segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Fotógrafo Luiz Tripolli vai inaugurar Café dos Prazeres nos Jardins, em São Paulo

Luiz Tripolli inaugura até o fim do mês o Café dos Prazeres, nos Jardins. Concebido como miniteatro, o misto de bar e cabaré será na alameda Ministro Rocha Azevedo e vai funcionar das 18h às 5h, de terça a sexta. O fotógrafo, que fundou o Café Photo em 1983, retoma o conceito da casa original. "Cabaré no Nordeste é lugar de cultura", diz. Tripolli vendeu o Photo em 1989. "Aí virou puteiro. Nada contra, mas é outra história."
CABARÉ
O Café dos Prazeres é um investimento de R$ 3 milhões, com dois sócios. O espaço para 80 lugares vai ser decorado com fotos e textos e terá música ao vivo. "É um local para todos os prazeres. Para bater papo, namorar, ler", diz Tripolli. A ideia é ressuscitar o espírito do antigo Photo. "Quem comprou o café não conseguiu manter a pegada cultural", critica.
CABARÉ 2
O Café Photo ganhou fama como point de garotas de programa e funciona hoje no Itaim. Procurados, os donos não quiseram se manifestar.
RESGATE
A Prefeitura de Salvador pretende construir um memorial para Tomé de Sousa na cidade. O "Diário Oficial" traz hoje o ato de criação da comissão que vai tratar da transferência do corpo do primeiro governador-geral da Bahia, sepultado em um convento em Vila Franca de Xira, próximo a Lisboa.
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O memorial deve ser instalado no prédio atual da prefeitura. O prefeito ACM Neto (DEM) já solicitou ao governo português o envio do corpo e espera resposta.
CARTA NA MANGA
"Não tem isso de 'volta Lula'. Mas é evidente que, se ano que vem a presidenta não estiver bem nas pesquisas, é natural que ele se apresente", diz o presidente do PT, Rui Falcão, à revista "Piauí" deste mês. Também dá como certa a candidatura do petista Lindbergh Farias ao governo do Rio: "Sérgio Cabral [PMDB] não está em condição de fazer exigência".
ON THE ROCKS
As mulheres começam a se destacar entre os consumidores de uísque. Elas já representam 36% dos apreciadores da bebida, segundo pesquisa do Instituto TNS Research e da Diageo. Os jovens entre 25 e 34 anos correspondem a 46% da clientela. Entre os 900 entrevistados, 50% apontam o uísque como bebida preferida, desbancando a cerveja (27%) e o vinho (10%).
ARMANI PARA SEMPRE
Divulgação
O estilista Giorgio Armani
O estilista Giorgio Armani
O estilista Giorgio Armani, 79, dono de um império que inclui marca de roupas, hotéis e restaurantes, diz que sua sucessão na empresa será "uma transição natural".
"Estou cercado de pessoas que trabalharam comigo a vida toda. Quando chegar a hora, elas vão transportar Giorgio Armani para o futuro", afirma à revista "Wish Report".
Admite ser "rude e exigente" e minimiza a crise.
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"Mercados tradicionais como a Europa resistem e enviam sinais positivos."
VEM VOCÊ TAMBÉM
A Caixa Econômica Federal e a Prefeitura de SP assinam acordo nos próximos dias para facilitar a abertura de contas por estrangeiros. Segundo Rogério Sottili, secretário municipal de Direitos Humanos, serão beneficiados mais de 400 mil imigrantes --principalmente bolivianos, a segunda maior comunidade na capital.
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Com os entraves de hoje, estrangeiros guardam dinheiro em casa, aumentando o risco de roubos, como o que resultou na morte do boliviano Brayan, 5, em junho.
CHEIRO DE PIPOCA
O Cine Vista, que exibe filmes ao ar livre no terraço do shopping JK Iguatemi, teve "Bling Ring - A Gangue de Hollywood", de Sofia Coppola, na abertura. A atriz Mariana Hein, a publicitária Karina Maluf, a blogueira Anna Fasano e o diretor do shopping, Fernando Bonamico, assistiram à sessão.

