terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Melhor do dia na TV

FOLHA DE SÃO PAULO

Chuck Hipolitho comanda na MTV a atração "Faixa a Faixa de Verão"
MTV, 23h, livre. Estreia hoje no canal o programa "Faixa a Faixa de Verão", comandado pelo VJ Chuck Hipolitho. A cada edição, ele -que também é músico- recebe convidados para fazer novas versões de músicas que combinam com a estação.
A atração vai acompanhar o processo criativo dos músicos, mostrando curiosidades sobre os artistas e sobre as músicas originais às quais eles se dedicarão.
Serão, ao todo, seis programas -cada um deles apresentará duas versões de músicas. No primeiro episódio, a banda Garota Suecas regrava "Mamãe Natureza", de Rita Lee & Tutti Frutti, e o grupo Cachorro Grande canta "Não Me Acabo", do Barão Vermelho.
"Alternativa Saúde" de verão fala sobre o sol
GNT, 22h, classificação não informada. No segundo episódio do especial de verão, o programa "Alternativa Saúde", apresentado por Patricya Travassos, fala sobre os efeitos do sol na saúde.
Temporada de "Do Amor" chega ao fim
Multishow, 23h, classificação não informada. No último episódio da atual temporada da série nacional "Do Amor", o jovem casal formado por Lulu (Maria Flor) e Pio (Armando Babaioff) faz planos.


CRÍTICA
Cinebiografia de ativista gay dá o segundo Oscar para Sean Penn
THALES DE MENEZESEDITOR-ASSISTENTE DA “ILUSTRADA”Talvez o filme seja um pouco difícil de compreender para quem não conhece bem a política municipal nos Estados Unidos -praticamente todo o público brasileiro-, mas isso não tira o fascínio da história de Harvey Milk.
Primeiro americano homossexual assumido a ganhar eleição para cargo público, ele tem uma trajetória que se confunde com o embrião do movimento gay na Califórnia, ainda nos anos 1960.
Vale ressaltar que "Milk - A Voz da Igualdade" (TNT, 22h, 16 anos) é muito mais do que um panfleto porque seu diretor é talentoso (Gus Van Sant, de "Gênio Indomável" e "Elefante") e tem dois atores que são os melhores de suas gerações: Sean Penn (como o protagonista, conquistando seu segundo Oscar de melhor ator) e James Franco.

    Mônica Bergamo

    FOLHA DE SÃO PAULO

    Bens de Lula
    Entre os imóveis listados pelo blog do "Financial Times" como de propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só o apartamento de São Bernardo (SP) pertenceria de fato a ele. Segundo a assessoria do Instituto Lula, das outras três casas da lista levantada por um hacker, uma já foi do ex-presidente, mas não seria mais. As outras duas, em Sertãozinho (SP) e na periferia de Natal (RN), nunca teriam feito parte do patrimônio do petista.
    BENS DE LULA 2
    Uma hipótese levantada pela assessoria do ex-presidente é a de que "provavelmente usaram o nome ou CPF dele na hora de fazer o registro ou se trata de um homônimo". O hacker, identificado como nbdu1nder, postou no Twitter também linhas telefônicas e firmas registradas supostamente em nome de Lula.
    PARE AGORA
    Homens e mulheres com mais de 60 anos são até 40% mais lentos para frear o carro do que adultos entre 30 e 50 anos, mostra estudo feito pelo Hospital das Clínicas. Com 45 participantes, o teste calculou quanto tempo motoristas levavam para reagir a uma placa de "pare". Os mais velhos demoravam, em média, 1,34 segundo, contra 0,96 segundo dos mais novos. A taxa de idosos que se envolveram em acidentes ou foram multados é baixa: 3%.
    PÚBLICO E NOTÓRIO
    O senador Pedro Taques (PDT-MT) recorreu à internet para tentar convencer seus colegas a barrar a PEC 37, uma proposta de emenda constitucional que retira os poderes de investigação do Ministério Público. Ele já recolheu 11,6 mil assinaturas num abaixo-assinado divulgado no site Avaaz -o mesmo que abrigou petições contra o novo Código Florestal (o "Veta, Dilma") e a favor dos índios Guarani Kaiowá.
    PONTO FINAL
    A cantora Daniela Mercury e o empresário Marco Scabia estão separados, informa a revista "Contigo!" que chega às bancas amanhã. O casal estava junto havia quatro anos e adotou uma filha, Ana Isabel, 2. Ela, que morava em SP, voltou para Salvador.
    MENOS GLAMOUR, POR FAVOR
    Cristiano Madureira
    Patrícia Pillar, 49, faz pose de estrela em ensaio para a "IstoÉ Gente", mas desce do salto quando indagada sobre sua rotina de atriz. "Eu não usufruo desse glamour que me atribuem. A verdade é que trabalho desde os 15 anos."
    Ela, que está na novela "Lado a Lado" (Globo), fala com carinho sobre Ciro Gomes, ex-ministro com quem se relacionou de 1999 a 2011. "Ciro foi um companheirão quando o câncer me fragilizou não só o corpo mas também o espírito." Os dois continuam se falando com frequência, afirma à revista.
    EM RITMO DE JAZZ
    O musical "Cabaret", estrelado por Claudia Raia e seu namorado, Jarbas Homem de Mello, reestreou no fim de semana no teatro Procópio Ferreira, nos Jardins. Os atores Guilherme Magon e Marcos Tumura também integram o elenco da peça.
    TALCO NO SALÃO
    A festa Talco Bells, dos DJs Bruno Torturra, Elohim Barros, Guilherme e Felipe Luna, estreou em novo endereço na sexta: o Cine Joia. A grafiteira Verônica Amores e sua irmã, a fotógrafa Camila, e a designer de joias Maria Fernanda circularam pela balada de música soul.
    FORÇA PROS MUSEUS
    Na última reunião da Comissão Nacional de Cultura do Ministério da Cultura, realizada no mês passado, foram aprovados 18 projetos relacionados à área de museus. Em São Paulo, o Museu do Futebol, a Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu da Pessoa e o Museu Asas de um Sonho poderão captar recursos via Lei Rouanet para desenvolver seus planos em 2013.
    SÓ FALTAVA ESSA
    O artista Romero Britto, que tem desenhos seus em produtos que vão de canecas a malas, agora será tema de sapatos. O designer Fernando Pires, famoso por criar saltos altíssimos e extravagantes, com preços acima de R$ 500, assinará linha inspirada na obra do brasileiro radicado em Miami.
    CAUBY EM CONSTRUÇÃO
    Aos 81 anos, Cauby Peixoto continua ligado com o que diz a crítica. O cantor anda lendo tudo o que sai sobre seu novo CD, "Minha Serenata", na mídia. E acha que "ainda dá para melhorar".
    CURTO-CIRCUITO
    O Mube apresenta hoje sua 2ª Bienal Internacional Graffiti Fine, para convidados.
    Fernanda Yamamoto desenvolverá roupas para os coelhos de Páscoa da Chocolat du Jour.
    Fernando Meirelles será jurado de projeto que dará R$ 265 mil a vídeos sobre progresso. No www.youcreate.com.br.
    A ONG Ampara Animal lança calendário hoje, na Fnac da av. Paulista.

