domingo, 1 de dezembro de 2013

CLAUDIA TAJES - Sorria, você está sendo monitorado

Zero Hora 01/12/2013

Um dia me deu vontade de ter um futon, aquela almofada gigante que parece um colchão, sabe? Pesquisei um pouco na internet para ver preços e modelos e esqueci o assunto. Já faz mais de um ano. Só que, desde então, cada vez que abro o meu e-mail ou olho para a barra lateral dos anúncios do Facebook, lá está a foto de um futon a me encarar. O futon que você quer em 3 vezes sem juros, Novas padronagens para o seu futon, Encomende agora o seu futon. Não sei o que fazer para me livrar da perseguição. Já está me lembrando o filme de terror A Geladeira Diabólica, em que um refrigerador mastigava e engolia pessoas. E ainda devia ser autolimpante, porque não ficava sangue na cozinha.

Se eu sumir, favor avisar a polícia sobre o envolvimento do futon.

Sou gremista, mas não quero morar perto da Arena. O difícil é convencer as imobiliárias que vendem empreendimentos por lá. São muitos os e-mails que chegam a cada dia com lançamentos imperdíveis para começar uma nova vida no Humaitá. Até a bolha imobiliária é argumento para empurrarem um imóvel que o pobre do consumidor não quer. Seja como for, não bote o dedo no nariz e sorria. Você está sendo monitorado, e não é de hoje.

Outros produtos oferecidos especialmente para o meu perfil, segundo dizem os e-mails: creme antirrugas, armário para cozinha, celular, curso de desinibição para falar em público e conquistar pessoas, um cruzeiro, Réveillon em Camboriú, forninho do George Foreman e um pênis maior. Mas claro que sempre tem uma margem de erro. Pelo menos é o que eu espero.

Sobre o tal do aplicativo Lulu, esse que permite que as mulheres deem notas para os homens (ou que meninas deem notas para meninos, dada a infantilidade da coisa). Aqui mesmo, em uma reportagem da Zero Hora, uma usuária contumaz declarou que, se fosse criado um aplicativo para os homens avaliarem as mulheres, ela “bloquearia, porque não gosto desse tipo de exposição”. A discussão envolve tecnologia, mas o analógico ditado pimenta nos olhos dos outros é refresco nunca teve tanta atualidade.

Já um aplicativo que serve para muita coisa é o Follow the Art, desenvolvido por duas gurias de Porto Alegre, a Samantha Carvalho e a Juliana Luderitz. Basta baixar de graça na App Store e no Google Play para conhecer as exposições em cartaz na cidade, com informações e mapas.

No ano que vem o Follow the Art vai mostrar também o que acontece em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O bom da internet é isso: para cada tranqueira como o Lulu, surgem muitas e muitas ideias interessantes – o que inclui, claro, as boas bobagens. Trata-se só de escolher.

MARTHA MEDEIROS - De pés descalços

Zero Hora - 01/12/2013

Para quem vive em locais quentes e com praia, andar de pés descalços não é nenhuma novidade. Já para nós, gaúchos, que passamos a metade do ano usando botas e sapatos fechados, a chegada do verão resgata o prazer de receber diretamente do solo a energia vital que circula pelo corpo todo. Posso estar dando uma importância excessiva ao fato, mas é que andar de pés descalços me remete ao menino das selvas que habitou minhas fantasias da infância, o Mogli. Sapatinhos de cristal sempre me pareceram afetados e apertados demais.

Porém, só fui me dar conta disso, conscientemente, agora, depois de ter feito a viagem pela Tailândia e Camboja que já mencionei na coluna de quarta-feira passada. O que menos levei na bagagem foi algo para calçar. Apenas um chinelo para o dia, uma rasteirinha para a noite e um par de tênis para as aventuras mais radicais – inclusive os tênis ficaram por lá: não sobreviveram às emoções off road vividas de bicicleta em torno do templo de Angkor nesse finalzinho da estação das chuvas cambojanas.

