sexta-feira, 22 de novembro de 2013

tv

Estado de Minas: 22/11/2013 

TV paga

 (The Asylum/Divulgação)

Tubarões voadores


O assinante que sabe o que é trash movie vai entender Sharknado (foto), atração desta noite, às 21h, no canal Syfy. Fenômeno nas redes sociais, com 387 mil menções e cinco mil tuítes por minuto durante a exibição nos Estados Unidos, o filme mostra como um tornado de tubarões causaria pânico na cidade de Los Angeles. Isso mesmo: uma chuva de tubarões! E para o ano que vem já está prevista uma tempestade do gênero em Nova York, pode? Em tempo: domingo, o filme será reprisado às 17h, no Universal Channel.

Muitas alternativas na programação de filmes


Mas falando de cinema de qualidade, a Cultura exibe esta note, às 22h, o drama Yella, que o alemão Christian Petzold rodou em 2007, sobre uma mulher que busca uma nova vida, mas é assombrada pelas verdades do passado, No mesmo horário, estreia no Telecine Premium o suspense Sem proteção, com Robert Redford, Shia Labeouf e Terrence Howard. No FX, a sessão Duplex emenda os longas Planeta dos macacos (20h15) e Planeta dos macacos: a origem (22h30). Ainda na faixa das 22h, o assinante tem mais seis boas opções: Espiral, no Canal Brasil; O turista, na HBO; Rock of ages: o filme, na HBO 2; Projeto X, na HBO HD; Prometendo a lua, no Max; e Crimes cruzados, no Max Prime. Outras atrações da programação: Sonhadora, às 21h30, no Viva; Eurotrip – Passaporte para confusão, às 21h45, no Universal Channel; Pânico 4, às 22h30, no Megapix; e O paizão, às 23h, no Comedy Central.

Juventude é o tema de Contraplano esta noite


O cinema é matéria-prima para o debate em Contraplano, às 22h, no SescTV. O episódio de hoje analisa a mocidade em diferentes épocas do cinema pelas lentes do curador de artes plásticas Tadeu Chiarelli e do palhaço, ator e dramaturgo Hugo Possolo. Na tela, para orientar a discussão, trechos dos filmes O sonho não acabou (1982), de Sérgio Resende; Verdes anos (1984), de Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil; Houve uma vez dois verões (2002), de Jorge Furtado; e Os famosos duendes da morte (2009), de Esmir Filho.

Discovery estreia hoje  a série Jogos cerebrais


Estreia hoje, às 22h30, no Discovery, a série Jogos cerebrais, que reproduz experimentos criados para testar reação de participantes desavisados. A premissa parte da ideia de que o homem é a única espécie apta a estruturar um sistema social e um código de conduta complexos. A chave para isso está dentro de sua caixa craniana, onde as conexões nervosas cerebrais validam escolhas e renúncias inerentes ao convívio em sociedade. É isso que o programa vai testar.

Feiticeira realiza ritual  satânico no History

No segmento dos documentários, às 21h, no canal History, a série Decifrando milagres investiga uma mestre de vodu que usa a magia negra para realizar rituais satânicos sombrios, um homem que afirma ter o diabo dentro dele e pede para ser exorcizado, um santuário de Claypole, Argentina, onde é exposto e venerado o coração do santo italiano Luigi Orione; e a incrível história da Virgem de Chiquinquirá, padroeira da Colômbia. Já Alienígenas do passado, às 23h, vai fundo no conhecimento médico que pode ter sido ensinado por Ets.

CARAS & BOCAS » Simone Castro


  Juntos outra vez


Mundo (Domingos Montagner) e Iolanda (Carolina Dieckmann) reatam o namoro em Joia rara  (João Miguel Júnior/TV Globo-7/11/13)
Mundo (Domingos Montagner) e Iolanda (Carolina Dieckmann) reatam o namoro em Joia rara

Até que enfim, Iolanda (Carolina Dieckmann) vai reagir em Joia rara (Globo). O drama da mulher, que é casada com o vilão Ernest (José de Abreu), mas não o abandona, foi uma das críticas levantadas pelo grupo de discussão da trama, encomendada pela emissora. Daí que, nos próximos capítulos, a filha de Venceslau (Reginaldo Faria), que foi vendida ao empresário pelo pai em uma banca de jogo, sairá da mansão dos Hauser e retornará ao cortiço. E vai retomar o namoro com Mundo (Domingos Montagner). Tudo começa quando vem à tona que Ernest tramou, mais uma vez, contra o operário, no intuito de prejudicar sua campanha política. Ele contratou Rosa (Karine Carvalho) para fingir que tinha uma filha com o rapaz. Na ocasião, Iolanda, que já terá perdido o filho que esperava do ex-namorado, não aguenta mais a tortura que enfrenta sob o mesmo teto que Ernest e o abandona. Humilhado, ele até implora que ela fique, mas ela joga na cara do ricaço toda a sua repulsa. Ele, claro, promete vingança.