Shopping faz sessão de cinema ao ar livre

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A blogueira Anna Fasano foi ao Cine Vista, projeto que exibe filmes ao ar livre no terraço do shopping JK Iguatemi
BRINQUEDÃO
Luciano Huck recebe nos próximos dias o iate de 80 pés que encomendou ao estaleiro Schaefer, de Santa Catarina. Ele trocou de barco. O novo, de R$ 15 milhões, foi adaptado para atender às necessidades da família.
VELHA INFÂNCIA
Famosos como Neymar, Claudia Leitte, Marcelo Tas e NX Zero vão gravar vídeos sobre sua relação com a Turma da Mônica. Mauricio de Sousa, criador da história, e a filha Mônica também participam da iniciativa do canal a cabo Cartoon Network nos 50 anos da personagem.
NOME PRÓPRIO
A galerista Mali Villas-Bôas inaugurou seu novo espaço no Itaim Bibi. Artistas plásticos como Paulo Cabral, Marcos Oliva, Regiane Aguilar e Ana Reginatto e a arquiteta Laila Guimarães compareceram à abertura.

Artistas vão a abertura de galeria

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A galerista Mali Frota Villas-Bôas recebeu convidados na inauguração da Galeria Escritório Mali Villas-Bôas
CURTO-CIRCUITO
O 17º Festival de Cinema Judaico será aberto hoje, às 19h30, com festa na Hebraica, em Pinheiros.
O chef Yann Corderon faz hoje jantar de aniversário de quatro anos do restaurante L'Amitié, no Itaim.
A Schutz lança coleção de verão hoje com coquetel às 17h, na rua Oscar Freire.
O trio Sinamantes faz show no Grazie a Dio!, às 22h, na Vila Madalena. 18 anos.
O Urban Gallery, projeto de pintura em tapumes de obras, recebe inscrições de artistas pelo seu site.
Cacá Ribeiro dará curso sobre gestão de eventos criativos na Escola São Paulo a partir do dia 12.
Com ELIANE TRINDADE (interina), JOELMIR TAVARES e ANA KREPP
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Rio lança edital para a criação de 'Hollywood carioca' - Marco Aurelio Canônico

folha de são paulo
Prefeitura estima investimento privado de R$ 90 mi; vencedor da licitação terá concessão por 30 anos
Produtores que atualmente ocupam a área rebatem estudo e dizem que retorno do investimento é inviável
MARCO AURÉLIO CANÔNICODO RIOSe antes os cineastas brasileiros reclamavam da falta de dinheiro para fazer filmes, hoje, com o crescente financiamento público para o setor, o problema maior passou a ser a falta de infraestrutura.
É sob este diagnóstico que a RioFilme, empresa municipal de fomento audiovisual, quer lançar ainda neste mês um edital que prevê investimentos privados de no mínimo R$ 90 milhões para criar uma espécie de "Hollywood carioca".
O local será uma ampliação do atual Polo Rio Cine e Vídeo, na Barra da Tijuca (zona oeste). Criado em 1988, ele é a única alternativa de grande porte à produção independente audiovisual na cidade, mas nunca chegou a ser completamente concluído.
Hoje, seus oito estúdios, administrados por uma associação sem fins lucrativos formada por 86 produtoras, ocupam menos da metade do terreno disponível.
A Prefeitura do Rio vai licitar a área oferecendo a concessão por 30 anos, com obrigação de investimento: o vencedor precisará construir no mínimo 5.000 m² a mais de estúdios, além de reformar inteiramente os 5.000 m² existentes, num investimento mínimo de R$ 90 milhões.
"Hoje, a associação do polo paga barato para explorar estúdios de qualidade baixa, defasados tecnologicamente. Nosso interesse é que quem for assumir os estúdios pague mais e ofereça um local de qualidade internacional", diz Adrien Muselet, 31, diretor comercial da RioFilme.
Segundo ele, os atuais administradores --cujo contrato venceu em março e não foi renovado (a prefeitura entrou com uma ação de despejo)-- pagam R$ 17 mil mensais pela área dos estúdios. O novo aluguel será aumentado progressivamente, chegando a R$ 200 mil em 2017.
Produtores do polo ouvidos pela Folha reclamaram das condições "draconianas"do edital e das exigências de investimento de pelo menos R$ 90 milhões.
"Esse valor é absurdo, já fizemos estudos que mostram que esse investimento não retorna em 30 anos", diz Diler Trindade, produtor de filmes de Xuxa e Renato Aragão e membro da atual diretoria.
"A associação administra isso aqui há 24 anos, sabemos qual é a curva de ocupação dos estúdios, qual o preço que as empresas pagam."
Muselet rechaça a acusação. "Todas as pessoas do setor privado que eu consultei, com exceção deles, me dizem que o negócio fica em pé", diz o diretor da RioFilme.
Ele cita estudos feitos pela empresa municipal que estimam o faturamento anual em R$ 28,3 milhões a partir de 2016, com todos os novos estúdios prontos. "O tempo de retorno para o investidor seria de 17 anos."
Segundo ele, cinco empresas --as brasileiras Quanta, Casablanca e CiaRio, além das europeias Pinewood e FremantleMedia-- já procuraram a RioFilme interessadas no edital.
Outro projeto da prefeitura é o da ocupação do quartel-general da Guarda Municipal, em São Cristóvão (zona norte), que será desativado. A ideia é construir ao menos dois estúdios de 400 m², sediar produtoras e locais para cursos de formação de mão de obra --o espaço total é de 25 mil m², em três andares.
"Estamos montando o estudo de viabilidade agora, é mais complexo. Queremos uma fração maior do espaço para cursos e coisas do gênero, que não dão receita", diz Muselet.
Como no caso do edital do Polo Rio, ele diz que pretende criar um projeto que não envolva dinheiro público ("Sempre dá para fazer só com dinheiro privado"). O plano para o local deve ser anunciado no próximo FestRio, no final de setembro.

