quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Plateia vira parlamento e vota em peça que critica democracia - Gustavo Fioratti

folha de são paulo
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA"Este ano, o festival Cena Contemporânea [de Brasília] nos ofereceu quatro espetáculos, mas só tivemos interesse em um", diz Luciano Alabarse, coordenador do Porto Alegre em Cena, ao ser questionado se o trânsito de espetáculos por festivais poderia representar também uma crise de identidade curatorial.
"Trazemos apenas o espetáculo que nos interessa", completa, referindo-se ao francês "A Mulher que Matou os Peixes", a ser exibido pela mostra no dia 4.
Segundo Alabarse, as parcerias são consolidadas também para divisão de custos de cachês e viagens.
Outro exemplo de negociação entre curadorias é o curioso espetáculo catalão "Pendiente de Voto", que esteve na semana passada no Cena Contemporânea e tem sessão hoje no Festival Internacional de Londrina.
O espetáculo não põe atores em cena, é inteiramente protagonizado por sua plateia, que atua como uma espécie de parlamento.
Quando chegam ao teatro, os espectadores recebem controles-remotos com dois botões, marcando "sim" e "não". No palco, há um telão onde, iniciado o espetáculo, aparecem questões diversas: "Homens e mulheres deveriam compartilhar banheiros públicos?"; "Alguns espectadores chegaram atrasado. Devemos permitir que eles entrem?" e "Você prefere ouvir agora Chico Buarque ou Caetano Veloso?".
É um jogo que critica questões relativas ao exercício da democracia, sobretudo por meio de uma análise sobre limitações de sistemas binários. "Vota-se sim, e vota-se não", diz um dos criadores do espetáculo, Roger Bernat.
No meio da peça, a plateia é reorganizada. Um software aproxima espectadores com perfis semelhantes e organiza partidos.

José Simão

folha de são paulo
Ueba! Cubanos levam um SUSto!
Os médicos cubanos terão três semanas para aprender como o SUS funciona. E o SUS funciona? Rarará
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada pronta! Tribuna do Norte: "O tresloucado presidente da Bolívia, Evo Morales, não se livra tão cedo do Brasil: a suplente do senador Roger Pinto se chama Linda Brasilda". Rarará. Tira o Pinto e entra Linda! A esculhambação não tem fim!
E não deve devolver o Pinto pro Evo. Tem que devolver o Pinto pro Ovo!
E a Dilma ontem, na televisão, tava parecendo um pitbull de TPM! Dilacerador de vísceras!
E se um Pinto Molina derrubou o Patriota, um Pinto Durina derrubaria o país! Rarará!
E a manchete do Humor Esportivo: "Botafogo importa 500 torcedores cubanos". Rarará. Agora tudo termina em Cuba!
E essa: "Médicos cubanos são hostilizados e vaiados por colegas brasileiros em Fortaleza". Que vergonha! Avisaram que eles seriam tratados dessa maneira? Avisaram que no Brasil ainda tem gente não civilizada?
E olha essa charge com o médico cubano: "Hola!". "A rôla tá bem, dotô! O problema é na cabeça". Rarará!
Eu já falei que o único problema dos médicos cubanos é a língua: confundir caganeira com Guantanamera e hola com rôla!
E a primeira aula para os médicos cubanos que atuarão no Maranhão: "O dono disso tudo se chama Sarney!". E tá com virose! Rarará!
E os médicos cubanos terão três semanas para aprender como o SUS funciona. E o SUS funciona? Rarará.
E o tuiteiro Ricardo Gomes: "Se os médicos cubanos aprenderem como o SUS funciona, eles vão bater o ponto e ir embora". Rarará!
E causou reboliço no Facebook o post da jornalista Micheline Borges: "Me perdoem se é preconceito, mas essas médicas cubanas têm cara de empregada doméstica". Só piora! Além de preconceituosa, é burra! Porque a minha empregada doméstica tem cara de médica escandinava!
É mole? É mole, mas sobe!
E o Brasil tá doente do corpo. Do corporativismo!
E sabe o que eu quero de Cuba? Mais médicos, mais mecânicos e mais professores de salsa!
E eu nunca fui a Cuba porque detesto o Fidel, mas acho esses médicos cubanos uns fofos! Los cubanitos son fofitos! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

    Mônica Bergamo

    folha de são paulo

    Partido que Marina Silva quer criar irá ao STF caso não consiga registrar legenda


