cientista-chefe descobriu da pior maneira que a sede da IBM, ao lado do parque Ibirapuera, fica numa das regiões da cidade com maior concentração de ozônio, ao qual ele é alérigo.
A pneumonite química foi mais um reencontro do cientista com o mundo da medicina. Trinta anos antes, Gandour terminava no Canadá uma especialização em cirurgia infantil.
Pesquisava deformidades de nascença quando descobriu relações estatísticas entre os casos que permitiam prever e até mesmo prevenir os casos.
A fascinação pela estatística o fez mudar de rota. Em 1988, concluiu seu PhD em computação em Stanford. Em 1990 entrou na IBM. Duas décadas depois, fantasiado de sheik, venceu Abu Dhabi na disputa pelo título de nono laboratório global da empresa.
"Concorrer com emirado árabe não é fácil. O cara vem num caminhão de petrodólar. Então eu tinha que usar o bom humor."
O "iqal" (lenço quadriculado usado para o turbante) e os óculos escuros, comprados no aeroporto de Dubai, são guardados troféu no atual escritório. Mas Gandour não pretende brincar em serviço.
No currículo distribuído por sua assessoria, seu "estilo de comunicação peculiar" --em que conceitos complexos são traduzidos em linguagem bastante popular-- é descrito como "outra de suas vantagens competitivas".
Ciência, sim, mas "como negócio".
    RAIO-X - FÁBIO GANDOUR
    NASCIMENTO: 1952, em São José do Rio Preto (SP)
    FORMAÇÃO:
    medicina, na UnB e cirurgia pediátrica, no Toronto Sick Children Hospital
    PhD em computação, na Universidade Stanford
    CARREIRA NA IBM: especialista e executivo para a indústria de saúde e no laboratório de San José (EUA); desde 2008, cientista-chefe da IBM Brasil

    Dois chopes e a conta com... XICO SÁ


    POR MARCELLA SOBRAL (INTERINA)
    marcella.sobral@oglobo.com.br


    Atenção, moçoilas de vestido que vão de um lugar
    para o outro de bicicleta: vocês estão sendo
    observadas. Um mês atrás, o Rio importou mais um
    voyeur, e essa cena, que se vê a torto e a direito na
    Cidade Maravilhosa, virou a maior obsessão de Xico
    Sá. “Estava precisando mudar de cenário para as
    minhas crônicas. Foi a primeira vez que eu me
    mudei sem ser por amor”, diz. O cinquentão nascido
    em Crato, no Ceará, é uma espécie de Bertrand
    Morane, protagonista do filme “O homem que
    amava as mulheres”, do cineasta francês François
    Truffaut — só que na versão macho-jurubeba,
    aquele amante à moda antiga. De camisa havaiana
    com estampas de caveira, bermudas e aquelas
    sandálias que não soltavam as tiras no passado, o
    novo cidadão carioca escolheu o Lamas, no
    Flamengo, para molhar a conversa com alguns
    chopes. “Para não dizer que estou de todo sem
    amor, tenho o que eu chamo de ‘a falsa magra do
    Catete’”. Foi a primeira que me pegou nas minhas
    saídas por aí, e eu me encantei. Já morei junto cinco
    vezes e estou indo para o hexa!”, conta Xico, sem
    falar a palavra casamento.


    REVISTA O GLOBO Esta é a sua segunda temporada no Rio. O que
    trouxe você aqui desta vez?
    XICO SÁ: Normalmente, só me mudo por amor. Mas esta é uma vinda
    mais existencial. Precisava mudar de cenário.

    A mulher carioca é diferente?
    Mulher é tudo igual. O que muda é o meu jeito de olhar, a minha
    percepção. O que muda muito aqui no Rio é de uma menina do
    Leblon para uma da sub-Zona Sul, de que eu gosto muito.

    Qual é a diferença?
    É aquela mulher meio caindo para o subúrbio, meio Lídia Brondi,
    um dos maiores tesões da minha vida. Pena que esses corretores
    de dentes estejam tirando o dentucismo mínimo das mulheres
    como Lídia Brondi. Rapidamente dentucinha, suburbana,
    de franjinha... Nossa...

    Hoje você é considerado um entendedor de mulheres. Sempre
    foi assim? Você fazia sucesso com as garotas no colégio?
    Não. Comecei tarde. Acho que é por isso que eu gosto muito. O
    acesso a mulher numa cidade do interior, na minha geração, era
    muito difícil. Só fui ter namoro sem pagar depois dos 18. Mesmo
    assim, era muito amador, não sabia o que era mulher de verdade.
    Acho que é por isso que fiquei nessa loucura até hoje.

