quinta-feira, 25 de outubro de 2012

JOSÉ SIMÃO



Ueba! Dirceu fatiado e moído!
Eu insisto na minha teoria: Marcos Valério é inocente. Já viu mineiro distribuir dinheiro? Nem dos outros!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Manchete do Sensacionalista: "José Dirceu diz que nunca comprou deputados! Alugar sai mais barato". E eu insisto na minha teoria: Marcos Valério é inocente. Já viu mineiro distribuir dinheiro? Nem dos outros! Rarará!
E tá acabando o Mensonão! Última fatia do Mensalame!
O Joaquim Barbosa comeu o salame inteiro. E o Zé Dirceu fatiado bem fininho e moído na hora. Na vista do freguês!
E o estado daquelas poltronas velhas do Supremo? Couro velho com capa preta e os tiozinhos suando o dia inteiro. Pena pro Zé Dirceu: lavar a cadeira do Lewandowski!
E esta: "Japonês vence leilão de virgindade da brasileira". Vai continuar virgem! Pode leiloar de novo! Rarará!
E o Salão do Automóvel? Programa típico de paulista: pagar R$ 50 de pedágio pra ver um monte de carro parado!
E a Dilma no Salão do Automóvel? Trator não entra! Rarará! "Maaaaantega! Reduz o IPI da porra desse Porsche que eu quero comprar." Rarará!
E só tem carro e gostosa. E um amigo vai pro Salão do Automóvel por dois motivos: "sentir cheiro de couro novo e lembrar de como a minha mulher é feia". E um outro vai por dois motivos: "ver os carros que nunca terei e as mulheres que nunca comerei".
Todo mundo se apertando pra ver carro que não pode comprar. E um outro foi pro Salão, viu aquele monte de carrão e mulher gostosa e concluiu: "eu tô a pé tanto de carro quanto de mulher". Rarará!
E eu já disse que quem mais gosta do Salão do Automóvel é motoboy! Pra ver os novos modelos de retrovisor que vão quebrar. "Ô mano, olha aquele ali prateado, irado!" É mole? É mole, mas sobe!
E a Maria gasolina no estacionamento do Salão ao lado duma Ferrari, com o cartaz: "eu vou dar o fiofó pro dono desse carro".
E atenção frequentadores e babadores do Salão do Automóvel: ter carrão não é tudo na vida.
Tem uma foto na internet de uma clínica com três Ferraris e quatro Porsches estacionados na frente. E de que é a clínica? Clínica de aumento de pênis. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
@jose_simao

MÔNICA BERGAMO



monica.bergamo@grupofolha.com.br
Jacques Dequeker

VAZOU, CHOROU, ESQUECEU
"Atualmente passo dias inteiros sem nem lembrar que isso aconteceu", diz a atriz Carolina Dieckmann, 34, sobre suas fotos sensuais que caíram na internet. Ela posou com o cão Azure para a capa da revista "Glamour" de novembro.

TE VI NA TV
Advogados de réus do mensalão estudam apresentar à Corte Interamericana de Direitos Humanos o argumento de que a "publicidade opressiva" da mídia sobre o caso teria dificultado um julgamento isento no STF (Supremo Tribunal Federal). A intensa cobertura funcionaria como pressão sobre os magistrados.
DOIS POLOS
A tese de que a mídia pode influenciar julgamentos já foi abordada pelo decano do tribunal, Celso de Mello, em outras ocasiões. Leitor de diferentes trabalhos acadêmicos sobre o tema, ele já ponderou que, se por um lado isso pode ocorrer, ferindo o direito do réu a um julgamento justo, por outro a Constituição garante ampla liberdade à imprensa.
DE GRAÇA
O foco dos advogados que estudam o argumento seria a cobertura das emissoras abertas de TV, que são concessões públicas. E não jornais e revistas nem TVs a cabo, produtos pagos por espectadores e leitores.
RODÍZIO
O ministro Marco Aurélio Mello, que assumirá a presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2014, não comandará o pleito daquele ano, em que Dilma Rousseff tentará a reeleição. Com quatro anos de corte, terá que deixar o cargo em maio. A presidência passará a ser exercida pelo ministro José Antonio Dias Toffoli.
RODÍZIO 2
E Guiomar Mendes, mulher do ministro Gilmar Mendes, já decidiu que deixará de advogar no TSE em 2014. É que o magistrado, hoje juiz substituto da corte eleitoral, passará a ser titular naquele ano. Embora a lei só impeça ministros de julgarem os casos em que familiares estão envolvidos, ela prefere parar de atuar no tribunal, como já faz em relação ao STF.
SOPHIA & MARISA
A atriz Sophia Loren, 78, desembarca no Rio no próximo mês. Ela comandará a noite de lançamento do Calendário Pirelli 2013 em uma festa no dia 27, no píer Mauá. Marisa Monte, que foi clicada para o anuário, cantará para 700 convidados. As fotos do calendário foram feitas por Steve McCurry no Rio.
VEZ DA UMBANDA
Único vereador eleito do PHS, Laércio Benko oficializa hoje apoio a Fernando Haddad (PT). Umbandista, ele defende a criação de pontos de oferenda em parques e a liberação de cultos em cemitérios. "O povo do santo tem que se assumir. Hoje menos de 2% se declaram, mas em festa de pomba-gira tá tudo lotado. No fim do ano, todo mundo pula sete ondas."
LADY DO POVO
Fã-clubes de Lady Gaga em SP estão combinando na internet ações coletivas para o show da cantora, em novembro. Compraram óculos escuros como os que Gaga usa no clipe "Just Dance". E coroas de princesa para a música "Princess".
MODA CULTURETE
A Osklen, pela primeira vez, não desfilará sua coleção no local oficial da SP Fashion Week. A marca trocou o parque Villa-Lobos pela galeria Zipper, nos Jardins. E não fará desfile, mas sim apresentação das peças a 70 convidados, no dia 29.
ROOM DE EMPREGADA
O Centro de Cultura Judaica promoveu na segunda-feira passada um leilão beneficente de apartamentos em Miami, com lances mínimos de até R$ 6,4 milhões. Nenhum imóvel foi vendido. Mas não faltaram argumentos: "É um dos poucos prédios dos EUA que tem habitação de serviço", disse Monica Venegas, da incorporadora do prédio.
"Vulgo quartinho de empregada", explicou Yael Steiner, diretora do CCJ.

