Nesta época de frio, a probabilidade de
as pessoas serem afetadas por doenças respiratórias aumenta. Crianças e
idosos são os mais susceptíveis, por causa da baixa imunidade
Lilian Monteiro
Estado de Minas: 23/07/2014 0
A estação mais
fria do ano exige cuidado redobrado com a saúde. O ar mais seco facilita
o aumento da poluição e a proliferação de vírus, o que,
consequentemente, contribui para elevar a frequência das infecções das
vias respiratórias. Breno Figueiredo Gomes, diretor da Sociedade
Brasileira de Clínica Médica, diretor-administrativo adjunto da
Associação Médica e clínico-geral do Hospital Mater Dei, alerta que há
várias razões para adoecermos no inverno, e não é só por causa das
baixas temperaturas. “O mais importante é o fato de as pessoas ficarem
em locais mais fechados. Dessa forma, a contaminação, principalmente por
vírus, é mais frequente.”
As infecções respiratórias são as
vilãs dessa estação e muitos sofrem com as mais comuns, como sinusite,
otite, pneumonia, gripe, resfriado, rinite, asma, amigdalite,
bronquite... “Coriza, dores no corpo, tosse, febre e mal-estar geral. Os
sintomas são muito semelhantes e uma avaliação médica é fundamental
para a definição adequada do diagnóstico”, alerta o clínico, enfatizando
que as atitudes mais corretas nesse período, que asseguram uma
prevenção adequada, são “evitar ambientes fechados com pessoas doentes,
lavar as mãos e proteger a boca ao tossir”.
Breno Gomes diz que
há muitos equívocos em relação à crença popular, que aponta como
desencadeadores das doenças de inverno andar descalço, dormir com o
cabelo molhado, tomar sorvete, beber água gelada, abrir geladeira, pegar
chuva e ficar no sereno, entre outras. Essas seriam atitudes que
levariam a infecções respiratórias. “Mais mito que verdade. Tudo que
irrita as mucosas predispõe a infecções: alergias e mudanças climáticas,
por exemplo.”
O médico chama a atenção também para um erro comum
nesse período, que é a automedicação. As pessoas invadem as farmácias
atrás de medicamentos para gripes e resfriados (muitos não diferenciam
um do outro) e se entopem, seja de anti-inflamatórios, seja de cápsulas
de vitamina C. Enfim, atitude condenáveis. “A regra é uma só: sempre
passe por uma avaliação do seu médico. Segurança é fundamental.”
O
médico alergista Cláudio Oliveira Ianni, presidente da Sociedade
Brasileira de Alergia e Imunopatologia Regional de Minas Gerais, lembra
que as alergias aumentam no inverno porque há maior circulação de vírus.
Até por isso que a vacinação para gripe, por exemplo, começa em abril.
Ele explica que a alergia ocorre porque “o ar frio facilita as reações
alérgicas diante das mucosas vulneráveis”.
Cláudio Ianni reforça
que o ar seco provoca inversão térmica e a poluição fica mais próxima do
solo, o que dificulta a sua dispersão. Ou seja, todos passam a respirar
a poluição, que desencadeia irritação das mucosas. Daí surgirem as
rinites, sinusites, asmas, bronquites. O médico alerta que as reações
alérgicas estão por todo lado, como na poeira da casa e nas roupas de
frio guardadas por muito tempo, com presença de ácaro e pó. Aliás, é
preciso atenção com os agasalhos de inverno. “Recomendo lavá-los antes
de usar, passá-los a ferro e dar um banho de sol. E, com o fim do frio,
lavá-los antes de guardar, de preferência em sacos plásticos.”
CORIZA
Coceira, espirro, coriza e obstrução nasal são, segundo Cláudio Ianni,
os principais sintomas da maioria dos quadros alérgicos. No caso da
asma, é a tosse. No da bronquite, é o cansaço e o peito chiando. Já a
sinusite ocorre muito em decorrência de uma complicação da gripe.
Saídas
simples podem ser seguidas por todos para deixar o ar mais respirável.
Cláudio Ianni recomenda pano úmido no quarto (toalha molhada na
cabeceira da cama) ou uma vasilha de água, caso não tenha
umidificadores. “Soluções práticas e com resultado.”
