sábado, 8 de fevereiro de 2014

Militante da ética (Eduardo Coutinho)-Vladimir Carvalho‏

Militante da ética
 
Parceiro de primeira hora de Eduardo Coutinho na realização de Cabra marcado para morrer, cineasta paraibano relembra os momentos tensos da perseguição da equipe e a postura exemplar do amigo


Vladimir Carvalho/Especial para o Estado de Minas
Estado de Minas: 08/02/2014







Conheci Eduardo Coutinho nos idos de 1962, num período de intensa efervescência na vida política e social brasileira, estando as pretensas reformas do governo João Goulart na ordem do dia. Nosso encontro se deu por ocasião da passagem pela Paraíba da UNE Volante, caravana de artistas e militantes da União Nacional dos Estudantes, que objetivava, por meio das artes, mobilizar nossa sociedade em torno de sonhadas transformações estruturais. Coutinho chegou com uma câmera Bell and Howell, de 16mm, que ele mesmo operava sabe Deus como. Vinha no encalço do movimento das ligas camponesas, que se alastrava pelo Nordeste como um rastilho de pólvora.

Recordo-me de tê-lo apresentado a Elisabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira, que fora assassinado em abril daquele ano e que, como eu, militava no Partido Comunista Brasileiro. Por aqueles dias aconteceu em Sapé, terra de João Pedro, um agitado comício e o até então desconhecido cineasta foi levado de roldão pela ardorosa militância e não fugiu aos reclamos do momento. Quando dei fé, lá estava Coutinho de microfone na mão, em cima do rústico palanque ali armado. Isso, na mesma Sapé, caminho de formiga da imprensa internacional, que, um ano depois, receberia a visita – fato pouco conhecido – simplesmente de Juscelino Kubitschek, que queria ver de perto as ligas e foi ali carregado nos braços do povo. Conhecendo o autor de Cabra marcado para morrer como conheço é que posso avaliar hoje o quanto lhe custou a experiência.

Culto e capaz de digressões complexas, mas não de muito falar, foi só pela causa que aceitou posicionar-se no palanque ao lado de exaltados camaradas. Com uma dicção peculiar, quase sempre atropelada pela rapidez de seu pensamento e de seu proverbial senso de humor, era um desperdício naquela fila de oradores de rua. Depois, fomos conversar. Como ele já sabia da minha participação em Aruanda, de Linduarte Noronha, e de que já dirigira meu primeiro filme, Romeiros da guia, puxou da capanga o roteiro do documentário que queria fazer sobre João Pedro, provisoriamente chamado de Morte em Sapé, e convidou-me para ser seu assistente.

Daí por diante nos entendemos a tal ponto que, no ano seguinte, passei a colaborar na preparação do Cabra marcado para morrer e, em março de 1964, entrávamos de cabeça em intenso trabalho de filmagem no Engenho Galileia, perto de Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco, epicentro da luta dos camponeses nordestinos. Tudo corria bem, até que um transtorno obrigou-nos a uma parada drástica de três dias no trabalho: nossa câmera (a única) pifou e Cecil Thiré ofereceu-se para levá-la ao Rio de Janeiro com vistas a um conserto urgente. A volta do assistente, ansiosamente esperada, foi regada de entusiástico relato de Cecil, porque, por uma feliz coincidência, assistira no Rio à histórica pré-estreia de Deus e o diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha, numa memorável e consagradora sessão para a classe cinematográfica. Nosso “emissário” não parava de falar e contar lances do filme, siderado pelo impacto e comoção que causara, deixando todos nós ansiosos para ver aquela que seria considerada uma das obras-primas do cineasta baiano.

Ainda comentávamos o feito de Glauber quando, semanas depois, uma notícia caiu como um raio entre nós. Vivíamos a fase das cenas noturnas do roteiro e rodáramos a sequência justamente em que o personagem de João Pedro Teixeira é levado preso de seu casebre, arrancado das mãos de Elisabeth, em cena de grande tensão dramática. Ao fim da madrugada, voltamos à nossa base na cidade para o descanso habitual e já havíamos nos recolhido quando fomos abruptamente despertados por alguém da produção, porque vizinhos tinham vindo avisar, manhã alta, que a revolução (?) estourara e que devíamos entrar em prontidão.

Eu partilhava um quarto com Coutinho e não raro o surpreendia no meio da noite acordando para pitar o seu indefectível cigarro, mas naquela hora foi desperto de supetão. Mal refeitos do susto, convocou-se rápida reunião com toda a equipe para saber o que de fato ocorria e que rumo tomar. Procurou-se ouvir o rádio, mas as notícias eram tão desencontradas e nossa primeira interpretação foi de que se tratava de um movimento de apoio ao presidente João Goulart, e que, portanto, devíamos nos juntar de alguma forma a ele.

