Projeto pretende transformar BH em centro de referência para cuidar de
doenças crônicas vertebrais. Para se ter ideia, 85% da população mundial
teve ou terá algum episódio de dor lombar ou cervical
Paula Takahashi
Estado de Minas: 27/04/2014
Minas Gerais pode se
tornar referência nacional no tratamento de dores na coluna. Projeto da
Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRColuna), em parceria
com o Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral de Belo Horizonte
(ITC Vertebral), pretende iniciar os trabalhos com ações preventivas em
unidades de saúde e dentro das nove administrações regionais da capital,
evoluindo, em alguns anos, para a abertura de um centro formado por
equipes multidisciplinares dedicadas ao tratamento de doenças crônicas.
“Nossa
intenção é reproduzir alguns modelos presentes em outros países, onde
foram implementados centros com foco em prevenção e atenção primária,
mas que também oferecem tratamento para a população em geral”, antecipam
os fisioterapeutas e idealizadores do projeto Rodrigo Moura e Felipe
Moraes, sócios-proprietários da clínica FortaleSer e representantes do
ITC Vertebral em BH.
Na primeira etapa, os esforços serão
direcionados na execução de programas preventivos dentro das unidades de
saúde com a parceria de uma instituição de ensino. “O objetivo é
reduzir o número de consultas desnecessárias, cirurgias e outras
intervenções e, consequentemente, onerar menos o sistema público de
saúde”, explica Rodrigo. Para Felipe, as pessoas desconhecem as causas
das dores e, por isso, a necessidade de atuar preventivamente com ações
de conscientização. Na fase seguinte, a ideia é montar um centro de
tratamento com equipes multidisciplinares. “O local onde ele funcionaria
já está sendo estudado”, antecipa Rodrigo.
Para que o projeto
comece a caminhar e se perpetue, a dupla de idealizadores afirma que as
parcerias tanto com o poder público quanto com o privado estão em fase
de prospecção e consolidação. Eles reconhecem que já têm o apoio
político e que as conversas estão adiantadas. A intenção é que o
atendimento seja público e os profissionais que atuarão no local sejam
direcionados pela instituição de ensino parceira, também em fase de
escolha. Questões como viabilidade econômica, impactos sociais e
relevância já foram apresentadas e a expectativa é que o projeto,
pioneiro na capital mineira, seja reproduzido para os demais ITCs do
Brasil.
Todo esse esforço para prevenir e tratar as dores de
coluna tem motivo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca
de 85% da população mundial tem, teve ou terá algum episódio de dor
lombar ou cervical em algum momento da vida. Para se ter uma ideia da
amplitude do problema, dados mais recentes do Ministério da Previdência
Social revelam que as dores na coluna foram a principal causa de
afastamento do trabalho em 2012, motivando quase 160 mil licenças. É
também a terceira causa de aposentadoria precoce e segundo motivo de
visita aos médicos, perdendo apenas para problemas cardíacos.
ESTILO DE VIDA
O surgimento das dores pode ter inúmeras explicações. “Não há uma causa
específica, mas as principais seriam as alterações posturais,
sedentarismo e há também forte influência genética. Outros fatores
estariam relacionados a sobrepeso, distúrbios emocionais, tabagismo,
alcoolismo, entre outros”, enumera Felipe Moraes. Segundo Helder
Montenegro, presidente da ABRColuna, a questão genética continua tendo o
maior peso. “É responsável por 53% dos casos e ainda predomina como a
principal causa. Mas a questão postural motivada pelo atual estilo de
vida da população sem dúvida vem ganhando importância”, reconhece.
