Estado de Minas - 04/04/2013
Franca decadência
Uma
das mais premiadas produções da TV britânica dos últimos tempos, a série
dramática Downton Abbey estreia hoje, às 22h30, no canal GNT. A ação se
passa numa mansão no interior da Inglaterra, onde mora a aristocrática
família Crawley, no início do século 20, mais precisamente nos anos que
antecederam a 1ª Guerra Mundial. No elenco, nomes conhecidos como Maggie
Smith, Hugh Bonneville, Brendan Coyle e Shirley MacLaine em
participação especial.
O galã Rodrigo Hilbert jura que sabe cozinhar
No
mesmo GNT, estreiam as novas temporadas de Diário do Olivier, às 20h30,
e do inédito Tempero de família com Rodrigo Hilbert, às 20h. Neste
último, o ator Rodrigo Hilbert assume o fogão e mostra tudo que aprendeu
com a mãe e a avó no interior de Santa Catarina. Além de preparar
receitas, Hilbert compartilha histórias curiosas de sua vida e das
receitas no programa.
A comida pode ser boa, mas o local é estranho
Outra
novidade de hoje ligada à gastronomia é Restaurantes esquisitos, que
estreia às 22h, no TLC. O apresentador Bob Blumer sai à procura de
restaurantes exóticos em diversas partes do mundo. Quatro restaurantes
excêntricos serão apresentados a cada semana, como um em Taipei que
serve pratos em forma de pequenos vasos sanitários e outro no Japão,
onde macacos servem a bebida.
Ex-mafioso revela os segredos das gangues
E
tem mais. Às 23h10, o Discovery estreia a série No mundo do crime, que
acompanha Lou Ferrante, ex-chefe da máfia em Nova York, enquanto ele
mergulha na antes impenetrável comunidade dos gângsteres e explica a
origem das quadrilhas e o desenvolvimento das poderosas redes de
contatos, motivações e oscilações políticas.
Competição de Design star chega ao fim hoje
Será
conhecido hoje, às 22h45, na Fox Life, o vencedor de Design star. Os
dois finalistas são desafiados a criar uma apresentação para o programa
de TV que desejam apresentar. Eles recebem todas as ferramentas
profissionais necessárias para que possam criar um segmento de seu show,
incluindo câmeras, luzes, microfones e maquiagem.
Cultura ucraniana no Brasil é tema do SescTV
Três
documentários merecem a atenção do assinante hoje. Às 21h30, no SescTV,
a série Coleções visita a colônia ucraniana que se instalou em
Prudentópolis, no Paraná, durante o império de dom Pedro, em busca de
terras. No NatGeo, às 22h15, serão exibidos dois episódios inéditos de
Paranormal: “Criaturas marítimas” e “Círculos em plantações”. No canal
Off, às 23h, a atração é Props owned, com a feras da BMX.
Muitas alternativas na programação de filmes
No
pacote de filmes, o destaque é o clássico Charity, meu amor, às 22h, na
Cultura. No Telecine Action, a sessão Adrenalina em dose dupla emenda O
lutador (20h10) e Shaolin (22h). Na concorrida faixa das 22h, o
assinante tem 10 opções: Praça Saens Peña, no Canal Brasil; A troca, no
Studio Universal; O exótico Hotel Marigold, no Telecine Pipoca; Lágrimas
do céu, no AXN; Como se fosse a primeira vez, no FX; Snatch – Porcos e
diamantes, no Max Prime; Uivo, no Max; A casa dos sonhos, na HBO2; O
vingador do futuro, na HBO HD; e O juiz, no TCM. Outras atrações da
programação: The Runaways – Garotas do rock, às 22h20, no Megapix; e O
homem bicentenário, às 22h30, no Comedy Central.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Interação entre HIV e anticorpo é mapeada -Marcela Ulhoa
Pesquisadores destrincharam a evolução do
vírus da Aids e a reação do sistema de
defesa em um paciente que conseguiu reduzir as replicações do
micro-organismo. Descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas
contra o mal
Marcela Ulhoa
Estado de Minas: 04/04/2013
Uma das grandes barreiras que travam o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Aids é a alta taxa de mutação das proteínas do envelope desse micro-organismo. Nos últimos anos, a identificação de anticorpos altamente neutralizantes que têm como alvo as porções mais estáticas da molécula do vírus abriu uma importante porta para o desenvolvimento de um sistema eficaz de combate à doença. No entanto, a ciência ainda pouco sabe sobre o processo de desenvolvimento dos anticorpos logo após a infecção. O que se conhece é que uma pequena parcela dos pacientes infectados pelo HIV tipo 1 é capaz de desenvolver anticorpos amplamente neutralizantes, mas isso apenas depois de dois anos infectados.