    Gregorio Duvivier

    folha de são paulo
    Se eu morresse...
    Aqui morreu Gregorio Duvivier, que fazia vídeos pra internet e escreveu um livro de poemas
    Se eu atravessasse a rua agora, eu morria atropelado por aquele carro preto. Era bom que eu não precisava entregar o texto dessa semana. Mas ia ser um drama fodido.
    O dono do carro preto ia ficar bem puto. Depois ia ficar bem mal. Depois ia ficar bem puto, de novo, porque o sinal tava aberto pra ele. E o carro preto ia ficar bem estraçalhado. Dei uma engordada que ia ser fatal pro carro preto. O dono do carro preto ia sair me xingando, só depois ia perceber que eu já morri.
    Aí ele ia ficar mal de novo. As pessoas iam ficar putas com ele, porque ninguém fica puto com quem já morreu. Mas o sinal tava aberto pra mim, ele ia dizer. Talvez alguém me reconhecesse: esse cara faz uns vídeos pra internet. Talvez virasse uma comoção.
    A Folha ia publicar uma homenagem no lugar onde é a coluna, o Porta dos Fundos talvez lançasse um vídeo-homenagem, com meus melhores momentos editados, uma música emocionante. Fora que 27 anos é uma idade ótima pra morrer, tem um monte de gente legal que morreu com 27 anos e as pessoas iam me botar no meio dessa lista. Ia parecer que eu faço parte de um grupo: "Nós, que morremos com 27". Ia parecer que eu tinha levado uma vida muito mais maldita e muito mais interessante.
    Talvez eu virasse nome de rua. A rua em que eu morri. A própria Marquês de São Vicente talvez passasse a se chamar rua Gregorio Duvivier, com a legenda: mártir dos atropelados. Se bem que o sinal tava vermelho pra mim. Nunca iam homenagear um cara que atravessou no sinal fechado. E a Marquês é uma rua muito grande.
    Talvez valesse mais a pena eu ser atropelado numa rua menor. Na rua das Acácias, por exemplo, eu tinha mais chance. Aí sim, rolava meu nome. Ou não. Rua das Acácias é um nome bonito, os moradores iam preferir manter. E ninguém atropela ninguém por ali. As pessoas iam achar suspeito. Iam pensar: esse daí se jogou na frente do carro só pra virar nome de rua. Talvez aqui na Marquês seja mais fácil. Talvez aqui eu consiga emplacar um canteiro. Canteiro Gregorio Duvivier. Não. Canteiro não costuma ter nome.
    Talvez, no máximo, uma plaquinha: aqui morreu Gregorio Duvivier, que fazia vídeos pra internet e escreveu um livro de poemas. Que ninguém leu. Não. Melhor não atravessar, não. Por enquanto, morrer não tá valendo muito a pena pra mim. Nota mental: fazer alguma coisa que preste. Puta que o pariu, tenho que entregar o texto dessa semana.