Cláudio
Ianni reforça que as crianças de até 5 anos sofrem mais nesse período,
por causa do sistema imunológico imaturo, e o idoso também, porque é
mais frágil e tem alimentação pior. E a maioria deles não toma água o
suficiente. Para se proteger, e a regra vale para todo mundo, é
fundamental cuidado com a alimentação (sucos, frutas, legumes e
verduras), vitamina C, lavar as narinas com soro para evitar vírus e
bactérias, e fugir, dentro do possível, de locais fechados. O alergista
recomenda ainda hidratar bastante a pele, para que ela fique mais
protegida. “Caso seja picado por pernilongo, a reação alérgica seria
pior com a pele ressecada.”
Dicas para tentar afastar as doenças de inverno:
1 Mantenha a roupa de cama sempre limpa, principalmente os cobertores.
2 Tente retirar todo o pó da mobília.
3 Aproveite os dias de sol e abra as janelas. O ar deve circular em ambientes fechados.
4 Evite permanecer muito tempo em locais fechados e com grande quantidade de pessoas.
5 Lave as mãos constantemente.
6
A alimentação deve ser a mais saudável possível. Consuma verduras e
frutas, que são fontes de vitamina C: limão, laranja, abacaxi e acerola.
7 Beba bastante líquido, principalmente água (mas evite bebidas alcoólicas)
8 Evite ter em casa tapetes e bichos de pelúcia espalhados pelo local.
9
Não deixe de fazer exercícios físicos (nadar, correr e caminhar são
especialmente importantes, porque aumentam a capacidade respiratória).
10 Evite fumar e conviver com fumantes.
11 Seque roupas no sol.
12 Para bebês, a amamentação é indispensável, pois garante a proteção da criança.
13 A vacinação anual é importante, não causa gripe e evita complicações mais sérias
*Fontes:
Sarah Lazaretti, enfermeira e sócia-diretora da Alergoshop (empresa
especializada em produtos para diversos tipos de bebidas) e Federação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma)
Vírus ataca bebês
Em
todo o país, já está disponível a imunização gratuita para bebês contra
o vírus sincicial respiratório (VSR) – a principal causa de doenças
respiratórias e hospitalização de prematuros e crianças com cardiopatia
congênita ou displasia broncopulmonar. Em crianças com condições normais
de saúde, a infecção por VSR pode se apresentar apenas como sintomas de
um resfriado forte. Entre os bebês prematuros, pesquisadores estimam
que a taxa de mortalidade, em decorrência do VSR, seja de cerca de 5%.
Hoje, cerca de 10,5% dos nascimentos no Brasil ocorrem antes do período
considerado normal (a partir de 37 semanas). Os bebês prematuros têm
três vezes mais risco de serem hospitalizados em decorrência do VSR do
que um bebê nascido a termo, pesando mais de 2,5 quilos. A Sociedade
Brasileira de Imunização recomenda a imunização, que reduz em 70% a
necessidade de internação e mortalidade de prematuros. Para esses bebês,
ou com cardiopatia congênita, ou broncodisplasia pulmonar, ela está
disponível pelo SUS em todo o Brasil e é recomendada nos meses de maior
circulação do vírus, entre março e setembro.
Fuja da gripe
A
gripe é a maior vilã do inverno. Causada pelo vírus Influenza,
apresenta quadro clínico mais complexo que o resfriado, com febre alta,
dores pelo corpo, dor de cabeça, mal-estar, dor de garganta e tosse. Na
gripe, os sintomas aparecem subitamente, ao contrário do resfriado, no
qual eles surgem gradualmente. O modo de transmissão é igual ao do
resfriado e o tempo de doença costuma ser de até duas semanas.
É
a gripe que apresenta a maior taxa de complicações, como pneumonia pelo
próprio vírus ou outras bactérias oportunistas. A transmissão ocorre
por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada, ao
falar, tossir, espirrar, ou pelas mãos, que, depois do contato com
superfícies recém-contaminadas por secreções respiratórias, podem levar o
agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz. As recomendações para
reduzir o contágio são evitar locais fechados, lavar sempre as mãos com
água e sabão, manter a janela do transporte coletivo aberta mesmo em
dias mais frios, para a circulação de ar, e descartar corretamente no
lixo os lenços de papel.