Para melhor compreender o mecanismo de defesa do corpo humano contra o vírus da Aids, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fizeram um mapeamento completo da evolução simultânea tanto do vírus quanto dos anticorpos neutralizantes em um único paciente africano durante um período de 34 meses a partir do início da infecção. Eles descobriram que os anticorpos são acionados e dirigidos pela evolução de uma proteína contida no envelope do vírus e que podem ser detectados antes da 14ª semana de infecção. Os pesquisadores ressaltam ainda que o anticorpo isolado do paciente apresenta um número menor de mutações do que a maioria das outras células de defesa neutralizantes, o que pode ser uma explicação para o rápido desenvolvimento dessa estrutura no paciente estudado.
De acordo com os pesquisadores, o mapeamento pode ser uma grande ferramenta na construção de estratégias de vacinas contra HIV-1 baseadas em anticorpos capazes de neutralizar de forma mais eficiente o vírus. "Pela primeira vez, mapeamos não só a via evolutiva do anticorpo, mas também a via evolutiva do vírus, definindo a sequência de eventos envolvidos que induzem a formação dos anticorpos amplamente neutralizantes", afirma Barton F. Haynes, um dos autores do estudo. Segundo ele, o próximo passo da pesquisa é utilizar as informações adquiridas desse mapa para sintetizar algumas sequências de envelopes do vírus e testá-los com vacinas experimentais.
"O interessante da pesquisa é parar de olhar somente para o antígeno (o vírus) e passar a entender como é a resposta imunológica do organismo. De acordo com as mutações do vírus da Aids, as feições do anticorpo também vão mudando", analisa Unai Tupinambas, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No caso do estudo americano, foi isolado um anticorpo específico produzido pelo paciente, chamado CH103, e algumas de suas variantes. De acordo com os pesquisadores, essa célula de defesa seria capaz de barrar 55% dos casos de infecção por HIV-1. Sua eficiência é devido à ação direta no local específico em que o vírus se liga às moléculas de CD4 da superfície dos linfócitos B, células de defesa imunológica atacadas pelo HIV.
Interação dificultada Para invadir as células de defesa do organismo, o vírus da Aids utiliza as proteínas de sua superfície como se fosse uma chave bioquímica que se encaixa no receptor CD4, uma verdadeira fechadura das células do sistema de defesa humano. Ao interagir diretamente com as proteínas do vírus que ainda não sofreu mutação, os anticorpos CH103 impedem o encaixe do antígeno no anticorpo e, portanto, evitam a infecção. Mas como são poucas as pessoas que naturalmente conseguem produzir essa resposta rápida, o desafio da medicina é reproduzir o processo a todos os organismos. "Esse anticorpo seria, então, o nosso alvo de produção. Teríamos que fazer um protótipo de vacina com uma proteína capaz de induzir a produção do CH103 no organismo", destaca Tupinambas.
De acordo com Vítor Laerte Pinto Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília, uma futura vacina fará com que o indivíduo receba não só com um, mas vários antígenos que forcem os linfócitos B a se adaptarem e produzirem anticorpos mais específicos. O professor acrescenta que o HIV é um alvo complicado porque ele se multiplica tão rápido que pode até mesmo criar subtipos diferentes do vírus dentro de uma mesma pessoa.
Mas não é somente o vírus que sofre mutação, os anticorpos também vão se modificando para criar uma ação imunológica eficiente. "Acontece que o anticorpo inicial tem ação contra o vírus também inicial, mas não contra o vírus que se modifica depois", explica. Uma das principais descobertas do estudo americano é a de que o anticorpo precursor germinal do CH103 tem elevada afinidade para a proteína do envelope expressa pelo vírus fundador que infectou o indivíduo, ainda antes da mutação. Segundo os autores do estudo, a ideia de que determinadas proteínas do envelope são mais susceptíveis de induzir anticorpos amplamente neutralizantes é suportada por experiências em macacos que mostram que alguns envelopes em particular induzem respostas ao HIV nos símios, enquanto outros não o fazem.