RAFAEL INFANTE ESTREIA
NA GLOBO EM DIVERTICS


Sucesso no canal Porta dos fundos, da internet, o comediante Rafael Infante festeja a estreia na Globo, no programa Divertics. “Estou descobrindo a TV e está sendo uma delícia. Estou bem animado e acho que vai ser bem mais divertido do que a gente pensava. Cada um vem com uma história. Misturamos tudo e acho que vai ficar um caldo bem legal”, contou Infante ao site da atração, novo humorístico da Globo que tem direção de Jorge Fernando e estreia marcada para 8 de dezembro em substituição ao Esquenta. Segundo o ator, “cada esquete tem um processo, não é um jeito único de fazer”. E irá além do conceito da diversão. “Tem um pouco de teatro, um lado teatral filmado. Para mim, é como se eu conseguisse cruzar a internet com o teatro, só que filmando para a TV. É muito legal”, afirmou.

ALINE MANDA MATAR TIA E A ENTERRA NO QUINTAL


Cada vez mais disposta a concluir sua vingança, Aline (Vanessa Giácomo) não poupará nem a própria tia, sua aliada em Amor à vida (Globo). Mariah (Lúcia Veríssimo) não gostará dos planos da sobrinha em destruir o casamento de Paloma (Paolla Oliveira) nem aceitará o sofrimento imposto a César (Antônio Fagundes), a essa altura cego por conta do envenenamento provocado pela mulher. “É assustador pensar no César cego. A cegueira é tão difícil de enfrentar, ainda mais para quem sempre enxergou”, diz. A jovem não se abala: “Eu só não matei o César porque preciso dele vivo. Com a procuração que ele fez no meu nome, eu posso dispor de todos os bens dele. Ainda tá no cofre, e só ele tem a senha. Mas ele vai ter que me dizer, agora que está cego.” Mariah dá mostras de que quer desistir da vingança. Quando Aline, finalmente, consegue a procuração, a mulher a pica em pedacinhos. Ninho (Juliano Cazarré), comparsa de Aline, se revolta e acaba matando Mariah a tesouradas. Fria como sempre, Aline enterra a tia no quintal da casa.

MADONNA NO TOPO

A popstar Madonna, de 55 anos, lidera a lista da revista Forbes como a artista musical mais bem paga de 2013. Ela deixou para trás a cantora Lady Gaga e a banda Bon Jovi. Madonna ganhou US$ 125 milhões (cerca de R$ 284 milhões) no período de 12 meses encerrado em junho. A maior contribuição veio da turnê MDNA, que faturou US$ 305 milhões (R$ 693 milhões). Produtos vendidos nos shows, uma linha de roupas e um perfume contribuíram para a cantora encher o cofrinho. “Madonna está fazendo jus ao seu apelido: a ‘Material girl’ lidera por ampla margem nossa lista dos músicos com maior renda”, divulgou a revista. No ranking dos cinco mais bem pagos, vem atrás de Madonna Lady Gaga, com US$ 80 milhões (cerca de R$ 182 milhões), um milhão a mais que Bon Jovi. Em quarto lugar está o cantor country Toby Keith, com US$ 65 milhões, o equivalente a R$ 147 milhões, e a banda britânica Coldplay (US$ 64 milhões, R$ 145 milhões). A Forbes montou a lista com 25 nomes, baseando-se em dados da publicação Pollstar, do serviço de vendas de ingressos, além de ouvir advogados do setor, empresários e alguns músicos.

VIVA
Malhação (Rede Globo) discute preconceito, o que nunca é demais.

VAIA
Os crimes ometidos em Amor à vida ficarão sem solução?

Eduardo Almeida Reis-Mundo animal‏

Mundo animal
 
Tenho aqui no escritório minha foto ao lado de uma onça-parda, que abati a tiro de mosquetão no ano de mil novecentos e muito antigamente


Eduardo Almeida Reis

Estado de Minas: 22/11/2013

Os jornais noticiaram que dia 13 de setembro a cidade em que resido inteirou 100 homicídios, contra 99 de todo o ano de 2012. A maioria relacionada com o tráfico de drogas e as brigas de gangues, idiotice que virou moda. Pelo fato de morar no Bairro X, os imbecis acham que devem brigar com os idiotas moradores do Bairro Y – e vice-versa ao contrário.