Este ano, segundo dados da Secretaria
de Estado da Saúde (SES), Minas alcançou a meta de vacinação contra a
gripe e imunizou mais de 4,2 milhões de pessoas dos grupos prioritários.
Foram 2,6 milhões de idosos com mais de 60 anos vacinados; mais de 153
mil gestantes; 34 mil puérperas (período pós-parto); 9 mil indígenas;
992 mil crianças menores de 2 anos e 365 mil profissionais de saúde.
IMPACTO
A SES divulgou último estudo de carga de doenças de Minas Gerais. De
2011, ele evidenciou que as doenças respiratórias são responsáveis pelo
terceiro maior impacto na saúde dos mineiros, computando 12% das
internações. Isso significa que, do total de 1,1 milhão de internações
daquele ano, 135 mil foram por doenças respiratórias. Dessas, mais de
50% foram causadas por pneumonia. E um terço da demanda espontânea de
atendimento da atenção primária à saúde é motivada por queixas
respiratórias. Em 2013, foram notificados em Minas 5.739 casos de
síndrome respiratória aguda grave e, desses, 11% foram causados por
vírus Influenza sazonais. Cento e quarenta e sete pessoas morreram em
decorrência de gripe, o que representa 18,7% dos casos.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Gravidez tardia e suas implicações
Gravidez tardia e suas implicações
Marcos Taveira
Obstetra e membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig)
Estado de Minas: 23/07/2014
Nos últimos anos,
pesquisas e estudos apontam que a idade média da primeira gravidez vem
aumentando em todo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre os anos
de 1970 e 2011, a idade média da primeira gravidez aumentou de 21,4
anos para 25,6 anos. Esse evento também tem sido observado em países
como Suécia (28,3 anos), Holanda (28,7 anos) e Canadá (29,6 anos). Em
2011, 14% dos partos americanos foram em mulheres com idade maior ou
igual a 35 anos. Esse cenário também está se tornando comum no Brasil.
Os motivos são os mais variados possíveis, com predomínio dos aspectos profissionais e econômicos. A mulher hoje é economicamente ativa, busca consolidar a carreira profissional e conquistar a estabilidade financeira para só então realizar o desejo de ser mãe. Existem ainda os fatores emocionais. Tanto a mulher quanto o homem adiam a maternidade ou a paternidade por não se julgarem prontos para assumirem tamanha responsabilidade.
Entretanto, é fundamental ressaltar os riscos ao optar pela gravidez tardia. Um deles é o aumento do abortamento espontâneo. Abaixo dos 30 anos, o risco representa 12%; entre 30 e 34 anos é de 15%; de 35 a 39 anos, é de 25%; e de 51% acima dos 40 anos. Nas gestantes acima de 35 anos, existe maior prevalência de doenças como diabetes, hipertensão arterial, doenças renais e autoimunes (por exemplo, o lúpus eritematoso), obesidade e câncer. Todas essas enfermidades podem exercer papel deletério na evolução da gestação, assim como a gravidez pode agravar uma doença pré-existente. Por exemplo, quanto mais grave uma hipertensão, pior será o resultado daquela gestação.
Observa-se um risco aumentado de mortalidade materna. Estima-se que ele seja duas vezes maior para grávidas acima dos 35 anos, quando comparado com o grupo etário de 25 a 29 anos (21 para cada 9 por 1 mil nascidos vivos), e cerca de cinco vezes maior para grávidas acima de 40 anos (aproximadamente 46 para cada 1 mil nascidos vivos). Aumentam as chances de anomalias cromossômicas, como as trissomias do cromossomo 13 e 18, a síndrome de Turner (Monossomia do cromossomo X) e a síndrome de Down.
Aos 20 anos, o risco inicial para síndrome de Down é estimado em 1/698. Já aos 35 anos, é de aproximadamente 1/175; aos 40 anos, é de 1/51 e, aos 45, é de 1/13. Ocorre também o aumento no risco de pré-eclâmpsia, principalmente acima dos 40 anos, uma vez que a pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morte materna e responsável por taxas elevadas de insuficiência placentária, resultando em quadros de sofrimento fetal e, muitas vezes, em partos prematuros com riscos proporcionais ao grau da prematuridade.