Marcela Ulhoa
Estado de Minas: 04/04/2013
Uma das grandes barreiras que travam o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Aids é a alta taxa de mutação das proteínas do envelope desse micro-organismo. Nos últimos anos, a identificação de anticorpos altamente neutralizantes que têm como alvo as porções mais estáticas da molécula do vírus abriu uma importante porta para o desenvolvimento de um sistema eficaz de combate à doença. No entanto, a ciência ainda pouco sabe sobre o processo de desenvolvimento dos anticorpos logo após a infecção. O que se conhece é que uma pequena parcela dos pacientes infectados pelo HIV tipo 1 é capaz de desenvolver anticorpos amplamente neutralizantes, mas isso apenas depois de dois anos infectados.
Para melhor compreender o mecanismo de defesa do corpo humano contra o vírus da Aids, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fizeram um mapeamento completo da evolução simultânea tanto do vírus quanto dos anticorpos neutralizantes em um único paciente africano durante um período de 34 meses a partir do início da infecção. Eles descobriram que os anticorpos são acionados e dirigidos pela evolução de uma proteína contida no envelope do vírus e que podem ser detectados antes da 14ª semana de infecção. Os pesquisadores ressaltam ainda que o anticorpo isolado do paciente apresenta um número menor de mutações do que a maioria das outras células de defesa neutralizantes, o que pode ser uma explicação para o rápido desenvolvimento dessa estrutura no paciente estudado.
De acordo com os pesquisadores, o mapeamento pode ser uma grande ferramenta na construção de estratégias de vacinas contra HIV-1 baseadas em anticorpos capazes de neutralizar de forma mais eficiente o vírus. "Pela primeira vez, mapeamos não só a via evolutiva do anticorpo, mas também a via evolutiva do vírus, definindo a sequência de eventos envolvidos que induzem a formação dos anticorpos amplamente neutralizantes", afirma Barton F. Haynes, um dos autores do estudo. Segundo ele, o próximo passo da pesquisa é utilizar as informações adquiridas desse mapa para sintetizar algumas sequências de envelopes do vírus e testá-los com vacinas experimentais.
"O interessante da pesquisa é parar de olhar somente para o antígeno (o vírus) e passar a entender como é a resposta imunológica do organismo. De acordo com as mutações do vírus da Aids, as feições do anticorpo também vão mudando", analisa Unai Tupinambas, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No caso do estudo americano, foi isolado um anticorpo específico produzido pelo paciente, chamado CH103, e algumas de suas variantes. De acordo com os pesquisadores, essa célula de defesa seria capaz de barrar 55% dos casos de infecção por HIV-1. Sua eficiência é devido à ação direta no local específico em que o vírus se liga às moléculas de CD4 da superfície dos linfócitos B, células de defesa imunológica atacadas pelo HIV.
Interação dificultada Para invadir as células de defesa do organismo, o vírus da Aids utiliza as proteínas de sua superfície como se fosse uma chave bioquímica que se encaixa no receptor CD4, uma verdadeira fechadura das células do sistema de defesa humano. Ao interagir diretamente com as proteínas do vírus que ainda não sofreu mutação, os anticorpos CH103 impedem o encaixe do antígeno no anticorpo e, portanto, evitam a infecção. Mas como são poucas as pessoas que naturalmente conseguem produzir essa resposta rápida, o desafio da medicina é reproduzir o processo a todos os organismos. "Esse anticorpo seria, então, o nosso alvo de produção. Teríamos que fazer um protótipo de vacina com uma proteína capaz de induzir a produção do CH103 no organismo", destaca Tupinambas.
De acordo com Vítor Laerte Pinto Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília, uma futura vacina fará com que o indivíduo receba não só com um, mas vários antígenos que forcem os linfócitos B a se adaptarem e produzirem anticorpos mais específicos. O professor acrescenta que o HIV é um alvo complicado porque ele se multiplica tão rápido que pode até mesmo criar subtipos diferentes do vírus dentro de uma mesma pessoa.