É
fundamental diferenciar dores localizadas e esporádicas com
complicações passíveis de cuidado médico, como uma hérnia de disco,
lombalgia ou escoliose. “Muitos experimentam um desconforto que acaba
passando despercebido. Para ter certeza de que se trata apenas de algo
pontual, o ideal é interromper a atividade que pode ter motivado aquela
dor, alongar, colocar um pouco de calor no local e ficar em repouso”,
orienta Djalma Pereira Mota, ortopedista do Hospital Israelita Albert
Einstein (HIAE). Se mesmo em repouso as dores permanecerem e se tornarem
contínuas, deve-se acender o sinal de alerta, já que pode ser indicação
de um processo inflamatório.
domingo, 27 de abril de 2014
Cromossomo Y desempenha funções essenciais para o funcionamento dos órgãos
Muito além do sexo
Ao desvendar a evolução do cromossomo Y, cientistas descobrem que, mais do que determinar as características masculinas, ele desempenha funções essenciais ao bom funcionamento de órgãos como o coração, os rins e o fígado
Roberta Machado
Estado de Minas: 27/04/2014
Brasília –
A receita é simples: junte dois cromossomos X, e você terá uma fêmea.
Troque um deles por um cromossomo Y, e o embrião desenvolve
características do sexo oposto. Assim tem sido há 300 milhões de anos,
desde que o DNA dos mamíferos deu origem aos genes determinantes
masculinos. A natureza feminina tem sido constante desde então, mantendo
98% do código ancestral. O ingrediente masculino, por outro lado,
passou por um violento processo de depreciação, e apenas 3% dos 184
genes originais que formavam o Y resistiram até os dias de hoje. Para
entender melhor essa seleção, cientistas traduziram o cromossomo. Além
de descobrir interessantes pistas sobre seu passado, eles identificaram
outras importantes funções que ele cumpre no organismo. O resultado foi
publicado quinta-feira, em dois artigos na revista Nature.
O cromossomo Y era praticamente um mistério até agora porque os milhões de anos de mudanças deixaram a sequência genética bastante fora de ordem. “Y é encontrado apenas em machos, enquanto o X está nos dois sexos. O Y está sempre sozinho, ele não tem um parceiro como os autossomos (cromossomos não relacionados à determinação do sexo) ou X nas fêmeas. Isso significa que, se há uma mutação que danifique um gene, ele não pode conferir com uma outra cópia ou parceiro para reparar o dano”, esclarece Daniel Bellot, pesquisador do Instituto Médico e Departamento de Biologia Howard Hughes, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
As várias repetições e informações aparentemente sem utilidade faziam com que localizar as funções do cromossomo masculino fosse como encontrar uma agulha no palheiro. Como todos os genes do Y são herdados em grupo, não é possível separar as mutações benéficas de um gene das mutações ruins em outro. Os pesquisadores recorreram, então, a um atalho para vasculhar a sequência de genes. Em vez de olhar para o DNA, eles procuraram pistas diretamente no RNA, a cadeia de nucleotídeos que resulta do processo de transcrição do código original. É como se eles ignorassem uma mensagem criptografada por ter acesso direto à mensagem traduzida e resumida.
Esse processo foi feito em 15 mamíferos em um dos trabalhos científicos, enquanto a outra pesquisa estudou o código genético de oito animais que serviram como representantes da evolução do Y. “Comparar o humano com o chimpanzé nos permite ver os últimos 6 milhões de anos, comparar com o (macaco) rhesus, nos deixa ver 25 milhões de anos no passado”, exemplifica Daniel Bellot.
Código genético Ao ver os genes atuais e os antigos, os cientistas conseguiram observar as sequências mantidas no Y ao longo do tempo. “É como comparar a lista de passageiros do Titanic com os nomes das pessoas resgatadas dos barcos salva-vidas”, ilustra o pesquisador do MIT. Os pesquisadores olharam, inclusive, o código genético da galinha, um animal que, na verdade, tem o gênero definido pelos cromossomos Z e W. Na ave, justificam, foi possível identificar os genes mais antigos do cromossomo, mantidos desde que ele era um autossomo comum, sem diferenciação sexual.