Existem outros tantos riscos que podem interferir no andamento da gestação e que poderiam ser evitados. O recomendado é que toda mulher tenha sua prole definida antes dos 35 anos para que esses fatores de risco sejam minimizados. Assim como o ideal seria que toda gestação fosse planejada, para que a mulher pudesse atuar diretamente sobre aqueles fatores que podem ser controlados. Os benefícios de uma gravidez planejada incluem uso do ácido fólico pré-concepcional (fator associado à redução de malformações fetais), vacinação prévia, controle do índice da massa corporal (reduz o risco de pré-eclâmpsia e de diabetes gestacional), controle de doenças pré-existentes (influenciam diretamente no resultado da gestação futura), programação das gestações para as faixas etárias mais adequadas, entre outros.
Ainda dentro do contexto de uma gravidez planejada, o ideal é que toda gestante realize uma consulta de aconselhamento pré-concepcional, justamente para que ela possa ser orientada quanto aos possíveis fatores de risco associados a uma gestação e para que realize as intervenções adequadas, onde possível, de acordo com cada idade. Esse processo permite uma gestação mais tranquila e saudável, tanto para a gestante, quanto para o bebê.
Os motivos são os mais variados possíveis, com predomínio dos aspectos profissionais e econômicos. A mulher hoje é economicamente ativa, busca consolidar a carreira profissional e conquistar a estabilidade financeira para só então realizar o desejo de ser mãe. Existem ainda os fatores emocionais. Tanto a mulher quanto o homem adiam a maternidade ou a paternidade por não se julgarem prontos para assumirem tamanha responsabilidade.
Entretanto, é fundamental ressaltar os riscos ao optar pela gravidez tardia. Um deles é o aumento do abortamento espontâneo. Abaixo dos 30 anos, o risco representa 12%; entre 30 e 34 anos é de 15%; de 35 a 39 anos, é de 25%; e de 51% acima dos 40 anos. Nas gestantes acima de 35 anos, existe maior prevalência de doenças como diabetes, hipertensão arterial, doenças renais e autoimunes (por exemplo, o lúpus eritematoso), obesidade e câncer. Todas essas enfermidades podem exercer papel deletério na evolução da gestação, assim como a gravidez pode agravar uma doença pré-existente. Por exemplo, quanto mais grave uma hipertensão, pior será o resultado daquela gestação.
Observa-se um risco aumentado de mortalidade materna. Estima-se que ele seja duas vezes maior para grávidas acima dos 35 anos, quando comparado com o grupo etário de 25 a 29 anos (21 para cada 9 por 1 mil nascidos vivos), e cerca de cinco vezes maior para grávidas acima de 40 anos (aproximadamente 46 para cada 1 mil nascidos vivos). Aumentam as chances de anomalias cromossômicas, como as trissomias do cromossomo 13 e 18, a síndrome de Turner (Monossomia do cromossomo X) e a síndrome de Down.
Aos 20 anos, o risco inicial para síndrome de Down é estimado em 1/698. Já aos 35 anos, é de aproximadamente 1/175; aos 40 anos, é de 1/51 e, aos 45, é de 1/13. Ocorre também o aumento no risco de pré-eclâmpsia, principalmente acima dos 40 anos, uma vez que a pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morte materna e responsável por taxas elevadas de insuficiência placentária, resultando em quadros de sofrimento fetal e, muitas vezes, em partos prematuros com riscos proporcionais ao grau da prematuridade.
Existem outros tantos riscos que podem interferir no andamento da gestação e que poderiam ser evitados. O recomendado é que toda mulher tenha sua prole definida antes dos 35 anos para que esses fatores de risco sejam minimizados. Assim como o ideal seria que toda gestação fosse planejada, para que a mulher pudesse atuar diretamente sobre aqueles fatores que podem ser controlados. Os benefícios de uma gravidez planejada incluem uso do ácido fólico pré-concepcional (fator associado à redução de malformações fetais), vacinação prévia, controle do índice da massa corporal (reduz o risco de pré-eclâmpsia e de diabetes gestacional), controle de doenças pré-existentes (influenciam diretamente no resultado da gestação futura), programação das gestações para as faixas etárias mais adequadas, entre outros.