Mas não é somente o vírus que sofre mutação, os anticorpos também vão se modificando para criar uma ação imunológica eficiente. "Acontece que o anticorpo inicial tem ação contra o vírus também inicial, mas não contra o vírus que se modifica depois", explica. Uma das principais descobertas do estudo americano é a de que o anticorpo precursor germinal do CH103 tem elevada afinidade para a proteína do envelope expressa pelo vírus fundador que infectou o indivíduo, ainda antes da mutação. Segundo os autores do estudo, a ideia de que determinadas proteínas do envelope são mais susceptíveis de induzir anticorpos amplamente neutralizantes é suportada por experiências em macacos que mostram que alguns envelopes em particular induzem respostas ao HIV nos símios, enquanto outros não o fazem.
Interação entre HIV e anticorpo é mapeada -Marcela Ulhoa
Pesquisadores destrincharam a evolução do
vírus da Aids e a reação do sistema de
defesa em um paciente que conseguiu reduzir as replicações do
micro-organismo. Descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas
contra o mal
Marcela Ulhoa
Estado de Minas: 04/04/2013
Uma das grandes barreiras que travam o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Aids é a alta taxa de mutação das proteínas do envelope desse micro-organismo. Nos últimos anos, a identificação de anticorpos altamente neutralizantes que têm como alvo as porções mais estáticas da molécula do vírus abriu uma importante porta para o desenvolvimento de um sistema eficaz de combate à doença. No entanto, a ciência ainda pouco sabe sobre o processo de desenvolvimento dos anticorpos logo após a infecção. O que se conhece é que uma pequena parcela dos pacientes infectados pelo HIV tipo 1 é capaz de desenvolver anticorpos amplamente neutralizantes, mas isso apenas depois de dois anos infectados.
Para melhor compreender o mecanismo de defesa do corpo humano contra o vírus da Aids, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fizeram um mapeamento completo da evolução simultânea tanto do vírus quanto dos anticorpos neutralizantes em um único paciente africano durante um período de 34 meses a partir do início da infecção. Eles descobriram que os anticorpos são acionados e dirigidos pela evolução de uma proteína contida no envelope do vírus e que podem ser detectados antes da 14ª semana de infecção. Os pesquisadores ressaltam ainda que o anticorpo isolado do paciente apresenta um número menor de mutações do que a maioria das outras células de defesa neutralizantes, o que pode ser uma explicação para o rápido desenvolvimento dessa estrutura no paciente estudado.
De acordo com os pesquisadores, o mapeamento pode ser uma grande ferramenta na construção de estratégias de vacinas contra HIV-1 baseadas em anticorpos capazes de neutralizar de forma mais eficiente o vírus. "Pela primeira vez, mapeamos não só a via evolutiva do anticorpo, mas também a via evolutiva do vírus, definindo a sequência de eventos envolvidos que induzem a formação dos anticorpos amplamente neutralizantes", afirma Barton F. Haynes, um dos autores do estudo. Segundo ele, o próximo passo da pesquisa é utilizar as informações adquiridas desse mapa para sintetizar algumas sequências de envelopes do vírus e testá-los com vacinas experimentais.
"O interessante da pesquisa é parar de olhar somente para o antígeno (o vírus) e passar a entender como é a resposta imunológica do organismo. De acordo com as mutações do vírus da Aids, as feições do anticorpo também vão mudando", analisa Unai Tupinambas, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No caso do estudo americano, foi isolado um anticorpo específico produzido pelo paciente, chamado CH103, e algumas de suas variantes. De acordo com os pesquisadores, essa célula de defesa seria capaz de barrar 55% dos casos de infecção por HIV-1. Sua eficiência é devido à ação direta no local específico em que o vírus se liga às moléculas de CD4 da superfície dos linfócitos B, células de defesa imunológica atacadas pelo HIV.
Interação dificultada Para invadir as células de defesa do organismo, o vírus da Aids utiliza as proteínas de sua superfície como se fosse uma chave bioquímica que se encaixa no receptor CD4, uma verdadeira fechadura das células do sistema de defesa humano. Ao interagir diretamente com as proteínas do vírus que ainda não sofreu mutação, os anticorpos CH103 impedem o encaixe do antígeno no anticorpo e, portanto, evitam a infecção. Mas como são poucas as pessoas que naturalmente conseguem produzir essa resposta rápida, o desafio da medicina é reproduzir o processo a todos os organismos. "Esse anticorpo seria, então, o nosso alvo de produção. Teríamos que fazer um protótipo de vacina com uma proteína capaz de induzir a produção do CH103 no organismo", destaca Tupinambas.