Não demorou e as evidências nos mostraram o nosso equívoco, com os rádios já anunciando uma ação de caça aos subversivos. Éramos conhecidos em Santo Antão como os “cubanos das filmagens”, por causa de nossas barbas crescidas, no estilo Ruy Guerra, e logo cuidamos em pô-las de molho. Juntamos os objetos que podíamos levar na arribada e deixamos todo o supérfluo para trás. Certos do perigo, pegamos a Rural Willys e o jipe da produção e nos mandamos de volta para o Engenho Galileia, com o intuito de nos juntarmos aos camponeses e organizá-los, vejam, para a resistência.

Instinto de classe Os que foram conosco eram naturalmente os mais ligados ao projeto político do filme, os da equipe de direção, com Coutinho e Fernando Duarte à frente. Os outros, motoristas, maquinistas etc., julgando-se descomprometidos, se deixaram ficar na casa ou flauteando pela cidade, indiferentes aos acontecimentos. Nós, não! Romântica e ingenuamente, mas de acordo com o clima político em que se vivia, iríamos resistir. Recordo-me de lance curioso antes de partirmos para Galileia: foi que, num rompante, típico de quem estava por fora, o boa-praça do Rizzo, chefe eletricista, supondo estar agradando ao Coutinho, simplesmente, pasmem, propôs lançar em algum ponto da região um cabo de aço sobre as linhas de transmissão da Chesf, o que acarretaria, segundo seus cálculos, deixar todo o Nordeste fora do ar e às escuras, porque totalmente privado de energia elétrica. Assustado, vi o Coutinho enrubescer, numa reação já minha conhecida quando algo o afetava emocionalmente. Controlou, entretanto, a sua indignação, mas repeliu drasticamente a tresloucada proposta, e o Rizzo não teve alternativa a não ser reconhecer a sua maluquice e foi tratar de salvar a própria pele.

A caminho de Galileia, destruímos um pontilhão na estrada para dificultar a passagem de quem quer que fosse em nossa perseguição e rumamos para o engenho, mandando chamar os camponeses para uma reunião, no transcurso da qual, eles, sintomática e sabiamente, se mostraram refratários e prevenidos na avaliação dos acontecimentos. Marinheiros de primeira viagem, queríamos pôr em prática a propalada aliança com os trabalhadores do campo, porque estávamos convictos de que iríamos resgatá-los de sua condição de miséria. Essa ideia era puxada por Marcos Farias, nosso diretor de produção.

De minha parte, fiquei chocado quando notei que as lideranças de Galileia não queriam participar da luta como propúnhamos. Não percebi de pronto a instintiva sabedoria daqueles pobres homens. Nossas falas e arroubos caíram felizmente no mais silencioso vazio. Prudentemente e em sua linguagem tosca, mas clarividente, eles nos aconselharam a nos retirar levando toda a nossa tralha e carros. Para isso, Braz, um camponês de um olho só, como Camões, foi contundente e falou por todos os seus pares: “Vosmissês ainda pode se salvar, mas a gente não”. A certeira intervenção de Braz foi água na fervura. A nossa ridícula resistência terminou ali.


Em busca da liberdade 

Com o início da ditadura militar, a equipe envolvida no documentário precisou fugir das forças repressivas. Eduardo Coutinho se manteve atento ao destino de cada um de seus colaboradores

Vladimir Carvalho/Especial para o Estado de Minas

Eduardo Coutinho, em cena de filme de Carlos Nader. Com sua ética humanista e capacidade de ouvir, o diretor de Edifício Master mudou a face do documentário brasileiro (Sesc SP/Divulgação)
Eduardo Coutinho, em cena de filme de Carlos Nader. Com sua ética humanista e capacidade de ouvir, o diretor de Edifício Master mudou a face do documentário brasileiro

Só nos restava esconder o equipamento mais leve para salvá-lo, como câmera, tripé e acessórios. Fui então com seu João Daniel, um senhor camponês, ajudante da produção, a uma pequena gruta no fundo do vale e ali depositamos a nossa carga, cobrindo tudo com a ramagem que cortamos das árvores, deixando por conta da memória do fiel companheiro uma possível localização no futuro. Esse equipamento seria salvo depois, reclamado que foi às autoridades por Gerson Tavares, que o alugara ao CPC da UNE. Parte do negativo foi extraviada pelos órgãos de repressão do Recife e parte foi salva por gestões junto à Líder, laboratório carioca que processava nosso material. Os copiões ficaram por muitos anos sob a guarda do cineasta David Neves, que usou a casa do pai, general insuspeito, como abrigo de tão precioso pacote.

Aquele 1º de abril ficou na minha memória como o mais longo dia de minha vida. Ilhados naqueles cafundós, sem perspectivas de escapar das garras da repressão militar, nosso medo aumentava à medida que alguns camponeses, nossos olheiros, iam regressando da cidade e contando que os jipões do Exército estavam a caminho de Galileia. A noite caiu, nos despedimos e fomos com João Daniel, nosso sábio guia naquela escuridão, caminhando por picadas, nos homiziar num capão de mato, nos arranchando sob uma árvore de grande copa. Éramos um grupo de mais ou menos nove ou 10 pessoas. Coutinho, Fernando Duarte, Antonio Carlos da Fontoura, Mário Rocha, assistente de Duarte, sua mulher, Elisabeth, que chegara do Rio para visitar o marido, dona Elisabeth Teixeira, Marcos Farias e eu. Também tenho a vaga lembrança que também estava o ator pernambucano Leandro Filho.