      Ainda em cartaz, 'Gonzaga' estreia como microssérie hoje na Globo

      FOLHA DE SÃO PAULO

      'Xingu', de Cao Hamburger, teve 33 vezes mais público na televisão do que nas salas de cinema
      Parceria com emissora ajuda no orçamento de produções; na TV, longas são reeditados e perdem sutilezas
      ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOAinda em exibição em algumas salas de cinema do país -onde já foi visto por 1,5 milhão de pessoas-, "Gonzaga - De Pai pra Filho" pega hoje um atalho e, antes de ser lançado em DVD ou na TV por assinatura, chega à televisão aberta, na Globo.
      "Gonzaga sempre foi um cara grande. A TV pode chegar onde não tem cinema", diz o diretor Breno Silveira.
      Estreante na televisão, ele, no entanto, reconhece as dificuldades de transferir o longa para a telinha.
      "Tive de mexer no material bruto, e quando se mexe é como um castelo de cartas. Na edição se desprezam os silêncios, a paisagem."
      Segundo Silveira, a exibição em quatro capítulos na Globo, coprodutora do longa, ajudou a viabilizar o projeto. "Como negar o dinheiro de uma emissora, que de alguma forma vai ajudar o custo. Foram cem locações, 200 personagens", diz, sobre a produção de R$ 12 milhões.
      Nos últimos anos, a Globo tem se especializado na transformação de filmes em séries de TV. Em 2011, submeteu "O Bem-Amado" e "Chico Xavier" ao mesmo processo.
      A emissora também já realizou o caminho inverso, como em "O Auto da Compadecida", que estreou na TV em 1999, antes de ir ao cinema.
      O mesmo deve ocorrer com a recente "O Canto da Sereia" e com "Dercy de Verdade".
      "Xingu", de Cao Hamburger, foi exibido em quatro capítulos em dezembro último.
      "No cinema, quis explorar a experiência sensorial. Na TV isso não é possível, você está com o controle remoto, tem os intervalos. O ritmo ficou mais acelerado e a edição e a ordem das cenas foram alteradas para criar os ganchos", afirma Hamburger.Mesmo com as mudanças, ele diz que o saldo foi positivo.
      Visto por cerca de 392 mil pessoas nos cinemas, "Xingu" teve 14 pontos de média no Painel Nacional do Ibope, o que representa 13,6 milhões de telespectadores por minuto. Cada ponto equivale a 192 mil domicílios.
      "Tropa de Elite 2", recordista de público no cinema nacional de todos os tempos, foi visto por 11 milhões de pessoas no cinema.
      Claudio Assis, diretor de "Febre do Rato", aplaude a iniciativa da Globo, mas faz ressalvas.
      "O público não é burro. Tem que ser respeitado. Não é simplesmente pegar um filme e retalhar como um boi. O projeto tem que ser pensado para esse fim", diz.
      NA TV
      Gonzaga - De Pai pra Filho
      Estreia da microssérie
      QUANDO hoje, 23h30
      CLASSIFICAÇÃO não informada