De acordo com Vítor Laerte Pinto Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília, uma futura vacina fará com que o indivíduo receba não só com um, mas vários antígenos que forcem os linfócitos B a se adaptarem e produzirem anticorpos mais específicos. O professor acrescenta que o HIV é um alvo complicado porque ele se multiplica tão rápido que pode até mesmo criar subtipos diferentes do vírus dentro de uma mesma pessoa.
Mas não é somente o vírus que sofre mutação, os anticorpos também vão se modificando para criar uma ação imunológica eficiente. "Acontece que o anticorpo inicial tem ação contra o vírus também inicial, mas não contra o vírus que se modifica depois", explica. Uma das principais descobertas do estudo americano é a de que o anticorpo precursor germinal do CH103 tem elevada afinidade para a proteína do envelope expressa pelo vírus fundador que infectou o indivíduo, ainda antes da mutação. Segundo os autores do estudo, a ideia de que determinadas proteínas do envelope são mais susceptíveis de induzir anticorpos amplamente neutralizantes é suportada por experiências em macacos que mostram que alguns envelopes em particular induzem respostas ao HIV nos símios, enquanto outros não o fazem.
Marcela Ulhoa
Estado de Minas: 04/04/2013
Uma das grandes barreiras que travam o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da Aids é a alta taxa de mutação das proteínas do envelope desse micro-organismo. Nos últimos anos, a identificação de anticorpos altamente neutralizantes que têm como alvo as porções mais estáticas da molécula do vírus abriu uma importante porta para o desenvolvimento de um sistema eficaz de combate à doença. No entanto, a ciência ainda pouco sabe sobre o processo de desenvolvimento dos anticorpos logo após a infecção. O que se conhece é que uma pequena parcela dos pacientes infectados pelo HIV tipo 1 é capaz de desenvolver anticorpos amplamente neutralizantes, mas isso apenas depois de dois anos infectados.
Para melhor compreender o mecanismo de defesa do corpo humano contra o vírus da Aids, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fizeram um mapeamento completo da evolução simultânea tanto do vírus quanto dos anticorpos neutralizantes em um único paciente africano durante um período de 34 meses a partir do início da infecção. Eles descobriram que os anticorpos são acionados e dirigidos pela evolução de uma proteína contida no envelope do vírus e que podem ser detectados antes da 14ª semana de infecção. Os pesquisadores ressaltam ainda que o anticorpo isolado do paciente apresenta um número menor de mutações do que a maioria das outras células de defesa neutralizantes, o que pode ser uma explicação para o rápido desenvolvimento dessa estrutura no paciente estudado.
De acordo com os pesquisadores, o mapeamento pode ser uma grande ferramenta na construção de estratégias de vacinas contra HIV-1 baseadas em anticorpos capazes de neutralizar de forma mais eficiente o vírus. "Pela primeira vez, mapeamos não só a via evolutiva do anticorpo, mas também a via evolutiva do vírus, definindo a sequência de eventos envolvidos que induzem a formação dos anticorpos amplamente neutralizantes", afirma Barton F. Haynes, um dos autores do estudo. Segundo ele, o próximo passo da pesquisa é utilizar as informações adquiridas desse mapa para sintetizar algumas sequências de envelopes do vírus e testá-los com vacinas experimentais.
"O interessante da pesquisa é parar de olhar somente para o antígeno (o vírus) e passar a entender como é a resposta imunológica do organismo. De acordo com as mutações do vírus da Aids, as feições do anticorpo também vão mudando", analisa Unai Tupinambas, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No caso do estudo americano, foi isolado um anticorpo específico produzido pelo paciente, chamado CH103, e algumas de suas variantes. De acordo com os pesquisadores, essa célula de defesa seria capaz de barrar 55% dos casos de infecção por HIV-1. Sua eficiência é devido à ação direta no local específico em que o vírus se liga às moléculas de CD4 da superfície dos linfócitos B, células de defesa imunológica atacadas pelo HIV.