Ainda dentro do contexto de uma gravidez planejada, o ideal é que toda gestante realize uma consulta de aconselhamento pré-concepcional, justamente para que ela possa ser orientada quanto aos possíveis fatores de risco associados a uma gestação e para que realize as intervenções adequadas, onde possível, de acordo com cada idade. Esse processo permite uma gestação mais tranquila e saudável, tanto para a gestante, quanto para o bebê.
O melhor para a cidade
Lei de 2001 garante a participação popular na formulação e execução dos programas de desenvolvimento urbano
Estado de Minas: 23/07/2014
Estado de Minas: 23/07/2014
Em 11 de julho de
2001, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o
Brasil ganhou um poderoso instrumento para a regulação do
desenvolvimento das cidades que, além de estabelecer e detalhar as
diretrizes e ferramentas para o seu desenvolvimento, introduziu na
legislação disposições para garantir a gestão democrática da cidade e a
participação popular na formulação e implementação de políticas
públicas.
A Lei 10.257, também conhecida como Lei de Política Urbana, veio para ordenar o “pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana”, tendo como diretrizes, entre outras, a “gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento dos planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano”.
Por ocasião do surgimento dessa lei, o Brasil encontrava-se ainda emergindo de longo período de supressão da participação direta da sociedade na vida política e, portanto, carente de meios de integração entre a comunidade e os seus gestores, sendo, então, ousada a introdução de disposições sobre a elaboração, implementação, operação e fiscalização de planos, programas, projetos e políticas públicas de desenvolvimento urbano, tais como audiências públicas, debates, órgãos colegiados, consultas públicas etc.
Ainda nos dias de hoje, os representantes do Poder Executivo, federal, estadual e municipal, dificilmente abrem mão de utilizar instrumentos impositivos, tais como medidas provisórias e decretos, entre outros, uma vez que o caminho do diálogo é sempre mais trabalhoso.
Mesmo quando são promovidas audiências públicas, conferências e debates, ainda fica para a população um sentimento de exclusão: em primeiro lugar, pela dificuldade de organizar e participar desses eventos, e, em segundo lugar, porque não há vinculação entre o que foi debatido e o que será posteriormente inserido no texto que vai se transformar em lei, considerando ainda a dificuldade de que a representação indireta sofre o assédio do Executivo, responsável pela distribuição de cargos e recursos públicos.
Por outro lado, como as consultas públicas são onerosas e como a população tem baixa capacidade de discernimento para escolher as melhores soluções para os complexos problemas do desenvolvimento das cidades, as consultas públicas raramente são feitas e, quando o são, a manipulação pelo poder econômico e utilização de ferramentas de marketing e de mídia massiva provocam um verdadeiro massacre sobre as opiniões eventualmente divergentes das do grupo que ocupa o poder.
Pouco, ou quase nada, são valorizadas as iniciativas populares de projetos de lei e de planos, programas de desenvolvimento urbano, não obstante a Lei de Política Urbana assim oriente.
Apesar dessas dificuldades, é salutar que a sociedade brasileira esteja, ainda que a passos lentos, caminhando na direção de desenvolver suas instituições democráticas, sendo o foro municipal de discussão das questões urbanísticas uma excelente oportunidade de começo.
Nesse contexto, é imprescindível os representantes dos setores popular, técnico e empresarial debaterem sobre o que é o melhor para a cidade, com os representantes do governo municipal.
A Lei 10.257, também conhecida como Lei de Política Urbana, veio para ordenar o “pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana”, tendo como diretrizes, entre outras, a “gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento dos planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano”.
Por ocasião do surgimento dessa lei, o Brasil encontrava-se ainda emergindo de longo período de supressão da participação direta da sociedade na vida política e, portanto, carente de meios de integração entre a comunidade e os seus gestores, sendo, então, ousada a introdução de disposições sobre a elaboração, implementação, operação e fiscalização de planos, programas, projetos e políticas públicas de desenvolvimento urbano, tais como audiências públicas, debates, órgãos colegiados, consultas públicas etc.
Ainda nos dias de hoje, os representantes do Poder Executivo, federal, estadual e municipal, dificilmente abrem mão de utilizar instrumentos impositivos, tais como medidas provisórias e decretos, entre outros, uma vez que o caminho do diálogo é sempre mais trabalhoso.
