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domingo, 25 de agosto de 2013

Principal alvo da nova censura moralista é a telenovela - Renata Pallottini

folha de são paulo aqui
ANÁLISE
RENATA PALLOTTINIESPECIAL PARA A FOLHAHá menos de uma semana, em reunião sobre arte e censura na USP, tratei do tema, cada dia mais delicado, do moralismo na TV. Sob a forma de censura à produção artística, esse moralismo atinge, sobretudo, a telenovela e modelos semelhantes.
O aumento da preocupação com a moral, concretizada em rejeições de vários tipos, é uma nova censura.
A censura não deve ser tomada como assunto policial, como na ditadura militar. Ela pode partir de anunciantes e da sociedade em geral, quase sempre fruto da visão moralista dessas categorias.
As empresas que podem vir a subvencionar a produção se afastam quando o conteúdo da sinopse não lhes agrada; a sociedade reduz a audiência e provoca a necessidade de mudanças, de acordo com a sensibilidade da emissora ao seu desagrado.
Se nos reportarmos à telenovela de maior audiência no momento, "Amor à Vida", vemos reações de público e grupos organizados que configuram o repúdio àquilo que, segundo eles, representa o perigo de formar estereótipos: associações médicas se rebelam contra o fato de doutores, na história, serem adúlteros e pouco dedicados ao trabalho; grupos de obesos se solidarizam com a personagem Perséfone, enquanto grupos ligados à questão de gênero lamentam a personalidade do vilão Félix (um dos maiores acertos da novela).
Nossa sociedade atual, sobretudo a que assiste à novela, é, em boa parte, moralista. Defende que, na obra de ficção, se apresentem modelos de boa conduta --nem sempre seguidos na vida real.
Despreza, deliberadamente ou por ignorância, o fato de que a ficção é uma história inventada, baseada, sim, na realidade, mas que não está obrigada a nos apresentar exemplos de pureza moral e bons costumes.
A ficção, especialmente na telenovela, deve nos dar personagens interessantes, conflitos, ação dramática, suspense e desfecho. Quase sempre, o vilão é castigado. Por acaso, na vida real, os vilões sempre perdem? Se assim fosse, o que aconteceria com nossos homens públicos?

    domingo, 4 de agosto de 2013

    Pavão sem ministério - Rodrigo Levino

    folha de são paulo
    Pavão sem ministério
    Canção de 'Saramandaia' marcou a chegada de cearenses à cena nacional da música, mas foi desprezada no remake
    RODRIGO LEVINOEDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"O remake de "Saramandaia", novela de Dias Gomes exibida pela Globo em 1976, gerou uma crítica nas redes sociais desde a estreia, em junho: cadê a música do pavão?
    Telespectadores mais atentos (e antigos) sentiram falta de "Pavão Mysteriozo", do músico cearense Ednardo, trilha da abertura da novela nos anos 1970 e que, na versão atual, virou só um tema do personagem João Gibão (Sergio Guizé).
    Lançada em 1974, no disco de mesmo nome, a canção da abertura foi o estouro da boiada na carreira de José Ednardo Soares Costa Sousa.
    Ele estreara no ano anterior com os também cearenses Rodger e Teti no álbum "Meu Corpo, Minha Embalagem, Tudo Gasto na Viagem -- O Pessoal do Ceará".
    "Eu soube que a canção tinha sido incluída na trilha da novela vendo TV. Foi um susto, mas foi maravilhoso", contou Ednardo, 68, à Folha.
    Ali também começou algo maior: a consolidação nacional de uma cena musical cearense que desde o final dos anos 1960 havia migrado para o eixo Rio-São Paulo.
    Além de Ednardo, Rodger e Teti, Fagner, Belchior e Amelinha vieram de mala e cuia. Na trincheira dos compositores estavam Petrúcio Maia, Ricardo Bezerra, Augusto Pontes e Fausto Nilo.
    "Elis [Regina] já havia gravado [em 1972] Mucuripe', e Hora do Almoço', do Belchior, começava a ganhar destaque, mas Pavão' foi a primeira dessa leva a ser massificada", disse Fagner.
    Em 1973, ele lançara "Manera Fru-Fru, Manera", que tinha "Mucuripe", parceria com Belchior. Esse último saiu no ano seguinte com o disco "Mote e Glosa", onde estava "À Palo Seco". Em 1975, Amelinha já excursionava como cantora com Toquinho e Vinicius de Moraes.
    NOTÍCIAS DO SUL
    "O ajuntamento dessa turma toda começou na faculdade de arquitetura do Ceará e depois migrou para o Bar do Anísio, que ficava na orla de Fortaleza, na época, uma vila de pescadores. Era um tempo de completa efervescência cultural", conta Nilo.
    Parte do dinheiro do diretório estudantil, dirigido pelo compositor e arquiteto, era destinada a coisas alheias à arquitetura e ao urbanismo.
    "Comprávamos discos, revistas e jornais, com acesso livre para todos. Sabíamos dos shows no teatro Opinião e dos poemas de Ferreira Gullar pelo "Jornal do Brasil". Aquilo tudo nos incendiava."
    Entre as compras estavam discos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, cantorias de viola, bolachões de Bob Dylan e dos Beatles, romances franceses e livros de filosofia.
    CENSURA
    O ambiente estudantil afinou também a ideologia do grupo, mais à esquerda.
    Pouco comentado até por seu criador, "Pavão Mysteriozo" tinha um toque político nas entrelinhas ""ou nem tanto, basta ouvir hoje versos como "me poupa do vexame/ de morrer tão moço/ muita coisa ainda/ quero olhar".
    "Era uma canção de protesto, política, sobre a construção de um mecanismo que nos faria voar, fugir do que vivíamos. A censura não percebeu", disse Ednardo.
    A base da letra era o romance de cordel "O Romance do Pavão Misterioso", conhecido no Nordeste a partir dos anos 1920 (leia ao lado).
    "Eu assistia à novela e ouvia a música na TV que havia na praça de Catolé do Rocha [PB]", lembrou o cantor paraibano Chico César.
    "Nos víamos representados em algo de grande circulação, que eram a novela e a música. Aquela realidade da qual tratava a canção, de sol abrasador, de um mundo fantástico entremeado à realidade, todo nordestino já conhecia desde a infância."
    Passados 40 anos, o legado do pavão vingou.
    Os nomes mais vistosos daquela cena como Fagner, Ednardo, Belchior, Fausto Nilo e Amelinha ainda estão na estrada.
      Cordel que inspirou música divide famílias de violeiros
      DO EDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"
      O folheto que conta a história de um "pavão misterioso/ que levantou voo na Grécia/ com um rapaz corajoso/ raptando uma condessa/ filha de um conde orgulhoso" é um clássico da literatura popular nordestina. Foi criado no começo do século 20.
      Em 2006, o livro "Memória das Vozes: Cantoria, Romanceiro e Cordel" (Fundação Cultural da Bahia), da pesquisadora francesa Idalette Muzart, cravou que seu autor é o paraibano José Camelo de Melo e não José Melchíades Ferreira --as famílias disputam a autoria até hoje.
      Melchíades teria se apropriado de "O Romance do Pavão Misterioso" durante uma temporada de Camelo longe da Paraíba.
      Para a escritora potiguar Clotilde Tavares, autora de "A Botija" (Editora 34), que reconta a obra em prosa, o folhetim é de ficção científica.
      "Imagine: algo criado nos anos 1920, no interior do Nordeste, que falava de telegrama, fotografia, de uma construção que tinha alavanca, chave e botão/ Voava igualmente ao vento / Para qualquer direção'. Isso é futurismo, ora."
      Segundo Clotilde, o folheto também é um auge da criatividade dos violeiros e cantadores nordestinos.
      OPINIÃO
      Canção ainda comove e faz falta na nova versão da novela
      LUIZ FERNANDO VIANNAESPECIAL PARA A FOLHAPara quem tem em torno de 40 anos, "Saramandaia" sem "Pavão Mysteriozo" é como Picasso sem tinta.
      Da Dona Redonda podemos lembrar. Da canção de abertura da novela não conseguimos esquecer. Até hoje.
      Ednardo lançou a música com uma estranha grafia que alegraria Glauber Rocha e Zé Celso, em 1974. Dois anos antes da novela que a transformou em fenômeno nacional.
      O sucesso foi tanto que é até compreensível, embora injusto, ver Ednardo como autor de um só sucesso.
      Quem viveu os anos 1970 pôde ouvi-lo cantando nas rádios e TVs "Enquanto Engomo a Calça", "Terral", "Artigo 26", "Vaila". Seus shows lotavam. Meninos, eu vi.
      Mas algo naquelas canções perdeu força. A leveza de suas "histórias bem curtinhas fáceis de contar" parecem antigas vistas daqui, de um mundo que embruteceu.
      As imagens de "Pavão", quase lisérgicas, eram uma mensagem contra a bruta década militar. Mas nem precisava. A canção continua comovente e faz uma tremenda falta na nova "Saramandaia".
        TELEVISÃO
        'Saramandaia' discute assuntos sociais
        Trama das 23h já abordou aborto e prostituição; veja outros temas controversos explorados em novelas da Globo
        Autor Ricardo Linhares afirma ser 'hipocrisia negar a realidade' e que 'dramaturgia não pode ser chapa branca'
        ALBERTO PEREIRA JR.EDITOR DO "F5"No ar há menos de dois meses, a nova versão da novela "Saramandaia" (Globo) se propõe a ser mais do que uma atualização da obra original, exibida em 1976.
        Para além dos tipos curiosos criados por Dias Gomes para denunciar desmandos da ditadura militar, como o político corrupto que espirra formiga pelo nariz ou a jovem que queima os lençóis a cada lampejo de prática sexual, a adaptação de Ricardo Linhares tem promovido um debate aberto de temas sociais.
        O folhetim já tratou do direto à prática do aborto, por meio da adolescente Stela (Laura Neiva), que bradou que "a mulher é dona do próprio corpo" após descobrir que a tia sofrera por causa de um procedimento mal feito.
        A defesa da legalização da prostituição também encontrou eco em "Saramandaia", em um relato de Risoleta (Débora Bloch). "Se há consenso entre as pessoas, se não existe violência nem exploração, é uma profissão tão digna quanto todas as outras", afirmou a personagem, uma ex-profissional do sexo.
        "Sou um escritor progressista. Acredito que a TV pode estimular a discussão de ideias, ao mesmo tempo em que entretém", diz Linhares.
        Para ele, esse é o seu trabalho "mais contestador". "Tenho 30 anos de carreira. Quando comecei, era proibido adultério na novela das 18h. O mundo mudou e a televisão acompanhou essas mudanças, algumas vezes abrindo caminho na modernização dos costumes, outras vezes pegando carona em movimentos da vida real."
        "VEM PRA RUA, VEM"
        Logo na estreia de "Saramandaia", lembra o autor, houve a coincidência entre as manifestações que tomaram conta do Brasil e um movimento de jovens da trama, em busca de novos direitos e com uma bandeira clara de repúdio à corrupção.
        Essas cenas haviam sido escritas e gravadas com meses de antecedência.
        "Comecei em sintonia com o que estava acontecendo no país e sigo tratando de temas que estão na ordem do dia. É hipocrisia negar a realidade", diz o autor. "Aproveito a liberdade que o horário proporciona para tocar em determinados temas que considero relevantes. A dramaturgia não pode ser chapa-branca."
        Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP e membro da Academia Nacional de Artes da Televisão e Ciências de Nova York (uma das responsáveis pelo prêmio Emmy), o caráter progressista de "Saramandaia" está em sintonia com as telenovelas do país, a partir de 1970.
        "Tem sido este um grande diferencial e exemplo da telenovela brasileira ao redor do mundo. Uma contribuição que teve seu início na década de 1970, particularmente com a vinda de dramaturgos para a TV", afirma.
        Alencar e Ricardo Linhares concordam, no entanto, que a sociedade brasileira e mundial tornou-se mais conservadora nas últimas décadas.
        "Tenho em mente que o grande público [brasileiro] não mora na zona sul do Rio, nem nos Jardins de São Paulo. É heterogêneo e deve ser tratado com respeito", diz o autor, que colocará a homofobia, o bullying e o mensalão no foco dos próximos capítulos de "Saramandaia".