Depois de comparar o cromossomo humano com o dos animais, os estudiosos notaram que o processo de mudança cessou há 25 milhões de anos. Isso porque a sequência encontrada nos primatas não é muito diferente da humana. Buscou-se, então, uma explicação para essa estabilidade relativamente recente. Afinal, por que o Y não continuou passando por mudanças até hoje? O foco voltou-se para a função das sequências genéticas que sobreviveram à ação do tempo.
No cromossomo masculino, os especialistas esperavam encontrar ao menos dois tipos de informações: a que determina o sexo do indivíduo durante a gestação e as instruções para a espermatogênese, isto é, a formação de testículos e gametas sexuais. Em meio aos outros genes, no entanto, os cientistas identificaram códigos essenciais para o bom funcionamento de diversos outros tecidos. Essas sequências desconhecidas são expressas em vários tipos de órgãos e células do corpo, em diferentes estágios de desenvolvimento, além de aparentemente regularem outros genes.
De acordo com a teoria dos autores, os genes que sobraram no cromossomo seriam essenciais para a formação e a sobrevivência do indivíduo e por isso resistiram à pressão que causou a deturpação do código original. Não somente o cromossomo X, mas o Y também seria necessário para a manutenção de outras importantes funções do organismo, além da determinação do sexo e da formação dos testículos e dos gametas.
Os cientistas acreditam que o cromossomo Y manteve esse material para obedecer a uma relação de dosagem de genes. “Esses genes mantidos estão intactos porque são necessárias cópias extras”, ensina Henrik Kaessmann, pesquisador da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um dos artigos.
“Nas fêmeas, as duas cópias dos cromossomos X têm o mesmo papel que as cópias X e Y têm no macho. Então, para manter a função do tecido do coração e dos rins, o homem tem uma cópia desses genes no X e uma no Y, enquanto as fêmeas têm duas cópias X”, explica Kaessmann. Entre os genes decodificados pelos cientistas, estão sequências relacionadas com o bom funcionamento do coração, dos rins e do fígado.
Ambos os grupos de pesquisa afirmam que vão continuar estudando a evolução e a função do cromossomo, o que pode explicar a origem das diferenças que existem em diversas funções do corpo masculino e feminino.
O cromossomo Y era praticamente um mistério até agora porque os milhões de anos de mudanças deixaram a sequência genética bastante fora de ordem. “Y é encontrado apenas em machos, enquanto o X está nos dois sexos. O Y está sempre sozinho, ele não tem um parceiro como os autossomos (cromossomos não relacionados à determinação do sexo) ou X nas fêmeas. Isso significa que, se há uma mutação que danifique um gene, ele não pode conferir com uma outra cópia ou parceiro para reparar o dano”, esclarece Daniel Bellot, pesquisador do Instituto Médico e Departamento de Biologia Howard Hughes, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
As várias repetições e informações aparentemente sem utilidade faziam com que localizar as funções do cromossomo masculino fosse como encontrar uma agulha no palheiro. Como todos os genes do Y são herdados em grupo, não é possível separar as mutações benéficas de um gene das mutações ruins em outro. Os pesquisadores recorreram, então, a um atalho para vasculhar a sequência de genes. Em vez de olhar para o DNA, eles procuraram pistas diretamente no RNA, a cadeia de nucleotídeos que resulta do processo de transcrição do código original. É como se eles ignorassem uma mensagem criptografada por ter acesso direto à mensagem traduzida e resumida.
Esse processo foi feito em 15 mamíferos em um dos trabalhos científicos, enquanto a outra pesquisa estudou o código genético de oito animais que serviram como representantes da evolução do Y. “Comparar o humano com o chimpanzé nos permite ver os últimos 6 milhões de anos, comparar com o (macaco) rhesus, nos deixa ver 25 milhões de anos no passado”, exemplifica Daniel Bellot.