Em silêncio absoluto, só nos comunicávamos por sinais e nos arranjamos ali de qualquer jeito, transidos de pavor. Havia conosco uma lanterna de que não cogitamos e Marcos, por conta do dinheiro da produção em seu poder, carregava um revólver absolutamente inútil para aquela ocasião. Pode-se imaginar, conhecendo-se o espírito irreverente de Coutinho, quantas gozações não rolaram em cima do autor de A cartomante por conta desse 38 sem futuro. Alma fresca, incapaz de matar uma mosca, Marcos faleceu em 1984, sem jamais ter de fato usado uma arma de fogo.

Para aumentar a paúra, lá pelas tantas apareceu um sujeito na maior boa-fé para avisar que “os homens” haviam estado no engenho, mas já tinham se retirado e que a gente podia chegar. Mas o medo é bom conselheiro e demos calado por resposta. E nos deixamos ficar ali até o sol nascer. Nosso plano era deixar o esconderijo e alcançar a estrada principal para o Recife, tomando um ônibus para aquela cidade, e assim o fizemos, dividindo-nos em grupos de dois e de três, para não darmos na vista e, meio camuflados, ganhamos a estrada.

Mal disfarçados  Em pouco tempo, tomando por um atalho no canavial, Coutinho, eu e dona Elisabeth Teixeira, simulando um pequeno grupo familiar, estávamos na beira da rodovia para a capital, misturados a um grupo de camponeses que esperavam o coletivo. Aparentemente, não tomaram conhecimento de nós. Fisicamente, me confundo fácil com a massa: moreno, de baixa estatura e sem óculos, é mole. Dona Elisabeth, porém, vivia um drama por ser já muito conhecida no meio rural do Nordeste e a qualquer momento poderia ser identificada.

Coutinho, muito branco, sem dispensar os óculos de míope, pensava que o chapéu de palha que usava e as calças arregaçadas à moda caipira eram suficientes para ocultá-lo. O ônibus chegou, entramos de roldão com outras pessoas e “rezamos” durante todo o trajeto para que o ônibus não fosse parado pelas patrulhas que se viam pela estrada. Chegamos finalmente ao Recife e, a partir dali, foi praticamente cada um por si: a ordem era escapar da caça às bruxas.

Eu fui previamente escolhido para dar proteção e destino a dona Elisabeth. Minha condição de nordestino e amigo dela desde antes das filmagens me permitiria armar um esquema, preservando-a de uma iminente prisão. Levei-a para a casa de uma parenta no Barro, subúrbio do Recife, e aí fiquei mais à vontade com a chegada de minha mulher, Maria do Socorro, que havia sido presa em Vitória de Santo Antão, onde fora em busca de me encontrar, mas depois liberada. Por isso, temíamos que ela tivesse sido seguida. Protelávamos em busca de uma saída, quando, dias depois, o marido de minha prima, nosso hospedeiro, não suportando a pressão, vendo as fotos da viúva de João Pedro nos jornais e na televisão, entrou num tremendo cagaço e uma hora explodiu: não podíamos mais permanecer.

Foi uma humilhação para mim diante de dona Elisabeth, mas pedi um tempo e, enquanto isso, ela descobriu em seus guardados o endereço de um ex-companheiro de trabalho de João Pedro numa pedreira de Recife. Fui preventivamente ao encontro deste senhor em Cavaleiro, nos confins da capital, garantindo com ele, Manuel Serafim, a salvaguarda da amiga. Tivemos por sorte ótima ideia para disfarçar dona Elisabeth. Maria do Socorro costurou um vestido de chitão de cores vivas para ela, oxigenamos seus cabelos, agora cortados e penteados, e o resto, o rouge e o batom, se encarregaram de transformá-la em quase outra pessoa. Até eu me surpreendi depois de acabada a maquiagem. Elisabeth estava pronta para sair à rua sem ser identificada. Parecia agora uma perfeita dama alegre. Coitada, tão digna, tão autêntica, ter de passar por situação tão ultrajante. Ainda hoje sinto remorso, mas não tínhamos outra saída.