          domingo, 14 de julho de 2013

          'Amor à Vida' recicla cenas e tramas da TV e do cinema

          folha de são paulo
          A série 'Grey's Anatomy' e a novela 'O Clone' estão entre as referências
          Mesmo com inúmeras menções a outras histórias, especialistas não tiram mérito da obra de Walcyr Carrasco
          ALBERTO PEREIRA JR.EDITOR DO "F5"CAMILA CARONDE SÃO PAULONo ar há quase dois meses, a novela "Amor à Vida" (Globo) se envolveu recentemente em um impasse em torno da personagem Nicole, vivida por Marina Ruy Barbosa.
          Na história, a jovem, vítima de um câncer e submetida a sessões de quimioterapia, teria de raspar seus cabelos.
          A sequência, como lembrou o novelista Aguinaldo Silva em seu perfil no Twitter, não é original.
          "Protestem! Não deixem que raspem os cabelos ruivos de Marina Ruy Barbosa na novela! Nem novidade é. Fizeram com Carol Dieckmann", escreveu ele, referindo-se à novela "Laços de Família (2000), da mesma emissora.
          Essa é apenas uma das diversas referências a outras produções encontradas em "Amor à Vida". As inspirações da trama passam por séries americanas, outros folhetins da própria Globo e até filmes.
          Carrasco, inclusive, raspou as madeixas de outra personagem doente, a assessora Tatiana (Rachel Ripani), em "Caras & Bocas" (2009).
          "Ele tem esse histórico de puxar em suas novelas outras produções", diz Nilson Xavier, autor do "Almanaque da Telenovela Brasileira". "Mas, dessa vez, exagerou."
          Xavier lembra o caso da novela "O Cravo e a Rosa" (2000), em que o autor fez referências explícitas aos folhetins "O Machão" (1974), da TV Tupi, e "A Indomável" (1965), da TV Excelsior.
          Em "Amor à Vida", o especialista também associa a história de Aline (Vanessa Giácomo), que está armando uma vingança contra César (Antonio Fagundes), à da personagem de Gloria Pires em "Suave Veneno" (1999). Ambas seduziram homens ricos e mais velhos para lhes dar um golpe.
          Para Laurindo Leal Filho, professor de comunicação da USP, o uso de referências na dramaturgia é comum.
          Ele compara a TV a uma indústria e aponta que a grande demanda por novelas, exibidas simultânea e ininterruptamente, faz com que os autores se valham de memórias sobre outras tramas.
          "A necessidade de preencher esses espaços acaba inibindo a originalidade."
          Apesar de tantas inspirações, Nilson Xavier não tira o mérito de Walcyr Carrasco na criação de "Amor à Vida". "A trama central é original", diz, sobre o envolvimento de Paloma (Paolla Oliveira) com Bruno (Malvino Salvador), que assumiu a filha abandonada da protagonista.
          Procurados, tanto o autor quanto Mauro Mendonça Filho, diretor de núcleo da novela, não responderam.

            quinta-feira, 14 de março de 2013

            Conta-Clique - Fernanda Reis

            folha de são paulo

            Monitoramento da audiência nos EUA vai contabilizar programas vistos pela internet; Ibope estuda adotar medida no Brasil
            FERNANDA REISDE SÃO PAULODe olho nos cliques em vídeos na internet, a Nielsen -empresa que mede a audiência televisiva nos EUA- anunciou uma importante mudança: a audiência na internet, agora, também conta.
            A partir de setembro deste ano, as casas norte-americanas que não tiverem TV por assinatura -mas que tiverem seus aparelhos conectados à internet- também serão consideradas nas aferições.
            Com esses números à mão, os canais terão bases mais sólidas para vender espaço publicitário e decidir o que será exibido para os espectadores.
            Em franca expansão, o segmento on-line levou à produção de séries exclusivas para a internet, como "House of Cards", do serviço Netflix, e o resgaste de atrações que acabaram pela baixa audiência na TV paga -mas que eram assistidos via internet.
            Embora ainda represente uma fatia pequena de residências, a tendência de "cortar o cabo" da TV mais que sobrou nos EUA: em 2007, eram 2 milhões de telespectadores sem TV paga. Hoje, são pouco mais de 5 milhões.
            Para consumir vídeo, essas pessoas fazem uso do computador, de televisões conectadas à internet, de smartphones e de tablets.
            "Desde que se tornou possível ver programas on-line legalmente, muitas pessoas o fazem", diz June Thomas, crítica de televisão da revista "Slate". "Agora a audiência será um pouco mais precisa."
            Contar os espectadores da internet era uma demanda antiga das emissoras americanas. "Canais como CW, que tem uma audiência jovem, dizem que não são bem representados atualmente, já que seu público vê mais séries on-line", diz Thomas.
            A empresa americana não tem planos de medir os cliques em território brasileiro, mas o Ibope já estuda formas de medir a audiência de quem assiste à televisão pela internet por aqui.
            Segundo Dora Câmara, diretora regional do Ibope, o monitoramento de conteúdos televisivos assistidos em TVs conectadas à internet será implementada em três etapas.
            A primeira contempla apenas a aferição de conteúdos transmitidos ao vivo. A segunda inclui programas gravados e vistos posteriormente. Nessa etapa, vídeos de site de emissoras ou do YouTube vistos numa televisão, por exemplo, serão considerados.
            "Em uma terceira etapa, identificaremos conteúdos transmitidos via internet e acessados por outros dispositivos", diz. A primeira fase está em implantação. As outras estão em desenvolvimento.
            "Fechamos parceria com a Video Research, empresa japonesa que monitora audiência em dispositivos móveis", acrescenta ela. "A ferramenta já está em fase de teste e até o fim deste ano começaremos a medir audiência de TV em telefones celulares."
            Leia mais sobre séries que estreiam na internet
            folha.com/no1244824