Código genético Ao ver os genes atuais e os antigos, os cientistas conseguiram observar as sequências mantidas no Y ao longo do tempo. “É como comparar a lista de passageiros do Titanic com os nomes das pessoas resgatadas dos barcos salva-vidas”, ilustra o pesquisador do MIT. Os pesquisadores olharam, inclusive, o código genético da galinha, um animal que, na verdade, tem o gênero definido pelos cromossomos Z e W. Na ave, justificam, foi possível identificar os genes mais antigos do cromossomo, mantidos desde que ele era um autossomo comum, sem diferenciação sexual.
Depois de comparar o cromossomo humano com o dos animais, os estudiosos notaram que o processo de mudança cessou há 25 milhões de anos. Isso porque a sequência encontrada nos primatas não é muito diferente da humana. Buscou-se, então, uma explicação para essa estabilidade relativamente recente. Afinal, por que o Y não continuou passando por mudanças até hoje? O foco voltou-se para a função das sequências genéticas que sobreviveram à ação do tempo.
No cromossomo masculino, os especialistas esperavam encontrar ao menos dois tipos de informações: a que determina o sexo do indivíduo durante a gestação e as instruções para a espermatogênese, isto é, a formação de testículos e gametas sexuais. Em meio aos outros genes, no entanto, os cientistas identificaram códigos essenciais para o bom funcionamento de diversos outros tecidos. Essas sequências desconhecidas são expressas em vários tipos de órgãos e células do corpo, em diferentes estágios de desenvolvimento, além de aparentemente regularem outros genes.
De acordo com a teoria dos autores, os genes que sobraram no cromossomo seriam essenciais para a formação e a sobrevivência do indivíduo e por isso resistiram à pressão que causou a deturpação do código original. Não somente o cromossomo X, mas o Y também seria necessário para a manutenção de outras importantes funções do organismo, além da determinação do sexo e da formação dos testículos e dos gametas.
Os cientistas acreditam que o cromossomo Y manteve esse material para obedecer a uma relação de dosagem de genes. “Esses genes mantidos estão intactos porque são necessárias cópias extras”, ensina Henrik Kaessmann, pesquisador da Universidade de Lausanne, na Suíça, e autor de um dos artigos.
“Nas fêmeas, as duas cópias dos cromossomos X têm o mesmo papel que as cópias X e Y têm no macho. Então, para manter a função do tecido do coração e dos rins, o homem tem uma cópia desses genes no X e uma no Y, enquanto as fêmeas têm duas cópias X”, explica Kaessmann. Entre os genes decodificados pelos cientistas, estão sequências relacionadas com o bom funcionamento do coração, dos rins e do fígado.
Ambos os grupos de pesquisa afirmam que vão continuar estudando a evolução e a função do cromossomo, o que pode explicar a origem das diferenças que existem em diversas funções do corpo masculino e feminino.
Eduardo Almeida Reis - Mais que inzoneiro
Mais que inzoneiro
Eduardo Almeida Reis - eduardo.reis@uai.com.br
Estado de Minas: 27/04/2014
Mais que manhoso, enredador e sonso, este vosso país é inacreditável. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, não do Butão, que é um reino, mas da República Federativa do Brasil.
Suas atividades de pesquisa “fornecem suporte técnico e institucional às ações do governo para a formulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento”. Pois muito bem: a fundação federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República divulgou como vimos, no dia 27 de março, pesquisa segundo a qual 65% dos brasileiros entrevistados afirmavam que “mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas (estupradas)”.
Pesquisa que deu um auê dos diabos, deixando as senhoras jornalistas justamente indignadas, como Elisabete Pacheco e Eliane Cantanhêde no programa GloboNews em pauta. Aproveitando a embalagem, criticaram também os elogios feitos pelos homens às mulheres, que confundiram com o sexual harassment do machismo. Em favor das duas, seja dito que ressalvaram os elogios sinceros e educados.