     
    DE SÃO PAULO
    Ouvir o texto

    A Rede, partido que Marina Silva quer criar, deve recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso não consiga forçar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a registrar a legenda.
    EXPLICAÇÃO
    O argumento constitucional, já presente na documentação apresentada ao TSE, é o de que toda ação pública tem que ser motivada. De acordo com a Rede, os cartórios eleitorais invalidaram 73 mil assinaturas de apoio à criação do partido sem qualquer justificativa.
    EU ACREDITO
    Bazileu Margarido, coordenador-executivo da Rede, nega que a hipótese esteja em estudo. Segundo ele, o grupo mantém grande esperança de que o TSE acatará seus pedidos para facilitar o registro do partido.
    CADEIRA VAZIA
    Só 10% das 834 vagas do programa Mais Médicos no Ceará foram preenchidas por profissionais do próprio estado. Somando os 86 cearenses a doutores de outras regiões, 106 postos foram ocupados por brasileiros. E 728 ficaram vazios. O Ministério da Saúde divulga hoje o número de estrangeiros que será enviado ao interior do estado para preencher essas centenas de vagas.
    CADEIRA VAZIA 2
    O Ceará virou símbolo da resistência de médicos brasileiros ao programa depois que os cubanos foram chamados de "escravos" por vários deles numa manifestação na segunda-feira, em Fortaleza. A adesão de prefeitos ao Mais Médicos, no entanto, foi maciça. Das 184 cidades do Ceará, 150 aderiram ofereceram vagas para a contratação de profissionais.
    TODOS NO DIVÃ
    "Lamento o que ocorreu", diz o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB-CE). "A carência de médicos é incontestável." Ele diz que, ao receber os cubanos no aeroporto, reencontrou um dos profissionais que contratou para trabalhar em Sobral quando era prefeito da cidade, na década passada. "As vagas agora foram oferecidas aos brasileiros e eles não quiseram. Esse momento de passionalismo e radicalismo é esquisito. Precisamos fazer uma terapia coletiva no país."
    SEXTO SENTIDO
    O Índice de Confiança do Consumidor em agosto mostra que as mulheres paulistanas estão mais preocupadas com os preços altos e a expectativa para o futuro da economia do que os homens.
    *
    Entre elas, houve queda de 6,1% no otimismo, ante julho. Para o público masculino, a taxa ficou estável. O índice geral, que é medido mensalmente pela FecomercioSP, caiu 2,7%.
    JARDIM DE INFÂNCIA
    Os titulares das contas mais polpudas do Santander se reúnem hoje em SP para aprender com o banco a destinar recursos do Imposto de Renda para os Fundos Municipais de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.
    MAIS MÉDICA
    Tinko Czetwertynski
    Ana Claudia Michels, 32, aluna do segundo semestre de medicina, diz ainda estar "formando opinião" sobre o Mais Médicos.
    *
    "O que sei é que é muito difícil fazer uma faculdade de medicina. Todo mundo fica indignado porque vêm médicos de fora para ocupar essas vagas [dos brasileiros]", afirma a modelo.
    *
    Para ela, faltou diálogo do governo com as entidades de classe antes do projeto. Mas não descarta se inscrever no programa.
    *
    "Sou meio aventureira. Cresci viajando [virou modelo aos 14 anos]." O problema, é que, "como a grande maioria", ela gostaria de morar em São Paulo. "Se houvesse condições de trabalho, conheço muita gente que iria para outros lugares, até pela experiência."
    *
    À revista "Bazaar" de setembro, para a qual posou, ela também afirma que agora está com o tempo curto. "Não tenho nem como ir à academia. Quando chega sexta-feira, estou só o pó."
    FILOSOFIA NOS JARDINS
    O empresário Meyer Nigri, da Tecnisa, ofereceu terça-feira (27) um jantar ao filósofo Peter Singer. Estiveram no evento, organizado pelo Centro da Cultura Judaica, Ricardo Villela Marino, do Itaú, e sua mulher, Patricia, Elie Horn, da Cyrela, a designer Anna Cláudia Rocha e o presidente do Deutsche Bank Brasil, Bernardo Parnes.

    Jantar em homenagem a Peter Singer

     Ver em tamanho maior »
    Zanone Fraissat/Folhapress
    AnteriorPróxima
    Ricardo Villela Marino, do Itaú, foi com a mulher Patricia, ao jantar na casa de Meyer Nigri ao filósofo Peter Singer, na terça (27)
    PANELA DE PRESSÃO
    Sergio Arno e Erick Jacquin tiveram uma discussão por conta do aluguel do novo La Brasserie, no Itaim. Desde fevereiro, o chef francês ocupa o ponto do extinto La Vecchia Cucina, de Arno.
    PANELA 2
    Questionado, Jacquin disse que "não tem nada para falar sobre o assunto" e que a coluna poderia publicar o que quisesse. "Depois, meu advogado entra em contato com você". Arno também não quis se manifestar.
    EM SÉRIE
    Ilana Casoy assinou contrato com a Darkside Books. Será a primeira brasileira do catálogo da editora especializada em terror e fantasia.
    *
    É previsto o relançamento de dois best-sellers da escritora: "Serial killer - Louco ou Cruel?" e "Serial killers - Made in Brasil". Especialista em crimes violentos, ela vendeu mais de 160 mil exemplares.
    CURTO-CIRCUITO
    A Justiça do Trabalho prevê reduzir em 40% os processos pendentes em fase de execução, até sexta (30), com a Semana Nacional de Execução Trabalhista.
    O publicitário João Vereza lança "Noveleletas", nesta quinta-feira (29), às 18h30, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho.
    Jorge Kalil, do Instituto Butantã, tomou posse como presidente da União Internacional das Sociedades de Imunologia.
    Isabella Giobbi apresenta coleção verão, nesta quinta-feira (29), às 12h30, com almoço na Galeria Leme, no Butantã.
    Zezé di Camargo & Luciano recebem o cantor Naldo em show no Villa Mix, no dia 18. 18 anos.
    Com ELIANE TRINDADE, JOELMIR TAVARES e ANA KREPP
    Mônica Bergamo
    Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