Interação dificultada Para invadir as células de defesa do organismo, o vírus da Aids utiliza as proteínas de sua superfície como se fosse uma chave bioquímica que se encaixa no receptor CD4, uma verdadeira fechadura das células do sistema de defesa humano. Ao interagir diretamente com as proteínas do vírus que ainda não sofreu mutação, os anticorpos CH103 impedem o encaixe do antígeno no anticorpo e, portanto, evitam a infecção. Mas como são poucas as pessoas que naturalmente conseguem produzir essa resposta rápida, o desafio da medicina é reproduzir o processo a todos os organismos. "Esse anticorpo seria, então, o nosso alvo de produção. Teríamos que fazer um protótipo de vacina com uma proteína capaz de induzir a produção do CH103 no organismo", destaca Tupinambas.
De acordo com Vítor Laerte Pinto Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília, uma futura vacina fará com que o indivíduo receba não só com um, mas vários antígenos que forcem os linfócitos B a se adaptarem e produzirem anticorpos mais específicos. O professor acrescenta que o HIV é um alvo complicado porque ele se multiplica tão rápido que pode até mesmo criar subtipos diferentes do vírus dentro de uma mesma pessoa.
Mas não é somente o vírus que sofre mutação, os anticorpos também vão se modificando para criar uma ação imunológica eficiente. "Acontece que o anticorpo inicial tem ação contra o vírus também inicial, mas não contra o vírus que se modifica depois", explica. Uma das principais descobertas do estudo americano é a de que o anticorpo precursor germinal do CH103 tem elevada afinidade para a proteína do envelope expressa pelo vírus fundador que infectou o indivíduo, ainda antes da mutação. Segundo os autores do estudo, a ideia de que determinadas proteínas do envelope são mais susceptíveis de induzir anticorpos amplamente neutralizantes é suportada por experiências em macacos que mostram que alguns envelopes em particular induzem respostas ao HIV nos símios, enquanto outros não o fazem.
Tendências/Debates
folha de são paulo
MARCELO COUTINHO
A crise global de 2008 revelou as fraquezas do mercado, e a ascensão da China "comunista" como novo polo de poder dá fôlego às inclinações autoritárias. Governos que vão da Venezuela bolivariana ao Irã dos aiatolás contestam o modelo de democracia ocidental.
O embate direita versus esquerda segue como dois boxeadores depois do último gongo. Eles continuam lutando não pelas razões iniciais, mas porque, com tantos golpes, aprenderam a se odiar. A ponto de frentes ditas "progressistas" na América Latina se identificarem mais com Ahmadinejad do que com Obama.
A disputa política no Brasil não se trava pelas razões ideológicas do passado. O capitalismo venceu. O PT também privatiza. Depois de ter sido o país que menos cresceu no mundo em 2012 fora da Europa, Dilma quer agora abrir os portos ao capital, como fez dom João 6º há 200 anos.
A discussão utópica hoje deixou de estar em torno das privatizações, anti-imperialismo, ou da importância ou não do capital estrangeiro, e sim em como aproveitar o mais eficiente sistema econômico que a humanidade já inventou. Dilma tem que se curvar a esse fato, ainda que de maneira tardia.
Dificilmente alguém de boa-fé e bem informado trocaria o mundo globalizado da atualidade por qualquer outro período histórico. A "belle époque" de cem anos atrás acabou nas piores guerras. Os anos dourados de 1950 conviviam com a Guerra Fria. Em 1962, na crise dos mísseis em Cuba, o mundo quase acabou em uma hecatombe nuclear.
Sem apologias também ao neoliberalismo. O Estado nacional está de volta à cena mundial porque a lógica de mercado desregulado simplesmente fracassou. O mundo precisa de mais instituições e não de menos.
Ao escrever sob forte influência da derrocada soviética, o erro de Fukuyama e outros foi acreditar que a história seria congelada. Estavam enganados, embora partissem do pressuposto correto de que não foi inventado ainda nada melhor do que as democracias liberais para lidar com o contraditório.
Nesse tipo de regime, há governo e oposição competindo. Os dois lados são valiosos. É a disputa entre diferentes que revela suas contradições e faz um país avançar. Os EUA venceram a União Soviética porque suas instituições democráticas geraram mais bens públicos por mais tempo.
Vale notar o caráter antidemocrático e conservador de censurar quem não quer se manter preso às ideologias das revoluções de 1848. Muitos podem entender que faz mais sentido hoje pensar na forma como o local se relaciona com o global do que em luta de classes. A própria sociedade brasileira dá sinais de cansaço de ouvir discursos demiúrgicos fáceis do tipo "Nunca antes na história desse país...".