Muitos anos atrás, numa fazenda mineira, fui apresentado a uma colega delas duas, morena que hoje também se destaca no GloboNews. Conversamos um pouquinho. Antes que a jornalista começasse a circular pelo salão rural, ouviu do philosopho: “Parabéns!”. Perguntou: “Parabéns por quê?”. E o philosopho, a cavaleiro de imenso charuto puro de Havana, explicou: “Parabéns por você”. A então jovem (e bela) morena se derreteu com o elogio educado.
Todos os jornais impressos e televisionados comentaram os números da pesquisa do Ipea, até que no dia 4 de abril, uma semana depois da divulgação, o mesmíssimo Ipea informou que houve um erro na pesquisa e que somente 26% dos brasileiros concordavam em que as mulheres com roupas curtas merecem ser estupradas, enquanto 70% discordavam total ou parcialmente da pergunta.
A nota informou: “Relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente pelo seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação na sociedade ao longo dos últimos dias. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Depois do erro, o diretor responsável pela área de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração do cargo, mas continua funcionário. Rafael é graduado em ciências sociais pela Universidade de Brasília (1999), mestre (2003) e doutor em sociologia (2009) pela mesma universidade. E a gente paga. E a gente escuta. Os 26% já são um escândalo: não há nada que justifique um estupro. Como também não há nada que justifique a incompetência do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Araminhos
Sabe aqueles araminhos revestidos de plástico que vêm fechando os pacotes de pães de fôrma? Antipatizo com eles. Nunca me fizeram grande mal nem me espetaram os dedos, mas não gosto deles. Não sossego enquanto não os jogo fora, assim que os pacotes permitem a torcedura do papel para fechá-los. Quanto custa um araminho? Presumo que seja vendido aos quilos e que o custo unitário seja próximo de zero. Pois muito bem: mineiramente, há uma padaria aqui perto que corta cada araminho em dois. Em matéria de miserabilidade comercial deve ser o recorde mundial.
Nada tenho contra os arames, tanto assim que não dispenso dois, de 19cm cada (medi agora), um na mesa do computador, outro ao lado da poltrona da sala de tevê. Servem para melhorar o desempenho dos charutos quando não queimam bem.
Volto aos araminhos divididos em dois para lhes contar que hoje ouvi no rádio a propaganda de um feirão de automóveis, que deve explicar os problemas de trânsito a que assistimos por aí. No tal feirão vendem-se carros usados por um real de entrada, isso mesmo, R$ 1, e a primeira prestação daqui a três meses, taxa de 0,59%. Dá para imaginar os perfis dos compradores e dos veículos.
O mundo é uma bola
27 de abril de 1500 – Mestre João desembarca da frota de Pedro Álvares Cabral e pisa o solo brasileiro para fazer observações astronômicas. João Faras ou João Emeneslau, conhecido como Mestre João, era médico, astrônomo, astrólogo e físico espanhol. Judeu, assim como Gaspar da Gama, que também viajava na frota cabralina, Mestre João era médico da coroa portuguesa. No dia 28 de abril de 1500 ele enviou uma carta ao rei dom Manuel I em que fazia comentários sobre as terras descobertas.
Num dos trechos da carta escrita naquela que é hoje a Baía Cabrália, onde identificou pela primeira vez a constelação do Cruzeiro do Sul, Mestre João sugere ao rei que peça um mapa em que poderia ver a localização das terras onde eles estavam, o que leva a crer que os portugueses já conheciam parte da costa brasileira.
Descoberta pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, a carta do Mestre João foi publicada pela primeira vez em 1843 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Hoje é o Dia do Sacerdote e o Dia da Empregada Doméstica.
Ruminanças
“Gosta-se da bisbilhotice, mas o bisbilhoteiro é odiado” (Shlomo Rubin, 1823-1910).
Eduardo Almeida Reis - eduardo.reis@uai.com.br
Estado de Minas: 27/04/2014
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Mais que manhoso, enredador e sonso, este vosso país é inacreditável. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, não do Butão, que é um reino, mas da República Federativa do Brasil.