    Contardo Calligaris

    folha de são paulo
    A gangue do brilhoso
    Quando o "self" é só uma imagem, inevitavelmente, ele é feito de bugiganga e objetos de consumo
    "Bling", em inglês, são as joias grandes, preciosas de um jeito óbvio e ostentatório --um pouco cafonas. "Ring" significa anel ou, então, círculo de amigos ou cúmplices.
    Na coluna da semana passada propus traduzir o título do novo filme de Sofia Coppola, "The Bling Ring", como "a turma do deslumbre". Poderia ser também "o brilhoso" ou "a gangue do brilhoso".
    Também na semana passada, concordei com a indicação do filme para maiores de 16 anos --fiquei feliz de não ter levado nenhum adolescente comigo para o cinema.
    O filme conta a história (verídica) de um grupinho de adolescentes de Los Angeles que se tornaram famosos à força de invadir a casa de pessoas famosas para lhes roubar os apetrechos da fama (roupas e objetos de luxo).
    Na história, não há violência nem sexo além da conta. O consumo de drogas e a ousadia criminosa dos jovens são o de menos. Mas não encontrei nenhum adulto que não tenha se angustiado a ponto de considerar a possibilidade de sair antes do fim: a estupidez dos adolescentes da gangue é obscena.
    Certamente (espero), nossos filhos e filhas ficariam tão horrorizados quanto a gente. Mas o que fazer se eles se reconhecessem nos protagonistas do filme? Se eles os achassem "legais" ou engraçados? Como agir se, na ocasião do filme, a gente descobrisse que "nossos" adolescentes são daquele mesmo feitio?
    Mais um pensamento ansiógeno: quando não há adultos à vista, a adolescência se torna um pesadelo de tentativas de "crescer", uma mais incerta que a outra. Ora, nunca há adultos à vista quando os adultos adotam a adolescência como seu próprio ideal. Por favor, pense nisso quando você escolhe sua roupa, seu lazer, suas conversas...
    Um mundo só de adolescentes nos espreita, e esse mundo é um vazio preenchido quer seja pelo tédio, quer seja pelo deslumbre.
    Do tédio adolescente ouvimos falar nesta semana, quando, em Brasília, três jovens de classe média repetiram a "façanha" dos assassinos do índio Galdino em 1997: mataram um morador de rua para se divertir, para vê-lo queimar. Ou, então, quando, com um tiro nas costas, três jovens de Oklahoma City (EUA) mataram um homem que passava por eles; explicaram que estavam entediados e queriam ver alguém morrer.
    Quanto ao deslumbre adolescente, podemos confiar em Sofia Coppola.
    Paradoxo: uma crítica do site www.rottentomatoes.com lamenta que Coppola, em seu filme, não passe da superfície. Mas essa é exatamente a questão do filme: não há nada debaixo da superfície. Coppola fez um filme sobre "a era da futilidade máxima" (na bonita expressão de Paulo Ghiraldelli, http://migre.me/fSoeQ).
    Os jovens de Coppola são os representantes de uma geração (impensável sem internet, Facebook, Instagram etc.) que se ocupa em tempo integral da constituição e da difusão, não de sua história ou de suas histórias, não de sua experiência de vida, não de suas crenças e de seus mitos, mas exclusivamente de sua imagem.
    Os famosos que servem de modelo para essa geração não são tanto as estrelas de Hollywood quanto as celebridades dos reality shows (como Audrina Patridge, uma das vítimas da gangue).
    Os membros da gangue nunca comentam ou mencionam um filme ou um seriado no qual apareçam as eventuais atrizes que são suas vítimas admiradas.
    Eles "visitam" repetidamente a casa de Paris Hilton, que é famosa apenas por ser Paris Hilton. Eles adoram Lindsay Lohan, que é famosa sobretudo por suas prisões por dirigir bêbada e drogada.
    Sem interesse nas "obras" de suas celebridades preferidas, os personagens de Coppola conhecem perfeitamente os apetrechos da celebridade: passeando pelo closet de suas vítimas, eles identificam imediatamente os modelos que elas usaram em tal ou tal outro tapete vermelho (que valeu fotografia num magazine).
    Eles têm razão de prezar os apetrechos da celebridade (e não eventualmente os méritos que poderiam produzi-la). Se a celebridade depende dos apetrechos, então ela pode ser roubada. A celebridade, quando se confunde com a roupa, os sapatos e as joias, é "democrática": para se igualar aos ídolos, basta se apossar de seus objetos.
    De que é feito o "self" dos jovens descritos por Coppola? De memórias? De vivências? De esperanças? Quando o "self" é só uma imagem, inevitavelmente, ele é feito de bugiganga, quinquilharia, objetos de consumo.
    O marketing descobriu isso há um certo tempo. Ou você acha que as "estrelas" que vendem um perfume com seu nome tiveram o faro de inventá-lo?