Memória e tragédia Escolhemos a noite para a travessia até a casa de Manuel Serafim por ser menor a exposição daquela “personagem” e fui levá-la naquele fim de linha, onde nos esperava o caboclo inteligente e bondoso, o mesmo que no filme descreve em minúcias a fisionomia de João Pedro e o tipo de líder que este era. Em lance emocionante, ele e sua mulher se desmancharam em atenção e carinho para com a amiga que há anos não viam (“Ela é como nossa irmã”, diziam e se abraçavam com ela), tanto que me senti cônscio de que a viúva estava realmente em segurança e dali para a frente desobrigado da tarefa. Saí de Cavaleiro direto para dar a notícia a Coutinho, homiziado na casa de amigos em Olinda, e depois disso fui cuidar da vida, àquela altura incerta e à mercê do clima opressivo que se instalara.

Seis meses depois, com uma identidade falsa, saí da toca nos arredores de Campina Grande e fui reencontrar Coutinho no Rio de Janeiro. Exemplarmente ético e generoso, e depois de se livrar da prisão em Recife, ele ainda se preocupava com a sorte de cada um de seus colaboradores. E foi assim que me acolheu e se empenhou até em me encaixar como assistente de Arnaldo Jabor em dois filmes, o que me deu alento e condições de atravessar o longo e pesado período que se seguiu. Com relação a Elisabeth, ele foi absolutamente magnânimo e estoico, só descansando, anos depois, quando amparou-a, comprando, com recursos próprios, uma casa para ela.

Esta é uma longa história, aos poucos e a custo lembrada, e apenas reordenada – depois de passado o terrível impacto do último fim de semana, quando o país estremeceu com a notícia da morte de Eduardo Coutinho, nas dilacerantes circunstâncias em que ocorreu, trucidado pelo próprio filho. Insondáveis caminhos do ser humano! Tudo diametralmente incompatível com a perspectiva de vida e a mansa, embora tensa, natureza do autor de Cabra marcado para morrer.

Inaudita cogitação se interpõe na consternação geral, pois os fatos gritam além do tumulto e não podemos afastá-la: impossível não enxergar nessa brutal tragédia que sobre ele se abateu, como nos fados gregos, uma pavorosa semelhança com a história do clã sertanejo dos Teixeiras – antes e pós-filme –, com suicídio e luta fratricida de filhos se matando diante de Elisabeth, a mater dolorosa. Não obstante, o tempo baixará como um manto inexorável sobre a cena, quem sabe, para preservar até um dia a memória dela.

Vladimir Carvalho é cineasta e documentarista, diretor de O país de São Saruê, O homem de areia e Rock Brasília: a era de ouro, entre outros.

João Paulo - O tempo e a eternidade‏

O tempo e a eternidade 
 
João Paulo
Estado de Minas: 08/02/2014


O jesuíta João Batista Libanio integrou em sua vida a dimensão da fé, do saber e da ação transformadora   (Beto Noves/EM/D.A Press  )
O jesuíta João Batista Libanio integrou em sua vida a dimensão da fé, do saber e da ação transformadora

Crer para libertar. Em poucas palavras, talvez essa seja uma maneira digna de expressar o itinerário de João Batista Libanio, teólogo jesuíta que morreu na semana passada, deixando em obra e ações um testamento para os homens do nosso tempo. Com mais de 100 livros publicados, a maior parte em conjunto com outros pensadores – inclinação de um homem que sempre quis estar ao lado dos irmãos –, Libanio foi também uma fonte pessoal de exemplos, em ações e militância. Com a profundidade de um erudito e a inspiração de um pastor, estendeu sua existência entre os pilares do tempo presente e da eternidade.

A tensão entre as grandes questões contemporâneas, sendo a injustiça social a mais candente entre elas, e a busca de uma teologia fundamental alimentaram uma vida plena, que foi ainda colorida por características humanas exemplares. João Batista Libanio tinha vivo senso de humor, era humilde, enfrentava com a mesma dedicação tarefas intelectuais e organizativas. Doutor pela Universidade Gregoriana de Roma, com estudos na Alemanha com o teólogo Karl Rhaner, diretor do Colégio Pio Brasileiro em Roma durante o Concílio Vaticano II, Libanio não ficou encastelado na tentadora carreira de intelectual no seio da Igreja. Foi sempre um pensador da vida.

Além da ação pastoral e de assessoria a movimentos internos da instituição, ele foi um dos animadores do projeto de criação das comunidades eclesiais de base, um dos pilares da Teologia da Libertação, que ele ajudou a formular. Sua obra, de certa forma, mimetiza a riqueza da vida. Ao lado de livros de teologia sistemática, escreveu ensaios de análise de conjuntura, textos sobre a questão urbana, estudos sobre a fé, livros de metodologia do pensamento e de filosofia. Em muitos de seus trabalhos se encontrava ainda a vocação didática, o convite para o diálogo, o esforço em formar cidadãos na seara do pensamento. Libanio não era homem de sermões, na acepção popular do termo, mas de diálogo, sempre ancorado no sentido transcendente da realidade. Era amigo de Platão, mas era ainda mais amigo da verdade.