Os que falam muito em elites contra o povo costumam estar entre as elites também, só que populistas e algumas até mesmo fascistas. Utilizam esse recurso linguístico para alcançar o poder ou mantê-lo, frequentemente com viés autoritário.
Quem controla a inflação criando e estabilizando uma moeda nacional não pode ser contra o povo. Ao contrário, porque com inflação quem perde é o mais pobre. Vale a pena desconfiar de quem contabiliza quantas vezes faz uso de palavras como povo e pobreza no lugar de encontrar maneiras de fazer com que as pessoas dependam menos de bolsas.
Acabar com a miséria é ótimo. Ninguém pode ser contra isso. A existência de pobreza extrema é uma das explicações para a permanência de conflitos sociais. No entanto, já sabemos que não é possível acabar de maneira duradoura com a chaga da miséria sem democracia e sem mercado.
Um país avança só ao longo de diferentes governos, de diferentes partidos, alternando-se de maneira madura. A história não tem fim, e o seu começo não é o do último governo.
CESAR CALLEGARI
TENDÊNCIAS/DEBATES
Heranças e desafios da educação paulistana
Herdamos uma fila nas creches de 97 mil crianças e mais 1.600 matriculadas em unidades que não estavam prontas. Um problemão
Inútil a tentativa do ex-secretário Alexandre Schneider de, em artigo recente ("Sobre parcerias e lealdades", em 29/3), fabricar uma "vacina" tardia contra avaliações negativas dos problemas deixados por seus sete anos de gestão à frente da Educação no município de São Paulo.
A eleição já passou, a população já fez a sua avaliação e já elegeu o programa de metas educacionais do prefeito Fernando Haddad. São elas que nos animam e mobilizam. Já dedicamos muito tempo e energia para solucionar os problemas que encontramos. São imensos os desafios à nossa frente.
É inaceitável que São Paulo ocupe o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação medida pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). As crianças paulistanas não merecem e precisamos avançar.
Ano após ano, os alunos foram automaticamente aprovados. Mas 28% deles terminaram o primeiro ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados. Isso não é normal. Daí o nosso esforço para a Alfabetização na Idade Certa: todos lendo e escrevendo até os oito anos.
Educação com qualidade, sabemos, depende das condições em que se realiza o trabalho dos professores. Encontramos muitos deles adoecidos e desmotivados. Em 2012, houve 903 mil faltas por motivo de saúde -uma média de 15 dias por professor.
Foi necessário criar uma força-tarefa entre as secretarias de Educação, Saúde e Gestão, ouvir os sindicatos e passar a tratar desse problema com urgência. Estamos determinados a valorizar todos os educadores, apoiar o seu trabalho e investir na sua formação com a criação de 32 polos da Universidade Aberta do Brasil, em parceria com 22 das melhores universidades do país.
Herdamos, no dia 1º de janeiro de 2013, uma fila com 97 mil crianças à espera de vagas em creche. Fora as 1.600 que foram matriculadas em unidades que não estavam prontas. Um problemão. Nossa meta é zerar o deficit herdado e abrir ainda mais vagas, com a construção de 240 novas escolas, ampliação de convênios e estímulos para que as empresas atendam às necessidades educacionais dos filhos de seus empregados.
Estamos trabalhando muito para conseguir os terrenos para construir as 88 escolas que foram criativamente contratadas (sem terrenos) pela gestão anterior. Da mesma forma, estamos reduzindo os atrasos na entrega de material e uniforme causados por problemas havidos no ano passado.
É verdade que educação com qualidade se faz com cooperação e parcerias. Não continuaremos desprezando os apoios dos governos federal e estadual como vinha acontecendo. Eles são necessários.
Não "esqueceremos" de pedir livros didáticos ao MEC (Ministério da Educação) -lapso que prejudicou 50 mil alunos neste ano. Em dois meses, 312 de nossas escolas já se cadastraram nos programas de educação integral do MEC contra apenas 33 dos últimos quatro anos. Logo no primeiro mês, já obtivemos a liberação de R$ 20 milhões do governo estadual para a construção de novas creches.
A educação não pode ficar à mercê de diferenças político-partidárias. Portanto, tudo que foi produzido de bom nos últimos anos é tratado com o devido zelo à causa pública.
E tudo que mereça ser auditado, avaliado, mudado e melhorado será feito em respeito ao compromisso maior assumido com a população de São Paulo: fazer dela uma cidade educadora.