    Luiz Felipe Pondé

    folha de são paulo
    Dior not war
    Quando perguntarem a você o que é a economia, a resposta certa é: a economia somos nós!
    "Dior não guerra." Vi esta frase numa camiseta. Lembra a clássica dos anos 60: "faça amor, não faça guerra". Melhor do que a bobagem com o rosto do assassino mais chique da América Latina, o Che.
    O que me encantou na frase é que a Dior representa --ou qualquer outra marca-- a capacidade humana de produzir riqueza como forma de civilização, em vez de nos matarmos. Todo mundo sabe que riqueza material não é apenas riqueza material.
    O que aborrece no Brasil é que ainda não entendemos que a riqueza da qual falam autores como Adam Smith (filósofo moral, e não um guru do egoísmo como alguns pensam por aqui) não é apenas material, mas moral e existencial.
    Outro dia vi numa dessas cidades históricas mineiras maravilhosas um grupo de jovens, como cara de anos 60 extemporâneos, que falavam barbaridades contra o capitalismo, todos munidos de iPhones e iPads, registrando tudo a sua volta. Ignorantes, parecem pensar que toda esta tecnologia, que vai de celulares a cirurgias cardíacas, caem do céu. Não, tudo custa, e muito.
    Recentemente li na revista "The Economist" duas matérias muito interessantes. Uma primeira falava de como o crime comum (roubos, assassinatos e similares) tem caído significativamente em países ricos, como EUA, Reino Unido e Alemanha, mesmo em cidades grandes como Nova York e Londres.
    Não se trata apenas de mais punição, mas sim de um conjunto de elementos que passam por polícia mais equipada e treinada (o que não quer dizer mais violenta), tanto preventiva quanto científica. Crianças em boas escolas e ocupadas principalmente quando as famílias são mononucleares (só um dos pais), ruas limpas, estradas bem feitas, hospitais eficientes, transporte público operacional, vizinhos ativos no cuidado com seu bairro (quem não come nem dorme não pode ser um vizinho assim). Enfim, tudo que custa muito dinheiro.
    Noutra, sobre Cuba, falava-se da luta das pessoas para poderem comprar e vender coisas e terras sem ter apenas o Estado como "parceiro" de negócios. E como isso é visto como um milagre dos céus. E ainda tem gente chique no Brasil que acha Cuba um "experimento" a ser levado a sério. Que horror!
    E aí passo a um livro que recomendo a leitura para quem quiser pensar no mundo livre do neolítico --o socialismo, levado a sério por muitos de nós, é puro neolítico. "Why Nations Fail, The Origins of Power, Prosperity, and Poverty", de Daron Acemoglu, professor de economia do MIT e James A. Robinson, cientista político e economista, professor de Harvard.
    Por que muitas nações são pobres, miseráveis, atrasadas, enterradas em crime e fome? Causas geográficas? Culturais? Religiosas? Étnicas? Não.
    A diferença está num modo de organização política e social específico que cria condições para as pessoas buscarem livremente seus interesses. Democracia liberal, igualdade perante a lei e garantias de que as pessoas podem agir livremente no mercado de trabalho e de produtos. Numa palavra, sociedade de mercado. Foi isso que derrotou o comunismo, mas muitos já esqueceram.
    Infelizmente entre nós, ainda se pensa que isso seja simplesmente um modo cruel de viver, negador da "solidariedade" e defensor da "ganância". Muito pelo contrário: é só a riqueza que torna a solidariedade possível, não há solidariedade na pobreza, isso é mito.
    Apesar de as indicações históricas serem evidentes, ainda insistimos em não entender que a sociedade de mercado (longe de ser perfeita) dá ao ser humano a liberdade necessária para cuidar da sua vida e se tornar adulto.
    Só dessa forma as pessoas entendem uma coisa óbvia que o economista Friedrich Hayek pensava. Quando perguntarem a você o que é a economia, a resposta certa é: a economia somos nós! E não algo planejado por "cabeções" teóricos que controlam a vida dos outros, como pensava John Maynard Keynes.
    Mas, os políticos adoram Keynes porque sua teoria os faz parecer responsáveis pela riqueza, quando na realidade quem produz riqueza somos nós em nosso cotidiano, quando nos deixam em paz. Keynes é a servidão, Hayek, a liberdade.