            Sites passam a investir em suas próprias séries
            Após estreia de 'House of Cards', Netflix desenvolve outros quatro projetos
            Amazon produz pilotos de vencedor do prêmio Pulitzer e de dupla de atores da sitcom "The Big Bang Theory"
            DE SÃO PAULOA nova forma de medir a audiência dos programas de TV -que inclui lares sem televisão a cabo, mas com internet- adotada pela Nielsen pode favorecer séries que tenham menos público, mas cujos espectadores se mobilizem pelo computador.
            É o caso de "Arrested Development", seriado que foi ao ar entre 2003 e 2006 e foi retomado neste ano pela Netflix, ganhando uma temporada extra na internet.
            Além de importar séries da televisão para o computador, sites como Netflix e Hulu têm aproveitado o número crescente de consumidores de vídeo on-line para investir no desenvolvimento de suas próprias atrações -com orçamentos dignos de grandes produções televisivas.
            É o caso de "House of Cards", com Kevin Spacey, a primeira série do serviço Netflix, disponível também no Brasil. A produção de 13 episódios, lançados simultaneamente, custou à empresa US$ 100 milhões (cerca de R$ 197 milhões).
            O investimento deu retorno: o seriado alcançou, pouco após sua estreia, o primeiro lugar na audiência do serviço de streaming do site. O número de espectadores, contudo, não foi revelado -já que o site considerou injusta a comparação com as produções da televisão.
            Outras séries próprias estão a caminho: em abril, estreia "Hemlock Grove", que conta a história de uma cidade cujo lado sórdido se revela após o assassinato de uma mulher. O site produz também as séries "Orange Is the New Black", "Derek" e "Turbo: F.A.S.T", esta última voltada para crianças.
            A tendência é seguida por portais como Hulu, Crackle e Amazon -que está desenvolvendo, atualmente, seis pilotos de seriados. Quando prontos, os vídeos serão disponibilizados na internet e os favoritos do público ganharão uma temporada inteira.
            Entre as produções da Amazon estão "Alpha House" -do vencedor do Pulitzer Garry Trudeau- e "Dark Minions" -escrita por Kevin Sussman e John Ross Bowie, atores da sitcom "The Big Bang Theory".
            Quem tiver um projeto pode inscrevê-lo no site Amazon Studios -alguns serão selecionados e produzidos pelo portal. (FERNANDA REIS)

              Globosat faz série para plataforma digital
              ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULONa cola de Netflix, Amazon e Hulu, a Globosat está investindo em conteúdos exclusivos para sua plataforma "on demand", o Muu, disponível a 5,3 milhões de assinantes Net e da CTBC.
              A empresa vai produzir uma série nacional original, provavelmente de comédia.
              "Vamos aproveitar o workshop de roteiristas que a Globosat está promovendo e selecionar um roteiro. A gravação ocorrerá no segundo semestre e a estreia, no início de 2014", diz André Nava, gerente de Novas Mídias.
              A produção deverá ter seus episódios disponibilizados de uma só vez, como o Netflix fez com "House of Cards".
              Desde 8 de março, o Muu passou a exibir com exclusividade no Brasil a terceira temporada da série "Spartacus" e tem em seu catálogo o seriado "Extras", com o comediante Ricky Gervais. Nas próximas semanas, lançará a sitcom "The Inbetweeners".

                segunda-feira, 4 de março de 2013

                Jô Soares faz 25 anos de "talk show" e lança DVD com melhores entrevistas

                folha de são paulo

                ALBERTO PEREIRA JR.
                DE SÃO PAULO

                Há 25 anos, Jô Soares, 75, trocou o humor rasgado e uma galeria de 200 personagens de sucesso na Globo pelo sonho de ser entrevistador.
                No SBT, inspirado pelos americanos Jack Paar e Johnny Carson, estreou em 16 de agosto de 1988 o "talk show" "Jô Soares Onze e Meia", que levou prestígio e anunciantes à emissora.
                De volta à Globo desde 2000, Jô Soares retoma hoje a temporada do seu "Programa do Jô" e anuncia o lançamento, em DVD, das suas principais entrevistas, em ambos os canais.
                "Esse é um tipo de parceria benéfica. Não que houvesse essa intenção, mas o programa se tornou uma espécie de registro da história do Brasil desse período", diz ele, que chegou a pedir no SBT que as fitas de sua atração não fossem apagadas.
                O material dos DVDs ainda está em seleção e deve trazer um apanhado de encontros raros, como o com Luís Carlos Prestes (1898-1990).
                "Entrevistas marcantes, você pode botar o Roberto Carlos, o Chico Buarque, mas também o gago que se candidatou a vereador e outros tantos desconhecidos. A conversa mais marcante, espero que seja sempre a próxima."
                Muitas personalidades declinaram o convite para se sentar na poltrona do artista, como Silvio Santos.
                "É a pessoa a quem eu devo a oportunidade de ter feito o programa. O Silvio é um convidado que não consegui e sei que nunca irei entrevistar", lamenta.
                Adriano Vizoni/Folhapress
                O apresentador Jô Soares em seu apartamento, em São Paulo
                O apresentador Jô Soares em seu apartamento, em São Paulo
                Dos 13 mil bate-papos, três convidados são recorrentes: o cartunista Ziraldo, com 20 participações, e o cantor Caetano Veloso e o ex-presidente Lula, com 13 cada um.
                "Certa vez, num dia em que seria entrevistado, um dente meu quebrou e eu fui ao programa de máscara", lembra Ziraldo. "Há dias em que o Jô está desinteressado pelo entrevistado, mas quando ele se interessa, é imbatível."
                A última entrevista de Lula, recorda o apresentador, foi antes de sua eleição presidencial, em 2002. Depois de eleito, escândalos de corrupção envolvendo petistas, como o mensalão, o desencantaram. "Não direi que o Lula sabia ou não. Mas podia ter tomado uma posição mais forte, mais exigente..."
                Outra quem lhe deve uma visita é a presidente Dilma Rousseff. "Ela foi ao programa como ministra. Logo depois da eleição, falei com uma assessora, que me disse que ela estava priorizando as jornalistas mulheres."
                EXIBIDO, CLARO
                Admirado por uns e rechaçado por outros, Jô Soares admite já ter falado mais do que seus entrevistados.
                "Eu corrigi isso. Mas não era exibicionismo. Como todo artista, sou exibido, claro! Eu entrava em discussão com o convidado. Ficava entusiasmado e não me segurava."
                "No Brasil, há pouco 'talk show'. É a melhor forma de voyeurismo: ficar olhando duas pessoas conversando sobre coisas que tem que ser interessante", afirma ele, que, embora avesso a redes sociais, considera seu programa um imenso Twitter.
                Editoria de Arte/Folhapress
                BEIJO DO GORDO 13 mil entrevistas em 25 anos
                BEIJO DO GORDO 13 mil entrevistas em 25 anos
                Segundo ele, a liberdade editorial é cláusula indispensável para sua atração. "No meu programa nunca existiu [jabá, prática de fazer entrevista em troca de dinheiro]. Isso polui a credibilidade!"
                Ele também evita subir em palanques políticos. "Acho que a posição correta para o artista é o de anarquista, no sentido de não se engajar politicamente por esse ou outro candidato. Para estar sempre pronto para a crítica."
                E o que Jô Soares espera dos próximos anos? "Muitas entrevistas! Não vou cansar tão cedo. O artista só se aposenta quando quer ou quando está gagá", dispara.