Suas atividades de pesquisa “fornecem suporte técnico e institucional às ações do governo para a formulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento”. Pois muito bem: a fundação federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República divulgou como vimos, no dia 27 de março, pesquisa segundo a qual 65% dos brasileiros entrevistados afirmavam que “mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas (estupradas)”.
Pesquisa que deu um auê dos diabos, deixando as senhoras jornalistas justamente indignadas, como Elisabete Pacheco e Eliane Cantanhêde no programa GloboNews em pauta. Aproveitando a embalagem, criticaram também os elogios feitos pelos homens às mulheres, que confundiram com o sexual harassment do machismo. Em favor das duas, seja dito que ressalvaram os elogios sinceros e educados.
Muitos anos atrás, numa fazenda mineira, fui apresentado a uma colega delas duas, morena que hoje também se destaca no GloboNews. Conversamos um pouquinho. Antes que a jornalista começasse a circular pelo salão rural, ouviu do philosopho: “Parabéns!”. Perguntou: “Parabéns por quê?”. E o philosopho, a cavaleiro de imenso charuto puro de Havana, explicou: “Parabéns por você”. A então jovem (e bela) morena se derreteu com o elogio educado.
Todos os jornais impressos e televisionados comentaram os números da pesquisa do Ipea, até que no dia 4 de abril, uma semana depois da divulgação, o mesmíssimo Ipea informou que houve um erro na pesquisa e que somente 26% dos brasileiros concordavam em que as mulheres com roupas curtas merecem ser estupradas, enquanto 70% discordavam total ou parcialmente da pergunta.
A nota informou: “Relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente pelo seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação na sociedade ao longo dos últimos dias. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Depois do erro, o diretor responsável pela área de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração do cargo, mas continua funcionário. Rafael é graduado em ciências sociais pela Universidade de Brasília (1999), mestre (2003) e doutor em sociologia (2009) pela mesma universidade. E a gente paga. E a gente escuta. Os 26% já são um escândalo: não há nada que justifique um estupro. Como também não há nada que justifique a incompetência do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Araminhos
Sabe aqueles araminhos revestidos de plástico que vêm fechando os pacotes de pães de fôrma? Antipatizo com eles. Nunca me fizeram grande mal nem me espetaram os dedos, mas não gosto deles. Não sossego enquanto não os jogo fora, assim que os pacotes permitem a torcedura do papel para fechá-los. Quanto custa um araminho? Presumo que seja vendido aos quilos e que o custo unitário seja próximo de zero. Pois muito bem: mineiramente, há uma padaria aqui perto que corta cada araminho em dois. Em matéria de miserabilidade comercial deve ser o recorde mundial.
Nada tenho contra os arames, tanto assim que não dispenso dois, de 19cm cada (medi agora), um na mesa do computador, outro ao lado da poltrona da sala de tevê. Servem para melhorar o desempenho dos charutos quando não queimam bem.
Volto aos araminhos divididos em dois para lhes contar que hoje ouvi no rádio a propaganda de um feirão de automóveis, que deve explicar os problemas de trânsito a que assistimos por aí. No tal feirão vendem-se carros usados por um real de entrada, isso mesmo, R$ 1, e a primeira prestação daqui a três meses, taxa de 0,59%. Dá para imaginar os perfis dos compradores e dos veículos.
O mundo é uma bola
27 de abril de 1500 – Mestre João desembarca da frota de Pedro Álvares Cabral e pisa o solo brasileiro para fazer observações astronômicas. João Faras ou João Emeneslau, conhecido como Mestre João, era médico, astrônomo, astrólogo e físico espanhol. Judeu, assim como Gaspar da Gama, que também viajava na frota cabralina, Mestre João era médico da coroa portuguesa. No dia 28 de abril de 1500 ele enviou uma carta ao rei dom Manuel I em que fazia comentários sobre as terras descobertas.