FESTA DA FEIST
A cantora canadense Feist se apresentou anteontem no Cine Joia. A maquiadora Vanessa Rozan, o músico Tatá Aeroplano e a produtora cultural Roberta Youssef viram o show.
DIVIDIR É SOMAR
A apresentadora Luisa Mell e o ator Felipe Folgosi foram ao teatro do shopping Frei Caneca na segunda para a estreia de "A Partilha", peça com Susana Vieira e Arlete Salles no elenco e direção de Miguel Falabella.

CURTO-CIRCUITO
O painel "azul violeta amarelo fogo #5", no hall do MAM, vai a leilão hoje, na Bolsa de Arte, às 21h.
O concurso Faap Moda acontece às 21h na Faap.
A Chandon lança coleção no Consulado de Portugal. Hoje, a partir das 11h.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

Jurado 'C' coloca Prêmio Jabuti em xeque



Escritores, editores e críticos se dividem entre a ideia de que houve fraude e de que a votação foi apenas legítima

Folha revelou ontem a identidade e o padrão da votação do jurado "C", o crítico e editor paulista Rodrigo Gurgel
DE SÃO PAULO


Fraude ou uma escolha honesta, dentro das regras, para definir o vencedor?
A revelação pela Folha, ontem, da identidade do jurado "C" do Prêmio Jabuti -o crítico e editor Rodrigo Gurgel- e das mudanças em sua avaliação dos mesmos romances nas duas fases da disputa esquentaram o debate sobre a premiação.
Para impor seus votos, Gurgel deu, na segunda fase do prêmio, notas zero a livros que ele mesmo tinha avaliado bem na fase inicial, caso de "Mano, a Noite Está Velha", de Wilson Bueno.
No dia 18, na apuração dos votos que deram vitória na categoria romance a "Nihonjin", do iniciante Oscar Nakasato, descobriu-se que favoritos receberam do jurado "C" notas muito baixas, como 0 e 1,5, numa escala de 0 a 10.
"Ele acredita que seu papel é definir quem vence. E fez isso dentro das regras", defendeu no Facebook o escritor Rogério Godinho.
No blog Todoprosa, no site da "Veja", o escritor Sérgio Rodrigues disse considerar um "despropósito" admirar a atitude do jurado "C", "como tenho visto acontecer".
"O mesmo resultado poderia ter sido atingido com a atribuição de notas em torno de 5 ou 6, que seriam defensáveis criticamente. As notas entre 0 e 1,5 parecem ter obedecido não só ao desejo de conceder o prêmio a iniciantes mas também ao de ver o circo pegar fogo", avaliou.
Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa, disse que o caso abala o Prêmio Jabuti.
"Os critérios são bem duvidosos. Achei tão grotesco que me deu tristeza perceber que o prêmio de maior prestígio do nosso mercado literário tenha um jurado desse nível."
Para o crítico e tradutor Eduardo Sterzi, a palavra para definir o caso é fraude. "O cara assumiu um compromisso e não cumpriu; pior, avacalhou com o compromisso assumido", argumentou.
Rogério Pereira, editor do suplemento "Rascunho", com o qual Gurgel colabora, argumenta que o crítico "faz um trabalho sério e criterioso" e que, "no prêmio, deve ter se guiado pelo mesmo padrão".
Os jurados do Jabuti não podem se manifestar até 28/11, quando sai o resultado final.

