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domingo, 26 de maio de 2013
ONG prega sexo livre para proteger a natureza e é tema de documentário
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domingo, 31 de março de 2013
Robert Downey Jr. show
folha de são paulo
RODRIGO SALEMDA REPORTAGEM LOCALRobert Downey Jr. é o herói da garotada. No entanto, durante boa parte da década de 1990, o ator era a versão pioneira e masculina de Lindsay Lohan. Cheirou, bebeu, fumou, foi preso com armas e passou um ano vestindo um uniforme laranja no presídio.
Agora, controla seu lado selvagem e faz sua personalidade charmosa e vencedora transbordar para quase todos os papeis que assumiu desde que virou a identidade secreta do Homem de Ferro.
Entrevistei-o duas vezes nos últimos anos e foi difícil separar personagem e homem real. Bobby, como lhe chamam os amigos, investe no sarcasmo para desarmar perguntas mais picantes sobre seu passado -assim como Tony Stark (o Homem de Ferro) faz quando é confrontado por seus investimentos em armas de destruição em massa.
Há seis anos, perguntei como ele se descreveria em seus anos selvagens. "Louco. Sexy. Lindo. Bêbado!", disse. Agora, faça o teste. Veja as características de seus personagens, a seguir:
1) O repórter bêbado de "Zodíaco" (2007), de David Fincher;
2) O detetive brilhante e atlético dos dois "Sherlock Holmes" (2009 e 2011), de Guy Ritchie;
3) O bonitão que corre para ver o nascimento do filho em "Um Parto de Viagem" (2010), de Todd Phillips.
Todas podiam ser descrições dele mesmo. Mas isso significa que não é bom ator? Longe disso.
Em "Trovão Tropical" (2008), faz uma das grandes performances cômicas dos últimos anos, curiosamente como um ator completamente egocentrado.
Mas o fato é que o sucesso da série "Homem de Ferro" o transformou em um símbolo. E isso mudou até o perfil dos personagens que fez em seguida.
Seu Sherlock Holmes virou um Tony Stark do século 19: inteligência acima da média, bom lutador, atraente, mas problemático com mulheres. E engraçado.
Ele nem precisa sair do papel para fazer piadinhas espertas. Ou será que nem precisa entrar?
REVISTA SERAFINA
ADRIANA KÜCHLER
DE LOS ANGELES
DE LOS ANGELES
"Sou a melhor pessoa que você pode ter para promover o seu filme. Principalmente se eu estiver nele". Todos riem quando Robert Downey Jr. fala, mesmo que ele não esteja fazendo piada. Ele gosta da atenção. "Eu vivo para isso."
O assunto dele agora é "Homem de Ferro 3", novo longa da franquia de sucesso que transformou o antigo ator problema em garantia de boas bilheterias, e que entra em cartaz no próximo dia 26.
Aquela era a primeira entrevista da maratona de divulgação programada pelo estúdio. Ele tinha 90 dias pela frente, falando e posando para fotos. Mas não parecia se importar. Aliás, parecia estar se alimentando de tanta atenção.
Os dois primeiros "Homem de Ferro", lançados em 2008 e 2010, tiveram faturamento conjunto de R$ 2,4 bilhões e "Os Vingadores" (2012), reunião de super-heróis da Marvel com participação de Robert na armadura de lata, arrecadou R$ 3 bilhões e se tornou a terceira maior bilheteria da história. A série "Sherlock Holmes", sua segunda franquia, com dois filmes lançados em 2009 e 2011, também é campeã de audiência global.
Por conta do faturamento dos filmes, o salário dele estourou: de R$ 1 milhão no primeiro "Homem de Ferro" para R$ 100 milhões em "Os Vingadores". A "Forbes" o considerou o maior arrecadador do cinema em 2012.
Nesse terceiro filme, o personagem de Robert, Tony Stark, o Homem de Ferro, vai enfrentar o vilão Mandarim, interpretado por Ben Kingsley, além de lidar com dificuldades com a armadura superpoderosa, que o deixa na mão.
A figura do bilionário Tony Stark, brilhante, irônico e sedutor, mas arrogante e nada modesto, costuma se confundir com a de Robert. Menos no figurino.
O ator faz um estilo eclético, mas nunca descuidado. Para encontrar a imprensa internacional, opta por um tricô creme por cima de uma camiseta branca manchada de rosa, com calça de veludo e botas cinzas.