Num dos trechos da carta escrita naquela que é hoje a Baía Cabrália, onde identificou pela primeira vez a constelação do Cruzeiro do Sul, Mestre João sugere ao rei que peça um mapa em que poderia ver a localização das terras onde eles estavam, o que leva a crer que os portugueses já conheciam parte da costa brasileira.
Descoberta pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, a carta do Mestre João foi publicada pela primeira vez em 1843 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Hoje é o Dia do Sacerdote e o Dia da Empregada Doméstica.
Ruminanças
“Gosta-se da bisbilhotice, mas o bisbilhoteiro é odiado” (Shlomo Rubin, 1823-1910).
Ganhar roubado não é mais gostoso - João Dewet Moreira de Carvalho
Ganhar roubado não é mais gostoso
João Dewet Moreira de Carvalho - Engenheiro-agrônomo em Nanuque-MG
Estado de Minas: 27/04/2014
João Dewet Moreira de Carvalho - Engenheiro-agrônomo em Nanuque-MG
Estado de Minas: 27/04/2014
Xenofonte, ao
escrever o livro Ciropédia, conta a história do rei Ciro, descrevendo o
uso das práticas esportivas da época na formação dos jovens medo-persas.
Talvez tal costume até já fosse norma corriqueira de outros povos mais
antigos que, infelizmente, não deixaram tais práticas registradas. No
tempo dos gregos, cujo milagre existencial ainda hoje inquieta e fascina
os historiadores, o esporte teve lugar de relevância na cultura da
sociedade como formador do caráter do cidadão grego.
O esporte sempre teve um apelo muito forte no imaginário humano, especialmente no das crianças, adolescentes e jovens, que são seres ainda em processo de construção e afirmação de valores. Tem sido, portanto, usado mundialmente na educação do ser humano como fator agregador de qualidades como fortalecimento físico, disciplina mental, perseverança na luta, respeito pelo adversário e pelas regras que regem a modalidade esportiva, fatores indispensáveis na formação do caráter de quem o pratica. O uso dos esportes pelos educadores tem contribuído, desde então, de forma ímpar na formação do indivíduo do amanhã, ao melhor capacitá-lo, transferindo para a vivência diária tais valores, que resultarão num cidadão apto à vida em sociedade.
Hoje, é indiscutível a influência que exercem sobre a juventude, ainda em formação, os ídolos dos esportes, que são elevados à condição de heróis, na maioria das vezes, nacionalmente, sendo, então, inquestionável sua influência no vestir, no falar e, principalmente, no agir.
Infelizmente, no Brasil, com a base da formação do seu povo respaldada no nefasto critério de apadrinhamento, que não leva em conta a capacidade profissional do indivíduo nem sua ética, a expressão herói chega a receber designações que às vezes beiram o absurdo, trazendo em si efeitos deletérios à sociedade. Isso é mais grave quando se sabe da influência que tais modelos de herói, que deveriam nortear a juventude do país, desempenham. Na verdade, efeito contrário, fato que pode ser recentemente constatado quando o goleiro de certo time de futebol, com torcedores espalhados por todo o Brasil, ao final de uma partida, cujo resultado vergonhosamente duvidoso lhe garantiu o título do campeonato estadual, disse ao ser entrevistado: “Ganhar roubado é mais gostoso”.
Imaginem a repercussão de desastrada declaração e sua influência na mente da juventude que se espelha em tais ídolos. Pior ainda foi o fato de tamanha desfaçatez ter sido defendida em parte por inúmeros comentaristas e analistas de esporte, tanto nos canais de televisão como em várias emissoras de rádio, como algo normal, coisas do futebol. Vale lembrar que os mesmos valores praticados dentro dos campos de futebol são refletidos por todos os cantos do país, inclusive no Congresso Nacional. É difícil acreditar que alimentar o mal e suas práticas poderá resultar em benefícios para a sociedade.