    Está indo à forra agora, então?
    No fundo, sou sentimental. Diria “infinitamente sentimental”.
    Tenho uma certa cerimônia em ser canalha. No mínimo, invento
    uma boa mentira para justificar minhas falhas mais graves. Um
    canalha que dá satisfação não é um canalha de fato, né?

    Você está indo para o seu sexto casamento. Sem traumas?
    Sempre há sofrimento quando termina, mas não me furto. Tiro o
    máximo proveito do amor. Tem que morar junto na hora da paixão
    total. Acabou, acabou. Mas gaste essa hora. Quando se tem
    duas casas, não dá. É para quem tem muito dinheiro ou para
    quem é muito neurótico.

    O que você mais gosta numa mulher?
    Gosto quando a mulher inventa que precisa de mim, porque a
    mulher não precisa mais de ninguém. A invenção da necessidade
    do homem é uma coisa sensacional. É dar a mínima utilidade
    para o homem, que não temos mais. Tem uma frase que eu amo
    ouvir de uma mulher: “Ah, como você me acalma!” É a coisa
    mais fabulosa do universo. É um tarja preta da Humanidade.

    O que você faz para manter a forma?
    A única coisa que eu consigo fazer para o meu corpo é caminhar.
    Sou um andarilho. Não dirijo, então eu ando. Tenho várias rotas:
    Rua do Ouvidor, livraria e sebo; Ipanema, com uma entrada na
    praia, e volta pelo Jardim Botânico. O Rio é feito para flanar.

    Na sua época de repórter, qual foi o político mais encantador
    e mais canalha que você entrevistou?
    PC Farias, sem dúvidas.


    Clovis Rossi

    folha de são paulo
    O genocídio social assumido
    O FMI confessa que errou a mão no programa que foi imposto a Grécia. Alguém será punido?
    A equipe técnica do Fundo Monetário Internacional acaba de assumir que praticou genocídio social na Grécia, em parceria com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.
    É claro que o documento dos técnicos não usa a expressão genocídio. Apenas afirma que o programa imposto à Grécia cometeu erros. Um deles: foram subestimados os cálculos sobre a retração econômica que provocaria o pacote de ajuda à Grécia (ajuda é o termo que eles usam; eu prefiro estrangulamento).
    O segundo erro: o calote afinal adotado em outubro de 2011 deveria ter vindo dois anos antes.
    Choca, em particular, essa segunda descoberta. Qualquer pessoa que tivesse concluído o curso primário e enxergasse um dedo à frente do nariz sabia desde o início da crise que a Grécia jamais poderia arcar com a sua dívida mesmo em circunstâncias normais.
    Nas circunstâncias anormais que o país vivia, então, pagar era simplesmente impossível.
    O adiamento do calote só serviu para que os credores fugissem ou, ao cobrar juros criminosos, recuperassem antecipadamente as perdas que viriam a ter com o "default".
    Que o pacote grego levou a um genocídio social, basta ler o resumo feito ontem para "The Telegraph" por Nigel Farrage, líder do nacionalista UKIP (o Partido pela Independência do Reino Unido):
    "A Grécia foi sacrificada no altar de uma fracassada experiência do euro, sua comunidade de negócios dizimada, suas famílias levadas à penúria, sua taxa de suicídio furou o teto (subiu mais de 40% no período da crise). O desemprego quadruplicou, o desemprego juvenil está agora em 64%. Sonhos foram destruídos, o futuro hipotecado --e as esperanças deixadas apodrecer em campos de oliveiras não cuidados".
    Se essa não é a descrição de um genocídio social, já não sei definir o que é genocídio social.
    Quando a direita, em geral menos sensível às questões sociais, põe o dedo na ferida desse jeito, dá até medo de ouvir o que diz a esquerda.
    Só faltou aos técnicos do FMI estender o reconhecimento do erro aos demais países aos quais foram impostas políticas de rígida austeridade. Tanto houve erro nelas que, agora, a Comissão Europeia está dando mais prazo a todos os países vítimas para reduzir a relação deficit/PIB ao número totêmico de 3% estabelecido no Tratado de Maastricht, que estabeleceu as bases para o lançamento do euro.
    Na Itália, por exemplo, são os jovens empresários a reclamar um horizonte. "Sem perspectivas para o futuro, a única perspectiva se torna a revolta. As instituições democráticas passam a ser contestadas e podem chegar à dissolução, quando não conseguem dar respostas concretas às necessidades econômicas e sociais", diz Jacopo Morelli, presidente da secção de Jovens Empreendedores da Confederação das Indústrias.
    Quando empresários, mais preocupados com o lucro, pela própria natureza, demonstram temor de demolição institucional, fica evidente que os programas supostamente de ajuda roubaram o horizonte de uma fatia considerável de sociedades antes modelo de bem-estar.