                OPINIÃO
                'Talk show' exige preparo; Jô, às vezes, demonstra cansaço
                MAURICIO STYCERCOLUNISTA DA FOLHAAlguns entrevistados rendem mais, outros menos, diz o senso comum no esforço de explicar a irregularidade dos "talk shows". A explicação não convence o fã do gênero, hoje com acesso, via TV paga e internet, a mais de uma dezena de programas diários com formato quase idêntico.
                O que diferencia e dá sabor a estes programas é o entrevistador, não importa quem esteja sentado diante dele. Famoso ou anônimo, extrovertido ou tímido, nada disso importa se o mestre de cerimônias está bem preparado e tem o que dizer para provocar o seu entrevistado.
                Pesa sobre Jô Soares, e também sobre seus "concorrentes" (Danilo Gentili e Luciana Gimenez), a sensação de que muitas vezes não se preparam adequadamente para o encontro que terão com os seus convidados.
                Creio ser este o pecado capital num tipo de programa que, como o nome diz, é uma mistura de conversa com show. O público espera informação e diversão.
                Não importa, como repete-se muito sobre Jô, se ele fala mais do que seus entrevistados, ou se é exibido. Não vejo isso como problemas.
                Incomoda quando o entrevistador não tem nada de interessante a dizer ou se ele se repete. Não demonstra estar, de fato, curioso sobre o que pode acontecer no encontro com o convidado.
                Não é sempre necessário -como fez Oprah Winfrey ao entrevistar Lance Armstrong- ter 112 questões preparadas. Aquele foi um caso excepcional, uma entrevista com um herói nacional exposto por causa de doping.
                Mas não convém subestimar entrevistados. Não sei se por cansaço, no caso de Jô, ou por arrogância, frequentemente vejo conversas na televisão brasileira que parecem conduzidas com o objetivo de simplesmente preencher o tempo.
                Pior, às vezes, como ocorreu com Marília Gabriela diante do pastor Silas Malafaia, no SBT, a surpresa ou o desconhecimento podem levar a embates rudes, que acabam resultando desfavoráveis a quem se coloca na posição de questionador.
                Inspirado no modelo americano, o "talk show" nacional deveria importar também a poção milagrosa que deixa apresentadores como David Letterman, há 30 anos fazendo a mesma coisa, com energia, bom humor, curiosidade e raciocínio rápido.

                  quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

                  Obra de Edgar Allan Poe inspira série com Kevin Bacon

                  folha de são paulo

                  ALBERTO PEREIRA JR.
                  DE SÃO PAULO

                  Morto há 163 anos, Edgar Allan Poe é responsável por um dos principais sucessos da temporada da TV americana em 2013.
                  É bebendo dos escritos do autor americano, bisavô dos gêneros suspense e mistério, que a série "The Following" vem sacudindo a audiência da televisão aberta dos EUA. No primeiro capítulo, foi vista por 10 milhões de pessoas.
                  A série, que estreia nesta quinta-feira (21) no Brasil na Warner, mostra a caçada de um ex-detetive do FBI Ryan Hardy (Kevin Bacon) contra os seguidores de um serial killer (James Purefoy).
                  Michael Lavine/Efe
                  Kevin Bacon (à frente) protagoniza "The Following"
                  Kevin Bacon (à frente) protagoniza "The Following"
                  O seriado não é caso isolado de inspiração na obra de Poe. De "Os Simpsons" a atrações como "Os Sopranos", "Gilmore Girls" e "CSI", a filmes como "O Corvo" (1994), suas histórias seguem na mira de adaptações e recriações.
                  Em abril, a Fox estreará no Brasil "Contos do Edgar", seriado em cinco capítulos trazendo à realidade paulistana histórias do escritor, sob a produção da O2 Filmes.
                  "Embora seja um autor clássico e canonizado, Edgar Allan Poe encontrou um espaço na cultura pop atual, alimentando nossos medos e criando nossos terrores", diz Leo Braudy, professor de literatura americana da University of Southern California.
                  "Poe deixou uma vasta descendência artística, como Hitchcock, Debussy e Stephen King. Até na capa de um disco dos Beatles lá está ele", completa Jeanette Rozsas, autora do livro "Edgar Allan Poe, o Mago do Terror".
                  "The Following" marca a estreia de Kevin Bacon como protagonista na TV.
                  "Tínhamos uma lista dos atores que gostaríamos de trabalhar e, antes de começar os contatos, recebemos uma ligação do agente do Kevin, dizendo que ele havia lido o roteiro e queria fazer", conta o diretor e produtor-executivo Marcos Siega.
                  No enredo, o assassino Joe Carroll era um professor universitário especializado na poesia de Edgar Allan Poe que usou referências dessas obras ao matar 14 de suas alunas. O então detetive Hardy consegue prendê-lo.
                  Anos depois, uma rede de dezenas de discípulos do assassino retoma a matança.
                  NA TV
                  The Following
                  Estreia da série da Warner
                  QUANDO quinta-feira (21), às 22h45
                  CLASSIFICAÇÃO 14 anos

                  'Todos os atores querem impressionar Kevin Bacon no set', diz diretor de 'The Following'

                  ALBERTO PEREIRA JR.
                  DE SÃO PAULO

                  Marco Siega, 43, diretor de "The Following", série que estreia nesta quinta-feira (21), na Warner, afirma estar impressionado com o trabalho de Kevin Bacon à frente do programa.
                  "Ele é demais. Filmar uma série de TV é muito difícil e bem diferente de fazer cinema, são muito mais horas de trabalho diariamente", diz, em entrevista à Folha.
                  "E ter alguém como Kevin, que aparece preparado, nunca é um problema e dá o tom para os outros atores é um privilégio. Todos querem impressioná-lo no set. Porque ele é tão bom, preparado e nunca reclama, todos fazem o mesmo."
                  Sucesso nos EUA, "The Following" mostra a caçada de um ex-detetive do FBI, Ryan Hardy (Bacon), aos discípulos de um "serial killer", Joe Carroll (James Purefoy).
                  Divulgação
                  O diretor Marcos Siega e o ator James Purefoy, em "The Following"
                  O diretor Marcos Siega e o ator James Purefoy, em "The Following"
                  Carregado de cenas de violência, o programa --criado por Kevin Williamson ("Vampire Diaries" e "Dawson's Creek")-- teve na estreia americana cerca de 10 milhões de espectadores e marca o primeiro papel de protagonista na televisão do astro de "Footloose" (1984).
                  Também coloca Bacon na pele de um mocinho, depois de sucessivos papéis de vilão no cinema.
                  "'The Following' não é uma série tradicional. Quando você assiste, cairá de amores por personagens que nem sempre são os bonzinhos. Isso porque nós estamos sempre preenchendo as lacunas, contando histórias das pessoas nesse culto, ao mesmo tempo que o FBI tenta capturá-los. E, como audiência, você vai responder ao lado humano da história. Não buscamos só assustar as pessoas. É um drama verdadeiro", defende o Siega.
                  A primeira temporada terá 15 episódios. Uma segunda já está nos planos da Fox, que exibe a atração nos Estados Unidos.
                  GAÚCHO
                  Filho do jogador de futebol Jorge Siega, que jogou com Pelé no time New York Cosmos, nos anos 1970, com uma francesa, Marcos Siega nasceu em Nova York.
                  "Meu pai é gaúcho. Na infância, passei muitas férias e fim de ano no Brasil. Sempre fui ligado ao futebol", afirma ele, que não conhece muito a produção audiovisual brasileira.
                  A carreira na TV começou com a música. Antes de dirigir ficções como "Fastlane" (2002-03), "Veronica Mars" (2004-05), "Dexter" (2007-09) e "Vampire Diaries" (2009-11), comandou videoclipes de bandas como Weezer, Blink 182 e System of a Down.
                  "Parte foi sorte e parte foi porque fazia um bom trabalho. Mas foi 'Dexter que me levou para outro patamar", observa.

                  domingo, 17 de fevereiro de 2013

                  Alberto Pereira Jr.