A Teologia da Libertação é um dos grandes projetos de emancipação humana do século 20. Além de sua dimensão política, com a opção pelos pobres e abertura aos problemas sociais da América Latina, onde surgiu, a Teologia da Libertação traz nova dimensão intelectual e cria um plano original de reflexão. O teólogo passa a ter sua tarefa teórica condicionada pela fé do povo. “Não há oposição entre fé e política, entre fé e luta libertadora, entre fé e compromisso social”, sintetizou Libanio no livro Igreja contemporânea – Encontro com a modernidade. Além do movimento interno, a Teologia da Libertação marca uma inclinação prática da Igreja em direção aos pobres, deslocando ainda os paradigmas da contemporaneidade, como a relação com a natureza, a valorização das mulheres e das etnias, e a dinâmica em direção ao ecumenismo.

A religião é uma dimensão marcante do jeito de ser do brasileiro. No entanto, por motivos diversos, nem sempre ela é considerada uma via importante para o conhecimento do país e da realidade social. Com teólogos como João Batista Libanio e Leonardo Boff, com pensadores como Henrique Cláudio de Lima Vaz, entre outros, pode ser que estejamos perdendo uma via fundamental para a compreensão de nossa realidade, que poderia se somar ao trabalho de sociólogos, cientistas políticos, economistas e antropólogos. A distância que grande parte dos intelectuais mantém da teologia – empurrando-a para o campo estrito da religião ou da psicologia individual, quando não do pensamento mágico e antípoda à ciência – é sinal de uma miopia voluntária e pouco produtiva. Não apenas pelo volume da obra, mas por sua consistência e pluralidade, o trabalho de Libanio pode ser um guia precioso para nosso tempo e para a nossa realidade.

Cenários e fé

Para o leitor leigo em questões teológicas e para aquele que não tem fé, mesmo assim a obra de Libanio traz contribuições fundamentais. Em dois pequenos livros em que analisa a conjuntura da Igreja, o autor organiza de forma inteligente e articulada o contexto da instituição em nosso tempo. Cenários da Igreja, como o título indica, faz uso da categoria de cenário (em vez de modelo) para propor uma visão prospectiva da Igreja. O livro procura descrever os cenários existentes hoje, sempre a partir de um duplo movimento: um que impulsiona a Igreja a dar conta de suas questões internas; e outro que estabelece ligação com o mundo social, político e econômico.

Nessa chave, Libanio passa então a examinar os diferentes cenários: a Igreja instituição, a Igreja carismática, a Igreja pregação e a Igreja da práxis libertadora. Em cada uma dessas possibilidades, o teólogo trata de temas que dizem respeito a questões morais, litúrgicas, doutrinais e filosóficas, com o cuidado de resgatar em cada cenário os aspectos positivos e problemáticos. Dialético, Libanio não cai em momento algum na tentação positivista de ver um caminho único e mecânico, destacando sempre a presença da consciência humana nas escolhas.

Em outra obra que também parte da análise de conjuntura, Igreja contemporânea – Encontro com a modernidade, Libanio parte de uma questão mais abrangente: de que maneira o embate com o projeto da modernidade (a ciência aí incluída) alterou as perspectivas da Igreja e que novas questões estão postas para a renovação da instituição?. O teólogo passa em revista o clima anterior ao Concílio Vaticano II, analisa os movimentos que prepararam o encontro e seu desenrolar, estuda os anos pós-conciliares para concluir com a caminhada da Igreja na América Latina e com o movimento da nova evangelização, no contexto da globalização e do neoliberalismo.

Outra questão sempre presente na obra do teólogo é o tema da fé. Libanio, com argúcia, separa religião de fé, trazendo o debate para a situação de orfandade sentida pelo homem contemporâneo. “Por escolha, fé constitui o substantivo de nossa reflexão. A religião se transformará num dos adjetivos da fé: a fé religiosa.” Com isso, o teólogo se aproxima de um universo que ele, no título de um de seus livros, faz questão de nomear: um mundo de muitas crenças e pouca libertação. O desafio é conjugar os impulsos das muitas formas religiosas (inclusive com suas estéticas e festas), com o compromisso social sério, que obriga a conjugar a crença com responsabilidade acerca dos problemas sociais, de modo a evitar tanto a alienação como as os esquematismos reducionistas de algumas ideologias.

Crer num mundo de muitas crenças e pouca libertação é um livro que percorre um caminho complexo, que se equilibra entre questões de natureza teológica, histórica e, por fim, políticas. Libanio analisa as tensões internas na formulação da fé, com suas variantes históricas; reflete sobre a articulação da fé com a subjetividade e o desafio de se abrir para o mundo e o cosmos; e aborda o difícil tema da articulação entre fé e razão (apontando o quanto são interdependentes e não opostas). O teólogo mostra ainda como o coração da fé cristã gira em torno de Jesus para, por fim, debater sobre o que significa “crer na América Latina”, um tema caro ao autor e à Teologia da Libertação. Em síntese, a fé cristã se revela “pessoal, eclesial-comunitária e histórica”.