Na Tailândia, o convite para deixar os calçados na porta, antes de entrar nos lugares, é frequente, e isso me fez ter contato direto com a madeira, com o mármore, com pedras rústicas e, principalmente, com a terra: visitando plantações de arroz, andando de barco por aldeias flutuantes, visitando templos e palácios, e mesmo em restaurantes, meus pés reaprenderam a sentir, e não falo de sentir vergonha, ainda que devesse, já que os meus são poucos inspiradores para fetiches. Falo em sentir um grau de pertencimento que o costume e o conforto geralmente impedem.

Se nas vilas e cidades tive o mundo aos meus pés, o que dizer das praias de Krabi, Koh Phi Phi e demais ilhas paradisíacas do sudeste asiático? Pisava na areia de dia e inclusive à noite, jantando a poucos passos do mar, monitorada pela lua. Nem mesmo pés-de-pato coloquei para mergulhar.

Está aí o verão, que nos Estados do norte e nordeste do Brasil não é uma temporada tão diferente do inverno. Nesses casos, os pés descalços já fazem parte da indumentária habitual. Mas para os que têm apenas esses próximos meses para descer do salto, é hora de conceder-se a delícia de sentir o calor e o frio que vem da base. Perceber o seco e o úmido, o macio e o árido, o liso e o áspero – que absorvamos todas as texturas, sem se importar que esse despojamento nos roube a classe e o charme: aliás, rouba nada, a meu ver. Se, em sentido figurado, somos obrigados a manter os pés no chão o ano inteiro, que o façamos agora também literalmente, pelo simples e relaxante exercício de uma liberdade que anda cada vez menos em uso.

Tv Paga

Estado de Minas: 01/12/2013 


 (Luana Diniz/Divulgação  )

MÚSICA Mineiro de Uberlândia, o violoncelista Isaac Andrade (foto), de 22 anos, está na semifinal de hoje do programa Prelúdio, às 11h45, na Cultura. Outra atração musical de hoje é o especial Maria Gadú canta Cazuza, ao vivo, diretamente do Rio de Janeiro, a partir das 20h, no Multishow e no site www.multishow.com.br.

VIDA REAL  Hoje é o Dia Mundial de Luta contra a Aids, e por isso o SescTV programou para hoje dois documentários sobre o tema: Aids 30 anos: as respostas das ONGs do mundo, às 19h; e Positivas, às 22h. Outro destaque no segmento é Em busca de pedras preciosas, que estreia às 17h15, no Nat Geo.

CINEMA Para quem está a fim de um bom filme, as melhores dicas são o curioso Cowboys & aliens, um faroeste sci-fi que vai ao ar às 22h, na Fox; o drama 4:44 – O fim do mundo, do polêmico Abel Ferrara, também às 22h, no Max; e Hora menos, dirigido pelo venezuelano Frank Spano, à 0h15, no Canal Brasil.


Enlatados

Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br
Publicação: 01/12/2013 04:00


Doutor bate recordes

Os 50 anos de Dr. Who continuam dando o que falar. Transmitido simultaneamente na TV e nos cinemas (de 94 países) dia 23, “The day of the Doctor”, o especial da série da BBC, provou seu poder de fogo. No Brasil, ganha hoje mais uma sessão em 3D: em BH, será às 15h30, no Pátio Savassi. Nos Estados Unidos, o sucesso foi tanto que a exibição bateu até mesmo, em média por sala, o atual blockbuster de Hollywood, Jogos vorazes – Em chamas. Na Inglaterra, o episódio registrou média de 10,2 milhões de telespectadores.

Especial natalino – O último episódio de Dr. Who em 2013 será exibido no Natal. Em 25 de dezembro, a BBC vai apresentar “The time of the Doctor”, episódio que vai marcar a despedida do ator Matt Smith. No episódio, o Doutor tira Clara de um jantar em família para levá-la em uma viagem a um planeta onde diversas espécies perigosas se encontram. Em 2014, o personagem será interpretado por Peter Capaldi.

Processo
– Quinta-feira, às 23h, o Universal Channel exibe o 11º episódio inédito da quarta temporada de The good wife. O capítulo vai contar com uma série de participações: T.R. Knight, de Grey’s anatomy; e Tamara Tunie, de Law & order: SVU, além de Michael J. Fox, que volta a interpretar o advogado Louis Canning, rival de Alicia Florrick (Julianna Margulies).