                  folha de são paulo

                  TV de segunda mão
                  Canais por assinatura importam conteúdo das redes abertas e reprisam filmes nacionais para cumprir cota de produção brasileira estabelecida pela nova lei da TV paga
                  ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULONo ar desde janeiro na Band, a segunda temporada de "Mulheres Ricas", reality show em que cinco endinheiradas mostram seus cotidianos extravagantes, estreou faz duas semanas no canal TLC, do grupo Discovery.
                  A presença de um produto de TV aberta na grade de um canal fechado é sintomática.
                  Para cumprir a cota de exibição de conteúdo nacional definida pela nova lei que regula a TV paga, em vigor desde setembro último, TVs por assinatura têm recorrido à aquisição de conteúdo de canais abertos.
                  Na maior parte do tempo, acontece o contrário: TVs abertas absorvem programas de sucesso dos canais fechados. Recentemente, por exemplo, as séries "The Walking Dead" e "True Blood" passaram a ser exibidas no Brasil por Band e SBT, respectivamente.
                  A operação "tapa-buracos" dos canais fechados é uma tentativa de se adequar à lei, que exige que eles veiculem, em horário nobre, duas horas e 20 minutos semanais de programas nacionais, metade realizada por produtoras independentes.
                  O Discovery Home & Health incluiu na programação o "S.O.S. Casamento", que já foi ao ar pelo SBT, em 2011.
                  O A&E comprou um pacote de musicais da Band, com shows de artistas como Chico Buarque, Dona Ivone Lara e Rita Lee.
                  A Fox Life prepara para o segundo semestre uma faixa de horário com reprises de novelas da Record, como "Bela, a Feia" (2009).
                  A partir de setembro deste ano, o total de exibição dos programas nacionais exigido pela lei aumentará para três horas e meia semanais.
                  "Já faz muito tempo que venho falando que os prazos da lei são difíceis de se tirar do papel", diz Anthony Edward Doyle, vice-presidente regional da Turner International (dos canais Space, TNT e Cartoon Network).
                  "Há uma série de fatores que podem atrasar ou dificultar a produção de um programa, que é o objetivo da legislação", critica o executivo, cujo canal TBS muitodivertido exibe atrações como "Anjos do Sexo", "CQC" e "É Tudo Improviso", todos produzidos pela Band.
                  Segundo André Rossi, diretor de programação da Discovery Networks no Brasil, "Mulheres Ricas" se enquadra nos parâmetros estabelecidos pelas cotas. "Mas isso não é o suficiente para definir a aquisição. A relevância do formato para o TLC e a qualidade de produção são fatores cruciais", diz o diretor.
                  SEM QUALIDADE
                  Há quem prefira sair pela tangente. Comedy Central, Disney, Nick Jr. e DTH Family pediram "dispensa" do cumprimento da cota de produção nacional junto à Ancine, a Agência Nacional do Cinema, que regula o setor.
                  Eles alegam, entre outros motivos, fatores econômicos e a falta de conteúdo nacional compatível com a qualidade de suas programações.
                  No caso do Disney, a ABPITV (Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV) alega dificuldade de contato com a representação do canal no Brasil, o que a fez optar pela via direta.
                  Os processos que analisam os pedidos de dispensa estão em andamento na Ancine.
                  No início deste mês, uma comitiva de 35 produtores da BTVP (Brazilian TV Producers) aproveitou viagem a Nova York para a feira de produção infantojuvenil Kidscreen e fez visitas à sede da Disney a fim de apresentar projetos que possam cumprir a cota nacional.

                    "Tropa 2" é o líder entre filmes reprisados
                    DE SÃO PAULO
                    O bordão "pede pra sair!", de "Tropa de Elite", foi ouvido à exaustão nos últimos quatro meses na TV paga.
                    Levantamento realizado pela Folha entre 2 de setembro, quando entrou em vigor a lei que regulamenta a TV por assinatura, e 31 de janeiro apontou o filme de José Padilha de 2007 e a sua continuação, de 2010, como os campeões de reprises em horários de cumprimento da cota de exibição de produção nacional.
                    "Tropa 1" foi exibido 19 vezes, em canais como Space e TNT, ambos do grupo Turner. Enquanto isso, "Tropa 2" foi reprisado 23 vezes, no Telecine Action e no Megapix.
                    A medição levou em conta as exibições de longas nacionais no horário nobre estipulado pela legislação -das 18h à 0h, para canais adultos, e das 11h às 14h e das 17h às 21h, para emissoras infantis.
                    Há ainda casos de filmes, como "Deus É Brasileiro" (2003), que, em quatro meses, apareceu em horários propícios para cumprir a cota de produção nacional em canais como AXN e Sony, do grupo Sony, Canal Brasil, da Globosat, e Fox, da Fox Channels International.
                    Jorge Furtado, diretor de "Saneamento Básico, o Filme" (2007) e "O Homem que Copiava" (2003), diz já ter se deparado com filmes seus "exibidos quase que simultaneamente por redes fechadas concorrentes".
                    Os contratos de longas na TV paga preveem exibição ilimitada por um período entre um e três anos.
                    A lei 12.485/2011 deixou em aberto a possibilidade de penalização das emissoras pagas pelo excesso de reprises.
                    "Ainda não identificamos uma anomalia. É uma fase de adaptação do mercado", diz Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine.
                    Procurados pela Folha, executivos afirmaram, sob a condição de anonimato, que as reprises irão continuar. Eles alegam dificuldades de financiamento e produção de novos programas.
                    Isso não os eximirá de ter de se adequar à nova lei da TV paga, que tende a fechar o cerco ainda mais.
                    A partir de 13 de setembro de 2015, metade dos conteúdos audiovisuais brasileiros (inclusive independentes) exibidos pela TV paga deverá ter sido produzida nos sete anos anteriores à veiculação.

                    domingo, 10 de fevereiro de 2013

                    Alberto Pereira jr - Cão tem mais cenas que atores em novela


                    Parte do elenco some de "Salve Jorge", que mantém a pior média de audiência nos últimos 12 anos no horário
                    Trama de Gloria Perez completará cem capítulos na próxima quinta-feira, com passagem de tempo
                    ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOMesmo com um elenco numeroso -oficialmente são 82 atores, sem incluir as participações especiais-, é uma cadela da raça maltês que vem roubando a cena em "Salve Jorge", novela da Globo.
                    Emily, fiel companheira da ricaça Leonor (Nicette Bruno), aparece mais na trama do que atores veteranos.
                    Levantamento da Folha em 30 capítulos do folhetim de Gloria Perez, entre 1º de janeiro e 4 de fevereiro, mostra que o animal esteve em 13 episódios de "Salve Jorge", em cerca de 21 minutos da novela.
                    No mesmo período, Eva Todor, que interpreta Dália, não apareceu nenhuma vez.
                    "Houve uma lacuna enorme na trama e muitos atores não foram usados", diz a atriz de 93 anos.
                    "No começo, até achei bom, porque sofri um tombo e precisei fazer fisioterapia para me recuperar. Mas estou esperando um telefonema do diretor Marcos Schechtman para saber se vou voltar."
                    Cristiana Oliveira, que vive Yolanda, é outra integrante do grupo dos desaparecidos de "Salve Jorge". No último mês, esteve em apenas quatro capítulos, o que representou menos de quatro minutos no ar.
                    Num bolão feito nos bastidores da novela, notou-se que ela ficou 20 dias longe da tela. Anderson Müller e Najara Turetta seguiam logo atrás, fora de 18 episódios.
                    "São muitos personagens, é complicado mesmo. Para mim é tranquilo. Já trabalhei com a Gloria em outras novelas e conheço o ritmo dela. Independentemente de aparecer, virei telespectadora de 'Salve Jorge'", diz Cristiana.
                    "É mais interessante a cobrança do público na rua do que fazer qualquer queixa pelo pelo sumiço do Murat", observa Anderson Müller.
                    Stênio Garcia, que vive Arturo, chegou a aproveitar a lacuna de gravações para fazer uma viagem de 20 dias à Europa, no fim de 2012.
                    A cadela Emily esteve mais presente na trama do que os personagens de Mariana Rios, Jandira Martini, Rosi Campos, Cris Vianna e Duda Nagle, entre outros, nos últimos 30 dias.
                    AUDIÊNCIA
                    Na próxima quinta-feira (14), "Salve Jorge" completará cem capítulos.
                    Embora tenha marcado 39 pontos no Ibope no dia 29 de janeiro, seu recorde desde a estreia, a novela segue com a menor média dos folhetins das 21h da Globo nos últimos 12 anos. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.
                    Em seus 93 primeiros episódios, "Salve Jorge" registrou 30,8 pontos no Ibope. No mesmo período, "Avenida Brasil" acumulou 37,7 pontos e "Fina Estampa", 38,8.
                    Na semana que vem, o folhetim sofrerá uma passagem de tempo de um mês. No período, a protagonista Morena (Nanda Costa) confirmará sua gravidez. A delegada Helô (Giovanna Antonelli) vai migrar para a Polícia Federal, dando sequência nas investigações sobre o tráfico de pessoas, foco da trama.
                    Procurada pela reportagem para comentar o pouco destaque de alguns atores na trama, a audiência de "Salve Jorge" e novidades do folhetim, a autora Gloria Perez disse apenas que as novidades ficarão para depois do centésimo capítulo, para não coincidir com o Carnaval.