Contardo Calligaris



Silêncio e barulho das emoções

Qual é o transtorno? A falta de emoções dos filhos? Ou o excesso das emoções dos pais "baby boomers"?

AS ELEIÇÕES esquentam os ânimos. As promessas duvidosas de tal ou tal outro candidato me irritam, assim como as propostas que são perigosas para minha liberdade ou repugnantes para meu sentimento de justiça.
Mas o que me indigna mais é a paixão partidária em si, seja qual for seu conteúdo -mesmo quando ela promove ideias com as quais concordo. Tanto faz que eu prefira melhorar o transporte em São Paulo ampliando o metrô ou a rede de ônibus, de qualquer forma, se alguém ficar na esquina pulando e gritando "Serra!" ou "Haddad!", aquilo vai me deixar perplexo (isso, a não ser que ele seja pago para mostrar seu entusiasmo -nesse caso, entendo, sem problema).
Na verdade, todas as emoções -da paixão partidária ao espírito torcedor, passando pelo amor, a saudade, o ciúme, o ódio etc.-, aos meus olhos, são quase sempre excessivas: transportes descontrolados ou atuações caricatas. Longe de serem reações adequadas a circunstâncias externas, elas me parecem ser teatralizadas (se não produzidas) por nós mesmos. Teatralizadas por quê?
Oscar Wilde disse um dia que as aquarelas de Turner inventaram o pôr do sol -pois, se não fosse pela pintura de Turner, nem pararíamos para contemplar as cores do crepúsculo. Algo análogo poderia valer para emoções e sentimentos.
Alguém ama do jeito sofrido do jovem Werther com Charlotte? Ou ele imita a paixão de Werther para convencer aos outros e a si mesmo de que ele ama? Alguém enlouquece de ciúme como Otelo ou ele imita a loucura de Otelo para convencer a si mesmo e aos outros de que ele está com ciúme?
Além disso, desde os anos 1960, assistimos a uma valorização das emoções, como se sua livre expressão fosse a marca da autenticidade.
Sem suspeitar que talvez estejamos expressando emoções muito além do que realmente sentimos, consideramos a ausência de emoções como um defeito, num arco que vai da frieza (considerada dissimuladora) até verdadeiros transtornos, como atimia (falta de emoções) ou alexitimia (incapacidade de expressar emoções).
Sem dúvida, há indivíduos que não sentem, não reconhecem nos outros e não expressam emoções. Eles não se confundem com os psicopatas, que precisam reconhecer perfeitamente as emoções dos outros, para manipulá-los. Quem são, então, os atímicos?
Estou assistindo a um extraordinário seriado sueco da BBC Four, "The Bridge" (http://www.bbc.co.uk/programmes/b01gxlxj). A policial da história é um exemplo perfeito de atimia e alexitimia.
Ela interroga por telefone um homem que está preso dentro de um carro-armadilha, que vai explodir em dois minutos. O homem, desesperado, não consegue pensar nem responder. Nossa policial não entende: qual é o problema? O fim do homem vai ser imediato, sua vida vai parar sem sofrimento. Para que o desespero?
Uma noite, a policial está a fim de sexo. Ela vai para uma boate e troca um olhar com um moço, o qual pergunta se ele pode oferecer um drinque. A policial responde "Não". O moço se afasta. A policial o segue e lhe pergunta por que ele foi embora. "Porque você disse não", responde o homem. E a policial explica que ela não queria um drinque, queria sexo.
A atimia (que estaria aumentando) é provavelmente uma falha de comunicação entre os hemisférios do cérebro. Alguns dizem que seria causada por pais frios e distantes, que desejam e encorajam muito a autonomia dos filhos. Subtexto: os pais que prezam os valores da modernidade estariam produzindo crianças alexitímicas.
Tendo a pensar o contrário. E constato que há adolescentes que fogem para a aparente "frieza" da alexitimia porque, de fato, eles não aguentam o excesso de emoções teatralizadas pelos pais.
Nesse caso, qual é o transtorno? A falta de emoções dos filhos? Ou o excesso das emoções dos pais "baby boomers"?
"Alexithymia" é uma música de Anberlin, um grupo de rock que aprecio. As letras dizem : "So very hard to breathe. My mask is growing heavy but I've forgotten who's beneath" (difícil respirar, minha máscara se tornou pesada, mas eu me esqueci de quem é que está debaixo dela). O título sugere que a letra é menos óbvia do que parece.
A máscara que pesa e nos sufoca talvez não seja (no estilo 1960) a cara impassível que esconderia nossas emoções reprimidas. As máscaras que pesam e nos sufocam talvez sejam as que vestimos para expressar e teatralizar emoções excessivas e obrigatórias, que todos esperam de nós.
ccalligari@uol.com.br
@ccalligaris