CAIXA PRETA
O cabelo espetado para cima tira o foco dos pelos brancos que começam a aparecer na sua barba e das linhas de expressão que marcam sua testa. A entrevista é performática.
Ele faz caretas, cruza os braços, dá soquinhos no ar. Todos se divertem. O que pode parecer antipático em outros, nele é só charme.
Nas mãos, e há muitos anos, ele carrega uma mala preta, dura, que mais parece uma caixa de câmera fotográfica subaquática. Pergunto o que tem dentro. Ele abre a mala, compartimentada e organizada, e começa a listar:
-Ervas, chiclete de nicotina, continuo sem fumar, óculos escuros, lenços umedecidos...
Há quatro anos, quando apareceu em Serafina pela primeira vez, o ator trazia, no seu "kit salvação", chaves, um iPod, um Blackberry que ganhou de Jude Law, um charuto e um saco preto e misterioso.
Dessa vez, explica assim a onipresença da mala: "As garotas me entendem. Vocês não se sentem sempre como se estivessem pescando em suas bolsas, remexendo um monte de bolas de bingo sem nunca encontrar o que procuram?"
Todas concordam. "Odeio isso", ele continua. Aos 47 anos, o ex-junkie, chegado em crack, cocaína, heroína, prostitutas e frequentador de prisões e "rehabs", e atual superstar, Robert
Downey Jr. só é dependente da sua caixa preta. Continua sendo um obsessivo, mas tem obsessões mais saudáveis.
Downey Jr. só é dependente da sua caixa preta. Continua sendo um obsessivo, mas tem obsessões mais saudáveis.
Minutos antes da entrevista, o diretor Shane Black, que já tinha trabalhado com ele em "Beijos e Tiros" (2005), havia descrito o ator como um caubói, um verdadeiro herói americano. "Ele disse isso?", pergunta Robert.
"Não, não me sinto um herói. Mas é importante que o diretor diga esse tipo de coisa. Faz bem pro nosso relacionamento." Todos riem.
AUTOAJUDA
Digo a ele que Shane o chamou de "gênio perdido, uma criança por dentro". "Ele acha que engoli uma criança? Adoro as coisas que ele fala". Diz também que dá muitos palpites no roteiro de "Homem de Ferro".
"Eu digo: 'Aqui, eu preciso falar algo. Nessa parte falta alguma coisa. Isso não deveria ser tão engraçado.' Caso vocês não tenham notado, gosto muito de falar!".
É óbvio que Robert gosta de falar. As frases começam com um assunto e caminham livremente por outros, muitas vezes sem pé nem cabeça. Começa a responder a uma pergunta e logo está filosofando sobre algo que não necessariamente tem a ver com o tema. Insere frases no meio da conversa como se tentasse ensinar as lições que aprendeu pela vida.
E mistura as lições com piadas como se estrelasse uma comédia "stand-up" de autoajuda: "Eu realmente acredito que, se você não estiver do seu lado, ninguém mais vai estar. Se você não confiar em você, porque o público ou um estúdio deveria confiar?", "No momento em que você determina que a causa do seu sofrimento está fora de você, você se torna a causa do sofrimento de outras pessoas".
E ele começa a atuar no mundo da autoajuda. Em fevereiro, apresentou o Prêmio Experiência, Força e Esperança, que promove tratamentos alternativos, como o humor, para pessoas viciadas em álcool, drogas ou comportamentos autodestrutivos.
Indagado sobre porque ainda não aceitou fazer o quarto "Homem de Ferro", diz que aprendeu com seu personagem Tony Stark como é difícil arrastar uma armadura inútil e sem vida por aí.
LIÇÃO DE HUMILDADE
"É terrível ver um ator repetindo um papel enquanto o público diz: 'Por favor, não faça mais isso'. Não passo por cima da minha percepção. Se sentir que não sou mais bem-vindo pelo público, não quero seguir interpretando Tony Stark".
O que não significa que ficaria confortável ao ver um outro ator vestir a armadura em seu lugar.
"É, o ego... O ego tem que ser esmagado. Se isso acontecesse [alguém substituí-lo], provavelmente seria a melhor coisa do mundo para mim. Mas eu odeio ver o ego das pessoas sofrer, odeio quando as pessoas têm que aprender a ser humildes. Tenho uma boa quantidade de humildade. No banco" (risos).
Robert também tem uma família renovada: dois filhos, Indio, 19, e Exton, 1, e a segunda mulher, Susan, com quem é casado há sete anos e sua sócia na produtora Team Downey.