Volta para o futuro
– Falando de Michael J. Fox, o ator vai voltar a se encontrar com Christopher Lloyd. A dupla Marty McFly e Doc Brown da trilogia De volta para o futuro vai se reunir na sitcom The Michael J. Fox show, exibida no Brasil pelo Comedy Central. A comédia acompanha a vida de Mike Burnaby (Michael J. Fox), ex-âncora de um telejornal nova-iorquino que volta a trabalhar depois de passar um tempo afastado por ter sido diagnosticado com Parkinson, mesma doença do ator. Lloyd vai interpretar o excêntrico diretor da escola em que trabalha Annie (Betsy Brandt), mulher de Mike. As gravações foram feitas semana passada. 

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » O medo de Vinicius‏

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » O medo de Vinicius 

Estado de Minas: 01/12/2013




Estou aqui em Bogotá por causa de Vinicius de Moraes e da poesia. A Margarita Duran, que dirige o Instituto Brasil Colômbia (Ibraco), achou por bem trazer para cá aquela caprichada exposição que Rose Falcão organizou em Lima (Peru), além do show em que Maria Creuza canta o poeta. Leio poemas na Casa de Poesia Silva, preservada em homenagem a Jose Asunción Silva, poeta colombiano.

O que é a vida! Jovem estudante em BH, escrevi trabalho sobre esse trágico poeta colombiano num curso de literatura hispano-americana da Maria José de Queirós. Lendo a biografia de Assunción, vi algo que me impressionou. Quando o poeta se matou, um jornal do seu país fez um curto necrológio dizendo: “Parece que fazia versos...”.

Devem ter se passado mais de 100 anos, o poeta viveu entre 1865 e 1896, e agora lá está aquela acolhedora casa com sua biblioteca, auditório e restaurante dirigida por Pedro Gomez. Onde andam tantos poetas que conheci ali? Parece que faziam versos...

As homenagens a Vinicius não param. O ano vai terminar e as pessoas continuam cantando suas músicas e dizendo poesias. E eu, que o conheci no longínquo 1962 lá no antigo prédio da UNE (Rio), outro dia me dei conta de que comecei a escrever o meu “quase diário” no dia da morte de Vinicius, em 1980. Registrava ali o que foi a comovida despedida do poeta, a cena no cemitério, muitas viúvas e amadas cantando as canções que fez vida afora, amor adentro.

Outro dia, por acaso, abri um dos livros dele e me deparei com algo precioso: um diálogo entre ele e Otto Lara. Ano de 1977. Foi registrado por Geneton Moraes Neto. Tem ali várias coisas importantes para entender esse orfeu tropical que cantava o amor com certa tristeza. É uma conversa aparentemente vadia, como vadios eram os cães que Vinicius e Antônio Maria seguiam de madrugada em Copacabana, depois que as boates fechavam.

Ele narra que os dois, vagabundando junto à praia, viram um bando de madrugadores fazendo ginástica na areia. “Serão dinamarqueses?” – perguntaram-se os dois notívagos. E ficaram indolentemente contemplando aquela cena desafiadora, até que do silêncio surgiu a frase de um deles: “Vamos fazer um juramento. Vamos nos prometer que nunca faremos um gesto inútil...”.

Juramento curioso para quem fazia aquilo que muitos julgam ser a mais inútil das coisas – a poesia.

Mas tem uma coisa nesse bate-papo de Vinicius e Otto que interessaria a  uma leitura mais psicanalítica da poesia de Vinicius (como a entrevejo em O canibalismo amoroso): a presença de sua mãe, coisa que o Otto discretamente invocou; mas sobretudo uma pergunta insólita que o mineiro fez ao carioca. Já que Vinicius parecia tão corajoso, Otto lhe perguntou se ele tinha algum medo.

O poeta respondeu: “Tenho medo de mulher, talvez” . E riu.

Seria interessante confrontar essa declaração com muitos de seus poemas, sobretudo com “Ariana, a mulher”, “Poema para todas as mulheres” e “A volta da mulher morena”.

Como se sabe, Vinicius se casou oficialmente nove vezes, sem contar outros acidentes de percurso. Quando postei no Facebook essa declaração de que ele tinha medo de mulher (talvez), uma leitora ironicamente comentou: “Se tendo medo se meteu em tantas aventuras, imagine se não tivesse medo...”