                      domingo, 3 de fevereiro de 2013

                      Pé na porta

                      FOLHA DE SÃO PAULO

                      Fenômeno do humor na internet, grupo Porta dos Fundos tem mais de 89 milhões de visualizações no YouTube e planos de se lançar no cinema
                      MARCO AURÉLIO CANÔNICODO RIO"A gente achou que ia dar certo, mas não em tão pouco tempo." A frase do ator Fábio Porchat, 29, é repetida quase literalmente por seus quatro sócios na produtora de humor Porta dos Fundos.
                      Lançado há seis meses, o canal da empresa carioca no YouTube tinha, até a noite da última quinta, mais de 728 mil pessoas inscritas. Seus 62 vídeos somavam mais de 89 milhões de exibições.
                      O sucesso de público foi acompanhado pelo de crítica: foram o primeiro canal on-line a vencer o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), concorrendo na categoria de TV, como programa de comédia.
                      Hoje, são procurados por empresas interessadas em usar seu humor para promoção na rede e preparam um longa para o cinema.
                      Se a escalada rumo à notoriedade foi rápida, o modelo que consagrou a produtora -vídeos curtos, com esquetes de humor nonsense, ligados ao cotidiano- vinha sendo desenvolvido há tempos.
                      O embrião foi a série humorística "CSI: Nova Iguaçu", criada pelo publicitário Antonio Tabet, 38, do site Kibeloco, e pelo diretor Ian SBF, do site Anões em Chamas.
                      A eles se juntaram amigos: dois atores e roteiristas talhados na comédia stand-up (Gregório Duvivier, 26, e Porchat) e um publicitário e roteirista de TV, João Vicente de Castro, 29. O projeto do quinteto: fazer vídeos de humor para a internet que eles mesmos gostariam de assistir.
                      Cada um dos cinco investiu a mesma quantia (que eles não informam) para preparar uma série de vídeos.
                      O primeiro deles foi ao ar em agosto passado. Tinha um formato de programa, com pouco mais de 15 minutos, abertura, um comercial "fake" e esquetes.
                      "Percebemos que, com o programa, gastávamos oito esquetes num vídeo só e isso tinha menos visualizações do que se lançássemos individualmente", diz Duvivier.
                      Assim, aderiram ao formato de dois vídeos novos por semana (postados às segundas e quintas) e pretendem expandir para três.
                      Atualmente, o quinteto faz duas reuniões semanais para aprovar os textos e grava até quatro vídeos por semana, dividindo as tarefas.
                      Porchat e Duvivier ficam com roteiros e atuação; Tabet cuida da divulgação, além de escrever e atuar eventualmente; Ian SBF dirige e João Vicente se concentra na parte comercial -o telefone no escritório da produtora, uma sala no centro do Rio, não para de tocar.
                      PYTHON E TV PIRATA
                      Quando falam do tipo de humor que os influencia, citam os ingleses do Monty Python, o americano Mel Brooks e os brasileiros da "TV Pirata". Como esses, gostam de escrever para atuar.
                      O sucesso de vídeos como "Spoleto" -que satiriza o tipo de atendimento da rede de restaurantes e virou um "case" publicitário, levando a marca a contratar o grupo- fez com que empresas procurassem a produtora.
                      Já fecharam contrato para produzir vídeos para uma montadora de automóveis e têm outras negociações em andamento; muitas delas, no entanto, não prosperam.
                      "A Porta dos Fundos não tem rabo preso com ninguém. Então temos dificuldade em adequar os pedidos das empresas ao nosso humor. Mas elas estão começando a ter coragem", diz João Vicente.
                      A trupe, no entanto, não pretende trazer os anúncios comerciais para dentro da própria casa.
                      "O Porta virou esse fenômeno também por causa do cansaço das pessoas com a mesmice da TV. Nós somos algo diferente e, se começarmos a ter anúncio, vamos ficar iguais à TV", diz Porchat.
                      O dinheiro ganho até agora -eles não falam em valores- está sendo reinvestido na expansão da produtora.
                      "Contratamos mais funcionários, compramos mais equipamentos, gastamos mais com vídeos. Nosso objetivo final é a empresa. Não estamos fazendo isso como vitrine para nos chamarem para outras coisas, esse é o meu trabalho", diz Porchat.
                      O grande objetivo é ter uma plataforma própria de vídeos e, assim, não ter de dividir os lucros gerados pela audiência com o Google, empresa dona do YouTube -a exemplo dos sites americanos College Humor e Funny or Die.
                      Alcançar o mercado estrangeiro é outra meta: os vídeos já têm boa audiência em Portugal, e a trupe coloca legendas em inglês, apostando que seu humor é traduzível.
                      "Nossos esquetes não falam de questões brasileiras, mas de situações um pouco universais. Como bebemos na fonte do Monty Python e desse humor absurdo, acaba sendo transportável para outras culturas", diz Duvivier.
                      Migrar para a TV não faz parte dos planos, apesar de sondagens da Globo, do Multishow e do Comedy Central. Na verdade, o que eles fizeram foi se desligar da TV.
                      "Pela primeira vez, não é mais preciso ser da Globo para fazer sucesso. Não estou esnobando, gosto muito de trabalhar lá, mas posso me dar ao luxo de não querer escrever para a Globo e isso não acabar com a minha carreira", diz Porchat, que atua no seriado "A Grande Família".
                      "Essa geração quer fazer as coisas do seu jeito, e o Porta dos Fundos talvez seja a expressão máxima disso."

                        Para veteranos, clássicos da TV inspiram humor de produtora
                        ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOFenômeno recente da internet, a produtora Porta dos Fundos também reúne em sua base de fãs artistas veteranos da comédia nacional.
                        Além da admiração, há também ressalvas. A maioria delas se concentra na opinião de que o grupo, talentoso, se apropria de referenciais clássicos de humor na TV mais do que investe em novidades.
                        "Estou correndo atrás deles. É uma das coisas mais engraçadas que vi nos últimos anos", diz José Lavigne, que por mais de 15 anos dirigiu o "Casseta & Planeta" (Globo).
                        "Acho mil vezes mais interessante que o 'Pânico' [da Band], que faz bullying com as pessoas", compara Cláudio Paiva, roteirista de TV.
                        Para Jorge Furtado ("O Homem que Copiava", 2003), o elenco e o texto são excelentes. "Mas eles não inventaram esse gênero. O 'Monty Python' [programa de TV inglês dos anos 1960] já fazia isso. É uma tradição que remonta à Grécia antiga."
                        Segundo Lavigne, o Porta dos Fundos tem muito do "TV Pirata", que marcou época na Globo, no final dos anos 1980.
                        "Nós estávamos na TV aberta, por isso só não falávamos palavrão, mas satirizávamos marcas também. Nos últimos 20 anos, a Globo se capitalizou e as referências comerciais foram restringidas. São todos bisnetos do Guel Arraes", diz.
                        Rafinha Bastos concorda que a produtora tem mais liberdade por estar na web, mas faz uma ressalva: "O YouTube também é uma empresa. Os protagonistas são caras da Globo, mas sem todos os filtros de uma TV".

                          domingo, 27 de janeiro de 2013

                          Literatura ajuda participantes a superarem ócio no 'Big Brother'

                          FOLHA DE SÃO PAULO

                          A convite da Folha, escritores fazem sugestões de livros aos BBBs
                          DE SÃO PAULOFestas regadas a bebidas, romances, provas, eliminações e livros coexistem no "Big Brother Brasil".
                          Confinados por três meses em uma casa vigiada por câmeras, sem acesso a telefone, internet, jornais e televisão, os participantes também recorrem à literatura para matar o tempo dentro do reality show da Globo.
                          O conceito que deu origem à atração, aliás, foi decalcado do livro "1984", do escritor George Orwell. Na obra, o Big Brother é o líder mundial que, em um futuro distópico, tudo vê.
                          Déspota, ele vigia a população por meio de telas instaladas em suas casas.
                          Na atual 13ª edição do "BBB", há espaço para livros de todos os gêneros: religioso ("Amor Acima de Tudo", de Max Lucado), acadêmico ("Insurgências Poéticas - Arte Ativista e Ação Coletiva", de André Mesquita), autoajuda ("As 48 Leis do Poder", de Robert Greene) e até clássicos ("O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry).
                          Presente em outras edições - como nos "BBB 3" e "BBB 11"-, "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, também está na atual temporada, nas mãos do "brother" André Martinelli.
                          A obra é considerada um guia prático sobre a guerra. Diego Alemão, do "Big Brother Brasil 7" a leu durante seu tempo de confinamento, eliminou os seus concorrentes e se sagrou campeão em 2007.
                          A pedido da Folha, os escritores Joca Reiners Terron e Luiz Bras fizeram uma lista com obras que poderiam distrair ou ajudar os BBBs durante o reality (veja ao lado).
                          "Ser prisioneiro do 'BBB' é pior do que estar numa cadeia na Guiana Francesa. O [Kleber] Bambam fez bem em escapar", diz Terron, referindo-se ao vencedor do "BBB 1", que pediu para sair do "BBB 13" logo na primeira semana, ao indicar "Papillon" (1969), de Henri Charrière.
                          Os "brothers", no entanto, precisam dosar literatura e ação no programa.
                          No "Big Brother Brasil 12", os livros dos participantes chegaram a ser confiscados pela produção do programa por conta do marasmo da edição.