Mesmo quando são promovidas audiências públicas, conferências e debates, ainda fica para a população um sentimento de exclusão: em primeiro lugar, pela dificuldade de organizar e participar desses eventos, e, em segundo lugar, porque não há vinculação entre o que foi debatido e o que será posteriormente inserido no texto que vai se transformar em lei, considerando ainda a dificuldade de que a representação indireta sofre o assédio do Executivo, responsável pela distribuição de cargos e recursos públicos.
Por outro lado, como as consultas públicas são onerosas e como a população tem baixa capacidade de discernimento para escolher as melhores soluções para os complexos problemas do desenvolvimento das cidades, as consultas públicas raramente são feitas e, quando o são, a manipulação pelo poder econômico e utilização de ferramentas de marketing e de mídia massiva provocam um verdadeiro massacre sobre as opiniões eventualmente divergentes das do grupo que ocupa o poder.
Pouco, ou quase nada, são valorizadas as iniciativas populares de projetos de lei e de planos, programas de desenvolvimento urbano, não obstante a Lei de Política Urbana assim oriente.
Apesar dessas dificuldades, é salutar que a sociedade brasileira esteja, ainda que a passos lentos, caminhando na direção de desenvolver suas instituições democráticas, sendo o foro municipal de discussão das questões urbanísticas uma excelente oportunidade de começo.
Nesse contexto, é imprescindível os representantes dos setores popular, técnico e empresarial debaterem sobre o que é o melhor para a cidade, com os representantes do governo municipal.
Salários mínimos - Eduardo Almeida Reis
Salários mínimos
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 23/07/2014
Recorto e guardo
tabelas publicadas nos jornais e não sei o que fazer com elas. Tenho
aqui uma comparação recente dos pisos salariais em diversos países. Está
em US$ e vai continuar na moeda norte-americana, porque dá muito
trabalho converter para os nossos reais e não impede a comparação com a
nossa realidade.
Vejamos. Ano passado, o piso salarial nos EUA foi de US$ 15.080, contra US$ 4.287 no Brasil: por ano, bem entendido. A Nova Zelândia teve piso anual de US$ 24.099 e Cuba, de US$ 108, isso mesmo, cento e oito dólares. Fonte: Gradual Investimentos.
A população da Nova Zelândia, cerca de 4,5 milhões de pessoas, rivaliza com a da Região Metropolitana de Belo Horizonte, e a área territorial daquele país é 268 mil km2, contra 586 mil km2 de todo o estado de Minas Gerais. Diz aqui a calculadora chinesa que 268 x 2 é igual a 536. Portanto, a área neozelandesa beira a metade da mineira.
Fiquemos nos pisos salariais brasileiros e norte-americanos para constatar o seguinte: a vida por aqui está mais cara e o piso norte-americano é 3,5 vezes maior que o nosso. Pelo menos, multipliquei 4.287 por 3,5 e a chinesa anotou 15.004.
O piso cubano tem mil e uma explicações. Jovem industrial belo-horizontino, em lua de mel num hotel chique de Varadero, Cuba, saiu para fazer seu cooper matinal e foi alcançado por um cavalheiro residente no local, que lhe oferecia por 100 dólares os serviços de uma jovem de 15 anos ainda sem tetas. Só aí, alugando a jovem 10 vezes por mês, o piso anual fica maior que o neozelandês. Encucante, mesmo, é o fato de a vida no Rio ser mais cara do que na Flórida. Do cafezinho à compra de uma casa, tudo por lá é mais barato.
Modernidades
Pergunto ao caro, preclaro e assustado leitor: hoje, antes de ler o jornal, você já baixou um aplicativo? Ele mesmo, programa de computador concebido para processar dados eletronicamente, facilitando e reduzindo o tempo de execução de uma tarefa pelo usuário. Todo santo dia me dizem para baixar este ou aquele aplicativo e me envergonho de contar que nunca baixei um deles. Tanto quanto me seja possível entender, existem aplicativos para chamar um táxi e aplicativos para evitar os táxis através das caronas solidárias, não sei se pagas. Dia 11 de junho de 2014, milhares de choferes de táxis, no mundo inteiro, realizaram protestos com seus táxis contra os aplicativos que resultam nas caronas. Inventaram aplicativos para namorar, casar, descasar, namorar sem descasar, opinar sobre futebol durante as partidas transmitidas pelas tevês.