Susan também tem crédito por ter tirado Robert da lama. Mas não foi só ela: a terapia, o kung fu, a meditação, o "rehab" e a ioga também foram importantes. São ecléticas as crenças desse "judeu-budista".
Quando fazia os testes para o primeiro "Homem de Ferro", ele montou em casa um "altar para a possibilidade do eu", com objetos como uma foto do herói e uma espécie de varinha de condão.
Pergunto se ele mantém esse altar. "Não, já funcionou", ele responde, pragmático. "Hoje minha vida espiritual tem muito mais a ver com manutenção do que com conquistas. E eu te garanto que a manutenção é três vezes mais difícil do que a conquista".
Robert se levanta e segura firme a maleta. Ela tem a ver com a manutenção. A maratona de entrevistas, com as conquistas. "Faltam 89 dias", ele diz. Todos riem.
Ator faz sua personalidade transbordar para vários papeis
Downey Jr., Tony Stark, Sherlock Holmes: qual é a diferença?
Agora, controla seu lado selvagem e faz sua personalidade charmosa e vencedora transbordar para quase todos os papeis que assumiu desde que virou a identidade secreta do Homem de Ferro.
Entrevistei-o duas vezes nos últimos anos e foi difícil separar personagem e homem real. Bobby, como lhe chamam os amigos, investe no sarcasmo para desarmar perguntas mais picantes sobre seu passado -assim como Tony Stark (o Homem de Ferro) faz quando é confrontado por seus investimentos em armas de destruição em massa.
Há seis anos, perguntei como ele se descreveria em seus anos selvagens. "Louco. Sexy. Lindo. Bêbado!", disse. Agora, faça o teste. Veja as características de seus personagens, a seguir:
1) O repórter bêbado de "Zodíaco" (2007), de David Fincher;
2) O detetive brilhante e atlético dos dois "Sherlock Holmes" (2009 e 2011), de Guy Ritchie;
3) O bonitão que corre para ver o nascimento do filho em "Um Parto de Viagem" (2010), de Todd Phillips.
Todas podiam ser descrições dele mesmo. Mas isso significa que não é bom ator? Longe disso.
Em "Trovão Tropical" (2008), faz uma das grandes performances cômicas dos últimos anos, curiosamente como um ator completamente egocentrado.
Mas o fato é que o sucesso da série "Homem de Ferro" o transformou em um símbolo. E isso mudou até o perfil dos personagens que fez em seguida.
Seu Sherlock Holmes virou um Tony Stark do século 19: inteligência acima da média, bom lutador, atraente, mas problemático com mulheres. E engraçado.
Ele nem precisa sair do papel para fazer piadinhas espertas. Ou será que nem precisa entrar?
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Miguel Falabella - Serafina
folha de são paulo
"Fui casado a vida inteira. Dou muito beijo na boca. Nunca escondi o que era para ninguém"
"Não paro de trabalhar porque não posso ver as pessoas desempregadas.
Me dói, juro a você"
"O que me importa é a relação com o público.
O resto sai na urina, como dizia minha avó"
"[meus personagens são] a minha maneira de fazer ativismo.
Não preciso sair sacudindo bandeira na Parada Gay"
Louro, nórdico, olhos azuis, está em cartaz. 1 musical, 3 programas e outros mais por vir. Mas Miguel Falabella quer é sumir
ADRIANA KÜCHLERENVIADO ESPECIAL AO RIO
"Enjoei de atuar", diz Miguel Falabella no camarim do teatro em que apresentava o musical "Alô, Dolly!", no Rio. "Como ator, comecei a cansar de trabalhar."
Ele chega com o musical aos palcos de São Paulo, no dia dois de março, depois de uma temporada de quatro meses no Rio. E está no ar com a série "Pé na Cova", de que também é roteirista, na Globo. No canal de reprises Viva, surge quatro vezes por semana como Caco Antibes, de "Sai de Baixo", e o corretor Mario Jorge, de "Toma Lá, Dá Cá".
No mesmo canal, em março, vai aparecer ainda em outro repeteco, como o galã "serial killer" de "As Noivas de Copacabana". Em abril, estrela um especial com episódios inéditos de "Sai de Baixo", ao lado de quase todo o elenco original.
Mas, no momento em que está mais em evidência, o que ele quer mesmo é desaparecer. "'Pé na Cova' deve ser meu último papel na TV." No teatro, vai atuar cada vez menos.