Concomitantemente, uma onça-parda foi atropelada e morta na BR-040, em Dias Tavares, distrito de Juiz de Fora. Morreu, coitada, quando degustava uma capivara. É o terceiro felino atropelado em menos de um mês. Os outros foram uma jaguatirica e um gato-mourisco, o jaguarundi (Puma yagouaroundi), mamífero da família dos felídeos encontrado desde os Estados Unidos até ao norte da Argentina. Pesa seis quilos, tem 60cm de corpo e 45cm de cauda. Alimenta-se de mamíferos e de aves, dando preferência a presas de grande porte.

Meses atrás, uma onça-parda foi vista e filmada no estacionamento do Tribunal de Contas da União, em Brasília, DF. Quase todas as semanas aparecem suçuaranas (Puma concolor) nos galinheiros e nas garagens de cidades de São Paulo, prova de que a espécie, com a proibição da caça, já não corre o risco de extinção.

Nos Estados Unidos a onça atende pelo nome de cougar (mountain lion), palavra adotada no final do século 18 através do francês couguar, do guarani cuguaçuarana. Rola da internet o filme de um cougar caçando pequeno urso, filmagem tão extraordinária que a gente desconfia. Ali tem coisa; não atinei com o truque.

Onça-parda, cougar ou suçuarana, segundo felino mais pesado do Novo Mundo (perde para a onça-pintada) por sua vasta distribuição geográfica do Canadá aos Andes tem uma infinidade de nomes e subespécies. Machos adultos medem 2,4 metros do focinho à cauda, pesando de 53 a 100 quilos, mas já foram registrados exemplares de 120 quilos. As fêmeas pesam geralmente de 29 a 64 quilos. São menores perto do equador e maiores nas regiões mais próximas dos polos.

Politicamente incorreto, tenho aqui no escritório minha foto ao lado de uma onça-parda, que abati a tiro de mosquetão no ano de mil novecentos e muito antigamente. Hoje, basta passar de automóvel pela BR-040 para desfalcar a espécie Puma concolor. Naquele tempo, exigia o dia inteiro de viagem do Rio a Corumbá num DC-3, mais hora e meia em teco-teco e dois dias a cavalo antes de posar para a Rolleiflex, sorriso idiota, ao lado de uma suçuarana defunta.


Robusto philosophar

Calculando por baixo e sem qualquer exagero, até hoje devo ter fumado 105 mil charutos. Ibrahim Sued, também charuteiro, certa feita disse aos demais passageiros de um elevador: “Estou queimando cinco dólares”, mas o dólar daquele tempo era muito mais verde que o atual. Charuto de cinco dólares, hoje, só no mercado paralelo cubano, mesmo assim de segunda linha.

Ok, fiquemos nos cinco dólares do Turco para concluir que devo ter queimado, até ontem, cerca de US$ 525 mil, mais que um milhão de reais. Não me arrependo. Dinheiro limpo, fruto do meu trabalho, gasto onde quiser. Melhor que isso: não me considero viciado e passo perfeitamente sem charutos nos resfriados, nas viagens aéreas, em lugares onde fumar é proibido ou deselegante.

Charutos e seus fumantes pedem estudos do pessoal da área psi. Tudo na vida passa pela área psi. Por que fumo charutos desde os 18 aninhos? Talvez porque meu pai e seu sogro, meu avô, fumassem o dia inteiro: espírito de imitação. O prazer, o deleite ou lá o contentamento provocado pelo charuto depende de uma série de fatores.

De uns tempos a esta parte, venho fumando um Cohiba Robusto pela manhã, ou dois matinais, na dependência dos compromissos rueiros. Cada um dura menos que duas horas. Pois muito bem: nesta manhã primaveril, caprichando nestas bem traçadas, acendi um Robusto às 7h e andei com ele até às 11h45: quase cinco horas!

Noite muitíssimo bem dormida, um monte de coisas para escrever, temperatura civilizada, café da manhã, telefone pouco usado: um único charuto durante cinco horas, período mais que suficiente para queimar dois. E isso, caro e preclaro leitor, relatado por um philosopho que não se considera viciado.


O mundo é uma bola

22 de novembro de 1546: Calvino edita um decreto que regulamenta os nomes que devem ser dados e os que são proibidos aos recém-nascidos em Genebra. Não morro de amores por J. Calvino (1509-1564) e sua obra, mas é forçoso reconhecer que no tal decreto acertou em cheio. Algo do gênero deveria ser feito neste país grande e bobo para impedir os milhões de Maiconjéquissons que estão sendo registrados por aí.