        João Pereira Coutinho

        FOLHA DE SÃO PAULO

        Agustina é o nome
        Mas como é possível só ter ouvido falar do maior gênio vivo da literatura portuguesa?
        Existem vários mistérios no mundo editorial brasileiro. Mas o maior de todos é Agustina Bessa-Luís não figurar entre os grandes. E por "grandes" leia-se Machado de Assis ou Guimarães Rosa. Leia-se Fernando Pessoa ou José Saramago.
        São incontáveis as conversas com amigos brasileiros que ficam com o rosto impassível sempre que elogio Agustina. Sim, eles ouviram falar. Mas como é possível só ter ouvido falar do maior gênio vivo da literatura portuguesa?
        Não é possível. Nem desculpável. Sobretudo quando Agustina, autora de vastíssima obra, escreveu um dos mais belos testemunhos sobre o Brasil e as suas gentes.
        O livro, reeditado em Portugal pela Babel, intitula-se simplesmente "Breviário do Brasil". É composto por uma narrativa longa, fruto de uma viagem pelo país em 1989, e complementado por textos dispersos e circunstanciais sobre o país.
        No essencial, é uma carta de amor ao Brasil, terra onde o pai de Agustina viveu 25 anos e que, através dos seus autores, introduziu a autora na república das letras.
        Entre esses autores, há os óbvios: José de Alencar, Machado, Olavo Bilac. E depois há os menos óbvios, como Raduan Nassar ("Um Copo de Cólera", naturalmente) e um certo Escragnolle Dória, que honestamente desconhecia. "Porque se perderam as suas pegadas, não sei, tanto mais que no Rio não neva", escreve a autora.
        A pena de Agustina é essa mistura de ironia e aforismo, que alcança alturas sábias quando se debruça sobre o caráter de um povo. Serão os brasileiros um exemplo de alegria para turista ver?
        Nunca comprei essa versão dos fatos. Agustina também não: a singularidade do brasileiro está na forma como disfarça a sua natureza trágica. "Os brasileiros", escreve Agustina, "têm essa instabilidade dos que se ofendem depressa e só esperam o acaso da ofensa para ir embora e cortar as amarras com a servidão do amor".
        Stefan Zweig, aliás, já tinha notado o mesmo: "Não é da índole do brasileiro justificar-se ou exigir justificação, queixar-se ou mostrar-se zangado e entrar em explicações".
        Agustina concorda com o austríaco. E conclui: "Como nos povos trágicos, e o grego é um deles, há um orgulho profundo [nos brasileiros] que se fere quando o sentimento é posto em dúvida. Quebra-se a aliança antes de a relação ou o negócio ser quebrado".
        Mas o livro não se prende apenas com sentenças maiores. Também há observações sobre coisas menores que igualmente revelam a natureza de uma cultura.
        Agustina tanto pode falar dos Cristos do Aleijadinho em Minas ("duma beleza estilizada ao ponto de parece cinematográfica") ou do simples vendedor de rua no Rio ("Há uma elegância natural no vendedor da rua; não pedincha, não tem a veemência do oriental, que é, de certo modo, um pregador que argumenta. O carioca mostra o artigo, desinteressa-se logo do negócio, parece que experimenta apenas o nosso grau de cobiça").
        E, depois, as cidades propriamente ditas. São Paulo não merece grandes linhas, embora também não seja "a cidade mais feia do mundo, com todas as desvantagens de Calcutá e sem as vantagens de Tóquio".
        Agustina prefere Salvador ("as calçadas, que só no Douro há semelhantes, são feitas para pé descalço"), mas não o calor de Salvador ("parece um queijo da serra, gordo, pastoso, que se nos atravessa no caminho como derretido").
        Mas o melhor são as observações sobre Brasília. Ou, melhor dizendo, as observações dos próprios brasileiros sobre a sua capital: "Quando se fala em Brasília toda a gente põe reservas ou usa dum tom inteligente, de quem tolera mas não aprova"). Confirmo. Quem não confirma?
        Finalmente, viajar no Brasil é, para um português, reconhecer "o idioma, a religião e os costumes"; mas é também reconhecer que o Brasil é outra coisa -não um Portugal "inchado pelo calor", como dizia Eça de Queirós; mas um neto que saiu de casa há muito tempo para constituir família e fortuna bem longe dos avós.
        "Ser português no Brasil", escreve Agustina, "é tão natural como ser papa em Avinhão; o que quer dizer que tem os seus quês e, às vezes, suas embirrações. Mas tudo com boas maneiras e sentimento de família".
        Para quem vive entre os dois países, nunca encontrei sentença mais perfeita sobre aquilo que nos (des)une.