Escapar dos holofotes não é o mesmo que abandonar o mundo artístico. Miguel só descobriu que esse mundo tem opções mais atraentes para ele. "Gosto do meu escritório, do meu computador. Perco muito tempo atuando. Quero escrever."
Entre os novos projetos como escritor e diretor estão criar musicais originais e fazer novas versões de clássicos, como "Annie", voltar a fazer cinema ("de preferência como o Almodóvar, que tem o controle de tudo") e escrever um romance sobre a história da própria família (a avó foi assassinada pelo cunhado; a mãe, professora, foi presa durante a ditadura). Em São Paulo, pretende lançar um musical em homenagem à cidade, "Memórias de um Gigolô".
A MORTE LHE CAI BEM
Aos 55, Miguel faz parte do entretenimento da família brasileira há mais de 30 anos (estreou na Globo em 1982), o que inspira no público uma espécie de intimidade com o artista.
No intervalo do musical, três senhoras conversavam no café. O assunto era ele. "Como é bom ator", diz uma. "E ótimo cantor", completa a outra. "Quanto mais velho, mais charmoso ele fica", suspira a terceira.
Miguel gargalha quando ouve a história. Tudo indica que a descrição de galã usada pelo seu personagem mais marcante, Caco Antibes, de "Sai de Baixo" ("loiro, nórdico..."), continua lhe caindo bem. Acata os elogios com um sorriso e parece não se incomodar com o aposto "mais velho".
Fazer a série "Pé na Cova", sobre uma família dona de uma funerária no subúrbio do Rio, tem a ver com os anos que passam. "Eu queria muito falar sobre a morte. A gente vai ficando mais velho, a partir dos 50, e a morte vira uma realidade. O fim... Não pensava nisso com 30 anos."
Traduzir, dirigir e encenar "Alô, Dolly!" também tem a ver com amadurecer. "Quando eu tinha oito anos, minha avó me levou para ver essa peça. Fiquei alucinado e decidi que era aquilo que faria pro resto da vida. Só não fiz o musical antes porque... Você sabe como é a vaidade dos atores", diz, enquanto come pedaços de uma maçã já picada em um Tupperware.
"A gente pensa em projetos que nos coloquem em destaque. E meu papel é delicioso, mas é um coadjuvante", diz ele, acostumado a ser protagonista de quase todos os projetos de que participa. Na versão do musical da Broadway, a estrela é Marília Pêra (que também está em "Pé na Cova").
BEIJO NA BOCA
Se decidiu abrir mão de ser o protagonista, o ator-diretor-autor-apresentador-tradutor-produtor e assim por diante não desiste de suas esquisitices. "Meus programas sempre têm um doido, um psicótico, um travesti. Sou excêntrico e pago um preço pela excentricidade."
O preço, ele diz, é estar longe de ser um campeão de ibope ou não ver suas criações passarem no "Vale a Pena Ver de Novo" ("Se passar à tarde, sei que alguma coisa deu errado.")
A presença constante de travestis, gays e lésbicas (como o casal Tamanco e Odete Roitman de "Pé na Cova", personagens de Mart'nália e Luma Costa) pode não garantir TVs ligadas, mas a diversidade de seus personagens já lhe rendeu prêmios e menções honrosas, dados por associações dos direitos LGBT.
"É a minha maneira de fazer ativismo. Não preciso sair sacudindo bandeira na Parada Gay. Há outras maneiras de dizer às pessoas que isso tudo é uma grande bobagem, que todo mundo morre no final. Então, vamos ser felizes com quem a gente escolhe ser feliz."
Detalhes, segundo ele, não interessam a ninguém. Conta apenas que namora. "Fui casado a vida inteira. Dou muito beijo na boca", diz. "Se não fosse feliz nessa área, não seria o artista que sou. Sempre fui honesto, coerente. Nunca fiz número nem saí posando de outra coisa. Nunca escondi o que eu era para ninguém."
Para mostrar que não tem nada a esconder, tira a camisa e exibe a "primeira e única" tatuagem, ainda por terminar. O santo que leva seu nome, cercado de rosas vermelhas, ocupa todo o braço direito e vem com explicação do Miguel que não é santo: "Onde tem dois Miguel, o Diabo não entra".
Foi levado a passar pelo ritual dolorido pelos sobrinhos adolescentes, que trata como filhos. "São os meus amores, dou carro, sou o queridão."