Ensinar a pensar

João Batista Libanio ajudou a formar muitos religiosos e cidadãos. Professor em várias universidades, sendo a última delas a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), no Bairro Planalto, em BH, o teólogo deixava claras as marcas de sua própria formação rigorosa. Seus livros são vazados por um estilo sempre dialógico, perpassado de instrumentos pedagógicos e sugestões de aprofundamento. Como Libanio certamente se deparou com a dificuldade em trabalhar conceitos e análises mais exigentes no terreno de superficialidade vigente na sociedade de consumo, dedicou parte de sua obra ao incentivo ao trabalho intelectual e à oferta de ferramentas metodológicas para quem quer aprender a aprender.

O livro A arte de formar-se, por exemplo, é uma espécie de manual de sobrevivência na selva da informação. Numa sociedade que se vangloria de ser chamada de “sociedade do conhecimento”, muito se perde pela aposta no acúmulo de informação, pela superficialidade do dado, pelo prazer de manipular centenas de fontes. Para Libânio, a tarefa é exatamente ensinar a pensar em meio a tanta informação. Mais que isso, substituir a técnica da formação pela arte de formar-se.

O livro propõe um caminho rigoroso, mas também prazeroso, para quem busca o conhecimento. Dividido em pequenas seções, com temas para reflexão e diálogo, A arte de formar-se  tem oito capítulos, cada um deles atento a um pilar que sustenta o edifício do conhecimento: aprender a conhecer e a pensar; aprender a fazer; aprender a viver juntos; aprender a viver com os outros; aprender a ser; aprender a discernir a vontade de Deus; aprender a amar; aprender a ser lúcido: exercício de pensar; e aprender a cuidar da Terra.

Amparado em muitos pensadores laicos, como Paulo Freire e Edgar Morin, e ainda na tradição da filosofia católica, de Santo Inácio à Teologia da Libertação, o autor propõe um programa de formação pessoal que é ao mesmo tempo ligado ao saber e à ação. Trata-se não apenas de ampliar as possibilidade de conhecimento, mas também de compromisso ético com mundo e com os problemas de nosso tempo. Para quem – e são muitos – sente vontade de estudar frente à banalidade do que é vendido hoje como saber, mas não sabe por onde começar, A arte de formar-se pode ser um instrumento fundamental.

Na mesma linha, Libanio publicou o livro Introdução à vida intelectual. Logo na abertura, referindo-se ao fundador de sua ordem, Inácio de Loyola, criador dos exercícios espirituais, o autor lembra que o próprio santo pedia moderação aos estudantes em suas penitências, de modo a reservar energia para o estudo. Os jesuítas sabem que é preciso fé, mas que não se avança nas sendas da verdade sem a operosa dedicação ao saber. Trata-se de livro que se desdobra a partir das atitudes mais simples às tarefas mais complexas da vida intelectual.

João Batista Libanio deixou obra e exemplo. Não seria exagerado dizer que cumpriu sem esperar reconhecimento o mais difícil e bem-aventurado dos destinos: contribuir na tarefa da libertação. Como ainda há muito o que fazer, deixou, junto com a herança, um compromisso.


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O trauma e o pânico

Só Freud explica as raízes psicológicas da derrota do Atlético em Marrakesh. Para o psicanalista, o futebol não se limita ao jogo e é preciso estar atento a todas as dimensões do homem
 

Arlindo Carlos Pimenta
Estado de Minas: 08/02/2014



A torcida atleticana no Marrocos viu fugir o sonho com a crise de liderança e coesão do grupo   (Alexandre Guzanche/EM/D.A Press)
A torcida atleticana no Marrocos viu fugir o sonho com a crise de liderança e coesão do grupo

A psicanálise, criada por Freud, tem por base o conceito de inconsciente como sistema de funcionamento mental que influi, queiramos ou não, em todos os atos da vida. Sendo assim, esse ramo do saber humano se divide grosso modo em psicanálise em intenção, a clínica psicanalítica por excelência, e a psicanálise em extensão, que contribui com sua visão para a compreensão dos diversos acontecimentos da vida cotidiana em toda a sua amplitude.

Sendo eu atleticano desde 1947, e como tal carregando na bandeira preta e branca, como bem assinala Roberto Drummond, os odores de suor, lágrimas, perfume da mulher amada, mas nunca o de naftalina, e como psicanalista, me senti no direito e, por que não, no dever de apresentar meu ponto de vista do que foi vivido pela minha família e por mim em Marrakesh.

Dizem que o brasileiro, e em particular o torcedor, tem memória curta e logo esquecerá as decepções e conquistas. Não sei se é bem assim. Nestes 66 anos em que acompanho nosso galo carijó, dois traumas maiores se tornaram muito difíceis de elaborar. Refiro-me primeiramente à final de 1977 contra o São Paulo, naquela tarde chuvosa, quando, emudecido, assisti ao choro de meus garotões. A outra, agora no Marrocos, com meus garotões já crescidos, onde junto com minha mulher e nora vivenciamos o trauma de Marrakesh.