Mal ou bem, o mundo chegou ao último quartel do século 20 sem aplicativos, hoje aparentemente indispensáveis. Tanto assim que já contratei jovem instrutora de informática para me ensinar como se baixa um aplicativo. No dia a dia, acho muito mais importante saber onde comprar os potes de sorvete Häagen-Dazs, que não dispenso nas sobremesas depois de abusar do sal na comida. Ainda ontem, uma doutora mediu-me a pressão: 12 x 7, na verdade a única parte que ainda funciona bem nos 100 quilos distribuídos por 1,88m. Daí a alegria de contar ao leitor, antes de aprender a baixar aplicativos.
Vênus vulgívaga
Vulgívago é puro latim e significa “que ou quem se rebaixa ou desonra, que ou quem se prostitui”; vulgívaga é meretriz. Vênus, mulher formosa, sendo vulgívaga, é puta bonita. Ainda que formosíssimas, desejo que as empresas vulgívagas, que compraram meu endereço eletrônico nas listas vendidas por informatas vulgívagos, vão todas para as vulgívagas que as pariram. São 20, 30, 40 e-mails todos os dias. Não adianta recorrer ao “bloquear remetente”, porque há empresas que usam os nomes dos vendedores antes do @. Fui vizinho de fazenda de uma das donas de empresa imensa, hoje useira e vezeira nesse e-commerce nojento. Informo que a referida empresária, caminhada em anos, gostava de andar inteiramente nua pelos pastos de sua fazenda nas noites de lua cheia. Mais grave do que uma louca nua ao luar é a notícia de que o Google já tem 220 milhões de entradas para e-commerce (comércio eletrônico).
O mundo é uma bola
23 de julho de 1793: a Prússia reconquista a Mogúncia da França. Mogúncia é nome horrível e indigno de ser “reconquistado”; a Prússia lutou por Mainz em alemão, Moguntiacum em latim, ou Mayence em francês, hoje a capital do estado federal de Renânia-Palatinado, na Alemanha, cidade independente (kreisfreie Stadt) ou distrito urbano (Stadtkreis), isto é, tem estatuto de distrito (Kreis).
Em 1840, com o chamado Golpe da Maioridade, aos 14 anos, dom Pedro II se torna imperador do Brasil. Era muito culto, muito honesto, muito democrata no bom sentido: não servia para governar o Piscinão de Ramos. Ainda assim, imperou por várias décadas.
Em 1892, nasce Tafari Makonnen, o Ras Tafari, imperador da Etiópia, rei dos Reis, senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Eleito de Deus, Jah, Rastafari: pelos títulos, um imbecil completo. Em 1973, nasceu Monica Lewinsky, aquela do Clinton, gorducha e simpática. Hoje é o Dia do Guarda Rodoviário.
Ruminanças
“Creio que o nosso Pai Celeste inventou o homem por estar desapontado com o macaco” (Mark Twain, 1835-1910).
Vejamos. Ano passado, o piso salarial nos EUA foi de US$ 15.080, contra US$ 4.287 no Brasil: por ano, bem entendido. A Nova Zelândia teve piso anual de US$ 24.099 e Cuba, de US$ 108, isso mesmo, cento e oito dólares. Fonte: Gradual Investimentos.
A população da Nova Zelândia, cerca de 4,5 milhões de pessoas, rivaliza com a da Região Metropolitana de Belo Horizonte, e a área territorial daquele país é 268 mil km2, contra 586 mil km2 de todo o estado de Minas Gerais. Diz aqui a calculadora chinesa que 268 x 2 é igual a 536. Portanto, a área neozelandesa beira a metade da mineira.
Fiquemos nos pisos salariais brasileiros e norte-americanos para constatar o seguinte: a vida por aqui está mais cara e o piso norte-americano é 3,5 vezes maior que o nosso. Pelo menos, multipliquei 4.287 por 3,5 e a chinesa anotou 15.004.