Não deveria se dar maior valor midiático aos ídolos que agregam exemplos mais dignos aos menores em vez dos que defendem o roubo, a mentira e o assassinato como algo a ser praticado? Se a luta dos pais e pedagogos com a presente geração de adultos foi relativamente perdida, não caberia a responsabilidade de pelo menos cuidar melhor da formação das próximas gerações de cidadãos brasileiros, condenando enfaticamente procedimentos que levem ao desvirtuamento dos dignos valores humanos?
Que tipo de sociedade será construída ao se partir de valores que enaltecem o roubo como algo bom e cuja prática o torna mais gostoso? Será que já não basta o lamentável charco de corrupção e descrédito que envolve todas as instituições do país? Não seria a hora de se dar um basta em tudo isso? Afinal, o brasileiro ainda tem o direito de se orgulhar do seu país.
O esporte sempre teve um apelo muito forte no imaginário humano, especialmente no das crianças, adolescentes e jovens, que são seres ainda em processo de construção e afirmação de valores. Tem sido, portanto, usado mundialmente na educação do ser humano como fator agregador de qualidades como fortalecimento físico, disciplina mental, perseverança na luta, respeito pelo adversário e pelas regras que regem a modalidade esportiva, fatores indispensáveis na formação do caráter de quem o pratica. O uso dos esportes pelos educadores tem contribuído, desde então, de forma ímpar na formação do indivíduo do amanhã, ao melhor capacitá-lo, transferindo para a vivência diária tais valores, que resultarão num cidadão apto à vida em sociedade.
Hoje, é indiscutível a influência que exercem sobre a juventude, ainda em formação, os ídolos dos esportes, que são elevados à condição de heróis, na maioria das vezes, nacionalmente, sendo, então, inquestionável sua influência no vestir, no falar e, principalmente, no agir.
Infelizmente, no Brasil, com a base da formação do seu povo respaldada no nefasto critério de apadrinhamento, que não leva em conta a capacidade profissional do indivíduo nem sua ética, a expressão herói chega a receber designações que às vezes beiram o absurdo, trazendo em si efeitos deletérios à sociedade. Isso é mais grave quando se sabe da influência que tais modelos de herói, que deveriam nortear a juventude do país, desempenham. Na verdade, efeito contrário, fato que pode ser recentemente constatado quando o goleiro de certo time de futebol, com torcedores espalhados por todo o Brasil, ao final de uma partida, cujo resultado vergonhosamente duvidoso lhe garantiu o título do campeonato estadual, disse ao ser entrevistado: “Ganhar roubado é mais gostoso”.
Imaginem a repercussão de desastrada declaração e sua influência na mente da juventude que se espelha em tais ídolos. Pior ainda foi o fato de tamanha desfaçatez ter sido defendida em parte por inúmeros comentaristas e analistas de esporte, tanto nos canais de televisão como em várias emissoras de rádio, como algo normal, coisas do futebol. Vale lembrar que os mesmos valores praticados dentro dos campos de futebol são refletidos por todos os cantos do país, inclusive no Congresso Nacional. É difícil acreditar que alimentar o mal e suas práticas poderá resultar em benefícios para a sociedade.
Não deveria se dar maior valor midiático aos ídolos que agregam exemplos mais dignos aos menores em vez dos que defendem o roubo, a mentira e o assassinato como algo a ser praticado? Se a luta dos pais e pedagogos com a presente geração de adultos foi relativamente perdida, não caberia a responsabilidade de pelo menos cuidar melhor da formação das próximas gerações de cidadãos brasileiros, condenando enfaticamente procedimentos que levem ao desvirtuamento dos dignos valores humanos?
Que tipo de sociedade será construída ao se partir de valores que enaltecem o roubo como algo bom e cuja prática o torna mais gostoso? Será que já não basta o lamentável charco de corrupção e descrédito que envolve todas as instituições do país? Não seria a hora de se dar um basta em tudo isso? Afinal, o brasileiro ainda tem o direito de se orgulhar do seu país.
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