Da rotina do artista aparentemente incansável, além de atuar, dirigir, escrever, namorar e distribuir presentes, fazem parte também caminhadas na lagoa Rodrigo de Freitas, ginástica todo dia "porque tem que fazer" e visitas a casas de amigos, como a socialite Bethy Lagardère e as atrizes Betty Lago e Claudia Jimenez ("'Night' nunca mais. Não vou e acho que nunca mais irei.")
Terapia fez duas vezes. "Eu era um jovem muito delirante, com essa capacidade de inventar o tempo inteiro. Não posso fazer nada. Sou assim, minha cabeça não para. Um dia vai parar. E pronto."
CRÍTICA X PÚBLICO
Além de hiperativo, Miguel dá outra explicação para justificar o ritmo frenético. "Não paro de trabalhar porque não posso ver as pessoas desempregadas. Me dói. Juro a você. Então, invento projeto para poder encaixar todo mundo."
A generosidade alardeada por ele mesmo não se dá só na distribuição de papéis, mas também de pequenos luxos entre amigos e elenco. Há três anos, a reportagem flagrou o diretor presenteando uma atriz de "Hairspray" com um vestido de grife porque, afinal, "toda mulher merece ter um vestido Armani".
E todas as atrizes da peça "A Partilha" (que ele escreveu e dirigiu e que tem remontagem em São Paulo com Susana Vieira, Arlete Salles, Patricya Travassos e Thereza Piffer) mereceram, antes da estreia da primeira montagem, anéis do joalheiro Antonio Bernardo.
Só que a crítica massacrou o espetáculo ("Inclusive a Folha. Mas o crítico era bem bonitinho. Dava até pra pegar", ri Miguel). E, diante do iminente fracasso, ele ameaçou tomar os mimos de volta para quitar as contas. "Lembro a Susana e a Arlete dizendo: 'Espera que o público vem!'" E o público foi, a peça fez sucesso, virou filme e foi montada em 12 países. Ficaram os anéis e os dedos.
Já com "Godspell", de 2002, releitura do musical americano hippie-religioso, diz que perdeu por volta de R$ 500 mil ("Quase tive que vender meu apartamento em São Paulo").
Mas foram poucos os fracassos. Em geral, Miguel diz que se acostumou a ser sucesso de público e alvo da crítica. "Já sofri toda espécie de 'bullying' da imprensa. Parece ranço de quem acha que dar certo e fazer sucesso é uma coisa pejorativa."
O grande trauma aconteceu nos anos 1980, quando "me mataram de Aids", conta. Uma revista surgiu com o boato de que ele tinha a doença e sugeriu que desmentisse com um exame. A publicação então espalhou cartazes nas bancas em que se lia "Falabella", em letras grandes, "diz que não tem", em letras pequenas, e então, novamente enorme, "Aids". Diante da repercussão, mal podia sair na rua.
"Mas porrada nunca me jogou no chão", diz, dando um tapa na bancada. "Apanho bem à beça. Sou que nem o boneco João Bobo. Eles pensam que me derrubam, e eu volto."
Diz que lê críticas, só não se preocupa com elas. "O que me importa é a relação com o público. O resto sai na urina, como dizia minha avó."
Nos próximos dias, Miguel se muda para São Paulo para a temporada de "Alô, Dolly!". Não vai para o Arouche de Caco Antibes, mas para seu apartamento num prédio projetado por Paulo Mendes da Rocha, na rua Haddock Lobo, nos Jardins.
No bairro paulistano, ele chama a atenção. "Gosto de andar de chinelo. E as pessoas me olham estranho, né, porque em São Paulo não se usa [sair de chinelo]", diz o ator. "Outro dia, uma mulher me parou e falou: 'Ai, Falabella, anda melhorzinho!' Eu tava todo molambento."
O sinal do teatro toca para o segundo espetáculo da noite, que já vai começar. Um Miguel nada molambento se despede enquanto veste suspensórios, gravata e chapéu do personagem. Está pronto para apanhar ou receber elogios e aplausos. Só depende de quem for a audiência.
FRASES
"Não paro de trabalhar porque não posso ver as pessoas desempregadas.
Me dói, juro a você"
"O que me importa é a relação com o público.
O resto sai na urina, como dizia minha avó"
"[meus personagens são] a minha maneira de fazer ativismo.
Não preciso sair sacudindo bandeira na Parada Gay"
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