O piso cubano tem mil e uma explicações. Jovem industrial belo-horizontino, em lua de mel num hotel chique de Varadero, Cuba, saiu para fazer seu cooper matinal e foi alcançado por um cavalheiro residente no local, que lhe oferecia por 100 dólares os serviços de uma jovem de 15 anos ainda sem tetas. Só aí, alugando a jovem 10 vezes por mês, o piso anual fica maior que o neozelandês. Encucante, mesmo, é o fato de a vida no Rio ser mais cara do que na Flórida. Do cafezinho à compra de uma casa, tudo por lá é mais barato.
Modernidades
Pergunto ao caro, preclaro e assustado leitor: hoje, antes de ler o jornal, você já baixou um aplicativo? Ele mesmo, programa de computador concebido para processar dados eletronicamente, facilitando e reduzindo o tempo de execução de uma tarefa pelo usuário. Todo santo dia me dizem para baixar este ou aquele aplicativo e me envergonho de contar que nunca baixei um deles. Tanto quanto me seja possível entender, existem aplicativos para chamar um táxi e aplicativos para evitar os táxis através das caronas solidárias, não sei se pagas. Dia 11 de junho de 2014, milhares de choferes de táxis, no mundo inteiro, realizaram protestos com seus táxis contra os aplicativos que resultam nas caronas. Inventaram aplicativos para namorar, casar, descasar, namorar sem descasar, opinar sobre futebol durante as partidas transmitidas pelas tevês.
Mal ou bem, o mundo chegou ao último quartel do século 20 sem aplicativos, hoje aparentemente indispensáveis. Tanto assim que já contratei jovem instrutora de informática para me ensinar como se baixa um aplicativo. No dia a dia, acho muito mais importante saber onde comprar os potes de sorvete Häagen-Dazs, que não dispenso nas sobremesas depois de abusar do sal na comida. Ainda ontem, uma doutora mediu-me a pressão: 12 x 7, na verdade a única parte que ainda funciona bem nos 100 quilos distribuídos por 1,88m. Daí a alegria de contar ao leitor, antes de aprender a baixar aplicativos.
Vênus vulgívaga
Vulgívago é puro latim e significa “que ou quem se rebaixa ou desonra, que ou quem se prostitui”; vulgívaga é meretriz. Vênus, mulher formosa, sendo vulgívaga, é puta bonita. Ainda que formosíssimas, desejo que as empresas vulgívagas, que compraram meu endereço eletrônico nas listas vendidas por informatas vulgívagos, vão todas para as vulgívagas que as pariram. São 20, 30, 40 e-mails todos os dias. Não adianta recorrer ao “bloquear remetente”, porque há empresas que usam os nomes dos vendedores antes do @. Fui vizinho de fazenda de uma das donas de empresa imensa, hoje useira e vezeira nesse e-commerce nojento. Informo que a referida empresária, caminhada em anos, gostava de andar inteiramente nua pelos pastos de sua fazenda nas noites de lua cheia. Mais grave do que uma louca nua ao luar é a notícia de que o Google já tem 220 milhões de entradas para e-commerce (comércio eletrônico).
O mundo é uma bola
23 de julho de 1793: a Prússia reconquista a Mogúncia da França. Mogúncia é nome horrível e indigno de ser “reconquistado”; a Prússia lutou por Mainz em alemão, Moguntiacum em latim, ou Mayence em francês, hoje a capital do estado federal de Renânia-Palatinado, na Alemanha, cidade independente (kreisfreie Stadt) ou distrito urbano (Stadtkreis), isto é, tem estatuto de distrito (Kreis).
Em 1840, com o chamado Golpe da Maioridade, aos 14 anos, dom Pedro II se torna imperador do Brasil. Era muito culto, muito honesto, muito democrata no bom sentido: não servia para governar o Piscinão de Ramos. Ainda assim, imperou por várias décadas.
Em 1892, nasce Tafari Makonnen, o Ras Tafari, imperador da Etiópia, rei dos Reis, senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Eleito de Deus, Jah, Rastafari: pelos títulos, um imbecil completo. Em 1973, nasceu Monica Lewinsky, aquela do Clinton, gorducha e simpática. Hoje é o Dia do Guarda Rodoviário.
Ruminanças
“Creio que o nosso Pai Celeste inventou o homem por estar desapontado com o macaco” (Mark Twain, 1835-1910).
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