Por que trauma? O que é um trauma para a psicanálise? Para não me alongar muito, podemos dizer que o trauma é uma vivência psíquica, que invade a mente e a desorganiza e paralisa. De imediato não se consegue elaborar aquela vivência, significá-la e integrá-la. O nível de angústia é altíssimo e invasivo. O que acontece juntamente com a perplexidade é a repetição incessante da vivência traumática, que teima em se manter em sua mente apesar dos esforços conscientes que fazemos para nos afastarmos delas.

Isso se dá, segundo Freud, por dois fatores em especial, a saber: ou a vivência é muito intensa, ou estamos despreparados para ela, ou os dois fatores conjugados. Marrakesh foi antes de tudo um grande trauma. Quem se desloca para aquela distância enfrenta as vicissitudes de chegar àquele estádio. Anda três quilômetros a pé, praticamente no escuro, em meio à multidão ululante. Não esperava nunca o acontecido.

Onde estava aquele time da Libertadores, raçudo, confiante, entusiasmado, que respondia em campo ao “eu acredito” das arquibancadas? Algo sério aconteceu. Para um torcedor que recebe informações às vezes truncadas e parciais fica difícil entender. Mas, à medida que o impacto foi se distanciando, pude me lembrar da Psicologia das massas, de Freud, texto no qual ele elabora a teoria do pânico. Para Freud, a estabilização de um grupo se deve a dois tipos de ligação emocional. O primeiro tipo de ligação, chamado ligação vertical, é estabelecido entre os componentes do grupo com um lugar do ideal, geralmente ocupado pelo líder ou líderes. Em razão dessa ligação vertical em comum, é estabelecida uma ligação horizontal entre os membros desse grupo, ligação que dá coesão e estabilidade ao grupo.

O pânico se daria, segundo Freud, quando fica vago o lugar do ideal, da liderança. A ligação vertical não se sustenta e, como consequência, a ligação horizontal se desfaz. Desaparece o grupo como tal, e o pânico leva ao “cada um por si”. Freud, nesse texto, lembra o evento bíblico em que os exércitos assírios comandados pelo general Holofernes dizimavam o exército de Israel. Judite, bela e sedutora, passa pelo exército assírio e vai até a tenda de Holofernes, com o qual passa uma noite de sexo e vinho. Ao amanhecer, tendo o general adormecido, extenuado, Judite corta-lhe a cabeça, sai da tenda e mostra-a aos exércitos, que em pânico se dispersam.

Perplexidade O que assistimos em Marrakesh foi algo aterrador. À algazarra marroquina, ao final da partida, víamos estampada a perplexidade emudecida dos milhares de atleticanos que se entreolhavam estarrecidos. Certamente um pesadelo. Como explicar? De volta ao hotel, mais seis quilômetros aturdidos aos gritos marroquinos dos quais só entendíamos: mineiro, mineiro. E como não entendo árabe, graças a Deus, ficava por isso.

No dia seguinte ao conversar com alguns árbitros da Fifa que se hospedavam no mesmo hotel, tentei diminuir a dor traumática alegando que não fora pênalti e que o Marrocos tão vizinho da Espanha poderia ter influenciado o árbitro. Argumento e contra-argumentos entre esprit de corps e paixão de torcedor, o árbitro encerrou a conversa dizendo: “Meu amigo, o Atlético Mineiro perdeu de si próprio”. Emudeci e tive de concordar. Infelizmente é verdade.

Mas por quê? Os rumores da imprensa davam conta de que Cuca não era mais efetivamente o treinador do Galo. Aquele Cuca do “Yes we CAM” desapareceu. O lugar vago certamente levou o elenco carijó ao pânico e à desestruturação. É como se Judite em chinês mostrasse a cabeça decepada de Cuca aos jogadores. Salto alto diziam alguns, mais provavelmente o pânico que se apossou do grupo.

Mas pelo resultado podemos deduzir que deve ter faltado habilidade naquele momento. Não era hora de desestabilizar a equipe. Falta de tato ou conhecimento mínimo de psicologia (psicanálise)? Ganância do treinador? Só podemos neste momento exercer essa função importante do ser humano, que é o fantasiar. O presidente Kalil não compareceu à cerimônia de entrega de medalhas. Por quê? Mais um sinal de vácuo?

Certamente as questões financeiras, os centros de treinamento, a parte administrativa são extremamente importantes na administração de um clube. Mas para usar o jargão do futebol uma “pixotada” psicológica ou o desconhecimento da psicologia dos grupos, a que o Departamento Médico deveria ser sensível, além de entender evidentemente de ossos, músculos e tendões. Mas o ser humano é muito mais que isso.

E o preço é alto. Sei que a questão é complexa. Este que abordamos é apenas um deles. Nem por isso menos importante. E nele Freud explica.

Arlindo Carlos Pimenta é psiquiatra e psicanalista.