Em 1537, pensando no futuro nascimento de Roldão Simas Filho, o cacique temiminó Arariboia, em tupi “cobra da água de arara”, funda a cidade de Niterói no Rio de Janeiro.

Em 1963, assassinato de John F. Kennedy em Dallas, Texas. Hoje é o Dia do Músico.


Ruminanças

“Onde há música, não pode haver coisa má.” (Cervantes, 1547-1616)

Rio e lagos também emitem gás carbônico‏

Rio e lagos também emitem gás carbônico


Paloma Oliveto

Estado de Minas: 22/11/2013

Negro e Solimões: maior emissão de CO2 ocorre em rios amazônicos (Daniel Ferreira/CB/D.A Press %u2013 5/4/13)
Negro e Solimões: maior emissão de CO2 ocorre em rios amazônicos

Perto da imensidão oceânica, fontes de água doce, como rios, lagos e reservatórios, parecem uma gotinha. Juntas, representam apenas 2,2% da superfície do planeta, o que fez com que, durante muito tempo, fossem ignoradas no balanço do ciclo do carbono. Contudo, uma pesquisa publicada na revista Nature constatou que essa rede de transporte aquífero emite o dobro de CO2 na atmosfera do que se imaginava. Usando três parâmetros – concentração do gás na superfície das águas, velocidade de transferência para a atmosfera e extensão de rios e lagos –, um grupo internacional de cientistas descobriu que 70% da evasão de dióxido de carbono originário dessas fontes está concentrada em somente 20% do território global, sendo que a região amazônica lidera o ranking.
 
Os cálculos feitos pela equipe de pesquisadores revelaram que esses reservatórios são responsáveis por um fluxo de 2,1 gigatoneladas de CO2 por ano – como comparação, a queima de combustível fóssil lança até 8 gigatoneladas. Peter A. Raymond, biogeoquímico da Faculdade de Estudos Ambientais e Florestais de Yale, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo, afirma que não é possível, ainda, identificar o que gera tanto dióxido de carbono em água doce. “A matéria orgânica que se acumula no solo e é levada pelo rio provavelmente tem um grande papel nisso mas não explica sozinha, uma taxa tão alta de evasão. Mais estudos são necessários para determinar a fonte, inclusive se há ação antropogênica envolvida, isso é, se atividades humanas estão por trás de parte das emissões”, afirma.

Com a ajuda de mapas gerados por satélite, Raymond identificou que as fontes de água dos trópicos são aquelas com maior fluxo de carbono – sozinhos, os rios amazônicos concentram 0,6 gigatonelada da evasão global desse tipo. Embora exista uma relação com o clima e a vegetação tropical, o cientista afirma que também é necessário investigar mais profundamente por que nessa latitude há mais carbono circulando nos rios e lagos – algo que ele já começou a fazer.

Em um artigo escrito para a Nature, o pesquisador Bernhard Wehrli, do Instituto Suíço Federal de Ciências Aquáticas, estima que a inesperada quantidade de carbono sendo emitida por fontes de água doce pode vir da respiração do solo, da erosão e do desmatamento. “No presente momento, não está claro o que contribui mais”, afirmou. Ele destacou que, para tanto, será necessário usar métodos avançados de geoquímica que diferenciem a matéria orgânica terrestre da aquática. Wehrli ressaltou que é preciso detectar o quanto de metano (outro potente gás de efeito estufa) as fontes de água doce estão emitindo.

Informações Na avaliação do biogeoquímico Johathan J. Cole, do Instituto Cary de Estudos Ecológicos, modelos futuros do balanço global de carbono terão de levar em conta a contribuição das fontes de água doce no ciclo do CO2. “A inclusão do ecossistema de rios, lagos e reservatórios no balanço de carbono fornecem informações inestimáveis sobre o estoque, a oxidação e o transporte territorial desse elemento”, defende. “O carbono está continuamente em ciclo através dos sistemas terrestres, de água doce, do oceano e da atmosfera. Não há como ignorar a contribuição de nenhum deles no balanço global.”

Segundo Cole, outra deficiência dos modelos atuais é a definição de como os rios transportam o gás. “Ao descrever os rios como tubos que passivamente levam o carbono do solo terrestre para o mar, os modelos falham em capturar as complexas transformações que ocorrem na jornada (do elemento) até o oceano”, alega. Calcula-se que metade do CO2 que entra nas correntes de água doce não terá o oceano como destino. No trajeto, aproximadamente 40% retornarão à atmosfera como CO2 e 10% serão estocados nos sedimentos. “Por essa dinâmica você percebe que não podemos ignorar os rios e lagos no balanço”, diz.