CESAR CALLEGARI, 60, sociólogo, é secretário de Educação do município de São Paulo
MARCELO COUTINHO
TENDÊNCIAS/DEBATES
"Belle époque" nunca mais
Ainda não foi inventado nada melhor do que a democracia liberal. A disputa entre governo e oposição revela contradições e faz um país avançar
No início dos anos 1990, o cientista político Francis Fukuyama sentenciou o fim da história com a vitória das democracias de mercado sobre o socialismo. Hoje, pode-se dizer que ele estava errado pelas razões certas.A crise global de 2008 revelou as fraquezas do mercado, e a ascensão da China "comunista" como novo polo de poder dá fôlego às inclinações autoritárias. Governos que vão da Venezuela bolivariana ao Irã dos aiatolás contestam o modelo de democracia ocidental.
O embate direita versus esquerda segue como dois boxeadores depois do último gongo. Eles continuam lutando não pelas razões iniciais, mas porque, com tantos golpes, aprenderam a se odiar. A ponto de frentes ditas "progressistas" na América Latina se identificarem mais com Ahmadinejad do que com Obama.
A disputa política no Brasil não se trava pelas razões ideológicas do passado. O capitalismo venceu. O PT também privatiza. Depois de ter sido o país que menos cresceu no mundo em 2012 fora da Europa, Dilma quer agora abrir os portos ao capital, como fez dom João 6º há 200 anos.
A discussão utópica hoje deixou de estar em torno das privatizações, anti-imperialismo, ou da importância ou não do capital estrangeiro, e sim em como aproveitar o mais eficiente sistema econômico que a humanidade já inventou. Dilma tem que se curvar a esse fato, ainda que de maneira tardia.
Dificilmente alguém de boa-fé e bem informado trocaria o mundo globalizado da atualidade por qualquer outro período histórico. A "belle époque" de cem anos atrás acabou nas piores guerras. Os anos dourados de 1950 conviviam com a Guerra Fria. Em 1962, na crise dos mísseis em Cuba, o mundo quase acabou em uma hecatombe nuclear.
Sem apologias também ao neoliberalismo. O Estado nacional está de volta à cena mundial porque a lógica de mercado desregulado simplesmente fracassou. O mundo precisa de mais instituições e não de menos.
Ao escrever sob forte influência da derrocada soviética, o erro de Fukuyama e outros foi acreditar que a história seria congelada. Estavam enganados, embora partissem do pressuposto correto de que não foi inventado ainda nada melhor do que as democracias liberais para lidar com o contraditório.
Nesse tipo de regime, há governo e oposição competindo. Os dois lados são valiosos. É a disputa entre diferentes que revela suas contradições e faz um país avançar. Os EUA venceram a União Soviética porque suas instituições democráticas geraram mais bens públicos por mais tempo.
Vale notar o caráter antidemocrático e conservador de censurar quem não quer se manter preso às ideologias das revoluções de 1848. Muitos podem entender que faz mais sentido hoje pensar na forma como o local se relaciona com o global do que em luta de classes. A própria sociedade brasileira dá sinais de cansaço de ouvir discursos demiúrgicos fáceis do tipo "Nunca antes na história desse país...".
Os que falam muito em elites contra o povo costumam estar entre as elites também, só que populistas e algumas até mesmo fascistas. Utilizam esse recurso linguístico para alcançar o poder ou mantê-lo, frequentemente com viés autoritário.
Quem controla a inflação criando e estabilizando uma moeda nacional não pode ser contra o povo. Ao contrário, porque com inflação quem perde é o mais pobre. Vale a pena desconfiar de quem contabiliza quantas vezes faz uso de palavras como povo e pobreza no lugar de encontrar maneiras de fazer com que as pessoas dependam menos de bolsas.
Acabar com a miséria é ótimo. Ninguém pode ser contra isso. A existência de pobreza extrema é uma das explicações para a permanência de conflitos sociais. No entanto, já sabemos que não é possível acabar de maneira duradoura com a chaga da miséria sem democracia e sem mercado.
Um país avança só ao longo de diferentes governos, de diferentes partidos, alternando-se de maneira madura. A história não tem fim, e o seu começo não é o do último governo.
MARCELO COUTINHO, 38, é professor de relações internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro)
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
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