Orelha

Orelha

Estado de Minas: 08/02/2014


Allen Ginsberg, Richard e Jeannette Seaver, Jean Genet e William Burroughs (Editora Globo/Reprodução)
Allen Ginsberg, Richard e Jeannette Seaver, Jean Genet e William Burroughs
Homem de letras

O editor Richard Seaver, como se pode ver pela foto acima, estava sempre bem acompanhado. Sem querer aparecer – virtude pouco comum no mercado de vaidade humana –, seu negócio era fazer os outros brilharem. O livro A hora terna do crepúsculo, que está sendo lançado no Brasil pela Globo Livros, é um passeio por Nova York e Paris do pós-guerra, tendo como personagens principais os escritores que revolucionaram a sensibilidade moderna. Richard Seaver apresentou Paris aos americanos e depois desvendou Nova York para os franceses. Como editor de casas como Grove Press, Viking e Holt, editou autores como Samuel Beckett, Ionesco, Henry Miller, William Burroughs, Jean Genet e D. H. Lawrence, enfrentando muitas vezes a censura e os tribunais. Defensor da liberdade de expressão e sensível aos novos valores estéticos, tendo ajudado a dar feição à literatura contemporânea, Richard Seaver foi também o cronista do tempo em que Paris era uma festa. E, na verdade, em boa parte por causa dele, com sua antena para publicar novos autores e desafiar as convenções e moralismo. A hora terna do crepúsculo mostra, ainda, que o exigente editor era um escritor de classe, que tinha o que dizer.


Mais ditadura

Dois livros chegam em breve às livrarias tendo como tema os 50 anos do golpe militar brasileiro. Pela Editora da Universidade de São Carlos o período é retratado no livro  O golpe de 1964 e o regime militar, coletânea de artigos organizados por João Roberto Martins Filho, que teve a primeira edição em 2006. Outra publicação, esta inédita, é Ditadura à brasileira – 1964-1985 – A democracia golpeada à esquerda e à direita, do historiador Marco Antonio Villa, que sai pela Leya ainda este mês.


Prosa de praia

A Edições Chão da Feira vem criando uma ponte delicada e sutil entre Portugal e o Brasil. Além dos livros de seu catálogo enxuto, ela divulga de tempos em tempos seu Caderno de leituras  pela internet, com textos preciosos. O mais recente, de número 23, é dedicado a um ensaio da poeta mineira Ana Martins Marques, “A praia, a pele, a página”, sobre o romance A vida descalço, do argentino Alan Pauls. O endereço é: www.chaodafeira.com.

 (Camila Rodrigues/Divulgação)

Memória da infância

Cronista, poeta e um dos mais animados agitadores da literatura brasileira, Fabrício Carpinejar (foto), aos 41 anos, resolveu escrever suas memórias da infância e adolescência. O resultado são os quatro volumes da coleção Vida em Pedaços. Os dois primeiros volumes da autobiografia, Te pego na saída e Não atravesso a rua sozinho, estão sendo lançados pela Editora Edelbra, com ilustrações de Eloar Guazzelli. Na sequência, Carpinejar completa suas memórias juvenis em mais quatro livros, que vão integrar a série Pedaços da Vida.


Lobo em livros

Na linha “veja o filme, leia o livro”, a Editora Planeta traz para as livrarias os dois volumes de Jordan Belfort que deram origem à produção O lobo de Wall Street, dirigido por Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio no papel principal. O primeiro livro, com o mesmo título do filme, descreve a história de ascensão, excessos e queda de Belfort. Já o segundo volume, A caçada do lobo de Wall Street, revela os bastidores da prisão e do acordo de delação premiada que permitiu que o escroque, depois de entregar quase 100 amigos, se livrasse de três décadas de prisão.


Lição de vida

O mundo se emocionou – o Brasil incluído – com o romance A culpa é das estrelas, de John Green, um dos maiores best-sellers dos últimos tempos. Chega agora ao país, em lançamento simultâneo com os EUA, A estrela que nunca vai se apagar (Editora Intrínseca), um diário com ilustrações e fotos, escrito por Esther Earl, inspiradora do romance, e completado por seus pais, Lory e Wayne. O final, como se sabe, é muito triste, mas o livro ajuda a conhecer a menina diagnosticada com câncer de tireoide aos 12 anos, que dá uma lição de vida tocante. O prefácio é de John Green.

 (Record/Reprodução)

Jackie no batente

Uma das mulheres mais destacadas de seu tempo, Jacqueline Onassis Kennedy não era propriamente uma trabalhadora, tendo pouco tempo para se dedicar a algo além de ser a primeira-dama dos EUA ou mulher do magnata Onassis. No entanto, aos 46 anos, ela começou a trabalhar no ramo editorial, tendo desenvolvido uma carreira de respeito. É o que garante Greg Lawrence no livro Jackie editora (Record). Representando grandes editoras, Jackie publicou nomes como Louis Auchincloss Nagib Mahfuz, Diana Vreeland e até mesmo Michael J