Fragmento da história de Marte‏

Fragmento da história de Marte
 
Estudo conclui que meteorito encontrado na África em 2012 é uma amostra de 4,4 bilhões de anos, da crosta marciana, e pode ajudar a entender o processo de formação do planeta e do Sistema Solar


Isabela de Oliveira

Estado de Minas: 22/11/2013


Brasília – Desde as primeiras observações do céu, astrônomos se perguntam como surgiu o fantástico cenário que abriga a Terra e o Sistema Solar. Séculos se passaram e a curiosidade só aumenta, estimulada por novas peças que são descobertas e ajudam a montar esse imenso quebra-cabeça. Uma das pistas mais frescas foi descrita na edição de ontem da Nature. Segundo um estudo publicado na revista especializada, um meteorito encontrado no continente africano em 2012 é um raro exemplar dos elementos que constituíam a crosta de Marte há 4,4 bilhões de anos, o que traz valiosas informações sobre a “infância” do Planeta Vermelho e, consequentemente, sobre os momentos iniciais do conjunto formado pelo Sol e pelos planetas e outros objetos que o circundam.

Maria Elizabeth Zucolotto, especialista em meteoritos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que nunca foi encontrada na Terra uma rocha tão antiga quanto a NWA 7533, nome dado à amostra. “Essa descoberta nos fala mais sobre o começo do Sistema Solar e decifra o comecinho de tudo. A superfície de Marte é muito antiga e começou a se diferenciar (da de outros planetas) nos seus primeiros 100 milhões de anos. Isso nos permite saber o quão diferente esse planeta já foi e como a água sumiu de lá”, afirma a pesquisadora, que não participou do estudo.

A sigla NWA é uma referência à região onde a pedra, de 40mm foi achada, no Noroeste da África. Acredita-se que, há bilhões de anos, uma grande colisão ocorreu em Marte, fazendo com que um bloco rochoso se soltasse do planeta e ficasse solto no espaço. Um dia, então, esse bloco entrou em rota de colisão com a Terra e, ao entrar em sua atmosfera, foi pulverizado, restando dele apenas pequenos fragmentos.

Além do 7533, cientistas recuperaram outros quatro meteoritos resultantes desse incidente. Um deles, o NWA 7034, foi descrito anteriormente em outra pesquisa, mas as análises não mostraram que sua origem era tão antiga, o que foi possível fazer agora graças a uma técnica de análise de decaimento radioativo do urânio presente no pedregulho. Segundo Munir Humayun, pesquisador da Universidade da Flórida e principal autor do novo artigo, é possível afirmar que os dois objetos vieram de Marte, devido à sua composição química única, típica do planeta vizinho. “Eu quis analisar os elementos que são abundantes em meteoros condritos, mais raros em rochas da crosta terrestre. Um colega da universidade obteve uma amostra gentilmente cedida pelo proprietário, Luc Labenne, e a trouxe para o meu laboratório. Desde então, estamos ocupados decifrando os segredos desse meteorito”, diz.

Confirmações As análises já revelaram que o meteorito é uma amostra dos antigos planaltos de Marte, um planeta de formação curiosa. Seu hemisfério sul, cheio de crateras, é muito antigo, tendo mais de 3,8 bilhões de anos. Durante a evolução marciana, a porção norte desenvolveu uma crosta mais fina e uma grande província vulcânica, a região de Tharsis, onde está o maior vulcão do Sistema Solar, o Olympus Mons, com mais de 22 quilômetros de altura.

Para Humayun, os segredos sobre a formação das rochas do planalto sul podem ser desvendados com a ajuda do NWA 7533. Além disso, os dados trazem informações que confirmam os achados de missões como a do robô Curiosity, que apontam um passado rico em água no Planeta Vermelho. A amostra que caiu na Terra, por exemplo, não tem enxofre, cloro nem zinco enriquecido, hoje vistos no solo marciano. “Esses são elementos solúveis em água. É isso que esperamos de um Marte do passado, com muita água. Hoje, ele é mais seco do que o Deserto do Saara e, por isso, é rico nesses elementos”, escreve Humayun.
As análises ainda devem prosseguir por muitos anos, diz o pesquisador. “Esse meteorito fornece novas pistas para a história de Marte, podendo revelar mais sobre a possível alteração hidrotermal da crosta marciana e se houve um início de biosfera (vida). Há pistas tentadoras dentro do meteorito e esse estudo é a ponta do iceberg de investigação que continua a ser desenvolvida”, conclui.