                            sábado, 19 de janeiro de 2013

                            Em março, 'Saia Justa' volta às origens com time 100% feminino

                            FOLHA DE SÃO PAULO

                            Programa de debate do GNT terá Astrid Fontenelle e Barbara Gancia
                            ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOEm seu 12º ano, o "Saia Justa" volta às suas origens.
                            "Vamos fazer jus ao título do programa. Será papo de mulher", diz Astrid Fontenelle, que acumulará a função de âncora da atração com o programa "Chegadas e Partidas", também do GNT.
                            "Mas, se precisar, poderemos recorrer a algum dos homens que nos cercam, como pais, amigos e maridos."
                            Barbara Gancia, colunista da Folha, e as atrizes Mônica Martelli e Maria Ribeiro completam o elenco da produção, que na última temporada contou com Mônica Waldvogel, Dan Stulbach, Teté Ribeiro, editora da revista "Serafina", da Folha, e Maria Fernanda Cândido.
                            "Não estamos saindo do zero, o 'Saia Justa' tem 11 anos de tradição. É uma grande responsabilidade", diz Astrid, encarregada da condução dos temas na atração.
                            Barbara Gancia promete irreverência e comentários ácidos no programa. "Na coluna, minha personagem é mais violenta e agressiva. Normalmente, sou um pouco mais simpática, mas bem passional", descreve-se.
                            O programa terá novo cenário e time de roteiristas. O diretor Nilton Travesso segue no comando.
                            "O 'Saia' entra nos assuntos da semana, da Rosemary Noronha [ex-secretária da Presidência da República] à sucessão na Venezuela, atravessando temas mais gerais, como a passagem do tempo. Acho que somos quatro mulheres malucas", conclui Maria Ribeiro.

                              quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

                              Televisão Outro Canal

                              FOLHA DE SÃO PAULO

                              ALBERTO PEREIRA JR. (interino) alberto.pereira@grupofolha.com.br
                              Drauzio tratará doenças da alma no 'Fantástico'
                              Ao longo dos últimos 14 anos, o doutor Drauzio Varella já discutiu o combate ao fumo e a dengue, o planejamento familiar, o funcionamento do cérebro, a aids, a obesidade e o transplante de órgãos, entre outros temas, no "Fantástico".
                              No próximo dia 27, o médico cancerologista e colunista da Folha volta à revista eletrônica da Globo com uma nova série.
                              Intitulado "Males da Alma", o quadro abordará problemas como depressão, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, bipolaridade além de outros distúrbios que afetam milhões de pessoas.
                              "É uma tentativa de jogar um pouco de luz sobre esses temas e chamar a atenção para a falta de centros de atendimento especializado no país. Interpretamos tantos papéis e somos submetidos a tantas pressões, que manter a racionalidade e o equilíbrio muitas vezes requer malabarismos", diz Drauzio.
                              A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que a depressão será a causa mais frequente de abandono do trabalho em 2030.
                              Dividido em seis episódios, "Males da Alma" trará em cada capítulo a história de um personagem real para ilustrar o transtorno e mostrar como a pessoa consegue superá-lo.
                              A ideia da série veio da jornalista Renata Ceribelli, que apresenta o "Fantástico".
                              PIMENTA
                              Divulgação/Band
                              Val Marchiori e Regina Manssur iniciam participação especial no próximo episódio de "Mulheres Ricas", da Band. Na segunda, às 22h30
                              Com calma 1 O SBT adiou por tempo indeterminado o projeto de um programa solo para Patrícia Abravanel.
                              Com calma 2 A direção da emissora avaliou que mais um projeto poderia desgastar a imagem dela, que comanda o "Cante Se Puder", ao lado de Márcio Ballas, e tem participação importante no "Programa Silvio Santos", de seu pai.
                              Palco O canal Viva exibirá, semanalmente, a partir de 2 de fevereiro, à 0h, o programa "Estação Globo", comandado por Ivete Sangalo na Globo.
                              Época "Vida Bandida", primeira novela de Carlos Lombardi na Record, será ambientada na década de 1970 e mostrará o momento em que os traficantes substituíram a figura dos bicheiros na hierarquia do crime no Rio.
                              O NÚMERO É...
                              A estreia da microssérie "Gonzaga - De Pai pra Filho", da Globo, marcou 20 pontos no Ibope, anteontem. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios da Grande São Paulo. Na terça-feira passada, o primeiro capítulo de "O Canto da Sereia" rendeu à emissora 21 pontos.
                              Areia ConeCrewDiretoria, Mulher Melão, MC Coringa, Escracho, Bucheca Pepê e Nenê e a escola de samba Unidos da Tijuca participam do programa "Tá Quente", de Tatá Werneck e Paulinho Serra, na MTV. A atração de auditório estreará no dia 24.
                              Paris A TV Brasil reforça sua programação infantil matutina com duas produções francesas. As séries animadas "Contos de Tatonka", a partir de hoje, e "Animalia", no sábado.

                                quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

                                Televisão - Outro Canal

                                FOLHA DE SÃO PAULO

                                ALBERTO PEREIRA JR. (interino) alberto.pereira@grupofolha.com.br
                                Reclassificada, 'Malhação' terá drogas e vestibular
                                Esticada até junho, a atual temporada de "Malhação", da Globo, ganhará novos temas após o Carnaval.
                                Com a chegada do núcleo protagonista ao terceiro ano do ensino médio, os alunos se preocuparão com a profissão e com o vestibular.
                                O consumo de drogas entre os jovens também ganhará atenção especial no texto assinado por Glória Barreto e Rosane Svartman.
                                Preconceito racial, bullying e DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção) também estarão entre os assuntos a ser debatidos no folhetim.
                                "Na temporada atual, falamos de pedofilia. É um assunto delicado. Também abordamos amizade e ética", diz a autora Rosane Svartman.
                                Em despacho de dezembro de 2012, o Ministério da Justiça reclassificou a novela de livre para não recomendada para menores de 10 anos por apresentar conteúdo sexual e linguagem inadequada.
                                Na prática, a alteração não muda o horário de exibição de "Malhação".
                                Segundo Svartman, não houve mudanças no texto, mas cabe ao diretor no set a palavra final. "Uma cena pode ficar mais quente ou mais fria de acordo com a direção."
                                Ex-Record, Silvia Pfeiffer terá destaque na trama
                                A próxima fase de "Malhação" será dirigida por Carlos Magalhães, com direção de núcelo de Boninho.
                                VÍDEO
                                Divulgação
                                No ar em "Salve Jorge", Nanda Costa aparece em cena inédita da microssérie "Gonzaga", hoje, na Globo, como a dançarina Odaleia Guedes
                                Evangelho 1 Após produzir quatro minisséries baseadas no Velho Testamento -"José do Egito", a última delas, estreará no próximo dia 30-, a Record levará a história de Jesus à TV, em 2015. Antes, em 2014, fará uma série sobre os dez mandamentos.
                                Evangelho 2 No fim de semana foram vendidos 35.370 exemplares de "Nada a Perder", a biografia do bispo Edir Macedo, fundador da igreja Universal, em quatro horas. O evento ocorreu na livraria Gandhi, na Cidade do México.
                                Bahia César Filho também será um dos apresentadores do SBT Folia 2013, em Salvador. Na sexta e no sábado de Carnaval, dividirá o palco com Eliana; no domingo, com Karyn Bravo, e, na segunda e na terça, Filho estará ao lado de Helen Ganzarolli.
                                Chorinho O filme "De Pernas pro Ar 2", em cartaz nos cinemas, e os inéditos "Minha Mãe É uma Peça", "Concurso Público", "Mato sem Cachorro" e "Julio Sumiu" ganharão cerca de 13 minutos de cenas extras cada um quando forem exibidos na TV paga pela Rede Telecine, que é coprodutora dos longas.
                                Arriba 1 A Globo embarcou 350 kg de figurino para a Guatemala, onde grava "Flor do Caribe", sua próxima novela das 18h. Uma equipe de 80 pessoas foi para o país.
                                Arriba 2 A emissora também contratou uma produção local para ajudar nos trabalhos, que vão durar 25 dias. Os atores Henri Castelli, Grazi Massafera, Igor Rickli, Jean Pierre Noher, Sthefany Brito, Moro Anghileri e César Troncoso estão na Guatemala.

                                  terça-feira, 15 de janeiro de 2013

                                  Televisão - Outro canal

                                  FOLHA DE SÃO PAULO

                                  ALBERTO PEREIRA JR. (interino) alberto.pereira@grupofolha.com.br
                                  Sem famosos, 'Fazenda' ocupa 3º lugar em ibope
                                  Arma da Record para levantar sua audiência entre outubro e janeiro, a "Fazenda de Verão" não tem cumprido seu objetivo.
                                  Versão sem famosos do reality show "A Fazenda", que já teve cinco edições no canal do bispo Edir Macedo, o programa ocupa o terceiro lugar no Ibope, atrás da Globo, que é líder, e do SBT.
                                  Desde a estreia, em 31 de outubro, até o dia 10 de janeiro, "Fazenda de Verão" registrou média de 6,6 pontos. No confronto, a Globo marcou 18,4, e o SBT, 8.
                                  Cada ponto representa cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.
                                  No período, mais de dois meses, o reality rural com anônimos ficou à frente do canal de Silvio Santos em apenas nove ocasiões.
                                  Atualmente, o programa comandado por Rodrigo Faro tem evitado o confronto com o "Big Brother Brasil", da Globo, cuja 13ª temporada estreou no último dia 8.
                                  A final de "Fazenda de Verão" deve ocorrer ainda neste mês. A atração mudou de horário desde a estreia: passou de 21h45 para depois das 23h.
                                  A Record deve estrear no fim do primeiro semestre a sexta edição de "A Fazenda", apresentada por Britto Jr.
                                  A produção de uma nova versão de "Fazenda de Verão" ainda está sendo avaliada pela cúpula da emissora.
                                  Divulgação/SBT
                                  SAMBA Péricles, ex-vocalista do Exaltasamba, participa do quadro "Crianças Curiosas", no "Programa Raul Gil", do SBT; vai ao ar no sábado
                                  Fé 1 O "Domingo Espetacular", da Record, exibiu uma reportagem de um pastor reclamando sobre a minissérie "O Canto da Sereia", que, segundo ele, seria propaganda das religiões afrobrasileiras.
                                  Fé 2 Na mesma reportagem, outros religiosos também reclamaram do espaço que a emissora concede a manifestações católicas em sua programação e pediram mais representatividade aos movimentos evangélicos.
                                  Fé 3 No segmento, a Record exibiu sem autorização imagens de "O Canto da Sereia" e da novela "Salve Jorge". A Globo está avaliando que medidas vai tomar.
                                  Data "Paixões Perigosas", com Adriane Galisteu, tem estreia prevista para 17 de maio, no Investigação Discovery.
                                  Cabeleira Larissa Maciel, que raspou o cabelo para interpretar uma egípcia na minissérie "José do Egito", da Record, usa oito perucas diferentes na produção -era costume, na época, remover os pelos do corpo para evitar piolho. O total de perucas encomendas pela produção é de 400.
                                  Palco 1 Em 2012, o Multishow contabilizou 120 shows e mais de 150 horas dedicadas à música. Neste ano, exibirá o Planeta Atlântida, entre os dias 1º e 2 de fevereiro, e festivais como Lollapalooza e Rock in Rio.
                                  Palco 2 A programação musical começará amanhã, com o Festival de Verão de Salvador. Sophia Reis, Luisa Micheletti, Guilherme Guedes, Luíza Sarmento e Débora Teicher comandarão as transmissões do canal.

                                    Ainda em cartaz, 'Gonzaga' estreia como microssérie hoje na Globo

                                    FOLHA DE SÃO PAULO

                                    'Xingu', de Cao Hamburger, teve 33 vezes mais público na televisão do que nas salas de cinema
                                    Parceria com emissora ajuda no orçamento de produções; na TV, longas são reeditados e perdem sutilezas
                                    ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOAinda em exibição em algumas salas de cinema do país -onde já foi visto por 1,5 milhão de pessoas-, "Gonzaga - De Pai pra Filho" pega hoje um atalho e, antes de ser lançado em DVD ou na TV por assinatura, chega à televisão aberta, na Globo.
                                    "Gonzaga sempre foi um cara grande. A TV pode chegar onde não tem cinema", diz o diretor Breno Silveira.
                                    Estreante na televisão, ele, no entanto, reconhece as dificuldades de transferir o longa para a telinha.
                                    "Tive de mexer no material bruto, e quando se mexe é como um castelo de cartas. Na edição se desprezam os silêncios, a paisagem."
                                    Segundo Silveira, a exibição em quatro capítulos na Globo, coprodutora do longa, ajudou a viabilizar o projeto. "Como negar o dinheiro de uma emissora, que de alguma forma vai ajudar o custo. Foram cem locações, 200 personagens", diz, sobre a produção de R$ 12 milhões.
                                    Nos últimos anos, a Globo tem se especializado na transformação de filmes em séries de TV. Em 2011, submeteu "O Bem-Amado" e "Chico Xavier" ao mesmo processo.
                                    A emissora também já realizou o caminho inverso, como em "O Auto da Compadecida", que estreou na TV em 1999, antes de ir ao cinema.
                                    O mesmo deve ocorrer com a recente "O Canto da Sereia" e com "Dercy de Verdade".
                                    "Xingu", de Cao Hamburger, foi exibido em quatro capítulos em dezembro último.
                                    "No cinema, quis explorar a experiência sensorial. Na TV isso não é possível, você está com o controle remoto, tem os intervalos. O ritmo ficou mais acelerado e a edição e a ordem das cenas foram alteradas para criar os ganchos", afirma Hamburger.Mesmo com as mudanças, ele diz que o saldo foi positivo.
                                    Visto por cerca de 392 mil pessoas nos cinemas, "Xingu" teve 14 pontos de média no Painel Nacional do Ibope, o que representa 13,6 milhões de telespectadores por minuto. Cada ponto equivale a 192 mil domicílios.
                                    "Tropa de Elite 2", recordista de público no cinema nacional de todos os tempos, foi visto por 11 milhões de pessoas no cinema.
                                    Claudio Assis, diretor de "Febre do Rato", aplaude a iniciativa da Globo, mas faz ressalvas.
                                    "O público não é burro. Tem que ser respeitado. Não é simplesmente pegar um filme e retalhar como um boi. O projeto tem que ser pensado para esse fim", diz.
                                    NA TV
                                    Gonzaga - De Pai pra Filho
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                                    CLASSIFICAÇÃO não informada

                                      domingo, 13 de janeiro de 2013

                                      Estudo compara reality shows da TV a rituais de sofrimento

                                      FOLHA DE SÃO PAULO

                                      'BBB 13', da Globo, estreou com prova que teve 15 horas de duração
                                      ALBERTO PEREIRA JR.DE SÃO PAULOTestes físicos extenuantes, brigas, intrigas e disputa por espaço e prêmios.
                                      A descrição acima tem sido a bula dos reality shows desde sua chegada à TV, no final dos anos 1990.
                                      Em sua 13ª edição, o "Big Brother Brasil", da Globo, que começou na última terça-feira, não fugiu à regra.
                                      Logo na estreia, submeteu seus participantes a uma prova que durou 15 horas.
                                      Na tarefa, os jogadores deveriam permanecer com as duas mãos encostadas em um carro, sem comer, dormir ou ir ao banheiro.
                                      Em 2009, a atração isolou três "brothers" num cômodo inteiramente branco, submetendo-os à privação de sentidos até que um desistisse.
                                      "A banalização da crueldade só ocorre na TV porque se tornou estrutural em nosso mundo", diz a socióloga Silvia Viana Rodrigues, autora de "Rituais de Sofrimento".
                                      No estudo, que chega neste mês às livrarias, ela compara o fascínio por esse tipo de produção com uma espécie de ritual religioso vazio, repetido à exaustão e que se reproduz na vida real.
                                      "Hoje as pessoas trabalham compulsivamente como se vivêssemos num mundo de escassez, mas nunca houve tanta riqueza. Trabalham para não serem demitidas. Reality shows espelham isso: são como processos seletivos", afirma ela.
                                      Milena Fagundes, do "BBB 9", sentiu isso na pele: "Tinha raiva quando a prova era de sorte. É preciso mostrar garra. Quem está assistindo gosta de ver o sofrimento alheio. Muita gente gostaria de estar lá; já que não pode, quer que o prêmio vá para quem mostre merecer".
                                      Para Luís Simonetti, diretor-geral do "BBB", o programa "é uma grande festa". Ele minimiza o fator crueldade nas provas da atração.
                                      "Elas ficaram mais técnicas. Algumas, que deveriam ser leves, ficaram parecendo mais duras. Mas isso quem cria são eles [os participantes]. Fazemos sem essa intenção."
                                      Para a pesquisadora, o telespectador de reality show não é sádico, mas se anestesiou. "Nossa sociedade exige que sejamos fortes, que não nos deixemos abalar, que superemos os desafios por mais estúpidos e sem sentido que sejam", conclui.
                                      RITUAIS DE SOFRIMENTO
                                      AUTORA Silvia Viana Rodrigues
                                      EDITORA Boitempo
                                      QUANTO R$ 37 (192 págs.)